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domingo, 24 de janeiro de 2016
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BANDAS AMIGAS #10 - Cássio Figueiredo

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Confesso que é um pouco estranho chegar a esse momento da carreira de Cássio Figueiredo, quem um dia já fez parte da staff do Pignes e sempre será meu bom e grande amigo Cás. Até a própria afirmação ou questionamentos do sujeito – fazendo um trocadilho medíocre com uma das produções dessa “nova” fase que, por fim, não é uma fase e sim ao que parece o zênite de uma produção contínua ou quase contínua – me puxa lembranças e indícios de uma época que, agora, parece tão evidente que Cássio convergiria. Sempre fui muito fã de sua trajetória (sobretudo do ponto de vista estético da coisa), de ver alguém tão jovem com um peso artístico tão grande passado por nós de maneira sorrateira e que vem se consolidando com o tempo; como ele próprio me disse recentemente “você me viu crescer”. E vi, sim, cresceu como pessoa e como artista que, quase como um deja-vu, eu volto para falar da música do Cás aqui no site como um dia fiz em Less.

Cito Less porque vejo a essência do artista por trás da música transmitida de outra forma bem diferente. Neste tão antigo projeto, Cássio trazia uma reminiscência pesada do Metal efervescente da época (da nossa e da dele). Contudo, o modo caseiro e despretensioso de fazer a coisa, a subversão do feio como belo, o contrassenso da musicalidade e harmonia já presente em seus primeiros ensaios se arrastaram e se elevaram, ou melhor, decaíram (no sentido de "se recolheram", "tornaram-se intimista", "voltaram para dentro") faixa a faixa à medida que Cássio vinha se encorpando ao Noise, ao Shoegaze, ao Drone e às diversas experimentações que um artista pode fazer para expressar sua criatividade, até chegar ao momento mais intimista e maduro que eclode em seu último lançamento, Presença (2016), disco este que tem ainda a parceria com Cadu Tenório, quem por sua vez já foi citado em seu trabalho ao lado de Juçara Marçal aqui.

Esses dias, refiz quase toda trajetória de Cássio em sonoridade e fotografia, tracei as texturas e tudo me comove e leva a pensar que Presença é sim um disco pessoal – do artista para conosco e do artista para com ele –; não que os demais não sejam (sempre é), mas este em especial soa com um rito de passagem, o início ou fim de uma era; Cássio também me disse que talvez a diferença de Presença para os demais discos lançados foi seu tempo de maturação até ser de fato lançado. Como falei anteriormente, o que me chama atenção não é apenas a música dele em sua forma técnica, exposta na sonoridade de violão, violino, software, gaita, colagem de som digital, fita cassete ou, como ele mesmo me disse “objetos”. Contudo também a interligação da música com as sensações/emoções, historias por traz da criação (onde fez? como fez? por que fez ou pra quem fez?), a estética dos projetos e conceitos que, por sua vez, falam por si só.

Por fim, não adianta dissecar disco a disco, tendo em vista que Presença é evidente, porém não é o único. Cá presenciamos a notoriedade da música de um artista de muito tempo, onde Cássio Figueiredo traz vários projetos nas costas com músicas que precisam obrigatoriamente serem ouvidas e não explicadas, pois é sempre válido ressaltar que a música é acima de tudo subjetiva. Do meu lado, aquele que acompanha a trajetória, me faltam palavras para expressar o orgulho que sinto por esse menino (que sempre foi precoce) e digo, não apenas por mim, mas por todos os outros daqui do Ignes que são da mesma época que Cás, que este foi um bandas amigas que já um tempo devíamos a ele e, particularmente, escrevi com lágrimas nos olhos, pois levo ao sentido bem literal da ideia: amigo.

Less / Inutiargu / "Partir" de Projétil / Cássio Figueiredo / Soundcloud

Presença (2016)


O nome "presença", assim como a imagem escolhida pra ilustrar, foram questionados por mim como escolha pra esse trabalho durante todo o tempo que se passou desde o momento final das gravações até hoje, um dia depois de eu ouvi-lo finalizado pela primeira vez. Minha dificuldade de escrever sobre tudo o que aqui se manifesta perdurou por todo esse tempo e persiste até agora. Meu esforço e insistência em tentar descrever essa presença que sinto, o clima que me envolve, os símbolos que com tanta força tento interpretar da melhor forma possível. Está tudo aqui, disperso e junto, caótico e distinto, e minha carta de rendição a qualquer forma de separar criador e criatura.




Sujeito (2015)

A busca pela construção de um eu lírico sedento por identidade e por uma delimitação frágil o suficiente para admitir a ocorrência de posteriores alterações. 

Vejo o projeto como uma exposição do exercício reflexivo de um autor puramente empírico. Sem grandes pretensões, a minha intenção foi justamente a criação de uma obra relativamente não-convencional que expusesse da maneira mais egoísta (aqui no melhor sentido da palavra, se é que existe) o que provém de mim, das minhas experiências e impressões. 

Longe de ser a única leitura válida e que põe fim e limite ao EP, é antes apenas uma das várias que podem o preencher de significado, ou paradoxalmente o despir do mesmo, visto que é tão íntimo que pode chegar a não apresentar mesmo signo nenhum. 

"Sujeito" é uma exaltação ao modo corrente de percepção de si enquanto indivíduo. 

Enquanto indivíduo que ama, que sofre, que vive, que percebe, que conhece, que sente, e que pensa. 
E ao mesmo tempo que não está livre das amarras das suas próprias paixões, desejos, afetos, relações e ideias. 

Pois está e é sujeito. 

A si, e a todas essas coisas.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Ariel

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Sei que pensaram que 2015 não teria o seu apanhado por nós do que de melhor proporcionou, mas o intuito em postar os tops nesse início de ano foi para que nenhum disco lançado e escutado por nós durante o ano fosse injustiçado (sobretudo aqueles lançados em Dezembro), e seguimos ainda a linha do ano passado de posts individuais que tanto deu certo e pode expor a peculiaridade de cada um da staff do Pignes. Dessa vez em uma versão mais enxuta e breve (10 discos apenas), dos quais serão postados ao longo dessa semana, começando por mim (Ariel).

