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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
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Inter Arma - Sky Burial

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Gênero: Blackened Sludge / Doom / Post-Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: A ideia de combinar diversos gêneros e características musicais com o intuito de criar algo diferente, não é fácil e nem sempre irá atingir o resultado esperado. Mas quando o resultado é positivo e consegue ser ainda melhor do que até os membros da banda poderiam imaginar, a certeza é de que o álbum vai render ótimas críticas. O Inter Arma passou pelas duas situações.

Não é tarefa fácil moldar uma sonoridade mais adversa e obter êxito logo de cara, o álbum de estréia Sundown serviu mais como parâmetro e referência daquilo que a banda precisava desenvolver para atingir o resultado esperado. Eis que a banda lança no ano de 2013 o Sky Burial. De início, a sonoridade pode não ser agradável para o ouvinte, a faixa de abertura "The Survival Fires" é um convite de boas vindas ao caos. O álbum requer atenção e calma do ouvinte, pois cada detalhe e características contidas vão se completar formando algo único.

O álbum é um prato cheio para aqueles que desejam escutar algo mais abrangente e completo. Riffs pesados, passagens mais melódicas e progressivas, sonoridade arrastada, vocais que beiram a insanidade e uma bateria arrasadora, são algumas das características encontradas em Sky Burial. As faixas possuem uma evolução surpreendente e trazem consigo uma dualidade de características, que permitem apontar similaridades entre as faixas, e ao mesmo tempo, diferencia-las.

Um álbum no qual a sonoridade vai sofrer muitas alterações no que se diz respeito a combinações de estilos, mas que não perde sua identidade. A sonoridade amena que se inicia na instrumental The Long Road Home (Iron Gate) e que serve de introdução para a seguinte The Long Road Home, predomina por um longo período, apresentando ótimos arranjos no violão e guitarra acústica (além do lap steel muito bem inserido), e termina num ritmo intenso, agressivo e caótico na segunda faixa citada. Em Destroyer, temos a combinação de elementos vindos do Sludge e Doom, adicionando uma percussão que lembra algo do Neurosis. Já na instrumental Love Absolute, a banda apresenta mais algumas facetas voltadas ao psicodelismo, southern e folk. A faixa título que encerra o álbum, pode ser descrita como um mix de tudo o que se é apresentado no álbum, resultando numa combinação incrível.

Sky Burial é um álbum com sensações distintas e uma sonoridade que traz uma combinação audaciosa. O plano principal é o som pesado e agressivo, que se torna ainda mais belo com o passar do tempo e traz vários elementos de estilos variados afim de se criar um som com identidade própria.




Tracklist:

01. The Survival Fires 10:10
02. The Long Road Home (Iron Gate) 03:41
03. The Long Road Home 10:06
04. Destroyer 10:13
05. ‘Sblood 06:21
06. Westward 09:48
07. Love Absolute 04:01

Download: Sendspace


quarta-feira, 8 de outubro de 2014
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Heaven Shall Burn - VETO

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Gênero
: Melodic Death Metal/Metalcore
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Num surto de vontade, cá estou eu postando no meio da madrugada um disco que eu ouvi mais do que esperava ano passado, e que vem de uma das bandas mais interessantes do metal atual. Seja pelo seu peso absurdamente característico do metalcore alemão, que tem pés fincados fortemente no Death Metal Melódico de bandas como At The Gates e Carcass (ou seja, sem vocais limpos aqui, mas muitos riffs pegajosos por todos os lados) ou pela sua temática política fortemente de esquerda.

VETO é o sétimo full-lenght da banda e mostra um grupo maduro, que explodiu com o bombástico Antigone (2004), um disco que abusava de palavras de ordem e riffs que oscilavam entre o famoso "para e vai" dos grooves do metalcore e levadas melódicas entre uma centena de palm mutes. VETO possui a mesma pegada clássica da banda, que são riffs baseados em uma pegada pesadíssima, mas com um background histórico e temáticas muito mais profundas que os discos anteriores da banda. Especialmente pela figura icônica de Lady Godiva, personagem de uma lenda - com requintes históricos - datada no século XIII, de uma nobre inglesa empenhada a convencer seu marido, Leofric, Conde da Mércia, a reduzir impostos sobre a região que governava, asolada por fome e miséria. A lenda conta que, após muita insistência de Godiva, Leofric desafia a esposa a desfilar nua pelas ruas da cidade, montada a cavalo, para que o desejo de Godiva fosse atendido, em tom irônico e sarcástico. Godiva então ordena que todos os cidadãos não saiam de casa e fechem as janelas (afinal, considere que estamos em plena Idade Média) e faz a vontade do marido, que acaba acatando o desejo da Lady, impressionado pela coragem inabalável da esposa e em honra com sua promessa.

Coragem e resistência são palavras recorrentes na lírica do Heaven Shall Burn, e a história de Lady Godiva cai como uma luva. Assim como o título do álbum, VETO - latim para "Proibo" - que é mais uma palavra forte, poderosa e intensa no léxico da banda alemã. As letras são intensas, violentas e cativantes. Os trechos mais intensos do instrumental sempre coincidem com versos mais pegajosos e incitadores, coisas como anti-tirania, defesa das minorias e enfrentamento da autoridade são comuns e largamente disseminadas.

Mas se muito foi dito do instrumental e da lírica, não se pode encerrar-se a resenha sem ser comentado sobre a técnica e o vocal de Marcus Bischoff, que é um monstro dos vocais de rasgados do metalcore, levando-os ao patamar de serem mais intensos e violentos que qualquer banda de Death Metal. Oscilando entre um mais comum rasgado agudo até graves grunhidos, o vocal de Marcus é sempre perfeitamente preciso o suficiente para que as letras são se percam em desnecessárias distorções vocais. Dessa forma incrível, nem mesmo o mais raivoso berro insandecido de raiva mascara a mensagem que a banda quer passar. O vocal de Marcus é, portanto, imprescindível na sonoridade do Heaven Shall Burn.

E nada melhor que ser surpreendido no meio do disco por um cover do Blind Guardian, Valhalla, e seus improváveis vocais limpos em meio ao gutural incrivelmente afinado e tremolos de guitarra. VETO é um must de 2013 que temo ser menos reconhecido do que deveria.




