Gnaw Their Tongues & Dragged Into Sunlight - N.V.
Categories :
/Forbidden . Ambient Black Metal . Black/Doom . Doom Metal . Noise
Gênero: Black/Doom Metal/Noise
País: Holanda / Reino Unido
Ano: 2015
Comentário: Dragged Into Sunlight uma banda de Black/Doom Metal das mais doentias, com vocais rasgados, cadencias pesadíssimas e com um pé no Grind. Gnaw Their Tongues, por outro lado, é o nome com o qual Maurice de Jong, ou Mories, como se auto-intitula, executa um dos mais obscuros formatos de Noise, um Dark Ambient desconcertantemente variado, imersivo e mórbido. N.V. é a mistura dessas duas vibes que simplesmente nasceram pra que essa união acontecesse.
Em 2011 as duas entidades se uniram, inicialmente como uma forma de tributo ao Godflesh e seu seminal Industrial. N.V. é o debut dessa colaboração, fruto da edição de mais de três horas de material em pouco mais de meia hora de disco. O Dragged Into Sunlight tem por hábito usar diálogos de serial killers e assassinos em suas músicas (não necessariamente uma novidade no Metal), mas nesse álbum é que realmente esses diálogos encaixam perfeitamente com a música. A forma fria e metódica que se ouve falar da morte pela boca de criminosos bárbaros é exatamente a atmosfera do disco. Algo tão extremo que parece errado, mas ao mesmo tempo artisticamente prazeroso pra aqueles que se interessam por esse nível de obscuridade.
A união das duas bandas é tão fantástica que praticamente nada se perde de nenhum dos dois lados - as músicas seguem essencialmente a mesma fórmula de sempre do Dragged Into Sunlight ao mesmo tempo que soam completamente sinceras e coerentes com o Noise sinistro do Gnaw Their Tongues. A bateria come solta, dando trégua apenas nas partes mais cadenciadas onde o peso absurdo das guitarras gravíssimas tomam conta. As guitarras vem acompanhadas de sons bizarros, nauseantes e hipnóticos do Dark Ambient, abusando de dissonâncias para dar mais ênfase ainda na atmosfera obscura. Enquanto isso, os vocais estrangulados do Dragged Into Sunlight ficam ainda mais profundos e sinistros cobertos de distorção. Nos trechos mais extremos, as guitarras e as baterias se sobressaem, até o momento onde o Noise e o Dark Ambient lentamente vão tomando conta e a música vai afundando numa dissonância grave e sinistra, com os vocais rasgados colaborando para o absurdo acontecer. Aí entram os trechos mais cadenciados, com vocais graves e profundos e diálogos dos assassinos. É deliciosamente assustador. Ainda há momentos onde o Ambient sobressai, com as guitarras mais caladas, mas com a bateria e os vocais do Dragged Into Sunlight fazendo parte de uma tensa e sinistra parede sonora.
Os próprios autores da obra declaram o disco como um tributo a genialidade do Streecleaner do Godflesh e sua influência na música extrema. Justin Broadrick inclusive finalizou a produção do disco. A arte da capa é assinada por Seldon Hunt, que trabalhou com bandas do naipe de Khanate, Neurosis, Sunn O))) e afins (apesar de que, né, está ali mais pela referência do que pela arte em si, que não é nada demais). A melhor parte de N.V. é o álbum fazer parte de uma direção maravilhosa que algumas bandas de metal tem tomado, que é buscar sonoridades mais extremas não no Metal em si, mas no Industrial e no Noise. Não que isso seja novidade, vide o próprio Godflesh, mas isso parecia ter se apagado por algum tempo e agora volta potente com a vibe "crust" de muitas bandas de Black Metal dos anos 10 do séc. XXI. Que tudo se afunde cada vez mais nessa escuridão.
Tracklist:
1. Visceral Repulsion 05:50
2. Absolver 07:54
3. Strangled with the Cord 05:16
4. Omniscienza 06:40
5. Alchemy in the Subyear 06:41
Ouça:
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BANDAS AMIGAS #10 - Cássio Figueiredo
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Confesso que é um pouco estranho chegar a esse momento da carreira de Cássio Figueiredo, quem um dia já fez parte da staff do Pignes e sempre será meu bom e grande amigo Cás. Até a própria afirmação ou questionamentos do sujeito – fazendo um trocadilho medíocre com uma das produções dessa “nova” fase que, por fim, não é uma fase e sim ao que parece o zênite de uma produção contínua ou quase contínua – me puxa lembranças e indícios de uma época que, agora, parece tão evidente que Cássio convergiria. Sempre fui muito fã de sua trajetória (sobretudo do ponto de vista estético da coisa), de ver alguém tão jovem com um peso artístico tão grande passado por nós de maneira sorrateira e que vem se consolidando com o tempo; como ele próprio me disse recentemente “você me viu crescer”. E vi, sim, cresceu como pessoa e como artista que, quase como um deja-vu, eu volto para falar da música do Cás aqui no site como um dia fiz em Less.
Cito Less porque vejo a essência do artista por trás da música transmitida de outra forma bem diferente. Neste tão antigo projeto, Cássio trazia uma reminiscência pesada do Metal efervescente da época (da nossa e da dele). Contudo, o modo caseiro e despretensioso de fazer a coisa, a subversão do feio como belo, o contrassenso da musicalidade e harmonia já presente em seus primeiros ensaios se arrastaram e se elevaram, ou melhor, decaíram (no sentido de "se recolheram", "tornaram-se intimista", "voltaram para dentro") faixa a faixa à medida que Cássio vinha se encorpando ao Noise, ao Shoegaze, ao Drone e às diversas experimentações que um artista pode fazer para expressar sua criatividade, até chegar ao momento mais intimista e maduro que eclode em seu último lançamento, Presença (2016), disco este que tem ainda a parceria com Cadu Tenório, quem por sua vez já foi citado em seu trabalho ao lado de Juçara Marçal aqui.
Esses dias, refiz quase toda trajetória de Cássio em sonoridade e fotografia, tracei as texturas e tudo me comove e leva a pensar que Presença é sim um disco pessoal – do artista para conosco e do artista para com ele –; não que os demais não sejam (sempre é), mas este em especial soa com um rito de passagem, o início ou fim de uma era; Cássio também me disse que talvez a diferença de Presença para os demais discos lançados foi seu tempo de maturação até ser de fato lançado. Como falei anteriormente, o que me chama atenção não é apenas a música dele em sua forma técnica, exposta na sonoridade de violão, violino, software, gaita, colagem de som digital, fita cassete ou, como ele mesmo me disse “objetos”. Contudo também a interligação da música com as sensações/emoções, historias por traz da criação (onde fez? como fez? por que fez ou pra quem fez?), a estética dos projetos e conceitos que, por sua vez, falam por si só.
Por fim, não adianta dissecar disco a disco, tendo em vista que Presença é evidente, porém não é o único. Cá presenciamos a notoriedade da música de um artista de muito tempo, onde Cássio Figueiredo traz vários projetos nas costas com músicas que precisam obrigatoriamente serem ouvidas e não explicadas, pois é sempre válido ressaltar que a música é acima de tudo subjetiva. Do meu lado, aquele que acompanha a trajetória, me faltam palavras para expressar o orgulho que sinto por esse menino (que sempre foi precoce) e digo, não apenas por mim, mas por todos os outros daqui do Ignes que são da mesma época que Cás, que este foi um bandas amigas que já um tempo devíamos a ele e, particularmente, escrevi com lágrimas nos olhos, pois levo ao sentido bem literal da ideia: amigo.
