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quinta-feira, 11 de agosto de 2016
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As Bahias e a Cozinha Mineira - Mulher

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Gênero: MPB / Rock / Blues
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Tirando a poeira do teclado, aqui estou, depois da metade desse conturbado ano de 2016, me colocando novamente a serviço desse blog que eu não consigo deixar de amar. Bem, então vamos lá, pra não perdermos o fio da meada e etc. As Bahias e a Cozinha Mineira veio até mim pela indicação de um amigo, aliás, Gilson, muito obrigado.

Mulher, primeiro registro do grupo carrega uma infinidade de referências que eu amo: passa pela catarse que é o Johnny Hooker, a força de Gal Costa, o encanto que é a Amy, a musicalidade regional nordestina, tropicália, brasilidade e afins, Assucena Assucena e Raquel Virgínia conseguem com seus vocais transmitirem tamanha visceralidade e entrega que me fizeram tirar a bunda da cadeira e vir escrever um pouco desse álbum aqui, mesmo que eu esteja enferrujado para isso.

A sonoridade da banda tem muito dos ritmos musicais nordestinos, destaque para Esperança no Cafundó um xote lindo demais, bem ritmado, que dá vontade de sair dançando por ai -  que ainda conta com uma sanfona e um vocal bem tristonhos lá do meio pro fim, caindo para um ritmo bem balançado, que nasce de ótimas cordas e se encaminham prum final bem melódico e que se une a uma guitarra um tanto experimental da faixa seguinte, Lavadeira Água, que apresenta uma percussão advinda do maracatu, aliás, configurando numa ótima passagem do álbum, vale ressaltar.

A música que abre o álbum Apologia ás Virgens Mães é uma das músicas mais belas que ouvi esse ano, seja em ritmo ou poesia. Não consigo descrever em palavras o que essa música me causa, mas ela me entorpece de uma maneira, acalenta, acalma, mas também revolta, inquieta: arrisco-me a dizer que foi a melhor escolha da banda em iniciar o álbum com ela: é forte, mostra variedade musical, uma letra bem construída, apresenta lindas referências e o melhor, já encanta a primeira ouvida, pelo menos para mim funcionou.

Sendo nós, do país que mais mata travestis e transexuais, Mulher se coloca como local de destaque no enfrentamento desse número horrível, já que a banda conta duas mulheres trans nos vocais, o álbum se faz resistência poética diante do mundo em que vivemos. Tendo em suas letras um forte teor político e feminista em suas composições, revelando nas camadas de seus textos as chagas de ser mulher hoje no Brasil. O álbum vai do carnaval ao político sem nunca perder o tom, sem nunca perder sua estética.

Destaco ainda no álbum a melódica Uma Canção Para Você - Jaqueta Amarela, a dolorida Melancolia (o início instrumental da música é, puta merda, uma das coisas mais lindas e doloridas do álbum), a experimental e já citada Lavadeira Água e a essencial Apologia ás Virgens Mães.



Tracklist:
01.Apologia às Virgens Mães
02.Josefa Maria
03.Lata d'água na cabeça
04.Esperança no Cafundó
05.Lavadeira Água
06.Ó Lua
07.Comida Forte
08.Foi
09.Uma canção pra você
10.Melancolia
11.Mãe Menininha do Gantois
12.Fumaça
13.Reticências

Ouça: Spotify

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
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Bandas Amigas: Galego

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Artista paulistano que vai do transe atlântico ao trance espacial. Se aventura por diversas linguagens. Em uma de suas musicas diz: "keep me out of the mold, out of the line, outside the rules/ let me follow the unknown, i want to burn me all, all inside you (mantenha-me fora do molde, fora da linha, fora das regras/ deixe-me seguir pelo desconhecido, eu quero me queimar todo, todo dentro de você).

Ao fixar o texto acima, proveniente da página do artista, e encerrar o post desta forma é inevitável não transmitir um sentimento de preguiça. Mas verdade seja dita: a descrição acima realmente resume muito bem o trabalho de Galego.


Mas vale ressaltar diferenças entre seus dois — e que não sejam os únicos — discos. Com uma sonoridade e estética claramente importada do hemisfério norte, um gringo despojado, o disco The Man of Tomorrow lançado em outubro de 2015 faz eficaz uso do eletrônico e do indie/rock alternativo, além das letras em bom inglês. Ou se preferir como o próprio músico avalia: canções que passeiam de forma ousada pelo universo eletrônico-indie-rock-algumacoisa. The Man of Tomorrow se mostra um trabalho realmente pessoal, com Galego participando de todas as etapas (composição, gravação, produção, mixagem e masterização) sozinho.


Em contraste, Transeatlântico (2014) é aquele disco brasileiro para quem gosta da chamada "nova bossa", "nova mpb", no qual temos uma grande variedade sonora, tanto de gêneros como de épocas da música, sendo compatível com o som de músicos e bandas como Leo Cavalcanti, Curumin (que inclusive faz uma participação no disco), Karina Buhr, Cidadão Instigado, ou seja, um tanto swingado, um tanto romântico, um tanto pop, um tanto indie, um tanto tanta coisa. Assim não é difícil imaginar que Transeatlântico foi aceito facilmente, conseguindo o destaque que merecia.
Neste disco Galego dividiu as tarefas com Cris Scabello e Mauricio Fleury, membros do Bixiga 70, além de outros nomes.

Ambos os discos podem ser baixados no site do músico e também estão disponíveis para audição no Spotify e SoundCloud. Ah, e curta a sua página no Facebook.

domingo, 24 de janeiro de 2016
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BANDAS AMIGAS #10 - Cássio Figueiredo

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Confesso que é um pouco estranho chegar a esse momento da carreira de Cássio Figueiredo, quem um dia já fez parte da staff do Pignes e sempre será meu bom e grande amigo Cás. Até a própria afirmação ou questionamentos do sujeito – fazendo um trocadilho medíocre com uma das produções dessa “nova” fase que, por fim, não é uma fase e sim ao que parece o zênite de uma produção contínua ou quase contínua – me puxa lembranças e indícios de uma época que, agora, parece tão evidente que Cássio convergiria. Sempre fui muito fã de sua trajetória (sobretudo do ponto de vista estético da coisa), de ver alguém tão jovem com um peso artístico tão grande passado por nós de maneira sorrateira e que vem se consolidando com o tempo; como ele próprio me disse recentemente “você me viu crescer”. E vi, sim, cresceu como pessoa e como artista que, quase como um deja-vu, eu volto para falar da música do Cás aqui no site como um dia fiz em Less.

Cito Less porque vejo a essência do artista por trás da música transmitida de outra forma bem diferente. Neste tão antigo projeto, Cássio trazia uma reminiscência pesada do Metal efervescente da época (da nossa e da dele). Contudo, o modo caseiro e despretensioso de fazer a coisa, a subversão do feio como belo, o contrassenso da musicalidade e harmonia já presente em seus primeiros ensaios se arrastaram e se elevaram, ou melhor, decaíram (no sentido de "se recolheram", "tornaram-se intimista", "voltaram para dentro") faixa a faixa à medida que Cássio vinha se encorpando ao Noise, ao Shoegaze, ao Drone e às diversas experimentações que um artista pode fazer para expressar sua criatividade, até chegar ao momento mais intimista e maduro que eclode em seu último lançamento, Presença (2016), disco este que tem ainda a parceria com Cadu Tenório, quem por sua vez já foi citado em seu trabalho ao lado de Juçara Marçal aqui.

