Body Void - Ruins
Categories :
/Finck . #2016 . Sludge/Doom
Gênero: Sludge / Doom
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Comentário: Surgindo das cinzas da Devoid, Body Void é um trio vindo de São Francisco da Califórnia e tem como objeto produzir um som visceral, nervoso e com muito peso. O álbum Ruins foi lançado em 16 de Junho e reúne 4 faixas de uma sonoridade atordoante, repleta de riffs poderosos, vocais furiosos e agonizantes, além de um clima caótico e soturno contido ao longo do álbum.
O trio formado por Will Ryan (guitarra, vocal), Parker Ryan (baixo) e Edward Holdgerson (bateria), consegue criar um Sludge / Doom cru, direto, sem firula, algo já claramente nítdo na faixa de abertura Swan. A banda sabe como adicionar elementos vindos do Crust e Drone ao longo das faixas.
Toda agressividade da veia Crust da banda é distribuída em Erased, faixa seguinte. Um ritmo pesado, mais veloz e com aquele d-beat sob medida ditam o rumo da faixa. Monolith é auto explicativa, a banda cria um ritmo monolítico e intensamente pesado ao longo da faixa. Suja, arrastada, com timbres graves e pesados, além da bateria carregada que soa como um trovão, tudo isso sendo liderado pelo vocal inquieto do Will Ryan, a faixa traz uma verdadeira devastação sonora ao ouvinte. A faixa título encerra o álbum e é a minha favorita. Durante 16 minutos, a banda leva o ouvinte a uma jornada única, com uma densidade vinda de uma atmosfera sombria e fria. Um rimo mais cadenciado com uma forte pegada Drone, a faixa traz uma construção bem elaborada e não perde a qualidade. A banda ainda soube encaixar uma passagem mais psicodélica na segunda metade da faixa, o tom mais destacado, estridente e chapado da guitarra durante um solo que se estende até os instantes finais, onde a banda alterna entre todo peso e intensidade possível ao melhor estilo de nomes como Primitive Man e Burning Witch, com ritmos cadenciados num clima mórbido e cavernoso. Um dos releases mais interessantes que escutei até o momento e fico ansioso desde já por mais material da banda.
Tracklist:
01 - Swan
02 - Erased
03 - Monolith
04 - Ruins
Ouça: Bandcamp
Niechęć - [self-titled]
Categories :
/Finck . #2016 . Avant-Garde . Jazz Fusion . Jazz Rock
Gênero: Jazz Fusion / Jazz Rock / Avant-Garde
País: Polônia
Ano: 2016
Comentário: Niechęć é um quinteto polonês da cidade de Varsóvia, formada no ano de 2007 mas que só lançou seu álbum debut em 2012. A banda combina o Jazz com diversos gêneros, criando uma sonoridade com muita identidade, além de bela e agradável.
Neste álbum autointitulado, o Niechęć traz como proposta expandir e dar seguimento ao que foi realizado no álbum anterior, se mantendo fiel aos seus padrões e características. O álbum já desperta a atenção com sua capa (que me trouxe à memória o filme "A Fita Branca" do Michael Haneke), a imagem de uma criança em preto e branco, com um olhar frio e fixado num ponto. A sonoridade do álbum segue com aquela mistura de Jazz Fusion, Jazz Rock, Eletrônico, Ambient e Alternativo, fazendo com que não seja limitada à apenas um sentindo ou direção, mas sim seguindo um caminho sempre em expansão.
Tracklist:
01 - Koniec
02 - Rajza
03 - Echotony
04 - Metanol
05 - Krew
06 - Widzenie
07 - Atak
08 - Trzeba to zrobić
Ouça em: Spotify
Cult of Luna & Julie Christmas - Mariner
Categories :
Gênero: Atmospheric Sludge Metal / Post-Metal
País: Suécia / Estados Unidos
Ano: 2016
Comentário: Eu sempre achei interessante álbuns colaborativos e parcerias entre artistas, sendo eles de gêneros musicais parecidos ou reunindo gêneros diferentes, afim combinar ideias parecidas ou criar algo híbrido. Muitas dessas parcerias que aconteceram ao longos dos anos resultaram em algo que me agradou além do esperado, valendo citar Neurosis e Jarboe, o Sunn O))) por duas vezes sendo uma delas com o Boris e a outra com o Ulver, Ufomammut e Lento, e mais recentemente entre o Cult of Luna e a Julie Christmas.
O Cult of Luna é uma das minhas bandas favoritas de Post-Metal, álbuns como Salvation, Somewhere Along the Highway e Vertikal, possuem uma qualidade impressionante e uma sonoridade única, colocando a banda num patamar acima que muitos outros nomes do estilo. Em Mariner, a banda se junta à Julie Christmas, que fez sua carreira nas bandas Battle of Mice e Made Out of Babies, e o resultado não poderia ser melhor.
A abertura do álbum acontece com a faixa A Greater Call, trazendo uma sonoridade bem nos moldes apresentados nos álbuns do Cult of Luna. O início lento e atmosférico cede espaço para um instrumental intenso e pesado, repleto de guitarras dissonantes e synths se destacando, que servem de plano de fundo para os vocais de Persson e Julie. Nesta faixa Julie aparece como um backing vocal para Persson, mas a combinação cria algo agradável e belo. Em Chevron, é onde a parceria começa a demonstrar claramente seu resultado, o instrumental repleto de riffs grandiosos, uma percussão sólida e uma atmosfera densa muito bem reforçada pelo teclados e synths, alavancam a performance de Julie Christmas ao longo da faixa, onde ela demonstra toda sua capacidade e variações de vocal. Sendo pouco acompanhada pelo vocal de Persson, Julie rouba a cena definitivamente, seja gritando ou nos encantando com seu doce vocal, valendo destacar os minutos finais que trazem um clima belo e sereno com a combinação do vocal de Julie e o instrumental bem executado do Cult of Luna. The Wreck of S.S. Needle é a faixa que mais me agradou em Mariner. Novamente a parceria se mostra eficiente, com o Cult of Luna apresentando um instrumental com diversas variações de ritmo e uma pegada que me lembra muito algo feito em Vertikal. Julie por sua vez, tem total controle e destaque na faixa, impondo seu vocal de maneira que combina perfeitamente com o instrumental, nos ganhando novamente e impressionando com o final explosivo da faixa. Approaching Transition é a única faixa que não envolve a Julie, consistindo numa faixa extensa e de ritmo cadenciado, ela dá uma quebra de ritmo no álbum, antes do que seu final agressivo coloque as coisas no lugar novamente. Cygnus fecha o álbum de maneira esplêndida. Nela a dualidade nos vocais de Persson e Julie retorna, e de uma maneira em que os dois se alternam na liderança. O instrumental se mantem pesado e bem atmosférico, principalmente nos momentos finais acompanhando a combinação caótica e bela entre os vocais de Julie e Persson.