Less / Inutiargu / "Partir" de Projétil / Cássio Figueiredo / Soundcloud
O nome "presença", assim como a imagem escolhida pra ilustrar, foram questionados por mim como escolha pra esse trabalho durante todo o tempo que se passou desde o momento final das gravações até hoje, um dia depois de eu ouvi-lo finalizado pela primeira vez. Minha dificuldade de escrever sobre tudo o que aqui se manifesta perdurou por todo esse tempo e persiste até agora. Meu esforço e insistência em tentar descrever essa presença que sinto, o clima que me envolve, os símbolos que com tanta força tento interpretar da melhor forma possível. Está tudo aqui, disperso e junto, caótico e distinto, e minha carta de rendição a qualquer forma de separar criador e criatura.
Sujeito (2015)
A busca pela construção de um eu lírico sedento por identidade e por uma delimitação frágil o suficiente para admitir a ocorrência de posteriores alterações.
Vejo o projeto como uma exposição do exercício reflexivo de um autor puramente empírico. Sem grandes pretensões, a minha intenção foi justamente a criação de uma obra relativamente não-convencional que expusesse da maneira mais egoísta (aqui no melhor sentido da palavra, se é que existe) o que provém de mim, das minhas experiências e impressões.
Longe de ser a única leitura válida e que põe fim e limite ao EP, é antes apenas uma das várias que podem o preencher de significado, ou paradoxalmente o despir do mesmo, visto que é tão íntimo que pode chegar a não apresentar mesmo signo nenhum.
"Sujeito" é uma exaltação ao modo corrente de percepção de si enquanto indivíduo.
Enquanto indivíduo que ama, que sofre, que vive, que percebe, que conhece, que sente, e que pensa.
E ao mesmo tempo que não está livre das amarras das suas próprias paixões, desejos, afetos, relações e ideias.
Pois está e é sujeito.
A si, e a todas essas coisas.
Drops de bacon #15: Sambas estranhos e afro-ruídos: 3 discos/pt.01
Categories :
/Damien Willis . #Drops de Bacon . 2015 . Afro-noise . MPB . MTB . Noise . Samba
Este é o primeiro de uma sequência de sei-lá-quantos posts que pretendo escrever para apresentar sempre discos que tenham uma forte relação com a cultura e religiões afro, mas que fuja, ou pelo menos não se enquadre totalmente na ampla categoria que é a denominada Música Popular Brasileira (MPB), seja por conter um som muito desconstruído/experimental, por trazer de volta elementos tão rústicos que perderam a simpatia das comunidades brasileiras ao longo dos anos e da modernização, chegando a causar certa estranheza em dias atuais, ou ainda claramente fazer referências a ingredientes religiosos que são postergados ou mesmo discriminados num país onde o próprio negro virou cristão.
Desta forma, pretendo aqui adotar o termo Música Torta Brasileira (MTB), — assim como nosso parceiro Fernando Augusto Lopes em seu texto para o Floga-se — especificamente associado à cultura negra (e ao samba, que com alegria e bom humor chamo de samba torto, estranho, manco, macumbeiro, etc), para designar estas estranhezas que tantos artistas vem produzindo durante décadas de música brasileira. No entanto, não se apeguem tanto a isso. Assim como a MPB pode garantir inúmeras experiências, boas e incômodas, solenes e brutais, a MTB será apenas um tipo de temática, mas não um gênero musical rigoroso.
Juçara Marçal & Cadu Tenório – AngangaAno: 2015
Gênero: Afro-noise
Selo: Sinewave / QTV
Arte: Cadu Tenório
Streaming: BandCamp
Download: SineWave
Uma das grandes surpresas de 2015 foi a união de dois “recentes” grandes nomes da música torta brasileira, cenário esse que fervilha ao nível underground mas que tem chamado atenção mesmo até de alguns grandes portais. Se de um lado Juçara Marçal é endeusada por sua interpretação vocal ímpar, já bastante notável desde a época com as mulheres do Vésper e com o grupo A BARCA, e por uma carreira que vem sendo tomada cada vez mais de samba estranho — principalmente pelas parcerias com Kiko Dinucci e Thiago França —, do outro Cadu Tenório é um respeitável compositor de música perturbadora e desconcertante, obviamente admirado por um nicho específico, mas demonstrando que bebe de várias fontes musicais diferentes e, ao compor, nos ambienta em meio aos cascalhos e ao aço, ao tempo frio e metálico.
Assim como em Sobre A Máquina, VICTIM! ou Ceticências, Anganga soa quebrado e desgraçado, mas com um plus mítico e, de certa forma aterrorizante para ouvidos não acostumados criados num país predominantemente cristão, onde o diferente ainda causa estranheza e mesmo, infelizmente, repulsa. Neste caso porém, é justificável, já que Cadu e Juçara não estão nos entregando uma música de ninar. O disco consiste no atrevimento da dupla em desconstruir e reinterpretar cantos de trabalho, chamados de vissungos, entoados pelos negros nos garimpos em Minas Gerais e cantos do Congado Mineiro, anteriormente recolhidos e transcritos pelo filósofo e linguista mineiro Aires da Mata Machado Filho, em 1920, e interpretados primeiro por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela na obra O Canto dos Escravos, de 1982.
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| Foto: Divulgação |
O disco ainda conta com duas composições próprias de Cadu Tenório, “Eká” e “Taio”, também com colaboração de Juçara Marçal. O resultado é um afro-noise sufocante, murmurador, agonizante e estranhamente belo que parece implorar por liberdade.
A mixagem e masterização recebem os cuidados de Emygdio Costa (Fábrica, Sobre A Máquina), velho companheiro de Tenório.
Virgínia Rodrigues - Mama Kalunga
Ano: 2015
Gênero: Samba Torto / Samba Macumba
Selo: Independente (Dist. Tratore)
Arte: Cláudio Bispo (escultura) / Sora Maia (foto)
Streaming: Spotify
Mama Kalunga é o quinto disco de Virgínia Rodrigues lançado sete anos após Recomeço, disco de 2008, e, contando com várias participações, destaca-se por sua solenidade ao narrar a presença negra no mundo, e especialmente no Brasil, com músicas que vão de “sambas eruditos” a composições em tons ritualísticos. Tais participações fazem parte da estrutura primordial do disco, pois Virgínia aqui não compõe, “apenas” interpreta — de corpo e alma.