Tracklist:

1.Godiva 04:19
2.Land of the Upright Ones 04:08
3.Die Stürme rufen dich 03:59
4.Fallen 04:29
5.Hunters Will Be Hunted 05:59
6.You Will Be Godless 03:10
7.Valhalla (Blind Guardian cover) 05:29
8.Antagonized 03:33
9.Like Gods Among Mortals 04:20
10.53 Nations 04:06
11.Beyond Redemption 05:46

Download:

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domingo, 28 de setembro de 2014
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Atoms For Peace – Amok

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Gênero: Experimental
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Atoms for Peace é um supergrupo formado pelo vocalista Thom Yorke (Radiohead), percussionista Mauro Refosco (forró in the dark), tecladista e guitarrista Nigel Godrich, baterista Joey Waronker e pelo baixista Flea (RHCP).

 É claro que, de uma união como essa, deve sair algo bom, cada um trazendo diferentes influencias, manias e ideias, ajudando a construir uma atmosfera diferente no Atoms for Peace. Ainda que o disco soe como algo solo do Thom Yorke (ou até mesmo um parte dois do “King Of Limbs” do Radiohead), cada um acrescenta algo interessante para a musicalidade.

Mauro Refosco, grande percussionista que participa do forró in the dark  e do RHCP, traz uma percussão com fortes influencias latinas, e isso casa perfeitamente com as batidas eletrônicas feitas pelo Joey e Nigel como podemos ouvir em Before Your Very Eyes e Stuck Pieces Together. Flea aparece sem slaps nervosos influenciados pelo funky, mas mostra um lado diferente seu (diferente até de seu EP), dando linhas de baixos sustentáveis e nada exageradas (ouça  “Ingenue”).

As musicas surgiram de Jams, que foram gravadas e editadas por Thom e Nigel, o que deu uma grande liberdade para criar o som final do disco. Ainda que a influencia do Thom Yorke pese nesse disco, seria besteira falar que os outros músicos não acrescentaram nada na sonoridade. Sutilmente, cada um faz seu papel contribuindo para a contextualização do disco. Creio que esse álbum seja um daqueles casos que todos estão pensando na mesma direção na hora de gravar.


Tracklist:
1. Before Your Very Eyes
2. Default
3. Ingenue
4. Dropped
5. Unless
6. Stuck Together Pieces
7. Judge, Jury and Executioner
8. Reverse Running
9. Amok

Download: Solidfiles / Sendmyway / Hugefiles
terça-feira, 16 de setembro de 2014
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Kongh - Sole Creation

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Gênero: Progressive Sludge / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2013

Comentário: Me recordo com facilidade da primeira vez em que me deparei com esse álbum e de como me surpreendi com ele. De início confesso que antes de ouvi-lo, pensei que se tratava de apenas mais uma banda genérica do estilo, trazendo todos os detalhes e características que estão presentes em bandas com essa mescla de sonoridades.

Mas eu me surpreendi agradavelmente quando resolvi conferir a primeira faixa do álbum, o Kongh não era apenas mais uma banda qualquer e sua sonoridade era algo que não se restringia apenas à esfera do Sludge/Doom. Daí fui procurar informações sobre a banda e vi que possui um tempo até considerável de carreira (está completando 10 anos em 2014). Os membros não são nomes conhecidos, tirando o fato de que o baixista e vocalista da banda, David Johansson, já tocou em algumas performances ao vivo do Cult of Luna

Mas enfim, falando um pouco sobre o Sole Creation, já havia citado que a sonoridade da banda é um pouco mais ampla do que lhe é atribuída por alguns. Os suecos sabem pegar a base do Sludge/Doom e combinar com alguns elementos vindos do Progressivo e do Post-Metal. Logo de cara nos deparamos com a agressiva e intensa faixa título, um petardo de 10 minutos que não economiza nos riffs. O interessante é ver a evolução da faixa, que alterna em momentos mais distintos e variando entre o harsh vocal e o limpo.

Se "Sole Creation" tinha como principal tom a agressividade, a faixa seguinte "Tamed Brute" tem um tom de calmaria. Mas não se engane com isso, pois a banda se desprende dessa característica em certos momentos. Riffs arrastados cedem espaço à um instrumental mais elaborado e com arranjos mais interessantes, com o vocal limpo tendo maior destaque nessa faixa. "The Portals" mantém a pegada da faixa título, trazendo de volta a agressividade dominada por alguns dos riffs mais sujos e pesados do álbum. 

O álbum se encerra com "Skymning", faixa mais singular e easy listening do álbum. Dona de um psicodelismo incrível, a faixa se desenvolve entre riffs pesados e vocais melancólicos. O tom mais ameno que predomina em boa parte da faixa é deixado de lado no final, quando a banda encerra o álbum da maneira em que o começou: com peso e agressividade.


Sole Creation despertou meu interesse pela banda e acredito que o de muitos. Se comparado aos outros dois álbuns de estúdio lançados, a sonoridade desenvolvida é de assimilação mais fácil e mostra uma banda transitando dentro dos estilos que se propôs a tocar, experimentado e fazendo um dos álbuns que mais me agradaram em 2013.





Tracklist:

01 - Sole Creation
02 - Tamed Brute
03 - The Portals
04 - Skymning

Download: Sendspace


quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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quarta-feira, 16 de julho de 2014
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The Flight of Sleipnir - Saga

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Gênero: Folk / Stoner / Doom Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Eu tinha o hábito de revirar a internet procurando por bandas desconhecidas pelo grande público e que possuam uma sonoridade diversificada, fugindo um pouco dos clichês e de grande qualidade. Foi dessa maneira que encontrei algumas das minhas bandas favoritas e outras tantas com uma sonoridade bem interessante e surpreendente.

Numa dessas buscas me deparei com The Flight of Sleipnir, banda americana oriunda do estado do Colorado, criada no ano de 2007. A banda é composta por um duo, David Csicsely e Clayton Cushman. Além do The Flight of Sleipnir, os dois já fizeram parceria em uma banda de Black Metal e mantém paralelamente um projeto voltado para o Death Metal. Essa "aventura" por estilos mais extremos é deixada de lado no The Flight of Sleipnir, onde o duo desenvolveu uma sonoridade calcada no Stoner / Doom e uma levada belíssima do Folk.

