
O Festival Planeta Terra 2013, realizado no último sábado, chega a sua sétima edição e segue com um dos melhores do país. A começar por sua espetacular organização. A mudança do local, do Jóquei para o Campo de Marte, foi mais do que acertada. Os organizadores conseguiram num grande espaço fazer com que tudo o que fora planejado funcionasse plenamente. À começar pela entrada e saída que em nenhum momento houve filas estrondosas ou mesmo demora para se chegar ou sair do evento.
A disposição dos palcos, aliás, também fora digna de louvor. Localizados a poucos metros um do outro, era temerário que o som pudesse atrapalhar em momentos de shows simultâneos, mas a equalização foi feita de forma exemplar.
Bares e lojas de suvenires estavam dispostos por todos os lados, evitando assim as temidas e execráveis filas que não se formaram de forma grandiosa. No quesito alimentação e bebidas, apesar do preço exorbitante, o número de opções no cardápio foi de grande valia.
Além disso, um bem-vindo guarda volumes, um espaço lounge e a disposição dos banheiros (localizados ao lado palco principal) facilitaram a circulação das cerca de 27 mil pessoas presentes.
Se o evento perdeu o seu charme, como as festivas edições no finado Playcenter nas quais o parque de diversões era disponibilizado como um tudo e de forma gratuita, o mesmo ainda trouxe, para quem almejava entretenimento entre um show e outro, uma roda gigante e um escorrega.
![]() |
| Mapa do evento |
Somada a organização, o lineup com atrações de peso foram bem distribuídas em termos de horários (cumpridos à risca, fato este quase inédito por aqui no Brasil) e propiciou ao público a oportunidade de se ver quase tudo. E no quesito música a festa começou cedo.
![]() |
| The Muddy Brothers. Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento |
Oriundos da cena de Vila Velha, Espírito Santo, The Muddy Brothers foi uma grata surpresa.
Calcando a sua sonoridade no blues rock setentista, tal como os americanos do The Black Keys tem feito, o grupo foi um dos primeiros a se apresentar no palco Smirnoff, atraindo um bom grupo de curiosos que chegaram cedo ao festival.
![]() |
| O Terno Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento |
Uma das bandas mais elogiadas do cenário atual, O terno realizou uma ótima apresentação sob o sol escaldante das 15:00 .
Mesclando o set list com canções novas e pérolas do álbum de estreia, intitulado 66, a junção de humor (como na canção de abertura "Zé, assassino compulsivo") e a psicodelia sessentista, como no hit "66", funcionou plenamente. Ainda houve espaço para executar uma honesta cover de Clube da Esquina, "Trem Azul", e uma nova parceria com o mestre Tom Zé em "Papa Franscisco perdoa Tom Zé", crítica muito bem construída ante a má repercussão do fato do cantor baiano ter aceito ser "garoto propaganda" da Coca-Cola.
![]() |
| Palma Violets Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento |
Na sequência os ingleses do Palma Violets, primeira atração internacional do dia, deram o ar da graça. Desconhecidos pela maioria, mas alheios a tudo isso, o grupo entregou ao público uma apresentação enérgica.
Com apenas um álbum no currículo, fizeram o dever de casa privilegiando o repertório de 180, arriscando apenas 3 canções novas. Esboços de reação por parte do público somente no hit "Best of friends".
Por fim, a conclusão que se chega é que o grupo em si é bom, mas a presença do mesmo num festival por aqui tenha sido precipitada. Talvez na próxima, com um álbum novo, a receptividade seja maior.
![]() |
| The Roots Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento |
Fugindo do formato tradicional de show, no qual canções são reproduzidas tal e qual os álbuns de estúdio,
o The Roots apostou, de forma ousada, executar uma longa jam durante quase uma hora e vinte. Logicamente, hits como "You got me" e "The next movement" apareciam, mas de forma desconstruída e quase irreconhecível. Virtuosos, a banda de Questlove parecia se divertir no palco e o público aceitou de bom grado a proposta.
