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terça-feira, 5 de julho de 2016
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Niechęć - [self-titled]

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Gênero: Jazz Fusion / Jazz Rock / Avant-Garde
País: Polônia
Ano: 2016

Comentário: Niechęć é um quinteto polonês da cidade de Varsóvia, formada no ano de 2007 mas que só lançou seu álbum debut em 2012. A banda combina o Jazz com diversos gêneros, criando uma sonoridade com muita identidade, além de bela e agradável.

Neste álbum autointitulado, o Niechęć traz como proposta expandir e dar seguimento ao que foi realizado no álbum anterior, se mantendo fiel aos seus padrões e características. O álbum já desperta a atenção com sua capa (que me trouxe à memória o filme "A Fita Branca" do Michael Haneke), a imagem de uma criança em preto e branco, com um olhar frio e fixado num ponto. A sonoridade do álbum segue com aquela mistura de Jazz Fusion, Jazz Rock, Eletrônico, Ambient e Alternativo, fazendo com que não seja limitada à apenas um sentindo ou direção, mas sim seguindo um caminho sempre em expansão. 

O álbum não tem tanto domínio do saxofone quanto o anterior, isso permite que os outros instrumentos ganhem um pouco mais de destaque e liberdade, algo que fica bem nítido ao decorrer do álbum. O instrumental varia entre momentos mais sombrios, calmos e onde a experimentação é maior, Os efeitos eletrônicos usados dão uma sensação de profundidade ao som da banda, além servir muito bem de apoio ao saxofone, como na faixa "Trzeba to zrobić". As duas faixas que mais me agradaram foram "Metanol" e a "Krew, que são as duas em que o conjunto se mostra altamente eficiente e a criatividade da banda é notável. Ambas fazem bom uso dos teclados em seu decorrer e possuem belos solos de saxofone.

Niechęć realizou um álbum que não decepciona aqueles que acompanhavam a banda desde o debut, além de ter uma sonoridade muito interessante para aqueles que gostam de conhecer estilos ou bandas menos convencionais. As músicas tem uma boa carga emocional, o que torna a audição do álbum algo prazeroso e até relaxante. Um ótimo lançamento e que se destaca entre a maioria daqueles que escutei esse ano, sem dúvida um das melhores experiências que a música me proporcionou em 2016.




Tracklist:

01 - Koniec
02 - Rajza
03 - Echotony
04 - Metanol
05 - Krew
06 - Widzenie
07 - Atak
08 - Trzeba to zrobić

Ouça em: Spotify


quarta-feira, 1 de junho de 2016
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Schammasch - Triangle

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Gênero: Avant-Garde / Black Metal
País: Suíça
Ano: 2016

Comentário: Muitas vezes as ideias mais ambiciosas de algumas bandas não resultam exatamente naquilo que elas gostariam, o resultado final pode ser até uma decepção. No caso do Schammasch não é isso o que acontece. De um nome desconhecido por mim, a banda agora é frequente na minha playlist por conta do ótimo álbum Triangles.

Ambicioso é a palavra mais adequada para descrever o álbum. Após ler críticas favoráveis à respeito do álbum, resolvi conferir e tirar minhas próprias conclusões. O álbum possui todo um lado conceitual e é divido em 3 partes, 3 cds distintos, totalizando um total de uma hora e quarenta minutos de duração.

Pela sua longa duração, admito que não algo fácil de escutar e captar exatamente tudo proposto com facilidade, ainda mais se tratando de 3 cds com características diferentes. O primeiro cd é intitulado "The Process of Dying" e traz uma sonoridade fácil de ser assimilada com certos trabalhos do Blut Aus Nord e Deathspell Omega. É formado por seis faixas sendo duas instrumentais, as demais seguem uma sonoridade repleta de riffs dissonantes e uma levada atmosférica bem agradável, além dos vocais excelentes e variados. O ritmo das músicas alternam entre passagens mais agressivas e momentos cadenciados. Destaque para a faixa "Aweking from the Dream of Life".

O segundo cd é intitulado Metaflesh e é composto por cinco faixas. É aqui que o álbum evolui e se desprendo um pouco das influências óbvias apresentadas no primeiro cd. A parte instrumental no segundo cd é mais expandida em relação ao primeiro. A faixa "Metanoia" tem uma pegada progressiva ótima, com riffs bem trabalhados e é conduzido por um vocal limpo bem agradável. "Satori" já possui um ritmo mais cadenciado, destaque para o ritmo tribal na bateria e os vocais realizando verdadeiros cânticos, criando aquele clima ritualístico sombrio. "Above the Stars of God" é a melhor faixa do álbum pra mim, digo isso sem nenhuma dúvida. Incrivelmente construída, a faixa evolui de uma maneira sútil, repleta de passagens mais progressivas e melódicas e os vocais combinados criam uma sensação única e bem tocante na faixa.

O terceiro cd é intitulado "The Supernal Clear Light of the Void" e é composto por cinco faixas. O Schammasch entrega ao ouvinte uma última parte focada em faixas conduzidas por um instrumental dark ambient e com ritmos tribais. As faixas tem uma atmosfera bem densa, com vários cânticos, uso de saxofones e até uma vibe mais drone, como na faixa que encerra o álbum. Meu destaque é para a faixa "Maelstorm".

Triangle é ambicioso e possui uma sonoridade vasta, sendo que cada um dos 3 cds que formam o álbum poderiam muito bem serem lançados de maneira independente, levando em conta suas características únicas entre si. É uma experiência sonora incrível em que a banda se empenhou muito e está repleta de participações (principalmente nos vocais), e fico ansioso pra ver o que o Schammasch pode nos oferecer no futuro. 



Tracklist:

CD1:

01 – Crepusculum
02 – Father’s Breath
03 – In Dialogue with Death
04 – Diluculum
05 – Consensus
06 – Awakening from the Dream of Life

CD2:

01 – The World Destroyed by Water
02 – Satori
03 – Metanoia
04 – Above the Stars of God
05 – Conclusion

CD3:

01 – The Third Ray of Light
02 – Cathartic Confession
03 – Jacob’s Dream
04 – Maelstrom
05 – The Empyrean

Ouça em: Spotify

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
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Luiz Melodia - Pérola Negra

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Gênero: MPB / Samba /  Avantgarde
País: Brasil
Ano: 1973

Comentário: Do morro São Carlos, Estácio, Rio de Janeiro, nasce um dos maiores nomes da musica brasileira. Luiz Carlos dos Santos, ou Luiz Melodia é um dos nomes de maior peso da MPB. Carioca, guerreiro, poeta, Luiz Melodia enfrentou a dureza do tempo até que sua paixão pela musica e, sobretudo talento, foi finalmente encontrado por ouvidos próprios como os de interpretes na altura de Gal Costa e Maria Bethânia, que gravaram algumas composições do músico pouco tempo antes do lançamento de seu disco de estreia: Pérola Negra.

Filho do músico Osvaldo Melodia, Luiz sempre foi atento à arte e à sonoridade. Frequentava, com seu pai, rodas de samba e fez disso sua escola. Escola que foi completada pelo interesse no blues, soul, rock e outros gêneros musicais que viriam mais tarde a completar a linguagem sonora do artista. Faz-se assim uma das mais importantes obras da Música Popular Brasileira, que é lançada em 1973 e mostra então, mais uma vez com genialidade, a faceta do músico brasileiro de conseguir explorar a diversidade e reformar a identidade.

Pérola Negra, como já disse, carrega consigo uma bagagem enorme de influencias que até então estavam começando a ser finalmente exploradas por músicos brasileiros. Como um disco pós-tropicalista, é de se esperar algo deveras atípico ao já escutado no Brasil, e assim o é. Luiz Melodia soube dar vida à experiência perfeita entre elementos pouco usados no meio do samba e do popular com naturalidade e acuidade.