Esses dias, refiz quase toda trajetória de Cássio em sonoridade e fotografia, tracei as texturas e tudo me comove e leva a pensar que Presença é sim um disco pessoal – do artista para conosco e do artista para com ele –; não que os demais não sejam (sempre é), mas este em especial soa com um rito de passagem, o início ou fim de uma era; Cássio também me disse que talvez a diferença de Presença para os demais discos lançados foi seu tempo de maturação até ser de fato lançado. Como falei anteriormente, o que me chama atenção não é apenas a música dele em sua forma técnica, exposta na sonoridade de violão, violino, software, gaita, colagem de som digital, fita cassete ou, como ele mesmo me disse “objetos”. Contudo também a interligação da música com as sensações/emoções, historias por traz da criação (onde fez? como fez? por que fez ou pra quem fez?), a estética dos projetos e conceitos que, por sua vez, falam por si só.

Por fim, não adianta dissecar disco a disco, tendo em vista que Presença é evidente, porém não é o único. Cá presenciamos a notoriedade da música de um artista de muito tempo, onde Cássio Figueiredo traz vários projetos nas costas com músicas que precisam obrigatoriamente serem ouvidas e não explicadas, pois é sempre válido ressaltar que a música é acima de tudo subjetiva. Do meu lado, aquele que acompanha a trajetória, me faltam palavras para expressar o orgulho que sinto por esse menino (que sempre foi precoce) e digo, não apenas por mim, mas por todos os outros daqui do Ignes que são da mesma época que Cás, que este foi um bandas amigas que já um tempo devíamos a ele e, particularmente, escrevi com lágrimas nos olhos, pois levo ao sentido bem literal da ideia: amigo.

Less / Inutiargu / "Partir" de Projétil / Cássio Figueiredo / Soundcloud

Presença (2016)


O nome "presença", assim como a imagem escolhida pra ilustrar, foram questionados por mim como escolha pra esse trabalho durante todo o tempo que se passou desde o momento final das gravações até hoje, um dia depois de eu ouvi-lo finalizado pela primeira vez. Minha dificuldade de escrever sobre tudo o que aqui se manifesta perdurou por todo esse tempo e persiste até agora. Meu esforço e insistência em tentar descrever essa presença que sinto, o clima que me envolve, os símbolos que com tanta força tento interpretar da melhor forma possível. Está tudo aqui, disperso e junto, caótico e distinto, e minha carta de rendição a qualquer forma de separar criador e criatura.




Sujeito (2015)

A busca pela construção de um eu lírico sedento por identidade e por uma delimitação frágil o suficiente para admitir a ocorrência de posteriores alterações. 

Vejo o projeto como uma exposição do exercício reflexivo de um autor puramente empírico. Sem grandes pretensões, a minha intenção foi justamente a criação de uma obra relativamente não-convencional que expusesse da maneira mais egoísta (aqui no melhor sentido da palavra, se é que existe) o que provém de mim, das minhas experiências e impressões. 

Longe de ser a única leitura válida e que põe fim e limite ao EP, é antes apenas uma das várias que podem o preencher de significado, ou paradoxalmente o despir do mesmo, visto que é tão íntimo que pode chegar a não apresentar mesmo signo nenhum. 

"Sujeito" é uma exaltação ao modo corrente de percepção de si enquanto indivíduo. 

Enquanto indivíduo que ama, que sofre, que vive, que percebe, que conhece, que sente, e que pensa. 
E ao mesmo tempo que não está livre das amarras das suas próprias paixões, desejos, afetos, relações e ideias. 

Pois está e é sujeito. 

A si, e a todas essas coisas.


domingo, 13 de dezembro de 2015
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BANDAS AMIGAS #8 - Pedro Dias Carneiro

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Pedro Dias Carneiro
Vovô Bebê


Pedro Dias Carneiro é compositor, arranjador e produtor musical. Nascido no Rio de Janeiro, hoje passa boa parte do seu tempo na estrada entre sua cidade natal, onde assumiu no último ano o antigo estúdio 304, e Belo Horizonte, trabalhando como assistente e aprendiz do produtor musical Chico Neves. Com a sua banda carioca, "Dos Cafundós", fundada em 2002, lançou o elogiado disco "Capitão Coração” pelo selo inglês Far Out.

As suas letras intensas e a sua música disforme recriam o lugar previsível da canção brasileira. E as suas criaturas-canções falam sobre a vida cotidiana do mundo e, ao mesmo tempo, inventam imagens quase cinematográficas, deslocando os seus personagens do comum ao absurdo com a intimidade de quem transita, em sua própria vida, entre esses dois lugares.

“Vovô Bebê” (independente) é o primeiro álbum do compositor, que estará disponível para download gratuito a partir do dia 14 de dezembro, no site www.vovobebe.com.

Concebido por Pedro e Chico Neves entre 2009 e 2014, “Vovô Bebê” é um apanhado afetivo de canções registradas entre a casa de Pedro, no Rio de Janeiro, e os estúdios de Chico, no Rio e em Belo Horizonte, onde o produtor vive há três anos. A arte do disco, caprichada, detalhista e com pedaços de fotos antigas impressas, foi feita pelos designers Felipe Bardy e Guga Liuzzi. Acompanha, ainda, um livreto biográfico do artista. Os instrumentos são, em sua maioria, tocados por Pedro e Chico, com participações especialíssimas de Guinga (violão), Conrado Kempers (violino e dilruba), Marcelo Caldi (acordeon) e Pedro Braga (piano).

"Nenhuma das músicas tem bateria e a percussão aparece em duas ou três faixas", diz o jovem artista. Pode-se dizer que a sonoridade do disco foi praticamente concebida durante as gravações. Todas as canções são da autoria de Pedro, com exceção de "Saudade do Cordão", parceria dele com Guinga. O repertório é autoral inédito e marca a estreia do músico de 30 anos, que compõe desde os 10 anos. O disco traz 10 faixas, cinco para cada lado: A e B.


A tradição e o experimentalismo andam juntos na personalidade musical do compositor, que faz uma música paradoxal: às vezes simples, às vezes complexa, às vezes leve e, outras, densa. É, com certeza, um disco original, repleto de dor e beleza, agressividade e acalanto. Difícil enquadrá-lo num gênero ou categoria, já que ele transita por vários lugares, com muitas cenas e informações. Há um jovem, um bebê e um senhor ali. Há também um mundo a ser descoberto: A caverna do Pedro Dias Carneiro.

