Mostrando postagens com marcador /Pedro Henrique. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador /Pedro Henrique. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Avatar

Os Melhores Discos de 2014 por PH

0 comentários

Certa vez divaguei, nesse mesmo espaço, sobre o aspecto particular da arte em geral, especialmente no tocante à música, e como ela se torna ímpar a partir do momento que adentra a percepção do sujeito, sendo moldado pelas experiências, gostos e lembranças desse cidadão, tornando-a peça única. Isso tudo foi só um jeito prolixo de dizer aquilo que todo mundo que tem avós desbocados já ouvem desde criança: "gosto é que nem cu, e cada um tem o seu". E o meu (GOSTO, que fique bem claro) será exposto a vocês nesse momento, mais especificamente conquanto aos lançamentos que perpassaram esse ano.
Confesso que só mantive o título do post como "Os Melhores Discos" para manter o padrão das postagens dos meus colegas, mas a lista infra-postada tem um caráter bem pessoal e está bem longe de ter a pretensão de afirmar que esses são os quinze MELHORES discos do ano - até porque nesse ano ouvi muito menos lançamentos do que fiz ano passado. São apenas os quinze que mais mexeram com as minhas percepções e que me marcaram por um motivo ou outro. São os mais apurados tecnicamente falando? Não. São os mais aclamados pela crítica especializada? Negativo. São o suprassumo da música em 2014? Não sei, tem que ver isso aí. São só os quinze discos que me mais me aprouveram e que me acompanharam nas minhas corridas. Segue o rol.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Avatar

Michael Christmas - Is This Art?

0 comentários
Gênero: East Coast Hip Hop
País: EUA
Ano: 2014

Comentário: Como ervas daninhas, desde que Tyler, the Creator e sua horda tomaram a internet de assalto com um Hip Hop descontraído, com letras extremamente variadas, muitas vezes de gostos duvidoso, se tornaram cada vez mais frequentes as aparições de novos rimadores, esfregando a alternatividade na cara do ~internauta~ em busca da fama repentina por meio da grande rede. Obviamente, o que abunda costuma pecar no quesito qualidade. Em se tratando de arte, pouco ou quase nada se aproveita desse novo nicho que pipocou em profusão. Com atenção, no entanto, é possível tirar alguns diamantes desse lamaçal, que possivelmente serão lapidados e nos renderão bons momentos junto aos headphones.
Um deles é Michael Christmas, um garoto de apenas dezenove anos e muitos quilogramas, oriundo de Boston e que retrata fielmente a geração pós-moderna: inundado de informação e opções de recebimento de cultura, as referências pop vêm à cabeça quase que simultaneamente com relação a, praticamente, qualquer assunto possível. Na medida certa, o rapper insere essas referências em suas rimas em sua mixtape de estreia, Is This Art?, temperando-as com emoções e, certamente, com muita diversão. É extremamente nítido o quanto o artista está aproveitando ao máximo o seu momento, traduzindo a sua satisfação em química junto ao microfone.
Um bom exemplo de sua habilidade na transformação de referências do mundo pop em rimas convincentes é a faixa Michael Cera, em que perpassa por vários trabalhos do autor, especialmente quanto a Arrested Development, fazendo citações de personagens e contextos que certamente arrancarão risos de fãs da série. Vale ressaltar, ainda, que a mixtape tem a participação de gente com certo renome no mundo do Hip Hop, como Alex Wiley, que já fez parcerias com os já citados membros do OFWGKTA, além de Mr. MFN Exquire, que, apesar de ser um rapper bem mediano, e um letrista absolutamente fraco, já possui alguma fama, o que traz ainda mais holofotes ao trabalho de estreia de Christmas.
A pergunta-título não é difícil de responder. Tendo em vista que arte é qualquer coisa que você assim identifique, já que trata substancialmente de gostos pessoais - ou seja, algo muito subjetivo - certamente estamos diante de um trabalho artístico, cujo precursor pode ser bem moldado por produções arrojadas para se firmar como um grande nome do Hip Hop. Com esse disco, por exemplo, já conseguiu cravar sua alcunha na lista de artistas a serem observados com atenção.



Tracklist:

  1. Y'all Trippin' (Prod. by James Rogers)
  2. Broke and Young (Prod. by Teddy Roxpin)
  3. Michael Cera (Prod. by Goodwin)
  4. Dr. Christmas, M.D. (Prod. by Cloud9 and James Maka)
  5. What's Happening (Prod. by James Rogers)
  6. Duck Duck Goose ft. Rome Fortune (Prod. by Swelly)
  7. Taco Truck (Prod. by Goodwin)
  8. House Cleaning Music (Prod. by Thelonious Martin)
  9. Daily (Prod. by Goodwin)
  10. Drunk (Prod. by Goodwin)
  11. Still ft. Mr. MFN eXquire (Prod. by Victor Radz)
  12. Leonard Washington (Prod. by Thelonious Martin)
  13. Overweight Drake (Prod. by 36ty5)
  14. The World (Prod. by North Villah)
  15. Step Brothers ft. Alex Wiley (Prod. by A-Rayz)
  16. [BONUS] Vinnie Johnson (Prod. by Childish Major)

Spotify


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Avatar

James Vincent McMorrow - Post Tropical

0 comentários

Gênero: Indie Folk / Art Pop / Contemporary RnB
País: Irlanda
Ano: 2014

Comentário: Um dos bons dilemas que a internet nos traz é a quantidade inesgotável de informação que nos coloca à disposição. Isso se aplica à música de uma maneira muito simples: há pouco tempo pra muito álbum. Mal conseguimos passar a régua em tudo o que tínhamos vontade de conferir liberado no ano que passou, e 2014 já começa a nos brindar com pérolas que nos fazem deixar de lado a atualização musical da tag #2013. O primeiro registro que brilha à distância neste ano vem da Irlanda, e mistura Soul, Indie e Folk de uma maneira apaixonante: Post Tropical, de James Vincent McMorrow abre os trabalhos de um ano de muitas expectativas.
Quando a Vagrant Records trouxe o trabalho do compositor ao outro lado do oceano, em 2010, ele se tornou um estranho no ninho em meio aos outros artistas do selo, cujo rol, em sua maioria, era formado por bandas de Screamo e Post-Hardcore. Quatro anos mais tarde, é possível ver que o crew da gravadora diversificou bastante de estilos, sendo possível afirmar que McMorrow abriu a porteira para essa diversificação.
A palavra de ordem em Post Tropical é atmosfera: os arranjos suaves de piano, acompanhados de elementos pontuais de música eletrônica, dão o tom do disco e enfeitam perfeitamente o constante falsete do talentoso músico. Sua voz é diferente, seu canto emana um tom que não estamos acostumados a ouvir com muita frequência. Logo na faixa de abertura, Cavalier, nos deparamos com uma composição profunda e uma performance de muita entrega, coisa que se repete em quase todo o registro. Gold, All Points e Look Out são outros três exemplos de grande aplicação de emoção nos vocais. Todas elas seguem uma fórmula bastante eficaz: a da elevação. É possível notar que, em todas essas faixas, o tom da canção, por meio de seus arranjos, vai aumentando gradativamente, até se chegar no clímax e, a partir daí, descer novamente e terminar na mesma calmaria que se apresentou de início.
Trata-se de um registro bastante compacto, com dez faixas redondinhas e perfeitas para o seu propósito. Sem dúvida alguma, Post Tropical é um trabalho bastante alvissareiro para aqueles que gostavam do Bon Iver, mas não gostaram do Volcano Choir, seu novo projeto; ou pra quem curtia o City and Colour, mas não se animou lá grandes coisas com o rumo que a carreira dele tomou enquanto se afastava do folk. McMorrow consegue preencher esse vazio, inovar e dar uma guinada em sua carreira, tudo com apenas dez canções.




Tracklist:

  1. "Cavalier" - 4:43
  2. "The Lakes" - 4:07
  3. "Red Dust" - 4:01
  4. "Gold" - 3:00
  5. "All Points" - 3:43
  6. "Look Out" - 3:26
  7. "Repeating" - 4:38
  8. "Post Tropical" - 4:33
  9. "Glacier" - 4:09
  10. "Outside, Digging" - 4:31