Aliás, é desmerecer o trabalho alheio dizer que os nomes presentes no disco foram “meras” participações. O repertório, a começar por Tiganá Santana (e também produtor ao lado de Sebastian Notini), corresponde a maioria das faixas: “Mama Kalunga”, “Mukongo”, “Mon`ami”, “Yaya Zumba” (com frases pela voz da atriz Ruth de Souza) e “Dembwa (10 de Agosto)”, composições em sua maioria interpretadas nas línguas africanas kikongo e quimbundo por Virgínia e que fazem a frase “sujo de barro e espírito” — de Tiganá, em apresentação do disco — ter total sentido. Seguindo, Paulinho da Viola é evidenciado com “Nos Horizontes do Mundo”, composição de 1978 e que já fora experimentada por cordas vocais feminina com Leila Pinheiro, em 2005. Gilson Nascimento é responsável pela música que abre o disco, “Ao senhor do fogo azul”, dirigida a Nkosi/Ogum — o guerreiro, o lutador, o forjador, o senhor do ferro — orixás de grupos étnicos diferentes, mas mitologicamente semelhantes. Por outro lado, “Vá Cuidar de Sua Vida”, de Geraldo Filme se afasta da mitologia e, de forma racional, nos entrega uma letra provocativa (vale muito ouvir a versão de Itamar Assunção, presente no disco Pretobrás (1998)), travestida de um ritmo razoavelmente bem humorado e com trechos como “Vá cuidar da sua vida. Diz o dito popular. Quem cuida da vida alheia. Da sua não pode cuidar” e "Negro jogando pernada. Negro jogando rasteira. Todo mundo condenava. Uma simples brincadeira. E o negro deixou de tudo. Acreditou na besteira. Hoje só tem gente branca. Na escola de capoeira".
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| Foto: Sora Maia |
Enfim, um álbum rico, cheio de sentimentos e elementos, heranças da África e povo negro brasileiro e que incluem algumas interpretações nas línguas africanas kikongo e quimbundo de forma honesta. A imersão é garantida.
Juçara Marçal e Kiko Dinucci - Padê
Ano: 2008
Gênero: Samba Torto / Samba Macumba
Selo: Tratore / Selo Cooperativa
Arte: ?
Streaming: Spotify
Download: Kiko Dinucci.com.br
Provavelmente as bases teatrais de Juçara não foram em vão e a Companhia Coral parecem ter sido, de grande forma, responsáveis pela desenvoltura com a qual a cantora encara e domina o samba torto, mas ainda dançável e possível arriscar alguns passos, presente em Padê, primeiro trabalho junto do músico e já praticamente um ser onipresente Kiko Dinucci. Este por sua vez basta qualquer pesquisa ao “oráculo” para entender as dimensões de seu trabalho como músico e alimentador cultural, encabeçando ou se vinculando a vários projetos como Bando AfroMacarrônico, Duo Viola, Passo Torto, Metá Metá ou mesmo sozinho, como em Na Boca Dos Outros (2009). Aliás, seria mesmo injusto não citar outras notórias participações de ambos. Sendo sucinto: “Fio de Prumo (Padê Onã)” (Juçara), do álbum Convoque Seu Buda (2014) de Criolo; “Samba Do Fim Do Mundo” (Juçara e Fabiana Cozza), do álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) de Emicida; A Mulher Do Fim Do Mundo (2015) (Dinucci e vários), o mais recente disco de Elza Soares; “Retrato na Praça da Sé” (Dinucci), do álbum Vira Lata na Via Lactea (2014) de Tom Zé; RÁ! (2015) (Com a trupe Thiago França, Kiko Dinucci Juçara Marçal e outros), novo trabalho do rapper Rodrigo Ogi e por aí vai.
Padê — segundo dicionário Michaelis: “Cerimônia em honra a Exu, e que antecede as festas do candomblé”, “Homenagem a Exu, antes de qualquer cerimônia do candomblé, para que ele não estrague a festa” e ainda “desjejum que se oferece ao Exu, antes do início das cerimônias nos candomblés; é constituído de pipoca com azeite de dendê, seu alimento preferido” —, já com seus sete anos de idade, segue uma linha mais próxima do samba manco e macumbeiro ouvido em "pastiche nagô" (2008), não chega a ser metalizado como as músicas de Metá Metá (embora seja uma evolução — e por evolução entendam simplesmente como “mudança”, não “melhoria” ou “piora”) ou como o disco de Vicente Barreto, Cambaco (2015) (Kinucci também está aqui). Tão pouco chega a ser tão Encarnado (2014) (vale ressaltar que este disco figurou a maioria das listas no nosso #Top2014), mas é possível ouvir tudo junto, incluindo um Passo Torto para nenhuma entidade botar defeito.
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| Foto: Bruno Poletti/Folhapress |
Para informações complementares quanto aos elementos sonoros e culturais presentes no disco, além de uma segunda visão sobre o mesmo, Bruno Lucas já deu conta do recado em seu ótimo post (clique).
Links interessantes:
PENSE OU DANCE: MÚSICA TORTA BRASILEIRA, post do nosso parceiro Fernando Augusto Lopes, ser pensante por trás do Floga-se.
O Povo Brasileiro, documentário de Darcy Ribeiro.
Wand - Golem
Categories :
/MarcosAlves . #2015 . Alternative Rock . Garage Rock . Noise . Noise Rock . Psychedelic Rock
Gênero: Garage Rock, Noise Rock, Psychedelic Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.
As influências citadas pela banda durante o processo de composição do disco (Melvins, Sleep e Electric Wizard) ficam bem claras nas faixas iniciais. O disco abre com o riff pesado e com ares de Black Sabbath de “Unexplored Map”, uma música relativamente curta. Em seguida a pesadíssima “Self Hypnosis in 3 Days” abusando de riffs simplistas e de um noise rock latente. “Self Hypnosis in 3 Days” é definitivamente o maior destaque do disco.
Todo o peso presente nas faixas anteriores é interrompido pela onírica “Melted Rope”, fortalecendo os argumentos daqueles que comparam o Wand a um ‘Tame Impala mais pesado’. Apesar da indiscutível qualidade da música, essa parece meio deslocada no contexto do albúm.
Importante ainda destacar a quase pop “Cave in”. Uma música que, localizada no meio do disco, é uma espécie de meio termo entre os extremos apresentados neste disco.
Após as barulhentas “Floating Head” e “Planet Golem” o disco encerra com “The Drift”, uma faixa quase toda feita com sintetizadores, reafirmando a diversidade de estilos que perpassam ao longo de Golem.
Tracklist:
1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 3 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift
Ouça: Spotify
Savages & Bo Ningen - Words To The Blind
Categories :
/MarcosAlves . #2014 . Experimental . Noise . Noise Rock . Post-Punk . Shoegaze
Gênero: Post Punk, Experimental, Shoegaze, Noise
País: Inglaterra / Japão
Ano: 2014
Comentário: A última empreitada das britânicas do Savages é uma parceria com os japoneses do Bo Ningen. A coisa toda consiste em apenas uma música de quase trinta e oito minutos e é barulhenta, sufocante e genial.
O Savages foi formado em 2011 e é um dos destaques em meio a toda esta onde post-punk revival. O primeiro discos das moças, Silence Yourself, é um deleite para os fãs do gênero e rendeu a banda críticas positivas e apresentações pelo mundo afora. Inclusive com uma passagem pelo Lollapalooza Brasil em 2014. O Bo Ningen, por sua vez, é um grupo acid punk japonês formado em Londres, em 2006. O quarteto conta com três discos na bagagem e colaborações com outras bandas.