Mariner não soara novidade quanto ao instrumental para aqueles que já conhecem o trabalho do Cult of Luna, pois a banda demonstra diversos aspectos de seus trabalhos anteriores. O diferencial e ponto alto do álbum, é justamente a presença da Julie Christmas. É impressionante como o vocal dela se encaixa perfeitamente com esse tipo de instrumental, em todas as variações que ocorrem ao decorrer das faixas. Fica aquela vontade de ver novamente essa parceria acontecendo e com ambos evoluindo o que foi feito em Mariner. Sem dúvidas um dos lançamentos mais agradáveis do ano.
Tracklist:
01 - A Greater Call
02 - Chevron
03 - The Wreck of S.S. Needle
04 - Approaching Transition
05 - Cygnus
Ouça em: Spotify
Cough - Still They Pray
Categories :
/Finck . #2016 . Sludge/Doom
Gênero: Sludge / Stoner / Doom Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Comentário: Quando uma banda que você gosta muito fica por um longo período sem lançar um álbum novo, é normal que a ansiedade seja imensa quando a banda em questão anuncia que está gravando material inédito. E quando finalmente o álbum é lançado (ou vaza na web), você de imediato sente uma necessidade imensa de escutá-lo como se não houvesse amanhã. Acredito que muitos passam e passarão por isso ao longo dos anos assim como eu, que recentemente pude acabar com uma espera de quase seis anos sem um álbum novo dos americanos do Cough.
Para aqueles não familiarizados com o nome ou mais precisamente com o som da banda, o Cough cria um som não recomendado para ouvidos mais sensíveis, a banda tem um peso característico que sabe combinar muito bem com climas mais sombrios, melancólicos ou "chapados". Desde o álbum de estreia intitulado Signum Luciferi, a banda já demonstrava uma qualidade satisfatória e um som que não deixa a desejar entre as bandas mais recentes do estilo. O Cough conseguiu subir um degrau acima com o lançamento do seu segundo álbum, o excelente Ritual Abuse (o qual eu já resenhei aqui no Ignes, lembram?), que é muito bem recebido por grande parte daqueles que gostam do estilo. E agora, a banda volta com tudo no seu terceiro álbum de estúdio intitulado Still They Pray.
O álbum possui todos aqueles elementos agradáveis que a banda demonstrou nos trabalhos anteriores, entregando oito faixas de qualidade. Logo de cara vem a empolgante "Haunter of the Dark", conduzida por riffs agradavelmente arrastados e com solos frenéticos, destaque para o refrão cativante que gruda no ouvido logo na primeira audição. "Possession" é uma faixa poderosa e marcante, muito bem estruturada trazendo aquela variação nos vocais que marcaram a sonoridade da banda nos álbuns anteriores. O Cough ainda traz uma faixa lembrando a pegada de "Crooked Spine" do Ritual Abuse, a "Let it Bleed" é uma balada bad tip bem construída, bem chapada e num clima de angústia que é muito presente no álbum. A faixa de encerramento leva essa ideia ainda mais além, ""Still They Pray" é uma faixa acústica sombria e introspectiva e o momento de calmaria após toda agressividade que a banda lançou ao longo do álbum, uma pegada e vibe que lembra a "Evergreen" do Windhand, por exemplo. A minha favorita é a "The Wounding Hours", que foi uma das faixas divulgadas antes do lançamento do álbum. Trazendo aquele instrumental arrastado e que ganha um toque bem sombrio com o uso do órgão ao fundo, os vocais ríspidos e angustiantes dão um clima soturno à faixa, e os riffs são devidamente marcantes, criando uma atmosfera densa e profunda.
Still They Pray é o lançamento do ano que mais me agradou até o momento, por mais que fosse um álbum que eu aguardasse ansiosamente, a expectativa que tinha em relação a ele foi superada, o Cough mostra um amadurecimento e evolução notáveis ao decorrer do álbum, solidificando ainda mais o seu nome como uma das melhores bandas do estilo dos últimos anos. O álbum foi produzido pelo Jus Oborn do Electric Wizard, vale muito conferir!
Tracklist:
01. Haunter Of The Dark
02. Possession
03. Dead Among The Roses
04. Masters Of Torture
05. Let It Bleed
06. Shadow Of The Torturer
07. The Wounding Hours
08. Still They Pray
Schammasch - Triangle
Categories :
/Finck . #2016 . Avant-Garde . Black Metal
Gênero: Avant-Garde / Black Metal
País: Suíça
Ano: 2016
Comentário: Muitas vezes as ideias mais ambiciosas de algumas bandas não resultam exatamente naquilo que elas gostariam, o resultado final pode ser até uma decepção. No caso do Schammasch não é isso o que acontece. De um nome desconhecido por mim, a banda agora é frequente na minha playlist por conta do ótimo álbum Triangles.
Tracklist:
CD1:
01 – Crepusculum
02 – Father’s Breath
03 – In Dialogue with Death
04 – Diluculum
05 – Consensus
06 – Awakening from the Dream of Life
CD2:
01 – The World Destroyed by Water
02 – Satori
03 – Metanoia
04 – Above the Stars of God
05 – Conclusion
CD3:
01 – The Third Ray of Light
02 – Cathartic Confession
03 – Jacob’s Dream
04 – Maelstrom
05 – The Empyrean
Ouça em: Spotify
Vokonis - Olde One Ascending
Categories :
/Finck . #2016 . Stoner Doom
Gênero: Stoner / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2016
Comentário: Não me lembro quando foi a última vez que fiz uma resenha e tenho medo de ter perdido o jeito (que já não era dos melhores), mas aos poucos espero retornar à minha frequência habitual que possuía aqui no Ignes.