Spotify
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Avatar

Kelela - Cut 4 Me

1 comentários

Gênero: Contemporary RnB / UK Bass / Neo-Soul
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Um dos maiores clichês do mundo artístico se consubstancia na afirmação de que a dor transforma o artista. De momentos difíceis advém grandes obras. Com base nisso, podemos citar inúmeros poetas que, por se tornarem reclusos e solitários, presentearam o mundo com extensas e intrincadas obras, que séculos depois de sua assinatura remanescem relevantes ao mundo moderno. Dito isto, nos perguntamos: quantas vezes um pé na bunda teve como efeito indireto a confecção de uma obra de grande qualidade? Acreditamos que este número seja inestimável. O disco que ora apresentamos é mais um exemplo dessa saga: Cut 4 Me, mixtape que apresenta a cantora Kelela ao mundo, se deve em grande parte ao término traumático de um relacionamento.
Sem medo nenhum de soar piegas, a artista afirma em entrevista que o grande grau de emoção incutido nas faixas do registro se deve, em muito, à dissolução da parceria afetiva com Tosin Abasi, da banda de metal progressivo Animal As Leaders. Ela deu declarações de que queria perpassar às faixas uma sensação que é familiar a todos nós: o sentimento que nos invade quando alguém diz que nos ama, mas ao mesmo tempo nos magoa, característica inerente à condição permanentemente contraditória do ser humano.
No entanto, Kelela não queria se passar por vítima, ou ainda parecer mais uma moça frágil e chorosa, que não se sustenta pelas próprias pernas face a uma desilusão amorosa. Queria se mostrar altiva - "sair por cima", no popular. Não queria se lamentar, mas sim analisar profundamente as consequências dolorosas da situação.
O que podemos afirmar é que ela, com certeza, atingiu seu alvo. Cut 4 Me é um registrado recheado de letras emotivamente potentes e muito bem elaboradas, além de vocais temperados por uma paixão avassaladora, no que ousamos cravar que, nesse quesito, nada a superou no ano passado. Faixas como Enemy e Do It Again são os exemplos que melhor sintetizam essas duas características latentes da mixtape.
Como se não bastassem todos esses predicados, há mais um trunfo, este dos mais efetivos: a produção. Prodigiosos arranjos que não devem a nada a qualquer artista de música eletrônica experimental ladeiam a cantora de modo perfeito, completando uma sintonia ímpar. Gente como Girl Unity, Bok Bok, Jam City, Nguzunguzu - o melhor deles, em nossa opinião - se dedicando de modo irreprochável. Trata-se de experimentalismo eletrônico e vocais de Soul Music combinados em homogeneidade há muito não vista.
A sensualidade do Contemporary RnB ganha uma potente representante, um legítimo exemplar da mais admirável beleza negra: esta descendente de etíopes se dedicou pra valer em uma "mera" mixtape. Nem precisamos dizer o quão ansiosos estamos para o seu primeiro disco de carreira.


Tracklist:

  1. "Guns & Synths" - 2:56
  2. "Enemy" - 4:17
  3. "Floor Show" - 4:38
  4. "Do It Again" - 3:00
  5. "Go All Night (Let Me Roll)" - 1:43
  6. "Bank Head" (Extended) - 5:02
  7. "Cut 4 Me" - 3:53
  8. "Keep It Cool" - 4:10
  9. "Send Me Out" - 4:12
  10. "Go All Night (Let It Burn)" - 1:47
  11. "Something Else" - 4:07
  12. "A Lie" - 3:40
  13. "Cherry Coffee" - 6:00


Spotify
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Avatar

Forest Swords - Engravings

2 comentários

Gênero: Neo-Psychedelia / Ambient Dub / Downtempo
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: O ano de 2013 se mostrou bastante profícuo quanto à música eletrônica, e não só quanto àquele jaez mais tradicional do estilo, mas em várias de suas mais variadas vertentes. Do footwork ao downtempo, do chillout ao drone, diversos registros chamaram a atenção aos amantes do gênero. Um primoroso exemplo disso é o disco Engravings, do produtor e artista inglês Matthew Barnes, que tem a alcunha de Forest Swords como stage name.
Depois de uma série de EPs, online tracks e singles, o trabalho ora analisado é seu primeiro álbum de carreira, e veio para abrandar uma crescente expectativa formada em torno de seu talento a cada nova faixa disponibilizada na internet, especialmente em sua conta do Soundcloud. Já na faixa de abertura, Ljoss, recebemos uma boa mostra do que virá a seguir: faixas que repousam na região limítrofe entre a tranquilidade do Ambient e os estilos mais sombrios da música eletrônica, pendendo ora pra um lado, ora pra outro.
É notável a gama de instrumentos e recursos utilizados pelo autor para criar a aura etérea de seu trabalho. A ecleticidade na escolha do aparato se mostra evidente em Thor's Stone, por exemplo, faixa em que observados uma crescente de sintetizadoras acompanhadas por um instrumento de sopro que se assemelha com flautas indígenas.
Barnes não deixou de utilizar vocalizações humanas em sua obra: Anneka's Battle traz, em sua segunda metade, um agradável canto performado por uma voz feminina, acompanhado de uma batida alusiva ao Rn'B, mas com notas bem mais sutis e em consonância com a proposta do restante do disco. Em seguida, Gathering também traz vozes humanas, mas dessa vez incorporadas à batida da faixa, em indecifráveis - mas aplacadores - dizeres que compõem uma atmosfera bastante envolvente.
Os solos dedilhados de violão, guitarra e piano também são um grande trunfo das experimentações. Presentes em faixas como The Weigh of Gold e The Plumes, dão um tom mais mundano ao disco, e nos remetem à intersecção que pode ser formada pelos mais diversos gêneros musicais.
Não bastasse a gama de recursos utilizados de forma brilhante e o resultado que salta aos ouvidos, a história por trás do registro o torna ainda mais belo: Barnes teve de abandonar por alguns anos a sua maior paixão, a produção de faixas, e, por consequência, o seu Forest Sowrds, por conta de problemas auditivos que podiam lhe ceifar esse sentido. Depois de um tratamento, obteve o aval médico para retornar a se dedicar à sua paixão. Esse tempo afastado de tudo que mais ama certamente contribuiu para o ar de tristeza esperançosa que perpassa cada uma das dez faixas do registro. Como disse Lord Byron, "tristeza é saber" - e Barnes soube muito bem extrair a essência dessa frase.




Tracklist:

  1. "Ljoss" - 5:19
  2. "Thor's Stone" - 4:32
  3. "Irby Tremor" - 4:11
  4. "Onward" - 5:40
  5. "The Weight of Gold" - 5:04
  6. "An Hour" - 5:02
  7. "Anneka's Battle" - 4:09
  8. "Gathering" - 4:59
  9. "The Plumes" - 3:39
  10. "Friend, You Will Never Learn" - 8:12


Spotify
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Avatar

Ill Bill - The Hour of Reprisal

0 comentários

Gênero: Horrorcore / Hardcore Hip Hop
País: Estados Unidos
Ano: 2008

Comentário: Até algum tempo atrás, este blog era tido como um disseminador do metal e suas vertentes. Os fãs mais radicais da música das trevas chegaram a se revoltar quando perceberam que a escuridão estava se esvaindo pelos dedos dos postadores, que pouco a pouco foram dando as mais diversas cores ao compleot breu de outrora. Confesso que sou um dos culpados porque, embora goste do gênero, nunca resenhei nenhum álbum de metal em minha mais de centena de postagens. Pois bem, como que em forma de um pedido de desculpas, venho demonstrar que a obscuridade ainda vive neste blog, mas que nao habita só as alcovas mais tr00 desse mundo. Há espaço pra ela no hip hop também.
Para provar esta última frase, não há melhor escolha do que Ill Bill, rapper de criação judia e humilde, que cresceu vendo de perto que a vida não é a porra do seu toddynho gelado que ele via na tv diariamente. Oriundo do Brooklyn, região periférica de New York city, Willian Braunstein cresceu observando as agruras da dependência química de bem perto. Por isso, ele e seu irmão, o também rapper Necro, sempre compuseram rimas sobre o tema. Em The Hour of Reprisal, segundo disco da carreira de Ill Bill, o motivo maior de as drogas serem um tema tao recorrente em sua obra é revelado com maior ênfase, e este motivo tem nome e sobrenome: Howard Tenenbaum. Uma das maiores influências na vida de Ill Bill, Uncle Howie acompanhou de perto o crescimento de seu sobrinho. Enquanto observava um infante Ill Bill lutar contra a lei da gravidade para aprender a andar, ou contra qualquer dificuldade cara aos primeiros aprendizados de uma criança, lutava ele mesmo contra o vício em heroína e metanfetamina.
No disco, há várias passagens sobre a batalha do homem contra seus próprios demônios, narradas.pelo próprio. Dentre esses relatos, destacamos a faixa My Uncle, uma das mais coesas do registro, que retrata toda essa luta, consubstanciando-se numa verdadeira carta aberta de um sobrinho que se preocupa com o futuro de um cara para quem ele nutre muito respeito (para se ter uma ideia, Ill Bill abriu uma gravadora denominada Uncle Howie Records). Ao que parece, a faixa tocou o homem: Uncle Howie faleceu em 2010, dois anos depois do lançamento deste disco, mas, segundo consta, morreu sóbrio e limpo (neste vídeo você pode conferir o tocante momento em que Uncle Howie ouve, pela primeira vez, a música feita em sua homenagem. É sensacional ver como um homem feito e cheio de problemas pode voltar a sentir uma ansiedade de criança em poucos segundos).
A faceta mais evidente de Ill Bill é a de se desvencilhar do que o restante da cena do rap produz nos últimos anos. Nada de falar sobre sexo ou dinheiro, chance alguma de fazer rimas sobre superação e foco nos seus sonhos, menor chance ainda de compor algo sobre coisas fúteis. Ill Bill quer esmagar sua cabeça contra uma parede de insatisfação e desigualdade social, provocada por todos os temas abordadas no disco: tráfico de drogas, falta de oportunidade, lei da selva e a guerra, esta última retratada de forma irretocável na faixa War Is My Destiny, com a participação de Immortal Technique e Max Cavalera.
A presença do metaleiro brasileiro, aliás, não é simples coincidência: apesar de ter se bandeado pras rimas e pras ruas, o Heavy Metal sempre foi exerceu influência notável em seu trabalho. Prova disso, aliás, é a faixa U.B.S. (Unauthorized Biography of Slayer), em que presta tributo a uma de suas bandas preferidas na infância.
Em resumo, Ill Bill foi bastante influenciado pelo mundo do metal, mas diferentemente da visão fantasiosa de inferno e maldições milenares que diversas bandas do gênero gostam de retratar, inclusive com criaturas monstruosas nas capas de seus trabalhos, o rapper decidiu retratar um cenário muito pior, muito mais grotesco e digno de dó, uma gama de lugares-comuns e cenas familiares a tantas pobres pessoas que fazem o papa do Ghost parecer uma professora do jardim da infância: o mundo real, dominado pelo homem e suas injustiças.
PS: a animação que coloco abaixo não é o clipe oficial de War Is My Destiny, mas foi feita pelo canal de um cara muito talentoso e fã do Ill Bill. Ele fez o mesmo para My Uncle, que você pode ver aqui. Vale a pena conferir.