'Words To The Blind' começa com um spoken word hipnotizante, que após cerca de seis minutos deságua em um mar de experimentalismo e barulho. Sombria e claustrofóbica a faixa se arrasta em meio aos sons de uma bateria distante e múrmuros suaves, até que se torna grandiosa e pesada. Apesar de parecer se perder em determinados momentos, nos quais parece que cada uma das bandas está tocando uma música diferente, Words To The Blind, é um lançamento que vai encher os olhos dos fãs de ambas.
1. Words To The Blind
Ouça: Spotify
Esplendor Geométrico - Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza
Categories :
Gênero: Industrial
País: Espanha
Ano: 1985
Comentário: Esplendor Geométrico é uma banda espanhola formada em 1980, em Madrid. O grupo retira seu nome de uma obra de Filippo Tommaso Marinetti, considerado fundador do Futurismo, um movimento surgido na Itália no início do século XX que exaltava a modernidade de forma profética: a agitação das metrópoles, a violência urbana, a juventude precoce, os avanços tecnológicos, e tudo isso estava nas pinturas, esculturas e todas as outras formas artísticas que o futurismo abrangiu em seu auge. Pensar que todas essas características tão próprias do nosso tempo eram completamente alienígenas para a mentalidade do final do século XIX e início do século XX, mas, ainda assim, estavam presentes no Futurismo italiano, é no mínimo estarrecedor. Não por acaso, no entanto, o futurismo, otimista como aparentava, definhou quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914.
Esplendor Geométrico, a banda, surge justamente em 1980, uma década onde brincar com a antimusicalidade ganhou nome: Industrial. E antimusicalidade era tão vanguardista quanto pintar quadros de uma realidade décadas à frente, ao menos quase 35 anos atrás. Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza é o segundo full-lenght do grupo, e o primeiro lançado pelo seu selo próprio, Esplendor Geométrico Discos.
O álbum é cru e visceral, mas cadenciado de forma magistral. Usando sonoridades industriais e metálicas, Esplendor Geométrico consegue criar paisagens sonoras destrutivas e incrivelmente concretas, com estruturas construídas de forma a envolver e prender. Faixas como Comisario de Luz IV são exemplos de um uso genial da manipulação de sons concretos, analógicos e crus em uma época onde praticamente tudo que era feito nessa área eram experimentos baseados na tentativa e erro de se aproximar de alguma coisa vagamente musical (ou o mais longe disso possível). A abstração aqui é completa. Mesmo que o peso do som seja monstruoso, seu uso cadenciado abre espaço para um vazio psicológico onde nossos pensamentos complementam a sonoridade.
O maior trunfo do disco, pra mim, é a percussão, formada essencialmente de uma seleção cuidadosa de sons concretos. E assustadoramente moderna, precisa e pesada. Impossível escutar sem sentir-se envolvido e preparado para toda e qualquer barulhada bizarra que apareça subitamente no caminho. E isso é incrível. O último lançamento da banda foi em 2011, mas este disco aqui permanece e permanecerá inalteradamente clássico.
Tracklist:
1 - Comisario De La Luz I 4:57
2 - Comisario De La Luz II 5:18
3 - Comisario De La Luz III 4:30
4 - Comisario De La Luz IV 4:59
5 - Blanco De Fuerza I 9:12
6 - Blanco De Fuerza II 3:37
7 - Blanco De Fuerza III 4:48
8 - Blanco De Fuerza IV 4:21
Bonus Tracks da versão em CD, lançada em 2011:
9 - Noising In The Rain I 5:52
10 - Noising In The Rain II 5:04
11 - Noising In The Rain III 4:12
12 - Noising In The Rain IV 3:05
Download:
135 Mb, 320 Kbps: MEGA
Porco na Cena # 33 - A Espiral de Bukowsky + Herod na despedida do Walden
Categories :
/Nix . #Porco na Cena . Ambient . Experimental . Noise . Noise Rock . Post-Rock
Ryoji Ikeda - +/-
Categories :
/Forbidden . Ambient . Electronic . Experimental . Industrial . Minimal . Noise
Gênero: Minimal/Eletrônico/Noise/Ambient
País: Japão
Ano: 1997
Comentário: Ryoji Ikeda nasceu em 1966 na cidade de Gifu, na região central do Japão, mas hoje em dia reside na França, em Paris. Ikeda é um dos mais reconhecidos artistas de um dos gêneros mais prolíficos do Japão: O eletrônico experimental. Seja na veia do Noise, do Ambient ou manifestações menos avant-garde, japoneses sabem experimentar sonoridades como ninguém. Ryoji em especial, faz uma coisa que eu sempre tive curiosidade em fazer, especialmente por ter me graduado em uma área de exatas. Compor música baseando-me essencialmente em padrões matemáticos.
A relação entre matemática e música é intrínseca e indistinguível em todos os gêneros, porém é na música eletrônica que ela brilha. Stockhausen, no século passado, já brincava com a matemática que rege a composição musical erudita e a formulação com a qual esta é escrita, intrinsecamente dependente de padrões matemáticos rigídios e facilmente previsível a partir de uma análise desses padrões. Não é difícil, ao se pensar em partituras e a linguagem musical formal, compor uma música baseando somente em padrões matemáticos, se, é claro, nos dispojarmos da intenção de produzir algo comercial e popular. Na música eletrônica, baseada em oscilações de circuitos elétricos, isso se torna ainda mais óbvio e eficiente.
Quando alteramos os parâmetros infindáveis de um sintetizador, o que estamos fazendo na prática é alterar o funcionamento de componentes eletrônicos de circuitos de forma a que a corrente que passa nestes seja alterada. A oscilação padrão de circuitos com corrente alternada é senoidal, daí vem a mais famosa base musical eletrônica, os senos, com sua sonoridade adocicada. Se no entanto alteramos a frequência com que adentra no circuito a força eletromotriz, modificamos o formato de saída da nossa corrente. Usando este recurso, alcançamos um outro padrão comum que é também utilizado largamente na música eletrônica: as ríspidas ondas quadradas, que já possuem um som mais metálico e intenso. Criando uma série de circuitos combinados de forma a misturar padrões oscilatórios das mais variadas formas, frequências e amplitudes, obtemos a infinidade de sons que um sintetizador é capaz de produzir. Isso é tudo simplesmente matemática, que por acaso também é música.
Ryoji se baseia nesses princípios para, ao invés de simplesmente usar um sintetizador como ferramenta, partir da matemática por trás pra criar a música. Mas não qualquer música. Brincando com padrões, Ryoji cria uma sonoridade minimalística, experimental e ambient em sua melhor proporção. A música ambient tem por definição a capacidade de emocionar e envolver sem necessidade de ser explíticita. Na musicalidade de Ikeda, isso é levado ao extremo de alguns sons terem frequências tão altas ou tão baixas que estão no limiar de serem inaudíveis para o ouvido humano, ainda que sejam perceptíveis de uma forma curiosa quando o silêncio do fim da faixa chega. Além disso, Ikeda soa paradoxalmente melódico. Não esperem caos sonoros, o rigor matemático por trás de tudo aqui torna tudo extremamente ordenado. No entanto não é tão denso quanto artistas como o Pan Sonic - mas nunca se sabe realmente se aquela faixa que parece ser simplesmente um pulsar agudo repetitivo não esconde por trás uma parade sonora de alta frequência. Só somos capazes de descobrir isso quando a música acaba - por que embora sejam frequências inaudíveis, ainda assim elas são diferentes do silêncio absoluto.