Saga é o quarto álbum de estúdio da banda e foi lançado em Fevereiro do ano passado. Apesar de ter conhecido a banda por acaso, não foi por acaso que me tornei um grande admirador do álbum e da banda. Desde a faixa de abertura intitulada "Prologue", o duo já mostra sua versatilidade e criatividade. O início com um riff pesado acompanhado de um vocal ríspido, rapidamente cede espaço para ótimos vocais limpos acompanhados por um instrumental bem cadenciado. O contraste apresentado na faixa de abertura, é a grande faceta da banda no decorrer do álbum, capaz de transitar entre um som mais intenso ou ameno com bastante facilidade. A segunda faixa do álbum, intitulada "Reaffirmation", é de beleza incrível. Num clima bem tocante, a levada acústica imposta pela banda ganha tons de excelência com o surgimentos dos vocais na faixa, causando uma sensação bem relaxante ao ouvinte. Diante das variações entre músicas mais amenas e outras mais agressivas, "Harrowing Desperation" é uma de grande destaque no quesito agressividade, com seus riffs intensos, vocais ríspidos e intensos, a banda trata de dar uma pausa na calmaria imposta pelas faixas anteriores, mesmo efeito causado pela "Demise Carries with It a Song". Ainda vale destacar a faixa "The Mountain", que apresenta um instrumental tocante e bem calmo, levada a um nível que não se encontra nas demais faixas que seguem esses aspectos.

Saga é um álbum de fácil assimilação e entendimento, trazendo uma ótima produção e um som bem agradável em ambas facetas apresentadas pela banda no decorrer das 12 faixas. 



Tracklist:

01. Prologue
02. Reaffirmation
03. Reverence
04. Harrowing Desperation
05. Heavy Rest The Chains Of The Damned
06. Judgment
07. Demise Carries With It a Song
08. The Mountain
09. Hour Of Cessation
10. Remission
11. Beneath Red Skies
12. Epilogue

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domingo, 20 de abril de 2014
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Australasia - Discografia

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Gênero: Post-rock/ Post-metal
País: Itália
Ano: 2012, 2013 e 2014

Comentário: Não se engane com este nome, Australasia não é uma banda com elementos aborígenes localizada em algum território entre a Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné ou aquelas pequenas ilhas que poucos sabem de sua existência — que dirá seus nomes —, mas sim um duo italiano fazendo aquele post-rock sempre bem-vindo. Por vezes com uma pegada mais pesada do metal a la black metal justificado principalmente pelos blast beats, mas mantendo um certo elo etéreo guitarrístico para não fugir da proposta, enquanto que em outros momentos soa-se até dançante, com a ajuda de sintetizadores e vocais femininos.

Assim soa "Sin4tr4", o primeiro registro de Gian (guitarra/synths) e Rico (bateria) todo instrumental (sem contar a faixa "Apnea" que conta com uma ajudinha feminina) e que, segundo a banda, tem ares do grandessíssimo Ennio Morricone assim como também do extremo e underground mundo do metal. Isso acaba gerando músicas bem interessantes ao ponto de fato conseguirem escapar um pouco da mesmice que algumas bandas instrumentais teimam em reproduzir. Contudo aqui posso notar uma diferença bem grande entre as faixas, o que me acaba soando bem experimental. Não é como se fosse um post-rock mais pesado durante todo o disco, ou atmosférico durante os seus 22:18. Não, pelo contrário, existem mudanças bruscas de intensidade, fazendo com que nos desfrutemos de sentimentos diferentes. Isso é ótimo, mas é arriscado, eu diria, ao se pensar num disco com 7 músicas da qual a proposta pede por uma coerência. Bom, eu aprovei, não senti maiores prejuízos e na verdade pouco ou nada me incomodou já que tudo parece soar tão bem.

Mas Sin4tr4 se tratava de um EP, então em 2013, Gian Spalluto — que agora assina o projeto como músico multi-instrumentista: AUSTRALASIA is an evolutionary musical project, a collective featuring an alternating array of musicians and led by multi-instrumentalist Gian Spalluto. — lança o full length "Vertebra", um disco com 10 faixas, das quais "Antenna" e "Apnea" já haviam sido apresentadas no EP anterior, e as novas composições são igualmente belas. Deixando como exemplo para aguçá-los temos "Aorta", segunda música mais longa do álbum e que inicia com uma sonoridade que já resume bem o que esperar dali em diante, e com o final trazendo vocais femininos juntamente do piano. E aí, logo em seguida, "Vostok" dá o ar da graça com uma breve introdução eletrônica, que tende a volta mais tarde, a não ser no final em que eu sou surpreendido por um violão que me remeteu à forma brasileira de fazer música... mas não chegou a tanto, felizmente, pois Vertebra não é um disco para se experimentar tanto... quem sabe em outra ocasião. Já as demais novas faixas trazem mais peso, leveza, dissociação entre corpo e alma e assim por diante. Um belo disco lançado pelo selo Immortal Frost Productions.

E finalizando este post, o Australasia lançou em fevereiro deste ano um cover de Twin Peaks Theme, em homenagem ao compositor de trilhas sonoras Angelo Badalamenti, mas mantendo a característica ambiente.


Tracklist:
  1. Antenna 
  2. Spine
  3. Apnea 
  4. Scenario 
  5. Satellite 
  6. Retina 
  7. Fragile
Download/Comprar: BandCamp



Tracklist:
01. Aorta
02. Vostok
03. Zero
04. Aura
05. Antenna
06. Volume
07. Vertebra
08. Apnea
09. Deficit
10. Cinema

Download/Comprar: MediafireImmortal Frost Productions



Tracklist:
1.Twin Peaks Theme

Download/Comprar: BandCamp

segunda-feira, 24 de março de 2014
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Portugal. The man - Evil friends

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Gênero: Psychedelic rock / Progressive rock / Indie pop
País: Estados /unidos
Ano: 2013

Comentário: "Gostava mais da banda nos primórdios. Hoje não gosto mais". Quantas e quantas vezes ouvimos tal afirmação ante inúmeras bandas que, de alguma forma, optaram por guinadas sonoras drásticas. Histórias relacionadas a tal fênomeno são inúmeras e talvez uma das manifestações mais recentes desta alcunha foi o lançamento de Evil friends, mais recente rebento do Portugal. The man, uma das bandas mais queridas da atualidade.

Lançado em 2013, o disco aponta novos caminhos sonoros que já figuravam no álbum anterior, o também ótimo In the mountain in the cloud. Se inicialmente a banda, que está na ativa desde 2006, era crua e experimental, tal sonoridade foi lapidada até o derradeiro trabalho. Para tanto, a presença de Danger Mouse foi essencial. Famoso pelas elogiosas produções junto ao Black Keys, Norah Jones, Broken Bells e Gnarls Barkley, Mouse imprime aqui a sua identidade retrô, fator este que contribui e muito para o resultado alcançado.

Apostando numa sonoridade que mescla doses equilibradas de indie, rocks psicodélico e progressivo, a nova roupagem permitiu a produção de singles de sucesso como a ótima "Modern Jesus" e "Purple yellor red and blue", faixa esta que faz parte do jogo FIFA 2014. "Creep in a t-shirt", cuja letra aborda de forma madura o sentimento de perda e vontade desenfreada de seguir em frente, a pulsante "Hip hop kids" e a delicada "Sea of air" se destacam na seara ensolarada. Em contrapartida, o tom lúgrebe domina "Waves" a única faixa que destoa da atmosfera alegre do álbum em termos de melodia.