A poesia de Luiz Melodia é algo que se destaca por si só, há uma magia em suas palavras que encanta e ensina. Estácio, Eu e Você começa o álbum com um sambinha simpaticíssimo guiado à cordas e sopro. Vale quanto pesa com belos dedilhados encanta mais tarde com os metais e swing tão próprios. Estácio, Holly Estácio, gravado por Bethânia outrora, e Abundantemente Morte são aulas de poesia e musicalidade. Pra Aquietar volta ao swing’n’roll genial de Luiz Melodia. Perola Negra, que dá nome ao disco é de novo um festival de metais com uma pitada soul incrivelmente enérgica, e profundidade poética e harmonia estética que marcaram para sempre a MPB. Magrelinha dá ótima continuidade à Pérola Negra, e foi acompanhamento sonoro em uma cena do filme Cidade de Deus, fazendo uma belíssima aparição no cinema. Farrapo Humano e Objeto H levam de novo o disco lá pra cima, com um swing jazzístico distinto. Forro de Janeiro, a ultima faixa é uma menção interessante ao ritmo nordestino.

1973 é um ano incrível na musica brasileira, e esse é talvez o melhor lançamento deste.


Tracklist:
1. Estácio, Eu e Você - 2:16
2. Vale Quanto Pesa - 3:11
3. Estácio, Holly Estácio - 2:30
4. Pra Aquietar - 2:47
5. Abundantemente Morte - 3:28
6. Perola Negra - 2:50
7. Magrelinha - 2:07
8. Farrapo Humano - 3:12
9: Objeto H - 2:25
10. Forró de Janeiro - 3:15

Ouça aquispotify
quarta-feira, 3 de junho de 2015
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Öxxö Xööx - Nämïdäë

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Gênero: Avant-Garde / Doom / Gothic / Symphonic Metal
País: França
Ano: 2015

Comentário: Öxxö Xööx é uma forte candidata ao título de banda mais peculiar que já resenhei em meu período como membro do Ignes Elevanium. Inicialmente, tenho que ressaltar que gosto de peculiaridades, de encontrar bandas que fujam um pouco do óbvio e que não coloquem limites aos termos de criação musical. O Öxxö Xööx se enquadra ´perfeitamente nessa breve descrição e vai até um pouco mais além dela. O fato é que a banda lançou recentemente seu segundo álbum de estúdio, intitulado Nämïdäë.

Para entender melhor a diversidade por trás da banda, o seu idealizador é Laurent Lunoir, que já demonstrou no Igorrr seu jeito pouco convencional de criar música. O nome da banda é uma representação em binário do número 69, assim como na linguagem criada pela banda. Sim, a banda criou uma linguagem ficcional para criar sua música, apesar de usar inglês em algumas partes.

Eu ainda não escutei com maior tranquilidade e atenção ao álbum de estréia da banda, o que me impossibilita de criar um comparativo entre os mesmos. Focando somente em Nämïdäë, tenho que dizer que não é algo fácil de se digerir, a banda possui uma grande complexidade musical e não se prende à um simples contexto para criar sua música. Dos elementos mais presentes em sua música como o Doom e Gothic, à passagens sinfônicas, momentos operísticos e outros vindos do metal extremo, a música do Öxxö Xööx se torna difícil de se descrever precisamente. Os vocais são bem encaixados e apresentam uma diversidade impressionante, tanto o vocal masculino quanto o feminino, que ajudam a criar essa atmosfera encantadora contida no álbum.

A sonoridade da banda não é algo forçado para chamar atenção, a banda segue sua própria fórmula de fazer música. Äbÿm, faixa utilizada na divulgação do álbum, traz toda uma orquestração impressionante, uma percussão impactante e de ritmo imprevisível, além de um dueto alucinante entre os vocalistas. Dälëït tem uma atmosfera densa e hipnotizante, faz um uso marcante de órgão e cravo, além de apresentar alguns ótimos riffs em seu decorrer, além de uma ótima variação rítmica do instrumental.

Diante da grande diversidade apresentada pelo Öxxö Xööx em Nämïdäë, o álbum se torna uma grande viagem dentro do universo particular da banda. A sonoridade impressiona de maneira que me faltam palavras para descrever, mas ressalto a grande importância dos vocalistas no resultado final da música criada pela banda, conduzem de maneira incrível o álbum e apresentam uma qualidade indiscutível.

Nämïdäë conta com uma ótima produção e foi lançado pela Blood Music no dia 26 de Maio. Definitivamente um álbum que merece ser ouvido entre tantos lançamentos em 2015, não só pela diversidade musical e ideias peculiares que envolvem a banda, mas pela grande jornada e experiência que o álbum proporciona ao ouvinte. Não é o tipo de música mais fácil de se ouvir, mas algo diferente e bem construído, com uma qualidade difícil de se encontrar e que vale cada trema utilizada nessa resenha.





Tracklist:

01 - Därkäë
02 - LMDLM
03 - Ländäë
04 - Dä Ï Lün
05 - Lör
06 - Lücï
07 - Äbÿm
08 - Dälëïth
09 - Ü

Download: Bandcamp

Ouça em: Spotify

quinta-feira, 15 de maio de 2014
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Phlebotomized - Immense Intense Suspense

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Gênero: Avant-Garde / Death / Doom Metal
País: Holanda
Ano: 1994

Comentário: Hoje resolvi apresentar uma banda que eu conheci no início do mês e fiquei impressionado com a qualidade do som executado pela banda. Também fiquei pasmo com o fato de muita gente não conhecer ou ao menos ter ouvido falar dela, justamente pelo fato do álbum Immense Intense Suspense ser um registro brilhante.

A banda Phlebotomized foi criada na Holanda no ano de 1990, após o fim da Bacterial Disease. A banda gravou algumas demos, mas só lançou seu álbum de estréia no ano de 1994. A popularidade do Death Metal na época era grande, várias bandas que já haviam lançado trabalhos marcantes nos anos 80 e início dos 90, fora outras tantas que surgiram devido à influência de tais e também emplacaram álbuns clássicos e influentes.

O ponto principal do Phlebotomized, é o mesmo que algumas bandas se propuseram à fazer nesse época, combinar outras sonoridades com o Death Metal. A banda manteve aquela pegada do Death Metal Old School e incorporou elementos do Doom Metal e Avant-Garde, tornando Immense Intense Suspense um álbum bem interessante, com uma sonoridade bem rica.  

O sexteto holandês desenvolveu um som que empolga, contendo aquela agressividade tradicional do Death Metal, indo de encontro com partes mais lentas e melancólicas, nas quais o uso do teclado e violino dão um clima envolvente na sonoridade da banda. As guitarras conseguem emplacar riffs memoráveis e nas partes mais lentas, ainda se mantém como ponto forte no som da banda. O vocal e a bateria também merecem elogios, ambos conseguem se destacar de maneira positiva. É incrível como as faixas evoluem, "Barricade" por exemplo, tem um início cadenciado contando com uma alternância entre vocais limpos e guturais. O instrumental também alterna, abandonando aquele som arrastado e partindo para uma pegada mais pesada e agressiva. Tudo isso sempre acompanhado muito bem pelo teclado e violino, que dão uma dinâmica sem igual ao som feito pelo Phlebotomized. Dou destaque para as faixas "Devoted to God" e "Dubbed Forswearer", que pra mim evidenciam melhor a proposta do álbum. Uma sonoridade pesada que abre espaço para partes mais melancólicas e melódicas, com um instrumental impecável. 

Immense Intense Suspense é um álbum para ser escutado várias e várias vezes. Para aqueles que gostam de escutar sonoridades um pouco adversas se comparada com outras apresentadas em certo período, tenho certeza de que o álbum irá lhe agradar. 




Tracklist:
01. Immense, Intense, Suspense
02. Barricade
03. Desecration Of Alleged Christian History
04. Dubbed Forswearer
05. In Search Of Tranquillity
06. Subtle Disbalanced Liquidity
07. Devoted To God
08. Mellow Are The Reverberations
09. Gone...