Ikeda também é artista plástico, e na realidade sua sonoridade é apenas uma das várias manifestações da sua arte. Arrogantemente, não é algo pra qualquer um. Mas é uma das melhores coisas que o Ambient pode produzir.
Tracklist:
headphonics (1995-96)
01 headphonics 0/0 3:12
02 headphonics 0/1 3:11
03 headphonics 1/0 4:16
+/- (1996)
04 + 2:50
05 +. 5:07
06 +.. 10:55
07 - 6:36
08 -. 11:51
09 -.. 13:24
10 +/- 1:05
Download:
MEGA (96 mb/320 Kbps)
M!R!M - It's Not Enough Anymore (EP)
País: Itália
Ano: 2011
Comentário: Nunca um EP de uma banda desconhecida foi tão despretensioso e, ao mesmo tempo, voraz, doentio e caótico nesses anos posteriores à eclosão do pós-punk 80's! O jovem rapaz Iacopo Bertelli é a mente por trás de M!R!M, um projeto que nasceu entre as quatro paredes de seu quarto e alguns lançamentos, agora em Dezembro (mais ou menos uma semana atrás) lançou seu debut “Heaven”.
Mas, calma, você não precisa voltar ao topo da postagem para constatar que eu não estou postando Heaven (que você pode ouvir aqui). Pois, a meu ver, M!R!M atingiu sua perfeição em It's Not Enough Anymore e, de algum modo, apesar da sonoridade cativante, Heaven não me agradou muito – sobretudo pelo vocal aquém do que realmente gosto. Ironicamente, It’s Not Enough Anymore destoa de todos os outros lançamentos da banda, pois até mesmo o EP que o precede (“Enjoy Your Sorrow”, lançado também em 2011) não me fez querer dar o “replay”.
[ Bandcamp / Facebook ]
Tracklist:
01. Sailor’s Promises
02. No Way
03. Shapes of Sunset
04. Deep Throat
05. P/A/N/T/E/R/A
[ Mega ]
Porco na Cena #32 - Exhale the Sound Festival Parte II
Categories :
/Nix . #ExhaleTheSound2013 . #Porco na Cena . Atmospheric Sludge . Experimental . Hardcore . Noise . Post-Metal . Post-Rock . Sludge/Doom
Sobre a Máquina - Sobre a Máquina
Categories :
/Nix . #ExhaleTheSound2013 . Ambient . Drone . Noise
Gênero: Drone/ Ambient/ Noise
País: Brasil
Ano: 2013
Comentário: Olá moças e rapazes, meninos e meninas. Venho cá dizer o quão feliz estou de poder presenciar um dos festivais mais lindos desse nosso Brasil, o Exhale the Sound Festival. São vinte bandas dos gêneros musicais mais bonitos deste cosmos, Sludge, Drone, Post Rock, Grind e mais lindezas desses segmentos, todas condensadas num festival de um dia apenas.
Muito pouco tempo pra apreciar todos os artistas, mas tempo suficiente pra sentir os murros e chutes sonoros.
Einstürzende Neubauten - Discografia
Categories :
/Ariel C. . #Discografia . Experimental . Industrial . Noise
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| © Thomas Rabsch (via Facebook) |
País: Alemanha
Comentário: De todas as possíveis discografias, duas sempre me causaram muito medo: a primeira é a do Das Ich que, de tanto medo, cheguei a jurar que só a postaria em meu último – e definitivo – dia como uploader no Ignes. A segunda é esta aqui, a discografia de Einstürzende Neubauten. Conquanto eu já tenha postado o álbum Haus Der Lüge, eu não estava preparada para falar da banda; hoje eu sei que realmente não estava e ainda sinto que não estou... Muitas pessoas pensam “é apenas música!”, todavia para cada post meu (exceto alguns daqueles posts que me pediram para fazer), há uma historia de paixão por trás... Paixão esta que fora fugaz ou que se prendera tanto a mim ao ponto de virar amor derradeiro, e que, por fim, expõe um pedaço meu que no geral forma o mosaico que sou. Também sinto medo pela disponibilização dos álbuns sob o título "Discografia". Pelo tempo de existência, Einstürzende possui várias "versões" para sua discografia, sendo assim, para montar este post, baseei-me pelo site da mesma.
Formada em 1980, permanece em atividade até os dias atuais, conquanto sua formação não seja mais a original. Seu nome significa algo como “Novos Prédios Desabando” e, segundo nossa recente historia de registros, uma de suas primeiras apresentações foi dentro de uma igreja a qual demoliram durante o concerto. Acredito que esta demolição deveria fazer parte das músicas que estavam sendo tocadas, pois esta é a identidade da banda: extrair música de barulhos triviais que vez ou outra aparecem em nossa vida, como o som de vidros se quebrando, estalar de latão, estouro de balões, batidas de panelas, passos pelos chãos, gritos e todos os ruídos possíveis.
Por esta peculiaridade de basear as músicas em ruídos comuns, muitos classificam o som da banda como Noise. Contudo, a sonoridade de Einstürzende é dual, ao mesmo tempo em que ela parece perturbadora (como na música Halber Mensch), ela pode ser melancolicamente serena (como a música Sabrina). Ela pode ser declamada ou ser composta com praticamente apenas ruídos harmônicos. E no meio de tudo, há synths leves ou pesados, experimentais que compõem o lado Industrial.
É fato que é necessário uma certa “maturidade” ou, quem sabe, loucura para gostar de Einstürzende – acho esta alternativa a mais coerente; pois é uma sonoridade que, por vezes, nem tem sonoridade! São músicas ritmadas de um jeito atípico, estranho e, claro, barulhento. Mas, para mim, não é o tipo de som feito para dançar ou curtir com os amigos. Quando escuto Einstürzende Neubauten, eu gosto de estar só e fico puta quando me interrompem. Do mesmo modo, eu levei anos para me apaixonar por esta banda, afinal, o que esperar de uma banda que tem como estúdio e fonte de música um verdadeiro depósito de sucatas?!
P.S.: Para quem não conhece a banda, recomendo escutar primeiramente o álbum Haus Der Lüge e depois o Halber Mensch, a meu ver, estes dois são álbuns extremos do E.N.: o primeiro com o lado mais musical e o segundo com o lado mais perturbador. E assim como no post da discografia do Lacrimosa, coloquei como "música amostra" apenas os álbuns que ouvi.
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Hijokaidan - Noise From Trading Cards
Categories :
Gênero: Noise
País: Japão
Ano: 1997
Comentário: Hijokaidan é uma banda japonesa de Noise formada em 1979 em Kyoto. Se você já ouviu falar de Noise pelo menos alguma vez na vida, você sabe que o ninho de várias das mais conhecidas bandas e projetos de Noise é o Japão. E um pouco dessa fama vem por causa do Hijokaidan, uma banda seminal no gênero que influenciou dezenas de artistas que surgiriam nas décadas seguintes até os dias atuais.