Para o produtor e amigo Chico Neves, o jovem Pedro Dias Carneiro é uma figura ímpar, que surpreende a cada composição. "Ele tem uma maneira de pensar a música muito peculiar, instigante e inteligente. Escreve as letras de uma forma brilhante! Este trabalho foi desafio dos bons, longo caminho trilhado até chegar na forma, no conceito, desta joia rara que se tornou o primeiro disco do Pedro. Muito talento para uma pessoa só, que às vezes se perde e se dá um nó!".



sábado, 3 de outubro de 2015
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Elza Soares - A Mulher Do Fim Do Mundo

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Gênero: Samba / Samba-rock / Rap / Jazz / Vanguarda Paulista
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: É extremamente difícil saber como eu vou começar essa resenha. Mas comecemos, mesmo sem saber de onde, mesmo sem saber como. Na primeira faixa já temos um poema musicado do Oswald de Andrade, Coração do Mar, na voz rouca, potente, sofrida, visceral dessa rainha que é Elza Soares.

Tenho para mim que a abertura do álbum com Coração do Mar e Mulher Do Fim Do Mundo, a faixa-título, resumem muito bem o conceito que o álbum quer passar. Esse samba que é choro, que arrebata, sofrido, estranho, cheio de barulhos sujos, vanguardista - que depois de setenta anos de carreira, desabrochou em um primeiro álbum de inéditas. E inserida nesse universo de apocalíptico e apoteótico, Elza canta até o fim a negritude, a força da mulher, o sexo e a dor.

Maria da Vila Matilde funciona como uma espécie de retrato para várias mulheres que cansaram de serem tratadas como maltrapilhos pelos seus companheiros. Ela ameaça jogar água fervendo, soltar os cachorros e promete - ele vai se arrepender de levantar a mão pra ela, ah se vai. A faixa é um samba de ritmo estranho, que se apropria da falta de compassos, de cordas soturnas, de uma pequena referência ao partido alto, que logo se quebra para voltar a sua excentricidade habitual. Ah, e que faixa, não consigo passar por ela e ouvir uma vez só, por sinal.

O álbum foi todo composto, ritmado e musicado pelos excelentes artistas da cena de vanguarda paulista, responsáveis também por álbuns que também já nasceram clássicos, como o Encarnado, da Juçara Marçal lançado no ano passado, como Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Felipe Roseno e etc. A produção ficou por conta do bateirista Guilherme Kastrup - e com cada música pensada especialmente para os temas e a voz da Elza, não seria difícil de prever a sensação que esse álbum seria. A Mulher Do Fim Do Mundo é uma explosão de dor, martírio, erotismo, brasilidade, samba, rock, experimentações. É difícil rotular esse álbum dentro de uma caixa, e quando isso acontece com um trabalho, é quase certo de que ele está no caminho certo. E esse álbum é isso: é um percurso em um caminho tortuoso e difícil, mas com toda a certeza, certeiro.

Elza não tem medo de palavrão, não tem medo de abrir feridas, de se fazer erótica - e é justamente isso que faz em Pra Fuder, um samba muito bem marcado, de percussão gradual, de metais entrelaçados a tudo de vocal visceral, synth e etc. O swing que a faixa apresenta é latente e sedutora, principalmente pela entrega da voz da Elza, que sabe onde ir nos momentos certos, sabe diminuir e aumentar sua intensidade, dosar e entregar o deu desejo.

É difícil não se alongar nas discussões sociais, musicais e culturais que esse álbum carrega. Pra mim ele funciona como a comprovação de que a cultura e a música nacional vão bem, obrigado. Os temas são atuais, vão do rap de Firmeza?!, o acústico de Solto, com a voz da Elza em evidência, até a musicalidade de um poema modernista! E todos estão juntos nessa miscelânea de mundo prestes a acabar, de choro que não é nada além de carnaval, de dança, de soturnidade, de uma mulher curando suas próprias feridas após ter enterrado um filho - sentimos a agonia e a libertação que esse trabalho exala e oh, só podemos agradecer pelo registro, por podermos ser retirados nessa contradança que a Elza nos convida a fazer.

A Mulher Do Fim Do Mundo é também uma Menina que Dança - é o multiculturalismo brasileiro reafirmando suas raízes, reafirmando sua negritude, usando aqui como exemplo as batidas da faixa O Canal, sua identidade; sua voz. No fim desse mundo que não ainda não acabou só me sobra um vazio dentro do peito - assim como o vazio que o álbum também apresenta - e a sensação de que os deuses estão errados: a humanidade não é imagem e semelhança, é carnaval.




Tracklist:
01. Coração Do Mar
02. Mulher Do Fim Do Mundo
03. Maria Da Vila Matilde
04. Luz Vermelha
05. Pra Fuder
06. Benedita
07. Firmeza?!
08. Dança
09. O Canal
10. Solto
11. Comigo

Download: Site Oficial

segunda-feira, 21 de setembro de 2015
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Johnny Hooker - Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!

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Gênero: MPB / Glam Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: O Johnny é uma catarse. Evocando a filosofia aristotélica, encontramos o conceito de catarse como “purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama” e logo na primeira faixa, a que dá nome ao álbum, Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, a gente percebe essa catarse atrelada na poética do cara.

Aliás, esse resenha é dedicada a Ariels porque esse álbum é verdadeiramente dela (a gente dividiu e estamos a procura de um álbum pra mim).

“É, talvez algum dia / Eu vou te encontrar / E só se eu te implorar / Conte mentiras pra me fazer sonhar”, o drama está intrincado na letra tal qual na sonoridade com os metais advindos de uma novela mexicana – e não pensem que é uma ofensa, longe disso, as novelas mexicanas são permeadas com todo o drama visceral que o Johnny apresenta na faixa, toda a macumba pra amarrar seu amor maldito, assim, libertando-se do sofrimento que é aquele amor por meio da percussão bem ritmada e do vocal quase gritado mais pro final da faixa: como já disse, catártico.

Em Volta, Johnny mantém a sonoridade bem atrelada aos metais, algo bem latino, kitsch, quase brega – mas funciona. Funciona porque as letras pedem esse drama excessivo, pedem essa esse erotismo que ele coloca em suas interpretações; essa tragédia bem ritmada e fluida, não caricata, mas real, pulsante, falando tudo o que precisa ao mesmo tempo e sem se tornar uma cacofonia irritante: o drama mantém cada coisa em seu lugar.

O álbum dói. Alma Sebosa, que fora trilha sonora de uma novela das sete da Globo, mantém a mesma pegada que as anteriores, só que na faixa há algo bem mais mariachi, os metais em maior evidência em um ritmo mais rápido, bem ornamentados com a percussão dançante. Vale também ressaltar a ótima versão de Alma Sebosa em espanhol que joga ao quadrado todas as referências sonoras presentes na versão em português. É uma faixa com uma característica que é bem recorrente no álbum, até, mas não falha, em momento algum. Nem cansa, longe disso, porque no decorrer da mesma temos uma guitarra que vem se juntar com toda a potência que o álbum apresenta – e se mantém assim em quase toda sua extensão.

Algo que quero deixar frisado aqui é a poesia das letras. Nas quatro primeiras faixas, com Chega de Lágrimas se afastando um pouco das linhas dos metais presentes até então, há reinvenções de amores descontentes; perdas, danos, ganhos, acertos e erros. O que me atrai no álbum é o medo de não se esconder, as composições são altamente doídas e existenciais, relatam casos amorosos das mais variadas formas, resfolegam na lama, não se salvam de maneira alguma - as composições não têm medo de se tornarem piegas ou caírem no brega mais do mesmo, no brega farofa que a gente tanto amo, elas realmente viram poesias embaladas por uma sonoridade que só as faz crescer.