Meses se passaram e muita coisa rolou, já estamos quase na metade de 2016 e já foram lançados muitos álbuns que estão fazendo a mente da galera. Entre os lançamentos que escutei, um que está sempre na minha playlist é o Olde One Ascending do Vokonis.
O Vokonis é um trio sueco da cidade de Borås, formado por Jonte Johansson (baixo), Emil Larsson (bateria) e Simon Ohlsson (vocal e guitarra) e como muitas bandas do estilo que surgiram no país, também querem alcançar o público com uma sonoridade bastante familiar para aqueles que gostam de um Stoner / Doom bem tocado e pesado.
As faixas conseguem ser empolgantes o tempo todo, as variações de ritmo agradam, os refrões são marcantes e tudo flui de um jeito bem natural. Apostando no básico o Vokonis conseguiu criar um álbum sólido, que se por um lado não apresenta nada que não soe como novidade, agrada pela execução bem feita e faixas bem estruturadas, com uma produção de muita qualidade. A temática da banda, assim como de muitas outras, é inspirada em obras do H.P. Lovecraft e conta com uma capa incrível.
O vocal de Simon é um ponto positivo no álbum na minha opinião, agressivo sob medida e potente, combinando muito bem com a sonoridade feita pela banda, que não deixa o ouvinte desprender sua atenção do álbum. Os riffs principais das faixas são bem marcantes e um verdadeiro murro na cara (nesse caso na orelha). Os solos são ótimos, sempre trazendo um fuzz bem agradável e vários momentos bem ao estilo sabbhatico do Iommi. Isso já é perceptível na faixa de abertura do álbum. O baixista Jonte também se mostrou bem hábil ao decorrer do álbum e durante os solos de guitarra, mantém um ritmo forte e preciso no baixo, cooperando muito com o os solos de Simon. O baterista Emil se mostra versátil e preciso em todos os momentos, além de caprichar nas partes mais agitadas das 6 faixas que compõem o álbum.
Olde One Ascending é um álbum gostoso de se ouvir, e ao menos pra mim, foi bem viciante desde a primeira vez que ouvi e não me deu aquela sensação de cansaço ou desinteresse. A banda, como muitas que surgem ao decorrer dos anos, tem um bom potencial a ser explorado, e conseguiu ao meu ver dar o primeiro passo em grande estilo com seu debut. Destaque para as faixas "Acid Pilgrim" e "King Vokonis Plague".
Tracklist:
01 - Olde One
02 - The Serpent's Alive
03 - Acid Pilgrim
04 - Shroomblade
05 - King Vokonis Plague
06 - Hazmat the Ashen Rider
Ouça em: Bandcamp
Bulldozing Bastard - Under the Ram
Categories :
/Finck . #2015 . Black Metal . Speed Metal
Gênero: Black / Speed Metal
País: Alemanha
Ano: 2015
Comentário: O Bulldozing Bastard é um duo alemão criado em 2012 por Irön Kommander e Genözider, que aposta numa fórmula bastante conhecida e utilizada para criar sua sonoridade. Under the Ram é o segundo álbum de estúdio do duo e traz um conteúdo bem agradável para aqueles que gostam de um som mais direto, veloz e que resgata a essência de bandas clássicas, principalmente dos anos 80.
A banda que se auto intitula como Bastard Metal, tem uma sonoridade nos moldes de bandas como Midnight e Gehennah, trazendo toda aquela influência de nomes como Motörhead, Venom e dos italianos do Bulldozer. Dito isso, é óbvio que Under the Ram não soará nada inovador para aqueles que conhecem as bandas citadas, mas a maneira que o duo conduziu o álbum consegue um resultado bem eficiente e agradável.
Desde a abertura com Queen of the Night, o Bulldozing Bastard entrega ao ouvinte uma série de riffs saudosistas, solos empolgantes, vocais sujos e com os tradicionais refrões em coro, uma levada d-beat e linhas de baixo bem marcantes. Essas características se mantém como os pilares da sonoridade da banda, que ao longo dos 31 minutos de duração do álbum, não deixa o ritmo cair com suas faixas enérgicas e velozes. Alleys of the Underground é a minha favorita em Under the Ram, traz um timbre de guitarra mais marcante e linhas de baixo mais notáveis, sem citar os ótimos solos ao decorrer da faixa. Once the Dust has Settled encerra o álbum da melhor maneira possível, trazendo um refrão contagiante e um instrumental mais trabalhado, com um riff principal absolutamente matador.
Under the Ram foi lançado no dia 13 de Maio pela High Roller Records (que possui um catálogo bem interessante). O álbum consegue manter as características apresentadas pela banda em seu debut lançado em 2012, além de mostrar que o amadurecimento da banda está resultando em faixas mais sólidas e bem tocadas. Parecido com muita coisa que você já ouviu antes, mas que continua surtindo o mesmo efeito de sempre, Under the Ram leva o saudosismo ao ouvinte de uma maneira simples e eficaz.
Tracklist:
02. Tornado
03. Mayhem Without Mercy
04. Full Speed Ahead
05. Brassknuckle Deathstrike
06. Under the Ram
07. Alleys of the Underground
08. Let the Bastard Roar
09. Black Metal Slut
10. Once the Dust Has Settled
Ouça em: Rdio ou Spotify
Pyramids - A Nothern Meadow
Categories :
/Finck . #2015 . Ambient . Black Metal . Experimental . Industrial . Shoegaze
Gênero: Experimental / Ambient / Black Metal / Shoegaze
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: Em seu álbum de estréia os americanos do Pyramids mostraram uma sonoridade bem experimental, contando com o vasto repertório de influências e sonoridades exploradas. O álbum teve uma recepção favorável e com boas críticas, mostrando uma banda que tinha potencial a ser explorado. O álbum de estréia foi lançado em 2008, seguido por diversas colaborações do Pyramids com nomes como Nadja, Mammifer e Horseback, além de ter faixas remixados por bandas como Ulver e Lustmord.