Tracklist:

  1. "Babylon" (feat. Howard Jones)
  2. "Doomsday Was Written in an Alien Bible"
  3. "Trust Nobody"
  4. "A Bullet Never Lies" (feat. Vinnie Paz)
  5. "White Nigger"
  6. "My Uncle"
  7. "Riya" (feat. H.R. & Darryl Jenifer)
  8. "War Is My Destiny" (feat. Immortal Technique & Max Cavalera)
  9. "Society Is Brainwashed"
  10. "This Is Who I Am"
  11. "Too Young" (feat. HERO & Slaine)
  12. "Pain Gang" (feat. B-Real & Everlast)
  13. "U.B.S. (Unauthorized Biography of Slayer)"
  14. "Coka Moshiach" (feat. Raekwon)
  15. "The Most Dangerous Weapon Alive"
  16. "Soap"
  17. "I'm a Goon"
  18. "Only Time Will Tell" (feat. Necro, Tech N9ne & Everlast)




Spotify
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Avatar

Rodrigo Campos - São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe

2 comentários

Gênero: MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 2009

Comentário: Existe certo tipo de trabalho musical que é capaz de te transportar para determinado lugar, que tem o condão de te ambientar em certo espaço, mesmo sem você nunca sequer ter lá pisado ou visto ao menos de relance alguma de suas paisagens. Essa sorte de disco descreve não só o que se vê quando se passeia pelo local dissecado, mas também passa sensações, ilustra os sentimentos que abatem o interlocutor quando se recorda dos momentos ali vividos. O álbum de estreia de Rodrigo Campos é, certamente, um desses trabalhos: São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe, não se você percorrer com alguma atenção suas catorze arrebatadoras faixas.
Confesso que desconhecia o artista até uns dois meses atrás, quando me deparei com a nova faixa de Criolo, Duas de Cinco, liberada recentemente. Nela há um sample de Califórnia Azul, quarta faixa do presente registro, que me chamou a atenção, me levando a pesquisar mais sobre seu autor. Trata-se de uma pequena crônica ambientada no bairro de São Mateus, zona leste de São Paulo, que concentra população de classe média, além de partes periféricas, de situação financeira mais gravosa.
Quase todas as faixas, aliás, são compostas de outras crônicas e contos, com personagens distintos, e que demonstram paixões, momentos de alegria, mas também de tristeza, por vezes denotando um caráter duro e ácido que outrora vigorava nas ruas de São Mateus. É o caso da encantadora Mangue e Fogo, que conta a história de um menino e uma menina, ambos com um crescimento de certa forma conturbado, na voz envolvente de Luísa Maita, namorada de Campos - que, inclusive, participa de forma perfeita em outras três faixas.
Embora muitas das faixas sejam animadas, verdadeiros sambas rock, é difícil se desvencilhar da sensação ruim que trazem algumas de suas letras, como em Para Onde Vão os Meninos de São Mateus?, cujo sentimento nostálgico ruim de que é carregada chega a dar um amargo na boca. Por outro lado, há bonitas homenagens a seus pais, Lúcia e Isac, em faixas homônimas, com quem se mudou para o bairro aos três anos de idade, deixando a pequena Conchas no interior de São Paulo rumo ao lugar onde formaria sua personalidade musical e social.
As pequenas histórias musicadas têm outro grande trunfo, além da habilidade de compositor de Campos: o artista resolveu se rodear de gente muito boa. Além de Luisa Maita, já citada, há nomes como Antonio Pinto, autor de grandes trilhas sonoras do cinema nacional; Beto Villares, um dos produtores mais respeitados de nossa música contemporânea; Fabiana Cozza, cantora de talento ímpar; e Curumim, mito do underground paulista que sabe misturar samba, hip hop e outros ritmos como ninguém.
Esse álbum de estreia é memorável. Três anos depois, Campos lançou Bahia Fantástica, disco que também possui muita qualidade, no qual experimenta mais, mas se distancia um pouco do caráter de narração quase bucólica deste tratado acerca de São Mateus. E isso é o que torna esse disco não só mais um da chamada nova MPB, mas um registro único, de valor protraível no tempo.


Tracklist:

  1. "Fim da Cidade"
  2. "Os Olhos Dela"
  3. "Brother José"
  4. "Califórnia Azul"
  5. "Amor na Vila Sônia"
  6. "Cavaquinho"
  7. "Sem Estrela"
  8. "Salve Fabrício"
  9. "Lúcia"
  10. "Isac"
  11. "Mangue e Fogo"
  12. "Rua Três"
  13. "Que Santo É Esse?"
  14. "Para Onde Vão os Meninos de São Mateus?"



Download Oficial
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Avatar

Elvis Costello and the Roots - Wise Up Ghost and Other Songs

1 comentários
Gênero: Soul / Funk Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: De um lado, um monstro da música em geral; um dos precursores da cena do pub rock britânico, com boa influência na explosão punk londrina dos anos 70, com uma invejável capacidade de se reinventar a cada década - ninguém menos que Elvis Costello. Dando-lhe suporte, um grupo que, em seu nicho, não possui menor expressão que o cantor inglês. Pelo contrário: do alto de seus dez discos pela carreira, são verdadeiros monstros do Hip Hop e do Neo Soul, além de serem famosos por acompanhar musicalmente os esquetes do Late Night with Jimmy Fallon - nada menos do que The Roots. Um choque de gigantes gera grande expectativa, e em grande parte ela foi atendida: Wise Up Ghost and Other Songs é um álbum bastante divertido, muito agradável e até mesmo um pouco inovador.
Costello sempre foi mais conhecido pelo seu facilmente audível rock alternativo, tendo maior relevância a parcela new wave de seu trabalho, e esse estilo pouca afinidade revela às poderosas bases do The Roots. Por isso, em algumas faixas, enxergamos claramente uma distanciação do cantor com relação a sua zona de conforto para encarar uma das principais virtudes do grupo: o Neo-Soul. Isso pode ser verificado, por exemplo, na calma e romântica Tripwire, que apresenta vocais passionais; ou mesmo na melhor faixa do registro, a enigmática Cinco Minutos Con Vos, que soma elementos como duplicidade de línguas, crônica envolvente e arranjos sensacionais, calcando-a o status de viciante logo na primeira audição.
Embora os maiores êxitos do disco residam, de fato, na mistura do Rock com o Soul e o Funk, há algumas faixas que lembram bastante aquelas que impulsionaram o cantor em seu início de carreira, com os vocais mais rasgados, despreocupados, e a faceta do rock se estampando de forma mais nítida. Apesar de também agradáveis, não acrescentam tanto brilho ao disco, mas colaboram no arredondamento de uma parceria que, sem dúvidas, deu certo.
A realidade é que, ainda que não haja grande dose de inovação, só o fato da junção de dois grandes nomes da música num único trabalho colaborativo já torna o disco digno de se prestar atenção. Com uma oitiva mais atenta, por consequência, podemos aproveitar mais um trabalho feito com um coração, o que não é novidade nem na carreira do The Roots, nem na de Elvis Costello. Assumindo o risco de soar repetitivo, se pouco inova - e eu acho que o faz, de maneira um pouco tímida, mas o faz, quando alguns elementos eletrônicos são inseridos para acompanhar os instrumentos -, por outro lado, muito agrada.