Amor Marginal ganhou uma gravação um pouco menos soturna do que a do álbum anterior, mas ainda assim agrada. É ela que, para mim, funciona como o ponto de ruptura de tudo que vinha anteriormente acontecendo no álbum. Ela é mais lenta, mais sofrida, tem uma pitada de ultrarromantismo, funcionando também muito bem com a faixa seguinte, Segunda Chance, que começa num voz e violão incrível.

Aliás, falando ainda de Amor Marginal, ontem fora lançado o belíssimo clipe da faixa. Uma incrível interpretação do Luiz Miranda com um texto original do Johnny funcionando como prólogo e, posteriormente, epílogo do mesmo. O clipe fora inspirado no ótimo filme de Javier Fuentes-León, Contracorrente, de 2009, que também narra o relacionamento de um homem casado com um “morador” do mar. O filme é belíssimo, vale a pena à procura e funcionou muito bem a vibe do mesmo com a música do Johnny – a atuação do Johnny, o cenário e o figurino são incríveis, você fica criando a narrativa daquele casal, daquela trilha mentalmente e tudo só se torna mais poético, mais catarse, por favor.

Finalizando a resenha tem a sensacional Você Ainda Pensa?. Letra e sonoridade estupendas, de uma dor fodida, de um amor real, de uma vida real, de um casal real. Sei lá, não consigo ver o Johnny longe de toda essa tragédia, desse buraco que ele não faz questão nenhuma de sair, ao contrário, ele te carrega pra ele, te faz sentir aquilo tudo, te faz sentir mal estar – te faz sentir bem com o teu próprio mal estar e para mim isso é o ponto máximo do álbum.

A catarse se faz presente nessa tragédia feita para ilustrar diversas faces de um amor maldito.


Tracklist:
01. Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!
02. Volta
03. Alma Sebosa
04. Chega de Lágrimas
05. Amor Marginal
06. Segunda Chance
07. Boyzinho
08. Boato
09. Você Ainda Pensa?
10. Desbunde Geral
11. Alma Sebosa (Versão em Espanhol) 
 
Ouça: Spotify

 
terça-feira, 18 de agosto de 2015
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Ana Cañas - Tô na vida

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Gênero: Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Muitos creditam ou se surpreendem com a "nova" fase roqueira de Ana Cañas impressa em Tô na vida, seu mais novo disco, mas o mesmo não traz tantas novidades em si.

Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi), mixagem de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) e colaborações de peso por parte de Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Dadi, Canãs fica à vontade para perfilar o que melhor sabe fazer: canções sobre o amor e dor.

Assinando grande parte do repertório, a cantora versa de maneira simples e pegajosa sobre a plenitude amorosa encontrada como em "Existe" (canção com belo solo de Maia), na cadenciada "O som do osso", em "Indivísvel" (música marcada por riffs marcantes e secos em ode a Joan Jett), na predominante acústica e lasciva  "Bandido", na suja "Madrugada quer você" (parceria estridente com Arnaldo Antunes e Lúcio Maia). Nesta seara destaca-se também o hino feminista "Mulher" ("Nenhuma em mil, ninguém e todas / Alguém te pariu, linda e louca"), que funciona como uma co-irmã de "Todas as mulheres do mundo" (canção de sua ídola Rita Lee)

Em contrapartida, baladas como o primeiro single "Tô na vida" (soul conduzido pela guitarra marota e sexy de Lúcio e pelo teclado vintage de Jeneci), "Amor e Dor" ("Não sei que eu sou/mas sei que vou por aí) e a beatleniana "Pra machucar" ("Por que é que a gente diz as coisas quase sem pensar?") revelam a outra porção do amor, expondo as fragilidades de quem se arrisca de coração aberto e sofre entre erros e acertos em busca a realização.

Num balanço final, para quem conhece a sua carreira de fato sabe muito bem que a postura rock n' roll já era alardeada, seja no palco ou com os apontamentos presentes em canções dos álbuns Hein? Volta. Mas a falta de novidade não descredita a qualidade alcançada neste trabalho. A coragem em se desnudar ante ao público segue como grande trunfo desta garota prodígio da música brasileira.

             
[Site]

Tracklist:

01. Existe
02. Tô na Vida
03. Hoje Nunca Mais
04. O Som do Osso
05. Indivisível
06. Coisa Deus
07. Bandido
08. Feita de Fim
09. Um Dois um Só
10. Amor e Dor
11. Mulher
12. Pra Machucar
13. Madrugada quer Você
14. O Amor Venceu (Faixa bônus)


Ouça: Deezer

quarta-feira, 8 de julho de 2015
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Esteban - Saca La Muerte de Tu Vida

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Gênero
: Pop Rock / Rock Platino
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário:O Tavares sempre afirmou que o que fazia em seu novo projeto era um “rock platino”, algo com muito violão, acordeom, piano e aquela melancolia tanto vocal como nos temas das canções. Em Saca La Muerte de Tu Vida, temos essa combinação magistralmente bem apresentada desde a concepção do álbum até a apresentação do mesmo.

Saca La Muerte de Tu Vida parece captar muito bem a essência gaúcha nostálgica/melancólica do Tavares. Já em “Janeiro”, música que inicia em um ótimo duo de piano e voz, podemos ver todo o resumo do gênero que ele se dispôs a fazer com o Esteban impregnado na letra e melodia. Aliás, é uma das mais belas poesias do álbum: “Teria paz se não tivesse sangue / Se o coração não conseguisse trabalhar / Esqueceria tudo do começo / E viveria toda a vida sem pensar / Não tomaria tantos comprimidos / Apagaria o que me dessem pra fumar”, só esse trecho já evidencia um narrador modelo por detrás da persona do cantor – a música tem o tom de intimidade que o álbum procura, além de ter forte presença de elementos do platino, um acordeom em uma brincadeira de evidenciar/esconder por detrás da bateria e do piano – é realmente a melhor faixa para apresentar o projeto a desconhecidos e já causa arrebatamento os que acompanham o trabalho do cara.

Pra Ser” coloca o álbum um pouco mais pra cima, embora as letras introspectivas e de arrependimento continuem bem presentes na faixa. Aqui o som do acordeom é um espetáculo a parte, está muito bem inserido por detrás da polifonia sonora dos elementos platinos que o Tavares faz questão de mesclar muito bem, obrigado. E no finzinho a bateria é realmente um fator importante na sonoridade.

Cigarros e Capitais” tem uma musicalidade muito peculiar dentro da estética sonora do álbum. Uma bateria mais ritmada, lembrando muito “Pianinho”, de seu álbum anterior, embora aqui a condução seja do acordeom e bateria. Na quinta faixa, “Tango”, temos uma das melhores surpresas do álbum. Eu particularmente gosto muito da latinidade que escorre nas criações do Tavares, até mesmo na promoção do Saca La Muerte  em seu instagram havia um quê de mistério latino por detrás das imagens que ele postava – fora uma divulgação bacana, com uma estética forte, tanto quanto o álbum. E o coral de “Tango” é uma das coisas mais belas feitas por ele, um primor.