Por fim, acredita-se que da mesma forma que é possível dar credibilidade à bandas que seguem a mesma fórmula que a consagraram seja aceitável novas roupagens de quando em vez. Logicamente desde que a mesma seja de alta qualidade. E aqui temos um belo registro da segunda vertente.
  

Tracklist:

01. Plastic soldiers
02. Creep in a t-shirt
03. Evil friends
04. Modern Jesus
05. Hip hop kids
06. Atomic man
07. Sea of air
08. Waves
09. Holly roller (hallejuah)
10. Someday believers
11. Purple yellow red and blue
12. Smile

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domingo, 9 de março de 2014
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The Lion's Daughter & Indian Blanket - A Black Sea

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Gênero: Blackened Sludge Metal / Doom Metal / Folk
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Certas colaborações entre bandas geram ótimos álbuns. Recentemente tivemos uma colaboração incrível entre Ulver e Sunn O))), que resultou num dos lançamentos mais agradáveis e fascinantes de 2014. Também tenho que citar a colaboração entre Neurosis e Jarboe realizada em 2003, digna dos mais belos elogios. Um lançamento que passou despercebido por mim em 2013 e apenas recentemente tive o prazer de conhecer, foi a colaboração entre The Lion's Daughter e Indian Blanket.

Sei que a descrição do gênero que dei na parte de informação do álbum já foi bem chamativa, mas garanto que é ainda melhor do que você deve estar imaginando no momento. The Lion's Daughter é uma banda americana que tem uma sonoridade baseada em um Blackened Sludge Metal, com uma certa pegada de Post-Metal e Doom Metal. Já o Indian Blanket, é uma banda também americana de Folk, com um certo tom sombrio.

A mistura entre essas duas bandas resultou em algo muito belo. O álbum combina peso e suavidade de maneira igual, de modo que as faixas vão apresentar riffs pesados em alguns momentos ou belos arranjos acústicos em outros. Os vocais também são impecáveis, seja o harsh com tom de ódio, ou os vocais limpos de tom melancólico, sempre trazendo uma grande carga sentimental. O álbum em si tem um clima escuro e de pura melancolia, algo que é reforçado com o uso de violinos que deram enfoque nesse clima.

O álbum inteiro é excelente, mas destaco as faixas que mais me agradaram. A faixa de abertura Wolves, já traz à tona a beleza sonora que é Black Sea. Iniciada com um vocal limpo, acompanhado de dedilhados no violão, violinos e uma percussão calma, a música tem uma explosão de melodias em seu decorrer e ganha riffs pesados e uma combinação de vocais harsh e limpo de muita qualidade, com uma pegada Atmospheric sem igual. That Place e Moonshiner, são as duas faixas que encerram o álbum e apresentam as mesmas características iniciais, resumidas em um Folk bem melancólico, com belos arranjos e vocais bem tocantes. A diferença é que a That Place sofre uma grande mudança ao seu decorrer, com a sonoridade do Sludge/Doom se fundindo com o Folk. A Moonshiner (clique aqui para escuta-lá) se mantém apenas no Folk, a faixa se tornou uma das minhas faixas favoritas no geral por sua beleza única, a faixa consegue transmitir ao ouvinte com clareza as emoções contidas nela, algo que eu considero louvável.

Eu gostaria de ficar falando por horas sobre Black Sea, um álbum que é difícil de dar uma descrição rápida pela grandeza que representa em todos os sentidos. Surpreendente, melancólico, tocante e de muita qualidade do início ao fim, é isso o que o álbum representou pra mim. Uma experiência bela para quem gosta de misturas de gêneros adversos e que resultam em algo de qualidade tão fascinante, que palavras não são capazes de descrever tudo merecidamente.



Tracklist:
01. Wolves
02. Gods Much more Terrible
03. Swann
04. Song For the Devil
05. Timeless Waters
06. Sea of Trees
07. That Place
08. Moonshiner

Download: Mediafire

segunda-feira, 3 de março de 2014
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Gregory Porter - Liquid Spirit

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Gênero: Vocal Jazz / Soul / Gospel
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Quero deixar claro que pretendo terminar minha lista com os melhores do ano passado ainda em 2014. Sendo assim não há como não incluir a voz mais bela surgida dentro do Jazz nos últimos anos.

O ponto forte de Gregory é o enorme controle que ele possui sobre a própria voz, dono de uma sensibilidade ímpar. Logo na faixa de abertura, ele mostra a que veio. "No Love Dying" anda por uma linha tênue entre o Soul e o Jazz, evocando aquela antiga ideia do amor como uma escolha. "Liquid Spirit", por sua vez, fixa raízes na música Gospel com incessante bater de palmas culminando em um ótimo solo de piano.

Pode-se conferir as melancólicas baladas "Water Under Bridges", ganhadora de um versão rubato com seu tempo ligeiramente reduzido, e "Wolfcry" à lá Tony Bennett. Ambas são belos duetos entre Gregory e o pianista Chip Crawford. Minhas duas canções favoritas são "Hey, Laura", dona de um romantismo bastante triste e "Movin" que sugere algo na linha do Bill Withers, mas que Porter logo trata de acelerar com o saxofone de Yosuke Sato deixando tudo mais marcante. Liquid Spirit foi um passo enorme na carreira de Gregory Porter que eu considero imperdível.


Tracklist:
01. No Love Dying
02. Liquid Spirit
03. Lonesome Lover
04. Water Under Bridges
05. Hey Laura
06. Musical Genocide
07. Wolfcry
08. Free
09. Brown Grass
10. Wind Song
11. The In Crowd
12. Movin'
13. When Love Was King
14. I Fall In Love Too Easily
15. Time Is Ticking
16. Water Under Bridges (Rubato Version)


Download: MEGA
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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oOoOO - Without Your Love

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Gênero
: Witch House/Chillwave/Ambient/Experimental
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: oOoOO é a alcunha pela qual se apresenta Christopher Dexter Greenspan, um rapaz estadunidense que inciou as atividades do projeto em 2008 e é considerado, ao lado especialmente do Salem, como um dos percussores do Witch House. Without You Love é o primeiro e único full-lenght do projeto até a data, lançado ano passado.