Tracklist:

  1. "Walk Us Uptown" - 3:22
  2. "Sugar Won't Work" - 3:31
  3. "Refuse to Be Saved" - 4:26
  4. "Wake Me Up" - 5:53
  5. "Tripwire" - 4:28
  6. "Stick Out Your Tongue" - 5:27
  7. "Come the Meantimes" - 3:52
  8. "(She Might Be A) Grenade" - 4:35
  9. "Cinco Minutos Con Vos" - 5:01
  10. "Viceroy's Row" - 5:01
  11. "Wise Up Ghost" - 6:26
  12. "If I Could Believe" - 3:58
  13. "My New Haunt" - 4:41
  14. "Can You Hear Me?" - 6:27
  15. "The Puppet Has Cut His Strings" - 4:56


Spotify
domingo, 3 de novembro de 2013
Avatar

Emicida - O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

0 comentários
Gênero: Hip Hop / Rap / Samba Rock
País: Brasil
Ano: 2013

Comentário: Eu tentei. Tentei ouvir a chatice vociferada por gente que nunca compôs uma linha sequer. Juro que tentei. Tentei dar uma chance a todos aqueles que bradaram, no melhor estilo Dolabella, que Emicida havia traído o movimento Hip Hop ao se tornar rosto frequente em diversos horários da Rede Globo. Tentei enxergar a estagnação em seu estilo que muitos davam como certa em seu álbum de estreia. Tentei identificar a saturação do gênero a qual muitos alertaram, dizendo que os "Mano de Condomínio" haviam deturpado a cena, e que Emicida era o grande culpado disso tudo, por ter aberto a porteira da produção desenfreada do Rap. Tentei até mesmo desgostar de alguém que sempre vendeu seus trabalhos por cinco conto, e agora teve a empáfia de inflacionar em mais dez reais o preço daquilo que entrega a alma pra trazer comida pra casa. Tentei, tentei mesmo. E, ao contrário de Emicida, em O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, eu falhei. Miseravelmente.
Foi inafastável a expectativa criada por Emicida por um álbum de verdade. Isso porque seus primeiros trabalhos se albergavam na informalidade das mixtapes, algo que dá um grande conforto a um artista da rua. A espera foi temperada com muita curiosidade e desconfiança: como se adaptaria a um chamado "disco de carreira" um artista que até outro dia queimava os próprios cds e carimbava a artwork do trabalho em envelope pardo? Muito bem, eu diria.
Acredito que Emicida tenha assimilado de forma satisfatória a fama que o levou a habitar o gosto musical de nichos antes improváveis. Talvez por isso ele tenha se reinventado. E o caminho escolhido foi o do samba. Entrelaçando rimas perfeitas a verdadeiros sambas de roda, temos em Hino Vira Lata, por exemplo, verdadeiras amostras de todo um potencial ainda inexplorado. O Samba Rock dá as caras num interessantíssimo jogo de palavras pra biólogo nenhum botar defeito em Trepadeira, que gerou alguma polêmica, de algum modo compreensível, até certo ponto exagerada, mas que não tira o brilho de todo o esforço conjugado com ninguém menos que Wilson das Neves para dar vida a uma das mais divertidas faixas do registro.
Como não se deixar levar pelo peso do samba sombrio de Crisântemo, contando a recepção do próprio e de sua família da notícia da morte de seu pai? Mais uma vez, referências da cultura cotidiana e rimas potentes são usadas para contar tanto histórias de dor, como nesta faixa e em Hoje Cedo - em que conta como quase perdeu a companhia de sua esposa e filha para o deslumbramento da fama - como em momentos de alegria, como visto em Sol de Giz de Cera, contagiante crônica sobre um dia qualquer de brincadeiras com aquela que inaugurou sua prole.
Em suma, O Glorioso Retorno representa exatamente o que o seu título induz: esperavam uma volta triunfal do artista ao mainstream, mas esse é um lugar que ele nunca habitou. Ele sempre pertenceu às suas origens, ao seu Jardim Fontalis, e, embora pareça que há muito frequenta a televisão tradicional, nunca irá se perder entre as ilusões de uma vida que não é sua. Ele voltou, pra onde nunca esteve. E com uma qualidade nunca antes vista.


Tracklist:
  1. Milionário do sonho
  2. Levanta e anda (participação Rael da Rima)
  3. Nóiz
  4. Zóião
  5. Crisântemo (participação Dona Jacira)
  6. Sol de giz de cera (participação Tulipa Ruiz e Estela Vergílio)
  7. Hoje cedo (participação Pitty)
  8. Trepadeira (participação Wilson das Neves)
  9. Bang!
  10. Gueto (participação MC Guime)
  11. Hino Vira Lata (participação Quinteto em Branco e Preto)
  12. Alma gêmea
  13. Samba do fim do mundo (participações Fabiana Cozza e Juçara Marçal)
  14. Ubuntu Fristaili



Spotify
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Avatar

Selah Sue - Selah Sue

2 comentários
Gênero: Soul / Reggae /  RnB
País: Bélgica
Ano: 2011

Comentário: Assim como, acredito eu, a maioria de vocês, também não estava lá muito animado com o Rock in Rio. O evento, que ao tornar Cláudia Leitte e Ivete Sangalo algumas de suas atrações principais nos últimos anos se tornou piada pronta, não empolgou muita gente, exceto os fãs mais ávidos de um ou outro artista. Como festival, em si, não revela mais a importância de que era gravado outrora, nem traz ao Brasil muitos shows inéditos ou verdadeiramente alternativos. Sinceramente? Não tenho nada contra. sei que a última tendência nesse mundinho raivoso que é a internet é odiar tudo o que está na moda. Isso é algo que tem me irritado profundamente nos facebooks alheios e é por isso mesmo que pouco me importa se Beyoncé ou Justin Timberlake fechando o ROCK in Rio pode ser algum tipo de contradição - dois artistas aos quais, aliás, passei a nutrir um grande respeito nos últimos anos.
Pois bem, algo mudou no quesito "o Rock in Rio não trará novidades" quando na sexta feira, meio que por acaso, acabei passando pelo multishow no fim de tarde. Na tela estava uma loirinha mirrada, magra, de olhos assustadoramente azuis e com uma voz extremamente diferente de tudo o que já tinha ouvido sair da garganta de cantoras que batem com o seu tipo físico. E que voz! Confesso que nos primeiros minutos seu tom não me agradou muito, soava meio forçado, mas de cara eu já pensei: "isso deve ser sensacional em gravação de estúdio". Poucos instantes depois, entretanto, já me via completamente envolvido pela apresentação. Uma participação dispensável de Maria Rita - nada contra, até gosto da artista brasileira, mas nada que acrescentasse coisa alguma ao que já vinha ocorrendo - e o show se finda, deixando uma imensa vontade de pesquisar mais sobre aquela que eu ainda nem sabia o nome.
Selah Sue é a alcunha pela qual atende. E ela vem de um país do qual não estamos exatamente acostumados a receber música: a Bélgica. A pesquisa retornou que ela possui apenas um debut album até o momento, este homônimo que vos apresento. E é sensacional: uma mistura fina de reggae e soul com um vozeirão alternativo demonstra muito conteúdo e uma espantosa maturidade pra uma candidata a diva de meros vinte e quatro anos (vinte e dois à época de seu lançamento).
É incrível sua capacidade de vagar entre dois estilos que não são comumente conjugados, como o Reggae e o Soul. Em Peace of Mind por exemplo, recebemos sua voz envolvente até um refrão que beira ao Hip Hop, permeia o reggae e se aprofunda em manter o ouvinte imerso na excelente produção. A produção, aliás, se mantém nesse nível por todo o registro.
Se não é um disco perfeito - confesso, as últimas faixas são muito semelhantes umas às outras -, seu álbum de estreia revela, ao menos, um potencial gigantesco, que torcemos para que seja delicadamente explorado. É impossível não enxergar um quê de Amy Winehouse em suas interpretações, mas sem perder a originalidade: é nítido que Sue não quer viver à sombra dessas comparações, e busca uma identidade toda sua. Não esperava muito do Rock In Rio, mas o pouco com que me brindou me fez criar uma expectativa enorme sobre o futuro da música belga. Uma surpresa bastante agradável.





Tracklist:
  1. "This World" - 4:45
  2. "Peace of Mind" - 4:03
  3. "Raggamuffin" - 2:40
  4. "Crazy Vibes" - 3:48
  5. "Black Part Love" - 4:03
  6. "Mommy" - 3:37
  7. "Explanations" - 2:47
  8. "Please" (feat. Cee Lo Green) - 5:05
  9. "Summertime" - 4:41
  10. "Crazy Sufferin Style" - 4:08
  11. "Fyah Fyah" - 4:02
  12. "Just Because I Do" - 2:53

 
Spotify
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Avatar

Xará - Além da Razão

0 comentários
Gênero: Hip Hop / Rap
País: Brasil
Ano: 2011

Comentário: O Hip Hop carioca, especialmente o underground, geralmente se denotou pelos coletivos: Planet Hemp, outrora, se mostrou um potente veículo de críticas e de adoração à erva, arrastando um verdadeiro séquito com sua música potente. Marcelo D2, BNegão e Black Alien, após a dissolução do grupo, seguiram carreira solo, cada um ao seu estilo, e cada um obtendo notável sucesso, guardadas as devidas proporções e o público alvo de cada um deles.
Outro grupo de rap carioca que construiu um certo legado, demarcando seu estilo, foi o Quinto Andar. Com letras mais humoradas, no entanto, com muito sarcasmo e ironia, o coletivo abordava de maneira estrondosamente jocosa os problemas - sérios - cotidianos, além de preocupações inúteis, também, claro. O grupo também se findou, e seus membros seguiram carreira solo. Com mais destaque, Shaw, De Leve e Marechal.
Xará é um dos ex-membros do extinto grupo que menos apareceu nos últimos tempos. A explicação parece ter sido dada em Além da Razão, lançado esse ano. O álbum em nada se assemelha ao estilo de seu ex-grupo. Muito mais sério, com uma maturidade arraigada de forma a não se deixar um traço sequer do Quinto Andar, o MC mostrou que há muito talento em seu repertório, que não se resume às numerosas piadas - que não deixam de ser inteligentes, de fato - gravadas por De Leve.
Apesar de não ter tido um hype tão grande quanto outras mixtapes do Hip Hop nacional, eu coloco Além da Razão entre os melhores discos de rap do ano. Vale a pena conferir.