Martes” é outra das músicas marcantes do álbum – um vocal em espanhol, a sonoridade platina fazendo-se presente desde o primeiro segundo. De longe é uma das minhas favoritas do álbum, funciona muito bem se ouvida logo depois de “Janeiro”, formam um duo excelente, coeso, inserido dentro da estética que o Tavares busca. Embora possamos aqui tecer críticas às repetições que metade do álbum apresenta ele é coerente por se manter em seu estilo, e bem, temos sim variações. Temos um pouco do tango infiltrado nas canções, do pop rock de fácil aceitação – embora em menor quantidade nesse aqui se compararmos com o “Adios Esteban!” -  flutuando por entre as faixas, uma ótima música instrumental funcionando como uma linda pausa do vocal do Tavares retomado logo em seguida em mais uma das faixas bem pessoais, a temática latina principalmente Uruguaia e Argentina entre as criações, um pouco de experimentalismos com algumas distorções e batidas eletrônicas em “O Que Não Vem”, etc.

Me Sinto Humano” tem um pouco do rockabilly  na essência de sua introdução e batida, embora possa ser só reminiscência da minha cabeça que associa o Tavares a um ícone tatuado latino americano de cigarro pendente, topete e jaqueta de couro, logo, um rockabilly com tango e acordeom – o que nem é tão improvável assim.

Considero o Tavares um dos compositores e intérpretes mais dignos de uns tempos para cá, lógico que todo o estigma criado em torno da Fresno, banda que o lançara a nível nacional, faz com que se criem indevidos muros de preconceitos com a música que o cara cria. Não considero a Fresno nem a pior ou a melhor banda do mundo, mas respeito à história da banda e o que eles foram capazes de criar – e é só repararmos o repertório, sonoridade e conceito criado por Tavares em seus álbuns que vemos que existem muitas coisas infundadas nessa chateação de ter de odiar tudo de cara. Saca La Muerte de Tu Vida se apresenta, para mim, como um dos mais coerentes registros nacionais desse ano: um punhado de morte em sua melhor concepção dentro de vidas (e álbuns) um tanto vazios.





Tracklist:
01. Janeiro
02. Pra ser
03. Chacarera da Saudade
04. Cigarros e Capitais
05. Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)
06. As Terças Podem Se Inverter
07. Martes
08. O Que Não Vem
09. Me sinto humano
10. Se
11. Carta aos desinteressados
12. Maria
13. Chacarera 2 (Feat. Pirisca Grecco)


Ouça: Spotify

terça-feira, 17 de março de 2015
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Céu - Ao vivo

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Resultado de imagem para céu ao vivo

Gênero: Jazz / Reggae/ Dub / Hip hop / Afrobeat
País: Brasil
Ano: 2014


ComentárioFruto da cena nova cena paulistana Céu é um dos seus melhores exemplares. Atenta a diversidade sonora, a cantora vem desde 2005 apostando numa sonoridade híbrida da música negra, transitando livremente entre jazz, reggae, dub, hip hop e o afrobeat. Disco a disco, a cantora vem conquistando um maior número de adeptos.

Sua carreira fora iniciada há 10 anos com Céu, disco que já lhe rendeu certa atenção do público graças aos hits “Lenda” e “Malemolência” que figuraram em trilhas de novelas da Rede Globo. Na sequência foi a vez Vagarosa, álbum lançado em 2009, trabalho que figurou na lista de melhores do ano de várias publicações. O mais recente Caravana Sereia Bloom, de 2012, também percorreu os mesmos caminhos, obtendo reconhecimento ambos os lados, graças ao grande amadurecimento de suas características habituais.

Dona de uma voz inconfundível, lenta e sensual, Céu faz de suas composições (geralmente criadas em parceira com Gui Amabis, Lucas Santanna, entre outros) um retrato fidedigno de sua pessoalidade, transbordando paixão e beleza a cada verso.  

Aproveitando o sucesso conquistado ao longo dos últimos anos e a repercussão positiva da sua recente turnê (que percorreu o Brasil e também o exterior) acabou por resultar no seu primeiro registro ao vivo.

Gravado ano passado no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, Céu ao vivo marca seu primeiro registro sob a batuta da Som Livre. A apresentação, que teve direção musical da própria cantora, contou também o apoio da Zeppelin Filmes e do coletivo The Wolfpack, que ficaram responsáveis pelo apelo visual.

O setlist da apresentação opta, acertadamente, pelo formato o melhor de... , pois percorre toda a carreira da cantora. Em sua maioria as faixas ganharam texturas muito próximas aos registros oficiais de estúdio, mas não deixa de ter suas surpresas. A faixa “Cangote” é exemplo desta seara, pois ganhou novos ares, tornando-a ainda mais dançante graças a melodias em ode ao carimbó, ritmo tradicional paraense.

Na ala das covers, outra característica recorrente a sua carreira, surge a agradável releitura de “Mil e uma noites de amor”, hit oitentista de Pepeu Gomes, trilha da novela “Roque Santeiro” que faz par ao hino “Concrete Jungle” de Bob Marley, cantor recentemente homenageado pela cantora na turnê Catch a fire, época em que tocava do maior ícone do reggae na íntegra.

Escudada por exímios músicos, a banda de apoio formada por Dustan Gallas (guitarrista e tecladista), DJ Marco, Lucas Martins (baixista) e Bruno Buarque (baterista) deixa a cantora à vontade, em entrega absoluta ao devoto público, composto por quatrocentas pessoas, que participa do espetáculo cantando cada um dos versos em uníssono durante toda apresentação.

Em síntese, Céu ao vivo, agrada, pois serve tanto para converter iniciados a sua música como também vale a apreciação dos já habituados. Passada a primeira década de bons serviços prestados Céu segue como uma das cantoras mais relevantes da música popular brasileira.       


(Site)


Tracklist:

1. Falta De Ar
2. Amor De Antigos
3. Contravento
4. Retrovisor
5. Grains De Beauté
6. Mil E Uma Noites De Amor
7. Cangote
8. Baile De Ilusão
9. Streets Bloom 10.
10 Contados
11. Malemolência Música Incidental: Mora Na Filosofia
12. Lenda
13. Concrete Jungle
14. Chegar Em Mim
15. Rainha


Ouça em: Deezer

terça-feira, 3 de março de 2015
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Los Hermanos - 4

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Gênero: Alternative rock / MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 2005

Comentário: Transição. Essa é a palavra que define o que 4, último álbum dos cariocas dos Los Hermanos, trabalho que celebra dez anos de seu lançamento em 2015. Controverso para época, o disco não agradou de imediato grande parte do público.

Aguardado por muitos, o sucessor de Ventura, disco solar e enérgico e de relativo sucesso, decepcionou fãs de longa data que se dividiram entre amar ou estranhar o novo rebento. A crítica, por sua vez, polarizou opiniões entre rasgar elogios ou não entender o porquê mais um recondicionamento sonoro. Mas afinal por quê tamanha disparidade?