Este ano que passou foi daqueles cheios de reviravoltas, das bandas que lançaram seus discos mas não comoveram e daquelas que eclodiram surpreendendo a todos. Particularmente, 2015 foi o ano que escancarei a porta dos gostos e experimentações e fui do Black Metal ao Samba na mesma noite. E igualmente reafirmei a identidade com as bandas que contam a minha historia, me acompanham a vida.

domingo, 29 de novembro de 2015
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Porco na Cena #54 - Dia D Fest (Belém/PA)

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Certa vez me perguntaram “Por que você gosta desse tipo de música?”. Penso que algumas coisas não possuem muito lá coerência ou explicação – daquilo que certa vez falaram que estão além da nossa vã filosofia –; contudo ainda hoje busco uma resposta. Quiçá "este" seja o tipo de música para se apreciar em sua forma estrutural (com os riffs de guitarra, a imponência do baixo, a violência da bateria, a potência do vocal; as letras das músicas e suas origens, entre outras firulas), o tipo de música que trabalha em sua essência – sobretudo ao vivo – a atmosfera, as sensações e tudo que esteja próximo a isso. Como disse, ainda não tenho uma resposta à pergunta que me fizeram, mas após a noite de ontem, começo a crer que minha linha de pensamento não esteja tão errada...

No dia 28 de Novembro de 2015 (sábado/ontem), uma leva de pessoas vestidas de preto desceram a Av. Almirante Tamandaré na capital paraense rumo ao Insano Marina Club no intuito de assistir aos shows do festival feito em comemoração aos 30 anos de existência da banda Deliquentes, o Dia D Fest. Com 13 bandas autorais a se apresentarem e dois palcos (um de frente ao outro), o evento estava previsto para começar às 15hrs (com entrada gratuita até às 17hrs). Às 17, eu estava em uma fila enorme que teoricamente não deveria existir e lá fiquei por mais 40min. Não sei por qual motivo isso aconteceu, mas devido a isso infelizmente a maior parte das pessoas que já estavam por ali perderam o show da primeira banda SISA, inclusive eu. De qualquer forma, isso não foi de fato relevante perto do que veio a seguir e, para o post não ficar muito extenso, falarei dos três shows que mais gostei, até porque eu poderia resumir a noite de ontem em apenas uma palavra: Destruição!

A quinta banda a se apresentar (e a terceira em meu pódio) da noite foi a Sokera. Banda esta que, apesar de ser bem recente – formada ano passado – já carrega um EP nas costas e um público bem fiel e... brutal! Muito embora eu tenha passado o sábado inteiro ouvindo as músicas para me familiarizar mais com as bandas que não conhecia, ontem foi a primeira vez que vi a Sokera se apresentar ao vivo e uma das coisas que mais me chamou atenção foi a brutalidade com que o público recebe e concebe a sonoridade que a banda faz: um som cru e uma porrada seca (literal?). Aquele foi o show com a segunda roda punk (mosh ou seja lá como você chama) mais violenta, com direito a wall of death e um mortal pulado do palco como gatilho. Destaco ainda o coro no VAI SE FODER da música Evolução.



Muito embora eu seja 2 partes brutalidade para 1 parte introspecção, sempre serei a tiete e fã incondicional de contrabaixo, logo o segundo show do dia e também segundo lugar para mim foi o da banda Navalha, a qual eu não conhecia (nada mesmo) e me deparei com um contrabaixo de 6 cordas junto às batidas derradeiras de bateria. Navalha tem um som mais trabalhado, atmosférico e introspectivo... denso, em eufemismo. Chega a ser irônico a composição poética involuntária do sol se pondo e as águas da baia de Guajará baterem com o vento em conjunção às músicas do Navalha e um mix de cores do fim da tarde. Ao vivo parecia ter uma sonoridade mais pesada, no entanto, ainda intimista; embora tenha sido um show cedo e com um público um pouco menor em relação aos posteriores (pois ainda havia gente chegando), até isso condisse com o clima envolto a quem curtia a apresentação.


E, claro, ocupando o meu primeiro lugar está a banda Deliquentes, não porque era a anfitriã, porque era o show mais aguardado ou porque era comemoração de seus 30 anos de carreira, mas por vibração mesmo, o ápice da noite em tudo: vibe, público, quantidades de mosh, brutalidade em mosh eu que fui empurrada e fiz um strike nas pessoas atrás de mim, piração, etc, entre músicas novas como Fúria Urbana e músicas clássicas como Cemitérios; tudo em uma sequência de acontecimentos apoteóticos, como o momento que o vocalista Jayme Katarro pulou do palco e ficou rodeado da galera enquanto cantava. E, por fim, o show terminou com a clássica Planeta dos Macacos, um banho de espumante e essa bela foto aqui:
Foto por Icaro Lima.


P.S.: Deixo a menção honrosa ao show da banda Antcorpus (quarta banda a se apresentar), o qual foi brutal e também porque Thrash Metal sempre será aquele meu 1% vagabundo (ba dum tss). 

Evento Facebook

Bandas:
- SISA: Facebook / Bandcamp
- Navalha: Facebook / Soundcloud
- Blind For Giant: Facebook
- Antcorpus: Facebook
- Sokera: Facebook / Bandcamp
- DNA: Facebook
- The Last Machine: Facebook / Bandcamp
- Delinquentes: Facebook / Bandcamp / Soundcloud
- Rennegados: Facebook
- A Red Nightmare: Facebook / Site
- Briga de Bar: Facebook
- Insolência Públika: Facebook / Soundcloud
- Neuróticos: FacebookSite
terça-feira, 22 de setembro de 2015
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Hante. - Her Fall And Rise

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Gênero: Synthwave / Coldwave
País: França
Ano: 2014

Comentário: A tecladista/vocalista Hélène de Thoury é a cabeça pensante por trás de Hante. (em que a tradução literal seria “assombração”), este é um projeto solo e paralelo de Hélène, cujo trabalho já vem sendo consolidado em sua performance na banda Minuit Machine, esta por sua vez segue mais ou menos a mesma vertente de música eletrônica que Hélène apresenta em Hante e é igualmente encantadora. Contudo, ressalto que em seu projeto, a artista adota uma postura mais agressiva e por isso é necessário saber separar os trabalhos que, apesar de bem próximos (tanto no quesito estrutural da sonoridade e composição das músicas quanto na estética), são diferentes. Volto a dizer, Hante. tem uma pegada mais instigante em contraponto à introspecção dos synths de Minuit Machine.