[ Twitter / LastFM ]

Tracklist:

  1. "Olha Pros Neguinho" (Part. Emicida) - 4:51
  2. "Dia de Chuva" (Part. André Ramiro e Polly Marinho) - 5:02
  3. "Deixe Eu Dizer" (Part. Damien Seth) - 4:38
  4. "Highway" (Part. Rashid e Márcio Local) - 3:56
  5. "Estação Quinze" (Part. Juju Gomes) - 5:50
  6. "De Rolé" (Part. Marechal) - 3:31
  7. "Mais Luz" - 1:21
  8. "Andarilho" (Part. Cecilia Spyer & Gutierrez) - 4:49
  9. "Raízes" (Part. Juju Gomes) - 4:47
  10. "Hoje Eu Sei" - 2:55
  11. "Além da Razão" (Part. Shaw) - 3:34
Spotify

terça-feira, 3 de setembro de 2013
Avatar

The Killing Moon - A Message Through Your Teeth

0 comentários

Gênero: Rock Alternativo / Ska
País: Estados Unidos
Ano: 2006

Comentário: Se existe um benefício incontestável da era da Internet é a facilidade com que as mais variadas informações chegam ao seu conhecimento, seja qual for o conteúdo almejado. Detalhes sobre fatos históricos e dados sobre determinada produção cinematográfica passam a compor o seu conhecimento com a velocidade de um raio. No quesito música isso não é diferente: o que antes era algo dificultoso, estimulante da imaginação - por muitos anos, os rostos de alguns músicos permaneciam incógnitos, enquanto suas vozes perambulavam livremente pelos ouvidos alheios - hoje é facilmente atingido em questão de segundos. Por isso, sempre me intrigou a existência de algumas bandas que, embora tenham alcançado alguma notoriedade, ainda que pequena, possuem pouca ou quase nenhuma informação a ser prestada pela grande rede. É o caso do The Killing Moon.
Numa busca preliminar, a maior gama de resultados encontrados se comporá de alusões à clássica faixa do Echo & the Bunnymen. Página da Wikipedia só acerca de uma banda homônima, sem o 'The' inicial, de Death Metal com vocais femininos. Uma página da LastFM às moscas e, pasmem, um perfil ativo no Pure Volume. Esse é o legado online deixado pela banda.
O fato é que conheci essa banda através da energética versão de You Oughta Know, de Alanis Morrisette, constante da coletânea Punk Goes 90s, série que fez bastante sucesso na primeira metade da década de 2000. Naquela época, baixar músicas não era como é hoje. Antes do torrent, antes mesmo de megaupload ou mediafire se difundirem como grandes aliados dos aficionados por música, o esquema era usar a tecnologia peer-2-peer e garimpar faixas sozinhas. Kazaa, Morpheus, Ares e outros tantos programas fizeram a alegria de milhões de internautas, quando ainda se exigia um esforço hercúleo não só baixar mas simplesmente encontrar álbuns completos. Nesse contexto, consegui encontrar apenas mais duas músicas da banda, às quais ainda ouço com bastante satisfação.
Algum tempo depois, quando já era mais fácil fazer download de álbuns em sua totalidade, consegui achar o único EP dessa banda, A Message Through Your Teeth, com mais três faixas além das que eu já possuía. Uma oitiva atenta do registro me trouxe ainda mais dúvidas: o que será que teria dado errado na carreira da banda? O vocalista possui uma vitalidade invejável, e sua voz se entrelaça perfeitamente aos acordes lançados. As letras são bastante interessantes, e os arranjos dos metais de sopro ao fundo dão um toque extremamente especial a essas composições.
É possível notar uma clara influência do boom do Emo daquela época, nos refrões bastante melódicos, mas nada que coloque a banda no rol do marasmo, fazendo-a se dissipar entre tantas outras de som igual que surgiram naquela época e lá ficaram, exatamente por conta de sua inocuidade no quesito inovação. Trata-se de música bem mais madura do que o padrão da época - The Killing Moon está longe de ser uma banda qualquer: em cinco faixas, me conquistou.
O que deu errado? Qual foi a pedra no caminho entre um empolgante EP e um possível estrondoso debut, que nunca chegou a ser lançado? Essas perguntas remanescem sem resposta, e parece que não há muito mais gente interessado nelas. O que fica, entretanto, é um belo registro, símbolo de uma carreira que poderia ser promissora, mas que, assim como o mundo sem Internet, ou esta em seus primórdios, se tornou árida e pouco explorável. Infelizmente.




Tracklist:
  1. "Subject A" - 4:03
  2. "Bottomfeeder" - 4:30
  3. "Sugar Pills" - 3:33
  4. "A Book of Love Stories" - 5:04
  5. "Postcard From Los Angeles" - 3:24


Spotify
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Avatar

Kanye West - Yeezus

1 comentários
Gênero: Experimental Hip Hop / Hardcore Hip Hop
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: É possível traçar um paralelo entre as condutas de Kanye West e Anderson Silva. Não que o rapper tenha se metido no mundo das lutas, ou que Spider tenha a intenção de proclamar rimas daqui pra frente - até porque sua voz não seria muito propícia a tanto. É que ambos são muito bons no que fazem e, por isso mesmo, se acham acima de todos os outros colegas de trabalho, tendo o ego inflado a cada acerto em suas carreiras. Apesar de alternarem discursos de humildade com odes a si próprios, é nítido que ambos combinam mais com o estilo marrento do que com as exibições de modéstia que regularmente promovem.
Exatamente por conta dessa auto-confiança exacerbada é que, apesar de serem excepcionais em suas atividas, Silva e West estão muito longe de ser unanimidade quanto aos fãs de MMA e Rap, respectivamente. E é por isso que a cada vez que é anunciado um novo trabalho de Kanye ou uma nova defesa de cinturão de Anderson, inevitavelmente me vem à cabeça o seguinte pensamento: é agora que esse cara mete os pés pelas mãos. Não que eu torça contra qualquer um deles: pelo contrário, sou fã de ambos. Não há um disco sequer de Kanye que não me agrade, da mesma forma que não acredito que houve ou haverá lutador mais fascinante do que Anderson Silva. Apenas sinto um medo de que, no próximo passo, o feitiço da megalomania deixe de funcionar.
O que aconteceu com o Anderson, todo mundo viu: o mundo assistiu sua esquiva não ser rápida o suficiente, e seu queixo finalmente demonstrar o seu lado suspeito.  A queda do campeão, em meio a volumosas e questionáveis provocações, fizeram com que meu temor se concretizasse. O lutador se tornou tão cheio de si mesmo que acabou estourando - o que não me fez deixar de admirá-lo. Errou na dose? Sim, errou, mas isso não apaga toda sua história de utilização da mesma técnica zombeteira com perfeição em tantas defesas de título.
Desde as primeira notícias de sua concepção, tudo indicava que Kanye seguiria o mesmo caminho que seu equivalente no UFC ao lançar Yeezus.  Desde o título escolhido - trocadilho de seu apelido, Yeezie, com Jesus Cristo - até a decisão de divulgar o primeiro single por meio de projeções aleatórias em edifícios, sem a autorização de seus donos - que não deram lá muito certo, diga-se de passagem - tudo isso configurava sinais de que finalmente West dera um passa maior que a perna, e o seu ego havia o engolido. Quando descobri que havia uma faixa intitulada I Am a God, então, não tive dúvidas: é esse o trabalho de Kanye West que irá me decepcionar. Errei.
A megalomania está, sim, dosada de forma cavalar, mas é exatamente esse o charme do disco. Ao passo que consegue tratar de assuntos de pouca relevância e muita marra como sua vida de faz-acontecer na já citada I Am a God (com versos marcantes que já viraram até camiseta, como "Hurry Up with My Damn Croissants") ou ainda a sua facilidade em conseguir parceiras sexuais em I'm In It (que se inicia com frases como "Your Tits, Let'em Out, Free At Last"); também faz, com extrema maestria, menção a assuntos intrincados como o racismo, que subsiste depois de tanto tempo de abolida a escravatura, em New Slaves, ou a penca de interesseiros que a fama atrai, em Blood on the Leaves - a melhor do disco, em minha opinião.
Nem tudo é trunfo no disco. Não me agradaram muito as tentativas de incursão de Hardcore Hip Hop, como na faixa de abertura. Soou como um tributo ao Death Grips meio mal feito. Mas isso não é capaz de inviabilizar todo o resto, principalmente dos, digamos, 'apóstolos' que Yeezus escolheu. As duas participações de Justin Vernon (o cara por trás do Bon Iver), nas já citadas I Am a God e I'm In It são simplesmente sensacionais, sendo que nesta última ele soa como um legítimo cantor de Blue-Eyed Soul. As produções de duas das melhores duplas de música eletrônica, uma já consagrada - o Daft Punk - e outra extremamente psicodélica e promissora - o TNGHT - em algumas das faixas também mantém Kanye muito bem acompanhado. A mãozinha na composição e produção de gente como Lupe Fiasco, Marley Marl, NoID, Kid Cudi, 88-Keys e Agent Sasco completam o time de sucesso, em contribuições de grande valia.
Enfim, voltando ao UFC, não posso afirmar que Anderson Silva me decepcionou. Num primeiro momento, me senti ofendido por deixar a balada de lado pra vê-lo adotar aquela estratégia. Mas depois compreendi que ele apenas exagerou numa estratégia que já vinha praticando há anos, e que vinha dando certo. Já Kanye, este ousou muito mais. Buscou algo gigantesco até mesmo para os seus padrões, e, sabe como é, quanto maior o voo, maior o tombo. Isso se você cair: Kanye West não caiu. Pode ser que sua megalomania tenha me hipnotizado e, quando passar o efeito, eu ache o disco uma grande porcaria, como algumas opiniões que li por aí. No entanto, enquanto isso não ocorre, eu posso afirmar sem medo de errar que ele prossegue voando - e para o alto.