Download: Mediafire

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
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Aenaon - Extance

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Gênero: Avant-Garde / Progressive Black Metal
País: Grécia
Ano: 2014

Comentário: A banda grega Aenaon evoluiu muito em seu segundo álbum de estúdio em relação ao primeiro, chamado Cendres Et Sang. A abordagem um pouco mais simplificada do primeiro álbum evoluiu para algo mais complexo, resultando num álbum de qualidade incrível.

A dupla de guitarristas merece destaque, conseguiram impôr uma dinâmica sem igual nas faixas, permitindo momentos mais melódicos e outros carregados de agressividade. O baixo em muitos momentos possui uma vibe vinda do Jazz, que foi um estilo muito explorado pelo Aenaon nesse álbum. O vocal está sempre no feeling ideal, mesclando momentos limpos e guturais, adicionando qualidade e ainda mais diversidade ao álbum.

O uso de saxofone, gaita, violoncelo e até de sintetizadores, serviram pra completar um instrumental já de qualidade e expandir a riqueza sonora do Aenaon. O saxofone é utlizado logo na segunda faixa do álbum, chamada Deathtrip Chronicle e serve para mostrar a proposta que será apresentada em Extance. Land of no Water traz um teclado bem diferente, um belo solo de gaita e a participação de Mirai Kawashima (Sigh) no vocal. Aproveitando, tenho que citar algumas pessoas que fizeram participações no álbum, Sindre Nedland (In Vain) vocal na faixa Der Mude Tod, Haris (Hail Spirit Noir) contribuiu com efeitos e sintetizadores, e Tanya Leontiou (Universe217) com vocal na faixa Funeral Blues. Vale lembrar que Funeral Blues é uma das faixas de destaque do álbum, além de uma das mais experimentais.

No geral, Extance é um ótimo álbum, com uma variedade musical incrível, muito bem produzido e manteve o peso apesar das vertentes e recursos explorados. Um lançamento que me empolgou bastante (meu favorito de 2014 até o momento), está gerando repercussão positiva e abre um novo horizonte a ser explorado pelo Aenaon futuramente, que mostrou como criar algo que se desmembre dos clichês e não seja apenas mais um álbum de metal extremo, mas sim um registro que priorize na combinação das diversidades para se fazer algo único.



Tracklist:
01. The First Art
02. Deathtrip Chronicle
03. Grau Diva
04. A Treatise on the Madness of God
05. Der Mude Tod
06. Pornocrates
07. Closer to Scaffold
08. Land of no Water
09. Algernon’s Decadence
10. Funeral Blues
11. Palindrom

Download: Mediafire

domingo, 2 de fevereiro de 2014
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Vulture Industries – Discografia

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Gênero: Avantgarde Black Metal/ Progressive Black
País: Noruega
Ano: 1998/2003 - Atualmente
Comentário:
Essa banda realmente me impressionou, se tornou uma de minhas favoritas em pouquíssimo tempo. Ela tem uma sonoridade riquíssima, vocais com clima de terror puro que variam do limpo a gritos e guturais, riffs que grudam na sua cabeça fácil, harmonia de sobra entre os instrumentos e variações rítmicas que te colocam no ambiente da música.

Foi formada em 1998 na cidade norueguesa de Bergen como Dead Rose Garden. Depois de algumas mudanças na formação o nome foi alterado para o atual em 2003.  A banda conta com Tor Helge na bateria, Kyrre Teigen nos baixos, Specter, Envid Huse e Øyvind Madsen nas guitarras, os dois últimos já tocaram juntos na Sulphur. E por ultimo, mas com certeza não menos importante, Bjørnar Nilsen nos vocais e letras.

A estética do som deles é bem singular, eu conheço poucas bandas que conseguem ser tão fieis à uma atmosfera como Vulture Industries faz. O terror permeia as faixas dos discos como se fossem um filme noir em forma de música. O que realmente gosto de destacar nessa banda, além de tudo, é o gosto de loucura que eles colocam nas canções. Os diálogos insanos que acontecem nas músicas, as narrativas dramáticas de histórias lamentáveis.
Não sei muito bem o que falar, a banda e magnífica e tem muita coisa pra mostrar.

                                          Endereço oficial / Facebook / Last.fm

domingo, 22 de dezembro de 2013
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Bandas Amigas #5 - Camarilo, 100 Onces e The Industrialism

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Camarilo
Com um nome que mais parece ter surgido de um jogo de RPG e um vocal de narrador melancólico, Camarilo surgiu a nós e acabou agradando logo de cara. O quarteto de Vitória, Espírito Santo, lançou neste ano seu primeiro trabalho, um EP auto-intitulado com quatro músicas interessantemente bem construídas e de um instrumental convidativo. Mas o vocal é quem definitivamente eleva o espírito da banda e a atenção de nossos ouvidos, apresentando uma certa peculiaridade e soando forte, melancólico, muito bem compreensível e sem se destoar. Segundo os músicos Paulo Fagundes, Gabriel Calil, Luis Oliveira e Nicolas Azevedo, Camarilo é influenciado (...) por uma mesclagem das diversas influências da banda, como hip-hop/rap, trip-hop, folk, post-rock, entre outros. Então confira logo o trampo dos caras.

Pignianos sobre esse som:
"O Post-Rock é um gênero que já ta pra lá de saturado, é verdade, mas isso não impede que tenha suspiros de criatividade e qualidade. O som do Camarilo é envolvente, e seus vocais (fator relativamente raro no gênero) engrandecem o feeling melancólico que a banda se presta a ter."
— Koticho 

"O vocal é o destaque, soberbo, mas o instrumental também é apaixonante. Tudo na banda parece certinho, exceto, curiosamente, a aparente indecisão de gênero entre as faixas - tudo fica entre o post rock e um feeling 'los hermanos' nítido."
— Forbidden

Disco: Camarilo [EP]
Ano: 2013
Gênero: Post-rock / Indie rock / Alternative

Tracklist:
1.Cosmopolita 02:34
2.Meu Bem 04:43
3.Desencontro 03:56
4.Maçã 03:45

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100 Onces
Viajando até os EUA, mais precisamente em Los Angeles — que até onde notei, sempre se mostrou um berço fértil para bandas bastante interessantes — podemos ouvir o som de dois jovens muito influenciados pelo prog metal, música experimental e outras vertentes, que ecoa na forma de um math rock de vértices sutilmente arredondados que pode ser atribuído à influência do rock progressivo e da experimentação de forma harmoniosa. Tudo soa extremamente bem neste "100 One Says", por mais que agora sejam apenas dois membros, os encaixes das linhas instrumentais não deixam brechas. Aliás, vale destacar que, apesar de algumas frases e gritos, temos aqui um belo material instrumental. E como devem ter percebido com o uso das palavras "neste" e "agora", eles possuem mais dois e anteriores discos. "100 Once Is", em 2011 e com a mesma formação atual, que é Barrett Tuttobene e Richard Ray, e em 2012 lançaram o "Famous In Japan", com uma capa imitando a famosa bandeira anárquica, na forma estilizada e adotada pela Black Flag. Neste disco também contavam com o baixista Nick Van Meter.

