Gênero: Indie Rock
País: Espanha
Ano: 1998
Comentário: Los Planetas é um grupo de rock Espanhol, formado em Granada. Normalmente esta informação seria muito pertinente, mas para Los Planetas, a região da Espanha não tem tanta diferença. Afinal, indie-rock não é lá um estilo musical de algum parte das terras ibéricas. Tão pouco as letras do grupo abordam a vida em uma região em específico. O grupo, que canta em castelhano, é um pouco universal.
Claro, o castelhano é, como eles
mesmos dizem, uma lengua rara. As
vezes falada numa velocidade assombrosa, nesse disco o dialeto dos
hispano-falantes é dos mais arrastados. J, vocalista da banda, canta quase como
se falasse, sem o mínimo pingo de entusiasmo, alheio ao desenvolvimento sonoro
que ocorre ao seu redor. E esse é um dos charmes do álbum. Seu vocal mantém-se
impassível, uma constante entre as músicas.
Pra ser bem sincero, não é como
se o resto do disco fosse dos mais animados. Com exceção de algumas poucas
faixas, as guitarras, bateria e baixo seguem aquele caminho comum, ligeiramente
interessado do indie noise, se é que esse gênero existe. O que faz você se
perguntar: Porque diabos esse álbum é interessante então, com exceção dessas poucas
músicas?
Ainda que eu pudesse dizer que
músicas como Cumpleaños Total e Segundo Premio sozinhas já valem o disco, vou
tentar justificar tudo. Antes de tudo, as letras do disco são fator bem
importante. Melancólicas, nostálgicas e um pouco depressivas, falam muito do
passado. Do passado que se foi, que não aproveitamos ao máximo, que poderia ter
sido melhor. Poderia é uma bela palavra pra definir tudo do disco. As coisas
poderiam ter sido diferentes.
Mas não foram. E Los Planetas não
são de reclamar disso. A nostalgia do disco não é daquelas pedantes. Não é um
choro de um velho homem, que já não mais vê escapatória pra vida. Una semana en
el motor de un autobus é mais uma reminiscência. Aqueles jovens viveram certas
coisas e sabem que elas se foram. Sabem que fizeram muitas burradas, que muitas
coisas vão ficar mal resolvidas e que isso faz parte da vida.
É como muitos dizem, pra ir para
frente muitas vezes temos de olhar para trás. E o disco funciona assim. Na
primeira metade, as músicas são claramente mais devagar, insinuando um pouco de
tristeza, como alguém que não aprendeu a lidar com esse passado. Mas conforme o
disco vai passando, o tom muda.
Agora, as músicas são mais
rápidas, as guitarras mais animadas, a bateria mais marcante e os efeitos e
distorções mais presentes e interessantes. O trabalho começa a crescer em
escala, acompanhando a mudança de tom das próprias letras. É uma mudança
interessante e que reforça o conceito do disco.
USEEMDUA (eita acrônimo difícil)
é um disco interessante. Talvez não seja dos maiores discos de rock alternativo
das últimas décadas, mas é um grande trabalho em Espanhol. Além disso, algumas
de suas músicas são realmente fantásticas, o que já tira ele do lugar comum. É
um disco ótimo para quem quer conhecer um pouco mais dos outros países e pra
que já está cansado de ouvir algo indie com o mesmo tipo de vocalista.
Tracklist:
01. Segundo prêmio - 5:31
02. Desaparecer - 4:03
03. La playa - 4:01
04. Parte de lo que me debes - 5:36
05. Un mundo de gente incompleta - 4:44
06. Ciencia ficción - 2:41
07. Montañas de basura - 3:46
08. Cumpleaños total - 3:07
09. Laboratorio mágico - 3:55
10. Toxiscosmos - 7:41
11. Linea 1 - 4:13
12. La copa de Europa
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