A sonoridade do oOoOO foge aos padrões do Witch House como conhecemos pelo Salem ou por outros projetos com nomes mais legais como †‡† (Ritualz) ou ~▲†▲~ (Xwxwxwxwv), sendo extremamente intimista, cadenciado e ambient;  úmido como deveria ser, mas não tem toda a densidade opressiva do Witch House, dando lugar a um ambiente leve e romântico. Mas ao mesmo tempo é obscuro, intenso e instigante. Toda a edição de vocais é simplesmente maestral para sintetizar a sonoridade mais essencialmente dreamy possível.

Ao longo do disco de pouco mais de 40 minutos somos convidados a um ambiente onde tudo soa familiar, ainda que distorcido como numa trip alucinógena entorpecente. O Witch House tem o dom de arrombar a realidade com uma sonoridade totalmente alienígena, mas em oOoOO isso não é nada violento, muito pelo contrário, e esse é todo o diferencial. As batidas não são pesadas, opressivas - são instigantes. Comparando com outros trabalhos na cena, é seminal mesmo que tenha sido lançado a menos de um ano. O Witch House tem muito a oferecer e a se recriar, e oOoOO é um dos expoentes disso tudo.

Without Your Love tira seu nome de um filme francês dos anos 70 para complementar mais ainda sua melancolia. Muito provavelmente é algo do tipo ame-ou-odeie, e certamente pede o clima correto para sua apreciação. Mas vale a pena a experiência de passar alguns minutos numa dimensão onde a música tem outra cara. Dark Wave at its finest, ainda que hoje em dia chamemos isto de outro nome.



Tracklist:

1.Sirens  5:43
2.Stay Here  4:05
3.3;51 AM  2:46
4.Without Your Love  3:15
5.On It   3:52
6.Crossed Wires  3:37
7.Mouchette  3:21
8.The South  3:08
9.Misunderstood  4:36
10.5;51 AM  1:23
11.Across A Sea  5:01


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domingo, 2 de fevereiro de 2014
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Vulture Industries – Discografia

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Gênero: Avantgarde Black Metal/ Progressive Black
País: Noruega
Ano: 1998/2003 - Atualmente
Comentário:
Essa banda realmente me impressionou, se tornou uma de minhas favoritas em pouquíssimo tempo. Ela tem uma sonoridade riquíssima, vocais com clima de terror puro que variam do limpo a gritos e guturais, riffs que grudam na sua cabeça fácil, harmonia de sobra entre os instrumentos e variações rítmicas que te colocam no ambiente da música.

Foi formada em 1998 na cidade norueguesa de Bergen como Dead Rose Garden. Depois de algumas mudanças na formação o nome foi alterado para o atual em 2003.  A banda conta com Tor Helge na bateria, Kyrre Teigen nos baixos, Specter, Envid Huse e Øyvind Madsen nas guitarras, os dois últimos já tocaram juntos na Sulphur. E por ultimo, mas com certeza não menos importante, Bjørnar Nilsen nos vocais e letras.

A estética do som deles é bem singular, eu conheço poucas bandas que conseguem ser tão fieis à uma atmosfera como Vulture Industries faz. O terror permeia as faixas dos discos como se fossem um filme noir em forma de música. O que realmente gosto de destacar nessa banda, além de tudo, é o gosto de loucura que eles colocam nas canções. Os diálogos insanos que acontecem nas músicas, as narrativas dramáticas de histórias lamentáveis.
Não sei muito bem o que falar, a banda e magnífica e tem muita coisa pra mostrar.

                                          Endereço oficial / Facebook / Last.fm

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White Lies - Small TV

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Gênero: Post Punk, Indie
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: Seguindo o lançamento de Big TV os ingleses do White Lies, um dos melhores representantes dessa nova onda Post Punk, lança o EP Small TV. Composto por cinco canções o EP inclui, além de versões de clássicos da banda e músicas do último disco, covers de Lana Del Rey e Prince.

Formado em 2007 o White Lies ganhou rápida visibilidade com o single 'Death'. O primeiro disco veio em 2009, To Lose My Life... fez a banda cair nas graças da crítica e do público alçando o White Lies a grandes festivais. O disco é uma sucessão de hits como a já citada 'Death', 'Fifty On Our Foreheads', Unfinished Business' e 'From The Stars'. Seguindo o sucesso de seu primeiro disco veio Ritual em 2011 com as ótimas "Strangers' e 'Bigger Than Us'. Em 2013, é lançado o terceiros disco de estúdio, Big Tv.

Em Small TV o White Lies utiliza de elementos mais simplistas e arranjos novos, o que deu muito certo em algumas faixas, como 'First Time Caller' (música de seu último disco) mas peca em outras faixas, como 'I Would Die 4 U'. No geral Small TV é um EP que certamente vai agradar aos fãs dessa ótima banda.

Tracklist:
1. There Goes Our Love Again
2. Ride
3. Firts Time Caller
4. I Would Die 4 U
5. Unfinished Business

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sábado, 25 de janeiro de 2014
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Eudaimony - Futile

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Gênero: Post-Black Metal
País: Alemanha / Suécia
Ano: 2013

Comentário: Eudaimony é formada por membros já rodados no cenário do Black Metal. Jörg Heemann (Mosaic/Secrets of the Moon/Krieg) na bateria, Marcus E. Norman (Ancient Wisdom/Naglfar/Bewitched) na guitarra, baixo e teclado, Matthias Jell (Dark Fortress) no vocal e Peter Honsalek (Nachtreich) no piano e viola.

A estética do álbum consiste numa atmosfera profunda, depressiva, sempre acompanhada por um instrumental lento e bem tocado. A faixa de abertura já nos deixa claro isso tudo, aquele riff contínuo e estridente que se estende pela faixa, o teclado ajudando a reforçar o clima depressivo e o vocal transmitindo claramente as emoções contidas nas letras.

A bagagem musical dos membros certamente é um dos principais fatores para explicar a grande qualidade encontrada no álbum. Você não vai encontrar nada de inovador nesse álbum, tudo que foi feito já é algo de conhecimento de todos, o diferencial porém, é justamente o grande nível técnico dos membros da banda, que souberam fazer um álbum sólido e bastante agradável. Os vocais de Matthias certamente é um dos pontos de destaque do álbum, soube transferir ao ouvinte cada ideia e sentimento contido nas letras, o que é reforçado pelo instrumental.