Pignianos sobre esse som:
"Na vibe mais clássica do Math Rock teramelístico, a vibe do 100 One Says é técnica, mas cadenciada quando preciso, o que faz o feeling ser constante. É também energética e intensa."
— Forbidden

Disco: 100 One Says
Ano: 2013
Gênero: Math metal/ Experimental rock/ Instrumental/ Punk rock

Tracklist:
1.Oh Me Gee 04:24
2.Copornopocalypse 03:32
3.Conpiracy Keanu 03:08
4.Fucking Guy, No Offense 04:42
5.No 01:33
6.Organicore 03:12
7.Djimi Hendrix 06:33
8.Gary Busey 05:09
9.Cannibals as Leaders 06:01
10.El Chupabillbrah 03:58
11.Sick Ninja 06:10

DOWNLOAD (confira os demais álbuns)
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The Industrialism
Voltando a atenção para o Brasil (ou nem tanto, visto o espírito "odeio esse calor infernal, quero sumir daqui!"), não é de hoje que conhecemos o projeto The Industrialism, inclusive em 2011 publicamos, a pedido de seu mentor Cesar "M1A1" Alexandre, seu segundo EP "Inconsequential Hallucinations". Agora M1A1 volta com o introspectivo "An Orphan Without Hope", que de cara você vai notar ter pouco haver com a realidade do Rio de Janeiro, seu local de origem. Tudo bem, a melancolia pode estar em todos os lugares do globo e em diferentes situações, mas e esse feeling de tempo enevoado e frio? Contudo esse lançamento não se refere a um material legitimamente novo. An Orphan Without Hope na realidade é composto por peças de piano gravadas em 2003, que embora exista, por vezes, uma sutil utilização de sintetizadores, mostra uma sonoridade bastante diferente daquela que viria aparecer nos trabalhos posteriores, onde a experimentação em música eletrônica determinariam como soaria o The Industrialism ao longo de tantos trabalhos. Pegue este disco, que é denso, mas belo e com bem menos elementos sobrecarregando seu som e compare com o Inconsequential Hallucinations (que pode ser baixado aqui), onde apenas a presença do breakcore já faz toda diferença entre eles.

Pignianos sobre esse som:
"Apesar do nome soar como referência ao gênero industrial, a incursão pela música eletrônica se dá por outros caminhos. A atmosfera sombria e nebulosa do ambient e idm serve de base para o carioca César Alexandre descarregar suas batidas quebradas e aceleradas de breakcore e drum'n'bass em parte de suas produções. Outras produções se aventuram por outros gêneros diversos da música eletrônica, enquanto algumas investem no Dark Ambient, outras carregam influências claras de gêneros como UK Garage.
Uma excelente pedida para fãs de música eletrônica."
— Koticho

"Finissimo som experimental, flerta com o industrial cru, mas o breakcore deixa tudo moderno e digital. Isso tudo sem perder uma vibe obscura. Lindíssimo."
— Forbidden

Disco: An Orphan Without Hope
Ano: 2013
Gênero: Modern Classical/ Piano/ Ambient/ Field Recordings/ Avant-Garde

Tracklist:
1. ...And Delusion Reigns Summertime
2. Illness Ecstatic I
3. Illness Ecstatic II
4. Illness Ecstatic III
5. Gymnopedie III: Lent et Grave

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Links: Facebook//SoundClound



terça-feira, 27 de agosto de 2013
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Ulcerate - Discografia

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Gênero: Technical Death Metal/Avant-Garde (ou 'Atmospheric Technical Death Metal')
País: Nova Zelândia
Ano: 2002-Atualmente

Comentário: Ah, bandas de Death Metal das terras austrais. Como vos adoro.

PS: Temos o novo álbum!
quarta-feira, 22 de maio de 2013
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Moondog - Moondog

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Gênero: Avant-garde, Experimental, Minimalista, Neoclássico
País: Estados Unidos da América
Ano: 1969

Comentário:

Durante a nossa vida nos deparamos com os mais variados tipos de pessoas. Algumas dessas pessoas nós consideramos interessantes. Outras vão além e notamos que há algo que as distingue das demais. Algumas nós até taxamos de gênios. Mas há outro tipo de pessoas e essas são extremamente raras. São pessoas que parecem ter nascido entre nós apenas por algum acidente transcendental (ou uma dádiva divina). Pessoas que sua própria vida é como um livro misterioso e infinito no qual sempre teremos o que aprender. Tenho muita convicção que Moondog era uma dessas pessoas.

Nascido com o nome de Louis Thomas Hardin a 26 de maio de 1916, Moondog parece ter desenvolvido uma sensibilidade artística que poucos experimentaram. Quem nunca ouviu falar desta figura acaba se deparando com uma surpresa atrás da outra ao conhecer fatos sobre sua vida. O primeiro, que é óbvio, é que Moondog era poeta e músico, tendo várias composições de sua autoria. Sua música consiste em experimentações com sonoridades eruditas, sendo notórias as influências do jazz e, muitas vezes, de ritmos tribais. É possível, também, encaixar sua música no chamado minimalismo e, por causa de todas essas influências taxa-se o todo de avant-garde.

Sua música é boa por si só e os aspectos de sua vida não são, de forma nenhuma, uma desculpa para torná-la melhor, porém, é impossível deixar de relacionar a sensibilidade e originalidade de seu modo de viver com suas criações artísticas. Pois bem, o segundo fato interessante sobre Moondog é o de que ele ficou cego aos 16 anos após um acidente com uma dinamite. Há quem diga que, por ter perdido a visão, sua capacidade auditiva tornou-se mais aguçada. Bem, o que sabemos é que, apesar de ter estudado em colégios especiais para cegos e lá ter aprendido os rudimentos da música, Moondog é considerado autodidata, pois aprimorou seus conhecimentos em sua solidão.

Como se tudo isto não bastasse, Moondog foi ainda mais além. Imaginem vocês que este intrigante compositor cego resolver renunciar a um estilo de vida comum e confortável para viver, por vontade própria, nas ruas de Nova Iorque a partir da década de 1940. Apesar de sua deficiência, ele mesmo confeccionava suas roupas, as quais ele fazia segundo a sua representação pessoal do deus nórdico Odin. Esse visual nada convencional numa figura errante pelas ruas da grande metrópole lhe rendeu o apelido de "O Viking da Sexta Avenida", que era a rua de sua "residência".
O Viking da Sexta Avenida, um ser anacrônico.

Durante o tempo que passou perambulando pelas ruas de Nova Iorque Moondog vendeu seus discos, suas partituras e seus instrumentos (sim, ele criou instrumentos musicais próprios!), além de também tocar ao vivo. Contudo, apesar de que, hoje em dia, muita gente desconheça essa figura, ele não passou totalmente despercebido pelo mundo, pois vários músicos de renome se interessaram na sua figura, dentre os quais podemos citar Philip Glass, Steve Reich e Charlie Parker.

Este álbum, que traz o pseudônimo do compositor, é do ano de 1969, lançado pela Columbia Records. Nele, Moondog  atua como regente das músicas que foram executadas por vários músicos. Chega a ser impressionante perceber a qualidade de um trabalho dessa envergadura tendo as rédeas puxadas por alguém que não teve formação erudita. Não por acaso, creio eu, uma das músicas mais belas do álbum, Lament 1 "Bird's Lament", é uma "chacona" e foi feita em homenagem ao então já falecido Charlie Parker. De qualquer forma, o álbum inteiro mostra a criatividade desta estranha (e bela!) criatura, que, ouvi dizer por aí, terá um documentário sobre sua vida pra ser lançado ainda este ano. Espero ansiosamente! =D




Tracklist:

01. Theme - 02:34
02. Stamping Ground - 02:39
03. Symphonique #3 (Ode to Venus) - 05:51
04. Symphonique #6 (Good for Goodie) - 02:47
05. Cuplet - 00:09
06. Minisym #1 - 05:45
07. Lament I, "Bird's Lament" - 01:43
08. Witch of Endor - 06:30
09. Symphonique #1 (Portrait of a Monarch) - 02:37


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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
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Ulver - Wars Of The Roses

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Gênero: Electronic / Avant-Garde / Dark Ambient 
País: Noruega
Ano: 2011

Comentário: A banda Ulver já foi apresentada no Ignes Elevanium. O Guilherme Scarsick postou aqui o fantástico álbum Perdition City. Por isto, não vou re-contar dados sobre a banda, exceto o mais curioso deles: a mudança de sonoridade sua música, que começou no Black Metal e hoje é um eletrônico experimental, tendo passado pelo Neofolk.

Wars of the Roses está no mesmo estilo musical ao qual a banda tem se dedicado há mais de 10 anos. Mas não é um álbum inteiramente igual aos seus antecessores. Talvez seja, na verdade, uma mistura. Toma emprestado um pouco do dinamismo de Pedition City, do pesado clima de Blood Inside e da relaxante ambientação de Shadows of the Sun.