Não me arrependo de meu Top Melhores de 2014, mas confesso que se tivesse escutado Hante. antes, seria com certeza mais uma dúvida pairando sobre minhas escolhas tendo em vista tamanha qualidade e potencial que este projeto traz. Se de um lado a estrutura instrumental de Her Fall And Rise é firulenta porque carrega os sintetizadores de Hélène na base, do outro é puramente crua porque este é o único instrumento musical físico de fato presente. No mais, Thoury leva Hante. no gogó. E ressalto: que voz desdenhosa! Muito embora, suportar o peso do resquício de Coldwave em uma estrutura de synths e vocais traga demasiadas responsabilidades, parece que a sonoridade de Hante. encaixa tão bem nessa forma de se fazer música que até aquelas velhas e duras linhas de contrabaixo típicas dessa vertente musical soam mais como caprichos do que essenciais.

Em suma, mesmo já ouvindo quantas vezes foi possível, eu ainda não sei o que me agrada mais: se é a pegada dark das batidas (um revival goth 80/90’s) ou a atmosfera de perigo ou alerta e escape que o disco vai te arrastando. Ele é volátil o que combina bem com a estética da artista e da artwork do disco (essa coisa abstrata e que se esvai) assim como sua brevidade. Her Fall And Rise é um disco de excessos (synths em excesso) bem dosados.

Facebook / Lastfm / Spotify

Tracklist:
01. Falling From Grace
02. Damages
03. One More Dance
04. Beyond The Waves
05. The Storm
06. Il n'y a qu'un pas
07. This Morning of September

Ouça: Bandcamp

domingo, 8 de março de 2015
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Lebanon Hanover - Besides The Abyss

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Gênero: Coldwave / Post-Punk / Minimal
País: UK
Ano: 2015

Comentário: Uma das coisas que sempre me abalou em Lebanon Hanover é delicadeza decadente e poética da arte sonora e, curiosamente, também visual da banda. Reconheço que prezo muito pela estética e me deparar com os filtros, lugares, cores e synths de Lebanon Hanover chega a doer de tanta paixão! Sobretudo, porque nunca uma banda conseguiu personificar ou materializar sensações da sonoridade de suas músicas de forma tão harmoniosa como LH. As capas dos discos falam por si próprias (e isso desde o primeiro disco lançado The World is Getting Colder, o qual postei aqui).

Com uma sonoridade mais disforme nos quesitos sintetizadores e riffs psicodélicos estendidos, Besides The Abyss parece ser o disco mais introspectivo já lançado por Lebanon Hanover. Retornei para Tomb For Two e sua Gallowdance (postados aqui), como também voltei ao (ultra)romantismo de Why Not Just Be Solo com suas Northern Lights e a crueza belíssima (ainda em primeiro lugar de meu pedestal lebaniano) de The World is Getting Colder e seu “Die World”. De fato, Besides The Abyss tem sim um caráter mais intimista, seja pela composição sonora, pela proposta do disco ou as letras das músicas.

A estrutura musical de Lebanon Hanover é a mesma: o vocal cru, grave e gélido de Larissa (que ainda canta em alemão) com o vocal emotivo de William, junto aos supracitados synths disformes, linhas de baixo duras e riffs canalhas psicodelicamente estendidos em uma composição minimalista e trevosa – daquela velha tentativa de revival goth 80’s que a banda carrega. Besides The Abyss soa ser uma noite mais escura e fria às criaturinhas cheias de clichês que vagam solitárias e de preto por aí. Como uma vez disse, Lebanon Hanover é coisa finíssima!

Facebook || Last.fm || Bandcamp || Soundcloud

Tracklist:
01. Hollow Sky
02. The Crater
03. Fall Industrial Wall
04. The Chamber
05. The Well
06. The Moor
07. Broken Characters
08. Chimerical
09. Dark Hill
10. Spirals

Download: Bandcamp

quarta-feira, 4 de março de 2015
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Suicidal Romance - Rêves & Souvenirs

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Gênero: EBM / Industrial
País: Estônia
Ano: 2015

Comentário: Preciso dizer que ao me deparar com este disco o qual posto cá, meu coração imediatamente transbordou de amor. O mix de sutileza e devastação de Rêves & Souvenirs pode conquistar tanto os corações sentimentais quanto os mais brutos e gélidos. Isto porque ele é resultado do melhor de três discos (“Love Beyond Reach”, “Shattered Heart Reflections” e “Memories Behind Closed Curtains”) lançados ao longo da carreira turbulenta de Suicidal Romance; a qual foi formada em 2006 e traz Viktoria Seimar (voz principal), Dmitry Ivanov (compositor e segunda voz) e Maarja Korstnik nos sintetizadores.

Para mim, Rêves & Souvenirs é um excelente disco para se conhecer o trabalho de Suicidal Romance, pois traz as principais características do grupo: infantis vocais femininos em contraponto a vocais rasgados masculinos (em uma espécie de “a bela e a fera” vocal) sobre uma batida rápida e voraz (alguma coisa Techno / Música de Boate / Afins). Apesar de conter músicas com levadas dançantes, Rêves & Souvenirs possui uma sutileza que muito me lembra o Futurepop.

Lembra-me até mesmo Blutengel – nos seus momentos mais alucinantes –  em algumas passagens. Em outros momentos, em uma batida lamuriosa e estendida, lembra-me um pouco o tipo de “dramatização sonora” que Otto Dix utiliza. E as influências reveladas pela banda vão além, passando por Frozen Plasma e In Strict Confidence. Algo que apenas reforçar o caráter doce / bruto de Rêves & Souvenirs.

Destaque para faixa 4, "Whisper Goodbye".

Site Oficial / Facebook / Last.fm

Tracklist:
01. Make Me Blind
02. Hold Me
03. Lose Your Fears
04. Whisper Goodbye
05. Build Me A Heart
06. Call Me
07. Ecstatic
08. Not Alone
09. Touch
10. Remember Me
11. White Snow
12. Dreamers
13. Remember Me (Emphasis Cover)
14. Not Alone (Blutengel Remix)
15. Touch (ES23 Remix)

domingo, 1 de março de 2015
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Fifty Shades of Grey - OST

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Gênero: Jazz / Blues / Pop
País: EUA
Ano: 2015

Comentário: Se analisado de uma forma superficial, o filme conta sim uma sequência lógica dos fatos; muito embora, ao ler o livro, os fatos ficam mais lúcidos na historia, se comparados a Crepúsculo, por exemplo. É óbvio que dificilmente alguém assistirá ao filme sem sequer ter qualquer ideia sobre a historia. Terminei de ler recentemente o primeiro livro e reconheço que a escrita de E L James me irrita um pouco (principalmente nas partes de “deusa interior” e “inconsciente”). E quando penso que vim de uma escola erótica pautada nas obras de Anais Nin, percebo quão a autora precisa ainda amadurecer.