Tracklist:
  1. "On Sight" - 2:36
  2. "Black Skinhead" - 3:08
  3. "I Am a God" - 3:51
  4. "New Slaves" - 4:16
  5. "Hold My Liquor" - 5:26
  6. "I'm in It" - 3:54
  7. "Blood on the Leaves" - 6:00
  8. "Guilt Trip" - 4:03
  9. "Send It Up" - 2:58
  10. "Bound 2" - 3:49


Spotify
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Avatar

The Haxan Cloak - Excavation

1 comentários
Gênero: Dark Ambient / Drone / Ambient Dub
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: Confesso que não tenho lá muita bagagem pra escrever sobre Dark Ambient, mas nos últimos meses eu vinha descobrindo muitos trabalhos do Ambient comum pra me acompanhar nas horas de estudo. Muito Brian Eno, Andrei Machado, Eluvium, dentre outras coisas, me fizeram criar um gosto pela calmaria do piano e instrumentos afins, a ponto de às vezes eu me flagrar ouvindo esse tipo de música encorajadora mesmo quanto não estou debruçado nos livros. Pensei "porque não experimentar a versão mais sombria?" Se o original era bom, o sorumbático também deveria o ser.
E, de fato, o é. Mas não serve para estudar. A não ser que você queira que as palavras entrem na sua mente num ritmo de tensão, ou que você deseje criar um clima de que você esteja na iminência de tomar uma facada na jugular entre um capítulo e outro. Sim, essa é a proposta do Dark Ambient: fazer música de filme de terror. Não das partes de perseguição, mas das partes de tensão. Aquelas em que o diretor precisa preparar o ambiente quando uma merda vai acontecer, para que o potencial do susto seja muito maior no espectador.
E nesse quesito, acredito que 2013 não tenha nos brindado com trabalho mais horripilante do que Excavation, do The Haxan Cloak. Trata-se do projeto mais elaborado de Bobby Krlic, do Reino Unido, que já havia lançado um álbum homônimo em 2011. Retorna agora, dois anos depois, com um dos melhores registros do gênero na última década.
O maior trunfo do registro são as frequências alcançadas por alguns dos tons utilizados pelo artista, capazes de fazer o chão tremer - num sentido sombrio, não no contexto utilizado pela Ivete Sangalo. A atmosfera nebulosa é adornada por gritos esparsos, que parecem revelar algum tipo de angústia sem explicação. Por tudo isso, não é exatamente uma audição fácil, algo que vá soar tranquilo para todos os ouvidos. Por isso mesmo, entretanto, é que o disco merece tanta atenção.
Em resumo: uma experiência visceral. Música pra ser absorvida com muito receio, por causar sensações diversas aos seus ouvintes, e por isso mesmo quase impossível de ser ouvida continuamente por muito tempo. É preciso dar uma pausa entre uma sessão de tortura auditiva e outra, para não se deixar levar mais a fundo pela melancolia que toma conta do registro. E o mais impressionante: embora, a uma primeira vista, não se pareça com nada, a capa sintetiza com precisão o conteúdo do registro. Incerteza e escuridão.





Tracklist:
  1. "Consumed" - 1:39
  2. "Excavation (Part 1)" - 8:10
  3. Excavation (Part 2)" - 4:13
  4. Mara" - 3:13
  5. "Miste" - 5:38
  6. "The Mirror Reflecting (Part 1)" - 3:11
  7. The Mirror Reflecting (Part 2)" - 7:07
  8. "Dieu" - 5:12
  9. "The Drop" - 12:56


Spotify
terça-feira, 11 de junho de 2013
Avatar

Logic - Young Sinatra: Welcome To Forever

0 comentários
Gênero: Hip Hop / Rap
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Já estão ficando meio batidas as introduções a resenhas musicais que abordam o poder latente que possui a grande rede em revelar novos artistas se usada da forma correta. Odeio incorrer em clichês, mas se o assunto é o rapper oriundo do estado de Maryland, que adotou Logic como alcunha, não há como fugir da raia do lugar comum: Sir Robert Bryson Hall II, seu nome de nascença, fez seu nome através da Internet, porque soube usá-la muito bem a seu favor.
Escrevendo rimas desde os treze anos de idade, lançou sua primeira mixtape em 2010, intitulada Young, Broke and Infamous, em formato digital e de forma independente. Usando das redes sociais, seus sons chegaram aos ouvidos de Chris Zarou, dono do selo independente Visionary Music Group. Sob a tutela desta gravadora, iniciou aquela que seria a série que o catapultou a um novo nível: Young Sinatra.
A primeira das mixtapes com este título saiu em 2011, e assim o foi de modo experimental: o selo se comprometia a divulgar o trabalho e, a depender do feedback da crítica e público, daria mais oportunidades ao jovem rapper. O resultado foi ótimo, o que gerou um contrato oficial com a gravadora. Dessa avença surgiu Young Sinatra: Undeniable, espécie de sequência do primeiro disco na qual, mais uma vez, ao fazer um paradoxo com a vida do ícone Frank Sinatra, retrata sua trajetória, desde a infância até os primeiros retornos de reconhecimento de seu trabalho duro.
A vitrine foi espetacular e trouxe um fruto que o artista não esperava colher tão cedo: assinou com a Def Jam Recordings, sub-selo da Universal Music, focado no Hip Hop e música urbana, e que seu álbum de estreia seria produzido por ninguém menos que No I.D., produtor que já colaborou com nomes como Kanye West, Jay-Z, Nas e Common. O fato de ter alçado um novo degrau não o impediu de liberar, mais um vez, gratuitamente, um novo trabalho, o fechamento da triilogia que iniciou dois anos antes.
Young Sinatra: Welcome to Forever fala, na maior parte do tempo, exatamente sobre essa subida repentina; sobre como em um dia ele era um garoto franzino que rimava por hobbie e que, num piscar de olhos, estava conhecendo um ídolo, como Nas, que ao lhe apertar as mãos lhe disse que acompanhava seu trabalho e cantou alguns de seus versos. As crônicas escritas pelo rimador demonstram grande habilidade com as palavras, coisa que falta num mundo em que Pitbull, 2Chainz e Lil Wayne disputam o grammy de melhor álbum de Rap.
Pode não ser uma mixtape fora de série, mas é música de qualidade, com dois diferenciais, capazes de fazer com que o ouvinte se regozije ao ouvi-la: o primeiro é o de que mesmo depois de ter dado um passo importantíssimo rumo à fama e à estabilidade financeira, o rapper não esqueceu de onde veio e brindou seus fãs com mais rimas gratuitas, o que é por demais louvável numa época em que se discute a moralidade em se baixar músicas pela Internet. É a chancela do própria artista no sentido de que não fosse a grande rede e o compartilhamento que ela permite, ele não teria chegado lá. E o segundo ponto é exatamente o fato de ele ter conseguido: quase todas as letras inspiram o ouvinte a alcançar também os seus sonhos, seja lá quais forem. Um puríssimo exemplo de gratidão rimada.




Tracklist:
  1. Welcome To Forever (ft. Jon Bellion) (Prod by 6ix)
  2. 925 (Prod by Swiff D)
  3. Roll Call
  4. 5AM (Prod by C-Sick)
  5. Break It Down (ft. Jhene Aiko) (Prod by C-Sick)
  6. Feel Good
  7. Saturday (skit) (ft. John Pops Witherspoon)
  8. On The Low (ft. Kid Ink, Trinidad Jame$) (Prod by Swiff D)
  9. Walk On By (Prod by C-Sick)
  10. The Come Up (Prod by 6ix)
  11. Nasty (Prod by Don Cannon)
  12. Life Is Good (Prod by Key Wane)
  13. Randolph Returns (skit)
  14. Ballin (ft. Castro) (Prod by Arthur McArthur)
  15. Young Jedi (ft. Dizzy Wright) (Prod by 6ix)
  16. The High Life (ft. Elijah Blake) (Prod by Kevin Randolph)
  17. Common Logic / Midnight Marauder (Prod by C-Sick, Logic)
  18. Just A Man (Prod by Kevin Randolph)
  19. Man Of The Year (Prod by NO ID)
  20. The End (Prod by Kevin Randolph, C-Sick)
Ao final da preview, lá embaixo, tem o link para baixar gratuitamente a mixtape direto da página do artista no DatPiff.com (Aliás, aos fãs de Hip Hop, recomendo o vasto acervo de download gratuito do site).