De fato, para aqueles que acompanharam e devotaram a evolução sonora promovida em Bloco do eu sozinho, 4 representa mais uma guinada musical, a maturidade da maturidade, mas com certo estramento inicial, pois é perceptível a mudança gradual nas composições da dupla Camelo e Amarante, responsáveis por todo o repertório da banda.

Os acordes iniciais de "Dois barcos", canção de Marcelo Camelo, já denunciam que algo diferente estava por vir. As letras existenciais e melancólicas, marca inerente ao trabalho da banda, ainda estavam ali, mas o tom lúgubre e arrastado da canção causaram espanto nos já convertidos admiradores e avaliadores, que não esperavam uma imersão em melodias frias, conduzidas em sua maioria pelo piano de Bruno Medina e por arranjos orquestrados. Características como estas dominam grande parte do disco como percebe-se em "Fez-se mar", "Sapato novo" e "É de lágrima". 

Se Camelo opta por seguir novos caminhos, muito próximos a MPB clássica, Amarante responde, em menor parte, de maneira distinta apostando no que se poderia chamar de "velho Los Hermanos". O hit "O vento" (faixa esta que foi abertura de Malhação), a pungente "Condicional" e "Paquetá", com toda a sua latinidade, são conduzidas por guitarras que muito lembram o que a banda produziu nos primórdios.  

Passado todo este tempo, hoje é possível visualizar com clareza que 4 é um reflexo direto do que a dupla de compositores principais iria produzir de maneira solo anos mais tarde. Camelo seguiu a atmosfera mpbística experimental (como é perceptível nos discos Nós e Toque Dela). Já Amarante apostou em novas parcerias e formou a Little Joy, banda mezzo brasileira mezzo norte-americana, cuja sonoridade jovial alcançou relativo  sucesso. Ironicamente, tempos depois as sonoridades se inverteriam como é visível no disco de estréia da Banda do Mar (projeto de Camelo) e Cavalo (voo solitário de Amarante)  

Querendo ou não, 4 seguirá como o mais contrastante álbum da curta e meteórica carreira. Porém a sua influência e ousadia ainda reverbera na cena musical brasileira. Se algum disco brasileiro pode merecer título de marco zero do que hoje se conhece como "indie-sambinha" este disco tem grande culpa no cartório.

O que o futuro reserva à banda ainda é uma incógnita. Como não há perspectiva de um novo disco, por hora os fãs de longa terão que se contentar com a turnê caça-níquel que em outubro varrerá o solo brasileiro à preços exorbitantes.          

Tracklist:

01. Dois barcos
02. Primeiro andar
03. Fez-se mar
04. Paquetá
05. Os passáros
06. Morena
07. O vento
08. Horizonte distante
09. Condicional
10. Sapato novo
11. Pois é
12. É de lágrima

Ouça: Spotify

sábado, 28 de fevereiro de 2015
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Saturndust - Saturndust

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Gênero: Space Doom Metal
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: É bem provável que você já tenha visto alguma publicação relacionada ao Saturndust e seu álbum de estréia nas últimas semanas. Desde o lançamento do álbum, a banda ganhou espaço e destaque nos principais canais de informação relacionados à esse tipo de sonoridade e vem recebendo diversos elogios pelo trabalho feito no álbum, elogios que vem desde terras tupiniquins à até páginas gringas que abordam esse estilo musical.

Ao escutarmos o álbum, não demora para compreendermos a razão de tantos elogios feitos à banda. O Saturndust entregou ao público um álbum sólido, bem elaborado e repleto de momentos marcantes. Para quem acompanha a banda desde o lançamento do EP Sons of Water, o álbum veio para confirmar todas as expectativas criadas sobre o futuro que estava por vir. Mais do que manter a qualidade apresentada anteriormente, o Saturndust demonstra uma evolução nítida em todos os aspectos.

A sonoridade da banda traz aquele clima espacial e cósmico presente em trabalhos de bandas como Ufomammut e Sons of Otis, além do mix essencial de Doom Metal, Stoner e uma levada psicodélica. O Saturndust consegue soar familiar sem parecer uma cópia de alguma banda famosa, a banda conseguiu criar uma cara própria e dar personalidade à sua sonoridade. 

A química entre o trio formado por Felipe Dalam (vocal, guitarra, sintetizador), Marlon Marinho (bateria) e Frank Dantas (baixo), é um elemento que justifica a qualidade do álbum. Riffs pesados e bem trabalhados, acompanhados pela ótima performance de Marlon e Frank na bateria e baixo respectivamente, a sonoridade da banda é um prato cheio para os fãs do estilo. As faixas evoluem de forma natural e o repertório apresentado, varia de longas passagens "viajadas" no instrumental à outras de um instrumental pesado e direto, tudo muito bem encaixado. A produção do álbum foi muito bem realizada, favorecendo a qualidade demonstrada pela banda e ficou por conta do Gabriel Zander. E como todo ótimo álbum merece uma capa à altura, o Saturndust conta com uma arte caprichada e que combina perfeitamente com o clima e proposta apresentados pela banda.

Composto por 6 faixas que totalizam cerca de 45 minutos, o álbum premia a dedicação e esforço da banda, além de brindar os fãs e seguidores do trio paulistano. Destaque para a ótima faixa de abertura Gravitation of a Hollow Body e a impecável Realm of Nothing. A banda assinou contrato com a Helmet Lady Records, evidenciando o belo trabalho feito em Saturndust. 



Tracklist:

01. Gravitation Of A Hollow Body
02. All Transmissions Have Been Lost
03. Realm Of Nothing
04. Enceladus
05. Hyperion
06. Cryptic – Endless

Ouça em: Bandcamp


terça-feira, 18 de novembro de 2014
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Tiê - Esmeraldas

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Esmeraldas - Tiê

Gênero: Folk / Rock / Eletronic
País: Brasil
Ano: 2014

Comentário: Paulistana na gema, Tiê faz parte do seleto grupo músicos da  que da capital conquistaram a devida exposição neste últimos anos. Debutando em 2008, a cantora lançou com o seu primeiro EP em parceria com Dudu Tsuda (Cérebro Eletrônico), trabalho que serviu de trampolim o lançamento de seu primeiro álbum. Lançado no ano seguinte, Sweet Jardim foi um dos mais belos rebentos daquele ano, graças a delicadeza e a crueza imprensas em canções tristonhas como "Assinado eu" e "Te valorizo". Nesta época, a cena local estava em alta graças aos seus pares Tulipa Ruiz, Thiago Phetit e Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) que, tempos depois, formariam o combo Novos Paulistas.

Dois anos mais tarde,  A coruja e o coração deu o ar da graça, em disco cuja influência folk, revelada no primeiro disco, novamente deu o tom tal como nas essências "Na varanda da Liz" e "Pra alegrar o meu dia". Passados 3 anos, Tiê optou por abandonar o lugar comum. O resultado desta nova empreitada é o recém lançado Esmeraldas.