Comparo muito a trilogia de 50 tons à saga Crepúsculo. Sim, da saga, eu li 3 dos 4 livros e assisti a todos os filmes; por isso, quando digo que 50 Tons de Cinza nem de longe te faz querer ter um AVC nos primeiros 5 minutos de filme é porque sei do que estou falando! Contudo, é inegável a concepção clichê das inseguranças de um determinado tipo de mulher que se vê envolvida por um cara que igualmente se contrapõe no quesito qualidades e que faz a linha “podre de rico e problemático” e que te quer a qualquer custo. De qualquer forma, meu intuito nesse post não é a historia, pois cada um deve e pode tirar suas próprias conclusões.

Então, o que realmente foi relevante e me deixou estarrecida ao assistir o filme foi a trilha sonora. Não acompanhei as notícias pré-estreia do filme, logo, não sabia que o responsável pela OST seria o maravilhoso Danny Elfman. Claro, para quem está acostumada a uma versão dark ou deep de filmes que Danny costuma assinar a trilha sonora, eu jamais esperaria que seria ele em 50 tons e também não esperava a sequência maravilhosa de músicas.

Podemos sim afirmar que Danny foi muito feliz na escolha das músicas cuja sonoridade remetia a um clima erótico, possesso e/ou romântico. E, mais incrível que isto foi o fato de serem músicas atuais, de uma maneira geral, e que ainda houve espaço para formação clássica de Elfman. No entanto, a essência é erótica e acredito que não fui a única a se surpreender, por exemplo, com a versão de Crazy In Love tocada no filme, a qual foi direto para minha lista de músicas que superaram a versão original! Em suma, acredito que a trilha sonora acabou roubando a cena e, por vezes, até mesmo se sobrepondo às atuações. É uma sequência de músicas envolventes e lindas que devem ser escutadas independentes ao filme.

Site Oficial / Trailer

Tracklist:
01. Annie Lennox - I Put A Spell On You
02. Laura Welsh - Undiscovered
03. The Weeknd - Earned It (Fifty Shades Of Grey)
04. Jessie Ware - Meet Me In The Middle
05. Ellie Goulding - Love Me Like You Do
06. Beyonce - Haunted (Michael Diamond Remix)
07. Sia - Salted Wound
08. The Rolling Stones - Beast Of Burden (Remastered)
09. AWOLNATION - I'm On Fire
10. Beyonce - Crazy In Love (2014 Remix)
11. Frank Sinatra - Witchcraft (2000 Remaster)
12. Vaults - One Last Night
13. The Weeknd - Where You Belong
14. Skylar Grey - I Know You
15. Danny Elfman - Ana And Christian
16. Danny Elfman - Did That Hurt?

Ouça: Spotify

domingo, 14 de dezembro de 2014
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Friends of Alice Ivy - The Golden Cage And Its Mirrored Maze

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Gênero: Darkwave, Ethereal, Neoclassical
País: Australia
Ano: 2014

ComentárioE cá estou eu trazendo justiça a um dos discos que não pude colocar no Top 2014. Friends of Alice Ivy passou perto, todavia infelizmente não tive tempo suficiente de absorver a beleza estética Steampunk em forma de romance e sonoridade de The Golden Cage And Its Mirrored Maze – muito embora eu saiba que não teria onde alocá-lo. De qualquer forma, 2014 não pode acabar sem mais esta citação.

Formada em 2007, pela vocalista Kylie e o músico Amps, os mesmos vinham de uma banda chamada Ostia, nos anos 90. Também seguindo a linha Ethereal/Darkwave. Contudo, passado tempo e amadurecimento, Kylie e Amps se juntaram para formar suas próprias canções que figuram curiosamente entre os gostos por Cocteau Twins e Dead Can Dance.

De um lado temos a delicadeza dos celestiais vocais de Kylie: doces, agudos, longínquos e oníricos. Do outro, o instrumental de Amps é minimalista, psicodélico e que decorre a seu tempo. Para mim, The Golden Cage And Its Mirrored Maze é uma viagem solitária, em tons quentes e irreiais de neon que deve ser concebida na totalidade (dificilmente após ouvir a primeira música, você irá querer parar). Este disco corre uniforme, mas igualmente em evidência de sua qualidade.

Site Oficial - Facebook - Lastfm - Spotify

Tracklist:
01. The Aerial Mariners
02. Song of Lyra
03. Miranda
04. False Fox
05. The Sky of the Bright Unfoldings
06. Igraine
07. Oars Under Glass
08. Song of the Willows

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
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Os Melhores Discos de 2014 por Ariel

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Apesar de em um primeiro momento pensar que 2014 foi um ano ruim de lançamentos, agora que chego tão arduamente a esta lista, vejo quão estava errada. Acredito que todo mundo deve ter ouvido pelo menos 15 álbuns de 2014, se não ouviu, tenho certeza que chegou perto! Eu devo ter ficado lá pelos 24 discos. E, como diria Bruno, "cada álbum deixado de fora foi uma lágrima". Sendo assim, eu tive de negligenciar alguns nomes veteranos em justiça aos discos que figuraram meu ano, daqueles que foram belos por natureza, porém e sobretudo, daqueles que me exortaram, seguraram minhas dores e me esvaíram os pesares.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014
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Porco na Cena #46 - Zombie Walk Belém 2014

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Para quem não sabe (se é que alguém não sabe), Zombie Walk é um flash mob, em que os participantes se reúnem caracterizados de zumbis em um determinado local e fazem uma caminhada a partir dele, onde passam por shoppings, parques ou lugares de grande concentração pública. Reza a lenda que a primeira Zombie Walk (ZW) aconteceu na Califórnia (EUA) e outra lenda diz que foi em Toronto (Canadá), em 2003. No Brasil, a primeira Zombie Walk foi em Belém/PA; isto porque aqui, ela ocorreu no dia 29/10/06 (eis uma amostra do "ataque" daquele dia → aqui) e a de São Paulo, no dia 02/11 do mesmo ano. Eu (Ariel) só comecei a participar de 2008 em diante.

domingo, 5 de outubro de 2014
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Winter Severity Index - Slanting Ray

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Gênero: Coldwave, Pós-punk
País: Itália
Ano: 2014

Comentário: Após séculos de reclusão na torre mais alta do reino mais distante, onde permaneci imóvel como uma gárgula, sofrendo da sede pelos lançamentos de 2014 que não vieram – ou não surpreenderam/agradaram. Eis que de em gota em gota, vez ou outra, brota um disco que faz este ano valer alguma coisa (musicalmente falando), como Slanting Ray do duo Winter Severity Index.