Analisando tudo isso, pode se dizer que o Pyramids teve anos de grandes experiências e que permitiram a banda uma bagagem maior para o lançamento de seu segundo álbum de estúdio. A Nothern Meadow foi lançado no dia 17 de Março pela Profunde Lore Records, contando com as participações de Vindsval (Blut Aus Nord) e Colin Marston (Gorguts, Krallice).
Se comparado ao debut, uma característica que evoluiu em A Nothern Meadow é que o desenvolver das faixas flui mais naturalmente, sem aquela sensação de estarem dispersas ou perdidas. Para uma banda que faz uma experimentação com elementos do Industrial, Dark Ambient, Shoegaze, Post-Rock, Drone e Black Metal, a sonoridade soa precisa e bem estruturada. Normalmente em algum momento do álbum, um desses estilos é mais utilizado que os outros, mas a combinação em si foi muito bem feita.
A atmosfera do álbum é pesada, trazendo passagens mais sufocantes em que o instrumental é mais denso. Ainda há momentos em que a música do Pyramids ganha um tom mais simples e com um clima mais agradável. Alguns riffs no álbum lembram bastante alguns utilizados pelo Blut Aus Nord na trilogia 777, assim como a programação da bateria (que foi feita por Vindsval). Os vocais trazem um tom mais pacífico e calmo na maior parte do álbum, diferenciando-se do instrumental, mas em algumas partes é utilizado um vocal ríspido que combina muito bem com as o tom do instrumental.
Pode-se dizer que a sonoridade apresentada pelo Pyramids é algo complexo e com um clima bem introspectivo, o que pode não agradar aqueles que não estão habituados com esse tipo de proposta. Em A Nothern Meadow, o Pyramids traz um álbum sombrio, depressivo e instigante, Música torta e estranha, mas que agrada a quem procura mais na música do que apenas uma ideia óbvia e fácil de digerir, A Nothern Meadow conduz o ouvinte à uma experiência no lado mais sombrio da mente ao longo de 50 minutos. Destaque para a faixa I Am Sorry, Goodbye.
Tracklist:
01. In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow
02. The Earth Melts Into Red Gashes Like The Mouths Of Whales
03. The Substance Of Grief Is Not Imaginary
04. Indigo Birds
05. I Have Four Sons, All Named For Men We Lost To War
06. I Am So Sorry, Goodbye
07. My Father, Tall As Goliath
08. Consilience
Bosse-De-Nage - All Fours
Categories :
Gênero: Post-Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: Num estilo que desfruta de uma boa popularidade decorrente do impacto causado por algumas bandas nos últimos anos, é normal que cada vez mais surjam novas bandas tentando a sorte através dessa sonoridade. Isso geralmente resulta numa grande quantidade de bandas tentando criar uma sonoridade que esteja do nível das principais bandas do estilo mas acabam se perdendo demais nos clichês, na falta de criatividade ou nas limitações de recursos. Óbvio que isso não é uma exclusividade do Post-Black Metal, mas as ocorrências que se enquadram no que disse acabam por ser mais frequentes do que antes.
O Bosse-De-Nage poderia ser mais uma dessas bandas, mas felizmente, não é isso que ocorre em All Fours, quarto álbum de estúdio da banda lançado no dia 14 de Abril. Apontado por muitos como o melhor álbum da banda, All Fours apresenta argumentos suficientes para a validação dessa ideia. A banda consegue mostrar que possui conhecimento na hora de criar música, os membros não fazem música por acaso, seguem um contexto bem elaborado e versátil dentro de tudo aquilo que a banda leva como influência. Além de não se prender dentro apenas do Post-Black Metal, a banda conseguiu casar muito bem suas influências dentro do contexto de sua sonoridade, que em certos momentos ficam bastante em evidência em evidência. Essa adição de elementos do Post-/Hardcore foi uma ótima ideia para o resultado final do som feito pela banda.
A primeira coisa que me vem à mente quando penso em All Fours é o instrumental arrasador feito pelo Bosse-De-Nage. As composições são profundas e marcantes, a produção do álbum permite que todos os instrumentos sejam notados ao longo das oito faixas. A bateria no álbum é de tirar o fôlego! Constantemente segue um ritmo intenso e mesmo quando a percussão se torna algo mais contido, é apenas um prelúdio da pancadaria que está por vir. Os riffs estão ótimos, trazendo uma variação interessante de timbres que acompanham o clima que a música apresenta, sendo muito bem acompanhado pelo baixo. Os vocais de Bryan Manning ganharam meus mais sinceros elogios logo em At Night, faixa que abre o disco. Sujo, agressivo, agonizante, calmo, melancólico e o que mais você notar no vocal ao decorrer do álbum, Bryan mostra ter uma versatilidade do mesmo nível apresentado na parte instrumental.
Num álbum como esse eu fico meio em cima do muro na hora de apontar as faixas que mais chamaram a minha atenção, acaba que de certa maneira cada uma tem algo "único" e que me agrada bastante. The Insdustry of Distance tem como característica principal a velocidade tanto do instrumental quanto do vocal, mesmo com algumas "paradas" onde a bateria administra o ritmo, a faixa é de tirar o fôlego. Washerwoman é a minha favorita, a faixa se inicia com um ritmo bem cadenciado por dedilhados feitos levemente na guitarra, vocal limpo e falado e um clima daqueles mais deprê. Essa parte inicial da faixa me lembra algo do segundo álbum do Apati. Após 4 minutos nesse clima, ocorre uma verdadeira explosão instrumental. Um ritmo pesado e direto muito bem acompanhados pelos berros agoniantes de Bryan, criando um clima que te toca no fundo da alma (ao menos comigo rs). Não poderia de citar a To Fall Down, que possui uma construção bem interessante e apresenta um ótimo balanço entre o peso inserido ao decorrer da faixa.