Faixas como A Window In The Attic, trazem o lado mais depressivo e sombrio da banda, onde destaco o desemprenho do teclado, que ajuda a criar uma atmosfera tocante. Já a faixa título, traz uma pegada mais atmosférica, bem executada e agradável. A presença dos vocais limpos, acrescentam um sentimento de angústia no clima principal da faixa, onde o teclado vem a somar nesse quesito. Portraits é de imensa beleza, seu início acústico, acompanhado pelos vocais limpos e com uma batida quase eletrônica ao fundo, cedem espaço para passagens essencialmente feitas no violino (este presente em todo decorrer da faixa). A faixa de encerramento do álbum é a December's Hearse, onde o instrumental está impecável e faz uso dos teclados e violinos para acrescentar um clima angustiante que já vinha sendo desenvolvido pela banda. A faixa conta com a participação de Schwadorf (Empyrium / The Vision Bleak) nos vocais.

Futile foi um lançamento de 2013 que mereceu destaque. A ideia de fazer um som mais depressivo, triste e angustiante, mas de forma proveitosa e não forçada ao extremo, funcionou muito bem. Fica a expectativa de futuros lançamentos da banda e que sejam de grande qualidade como foi Futile.


Tracklist:

1. Ways To Indifference
2. Mute
3. A Window In The Attic
4. Futile
5. Portraits
6. Cold
7. Godforsaken
8. December’s Hearse

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Disclosure - Settle

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Gênero: House / Electronic
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: "Don't believe the hype", assim brada Chuck D, líder do essencial Public Enemy, neste hino ante mercado cultural que, de forma escusa, costuma dizer aos consumidores o que comprar, o que ouvir e até mesmo como pensar. Claro muitos muitos dos artistas oriundos desta seara não conseguem seguir em frente devido a falência criativa ou até mesmo a mudança de direcionamento do foco midiático. Exemplos são muitos, mas talvez um dos mais comentados no ano passado fora o lançamento do disco de estréia do jovem duo Disclosure intitulado Settle.

Oriundos da cena inglesa, a dupla prima por realizar colagens sonoras que dialogam abertamente com a cultura do mundo eletrônico. Suas batidas vão de acordo com o proposito mais nobre deste gênero: colocar o ouvinte para dançar freneticamente. Seguindo esta premissa, desde a abertura com a ótima "When a fire starts to burn" até a cadenciada "Help me lose my mind" não há um mero intervalo de respiração. Os vocalistas convidados, a saber: Sam Smith, AlunaGeorge, Ed Macfarlane, Eliza Doolittle, Jamie Woon, Jessie Ware, London Grammar e Sinead Harnett, todos da cena underground do país, abrilhantam ainda mais a cama sonora criada.

Tantos predicados fazem do álbum um fenômeno nesta seara. E as paradas de sucesso são reflexo disto, pois até agora foram ao todo SETE singles de sucesso, num álbum que em sua versão original tem 14 faixas. Na ala das premiações o mesmo pode fazer bonito, pois concorre em categorias importantes tanto no Mercury prize quanto no Grammy passando pelo Brit Awards .

De certo, ainda é imprevisível qual será o futuro dos rapazes. Afinal eles são essencialmente bons no que fazem ou só mais um fruto de uma ação de marketing estrondosa? Só o tempo irá dizer.

Por hora o que nos resta é aumentar o volume e se deixar levar pelo ótimo tratado cometido pelo Disclosure.      

P.S. A versão contida abaixo é a deluxe do álbum que contém 4 faixas a mais, sendo a última um remix cometido pelo duo para uma faixa de Jessie Ware.


Tracklist:

01. Intro
02. When a fire starts to burn
03. Latch
04. F for you
05. White noise
06. Defeated no more
07. Stimulation
08. Voices
09. Second chance
10. Grab her!
11. You & me
12. January
13. Confess to me
14. Help me lose my mind
15. Boiling
16. What's in your head
17. Tenderly
18. Running (Jessie Ware)

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
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Kelela - Cut 4 Me

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Gênero: Contemporary RnB / UK Bass / Neo-Soul
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Um dos maiores clichês do mundo artístico se consubstancia na afirmação de que a dor transforma o artista. De momentos difíceis advém grandes obras. Com base nisso, podemos citar inúmeros poetas que, por se tornarem reclusos e solitários, presentearam o mundo com extensas e intrincadas obras, que séculos depois de sua assinatura remanescem relevantes ao mundo moderno. Dito isto, nos perguntamos: quantas vezes um pé na bunda teve como efeito indireto a confecção de uma obra de grande qualidade? Acreditamos que este número seja inestimável. O disco que ora apresentamos é mais um exemplo dessa saga: Cut 4 Me, mixtape que apresenta a cantora Kelela ao mundo, se deve em grande parte ao término traumático de um relacionamento.
Sem medo nenhum de soar piegas, a artista afirma em entrevista que o grande grau de emoção incutido nas faixas do registro se deve, em muito, à dissolução da parceria afetiva com Tosin Abasi, da banda de metal progressivo Animal As Leaders. Ela deu declarações de que queria perpassar às faixas uma sensação que é familiar a todos nós: o sentimento que nos invade quando alguém diz que nos ama, mas ao mesmo tempo nos magoa, característica inerente à condição permanentemente contraditória do ser humano.
No entanto, Kelela não queria se passar por vítima, ou ainda parecer mais uma moça frágil e chorosa, que não se sustenta pelas próprias pernas face a uma desilusão amorosa. Queria se mostrar altiva - "sair por cima", no popular. Não queria se lamentar, mas sim analisar profundamente as consequências dolorosas da situação.
O que podemos afirmar é que ela, com certeza, atingiu seu alvo. Cut 4 Me é um registrado recheado de letras emotivamente potentes e muito bem elaboradas, além de vocais temperados por uma paixão avassaladora, no que ousamos cravar que, nesse quesito, nada a superou no ano passado. Faixas como Enemy e Do It Again são os exemplos que melhor sintetizam essas duas características latentes da mixtape.
Como se não bastassem todos esses predicados, há mais um trunfo, este dos mais efetivos: a produção. Prodigiosos arranjos que não devem a nada a qualquer artista de música eletrônica experimental ladeiam a cantora de modo perfeito, completando uma sintonia ímpar. Gente como Girl Unity, Bok Bok, Jam City, Nguzunguzu - o melhor deles, em nossa opinião - se dedicando de modo irreprochável. Trata-se de experimentalismo eletrônico e vocais de Soul Music combinados em homogeneidade há muito não vista.
A sensualidade do Contemporary RnB ganha uma potente representante, um legítimo exemplar da mais admirável beleza negra: esta descendente de etíopes se dedicou pra valer em uma "mera" mixtape. Nem precisamos dizer o quão ansiosos estamos para o seu primeiro disco de carreira.