Download:
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Avatar

Tião Carreiro e Pardinho - Disco de Ouro

4 comentários
Gênero: Sertanejo Raiz
País: Brasil
Ano: 1979

Comentário: Uma das maiores bandeiras desse blog, de uns tempos pra cá, tem sido a exaltação da ecleticidade. A mim, particularmente, muito me agrada saber que posso entrar numa página em que Cannibal Corpse, Tulipa Ruiz e Mos Def podem conviver harmoniosamente, como vizinhos separados pelo simples deslizar da barra de rolagem. Em certa ocasião, li em algum lugar - infelizmente não me lembro onde - que a ecleticidade musical é algo quase que inevitável com o aprocehgar da idade adulta. É claro que sempre haverá alguns estilos específicos que nunca descerão redondo ouvido abaixo, mas, com o passar do tempo, torna-se nítida a tolerância cada vez mais abrangente a coisas que, anteriormente, a molecagem não lhe permitia degustar.
Não que eu seja algum ancião: tenho quase vinte e cinco anos, o que já me fez ter atingido a fase adulta, aquela em que as responsabilidades se multiplicam e os momentos de lazer tornam-se cada vez mais raros, ou melhor, restritos a determinados dias e horários. E que satisfação me invade quando percebo que coisas tão pequenas podem trazer uma oportunidade de recarregar as pilhas pra um novo dia de chatice pós-adolescente. Dentre essas pequenas atividades, se acalmar e prestar atenção numa boa música se revela uma das mais efetivas e baratas formas de se sentir bem.
Qualquer música, desde que seja boa, e pra assim classificá-las não se usa critérios objetivos. Gosto musical é uma coisa muito pessoal: o que lhe parece ruim, pode ser sensacional aos ouvidos alheios, isso porque a subjetividade do gosto musical é algo latente. Conforme os sons perpassam por um ouvido, vai sendo cravejado por impressões pessoais, que obviamente variam de um indivíduo para outro. A música se instala no sujeito de forma que passa a ter para ele um significado indecifrável para outrem. A arte, em geral, provoca nas pessoas sensações diferentes, e com a música não é diferente.
Pelo caráter eclético desse blog; pela injeção de ânimo que nós, postadores, estamos precisando; pelo meu pai e meu avô, que me mostraram belas histórias cantadas por esses dois caboclos desde quando eu tinha uns quatro anos de idade; pela coexistência pacífica entre gêneros musicais distintos; e por um rapaz resenhista que não pode ficar perdido em afazeres jurídicos é que lhes apresento dois dos maiores artistas que esse país já viu: Tião Carreiro e Pardinho. Ouçam sem julgar: o seu Varg Vikernes podem ser o meu Tonico e Tinoco.

Tracklist:
  1. "A Vaca Já Foi Pro Brejo"
  2. "Golpe de Mestre"
  3. "Rio de Lágrimas"
  4. "Hoje Eu Não Posso Ir"
  5. "Duelo de Amor"
  6. "Travessia do Araguaia"
  7. "O Pulo do Gato"
  8. "O Menino da Porteiro"
  9. "Alma de Boêmio"
  10. "Rei do Gado"
  11. "Boi Soberano"
  12. "Punhal da Falsidade"

Spotify

quarta-feira, 15 de maio de 2013
Avatar

The Drones - I See Seaweed

0 comentários
Gênero: Punk Blues / Alternative Rock / Garage Rock
País: Austrália
Ano: 2013

Comentário: Fim de expediente. Chega cansado do trabalho, mas mesmo assim tem que estudar religiosamente trancado em seu quarto, pra evoluir na vida. Basta de estudar por hoje, hora de dar uma lida em algumas resenhas gringas de lançamentos. Tem sido um bom ano pra música. Parceria do Aesop Rock com Kimya Dawson? Sounds great... vamos procurar na locadora do Paulo Coelho. "The Drones"... Nunca ouvi falar... já ouvi um discaço de Drone esse ano, o The Haxan Cloak. A resenha até que tá dando moral. Bom, vou baixar.
As semanas passam. As jornadas das 8h às 17h consomem os dias como as nuvens de gafanhotos que assolaram o Egito naquelas épocas longínquas. Arranja uns serviços extraordinários além da jornada habitual pra ganhar uma grana a mais. Pequenos prazeres, como deitar e ouvir um disco novo, analisando-o, no headphone passam a ser cada vez mais raros. Chega de estudar por hoje... Nossa, há quanto tempo que eu não entro no TheNeedleDrop. Vamos ver o que Mr. Fantano tem ouvido... Loved List, geralmente gosto dos discos que ele gosta... "The Drones"? Já ouvi falar dessa banda... Pqp, já baixei, preciso ouvir. To com um pouco de sono, mas acho que vale a pena, faz tanto tempo que não paro pra ouvir nada... um Dark Ambient antes de uma noite de bom sono não pode fazer mal.
Primeira faixa. I See Seaweed, igual ao título. Peraí, isso não tem nada de Drone... isso aí é um Indie Rock meio gritado, meio lamentado. Pausa. Pesquisa sobre o artista. Banda australiana que já tinha três álbuns antes deste, com um público fiel relativamente volumoso. Se sente ignorante. Logo ele que se vangloria por conhecer praticamente tudo no que diz respeito a música. Volta pro registro. Despausa.
Começa a ouvir sem pretensão, afinal já não era o que pensava inicialmente. A letra conta uma história. Bacana, gosta disso numa música. Uma história um tanto quanto sombria, aliás. Melhor ainda. O que era uma audição despretensiosa vai semeando um interesse crescente a cada termo incomum utilizado na música, em contraponto a um mundo de composições fracas, como tem sido atualmente. "Caralho, que letra é essa?!" - e a surpresa se instala. Acaba a primeira faixa. Um pequeno baque.
How to See Through Fog é a seguinte. Parece um pouco mais tradicional, digamos. Mais calma, com certeza, sem a interpretação quase teatral que o vocalista brilhantemente outorgou à primeira faixa. Verifica se é tão longa quanto à outra... não, só quatro minutos. Ainda assim uma boa faixa. A expectativa aumentou um pouco.
They'll Kill You. Título forte, tanto quanto a faixa em si. A intensidade está de volta. Novamente: que letra. Que experiência. Uma atmosfera sombria envolvendo um contexto emotivo. Já não consegue mais se desprender do disco. Uma situação quase física. Quando perpassa as demais faixas, ao final de Why Write a Letter That You'll Never Send?, talvez a melhor do disco, já não tem mais sono. Já deseja ouvir o álbum inteiro novamente. Tem a sensação de que o álbum será injustiçado nas lista de melhores do ano lá em dezembro.
Os dias passam. O álbum agora o acompanha em seu dia a dia. Ouve pelo menos cinco de suas faixas durante o expediente, todo dia, quando dá uma folga. Passa a acompanhá-lo nas corridas diárias, hábito que passou a cultivar. Decide que vai escrever sobre o disco. Está mentalmente esgotado, e parte da culpa é do próprio disco, que exige muito de ouvidos já desacostumados com conteúdo que seja ao mesmo tempo psicodélico, sombrio e emotivo. Abre o rascunho da postagem, começa um parágrafo convencional umas duas, três vezes. Não consegue, desiste. Tenta fazer algo diferente. Deve ser a inspiração da originalidade do trabalho. Obrigado, The Drones.




Tracklist:
  1. "I See Seaweed" - 8:34
  2. "How to See Through Fog" - 4:12
  3. "They'll Kill You" - 6:05
  4. "A Moat You Can Stand In" - 4:22
  5. "Nine Eyes" - 7:12
  6. "The Grey Leader" - 6:15
  7. "Laika" - 6:20
  8. "Why Write a Letter That You'll Never Send" - 9:17 

 

Download:

MEGA
terça-feira, 30 de abril de 2013
Avatar

James Blake - Overgrown

1 comentários
Gênero: Post-Dubstep / Contemporary R&B / Blue Eyed Soul
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: Música sobre crescer e ter responsabilidades; sobre gradativamente largar a inocência pelo caminho e rumar em direção a atribuições cada vez mais complexas; sobre tomar seu tempo com tarefas que parecem inocentes, mas que te desgastam de forma absurda; sobre o point-of-no-return que é a vida adulta. Seria muito fácil para alguém talentoso escolher um gênero comum para cantar sobre coisas banais, mas James Blake escolheu o tortuoso caminho de cantar sobre assuntos relevantes por meio de uma amálgama de diversos estilos - dos quais se destaca o Soul e o eletrônico experimental.
Em seu segundo álbum de estúdio, Overgrown, o britânico nos mostra uma série de canções experimentais que denotam o seu amadurecimento incontestável. O tom sombrio continua presente, na verdade até mesmo mais acentuado. Em seus outros trabalho, algumas músicas de certa forma ensolaradas ainda pingavam aqui e ali, ao contrário do presente disco. Interpretações apaixonadas como em To the Last e Retrograde fazem com que seja quase impossível não se envolverna atmosfera criada de forma cada vez mais brilhante pelo músico.
Mas o grande destaque do álbum é a faixa Take a Fall for Me, e não poderia ser diferente, dado que um verdadeiro monstro participa de sua composição, produção e interpretação: RZA, mítico membro do Wu-Tang Clan. O toque do Hip Hop se amolda perfeitamente ao tom experimental do disco.
Há quem tenha se decepcionado com o disco, até porque Blake é um artista que gerou muita expectativa, talvez mais do que ele pudesse corresponder aos ouvidos mais exigentes. Num resumo, no entanto, é difícil pensar quese possa considerar Overgrown um trabalho ruim - muito longe disso. Acredito que Blake rompe barreiras quando une o Soul ao eletrônico experimental, algo que faz com maestria e originalidade. E o faz de forma cada vez mais arrebatadora. Álbum cativante, artista sensacional.