All Fours agrada pela forma em que as faixas são construídas, dos ritmos propostos ao que é apresentado pelo instrumental e vocal. Recomendação certa para quem gosta do estilo e quer escutar um álbum mais variado mas que não caia dentro de algo mais complexo, a sonoridade é até bem easy listening para aqueles que já tem uma bagagem nesse tipo de sonoridade. Não sei dizer ao certo o que esse álbum representará para mim futuramente, mas no momento atual, é uma das coisas mais viciantes que ouvi em 2015.
Tracklist:
02. The Industry of Distance
03. –
04. A Subtle Change
05. Washerwoman
06. In a Yard Somewhere
07. To Fall Down
08. The Most Modern Staircase
Ouça: Spotify
Öxxö Xööx - Nämïdäë
Categories :
/Finck . #2015 . Avant-Garde . Doom Metal . Gothic Metal . Symphonic
Gênero: Avant-Garde / Doom / Gothic / Symphonic Metal
País: França
Ano: 2015
Comentário: Öxxö Xööx é uma forte candidata ao título de banda mais peculiar que já resenhei em meu período como membro do Ignes Elevanium. Inicialmente, tenho que ressaltar que gosto de peculiaridades, de encontrar bandas que fujam um pouco do óbvio e que não coloquem limites aos termos de criação musical. O Öxxö Xööx se enquadra ´perfeitamente nessa breve descrição e vai até um pouco mais além dela. O fato é que a banda lançou recentemente seu segundo álbum de estúdio, intitulado Nämïdäë.
Para entender melhor a diversidade por trás da banda, o seu idealizador é Laurent Lunoir, que já demonstrou no Igorrr seu jeito pouco convencional de criar música. O nome da banda é uma representação em binário do número 69, assim como na linguagem criada pela banda. Sim, a banda criou uma linguagem ficcional para criar sua música, apesar de usar inglês em algumas partes.
Eu ainda não escutei com maior tranquilidade e atenção ao álbum de estréia da banda, o que me impossibilita de criar um comparativo entre os mesmos. Focando somente em Nämïdäë, tenho que dizer que não é algo fácil de se digerir, a banda possui uma grande complexidade musical e não se prende à um simples contexto para criar sua música. Dos elementos mais presentes em sua música como o Doom e Gothic, à passagens sinfônicas, momentos operísticos e outros vindos do metal extremo, a música do Öxxö Xööx se torna difícil de se descrever precisamente. Os vocais são bem encaixados e apresentam uma diversidade impressionante, tanto o vocal masculino quanto o feminino, que ajudam a criar essa atmosfera encantadora contida no álbum.
A sonoridade da banda não é algo forçado para chamar atenção, a banda segue sua própria fórmula de fazer música. Äbÿm, faixa utilizada na divulgação do álbum, traz toda uma orquestração impressionante, uma percussão impactante e de ritmo imprevisível, além de um dueto alucinante entre os vocalistas. Dälëït tem uma atmosfera densa e hipnotizante, faz um uso marcante de órgão e cravo, além de apresentar alguns ótimos riffs em seu decorrer, além de uma ótima variação rítmica do instrumental.
Diante da grande diversidade apresentada pelo Öxxö Xööx em Nämïdäë, o álbum se torna uma grande viagem dentro do universo particular da banda. A sonoridade impressiona de maneira que me faltam palavras para descrever, mas ressalto a grande importância dos vocalistas no resultado final da música criada pela banda, conduzem de maneira incrível o álbum e apresentam uma qualidade indiscutível.
Nämïdäë conta com uma ótima produção e foi lançado pela Blood Music no dia 26 de Maio. Definitivamente um álbum que merece ser ouvido entre tantos lançamentos em 2015, não só pela diversidade musical e ideias peculiares que envolvem a banda, mas pela grande jornada e experiência que o álbum proporciona ao ouvinte. Não é o tipo de música mais fácil de se ouvir, mas algo diferente e bem construído, com uma qualidade difícil de se encontrar e que vale cada trema utilizada nessa resenha.
Tracklist:
01 - Därkäë
02 - LMDLM
03 - Ländäë
04 - Dä Ï Lün
05 - Lör
06 - Lücï
07 - Äbÿm
08 - Dälëïth
09 - Ü
Download: Bandcamp
Ouça em: Spotify
Ufomammut - Ecate
Categories :
/Finck . #2015 . Sludge Metal . Stoner Doom
Gênero: Stoner / Sludge / Doom Metal
País: Itália
Ano: 2015
Comentário: Toda vez em que os italianos do Ufomammut anunciam um novo álbum de estúdio, sou tomado pela expectativa em relação ao que está por vir. Ecate é o oitavo álbum de estúdio da banda (não levando em conta a colaboração com o Lento) e chega como um dos grandes lançamentos de 2015.
Tracklist:
02. Plouton
03. Chaosecret
04. Temple
05. Revelation
06. Daemon
Ouça em: Spotify ou Rdio
Caïna - Setter of Unseen Snares
Categories :
Gênero: Post-Black Metal
País: Inglaterra
Ano: 2015
Comentário: Caïna é uma one man band formada pelo multi instrumentista Andrew Curtis-Brignelli. Com 10 anos de carreira e uma vasta quantidade de material lançado, o Caïna possui um sonoridade que inicialmente era exclusiva do Raw Black Metal, mas que se modificou com o passar dos anos e adotou novas características de diferentes influências.
Setter of Unseen Snares é o sexto álbum de estúdio da banda, que tem o costume de apresentar material novo com certa frequência. Em bandas com essa característica, a maior dúvida é se ela é capaz de manter um certo nível de qualidade de um trabalho para o outro e não ficar em uma oscilação contínua. Mas a análise da extensa discografia do Caïna fica para uma próxima oportunidade, por hora irei me contentar em falar sobre o bom Setter of Unseen Snares.