Tracklist:

  1. "Guns & Synths" - 2:56
  2. "Enemy" - 4:17
  3. "Floor Show" - 4:38
  4. "Do It Again" - 3:00
  5. "Go All Night (Let Me Roll)" - 1:43
  6. "Bank Head" (Extended) - 5:02
  7. "Cut 4 Me" - 3:53
  8. "Keep It Cool" - 4:10
  9. "Send Me Out" - 4:12
  10. "Go All Night (Let It Burn)" - 1:47
  11. "Something Else" - 4:07
  12. "A Lie" - 3:40
  13. "Cherry Coffee" - 6:00


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domingo, 19 de janeiro de 2014
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Robert Glasper Experiment - Black Radio 2 (Deluxe Edition)

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Gênero: Neo Soul / Neo Jazz / Hip Hop / R&B
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Dando sequência à minha lista de melhores do ano passado, trago aqui um dos projetos mais interessantes que tive oportunidade de escutar nestes últimos tempos. Para quem não conhece, eu explico. Robert Glasper é um pianista de Jazz e dos bons. O objetivo de Robert neste projeto porém é mostrar que se pode fazer músicas originais, instigantes e belas sem desagradar o "Deus Mercado".

Para atingir sua meta, Robert Glasper conta com o apoio de uma moçada sempre muito talentosa. Enquanto o primeiro Black Radio contava com gente como Erykah Baduh e Mos Def, o segundo traz um pessoal como a musa do Neo Jazz Norah Jones, o competente rapper Common, o soulmen Anthony Hamilton e muitos outros.

Enquanto o primeiro Black Radio era mais experimental, trazendo alguns covers interessantes. O segundo acerta o pop em cheio e o efeito colateral, como era de se esperar, é o piano do Robert bem menos proeminente.

Primeiro grande destaque é "I Stand Alone" aonde a sinergia entre a voz do Patrick Stump do Fall Out Boy e o piano de Glasper impressiona com um refrão graciosamente colocado entre os versos matadores do Common. A performance sempre estonteante da Jill Scott marca presença em Calls, uma canção baseada na repetição, mas ainda assim muito bonita.

Minha favorita é Yet To Find aonde Anthony Hamilton mostra o razão dele ser um dos melhores cantores da atualidade, a influência da música Gospel é nítida e a interpretação do Hamilton dispensa comentários. A versão de Jesus Children do Stevie Wonder é quase tão comovente quanto a original. Mais um lançamento que não se pode deixar passar.

"Thank God we've still got musicians and thinkers whose obsession with excellence and whose hunger for greatness remind us that we should all be unsatisfied with mimicking the popular, rather than mining the fertile veins of creativity that God placed deep inside each of us."

P.S.: O formato dos arquivos não é MP3, mas sim, MPEG-4 (256 kbps).


Tracklist:
01. Baby Tonight (Black Radio 2 Theme / Mic Check 2)
02. I Stand Alone (feat. Common & Patrick Stump)
03. What Are We Doing (feat. Brandy)
04. Calls (feat. Jill Scott)
05. Worries (feat. Dwele)
06. Trust (feat. Marsha Ambrosius)
07. Yet To Find (feat. Anthony Hamilton)
08. You Own Me (feat. Faith Evans)
09. Let It Ride (feat. Norah Jones)
10. Persevere (feat. Snoop Dogg, Lupe Fiasco & Luke James)
11. Somebody Else (feat. Emeli Sandé)
12. Jesus Children (feat. Lalah Hathaway & Malcolm Jamal Warner)
13. Big Girl Body (feat. Eric Roberson)
14. You're My Everything (feat. Bilal & Jazmine Sullivan)
15. I Don't Even Care (feat. Macy Gray & Jean Grae)
16. Lovely Day
17. Trust (feat. Marsha Ambrosius & Common)


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
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The Wolf of Wall Street OST

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Gênero: Jazz / Blues / Rock / Pop / Soul / Rap / Latino
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Martin Scorsese sempre capricha em suas seleções sonoras para seus filmes e o recém lançado O lobo de Wall Street não é diferente. Se em sua carreira Scorsese primou pela versatilidade de gêneros fílmicos (comédia, drama, musical, ação, aventura entre tantos outros), visualizamos aqui nesta trilha o reflexo desta qualidade.

Organizada por Randall Poster e Marty, as escolhas aqui primam em sua maioria pelo caráter clássico do cancioneiro americano. À começar temos um standard jazz "Mercy, Mercy, Mercy" cometido pelo saxofonista Cannonball Adderley. Na ala do jazz ainda temos pérolas garimpadas de Allen Toussaint, Ahmad Jamal e Eartha Kitt, na ótima "C'est si bon". A porção blues fica por conta das presenças de canções de Elmore James, Howlin' Wolf e Bo Didley que comparece com duas canções: "Pretty Thing" e "Road Runner". Joe Cuba e Jimmy Castor são responsáveis pela porção latina da trilha com as ótima "Bang! Bang!" e a hilária "Hey Leroy your mama is callin you" respectivamente. O rock, gênero onipresente de suas trilhas, dá o tom com o clássico de Billy Joel "Movin' out" e também clássica versão para o hino "Mrs. Robinson" cometida pelo saudoso Lemonheads. O blues country "Meth lab Zoso sticker", da promessa 7horse, é a prova de que o diretor está também de olho no que acontece na cena musical atual. A vertente pop é representada pelo pop experimental de Malcolm McLaren e a oitentista "Never say never" de Romeo Void. Vale ainda fazer menção a corretíssima versão para "Goldfinger" (tema de 007), realizada por Sharon Jones e seus Dap Kings, que surge ao vivo durante o filme na cena do casamento do personagem central Jordan Belfort, interpretado brilhantemente por Leonardo Dicaprio.

Por fim, a trilha em si já é digna de audição por si mesma, mas vale a pena o exercício de assistir ao filme que estréia oficialmente dia 24 de janeiro no Brasil, pois mais do que meramente colocar canções durante as cenas rodadas, Scorsese prima por escolhas nas quais música e cena dialogam abertamente. Sem contar que há outras surpresas sonoras tais como Foo Fighters, Devo e Cypress Hill. É ver para crer.

P.S. A escolha de "Black Skinhead", de Kanye West, como faixa amostra é o fato da mesma ter sido utilizada num dos trailers promocionais do filme e, além disso, é, indiretamente, um hino para a obra em si. A mesma está presente no link de download abaixo em versão ao vivo como bônus.    

