Gênero: Indie Pop / Hip-Hop
País: Nova Zelândia
Ano: 2013
Comentário: Minha primeira impressão a ouvir algumas músicas soltas do “Pure Heroine”, dessa menina neozelandesa de dezesseis anos (quando lançou o álbum!) e nome complicado, (né, porque Ella Maria Lani Yelich-O'Connor nem é muito simples), foi confusão. De fato também sei que minha percepção é mutável demais para poder intuir juízo de valor logo de primeira, então deixei o álbum de lado lembrando que voltaria nele para saber se o resenharia ou não. E bem, se estou aqui resenhando o álbum é porque achei pontos positivos nele.
De imediato Lorde não me tocou, confesso. Talvez, somente Royals, que foi o motivo da mesma gravar o “Pure Heroine”, pois seu EP “The Love Club” teve uma resposta muito positiva, tal qual sua música mais conhecida; Royals.
Falando inicialmente na sonoridade
da faixa; Royals, começa com uma
batida característica do hip hop, gênero esse, aliás, que é uma das inspirações
de Lorde. Sonoramente a música cresce, mesmo que pouco, ela começa com batida e
voz e os outros instrumentos vem fazer parte do conjunto, por isso de fato
existe um crescimento na faixa, mas o aspecto mais importante, para mim, é a
letra. Royals é verdadeira, condiz com o universo de dezesseis anos da cantora.
Não é nada além do que veríamos de uma menina que ainda está no ensino médio e já
se destaca tanto na crítica especializada quanto nas paradas de sucesso, por
esse motivo acho que Royals é, de fato, uma das melhores faixas do álbum.
Voltando uma faixa temos 400 lux, que se assemelha até a Royals,
mas é mais hip hop, se assim posso dizer,
dançante de uma maneira lenta e também feita para ser ouvida com fones dentro
de um ônibus cheio. A sonoridade de 400
lux muito me atrai, existe algo de envolvente, algo de sensual tanto no
ritmo, mas não tanto nas palavras, que se assemelha a Royals, em conteúdo. Ambas as faixas carregam muito da essência do
que a Lorde viveu e ainda vive: sua juventude, seus sonhos, suas realizações e
aspirações.
Ribs começa de um jeito bastante soturno, até, antagonizando-se com
a faixa anterior. O coral, a batida e voz da Lorde dão um drama especial à
faixa que fala de amor e envelhecimento e do quando nada disso é o bastante
(diante da vida, da cumplicidade, do próprio amor e etc). Buzzcut Season é uma das letras mais fortes da cantora, minha
interpretação da música encaixa-se muito bem na estética impressa em “Pure
Heroine”. Além de também ambientar-se na dualidade entre uma quase pista de
dança e música reflexiva para se ouvir em fones de ouvido, Buzzcut Season remete a ilusões e seguir tendências; fingimentos e
serve muito bem como entrada para Team,
que junto com Royals resumem
essencialmente o que a Lorde imprime em suas canções: batida de inspiração no
hip hop kanywestiano, vocal
envolvente, presença de coros por detrás da sua voz e principalmente, letras que
rejeitam todo o glamour midiático que hoje ela vive. Bem, muitas de suas
músicas serviriam perfeitamente para embalar as cenas de Kids, do Larry Clark, filme esse, aliás, que serviu de base para a
mesma compor sua primeira canção, Dope
Ghost, que não consta no álbum.
Glory and Gore faz-se de mais uso do hip hop em seu ritmo e segue
no mesmo trilho das letras anteriormente apresentadas. Vejo em Still Sane uma das faixas mais próprias:
aqui ela fala de si mesma, não do grupo onde se insere. Na faixa ela fala de
sua recém-fama, de quanto ela gosta de hotéis, de quanto se sente sozinho
conforme vai chegando ao topo. É uma faixa calma e com o peso certo de
introspecção, essa, de fato, é para se ouvir sozinho em um canto por ai da
vida, o beat de balada não existe em Still Sane.
Finalizando o álbum estão White Teeth Teens, essa que conta com um
quase spoken word da Lorde em meio a
um coro repetitivo e etéreo – um dos pontos altos da faixa que vai de encontro
com a temática, como já li em outros lugares, “egos e garrafas vazias” que a Lorde
imprime em suas composições, e A World Alone,
que de perto(ou de longe) parece o hino mais sincero para essa geração criada
pela internet, que espera algo acontecer para então ir atrás, geração essa que
dança ao som do rap mais do que pop da Lorde, que enquanto acha-se especial
também se vê simplório. E é com essa sensação de tudo e nada que o álbum
encerra-se. E a voz de Lorde ecoando pela batida simples, mas muito bem
ritmada. E as pessoas continuam falando enquanto nós estamos dançando sozinhos
no mundo.
Tracklist:
1. Tennis
Court
2. 400 Lux
3. Royals
4. Ribs
5. Buzzcut Season
6. Team
7. Glory and Gore
8. Still Sane
9. White Teeth Teens
10. A World Alone
2. 400 Lux
3. Royals
4. Ribs
5. Buzzcut Season
6. Team
7. Glory and Gore
8. Still Sane
9. White Teeth Teens
10. A World Alone
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Ta na moda, vamos baixar pra ver qualéqueé!