Formado em 2009 no formato clássico de banda com 4 integrantes e renascido em 2012 como um duo de Simona Ferrucci (voz, guitarra, baixo e bateria eletrônica) e Alessandra Romeo (teclado e sintetizador), Winter Severity Index possui não mais que dois EP's,  e o de maior expressão lançado em 2013 sob o nome de Survival Rate, onde você pode ouvi-lo aqui.

Em Survival Rate é possível perceber a crueza típica das primeiras gravações de qualquer banda. Muito embora a nível de pós-punk, em 80% dos casos, o cru é mais exaltado que as firulas, o caso de Slanting Rate é um pouco mais específico pela atmosfera presente no disco, que muito me lembra os synths/samples sombrios de Clan of Xymox e The Frozen Autumn (a faixa 6, Fishblood, é um exemplo audível disso).

É claro que a primeira coisa que me chamou atenção nesse disco foi a capa! E, convenhamos, que capa! Não só a imagem em si, mas as fotos promos de Slanting Ray também chamam atenção e onde você pode conferir aqui. E, devo dizer, a minha preferida é essa aqui. Enfim, ressalto o visual pois ele personifica o sonoro. Este é um disco de samples, com vocais disformes e oníricos que merecem ser absorvidos em plenitude!

P.S.: Obrigada, Lux, por ter upado para mim! 

Facebook / Lastfm / Soundcloud / Bandcamp

Tracklist:
01. At Least the Snow
02. Ordinary Love
03. A Sudden Cold
04. Bianca
05. The Brightest Days
06. Fishblood
07. Lighting Ratio
08. No Will
09. Compulsion
10. Embracing the Void

Download: Mega

domingo, 16 de fevereiro de 2014
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Astari Nite - Stereo Waltz

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Gênero: Pós-Punk, New Wave, Indie, Darkwave
País: USA
Ano: 2014

Comentário: Após longo exílio em terras cruéis existentes por trás do logof, tento voltar lentamente a esta casa que, mesmo ausente, ainda acompanho. Então, sem escrachar com pé na porta, venho cá com sutileza, dessas que não pedem para entrar, mas igualmente não arrombam e transformam a atmosfera aos poucos, eis: Astari Nite.

Esta é uma banda recente, formada em 2010 de uma maneira casual e despretensiosa. Composta por Mychael Ghost (vocal), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo), e apesar de possuir uma formação crua, produz um som bem trabalhado, encharcado de synths e programação. As primeiras músicas autorais vieram em 2011 e foram lançadas em singles quase isolados entre 2011 e 2013, até finalmente convergirem e emergirem em Stereo Waltz, que se posta como um álbum de músicas “velhas”.

Confesso que, invariavelmente, a primeira coisa que me chamou atenção em Stereo Waltz foi a capa BELÍSSIMA (sim, escrito em caixa alta para reafirmar a beleza) dele! E, claro, depois as próprias músicas que revelam uma leveza sequencial e transformadora. Estes norte-americanos foram buscar na Darkwave a atmosfera única de Stereo Waltz, a qual é imperiosa e não há como não se envolver!

Há também várias passagens sonoras que tonalizam as músicas como algo retrô, daquilo dançante que ficou perdido entre os anos 80 e 90 em bandas como Depeche Mode e, algumas vezes, New Order (os sintetizadores da faixa 5 “I.O. 1987”, por exemplo, mostram isso). Eu ainda posso jurar que tem algo "gaze" nele. Em suma, Stereo Waltz é um apanhado de sonoridades que oscilam entre oitentista, goth, indie, pós-punk, revival e tudo mais, em uma sensação de deja-vu sonoro, quando pensamos “Ei, eu já ouvi isso em algum lugar!”. Quiçá, já em Janeiro, tivemos um dos melhores álbuns do ano e ainda não sabemos!

P.S.: Vale a pena também conferir o videoclipe da música "Pyramids" (faixa 3).

[ Facebook / Bandcamp / Lastfm ]

Tracklist:
01. Contentment
02. Astrid
03. Pyramids
04. Coven
05. I.O. 1987
06. Prayer for Lovers
07. Violently We Try
08. Wendy Darling
09. Red Letter Day
10. Waves

[ Mega ]

sábado, 21 de dezembro de 2013
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True Widow - Circumambulation

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Gênero: Stoner Rock, Shoegaze
País: USA
Ano: 2013

Comentário: O trio definido como Stonegaze e que também é descrito como o encontro sonoro de Black Sabbath e My Bloody Valentine; dos riffs brutos, vocais etéreos, da temporalidade musical preguiçosa e que já foi lindamente resenhado pelo Rômulo no álbum As High As the Highest Heavens and from the Center to the Circumference of the Earth, lançou em Julho desse ano seu terceiro full-lenghty intitulado Circumambulation.

Este álbum é contextual – assim como a banda de uma maneira geral. Possui músicas que, para quem gosta de novidades e mais “animação”, dificilmente gostaria. São densas. Correm em uma temporalidade própria e lenta (bem lenta). Toda parte instrumental se arrasta e reverbera junto aos vocais de Dan Phillips e Nicole Estill. De uma maneira geral, essa crueza das guitarras de True Widow que soam não necessariamente harmônicas, me atrai no sentido de relaxamento e perturbação. Há uma atmosfera paralela e introspectiva característica do Shoegaze com uma tonalidade “caótica” do Stoner.

Circumambulation não é uma "novidade". Tanto é que, de todos os Top’s The best of 2013 publicados (incluindo o nosso) esse mês que eu vi, apenas um o citou (uma pena!). Circumambulation se resume a mais oito faixas de um álbum que você vem escutando há mais de sete anos. E, particularmente, eu escutaria por mais sete anos e depois mais sete e assim por diante, e todas as vezes me deixaria levar solitária e perdidamente encantada por True Widow!