Há um clima vampiresco predominante no álbum, o que passa uma sensação de mistério. De perda. De vertigem. São sensações abstratas, tal como é a música de Ulver: cheia de sons incomuns, melodias imprevisíveis e letras aparentemente sem sentido. Mas se você, leitor, estiver lendo essa descrição sem conhecer o Ulver, não se precipite. Não se trata de uma banda experimental ao extremo. O som do Ulver é, de maneira geral, facilmente absorvível. Seu charme está, em grande parte, nos detalhes. É interessante ouvir as canções tentando encontrar cada som que as compõe. Muitas vezes, esses sons são truques eletrônicos bem exóticos, que dentro da canção geram uma certa dissonância. Isso ajuda a música de Ulver ser assim, "abstrata".  Wars of the Roses usa e abusa desses truques eletrônicos para fazer combinações complexas e exóticas, dentro de canções dinâmicas.

A primeira faixa, "February MMX", é enérgica, até um pouco feliz. Bem diferente das demais canções. O que eu mais gosto nesta canção é a sua estranheza sonora, principalmente no refrão. Tem alguma cacofonia no meio de uma tempestade de sons  - o que acabei de chamar de "combinações complexas e exóticas. Sempre que escuto "February MMX", tenho a impressão de que há algo errado na música. É lindo! O seu clima animado é subtamente quebrado por "Norwegian Gothic", com seus lentos e ruidosos violinos e versos sombrios. Bem "gótico". A canção "Providence", um tanto quanto longa com seus 8 minutos, tem um bom destaque no álbum, principalmente em virtude de sua maravilhosa alternância de sonoridades. Em seus primeiros segundos, a faixa "September IV" reforça o clima vampiresco medieval do qual falei anteriormente. Sua temática literalmente fúnebre é acompanhada por uma curiosa bateria agitada, e um piano elegantemente melódico. "England" também se mostra mais melódica, enquanto "Island" parece uma evolução de sons sem muito comprometimento com qualquer melodia, finalizando-se de maneira genial para dar espaço a última faixa, "Stone Angels". Esta canção deve dividir opiniões entre os ouvintes do álbum. Com quase 15 minutos de duração, "Stone Angels" é uma canção ambiente, com um discurso reflexivo em spoken word, uma combinação extremamente poética e relaxante. Monótona? Não. A evolução da canção é tão penetrante que garante satisfação do início ao fim.

Destaco, portanto, a estrutura do álbum, com a primeira e a última canção tão distintas. E um "miolo" intenso e cheio de feeling. Wars of the Roses é, em minha opinião, um dos melhores lançamentos de 2011.


Myspace || Last.fm

Tracklist:
1. February MMX
2. Norwegian Gothic
3. Providence
4. September IV
5. England
6. Island
7. Stone Angels


Download:
(102mb, 320kbps)

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sexta-feira, 8 de junho de 2012
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Diablo Swing Orchestra - Discografia

9 comentários
Gênero: Avant-garde Metal/ Symphonic/ Dark Cabaret
País: Suécia
Anos: 2003 — atualmente

Comentários: Diablo Swing Orchestra teria uma das mais impressionantes histórias se ela fosse de fato sua. Não entendeu? Pois bem, acontece que o nome "Diablo Swing Orchestra" remonta à década de 1500, quando uma orquestra surpreendente, de desempenhos inigualáveis e cujo som seduzia às diferentes classes sociais — como se fossem realmente feitiços tamanha envolvência que seu som causava — surgiu e foi conquistando os suecos. Porém, obviamente, a igreja católica não viu isso com bons olhos, ou melhor, não ouvira com bons ouvidos, considerando-na uma orquestra do mal, ou a 'orquestra do diabo', como viria a ser conhecida. Como resultado da ~magia sonora~ da orquestra somado aos dogmas sem pés nem cabeças da religião católica, nenhuma condenação parecia caber tão bem quanto o enforcamento (uma fogueirinha cairia muito bem também), e assim se exterminava a orquestra.

Aí tu me pergunta: Mas o que tem a atual banda haver com a antiga? Eu digo: talvez a vontade de fazer música surpreendente, ter músicos habilidosos, encantar nossos ouvidos e conseguir muitos seguidores em tão pouco tempo. Mas além disto, mais nada. Na verdade a lenda ainda diz que uma carta fora deixada aos descendentes dos músicos e que nela diz algo sobre reunir a orquestra, o que nos leva a crer que foi uma história interessante, mesmo que curta, criada para deixar aquele desejo de continuação.

Mas enfim, existindo ou não no século XVI, o importante é que a atual orquestra do diabo soube como resgatar certas sonoridades, levando-nos para décadas passadas sem deixar de fazer algumas referências ao presente. Referências essas que vão da música erudita ao heavy metal e sempre apoiando-se no dark cabaret. Também acaba fazendo uso de sonoridades emprestadas do flamenco, samba (para miiiinha alegriiiiaaaaaa), jazz e outras, mas sem soar simplesmente maluca, como fazem outras bandas denominadas avant-garde. D.S.O. consegue equilibrar, colocar o humor, a insanidade, beleza, magia, virtuosidades, técnica, fúria, mistério, sem precisar camuflar nada e de forma à agradar pagãos e cristãos (ou quase).

Tive conhecimento da banda ainda em seu "The Butcher's Ballroom", quando a banda fazia campanhas de divulgação através do MySpace (serviço cuja proposta sempre achei ótima, mas navegação e aparência desinteressantes). Este disco, na minha opinião, já apresentava, de mão beijada, o suficiente para sabermos os elementos que se repetiriam nos álbuns posteriores e, mesmo não sendo o meu disco favorito, tornou-se um dos meus mais imediatos vícios sonoros. Depois pude acompanhar uma nova campanha (agora focado no Youtube.... grande evolução "marketeira"!), desta vez para o incrível "Sing Along Songs for the Damned & Delirious", que, se não for correto dizer que se sobressaiu em relação ao anterior, ao menos foi capaz de provocar paixões fulminantes em seus seguidores e novos ouvintes. Eu, como bobo que sou, logicamente me vi ainda mais chegado à banda após a mínima, mas agradável introdução do samba lá no finalzinho da "Lucy Fears the Morning Star", fechando com chave de ouro esta que talvez seja a minha faixa favorita entre todas já compostas pela banda. Ah! Já ia esquecendo: o espaço dado ao humor também deu ao disco pontos positivos.
Sabendo-se que o samba soava muito bem para Daniel Håkansson, que se dizia apaixonado pelo gênero, foi com novamente expectativa que esperei por ouvi-la novamente em suas composições, o que de fato aconteceu, aparecendo no novíssimo "Pandora's Piñata". Só que agora essa referência brasileira recebeu um belo de um sublinhado e tendo como hospedeira a bela faixa "Guerilla Laments", que talvez seja das mais marcantes deste novo trabalho, se não a mais.

Finalizando e concluindo, de modo bem grosseiro, The Butcher's Ballroom traz todo um clima obscuro e dançante, é ousado e bebe de várias fontes. É ainda muito envolvido com o heavy metal e dá espaço para a música eletrônica. Não posso dizer se Sing Along Songs for the Damned & Delirious se distancia desta pegada pesada e metalística, mas tira mais e de formas diferentes proveito da guitarra, intercala bem mais com outros gêneros, elementos e instrumentos, acrescenta um toque maior de humor e desfruta mais da proposta "cabaret" ou "dark cabarat" — como queiram. Por fim Pandora's Piñata demonstra várias faixas mais diretas, sem grandes espetáculos, mas ainda assim muito mais próxima da proposta apresentada no disco anterior que do debut. As faixas iniciam e já sabemos mais ou menos como irão se comportar até o final, sem causarem surpresas (mas aqui eu não digo que isso seja ruim, ou bom). Não são todas, é claro, mas parece que a obra de 2009 mostrou tanto potencial que tenderá a se tornar O Disco na carreira da banda. Contudo, mesmo já tendo dito qual meu disco favorito, ainda assim Pandora's Piñata foi capaz de me prender fortemente, talvez porque já estava na hora de um disco menos travesso e mais sério e maduro.

