Gênero: Pop Alternativo
País: Estados Unidos
Ano: 2009
Comentário: Volta e meia surgem uns discos na sua vida que mudam tudo o que você
pensa sobre música - e sobre a vida também, se bobear. Algumas pessoas tem
experiências desse tipo com frequência o que é completamente válido, mas que
não é meu caso. Foram poucos os discos de que eu tenho a vívida memória de
terem impactado minhas impressões. Daqueles que já nas primeiras músicas você
sente que as coisas vão ser diferentes.
Ruth, o segundo disco da banda americana Nana Grizol, faz parte dessa
pequena coleção sentimental que eu carrego comigo todos os dias - bendita seja
a tecnologia. Um conjunto de músicas que eu chamaria de canções de ninar para
grandes bebês hipsters, o disco é realmente acolhedor e aconchegante. Com uma
sonoridade puxada de Neutral Milk Hotel - mais na parte da instrumentação, já
que o ritmo é bem mais lento - Nana Grizol não se propõe a grandes revoluções
musicais. As canções seguem um ritmo parecido, como um todo, e os únicos
instrumentos que - raramente - ganham algum destaque são os de sopro. O resto
da banda serve como acompanhamento.
Acompanhamento para a voz e o lirismo de Theo, o vocalista - ex
Defiance, Ohio uma outra ótima banda que pretendo cobrir numa resenha futura -
que é o ponto forte do disco. A parte que, de fato, mudou minha percepção sobre
letras em músicas. Não é que elas sejam de um nível poético altíssimo - como
alguns músicos alcançam, vide Leonard Cohen e Bob Dylan, para citar americanos
- mas elas são o complemento perfeito para a instrumentação.
Os dois violões num momento x, a tuba em algum outro ponto, a banda em
profusão em outro, tudo se vê unido nas melancólicas letras. É quase uma
espécie de confissão de mais dos milhões de jovens adultos do mundo que,
sinceramente, não fazem a mínima ideia do que fazer com o próprio passado e
acabam mergulhando em lembranças de nem tanto tempo atrás.
Em Atoms, é um diálogo com as pequenas partículas do seu corpo, eternas,
que observam a passagem do tempo indiferentes. Em Black Box, a lembrança do
passado na cidadezinha de infância. Em Cynicism, um pedido por um pouco mais de
otimismo, de verdade em um mundo cheio de descaso.
São músicas inocentes dos dois lados da moeda - instrumental e liricamente
- e está bom desse jeito. No mar de discos cínicos, pessimistas e
auto-destrutivos, alguma coisa - ainda mais bem feita! - que nos faça nos
sentir um pouquinho mais felizes já faz uma diferença enorme. A motivação e o
acalanto desse disco mudaram um pedaço de mim. Então, espero poder proporcionar
a vocês a mesma sensação.
Tracklist:
1. Cynicism - 2:28
2. Galaxies - 2:55
3. Blackbox - 3:48
4. Atoms - 2:44
5. Gave On - 1:27
6. Grady and Dubose - 1:56
7. From Here - 3:02
8. Alice and Gertrude - 3:29
9. Arthur Hall - 2:19
10. For Things That Haven't Come Yet - 4:12
11. Sands - 4:51
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