[ Facebook / Lastfm / Bandcamp ]

Tracklist:
01. Creeper
02. S:H:S
03. Fourth Teeth
04. Numb Hand
05. Trollstigen
06. I:M:O
07. HW:R
08. Lungr

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
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Os 50 Melhores Discos De 2013

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Demorou, mas saiu. Eis a lista com os 50 melhores discos na opinião da vasta equipe do Pignes. Uma lista que reflete perfeitamente o ecletismo de nossos colaboradores, indo do pop chiclete de MIA ao black metal do Peste Noire, passando ainda pelos Stoner Rockers do Red Fang, o rapper Kanye West, o shoegaze do My Bloody Valentine, entre outros vários que passaram pelo blog neste que foi um grande ano para os fãs de música.  E agora, nos dias finais de 2013, é a hora de relembrar os discos que nos fizeram passar pelos dias com mais facilidade, pois a música, a música é o que nos move.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
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M!R!M - It's Not Enough Anymore (EP)

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Gênero: Pós-Punk, "Shoegaze", Noise
País: Itália
Ano: 2011

Comentário: Nunca um EP de uma banda desconhecida foi tão despretensioso e, ao mesmo tempo, voraz, doentio e caótico nesses anos posteriores à eclosão do pós-punk 80's! O jovem rapaz Iacopo Bertelli é a mente por trás de M!R!M, um projeto que nasceu entre as quatro paredes de seu quarto e alguns lançamentos, agora em Dezembro (mais ou menos uma semana atrás) lançou seu debut “Heaven”.

Mas, calma, você não precisa voltar ao topo da postagem para constatar que eu não estou postando Heaven (que você pode ouvir aqui). Pois, a meu ver, M!R!M atingiu sua perfeição em It's Not Enough Anymore e, de algum modo, apesar da sonoridade cativante, Heaven não me agradou muito – sobretudo pelo vocal aquém do que realmente gosto. Ironicamente, It’s Not Enough Anymore destoa de todos os outros lançamentos da banda, pois até mesmo o EP que o precede (“Enjoy Your Sorrow”, lançado também em 2011) não me fez querer dar o “replay”.

Álbum despretensioso porque, de algum modo, interliga as primeiras produções de M!R!M até seu supracitado debut e, por isso, acabou sendo "ofuscado". E voraz porque pertence à linhagem devastadora do pós-punk de passagens rápidas e batidas imponentes. Por sua vez, a parte caótica e doentia fica por conta das guitarras distorcidas e synths barulhentos em uma espécie de Shoegaze bem denso que beira o Noise ou alguma coisa assim ou próxima a isso, junto aos vocais igualmente distorcidos. É um álbum difícil de definir e do qual não devemos esperar qualquer sossego! 

Bandcamp / Facebook ]

Tracklist:
01. Sailor’s Promises
02. No Way
03. Shapes of Sunset
04. Deep Throat
05. P/A/N/T/E/R/A

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domingo, 15 de dezembro de 2013
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Blutengel - Monument

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Gênero: Darkwave, Gothic Synth, Dark Electro
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Em algum momento no passado, li um artigo de revista que falava sobre os vários tipos de vampiros, seus poderes, fisiologia, proveniência e maldições. Blutengel, por sua vez, conta os vários tipos de sentimentos que um vampiro poderia ter. É a narradora de um ser amaldiçoado e seu pacto com o diabo, onde adquire sua “meia-vida”. Em Monument, a historia contada é daquele que já sente o peso da eternidade e sua inevitável solidão.

Se de um lado temos a perspectiva contemporânea de vampiro: alguém que vive em casarões antigos e usa roupas de látex justíssimas ou formais no estilo mais clássico do que é concebido como gala – e aqui cabe a observação da verossímil semelhança da arte de Monument para Underworld (o filme); exposta em figurinos e tonalidades das cores nas fotografias (será que só eu percebi isso?). Do outro temos todos os clichês românticos, dramáticos e existenciais – típicos de Blutengel – passíveis de tal perspectiva.

A temática do amor é uma constante em Monument, porém como um amor proibido ou que, por algum motivo, não pode ser concretizado e, por isso, machuca. O álbum começa e termina com a mesma música pós-apocalíptica que, por fim, acaba deixando margem para um novo começo. O primeiro single lançado é também a segunda faixa do álbum, Save Our Souls, uma crítica um tanto quanto ácida cuja fotografia e lugar do videoclipe são belíssimo! O segundo single, You Walk Away, é a faixa que destaquei pelo clichê dramático e pela bela batida introdutória da música (confesso). Por fim, o terceiro single Kinder Dieser Stadt – faixa 3 – é uma das amarras dos sentimentos e ideologias ao “vampirismo” (e eu devo dizer que, além de ter um videoclipe bonito, até agora é uma das minhas preferidas do álbum; quiçá, perdendo apenas para Uns Gehort Die Nacht e All These Lies).

Em suma, fazia tempo que não tínhamos uma Blutengel tão pesada e dançante. Há quem diga que Monument é o ápice, que estas são as músicas que consolidam a sonoridade de Blutengel e que é de certa forma questionador pelo que virá depois. Particularmente, eu discordo; acho que isso foi feito lá em 2007 com meu tão amado Labyrinth. Contudo, Monument ainda é um marco e, seja lá o que vier, terá de suprir muitas expectativas. Então, carpe Monument!

P.S.: Lembrando que já postei a discografia de Blutengel aqui.

[ Myspace / Site Oficial / Lastfm ]

Tracklist:

CD 1:
01. A New Dawn To Rise (Intro)
02. Save Our Souls
03. Kinder Dieser Stadt
04. All These Lies
05. Tears Might Dry
06. Uns Gehort Die Nacht
07. Die Zeit
08. When I Feel You
09. Willst Du?
10. Nie Mehr
11. You Walk Away
12. Deine Welt
13. Lebensrichter
14. Monument

CD 2:
01. Legend Part 1
02. A Place Called Home
03. Tod_Sunde
04. One Voice
05. Wake Me Up
06. Konigin Der Nacht
07. I Am
08. Legend Part 2

CD 3 (Dark & Pure):
01. No Eternity (Piano Version)
02. Weine Nicht Um Mich (Piano Version)
03. Time (Piano Version)
04. Save Me (Piano Version)
05. Am Ziel (Piano Version)

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
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White Lies - Big TV

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Gênero: Rock Alternativo, Indie, Pós-punk
País: UK
Ano: 2013

Comentário: Em minha humilde opinião, de tudo que foi lançado em 2013 e ouvi, Big TV foi o terceiro melhor álbum – ficando atrás apenas de Centhron com seu imbatível Asgard e Ordo Rosarius Equilibrio em seu single sadomaso/ocultista 4Play. Devo ressaltar – já me desculpando pela poseragem – que gostei TANTO desse álbum que nem me sinto preparada para ouvir os outros dois álbuns lançados por White Lies (To Lose My Life, lançado em 2009, e Ritual, lançado em 2007). Então, não reparem na rasgação de seda, mas eu que gosto da brevidade, Big TV (com suas 19 faixas) foi um soco no estômago!