MySpace


2003 - Borderline Hymns (EP)
Tracklist:
1. Porcelain Judas
2. D'angelo
3. Infralove
4. Pink Noise Waltz
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2006 - The Butcher's Ballroom
Tracklist:
01 - Ballrog Boogie
02 - Heroines
03 - Poetic Pitbull Revolutions
04 - Ragdoll Physics
05 - D'angelo
06 - Velvet Embracer
07 - Gunpowder Chant
08 - Infralove
09 - Wedding March For A Bullet
10 - Qualms Of Conscience
11 - Zodiac Virtues
12 - Porcelain Judas
13 - Pink Noise Waltz
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2009 - Sing Along Songs for the Damned & Delirious
Tracklist:
1. "A Tapdancer's Dilemma"
2. "A Rancid Romance"
3. "Lucy Fears The Morning Star"
4. "Bedlam Sticks"
5. "New World Widows"
6. "Siberian Love Affairs"
7. "Vodka Inferno"
8. "Memoirs Of A Roadkill"
9. "Ricerca Dell’anima"
10. "Stratosphere Serenade"
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2012 - Pandora's Piñata
Tracklist:
01. Voodoo Mon Amour 04:39
02. Guerilla Laments 05:03
03. Kevlar Sweethearts 04:32
04. How to Organize a Lynch Mob 05:54
05. Black Box Messiah 03:02
06. Exit Strategy of a Wrecking Ball 06:11
07. Aurora 05:14
08. Mass Rapture 06:12
09. Honey Trap Aftermath 04:22
10. Of Kali Ma Calibre 04:32
11. Justice for Saint Mary 08:31
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terça-feira, 29 de maio de 2012
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Hail Spirit Noir - Pneuma

4 comentários

Gênero: Progressive/Psychedelic Rock/Black Metal
País: Grécia
Ano: 2012

Comentário: Tenho postado ultimamente algumas coisas bem não convencionais aqui, algumas bandas de vanguarda que fazem misturas inusitadas, dando nova roupagem ao Rock e/ou Metal. E sempre quando eu acho que não vou mais me surpreender, eu me deparo com algo totalmente inesperado, como é o caso da banda Hail Spirit Noir, proveniente da Grécia, fundada em 2010, mas que foi lançar seu primeiro trabalho só agora no inicio de 2012, “Pneuma”, pela gravadora Code666 Records, a mesma responsável pelo lançamento do álbum “Portal Of I” do Ne Obliviscaris. E sem a menor sombra de dúvidas, em minha opinião, esses dois trabalhos já figuram entre os melhores lançamentos de 2012.

O álbum de estreia da banda tem pouco tempo de lançamento, mas já está bem difundido no meio underground, e recebendo criticas bastante positivas, e isso se deve a habilidade, criatividade e originalidade dos seus membros, que dentre outros projetos, também são integrantes da banda de Avant-Garde Black Metal Transcending Bizarre?, e são eles: Dim (Baixo e Violão), Theoharis (Guitarra e vocal) e Haris (Teclado). E só o fato de saber da procedência dos seus integrantes já se pode imaginar que a musicalidade do Hail Spirit Noir não é nada ordinária e completamente fora dos padrões.

Podemos encontrar em alguns lugares o estilo da banda sendo definido como Progressive/Psychedelic Black Metal, mas só essa classificação não te dá a real ideia do som que a banda executa, que é também difícil de descrever. Acho que seria mais adequado dar uma breve descrição de música por música, mas isso deixaria a resenha muito extensa (devido a minha prolixidade), então vou tentar destacar as características mais marcantes encontradas por todo o álbum, só pra você ter uma noção e já ir preparando os seus ouvidos.

Pois bem, na audição você vai encontrar elementos de Black Metal, como vocais rasgados, algumas passagens de guitarra mais agressivas, e a atmosfera obscura e meio raivosa em algumas ocasiões, sem falar nas temáticas das canções, que fala sobre demônios e ocultismo, temas recorrentes em bandas de Black Metal. Mas as influências do Black Metal estão longe de serem predominantes, unido a isso temos diversas influências que nos remetem a bandas de décadas anteriores, como passagens mais folk, pitadas de psychobilly, alguma coisa de Jazz, o vocal limpo cheio de feeling, riffs de guitarra hipnotizantes, assim como os solos, a condução da bateria, o incrível trabalho do teclado e dos sintetizadores, que unidos a outros elementos mais discretos, criam um clima mais retro, que nos faz lembrar bandas de Prog/Psychedelic/Space Rock dos anos 60 e 70, algumas como The Doors, The Who, King Crimson, entre outras.

A descrição do parágrafo acima pode soar estranha, e confesso que se eu tivesse lido uma descrição como essa antes de escutar a banda, eu iria pensar que as canções seriam uma bosta, mas é completamente o oposto. Os caras consegue executar essa mistura de estilos de forma primorosa, e as passagens que lembram o rock dos anos 60 e 70 são tão cheias de pegada e feeling, que é como se os caras tivessem entrado em uma máquina do tempo e voltassem ao passado para gravar a parte instrumental, o resultado é um som saudoso, mas ao mesmo tempo moderno e agressivo, em que passagens progressivas e psicodélicas são intercaladas com a agressividade do Black Metal, cedendo lugar uma pra outra ou, em determinadas ocasiões, coexistindo de maneira harmoniosa, criando atmosferas incríveis e um contraste fantástico e viajante. Portanto, véi, na boa, baixa esse álbum ae, e let your devil come inside!

Site || MySpace || Lastfm

Tracklist:

1.Mountain Of Horror - (5:16)
2.Let Your Devil Come Inside - (3:23)
3.Against the Curse, We Dream - (6:25)
4.When All Is Black - (5:22)
5.Into The Gates Of Time - (13:21)
6.Haire Pneuma Skoteino - (3:49)

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(84mb,320kbps)
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
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Ne Obliviscaris - Portal Of I

8 comentários

Gênero
: Avant-Garde Black Metal
País: Austrália
Ano: 2012

Comentário: Estamos já bem acostumados a ouvir bandas de Black Metal com elementos sinfônicos, elementos de Doom Metal como o DSBM, e as shoegazeadas lideradas pelo Alcest. Porém escondida nos porões do estilo existe uma outra vertente sem nome que surge aqui e ali de vez em quando com álbuns fantásticos - o chamado "avant-garde" Black Metal, que mescla à sonoridade do estilo elementos melódicos capitaneados por instrumentos atípicos, como o Saxofone, o Violoncelo e o Violino, ou ainda simplesmente vocais limpos. Muitos chegam a afirmar que são bandas do chamado "Progressive Black Metal", e como eu acho ridículo chamar qualquer coisa melódica e com vocal limpo de "progressivo", prefiro evitar. São bandas como Enslaved, o trabalho solo do ex-vocalista do Emperor, Ihsahn, o Arcturus, e algumas outras parecidas dentro dessa vibe. Acho que deu pra entender.

Pois bem, Ne Obliviscaris é uma banda surgida em 2003 em Melbourne que ao lançar sua demo em 2007, The Aurora Veil, de forma independente, logo de cara chamou toda a atenção dos fãs desse estilo de Black Metal por conter, entre outras coisas, um vocalista só pra cantar limpo e bem melódico, e que também é violinista, e o instrumento tomava a frente de todos os outros em muitos momentos da demo. Apesar de não ser exatamente uma coisa nova, era feito de uma forma totalmente diferente das outras bandas que citei por que realmente não tinha vergonha alguma de jogar vocais melódicos e violinos totalmente a frente dos outros instrumentos, em certos momentos tinhamos a nítida sensação de não estar ouvindo um disco de Black Metal até que surgiam vocais rasgados e uma bateria com blast beats, tremolos de guitarra, e toda aquela coisa.