Noise From Trading Cards é o décimo terceiro disco da banda e talvez onde os caras atingiram seu auge. Aqui temos essencialmente duas faixas longas e uma terceira faixa de livre improvisação gravada ao vivo. A primeira coisa a se ressaltar sobre o Hijokaidan é que esta é de fato uma banda, em muitas de suas composições bateria e vocal são extremamente presentes, mesmo que coadjuvando com paredes de noise brutalmente caóticas, muitas vezes geradas não só por sintetizadores, mas também por guitarras e baixos altamente distorcidos. Mas não, isso não traz a menor musicalidade ao grupo, tudo é completamente anárquico e infernal. Os vocais, quando aparecem, são esgueladamente berrados, de uma forma tão intensa, que conseguem rasgar a nuvem metálica das distorções presentes, de forma a soar completamente desesperados e guturais. As texturas sonoras são cuidadosamente justapostas em ruídos estridentes, soando como se estruturas metálicas gritassem desesperadas, ao lado de bases graves e frequentes incursões totalmente aleatórias de guitarra e bateria, caóticas e intensas.
A musicalidade do Hijokaidan deve ser ouvida com a consciência que a experiência da banda não é musical, mas visual. A parte do fato que os shows da banda (veja vídeo abaixo) sempre foram totalmente regados a mais intensa insanidade, quando se escuta Hijokaidan de olhos fechados e mente aberta, o que vemos é um cenário devastando-se rapidamente numa chuva de peças metálicas abrindo crateras num chão deformado e claustrofóbico. A sensação de querer que tudo se torne o mais caótico possível é totalmente satisfeita ao se ouvir Hijokaidan. E aí é que a banda encontra o âmago da música Noise.
Ouvir Noise não é uma coisa para todas as pessoas. Porém, eu, francamente, vejo uma similaridade tão intensa entre as paredes sonoras caóticas do Noise com outras construções sonoras que tem o mesmo objetivo - destruir - em outros estilos, que se torna pra mim atualmente bastante curioso que não existam muitos fãs de Noise entre fãs de estilos como Ambient, Metal Extremo e especialmente Grindcore. Hijokaidan é uma excelente porta de entrada para a parte mais brutal, pura e intensa do estilo.
Tracklist:
1 - What A Nuissance! 27:33
2 - Knocking On Hell's Door 13:50
3 - April 8 1996 San Francisco 10:08
Download:
MEGA
Nine Inch Nails - Hesitation Marks
Categories :
/MarcosAlves . #2013 . Alternative Metal . Alternative Rock . Ambient . Dark Ambient . Electronic . Industrial . Noise . Noise Rock . Post-Industrial
Gênero: Industrial, Alternative, Experimental, Dark Ambient, Noise
País: Estados Unidos
Ano: 2013
Comentário: Resenhar o disco de uma banda pela qual tenho enorme admiração, que significa tanto para mim e com a qual me identifico bastante sem soar tendencioso parece uma tarefa complexa.
O Nine Inch Nails surgiu da mente perturbada do jovem Trent Reznor no final dos anos 80. Com o som caótico de seu disco de estreia, Pretty Hate Machine e o Ep Broken lançado em seguida, a banda conquistou público e crítica. Mas, foi com o lançamento de The Downward Spiral que a banda explodiu de vez, em um sentido quase literal. A performance do Nine Inch Nails no Woodstock 94 é simplesmente histórica. A imagem de Trent coberto de lama, correndo freneticamente, derrubando tudo e todos que ficassem em seu caminho é a mais icônica de sua carreira. De lá pra cá muita coisa mudou. O som do NIN ficou mais sombrio, mais "acessível", Trent se envolveu com trilhas sonoras, decretou o fim do Nine Inch Nails, se casou, formou o How To Destroy Angels e por fim, resolveu que era hora de voltar com a banda que o consagrou.
Hesitation Marks é o oitavo disco da banda. O disco traz uma sonoridade bem diferente de seu antecessor, The Slip de 2008 e é, provavelmente, o disco mais pop do Nine Inch Nails, o que pode causar certo estranhamento nos primeiros momentos. O primeiro show do retorno já mostrava a nova direção da banda, abrindo com um música nova, 'Copy Of A', já ficava claro que Hesitation Marks seria um disco mais dançante do que o anterior. A verdade é que a escolha dos singles, 'Came Back Haunted' e 'Everything', não fez jus a totalidade do disco. Hesitation Marks é melhor do que eu esperava. Faixas como 'Satellite' te conquistam aos poucos e quando você se dá conta, está se movendo no ritmo da música. 'All Time Low', 'Various Methods Of Escape', 'I Would For You' e 'In Two' são suaves e com batidas mais pop mas, ao mesmo tempo, são sombrias e densas e é essa ambiguidade que faz de Hesitation Marks um disco especial.
No final das contas Hesitation Marks é um ótimo disco mas, peca pela extensão. Esse erro já foi cometido antes no disco duplo 'The Fragile'. Hesitation Marks é mais puxado para o trabalho de Trent Reznor com trilhas sonoras e certamente merece um lugar especial na discografia da banda.
1. The Eater Of Dreams
2. Copy Of A
3. Came Back Haunted
4. Find My Way
5. All Time Low
6. Disappointed
7. Everything
8. Satellite
9. Various Methods Of Escape
10. Running
11. I Would For You
12. In Two
13. While I'm Still Here
14. Black Noise
MEGA // Novafile
Pan Sonic - Vakio
Categories :
/Forbidden . Electronic . Experimental . Minimal . Noise
Gênero: Eletronico/Experimental/Minimalista
País: Finlândia
Ano: 1995
Comentário: Começar a resenhar Pan Sonic é um desafio, pois eu sei que estarei falando de uma banda extremamente particular pra pessoas com gostos extremamente variados. E o minimalismo absurdo do Pan Sonic guarda em si uma imensa multitude de possibilidades musicais, que faz cada pessoa gostar por um ponto de vista diferente. Então, antes de mais nada, recomendo ouvir Pan Sonic enquanto lê a resenha. Comece por aqui:
Pan Sonic - Hapatus
Savages - Silence Yourself
Categories :
/MarcosAlves . #2013 . Alternative Rock . Indie Rock . Noise . Post-Punk
País: Inglaterra
Ano: 2013
Comentário: Um diálogo retirado do filme 'Opening Night' seguido por uma linha de baixo agressiva. Foi assim que o Savages escolheu abrir seu disco de estreia. O quarteto londrino formado apenas por garotas apresenta em 'Silence Yourself' um mix de Siouxsie and the Banshees, Joy Division e uma série de outras bandas post punk oitentista.
Em uma época em que vemos a famosa capa do 'Unknow Pleasures' estampando camisetas, canecas, bonés e basicamente qualquer outro objeto, onde bandas como o The Cure fazem shows de 3 horas para o deleite dos fãs, surge o Savages. No momento exato.
O baixo pesado e envolvente de "Shut Up", que abre 'Silence Yourself', caminha por todo o disco, dando o peso que acompanhado das guitarras ruidosas e batidas marcantes caracterizam o som da banda. O disco é cru, pesado e barulhento em um contraste constante com melodias sombrias e envolventes.