Em sua estrutura, White Lies nasceu ainda durante a escola com Charles Cave (baixo e backing vocals) e Jack Lawrence-Brown (bateria), pois estudavam e sempre tocaram juntos. Harry McVeigh (vocal e guitarra) apareceu alguns anos depois e o trio formou a Fear of Flying, banda esta que, apesar de possuir o line-up básico de White Lies (durante as performances ao vivo, White Lies é complementada por Tommy Bowen nos teclados), ainda não era de fato a banda. Como Fear of Flying, os integrantes a encaravam como um “projeto de fim de semana”, apesar de terem lançado singles e começarem a abrir shows para bandas mais conhecidas. Os membros amadureceram e decidiram dar um tempo, pois Fear of Flying não existia mais em sua ideologia. Por fim, a banda fez o seguinte pronunciamento no Myspace: “Fear of Flying is DEAD... White Lies is ALIVE!”. Assim, em 2007, surge White Lies!

Em um apanhado geral, a sonoridade da banda em Big TV é uma mistura intimista de revival pós-punk – e eu posso estar exagerando, mas tem sim algo de qualquer uma dessas bandas perdidas do final dos anos 80 e início dos anos 90 que “passeavam” pelo pós-punk – de bases alternativas e indies a la Interpol. E aqui devo ressaltar que, na minha concepção de Pós-punk, a influência é tímida, apesar de que tem algo de “old” nesse álbum que me atrai e me prende perdidamente, e ainda me leva a pensar que essa proximidade com Alternative/Indie de Interpol é leviana (é, não gosto de Interpol)!

Big TV é um álbum para se tomar cuidado devido sua dualidade: É um álbum alegre que converge à introspecção. Isto porque é dividido entre as versões oficiais – que são sonoramente mais animadas – e as demos de algumas músicas – que, por sua vez, ganharam versões mais lentas e reflexivas. Adivinha quem chorou horrores ouvindo Be Your Man (faixa 8)? E, sim, nas duas versões! Essa dualidade é explícita também na temática das letras das músicas que falam dos sentimentos recorrentes e sôfregos do ser humano, do ponto de vista pós-moderno; dentre eles, o amor e a solidão.

Big TV (faixa 1) foi a primeira que ouvi do álbum e esta foi implacável! Para mim, é a música que melhor representa o álbum com um todo, tanto em sua sonoridade – nos seus inusitados synths de bate-estaca que anunciam as surpresas sonoras que virão; e digo surpresa porque sonoramente em Big TV é fluida e inconstante; ou seja, para quem está acostumada à mesmice das bandas de Ethereal como eu, por exemplo, Big TV é uma anomalia! – quanto na letra da música, que é repetitiva. No fim, quem não gostar de Big TV (a música) dificilmente gostará de Big TV (o álbum), por isso, deixo-a como amostragem. Mas também destaco o videoclipe retrô de There Goes Our Love Again (faixa 2), a baladinha Change (faixa 7) e Getting Even (faixa 6) – também nesse misto de sentimentos opostos e simultâneos – e a segunda versão de Big TV, que também é linda!



Tracklist:
01. Big TV
02. There Goes Our Love Again
03. Space I
04. First Time Caller
05. Mother Tongue
06. Getting Even
07. Change
08. Be Your Man
09. Space II
10. Tricky To Love
11. Heaven Wait
12. Goldmine
13. Big TV (Demo)
14. There Goes Our Love Again (Demo)
15. First Time Caller (Demo)
16. Mother Tongue (Demo)
17. Getting Even (Demo)
18. Be Your Man (Demo)
19. Tricky To Love (Demo)

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Faixa 1: Big TV

sábado, 7 de dezembro de 2013
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Corde Oblique - Per Le Strade Ripetute

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Gênero: Neofolk, Ethereal, Neoclassical
País: Itália
Ano: 2013

Comentário: Não tem jeito, Corde Oblique é o tipo de banda com músicas sonoramente homogêneas – aquelas que não adianta você esperar inovações mirabolantes, pois estas não virão. As músicas são "semelhantes" e, assim, um álbum se emenda ao outro no tempo. Mesmo Per Le Strade Ripetute sendo seu quinto álbum, as músicas dele não diferem tanto daquelas produzidas nesses oito anos de existência. Algo que para mim não interfere nem um pouco na magnitude e paixão pelo trabalho de Riccardo Prencipe.

Contudo, este álbum o qual posto cá é abusivo quanto à sua identidade – delineada e subjetiva. Para quem ouve pela primeira vez, é inegável que a voz dulcícola de Floriana Cangiano (vocalista mais evidente nesta obra) soa, em um primeiro momento, meio Laura-Pausiniana. A cantora abre o álbum declamando os primeiros versos de Averno (faixa 1), após 20 segundos dramáticos de violino e violão. Este drama figurará o encerramento do full-length, quase da mesma maneira: entre choros graves de violinos que correm rápido, silenciam e se esvaem para dar lugar a uma lamentação singela, fugaz e surpresa de violão nos minutos finais de Uroboro (faixa 11).

Enquanto já partimos de Averno e não chegamos em Uroboro, passaremos por Saramago; pelas metamorfoses inexoráveis do ser humano e sua constante procura pela felicidade/paz; pela gravação natural dentro de um templo "fantasma" próximo a Nápoles (Itália) de Riccardo e seu violão (vídeo); por uma declamação atmosférica de hino à deusa Hera; entre outras surpresas que chegam e partem nos levando para o fim do álbum – além de uma interpretação lindíssima em cordas de Requiem for a Dream. Ressalto eufórica que Per Le Strade Ripetute é um – quiçá, O – álbum mais encorpado, de músicas e tons mais intensos em um turbilhão de provocações sonoras que permeiam o clássico e o acústico!

P.S.: Vale lembrar que tem a discografia de Corde Oblique no blog → aqui.