Houve ainda espaço para inesperadas covers de "Sweet Child O'mine", do Guns n' Roses, "Immigrant Song", do Led Zeppelin e "Jungle Boogie" do Kool and The Gang.
Para o fim, a banda reservou as explosivas "Here I Come" e "The Seed" deixando o palco ovacionados pelo seleto público que optou por vê-los ao invés do Travis que arrebanhou uma maioria de interessados.
![]() |
| Beck Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento |
Atração principal do Palco Smirnoff, precisamente às 20:00 Beck Hansen e sua trupe entraram em cena e entregaram uma apresentação memorável para os que optaram ele ao invés de Lana Del Rey.
Fugindo do formato Greatest hits, o cantor americano soube pincelar o supra-sumo de vasta e versátil carreira intercalando sucessos como "Devil's Haircut", "Loser", "Lost Cause" e "E-pro" com pepitas do quilate de "Get real paid", "Soldier Jane", "Que onda guero" e "Golden Age".
Carismático como poucos, ele ainda soube interagir com a platéia simulando o fim precoce da apresentação durante "Debra" ou tocando uma ótima e inesperada versão de "Billie Jean" de Michael Jackson.
Se a intenção era superar apresentação fatídica e divisora de opiniões do Rock in Rio de 2001, Beck superou com louvor a árdua tarefa. Um dos melhores shows de 2013.
![]() |
| Blur Foto de Ricardo Matsukawa, retirada do site oficial do evento |
Com o jogo já ganho, restava ao Blur encerrar os trabalhos no Palco Terra e se seguissem à risca o set list da turnê sul-americana já seria épico. E assim o foi.
Do início com "Girls and boys" ao final apoteótico com "Song 2" Damon Albarn e companhia protagonizaram um show memorável, digno de headliner.
Contemplando canções de todas as fases, o grupo inclusive fez justiça ao subestimado 13, tocando na sequência "Trimm Trabb", "Caramel", "Coffee and TV" e "Tender", sendo a última protogonista de um dos mais belos momentos da noite.
Damon Albarn é um frontman invejável: corre para todos os lados; interage com o público e banda, principalmente o baixista Alex James; alterna um gama de instrumentos e ainda arranca suspiros do público feminino a cada movimento.
Se a primeira passagem do Blur pelo país em 1999 foi um tanto quanto apagada devido a carência de público, esta teve potencial para ficar gravada por anos à fio na mente dos felizardos presentes.
Por fim, espera-se que a edição do ano que vem os organizadores mantenham o nível em termos de organização e na escolha acerta do lineup.
Em tempos de inúmeros festivais no cenário nacional que fique a lição aos novos gestores/organizadores de plantão: quer aprender como se faz um bom festival, com respeito ao público? Compareça ao Planeta Terra Festival 2014.
Contemplando canções de todas as fases, o grupo inclusive fez justiça ao subestimado 13, tocando na sequência "Trimm Trabb", "Caramel", "Coffee and TV" e "Tender", sendo a última protogonista de um dos mais belos momentos da noite.
Damon Albarn é um frontman invejável: corre para todos os lados; interage com o público e banda, principalmente o baixista Alex James; alterna um gama de instrumentos e ainda arranca suspiros do público feminino a cada movimento.
Se a primeira passagem do Blur pelo país em 1999 foi um tanto quanto apagada devido a carência de público, esta teve potencial para ficar gravada por anos à fio na mente dos felizardos presentes.
Por fim, espera-se que a edição do ano que vem os organizadores mantenham o nível em termos de organização e na escolha acerta do lineup.
Em tempos de inúmeros festivais no cenário nacional que fique a lição aos novos gestores/organizadores de plantão: quer aprender como se faz um bom festival, com respeito ao público? Compareça ao Planeta Terra Festival 2014.