O disco, cujo título faz alusão a cidade mineira onde o trabalho fora idealizado, celebra a entrada de novos parceiros, fator este que fez do disco uma amalgama de novas sonoridades. As presenças de Jesse Harris (Norah Jones) e Adriano Cintra (ex- Cansei de ser sexy), dupla que coordena a produção, trouxeram a liberdade essencial para que a cantora buscasse e alcançasse novos ares. Os delicadas arranjos de corda (na regravada "Gold Fish"), o leve aceno à música medieval na faixa título, o balanço eletrônico e dançante de "Urso", o rock na acelerada "Mínimo maravilhoso", os metais circenses de "Vou atrás" e a dueto inédito com David Byrne (Talking Heads), em canção hino anti-exposição midiática, comprovam que frutífera parceria foi acertada.  

Por um outro lado, as letras, geralmente marcadas pela pessoalidade, novamente coordenam as ações. As canções, compostas em sua maioria com André Whoong,  trazem de volta a doçura de outrora como na bela ode à beleza quotidiana ("Maquina de lavar" e em "Meia hora"). As desilusões amorosas dão o tom na dolorida  "La notte (a noite)", primeiro single e regravação da cantora Arisa, e em  "Isqueiro azul", promovendo assim o diálogo com temas passados.  

Por fim, parafraseando um trecho da já citada "Mínimo maravilhoso", Tiê está de "afim se reeducar, buscando coisas boas para aprender". Que bom! De fato, qualidades como estas deveriam ser essenciais para todo o qualquer ser humano existente, pois em tempos nos quais o pessimismo impera, se faz necessário traçar um novo olhar ao mundo ao nosso redor. A busca pelo novo pode resultar em novas alegrias e dar novos sentidos aos nossos dias.
    

Tracklist:

01. Gold Fish
02. Par de ases
03. Máquina de lavar
04. Urso
05. Mínimo Maravilhoso
06. Esmeraldas
07. Isqueiro Azul
08. Depois de um sonho
09. Vou atrás
10. A noite (la notte)
11. Meia hora
12. All around you - ft. David Byrne

Ouça emSpotify

domingo, 16 de novembro de 2014
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Porco na Cena # 47 - Doomsday Fest 2014

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São Paulo, minha São Paulo. Aaah São Paulo, com domingos de secas, meu Brasil de tretas! Já há alguns meses havia preocupações sociais e políticas circulando via facebook e congressos. Podemos condensar o domingo do dia 26 numa fornalha de panfletagem política de tudo que é lado; com alguma garoa pra tirar a aridez da coisa toda. Sim, o domingo foi quente em vários sentidos.

Mas é domingo, e todos sabem que um domingo sufocante é um bom dia pra pegar aquela camiseta cinzenta do Venom - e que mal cabe direito - e prestigiar mais um evento do nosso Doom Metal, arquitetado mais uma vez pela Last Time Produções (que está ativamente trazendo o Doom nacional aos fins de semana de São Paulo e atraindo um público cada vez maior e mais fiel).

(crédito das fotos a Thiago Santos)


domingo, 24 de agosto de 2014
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Juçara Marçal e Kiko Dinucci - Padê

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Gênero: MPB / Macumba
País: Brasil
Ano: 2008

Comentário:  Ultimamente, aqui no blog, tenho tentado postar algo que vá de encontro com músicas mais tradicionais, de raiz, que tenham uma ligação com uma certa resistência dentro de determinada cultura. Pois bem, creio que dentro dessa minha visão, “Padê”, se insere como um registro nacional que vai de encontro a esse pensamento.

“Padê”, álbum da Juçara Marçal e do Kiko Dinucci, ambos integrantes do Metá Metá, tem seu significado em uma comida ou oferenda oferecida nos rituais de candomblé para os exus e pombogiras, ou seja, desde o seu título o álbum se oferece como um registro espiritual nas bases das religiões africanas em solo brasileiro – sendo a umbanda uma religião desenvolvida aqui no Brasil e surgida até muito próxima de um local onde eu estudara.


Não sei se preciso me fiar a apresentar faixa por faixa do álbum, mas creio que uma visão geral também funcione. O álbum tem suas raízes no candomblé, logo, no samba de raiz, bem marcado, desses feitos ainda no tempo da escravidão. Nota-se nas letras e nas batidas toda uma preocupação em trazer esse contexto, de fato. Com a maioria de suas faixas sendo originais, o álbum percorre um caminho muito bem elaborado, flertando com o samba e tradições negras advindos de diversas regiões do Brasil, logicamente com o fundo lindamente explorado da macumba brasileira, e sim, para mim macumba é um gênero musical que o Brasil deveria aprender a respeitar deveras, já que dele desdobra-se um solo gigantesco para o cenário musical contemporâneo, até.


Falando um pouco das faixas, vemos diferenças nas sonoridades, nuances, ritmos mais agressivos, presente em “Engasga Gato / Casa Barata” e outrora sonoridades bem mais ritmadas, como a segunda faixa do álbum “São Jorge”, com um tambor tipicamente de macumba – aliás esses tambores são recorrentes no álbum inteiro e “Machado de Xangô”, música em referência ao Senhor das Pedreiras, Deus da Justiça. Aliás, podemos ver no álbum também, uma espécie de referência a uma Cosmologia tão bela e tão rica, que eu pelo menos, não consigo não me espantar com os mitos e ritos advindos da África.


Aliás, como já dito, também vemos no álbum inúmeras referências ao sincretismo religioso umbandista, na própria faixa em reverência a Xangô vimos claramente essa tendência religiosa criada no tempo da escravidão e que perdura até hoje. A interseção do catolicismo com a umbanda é algo que perpassa gerações e ensinada até hoje na religião. No caso aqui, Xangô é São João Batista. (aliás os minutos finais dessa faixa são incríveis, ela vai de uma batida ritmada a um tambor pesado e rápido, ritmado e catártico, incrível, incrível e incrível!)


Bem, com tudo já exposto só quero deixar registrado a linda e suave voz da Juçara, que nos momentos em que precisa cresce e se sobressai. Outra questão para ser anunciada aqui, as cordas, quando aparecem em primeiro plano como em “Batuque para Ney”, se fazem muito boas, perfeitamente unidas a estética do álbum. Pois bem, pois bem, não tenho muito mais do que discorrer sobre esse incrível registro, só que por toda essa energia e vitalidade que o álbum carrega, só por isso, já deveria ser ouvido, sem entrar em méritos culturais aqui, o álbum pelo álbum, até quem não se interessa pela estética/sonoridade da macumba deveria tentar apreciar “Padê”, é uma verdadeira ode ao Brasil, de fato.




Tracklist:
01. Padê
02. São Jorge
03. Machado de Xangô
04. Atotô
05. Jatobá
06. Cabocla Jurema
07. Mar de Lágrimas
08. Engasga Gato / Casa Barata
09. Samba Estranho
10. Velha Morena
11. Imitação
12. Batuque Para Ney
13. Bate Baú / Corujá Batuqueira
14. Roda De Samba

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sexta-feira, 25 de julho de 2014
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Alice Caymmi – Alice Caymmi

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Gênero: MPB / Experimental
País: Brasil
Ano: 2012

Comentário: Já começo essa resenha dizendo que talvez, só talvez, eu não me sinta totalmente preparado para escrever sobre esse álbum. Alice Caymmi, de vinte e dois anos quando lançou esse seu debut que recebe o mesmo nome que carrega. E bem, eu só consigo pensar se esse nome fora uma benção ou um agouro na carreira da Alice – e confesso, ainda não sei.