Assim que dou play na primeira faixa do álbum, me deparo com uma grande surpresa, a banda teve a ótima ideia de inserir um sample do detetive Rust Cohle, personagem de True Detective (recomendo a série caso ainda não conheça). Citarei o comentário na íntegra para que a ideia contida nele seja interpretada perfeitamente:
"Acho que a consciência humana foi um erro trágico na evolução. Nos tornamos muito autoconscientes. A natureza criou um aspecto seu separado de si. Não deveríamos existir pela lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio , essa acreção de experiência sensorial, e fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém. A coisa mais honrável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar de mãos dadas até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás."
Tracklist:
02. I Am the Flail of the Lord
03. Setter of Unseen Snares
04. Vowbound
05. Applicant/Supplicant
06. Orphan
Ouça em: Bandcamp
Monolord - Vænir
Categories :
/Finck . #2015 . Stoner Doom
Gênero: Stoner / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2015
Comentário: O Monolord é uma daquelas bandas que surgem de repente entre os lançamentos que você resolve conferir e acabam te surpreendendo. O trio sueco lançou no ano passado Empress Rising, seu álbum de estréia que trazia uma sonoridade bem familiar e bem tocada, definitivamente um daqueles álbuns que são prazerosos de se ouvir.
Era de se imaginar que a banda ficasse um período se dedicando exclusivamente à turnê de divulgação do álbum, promovendo o nome da banda e alcançando mais ouvintes para sua música. Mas felizmente não foi isso o que aconteceu, logo no ano seguinte de sua estréia, o trio sueco lançou no último dia 28 seu segundo álbum de estúdio, Vænir.
Vænir carrega uma sonoridade similar à do seu antecessor Empress Rising, mas já mostrando uma certa evolução em diversos sentidos. As composições do álbum são mais fortes e marcantes, conseguem criar um certo impacto no ouvinte logo na primeira vez que se escuta o álbum. A banda continua trabalhando bem entre as utilizações do Doom e Stoner em sua sonoridade, além de trazer um ótimo tom de psicodelismo ao decorrer do álbum.
Os riffs estão num peso ideal e agradável, as distorções no vocal combinaram muito bem com o clima criado pelo instrumental, o baixo está mais nítido e grave em Vænir, além da bateria precisa e potente mantendo o nível. A produção do álbum está melhor do que em Empress Rising, fazendo que a jornada sonora através das 6 faixas que compõem o álbum seja bem satisfatória.
O Monolord carrega traços de nomes mais conhecidos do estilo, mas não soa uma cópia forçada de alguma delas. O álbum é bem coeso e traz faixas bem estruturadas e poderosas. Logo na abertura do álbum com Cursing the One, o Monolord distribui riffs e mais riffs através de um instrumental arrastado e bem sombrio, com grande destaque para o vocal cheio de distorção, que cria uma sensação de profundidade bem interessante. A estética apresentada na faixa de abertura predomina no decorrer do álbum, com destaque para as faixas Nuclear Death e a faixa título. A única exceção do álbum, se dá pela faixa Cosmic Silence, que segue uma proposta e clima similares às das faixas Solitude e Planet Caravan, ambas do Black Sabbath.
Vænir reforça o potencial do Monolord nesse curto período de tempo, mostrando que a banda tem condições de manter um nível de qualidade e fazer uma sonoridade familiar e bem agradável. Lançado pela Riding Easy Records, Vænir não pode ficar de fora das playlists dos apreciadores do Stoner/Doom atual.
Tracklist:
1. Cursing the One
2. We Will Burn
3. Nuclear Death
4. Died a Million Times
5. The Cosmic Silence
6. Vænir
Raketkanon - Rktkn#2
Categories :
/Finck . #2015 . Experimental . Post-Hardcore . Sludge Metal
Gênero: Experimental / Sludge / Post-Hardcore
País: Bélgica
Ano: 2015
Comentário: O Raketkanon é uma daquelas bandas que você provavelmente nunca ouviu falar e dificilmente a conheceria em circunstâncias normais, não há muito sobre a banda circulando pela internet nos principais sites que divulgam lançamentos. O quarteto belga produz uma sonoridade pouco convencional e de difícil assimilação, fugindo de muitos aspectos que poderiam agradar um público maior.
Mas apesar de todas as adversidades relacionadas à banda e sua sonoridade, resolvi conferir RKTKN#2, o segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 6 de Março pela KKK Records. O álbum se inicia com o single Florent, uma faixa conduzida por um ritmo bem agradável e uma sonoridade bem cativante. O timbre da guitarra é bem suave, ao contrário do vocal que se lança aos berros ao decorrer dos 3 minutos da faixa. Já na faixa seguinte Niko Van Der Eeken, a bateria simples e lenta se une ao bom incremento de synths no início da faixa. Em sua evolução, o instrumental se torna mais amplo, utilizando riffs mais pesados do que os apresentados na faixa anterior.
Após as duas primeiras faixas do álbum, fica bem clara a ideia do Raketkanon no que se diz respeito à fazer música. A banda não segue uma estética bem definida, as faixas sofrem diversas variações de ritmos, que se alternam entre aqueles mais cativantes e outros mais cadenciados. E é numa dessas faixas mais cadenciadas que a banda conseguiu fazer uma faixa mais bem estruturada que a maioria das outras. Mathilde é uma faixa calma e bem conduzida através de leveza instrumental e o tom ameno do vocal. O desenvolvimento da faixa traz um instrumental mais agitado, com uma guitarra introduzindo riffs mais marcantes e o vocal num tom de agonia. A épica Hanz talvez seja o maior destaque do álbum. A faixa traz um clima sombrio e psicodélico, conduzido por um instrumental mais arrastado e com o vocal se dispersando em meio ao instrumental, levando o ouvinte ao climax máximo da música feita pelo Raketkanon.
RKTKN#2 não é um álbum que vai agradar à muitos, a maneira como o Raketkanon desenvolveu as faixas é peculiar, trazendo ritmos aleatórios e timbres de guitarra simples. porém, cativantes. Acredito que aqueles que gostam de se aventurar em sonoridades e bandas mais experimentais, encontrarão na música feita pelo Raketkanon algo de interessante ao longo dos 40 minutos do álbum.