E por causa dessa demo a banda criou uma grande expectativa para um Full-Lenght, e eis que finalmente aqui o temos. Portal Of I mal saiu a uns dias e alguém já jogou na internet (pra nossa felicidade, embora como a banda ainda é de uma gravadora pequena - duvido que por muito tempo - o disco está a venda a módicos 19 euros, que dá uns 50 mangos já com frete pro Brasil, aqui, ou seja, não há justificativa pra não comprar, é quase mais barato que você pagaria nesse mesmo cd numa loja no Brasil - thanks impostos!). E como já havia sido esperado baseado nas previews que a banda havia soltado no seu facebook oficial, o álbum é tudo que esperavamos, e ainda vai muito além.

O disco conta com 7 faixas, sendo 3 destas justamente as faixas da demo de 2007. Apesar delas serem lindas e combinarem perfeitamente com o resto do disco, nota-se claramente uma evolução da demo pra esse disco e as 4 músicas novas são ainda mais incríveis e se distanciam em qualidade abissal das músicas antigas, portanto nota-se claramente uma diferença de qualidade entre as antigas e novas músicas e isso soa ligeiramente esquisito, embora natural. Mas pra quem não conhece a banda, eis aqui um resumo do que é Portal Of I: imagine uma banda com o instrumental totalmente pesado, a nível de bandas de Black Metal mais pesadas como o Crimson Moonlight (só pelos bumbos, me lembraram muito esses caras), com a adição de passagens totalmente absolutamente melódicas, com o uso de um violino bem, mas bem mais construido que um simples background; aqui ele é um instrumento a nível das guitarras, que também fazem solos virtuosos durante todo o disco. O baixo tem um papel fundamental na construção desses momentos, enquanto muitas vezes as guitarras somem ou se tornam arpejos acusticos, o baixo dá todo o tom e a base pros solos de violino. A bateria, como eu já disse ao comparar com o Crimson Moonlight, é totalmente focada num trabalho de bumbos e pratos e não muito frequentemente apela pra Blast Beats, embora eles existam no decorrer do álbum. Normalmente o ritmo da banda é bem rápido nas partes pesadas, mas muito cadenciado ao mesmo tempo, então blast beats só atrapalhariam. Os vocais alternam-se entre rasgados agudos caracteristicos do Black Metal muito bem feitos e vocais limpos totalmente melódicos que normalmente aparecem junto com o violino. Enfim, certamente não deu pra entender bulhufas por essa explicação e eu realmente acho melhor escutar pra sacar toda essa proposta da banda. Só pra embolar mais ainda, as influências no disco ainda vão muito além de só um black metal com violino e vocal limpo, temos muito Jazz, Death Metal e muita latinidade, mas isso você só vai perceber ao ouvir com calma.

Enfim, como eu esperava, um grande, enorme (até na duração) disco. Mas se você gosta de Black Metal truzão, raivoso, satanico e maléfico, passe longe. Se você estiver disposto a ouvir algo pesado e totalmente inesperado, vai se maravilhar, no entanto. Vejam a prévia e vamos ver quem se atreve a discordar que estamos diante de um grande candidato a Top 2012.

MySpace

Tracklist:

1.Tapestry of the Starless Abstract 12:01
2.Xenoflux 10:01
3.Of the Leper Butterflies 05:52
4.Forget Not 12:04
5.And Plague Flowers the Kaleidoscope 11:35
6.As Icicles Fall 09:24
7.Of Petrichor Weaves Black Noise 10:43

Links:

320 Kbps, 162,55 Mb
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
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OvO - Discografia

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Gênero: Experimental/Avant-Garde/Noise/Drone/Bizarro/etc.
País: Itália
Periodo de Atividade: 2001-Presente

Comentário: Ovo (também, OvO ou OVO) é um é projeto italiano formado pela dupla Stephania Pedretti (Vocal, Guitarra e Baixo) e Bruno Dorella (Bateria e Teclado), que teve seu inicio em 2001, e continua na ativa até hoje, sendo bastante prolíficos, lançando até agora um total de 6 álbuns, fora demos, EPs e splits, possuindo um número pequeno, mas fiel, de fãs. E esse post é dedicado à discografia dessa dupla, mas eu irei me ater apenas aos álbuns de estúdio, por considera-los mais significativos e porque transmitem a essência da banda.

Esse projeto é de longe um dos mais bizarros e esquisitos que já conheci (se não for o mais). Ele é essencialmente peculiar e excêntrico, no mais amplo sentido dessas palavras, de forma que a sonoridade criada pela dupla, em certas ocasiões, nem soa muito como música, e é de difícil classificação, visto que não segue nenhum padrão musical, e possui um total descompromisso com a forma convencional de se fazer música. A impressão que se tem é que a dupla cria as canções para eles mesmos, sem se preocuparem com o publico, externando aquilo que está oculto dentro deles, e o resultado disso são canções estranhas, esquisitas, doentias e bizarras, sim, acho que bizarro é a melhor maneira de classificar o que esses dois fazem. Normalmente esses adjetivos são usados de maneira depreciativa, mas eu uso-os apenas para descrever como a sonoridade da banda pode soar aos ouvidos, porque apesar de não serem nada convencionais na sua forma de fazer música, eu particularmente acho o trabalho deles extremamente criativo e até genial. E uma boa alusão ao que essa dupla faz, seria a de dois cientistas malucos, desses de filmes de terror B, que entram em seus laboratórios (no caso, estúdio) e lá fazem as mais horríveis experiências genéticas, misturando DNAs das mais diversas espécies, e como resultado, dão vida a odiosas criaturas (que nesse caso, são as músicas) que gemem, rastejam e atacam os ouvidos dos mais desapercebidos.

Ao ler o paragrafo acima você pode pensar que eu exagerei demais, mas tenho certeza que quando começar a ouvir essa banda irá concordar comigo. Pode-se dizer que o principio básico que eles usam para criar as canções é experimentalismo, bebendo de várias fontes, algumas mais evidentes, onde podemos notar claras influências do punk, garage rock, noise rock, drone, etc., e já outras são mais discretas, como é o caso do Black/Doom Metal, entre outras. Mas tudo é feito de uma maneira que não é possível enquadrar a banda em nenhum desses gêneros, possuindo um estilo único, distinto e característico.

E como eles criam esse som único? Pois bem, eles misturam tudo o que eu disse no paragrafo anterior de uma forma bizarra, esquisita e doentia. Criando melodias caóticas e imprevisíveis, onde por vezes os acordes são feitos de forma aleatória, com os instrumentos desafinados, a guitarra extremamente distorcida e ruidosa, a bateria que parece estar velha e caindo aos pedaços, assim como algumas percussões, onde que por vezes parece que estão tocando em panelas e baldes. Essa é instrumentação mais recorrente, mas a dupla também usa outros instrumentos, mas quase sempre parecem estar desafinados, e são tocados desarmoniosamente e fora de ritmo. Também tem o sintetizador, que dá o toque final nessa baderna sonora, criando sons que parece ser algum tipo de interferência, ruidosos, distorcidos, esquisitos e por vezes até irritantes. E aliado a isso tudo tem os vocais de Stephania, que como não poderia ser diferente, são bizarros (sim, eu tenho de usar esse adjetivo repetidas vezes nessa resenha!), mas que se mostra bastante “versátil”, sendo guturais, esganiçados, rasgados, gritados, sussurrados, chorosos, infantis, rosnados, engasgados, sofridos, soturnos, algumas vezes soando como o pato Donald rouco (falo serio!), e em certas ocasiões indescritivelmente esquisitos. Só que não é tudo isso de uma só vez, as canções são bem diversificadas, algumas mais calmas, outras mais agitadas, algumas já são imprevisíveis e caóticas do inicio ao fim. Mas o que predomina sempre é uma atmosfera bastante sombria, obscura, mórbida, perversa, doentia, etc., que eles conseguem criar, que é uma das suas características mais marcantes.