Site / Lastfm / Myspace / Facebook ]

Tracklist:
01. Averno
02. Il Viaggio di Saramago
03. My Pure Amethyst
04. In the Temple of Echo
05. Bambina d’Oro
06. Heraion
07. Due Melodie
08. Le Fontane di Caserta
09. Requiem for a Dream
10. Ali Bianche
11. Uroboro

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
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The Hunt - The Hunt Begins

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Gênero: Pós-punk, Indie, Alternative
País: USA
Ano: 2013

Comentário: No quesito Pós-punk, 2013 foi um ano prolífero e mais-que-bendito! Para mim, trouxe três grandes revelações do gênero: a primeira foi The Woken Trees com seu debut barulhento NNON, postada por mim mesma. A segunda foi Savages com seu Silence Yourself, filha ingrata postada por Marcos. E por fim, em uma surpresa no finalzinho do segundo tempo, a terceira foi The Hunt!

Não me perguntem muita coisa sobre The Hunt, pois ela ainda é um desses enigmas que são jogados no underground e nós temos o privilégio de esbarrar. Todavia, sua história se entrelaça à banda de pós-industrial Cult of Youth, haja vista que o baixista (Jasper McGandy) e o tecladista/guitarrista (Christian Kount) desta – antes de entrarem para Cult of Youth – foram os fundadores de The Hunt, lá em 2007. Na época, Jasper atendia por J. Vigil – e a voz eufórica em The Hunt Begins é dele! –; Christian ficou nos sintetizadores junto a Frankie, enquanto M.O.B. assumiu a guitarra. O resultado disso foi um LP gravado em 2009 de um pós-punk sujo que nunca fora lançado!

Então, The Hunt Begins nada mais é que um álbum póstumo. Sim, porque The Hunt não existe mais! Este ano, em comemoração aos 100 discos lançados pelo selo, Sacred Bones – gravadora que lançou nomes como Zola Jesus – decidiu resgatar essa pérola e lançá-la, a qual fez tanto sucesso que The Hunt “ressuscitou” excepcionalmente e entrou em turnê. E, convenhamos, existe coisa mais pós-punk que querer beber novamente de uma fonte que secou há anos?!

Em sua estrutura, The Hunt Begins tem toda fúria do contrabaixo que um Pós-punk que se preze tem, junto às batidas firmes e passagens rápidas de bateria, enquanto a guitarra emerge distorcida ou simplória auxiliada pela euforia da voz grave de Jasper. Apesar de ter uma nítida influência da contemporaneidade do Indie/Altenative, pela energia que o álbum em sua totalidade transmite, há também certa influência Punk, não apenas na sonoridade quanto na brevidade das músicas ferozes (The Hunt Begins tem 36 min de duração).

A música em destaque no post é a primeira faixa, The Mountains, e é indubitável o impacto que ela traz do álbum como um todo. Mas também destaco Fifteen Minutes (faixa 2) a qual foi recebida pelo público como um misto de The Cure e Joy Division (?). A potência imponente e romântica de Summer of Hate (faixa 3). A introdução de Set the Rising Sun (faixa 4) que, por incrível que pareça, me lembrou uma versão Pós-punk de Arctic Monkeys. Black and White (faixa 5) é uma das músicas mais furiosas do álbum para mim.  Enquanto a faixa seguinte, Scripts, é a que mais se aproxima da sonoridade da supracitada Joy Division. Trainwreck (faixa 7), por sua vez, já nos deixa em clima de despedida – seria uma boa música para finalizar o álbum, muito embora One Thousand Nights (faixa 9) cumpra bem seu papel. Por fim, eu não gosto nem de imaginar o estrago que esse tipo de som faria em uma festa!


Tracklist:
01. Mountains
02. Fifteen Minutes
03. Summer of Hate
04. Set the Rising Sun
05. Black and White
06. Scripts
07. Trainwreck
08. When The Sky Turns Black
09. One Thousand Nights

Download: Mega / 4shared

terça-feira, 3 de dezembro de 2013
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Evile - Skull

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Gênero: Thrash Metal
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: Esta brutalidade sonora foi herança de meu grande amigo e ex-upador Násser, quem nos presenteou ano passado com a belíssima Discografia de Evile. Banda, esta, que traz a peculiaridade de resgatar o Thrash Metal perdido lá nos anos 80. E para os novatos como eu, já digo que, para quem ouve a banda pela primeira vez, será inevitável à comparação ao Metallica, sobretudo devido ao timbre do vocalista Matt Drake. No entanto, à medida que as músicas passam e reaparecem no inevitável replay – afinal, é muita quebradeira para se ouvir só uma vez! –, você meio que acaba se acostumando e encontrando a idoneidade da banda!

Lançado em Maio deste ano, Skull é o quarto álbum da banda e aparece entre um dos álbuns mais bem produzidos da banda e digo isso levando em consideração o primeiro álbum, cujo vocal mais irrita que agride! Para quem é um ogro das antigas e curte o feijão com arroz bem feito, mas gosta de acrescentar/inovar Skull é o álbum do ano. Afinal, apesar de figurar como um álbum do Thrash Metal Classicão, Skull tem variações mais evidentes dentro do gênero (o que de algum jeito também é uma característica de Evile).

Começa com uma porrada no ouvido de Underworld e segue selvagem até a faixa nº5 – Tomb –, uma quase baladinha que deixa 7 minutos para você respirar e prepara o terreno para faixa seguinte, Words of the Dead, música esta com uma guitarra mais caótica e uma expressão maior do baixo. A partir daí o peso uniforme com as inúmeras variações de ritmos dentro de uma mesma música continuam até a apoteótica A Sinister Call que, em suma, é o "prelúdio desgraçado do fim" (destaco a ambiguidade destas palavras devido à introdução instigante da música e, em minha humilde opinião, uma das melhores do álbum, da qual fora encaixada perfeitamente para encerrar o álbum)!

Apesar de passar longe de uma especialista no assunto, sempre achei o Thrash Metal um gênero musical firulento, muito embora seja essencialmente bruto/cru, ou seja, para mim que descendo dos instrumentos sampleados e subjugados a sintetizadores, esbarrar nos engates estruturais ritmados provocados pelas guitarras de base frenéticas acompanhadas dos bumbos ritualísticos e furiosos de bateria auxiliados por linhas duras de contrabaixo, onde o vocalista se cala àquela guitarra presunçosa que emerge solando, de uma maneira geral, Skull é devastador!

Site / Myspace / Lastfm ]

Tracklist:
01. Underworld
02. Skull
03. The Naked Sun
04. Head Of The Demon
05. Tomb
06. Words Of The Dead
07. Outsider
08. What You Become
09. New Truths Old Lies
10. A Sinister Call (Bonus Track)

Download: Mega / 4shared

Faixa 02: Skull

Quem escreve e faz os uploads:

 
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Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.