Tracklist:
01. Florent
02. Nico Van Der Eeken
03. Suzanne
04. Mathilde
05. Elisa
06. Ibrahim
07. Harald
08. Hanz
Ouça em: Spotify
Leviathan - Scar Sighted
Categories :
Gênero: Ambient Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: Não é difícil compreender o motivo do Leviathan desfrutar de uma grande popularidade, a extensa discografia da banda conta com vários trabalhos de qualidade e que se sobressaem em relação à vários nomes do estilo. Apesar disso, a imagem deixada pelo Leviathan no até então último álbum de estúdio True Traitor, True Whore, não fazia jus ao que a banda já havia apresentado anteriormente, por mais que o álbum contasse com bons momentos ao longo de suas 8 faixas.
Cerca de 4 anos se passaram desde então, marcados pela ausência de lançamentos da banda que costumava a lançar algo com certa frequência. Nesse período a banda apenas participou de um split com o Krieg, contribuindo com uma faixa. Wrest nesse período participou do último álbum do Twilight, lançado ano passado.
Em 2015 finalmente Wrest retorna com as atividades do Leviathan, Scar Sighted foi lançado pelo ótimo selo da Profunde Lore Records no último dia 3 de março. Wrest oferece aos ouvintes uma viagem dentro de sua forma paranoica, perturbadora e insana de se fazer música, apresentando uma qualidade e inspiração que faltaram nos últimos mateiras lançados pelo Leviathan.
A primeira coisa em Scar Sighted que me chamou a atenção, foi a produção impecável que o álbum possui. Billy Anderson, que já produziu álbuns de bandas como Acid King, Agalloch, Neurosis e High on Fire, colocou todo seu talento à disposição do Leviathan.
Outra coisa que me chamou a atenção em Scar Sighted, foi o vasto repertório apresentado. Nada que chega se soar isolado ou perdido dentro do álbum, Wrest sabe como pegar as suas ideias vindas das mais diversas fontes de influências e encaixar tudo de forma precisa. Talvez isso seja algo que faltou no lançamento anterior feito pela banda. Além daquele Black Metal caótico e agressivo que serve de base para o som da banda, Wrest foi capaz de introduzir uma camada Ambient bem densa, além de flertar com elementos do Death e Doom Metal ao decorrer do álbum.
Aquela atmosfera sombria e sufocante característica dos melhores trabalhos da banda está de volta e em grande forma. Dawn Vibration é o primeira grande momento do álbum na minha opinião, uma faixa direta e agressiva que dispõe de uma série de ótimos riffs, com Wrest utilizando diversos tipos de vocalização, algo marcante na música da banda. Wicked Fields of Calm apresenta uma atmosfera sombria, gélida e perturbadora, com um instrumental repleto de guitarras estridentes num timbre que se sobressei ao instrumental. Tudo na faixa brilha de alguma forma, desde a percussão mais administrada aos teclados bem inseridos ao longo do refrão. A faixa título é na minha opinião, a melhor faixa do álbum. Ao longo de 10 minutos, Wrest consegue transmitir toda a sensação de dor, fúria e caos que a ideia central do álbum propõe. A estrutura da faixa me lembra algo de uma das melhores épocas do Xasthur, A depressão contínua propostq pela banda nesta faixa, não desaparece nem na parte final onde o instrumental retorna aos moldes de agressividade e intensidade apresentados ao decorrer do álbum.
Scar Sighted foi bem além das minhas expectativas, por mais que eu esperasse por um Leviathan retornando com um trabalho de qualidade, não imaginei que Wrest conseguiria revigorar e revitalizar a banda dessa maneira. O álbum tem tudo para figurar entre os melhores álbuns de 2015.
Tracklist:
02. The Smoke Of Their Torment
03. Dawn Vibration
04. Gardens Of Corprolite
05. Wicked Fields Of Calm
06. Within Thrall
07. A Veil Is Lifted
08. Scar Sighted
09. All Tongues Toward
10. Aphōnos
Ouça em: Spotify
Imperial Triumphant - Abyssal Gods
Categories :
/Finck . #2015 . Black/Death . Experimental
Gênero: Experimental / Black / Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: O Imperial Triumphant é uma banda americana relativamente nova e ainda sem muita expressão no cenário. Apesar de ainda não ter alcançado uma popularidade mais expressiva, a banda surpreende em seu segundo álbum de estúdio intitulado Abyssal Gods.
Assim como já estamos acostumados, a banda é mais uma daquelas que possui um grande leque de inspirações e influências, tentando moldar uma sonoridade diferenciada dos padrões convencionais. Em Abyssal Gods, afirmaria que a banda caminha a passos largos para isso.
Utilizando uma boa mescla entre Black Metal e um Death Metal cavernoso (e técnico em diversos momentos), a banda criou dentro das suas experimentações com tais estilos, um álbum bastante pesado, sombrio e atordoante. A sonoridade da banda é repleta de riffs que não seguem obrigatoriamente um padrão ou lógica em algumas partes, além outros mais desenvolvidos e bem inseridos, alternando entre timbres mais estridentes e dissonantes. A bateria é impactante e veloz na maior parte do álbum, exceto nos momentos em que a banda impõem um ritmo mais arrastado ou numa levada mais estática e sombria. O baixo é notável em alguns momentos no meio do caos sonoro feito pela banda, e apresenta momentos bem técnicos e hábeis. O vocal é bem distribuído pelas faixas, apresentando características parecidas de bandas como Deathspell Omega e Ævangelist (principalmente no último álbum).
No geral, Abyssal Gods pode ser considerado um álbum confuso e até difícil de ser ouvido por aqueles que não estão acostumados com o estilo ou que não gostam de sonoridades que fujam do convencional. Apesar disso o álbum tem suas qualidades e uma boa produção, sendo quase um must listen para fãs do gênero. De destaque temos a faixa de abertura From Palaces of the Hive, que alterna entre intensidade e peso, para uma levada mais calma que se inicia com um dos melhores timbres de guitarra que ouvi em 2015. Krokodil é outro destaque por ser a faixa mais longa e onde o experimentalismo da banda é melhor explorado, conduzindo o ouvinte à 8 minutos de pura insanidade e caos.