Portanto, esse não é um som para qualquer um, a audição é bastante difícil no inicio, mas se persistir, pode se tornar mais fácil “digerir” as canções, e em certo momento, dependendo da sua saúde mental (rs), elas podem se ficar até agradavéis. Eu não posso garantir que você vai gostar disso aqui, mas em todo caso, penso que não custa nada experimentar.

MySpace || Lastfm

Releases:

Álbum: Assassine
Ano: 2001

Tracklist:

1.Ingresso - (2:53)
2.Gara di Ballo - (2:28)
3.Short Hermit - (0:26)
4.Crash - (2:32)
5.Ari Up Parte 1 - (2:36)
6.Ti Amo Assassina - (4:05)
7.Hell Yeah! - (2:54)
8.Ari Up Parte 2 - (6:35)
9.Mezzanotte - (1:17)
10.II Velo Strappato - (3:13)
11.610 Ragazze Nella Vasca Rossa - (4:25)
12.Senza Titolo - (0:40)

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(68mb,320kbps)
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 Álbum: Vae Victis
Ano: 2002

Tracklist:

1.Buteradi Neve - (2:14)
2.Nema Problema - (3:09)
3.Uru-Uru - (0:13)
4.Maman - (0:18)
5.Mara Nere - (4:40)
6.Cape Ambelos - (3:08)
7.Villa Amalias - (0:17)
8.Taksim - (0:18)
9.Rakia - (2:27)
10.Nel Bel Mezzo del Cortile Dell... - (2:07)

Download:
(26mb,192kbps)
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 Álbum: Cicatrici
Ano: 2004

Tracklist:

1.Candida - (1:48)
2.La Peste - (3:49)
3.Ombra Nell Ombra - (5:02)
4.Efesto - (2:59)
5.La Saponatrice di Ferrara - (2:52)
6.Spezzata - (4:25)
7.L'Anno del Cane - (5:12)
8.Phiphenomena - (8:27)
9.Signora Bella Con Cane Gentille - (1:02)

Download:
(78mb,320kbps)
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 Álbum: Miastenia
Ano: 2006

Tracklist:

1.Anime Morte - (1:54)
2.Fobs Unite - (0:38)
3.Coco - (3:27)
4.Mammut - (2:58)
5.Voodoo - (4:17)
6.Due Paia di Cuori - (2:26)
7.Rio Barbaira - (5:05)
8.Miastenia - (20:09)

Download:
(48mb,192kbps)
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 Álbum: Crocevia
Ano: 2008

Tracklist:

1.Ostkreuz - (2:50)
2.Tiki 2020 - (2:31)
3.Casa Bruciate - (2:22)
4.Croce del Gud - (2:06)
5.Haiku 1 - (0:18)
6.Crocevia - (6:46)
7.Rigaer Strasse - (2:19)
8.Tiki 2010 - (2:40)
9.Respiro - (1:26)
10.Haikue - (0:18)
11.Via Crucis - (13:07)

Download:
(58mb,256kbps)
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 Álbum: Cor Cordium
Ano: 2011

Tracklist:

1.Lungo Computo - (2:26)
2.Nosferatu - (3:21)
3.Marie - (4:17)
4.PenumbraY Caos - (7:28)
5.Orcus - (2:46)
6.Smelling Death Around - (9:55)
7.Catacombecatacombe - (2:34)
8.La Bestia - (1:08)
9.The Owls are Not What They Look Like - (7:55)
10.In Ogni Caso Nessun Rimorso - (1:56)

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(79mb,256kbps)
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quarta-feira, 2 de maio de 2012
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Mors Tua - Fortress

3 comentários

Gênero: Avant-Garde Balck Metal (com trompete, seria então Ska Black Metal?)
País: Itália
Ano: 2005

Comentário: Não tem jeito, sempre quando eu acho que não vou mais me surpreender com respeito à música, eu encontro alguma coisa diferente de tudo que eu já tinha ouvido. E aqui vai mais uma dessas “surpresas”.

Mors Tua (que em latim significa “sua morte”) é uma banda italiana formada em 2002, que ficou ativa até 2006, quando resolveram se separar, retomando as atividades em 2010. Durante a sua primeira fase a banda lançou 3 demos, e dois álbuns, sendo o mais recente “Fortress”, de 2005, o qual estou postando aqui. Eu queria muito postar o primeiro álbum da banda “Fragments of Crepuscular Poetry”, mas eu vasculhei a internet, e não consegui encontra-lo em lugar nenhum, o que é uma pena.

A banda é formada apenas por 3 integrantes, que durante a gravação do segundo álbum era composta por Bloutsauger (Bateria), Weir (Vocal, Guitarra, Baixo, Teclado) e Elric Blackcrow (Trompete, isso mesmo, Trompete!). 

A sonoridade da banda é bastante peculiar, é um Black Metal bastante rápido, energético, agressivo e intenso, com alguma influência Thrash em alguns momentos, e que conta com um excelente guitarrista, que dá um show, com seus riffs rápidos, vigorosos e empolgantes, sendo algumas vezes complexos, lembrando um pouco bandas de Math Metal/Mathcore. A bateria e o baixo dão o suporte adequado, não se destacando como a guitarra, mas cumprindo seus papeis sem decepcionar, em algumas ocasiões também tem um violão, mas não é sempre que aparece, ganhando maior destaque na canção: “Fragment IV Textless”, que é uma faixa mais melódica e difere um pouco do resto do álbum, mas mantendo a excelência. O vocal também não deixa a desejar, sendo quase todo o tempo raivoso, rouco e rasgado, Eu gostei bastante. Mas o que me surpreendeu nessa banda, foi o trompete, que está em todas as canções, e não como coadjuvante, lá no fundo pra dar aquele ar sinfônico, mas sim, em destaque, como a guitarra, sempre dando o ar da graça, como se fosse uma crinça travessa, ou um penetra em uma festa, que volta e meia rouba a cena, mas que ao invés de atrapalhar, enriquence o som, criando um contraste no mínimo interessante, deixando o som mais épico, mais empolgante, tirando um pouco do clima sombrio e cheio de ódio, inerente ao Black Metal, deixando as canções com uma atmosfera mais amigável, por assim dizer, o que me deixou entusiasmado com o som.

Esse álbum foi realmente um achado, e estou muito feliz em ter encontrado essa banda tão distinta e genial. Ela estava entre alguns downloads que fiz, e que estou ouvindo aos poucos, portanto, não faço ideia de onde eu baixei, e quando coloquei pra tocar, não tinha ideia do que viria, então quando começou aquele som agressivo, o vocal rasgado, a guitarra, o trompete e alguns acordes de violão, tudo junto explodindo de uma só vez de forma intensa, eu parei e pensei: “WOW, que coisa é essa” dai fui direto no lastfm deles pra saber a classificação, e mais informações a respeito, e para minha surpresa a banda tinha apenas 828 execuções, e as tags eram apenas de “black metal” e “italian black metal”. É uma pena ela não ser tão conhecida, porque achei bastante original, singular e totalmente extraordinária. E quanto ao gênero, bem, acho que ela poderia ser classificada como Avant-Garde Black Metal.

Não achei muitas informações sobre eles, mas no Myspace da banda está dizendo que tem um álbum novo previsto para ser lançado esse ano, 2012, espero ansiosamente que isso se concretize, porque é uma ótima banda, e eu realmente gostei desse álbum. E é aquela mesma coisa que eu digo, se você gosta de sonoridades diferentes e pouco ortodoxas, esse é um prato cheio. Portanto, fartem-se!

MySpace || Lastfm

Tracklist:

1.Retaliator - (3:35)   
2.Fortress - (2:48)    
3.In War Against the Death - (3:19)    
4.The Book of Treachers - (2:12)    
5.Pitagora - (1:50)    
6.Knowledge is Power - (2:41)      
7.Black Metal is Dead!  - (2:58)    
8.Europe Under Pestilence - (2:38)    
9.Fragment IV: Textless - (1:54)    
10.A Blood Red Morning - (3:02)    
11.From a Rusted Sky - (3:30)    
12.The Last Words (Our Death) - (1:14)

Download:
(70mb, 320kbps)
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