Gênero: Hip-Hop / Rap
País: Brasil
Ano: 2012
Comentário: Com grito suplicante de Marty McFly, chamando o Dr. Brown para dizer que está de volta do futuro, é onde inicia-se “Em Carne Viva”, do rapper do Rio de Janeiro, Funkero, também recém-integrante do Cartel Mcs, que teve seu último álbum postado aqui no blog.
Pois bem, trago aqui as
rimas e o flow do Funkero, entre o funk carioca e o rap ele se
encontra. Ah, e entre a sétima arte também, acho que nunca vi um
álbum com tantas referências a filmes e utilizando-as com excelente
maestria. Desde o título do álbum (um filme de 2003 com Mark
Ruffalo) a faixa das músicas, até as próprias falas dos filmes, o
cinema é um referencial temático muito bem explorado no álbum –
e não poderia deixar de fora essa observação na resenha, já que no release do álbum isso também não é deixado de fora.
EM CARNE VIVA é uma viagem ao mundo do RAP e ao mundo da sétima arte, através da audição...em meio a referencias cinematográficas,literárias e musicais, FUNKERO tenta cantar o “roteiro” do seu próprio FILME, com um pouco de suspense a La HITCHCOCK,um pouco de loucura,de humor ácido e contestador a La KUBRICK,um pouco de tensão e de crime a La COPPOLLA, violência e crueldade arrebatadora a La TARANTINO...
“Alta Velocidade”
deixa claro que o Funkero não esqueceu do funk em suas composições,
longe disso, o beat aqui é muito funkeado tal qual um batidão
carioca e o flow do cara se adapta perfeitamente a ele, sem se tornar
rápido demais e incompreensível. Mais do que nunca essa união de
rap e funk é clara e muito bem encaixada.
“V de Vingança”
e “Um Drink No Inferno” exemplificam o que anteriormente
citei sobre as influências do cinema no título das faixas. A
primeira, por sua vez, fala desse conflito armado das ruas que todos
nós somos vítimas e carrascos, podemos estar em qualquer lado nessa
luta de polícia, bandido e cidadão também. Inocentes e culpados,
em noite de terror, a queima roupa. Seguindo a ordem de músicas vem
“Teoria da Conspiração”, para mim uma das melhores do
álbum, junto com “Sociedade dos Poetas Mortos” (que
aliás, é um ótimo filme também). Em ritmo “Teoria da
Conspiração” é mais calma, mas não menos densa do que a
faixa anterior em letra. As participações da faixa que versam sobre
os iluminatis e dominação mundial de diversas maneiras são
excelentes. Shaw e Ogi complementam muito bem os versos do Funkero
aqui.
“Perfume de Mulher”
e “Sem Limite” falam de amor e sexo, não nessa ordem, nem
ao inverso. A primeira fala mais dessa complementação de amor e
sexo, em um ritmo mais lento, quase uma balada pra ficar admirando as
gurias dançando devagar na pista. Muito perspicaz essa união de
ritmo e letra. E a faixa termina com um sampler de uma fala do
filme Perfume de Mulher, creio eu. A segunda fala mais de conquista e
sexo em si, com um beat mais acelerado e um refrão muito bom,
um dos melhores do álbum.
“Sociedade dos
Poetas Mortos” começa com um sampler de Canto Pra
Morte, do Raul. Gosto muito dessa faixa tanto pela ótima
participação do Chino, do Oriente, com seus versos metralhantes,
tanto pelo que ela exala. Acho que vejo até um pouco do filme na
faixa, além do título. O filme fala muito sobre ir além a si
mesmo, de ir além das próprias palavras, e vejo isso na música, de
alguma maneira, pode ser uma outra interpretação para o tom funesto
do Funkero “Deus abençoe a morte, essa noite eu morri / Só me
restaram flashes, remendos do que vivi”, vejo a música no fim,
como uma ode a vida e ao dom de um poeta – aqui um poeta das ruas,
mas, mesmo assim, um poeta.
“Adeus” foi
feita em homenagem ao irmão do Funkero, já falecido. A faixa tem um
clipe incrível e transmite o que realmente sinto ao ouvir a música,
por isso não vou me estender muito aqui. A faixa merece ser ouvida,
é simplesmente, tocante. Fechando o álbum: “Chuva de Bala”
e “Notícias de Uma Guerra Particular”, ambas voltando a
temática de violência urbana. A participação do Mamut, do
Soldados da Pista, é incrível em “Chuva de Bala”, a
levada do cara transcende as palavras que ele diz, a música vale
pela participação, de fato.
Resumindo, Em Carne
Viva é no fim feito de diversas inspirações do Funkero. Um
álbum muito coeso em suas temáticas e no que quer dizer. Ah e também tem uma reunião de citações a filmes incríveis que
inspiram músicas tão boas quanto. É uma reunião de gêneros,
ritmos e películas que deu totalmente certo.
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Tracklist:
01. De Volta Pro Futuro
02. Um Drink No Inferno
03. Alta Velocidade
04. V de Vingança
05. Teoria Da Conspiração
06. Chapa Quente
07. Perfume de Mulher
08. Sem Limite
09. Lamento
10. Sociedade dos Poetas Mortos
11. Adeus
12. Chuva de Bala
13. Noticias de uma guerra particular
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COLETIVO *CBC* In da House!
Ótima postagem! MIL GRAU!