Alice mergulha também no mar. Logo na primeira faixa “Água Marinha”, vemos que a influência do grande tema inspirador de seu avô, Dorival, se faz presente. Talvez seja uma boa herança de família ou um fardo que ela tenha de carregar. Mas Alice não se deixa naufragar em uma maré herdada – ela vai além e recebe do trabalho deveras experimental da Björk a verdadeira fonte de seu trabalho e em “Água Marinha” percebemos flertes com essa sonoridade: vocais serenos e batidas eletrônicas bastante oscilantes. Não se pode dizer que a carioca não faz para merecer o título de uma cantora, de fato, ela não pretende se colocar como uma espécia de continuadora dos trabalhos de sua família, por mais que acabe sendo, mas não vejo essa intencionalidade em seu álbum.

O álbum transcorre em um caminho próprio, enquanto as faixas complementam-se mutuamente mostram-se também um trajeto próprio e em si mesmas. Consta uma versão de "Sargaço Mar", de seu avô, versão essa bastante autoral e com um clima de melancolia contida, de mar pós-ressaca; interpretação bastante própria, assim como a décima e última faixa do álbum, "Ulravel", originalmente presente no álbum Homogenic, da já citada Björk. O “experimental” presente na classificação desse álbum explicarei agora: ouvindo mais de uma vez as faixas do álbum, como a já citada “Água Marinha” e “Revés”, para ainda permanecermos na primeira metade do álbum parecem-me distantes dessa safra da nova MPB, mesmo que diversos sites especializados, blogs e etc queiram colocá-la entre Karina Buhr e Tulipa Ruiz não vejo tal associação direta (embora eu não posse me dizer assíduo ouvinte de ambas) vejo em Alice um grau de melancolia e pessoalidade em várias sequências da sua estreia

A voz andrógina de Alice para alguns pode até ser outro obstáculo a ser transposto nesse navegar, mas para mim pareceram águas de duro acesso, mas acessíveis, de imediato há estranhamento e até certa dureza, mas aos poucos há o desvelamento da delicadeza, do belo em seus vocais e olha, quando essa revelação é feita o álbum se torna um registro que mescla docilidade, virilidade, brutalidade e sensibilidade e "Rompante" resume muito bem isso e que aliás, também pode ser usada para exemplificar a segunda metade do álbum, excetuando "Tudo Que For Leve", que deságua na mesma onda que a primeira metade do homônimo álbum.

Pois bem, o debut da Alice é tão revelador quanto misterioso, parece-me que ela trabalha em um chiaroscuro tal qual presente em telas barrocas: revela-se de um lado para esconder-se em outro, um jogo muito bom e instigante, um belo registro de uma voz diversificada e inovadora: um mergulhar extasiado em águas que só revelam o que não se espera ver.

[Site / Facebook]


Tracklist:
01. Água Marinha
02. Arco Da Aliança
03. Mater Continua
04. Revés
05. Sangue, Água E Sal
06. Rompante
07. Vento Forte
08. Sargaço Mar
09. Tudo Que For Leve
10. Unravel

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segunda-feira, 30 de junho de 2014
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Pitty - Setevidas

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Gênero: Stone rock  / rock
País: Brasil
Ano: 2014

Comentário: Artisticamente, a sonhada maturidade musical, por vezes, é um trabalho árduo de anos de trabalho onde anos de vivência, erros e acertos, resultam por fim em algo satisfatório em sua plenitude. Porém, há aqueles que subvertem a lógica natural e de forma surpreendente já nascem prontos, capazes de produzir algo digno de nota, altamente agradável logo em sua estréia. Nesta rara seara, um belo exemplar foi a estreia de Priscila Novaes Leone, popularmente conhecia como Pitty.

Com carreira solo iniciada em 2003, após seis anos de dedicação à banda Inkoma, Pitty estreiou via Admirável chip novo, disco largamente elogiado pela crítica graças a proposta inovadora para época ao conciliar letras muito bem trabalhadas (muitas em ode a escritores clássicos como Thomas Hobbes e Aldous Huxley) com a sonoridade rock e produção precisa de Rafael Ramos.

Com o súbito sucesso, principalmente entre o público adolescente que a adotou como sua porta voz, e seguindo a máxima “em time que está ganhando não se mexe” a cantora baiana manteve a sua lógica de trabalho nos discos subsequentes (Anacrônico, de 2005 e Chiaroscuro, de 2009).

Já em 2011 criou o projeto Agridoce junto à Martin Mendonça, ex-Cascadura e guitarrista da banda de apoio da cantora, onde exploraram texturas musicais adocicadas, próximas ao folk, anos luz do seu tradicional rock visceral. Com o sucesso da iniciativa, a dupla excursionou por dois anos, rendendo inclusive uma apresentação no Lollapalooza 2013.

Após hiato de 5 anos de sua fase solo, Pitty volta aos holofotes com Setevidas. Marcado pelo turbilhão de experiências ruins recentes como a morte de Peu, guitarrista de sua primeira fase, o processo trabalhista movido por Joe, ex-baixista, e, principalmente, a internação na UTI devido a uma disfunção hormonal, a cantora promove neste quarto disco o retorno de elementos característicos de sua carreira, mas com novos olhares.

Produzido por Rafael Ramos, responsável por produzir todos os discos dela, e mixado nos EUA por Tim Palmer (responsável por inúmeros trabalhos de qualidade ao lado de David Bowie, Pearl Jam entre outros) o disco traz musicalmente de volta a influência do Queens of the stone Age de outrora como se percebe na faixa de abertura “Pouco”, na ótima “Deixa ela entrar”, e em “Pequena Morte”. As composições com o habitual tom de crítica social ressurgem em “Boca aberta” e em “A massa”.  A pesada faixa título, primeiro single deste disco, detém o mérito de ter o refrão mais pegajoso de 2014 (“só nos últimos cinco meses eu já morri umas quatro vezes / ainda me restam três vidas para gastar).     

Na ala das novidades, muitas delas oriundas da experiência adquirida em Agridoce, surgem na inicialmente delicada “Lado de lá”, canção conduzida ao piano que cresce absurdamente nos seus minutos finais num arranjo explosivo, muito semelhante aos britânicos do Muse. Já em “Serpente”, novamente o tom adocicado e predominantemente acústico dão o tom para esta canção otimista ante a vida, tema este que permeia todo o álbum. Elementos percussivos se destacam em na cadenciada “Um leão”.

Por fim, percebesse que em Setevidas Pitty conseguiu azeitar muito bem todas as dificuldades e prazeres proporcionadas nestes últimos anos de labuta e alcança agora o estado de excelência, resultando no seu melhor trabalho nestes 10 anos de bons serviços à boa música.
                                       
Tracklist:

1."Pouco"
2."Deixa Ela Entrar"  
3."Pequena Morte"  
4."Um Leão"  
5."Lado de Lá"  
6."Olho Calmo"  
7."Boca Aberta"  
8."A Massa"  
9."Setevidas"  
10."Serpente"

Download: MEGA

Quem escreve e faz os uploads:

 
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Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.