O álbum foi lançado no dia 10 de Março pelo selo da Aural Music / Code 666.
Tracklist:
01 - From Palaces of the Hive
02 - Abyssal Gods
03 - Dead Heaven
04 - Celestial War Rape
05 - Opposing Holiness
06 - Krokodil
07 - Twins
08 - Vatican Lust
09 - Black Psychedelia
10 - Metropolis
Ouça: Spotify
Saturndust - Saturndust
Categories :
/Finck . #2015 . #Produto Nacional . Doom Metal . Space Rock . Stoner Doom
Gênero: Space Doom Metal
País: Brasil
Ano: 2015
Comentário: É bem provável que você já tenha visto alguma publicação relacionada ao Saturndust e seu álbum de estréia nas últimas semanas. Desde o lançamento do álbum, a banda ganhou espaço e destaque nos principais canais de informação relacionados à esse tipo de sonoridade e vem recebendo diversos elogios pelo trabalho feito no álbum, elogios que vem desde terras tupiniquins à até páginas gringas que abordam esse estilo musical.
Ao escutarmos o álbum, não demora para compreendermos a razão de tantos elogios feitos à banda. O Saturndust entregou ao público um álbum sólido, bem elaborado e repleto de momentos marcantes. Para quem acompanha a banda desde o lançamento do EP Sons of Water, o álbum veio para confirmar todas as expectativas criadas sobre o futuro que estava por vir. Mais do que manter a qualidade apresentada anteriormente, o Saturndust demonstra uma evolução nítida em todos os aspectos.
Tracklist:
02. All Transmissions Have Been Lost
03. Realm Of Nothing
04. Enceladus
05. Hyperion
06. Cryptic – Endless
Ouça em: Bandcamp
Izah - Sistare
Categories :
Gênero: Atmospheric / Progressive Sludge Metal
País: Holanda
Ano: 2015
Comentário: Com a grande variedade de bandas lançando material novo a cada dia que passa, é impossível acompanhar de maneira que se tire proveito de tudo aquilo que mereça um pouco da nossa atenção. Em algumas ocasiões eu arrisco, me deixo levar pela capa e estilo designado à banda. Com o Izah, foi exatamente isso o que ocorreu.
Tracklist:
01 - Indefinite Instinct
02 - Duality
03 - Finite Horizon
04 - Sistare
Ouça em: Spotify
An Autumn For Crippled Children - The Long Goodbye
Categories :
/Finck . #2015 . Atmospheric Black Metal. . Post-Black Metal
Gênero: Atmospheric / Post-Black Metal
País: Holanda
Ano: 2015
Comentário: Os holandeses do An Autumn for Crippled Children aparentam ter uma fonte de inspiração inesgotável. A banda formada em 2008 só lançou seu álbum de estréia em 2010, e de lá pra cá, a banda tem lançado material novo a cada ano que se passa. A banda retorna com seu quinto álbum de estúdio, intitulado The Long Goodbye, demonstrando um aprimoramento da estética desenvolvida ao decorrer de sua carreira.
Apresentando uma produção bem executada, a sonoridade do álbum se apresenta introvertida, melancólica e etérea. As distorções aplicadas nas guitarras se mantém como um dos pilares da sonoridade da banda, acompanhadas dos vocais rasgados de MXM, uma percussão que alterna entre momentos de uma levada mais calma à outros de ritmo acelerado, e por fim, o bom uso dos teclados. Tudo isso contribuiu para que a atmosfera do álbum se transformasse em algo bem carregado, envolvente e coeso.
A sonoridade feita pelo An Autumn for Crippled Children parece te acertar de todas as formas e por todos os lados. O contraste criado entre as guitarras no início da faixa "Converging Towards The Light" é um exemplo disso. Nesta faixa a banda demonstra um desenvolvimento impecável ao decorrer da faixa. As passagens mais atmosféricas são precisas e trazem uma grande sensação de agonia. Em "Only Skin", o início quase que minimalista é substituído por um instrumental numa levada mais calma, apresentando uma sequência de guitarras bem estridentes, acompanhadas por teclados marcantes e o vocal num tom equivalente ao do instrumental. É uma das melhores faixas do álbum. Em "Endless Skies", a banda aposta em batidas eletrônicas e teclados inicialmente, servindo como uma introdução. A leveza no teclado se mistura com as guitarras atordoantes e um instrumental bem sólido e ameno, trazendo várias alternâncias no ritmo e com o vocal de MXM sempre se destacando em todo momento que se faz presente.
The Long Goodbye é um álbum interessante e bem agradável para quem já conhece esse tipo de sonoridade, com diversas e belas melodias, além de um mix entre peso e suavidade muito bem feito. Odeio fazer comparações, mas de início achei ele superior ao Try Not To Destroy Everything You Love. Blackgaze, Post-Black Metal ou seja lá quais etiquetas e rótulos possam ser atribuídos ao som feito pelo An Autumn for Crippled Children, a banda é boa naquilo que se propõe a fazer. O álbum será lançado oficialmente amanhã, mas já está disponível para streaming via Spotify.
Tracklist:
01. The Long Goodbye
02. Converging Towards The Light
03. A New Form Of Stillnes
04. Only Skin
05. When Night Leaves Again
06. She's Drawning Mountains
07. Endless Skies
08. Gleam
09. The Sleep Of Rust
Ouça em: Spotify
Call of the Void - Ageless
Gênero: Grindcore / Crust / Hardcore
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Comentário: Qualquer dúvida sobre a qualidade do segundo álbum de estúdio do Call of the Void que eu poderia ter, desapareceu em questão de minutos. Bastou eu dar play em Ageless para notar que a banda não está para brincadeira.
Tracklist:
02. Truth In Bone
03. The Sun Chaser
04. R.I.S.
05. Black Ice
06. I
07. The Hive
08. Cold Hands
09. Long Knives
10. Honor Among Thieves
11. II
12. Ageless
Ouça em: Spotify
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