Gênero: Rap-Rave / Alternative Hip-Hop
País: África do Sul
Ano: 2012
Comentário: Primeira coisa a falar do "Die Antwoord": quando vi o clipe de I Fink U Freeky eu fiquei paralisado. Bem, vamos aos fatores. Primeiro – o vocal da Yolandi Visser somada a estética do grupo me deixaram realmente freeky. Segundo – o clipe é terrivelmente bizarro, tanto que, tive de assisti duas vezes e não, não levei a sério a banda, ah, erro meu, erro meu! Sei que muita gente para nessa parte e realmente não leva a sério, de certa parte, estão certos, de outra, errados. É difícil classificar o que é para ser levado a sério no Die Antwoord, de fato. O que eles querem? O que eles fazem? Que merda é essa de rap-rave? Muitas questões, mas nada que Ten$ion, segundo álbum da banda, não seja capaz de responder.
O estilo da banda é
inspirado em Roger Ballen, fotógrafo nascido em Nova Iorque e
morador de Joanesburgo – aliás, acho o Ballen um fodão em preto e
branco, isso tirando o fato de sua estética totalmente estranha e
subversiva. A banda faz uma clara referência ao Roger Ballen em seus
trabalhos, referência gritante, aliás. Dando uma rápida pesquisa
vocês acham algo do trabalho do Ballen com a banda em si, sendo o
clipe de I Fink U Freeky o trabalho mais evidente da união da
banda com o fotógrafo, que codirigiu o clipe com Ninja. Outra
inspiração da banda é a cultura Zef, nome que veio da abreviação
do Ford Zephyr, carro que se tornou mundialmente popular no mundo
todo de 50 a 70 e na África do Sul, seus condutores, geralmente
trabalhadores da mineração, assim como os carros, eram apreendidos.
Basicamente a cultura Zef defende um “você é pobre, mas é
fantasia, é sexy, tem estilo”. Ninja, vocalista do grupo, defende
que o Zef é movimento musical de subcultura, comparável ao hip-hop.
Alguns dizem que a cultura Zef é branca e em suas próprias palavras
Ninja rebate que: “o racismo é obsoleto e passado para os
sul-africanos".
Não é fácil
compreender todas as nuances do grupo. Não é fácil compreender sua
estética Zef-Balleniana (oi, neologismo) e levar tudo a sério. Acho
que mais do que apresentar o álbum aqui, pretendo apresentar a
estética do grupo, que é muito forte – tanto quanto o som que
produzem. Nitidamente vemos no álbum claras referências ao hip-hop,
em Hey Sexy, que tem uma levada de percussão bem marcada e
dançante, ao estilo do hip-hop que estamos acostumados com um refrão
até pegajoso. So What?, com
um piano realmente bom no início, também vai no mesmo
estilo e se aproxima ainda mais do hip-hop midiático e bem-feito de
hoje em dia.
Um pequeno parêntese
para falar das experimentações do grupo, no meio das faixas
musicais desenrolam-se várias pequenas faixas com falas,
experimentalismos e coisas a mais. Destaco aqui Uncle Jimmy,
feita toda em diálogo – e sim, eu curto ouvir diálogos no meio do
álbum.
O álbum também pode-se
ser dizer cíclico, enquanto Never Le Nkemise 1, uma mistura
de zulu (segundo minhas pesquisas, posso estar errado) e inglês,
funciona como prelúdio ideal do álbum com seu hip-hop/rap
característico e rimas gangster, Never Le Nkemise 2 é o
encerramento ideal para álbum, com batida rave repetida e crescente.
Do começo ao fim o grupo mantêm-se (e tenta nos explicar) sua
proposta rave-rap e acho que essas duas faixas, uma de prelúdio e
outra de epílogo, funcionam muito bem para marcar a estética que o
álbum pretende transmitir.
Já acho Fatty Boom
Boom um clássico do “Die Antwoord” pelo seu clipe de Lady
Gaga na selva/cidade africana. Aliás: clipe foda, de conteúdo, de
estética (eu falo estética pra caramba, perdão), de relativização
de cultura, de resistência, ah, sério, eu realmente piro quando
paro para analisar a sério algo da banda porque eu realmente vejo
que por detrás de todo essa “experimentação exagerada” existe
um viés artístico de resistência e voz para o povo africano.
Para encerrar: Baby's
On Fire pende mais pro lado “rave” da banda, contrapondo aqui
com So What?, que por assim dizer é mais rap. Quando o rap e
o rave são trabalhados de um modo separado a banda mostra sua
versatilidade sem perder sua essência – algo muito bom, por sinal.
DJ Hi-Tek Rulez é um rap muito bom e nem diz muita coisa a
letra, mas eu curto muito, até por não dizer muita coisa: nonsense
realmente me agrada. Enfim, acho que o “Die Antwoord” merece
alguma visibilidade pelo trabalho que fazem há um tempo já,
caricato, exagerado, nonsense, sem dúvida, mas ainda assim
agressivo, promissor e contracultural – e essas características
que eles abraçam tanto em sua sonoridade quanto em sua plasticidade
me agradam por demais.
Tracklist:
1. Never Le Nkemise 1
2. I Fink U Freeky
3. Pielie (Skit feat. Ninja)
4. Hey Sexy
5. Fatty Boom Boom
6. Zefside Zol (Interlude)
7. So What?
8. Uncle Jimmy (Skit)
9. Baby's On Fire
10. U Make a Ninja Wanna Fuck
11. Fok Julle Naaiers
12. DJ Hi-Tek Rulez