'Silence Youself' não apresenta elementos inovadores e super originais e o Savages não é uma banda que vai mudar para sempre os rumos da música. Mas, ei, nem toda banda precisa fazer isso.
Tracklist:
1. Shut Up
2. I Am Here
3. City's Full
4. Strife
5. Waiting For A Sign
6. Dead Nature
7. She Will
8. No Face
9. Hit Me
10. Husbands
11. Marshal Dear
Ouça: Spotify
Jason Crumer - Let There Be Crumer
Categories :
#2012 . Ambient . Harsh noise . Noise
Gênero: Noise/Ambient/Harsh Noise
País: EUA
Ano: 2012
Comentário: Muitas resenhas dos trabalhos de Jason Crumer começam assim: "Sempre gostei da proposta da música Noise, mas nunca consegui encontrar um disco que eu conseguisse digerir, até ouvir Jason Crumer". No entanto, alerto aos mais desavisados, que o estilo de Jason continua sendo profundamente minimalista e quase totalmente livre de qualquer estrutura musical, sendo assim, portanto, um artista cujos trabalhos devem ser escutados por ouvidos definitivamente dispostos a ouvir música experimental, como todo artista de Noise. Mas Jason Crumer é, de fato, um artista de Noise diferenciado e incrivelmente melódico, se deixada de lado qualquer esperança de se ouvir algo familiar por aqui.
Apesar de se encaixar definitivamente na cena Noise e levar costumeiramente o rótulo de 'Harsh' Noise, Crumer tem uma sonoridade que em todos os álbuns oscila entre um minimalismo próximo de ser melódico e paredes sonoras extremamente pesadas típicas do Noise e Harsh Noise, mas que no entanto nos emergem lentamente por entre trechos ambient totalmente hipnóticos, fazendo com que nada soe chocante, por mais rasgado e intenso que nos seja apresentado. E é essa oscilação que faz dos trabalhos do cara tão 'acessíveis' e sofisticados. Let There Be Crumer é o mais recente lançamento de Jason, e, embora eu não tenha ouvido tudo, dentre os discos que ouvi é o que mais gostei, sendo que eu me apaixonei por tudo que escutei desde a primeira audição.
Os trechos mais leves e ambientados são comparáveis ao de artistas como Lustmord, que soam ao mesmo tempo melódicos, minimalistas e extremamente sombrios. Mas a faceta industrial da sonoridade surge em todos os cantos discretamente, em sons metálicos e estridentes que vão se encaminhando para paredes sonoras de várias camadas e se transformando de vários modos até obter uma estrutura vagamente musical ainda que constituída de sons completamente concretos. Os trechos mais intensos e pesados de Noise não são, como já descrito, nada jogados subitamente em nós, mas ao mesmo tempo são intensos o suficiente pra serem impactantes. A forma com que Jason manipula os elementos do Noise é extremamente clínica e precisa, de forma que absolutamente nada parece forçado, num estilo naturalmente composto de colagens justapostas.
Em resumo, é um disco pra quem gosta de música experimental a esse nível e quem quer conhecer música experimental na sua forma mais sofisticada.
Tracklist:
Parte Um: Infantile Supremacy (By the Time I get to Durham)
01) I. Lovelock, NM
02) A. Self Pity Fuck
03) II. Truckee, CA
04) A, All Friends and Old Flames
Parte Dois: Male Heroine of Passive Suffering (Marginal Stomp)
05) III. Chicago, IL
06) A. Days Inn (Revenge)
07) B. Knights Inn (Revenge)
Parte Três: Subterranean Forces Blind Grinding (Climax)
08) IV. Sault Ste. Marie, MI
09) V. Let there be Crumer
10) VI. Ending
Download:
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Gnaw Their Tongues - For All Slaves... A Song Of False Hope (EP)
Categories :
/Forbidden . Ambient . Ambient Black Metal . Dark Ambient . Drone . Noise
Gênero: Dark Ambient/Drone/Noise/Black Metal
País: Holanda
Ano: 2008
Comentário: Gnaw Their Tongues é o nome pelo qual Maurice de Jong, aka Moniker, um holândes de nacionalidade, mas que nasceu aqui pertinho no Suriname, lança suas experimentações musicais no campo do Drone, Black Metal e princpalmente Ambient. Ativo desde 2005 e tendo já uma discografia imensa, Moniker faz um dos mais criativos projetos dentro do chamado Ambient Black Metal da atualidade, embora se considerado um campo mais abrangente, não seja tão diferenciado assim, como comentarei mais adiante. For All Slaves... é na realidade um EP, embora possua 58 minutos de duração, e uma excelente porta de entrada pra conhecer o Gnaw Their Tongues.
Ao longo da sua discografia as influências do projeto são inúmeras, abrangindo nomes como Boris e Earth, até Lustmord, Burzum e Merzbow. De um disco pra outro a sonoridade do cara muda, as vezes sutilmente outras drásticamente. Um dos elementos que se mantém constante em todos os lançamentos é o uso extenso da densidade do Drone, mas sem se apegar ao uso de guitarras; Moniker faz uma coisa extremamente interessante pra alcançar essa densidade, pegando diversas influências da música do cinema para criar uma vibe totalmente opressiva que lembra uma trilha sonora de filme de terror levada ao extremo da coisa com a adição dos vocais desesperados do Black Metal, extremamente abafados porém totalmente visíveis em meio a atmosfera sonora criada pelo cara. E "atmosfera" sonora nunca soou tão perfeito pra se descrever uma banda, pois a profundidade das paredes sonoras são tão texturizadas (a lá Nadja) que passam longe de serem monolíticas, soando mais como flutuações macabras de uma vibração sonora totalmente negativa que vem na forma de muito noise, muitas dissonâncias, e muitos berros de Moniker, totalmente incorporados a essa nuvem musical de forma a soarem mais como um instrumento nessa salada de Noise do que chamando atenção verdadeiramente pra si.
Esse EP particularmente tem muitas semelhanças com o trabalho do Nadja, embora seja muito menos monolítico e muito mais aterrorizantemente macabro. O nível de obscuridade que Moniker consegue dar ao Gnaw Their Tongues é simplesmente absurdo, e em alguns álbuns (o que não é o caso desse, que é um dos mais leves) chega a ser realmente opressivo, um verdadeiro desafio terminar de ouvir. Outra banda cujas atmosferas sonoras se assemelham por vezes ao trabalho de Moniker é o Godspeed You! Black Emperor, que embora seja anos luz mais melódico, possui o hábito de incorporar a música cinematográfica para intensificar a densidade das passagens mais ambient (metais, cordas, orquestrações sintetizadas, sons industriais e afins, numa vibe de música pra um enredo evidente). Portanto o Gnaw Their Tongues é uma perfeita amálgama de diversos campos da música ambient e experimental, onde o "Black Metal" da coisa é extremamente discutível, mas está lá, na forma dos vocais rasgados e da atmosfera fria e macabra.