Tracklist:

01. Mercy, Mercy, Mercy - Cannonball Adderley
02. Dust my brown - Elmore James
03. Bang! Bang! - Joe Cuba
04. Movin' out - Billy Joel
05. C'est si bon - Eartha Kitt
06. Goldfinger - Sharon Jones and the Dap-Kings
07. Pretty thing - Bo Didley
08. Moonlight in Vermont - Ahmad Jamal Trio
09. Smokestack Lightnin' - Howlin' Wolf    
10. Hey Leroy your mama is callin you - Jimmy Castor
11. Double Dutch - Malcolm McLaren
12. Never said Never - Romeo Void
13. Meth lab Zoso sticker - 7horse
14. Road Runner - Bo Didley
15. Mrs. Robinson - Lemonheads
16. Cast your fate to the wind - Allen Toussaint
17. Black Skinhead - Kanye West

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
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Forest Swords - Engravings

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Gênero: Neo-Psychedelia / Ambient Dub / Downtempo
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: O ano de 2013 se mostrou bastante profícuo quanto à música eletrônica, e não só quanto àquele jaez mais tradicional do estilo, mas em várias de suas mais variadas vertentes. Do footwork ao downtempo, do chillout ao drone, diversos registros chamaram a atenção aos amantes do gênero. Um primoroso exemplo disso é o disco Engravings, do produtor e artista inglês Matthew Barnes, que tem a alcunha de Forest Swords como stage name.
Depois de uma série de EPs, online tracks e singles, o trabalho ora analisado é seu primeiro álbum de carreira, e veio para abrandar uma crescente expectativa formada em torno de seu talento a cada nova faixa disponibilizada na internet, especialmente em sua conta do Soundcloud. Já na faixa de abertura, Ljoss, recebemos uma boa mostra do que virá a seguir: faixas que repousam na região limítrofe entre a tranquilidade do Ambient e os estilos mais sombrios da música eletrônica, pendendo ora pra um lado, ora pra outro.
É notável a gama de instrumentos e recursos utilizados pelo autor para criar a aura etérea de seu trabalho. A ecleticidade na escolha do aparato se mostra evidente em Thor's Stone, por exemplo, faixa em que observados uma crescente de sintetizadoras acompanhadas por um instrumento de sopro que se assemelha com flautas indígenas.
Barnes não deixou de utilizar vocalizações humanas em sua obra: Anneka's Battle traz, em sua segunda metade, um agradável canto performado por uma voz feminina, acompanhado de uma batida alusiva ao Rn'B, mas com notas bem mais sutis e em consonância com a proposta do restante do disco. Em seguida, Gathering também traz vozes humanas, mas dessa vez incorporadas à batida da faixa, em indecifráveis - mas aplacadores - dizeres que compõem uma atmosfera bastante envolvente.
Os solos dedilhados de violão, guitarra e piano também são um grande trunfo das experimentações. Presentes em faixas como The Weigh of Gold e The Plumes, dão um tom mais mundano ao disco, e nos remetem à intersecção que pode ser formada pelos mais diversos gêneros musicais.
Não bastasse a gama de recursos utilizados de forma brilhante e o resultado que salta aos ouvidos, a história por trás do registro o torna ainda mais belo: Barnes teve de abandonar por alguns anos a sua maior paixão, a produção de faixas, e, por consequência, o seu Forest Sowrds, por conta de problemas auditivos que podiam lhe ceifar esse sentido. Depois de um tratamento, obteve o aval médico para retornar a se dedicar à sua paixão. Esse tempo afastado de tudo que mais ama certamente contribuiu para o ar de tristeza esperançosa que perpassa cada uma das dez faixas do registro. Como disse Lord Byron, "tristeza é saber" - e Barnes soube muito bem extrair a essência dessa frase.




Tracklist:

  1. "Ljoss" - 5:19
  2. "Thor's Stone" - 4:32
  3. "Irby Tremor" - 4:11
  4. "Onward" - 5:40
  5. "The Weight of Gold" - 5:04
  6. "An Hour" - 5:02
  7. "Anneka's Battle" - 4:09
  8. "Gathering" - 4:59
  9. "The Plumes" - 3:39
  10. "Friend, You Will Never Learn" - 8:12


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domingo, 12 de janeiro de 2014
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Mayer Hawthorne - Where Does This Door Go

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Gênero: Neo Soul / Hip Hop / Pop
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Não há outra forma de eu continuar minha lista de melhores do ano passado sem um dos caras mais criativos da música atual. Dois caminhos estão em maior evidência no Neo Soul atualmente, por um lado nós temos os artistas da Deptone como Charles Bradley e Sharon Jones que fazem um Soul mais "ortodoxo". Por outro, temos artistas como Anthony Hamilton e Bilal que fazem um som mais "eletronizado" e com maiores influências do Hip-Hop.

Mayer Hawthorne trilha seu próprio caminho. Ele consegue recriar aquele clima nostálgico das décadas de 1960 e 1970, porém soando moderno e sem precisar recorrer o tempo inteiro ao Hip Hop. Porém quando lança mão do gênero o resultado é ótimo. Prova disto é a parceria com o bom rapper Kendrick Lamar e seu flow característico em "Crime".

Mas o que devo dizer aos que já são fãs do Hawthorne e vão escutar Where Does This Door Go pela primeira vez? Primeiramente diria para não se assustarem com a produção mais encorpada que desta vez não ficou a cargo do Mayer, ele que agora está cantando melhor do que nunca e finalmente parece confiante no próprio falsete como se vê em "Wine Glass Women". Eu avisaria também que se por um lado ele vem acrescentando mais influências ao seu repertório a ponto de ser comparado ao Steely Dan em algumas resenhas que li na internet, por outro suas letras regrediram bastante em termos líricos.

A maturidade lírica de "Reach Out Richard", um monólogo com seu pai, contrasta com a inconsequência juvenil de "Crime" ou com a forma infantil a qual Mayer retrata as mulheres em "The Innocent" classificando-as como um objeto de sedução a ser temido. Pelo menos ele não perdeu o hábito de fazer ótimos vídeo-clipes. Mas não se assuste, pois as letras não chegam a estragar o disco, nem a fraca balada "All Better" estraga o disco. No fim do dia, você vai estar cantarolando "Back Seat Lover" e seus "nah! nah! nah's!"

Tracklist:
01. Problematization
02. Back Seat Lover
03. The Innocent
04. Allie Jones
05. The Only One
06. Wine Glass Woman
07. Her Favorite Song (ft. Jessie Ware)
08. Crime (ft. Kendrick Lamar)
09. Reach Out Richard
10. Corsican Rose
11. Where Does This Door Go
12. Robot Love
13. The Stars Are Ours
14. All Beter


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Quem escreve e faz os uploads:

 
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