Enfim, sinceramente, é ingrato resenhar uma banda tão indecifrável quanto o Gnaw Their Tongues, especialmente pelo fato que a cada audição novos elementos surgem por detrás das cortinas mórbidas da sonoridade de Moniker. Só posso dizer com certeza é que fãs de bandas tão distantes quanto Xasthur, Burzum, Lustmord, Merzbow, Nadja, Sunn O))), Corrupted, Godspeed You! Black Emperor ou Boris, certamente encontrarão aqui algo ao qual se apaixonar. Mas estejam preparados pra encarar uma viagem muito mais macabra, mórbida, obscura e sinistra do que estão acostumados. Gnaw Their Tongues é um trabalho genial por conseguir passar ao ouvinte a sensação mais pura e simples de terror e desespero misturando um monte de influências. Apreciem.
PS: Os discos do Gnaw Their Tongues estão todos disponíveis no Bandcamp e por preços absurdamente risíveis, a nível de 2 dólares, por aí. Esse EP aqui, no entanto, eu não encontrei lá, mas se quiserem o resto da discografia, vale muito a pena comprar ao invés de baixar. Incentivem o cara.
Tracklist:
1. For All Slaves... a Song of False Hope I 08:56
2. The Uncomfortable Silence in Between Beatings 09:36
3. A Fiery Deluge 08:04
4. My Womb is Barren and I Want Revenge 09:06
5. Aderlating 15:26
6. For All Slaves... a Song of False Hope II 07:35
Download:
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Álbum completo no Youtube:
Grausame Töchter - Alles Für Dich
Categories :
/Ariel C. . #2012 . Electronic . Noise
País: Alemanha
Ano: 2012
Comentário: Eis que em Novembro de 2012, um ano após a filha malvada e estranha Aranea Peel lançar seu álbum de estreia (“Mein Eigentliches Element”), esta ressurge morena, em sua roupa de látex preta justíssima, com chifres, aquele saltão agulha e um novo álbum para sodomizar nossos ouvidos! Que essa artista adora promover e protagonizar shows, enquanto rola no palco aquela putaria level hard, isso nós já sabemos. Do mesmo que a sonoridade de suas músicas são inconstantes e barulhentas. Então, convenhamos, o que esperar de Alles Für Dich?
Para início de conversa, a tradução livre e googletradutorística da frase “Alles Für Dich” é “Tudo para você”. Seja lá o que isso significa, deve ter no mínimo uns dois significados de sacanagem – que eu consigo pensar – dos quais vêm sendo muito bem interpretados por Aranea em seus shows, mas que na verdade traduzem que a artista canta para um amigo imaginário! O próximo questionamento a fazer em se tratando do segundo álbum da carreira de um artista é se este possui identidade própria. Sinceramente, tratando-se de Grausame Töchter, não dá nem para afirmar que Alles Für Dich possui identidade!
A terceira especulação é “vale a pena?”. Bem, sempre achei a sonoridade produzida por G.T. como aquela sem meio termo: Ou você gosta, ou você não gosta. Alles Für Dich é um álbum patologicamente frenético com uma barulheira desgraçada – cacofonia dolorosa onde até a mais singela baladinha é estranha! –, vocais irritantes daqueles que causam dor de cabeça só de ouvir e surpresinhas – quando você menos espera vem um sussurro, uma batida angustiante, um trip-hop medonho clássico e... pasmem, flautas!? Então... Se vale a pena?! Hahahaha...
P.S.: Vem, Fabrício!
Myspace | Site Oficial | Lastfm
Tracklist:
01. Albtraum deiner Lust
02. Blut geleckt
03. Ich darf das!
04. Liebeslied für Dich
05. Tanz für Dich
06. Lüge!
07. Therapie für Dich
08. Alles für Dich
09. TABU
10. Wie eine Spinne
11. Blut geleckt REPRISE
12. Rosen für Dich
Bonus:
13. Lüge (Straftanz Remix)
14. Blut geleckt (Schizophreniac Remix)
15. Zerbrochenes Spielzeug (Familiy Core Remix)
Download: Mega | Hotfile | Outros Links
NASA Voyager Recordings - Symphonies Of The Planets 1-5
Categories :
/Áquila Teófilo . Ambient . Drone . Noise
Gênero: Space Music, Ambient, Drone, Noise (tags meramente aproximativas)
País: Universo (não é som produzido na Terra)
Ano: Sondas lançadas em 1977
Comentário: Esteja preparado para experimentar uma nova dimensão do nosso Sistema Solar através da mais excitante jornada jamais empreendida pela humanidade. O épico vôo espacial das Voyagers I e II através do nosso Sistema Solar. A série única de gravações (5 volumes) é criada a partir de gravações originais feitas pelas sondas Voyager das "vozes" eletromagnéticas dos planetas e Luas do nosso Sistema Solar. Embora o espaço seja virtualmente um vácuo, isso não significa que nele não haja som. O som existe na forma de vibrações eletrônicas. Os instrumentos a bordo das Voyager, especialmente desenhados, realizaram experiências especiais para captar e gravar estas vibrações, tudo ao alcance da audição humana.
[...]
Estas gravações vieram de uma variedade de diferentes sons do ambiente.
1. A partir da interação do vento solar com a magnetosfera dos planetas, que libera particulas ionicamente carregadas dentro de uma frequência de vibração em um alcance audível.
2. Da própria magnetosfera.
3. Das ondas de rádio trepidantes presas entre o planeta e a superfície no interior da sua atmosfera.
4. Ruídos de campos eletromagnéticos no interior do próprio espaço.
5. Da interação de partículas carregadas dos planetas, suas luas e o vento solar.
6. De partículas carregadas a partir dos anéis de determinados planetas.
Esta foi uma tradução feita (às pressas) por mim (com a ajuda de minha mãe, rs) do conteúdo informativo sobre estas gravações. Estes sons são especiais, pois não há qualquer ser humano tocando qualquer instrumento. Ouvir estas gravações é ter a plena consciência de estar ouvindo o som do nosso Universo, é estar em conexão com o Cosmos. Estão disponíveis aqui cinco "álbuns" (assim chamados meramente por convenção). Cada álbum possui apenas uma "música", de duração aproximada de metade de uma hora. Não quis taxar como discografia, pois não se tratam de discos lançados na concepção mais comum do gênero e, além do mais, existe um outro disco que possui mais dez músicas, cada uma delas durando, também, cerca de meia hora, sendo um "álbum" de duração gigantesca e que exige mais trabalho por si só. Ainda assim, me sinto no dever de trazer este também qualquer dia. =D
O "som" que aqui ouvimos é na realidade uma conversão de diversos fatores do ambiente já citados. As sondas foram lançadas em 1977 e provavelmente já venceram as barreiras de nosso sistema planetário.
Eu poderia passar horas e horas falando sobre a magnitude da experiência que é ter acesso a este tipo de material, mas seria bastante inconveniente para uma modesta postagem. Depois que descobri tais gravações, as tenho usado frequentemente para meditação e para relaxar. Aliás, para quem gosta de "sentir" a música em sua plenitude, recomendo que reserve um momento tranquilo para deitar, pôr os fones de ouvido e se deixar levar pela sinfonia dos planetas. O som se aproximaria um pouco daquilo que chamamos de drone ou música ambient. Seria uma espécie de união entre uma versão mais light de Sunn O))) e Tangerine Dream, mas isto é apenas uma aproximação ingênua, pois é realmente de dificílima descrição.

