Tracklist:
  1. "Overgrown" - 5:00
  2. "I Am Sold" - 4:04
  3. "Life Round Here" - 3:37
  4. "Take a Fall for Me" (featuring RZA) - 3:33
  5. "Retrograde" - 3:43
  6. "DLM" - 2:25
  7. "Digital Lion" - 4:45
  8. "Voyeur" - 4:17
  9. "To the Last" - 4:19
  10. "Our Love Comes Back" - 3:39


Download:

MEGA
terça-feira, 5 de março de 2013
Avatar

The Underachievers - Indigoism

2 comentários
Gênero: East Coast Hip Hop
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Tyler, the Creator, e seu OFWGKTA trouxeram de volta à tona, no mundo do Hip Hop, uma fórmula que, de certo modo, andava esquecida: a dos coletivos. Desde o lendário Wu-Tang Clan que um agrupado de rappers não fazia tanto barulho conjunto - que fique bem claro aqui que não há comparação entre os dois grupos, nem no quesito qualidade, nem no quesito relevância; mas, na história mais contemporânea do Hip Hop, nenhum coletivo obteve tanto sucesso quando o Odd Future.
Talvez impulsionados por esse sucesso repentino, coletivos pipocaram aqui e ali. O Black Hippy, por exemplo, acabou não chamando muita atenção como grupo, mas alavancou a carreira de seus quatro membros: Jay Rock, Ab-Soul, Schoolboy Q e, principalmente, Kendrick Lamar. Essa tendência, entretanto, não se limitou ao crescimento dos coletivos mas, por meio deles, acabou influenciando na criação de todo um movimento. Diria Regina Casé que o movimento Beast Coast, nesse ano, vem que vem que vem com tudo.
Trata-se de um movimentação recente - tão recente que, até pouquíssimo tempo, a busca por "beast coast" no google resultava em "Did you mean: Best Coast", em referência à banda de Indie Pop de Bethany Cosentino. O evidente trocadilho com a costa leste americana foi cunhada por Joey Bada$$, membro do coletivo Pro-Era, o principal precursor do assunto aqui tratado, e nada mais é do que um influxo de novos artistas surgindo e exaltando a grande Nova York. A$AP Mob, liderado pelo seu, agora do mainstream, A$AP Rocky, é outro dos principais representantes desta manifestação.
Embora não tenha sido o "pai da criança", o duo The Underachievers embarcou na onda e chamou tanto a atenção por sua qualidade que acabou cavando um contrato com a Brainfreeder, gravadora de ninguém menos que Flying Lotus. A mixtape Indigoism, liberada para download gratuito, surpreendeu por sua enorme qualidade em todos os principais pontos do Rap: flow, rimas, produção, dentre outros tantos ótimos trunfos desse trabalho.
Eu sei que eu citei o A$AP Mob lá em cima, que lançou mixtape no ano passado, mas não se assustem: embora embalados pelo mesmo movimento, as letras dos dois grupos não se assemelham em nada. Em oposição à superficialidade e pobreza de vocabulário deste, os membros do The Underachievers se mostram ótimos compositores, bastante versáteis inclusive. Em suma: sua técnica é assombrosa se comparada ao descompromisso de alguns de seus pares.
As habilidades de MC remontam, inclusive, a alguns grupos dos anos noventa, como o Organized Konfuzion, de onde saiu Pharoahe Monch, ou o Goodie Mob, o qual impulsionou a carreira Cee-lo, em seu início. A construção de influências deu um ótimo resultado, principalmente por não soar "mais do mesmo", pela mistura de tudo, ainda bem temperada pelo toque de originalidade que a perspicácia do duo lhes permite. Tem gente se empolgando, até, tachando-os de "o novo Outkast". Se a alta expectativa corresponde à realidade, só o tempo dirá, mas uma coisa é clara: Indigoism é, de fato, um ótimo começo, que promete muito. Esperamos que se cumpra.




Tracklist:
  1. "Philanthropist"
  2. "Revelations"
  3. "So Develish"
  4. "Sun Through the Rain"
  5. "Maxing Out"
  6. "Herb Shuttles"
  7. "T.A.D.E.D."
  8. "New New York"
  9. "Land of Lords"
  10. "6th Sense"
  11. "My Prism"
  12. "Gold Soul Theory"
  13. "Potion Number 25"
  14. "The Mahdi"
  15. "Leopard Shepard"
  16. "Root of All Evil"
  17. "Play Your Part"


O Download pode ser feito ali embaixo, no próprio embed do DatPiff.com


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Avatar

Pharoahe Monch - W.A.R. (We Are Renegades)

0 comentários

Gênero: Conscious Hip Hop / Hardcore Hip Hop
País: Estados Unidos
Ano: 2011

Comentário: Em tempos nos quais Drake ganha o grammy de melhor álbum de Hip Hop, concorrendo com nomes como 2 Chainz e Lil Wayne, uma afirmação é irrefutável: a parcela mais easy listening do Hip Hop é aquela que trata de drogas, mulheres e dinheiro. Dificilmente um artista do gênero chegará ao mainstream se não seguir uma dessas fórmulas - ou todas elas. Tudo isso se consubstancia na faixa PMW, presente no álbum de estreia de A$AP Rocky, um dos principais expoentes da nova geração do Hip Hop. Os versos pussy, money, weed, that's all a nigga need sintetizam bem o panorama. Parece que é só disso que as massas precisam pra gostar de uma faixa de Rap hoje em dia.
Não que esses artistas sejam ruins (o Lil Wayne e o 2 Chainz são muito ruins, de fato, mas isso não vem ao caso), mas tamanha superficialidade uma hora enjoa. E é por isso que é preciso buscar compositores mais talentosos para enxergar outras vertentes do Hip Hop, que pode ser tão profundo como qualquer outro gênero. Dentre esses dedicados MCs, Pharoahe Monch é um dos mais dignos de nota.
Oriundo do Queens, em Nova York, o rapper chamou a atenção da crítica especializada desde o seu primeiro disco, exatamente por suas complexas composições, e principalmente por se valer da rima polissilábica com maestria. Trata-se de uma técnica que faz rimas não só com a última sílaba de cada palavra, mas com as outras também. Explico: a penúltima sílaba da última palavra de um verso rima com a penúltima sílaba da última palavra do verso seguinte, assim como a última sílaba também.Se já é difícil de explicar, imagina colocar isso em prática, faixa após faixa, disco após disco.
Sua carreira solo (Monch é dissidente do duo Organized Konfusion) conta com três discos, e o mais expressivo deles é o último lançado: W.A.R. (We Are Renegades) veio para estraçalhar qualquer resquício de dúvida acerca de sua criatividade e da habilidade de reduzir toda essa inventividade a termo, em forma de Hip Hop.
Nesse disco, Monch trata de ficção científica, problemas políticos, dificuldades da pobreza, necessidades psicológicas do ser humano, dentre outras tantas coisas, se usando de um palavreado que fãs de Weezy e companhia ficariam perplexos ao ouvir. Para dar contorno a sua veia crítica, chamou um dos principais nomes do Concious Hip Hop, Immortal Technique - cuja ideologia foi irretocavelmente demonstrada pelo companheiro Forba na segunda edição do Batendo de Frente -, que acompanha o artista na sensacional faixa título, uma das mais empolgantes do álbum.
Por demais emocionante é, também, a faixa que fecha o disco, Still Standing,  na qual o MC conta dos percalços de sua infância, quando foi acometido por uma grave doença respiratória que quase o vitimou por duas vezes, e que o impediu de desfrutar plenamente das brincadeiras infantis, mas não barrou seu sonho de levar sua arte aos ouvidos de seus semelhantes.
Mas o clímax do disco é, sem dúvida alguma, a adaptação de In the Court of the Crimson King, feita ao lado de Citizen Cope: a faixa The Grand Illusion (Circa 1973), sob a roupagem do épico disco do King Crimson, traz uma intrincada crítica aos modelos de vida impostos pelas grandes hegemonias, dando a falsa impressão - daí a grande ilusão - de liberdade àqueles que lhes são subservientes.
Sim, é nesse nível. É por essa enorme gama de temas e por essa amálgama da simplicidade das periferias com a perspicácia dos mais talentosos poetas, que Pharoahe Monch é um dos melhores e mais completos MCs de todos os tempos.




Tracklist:
  1. "The Warning" (feat. Idris Elba) - 0:52
  2. "Calculated Amalgamation" - 2:47
  3. "Evolve" - 2:40
  4. "W.A.R." (feat. Immortal Technique & Vernon Reid) - 4:25
  5. "Clap (One Day)" (feat. Showtyme & DJ Boogie Blind) - 3:29
  6. "Black Hand Side" (feat. Styles P & Phonte) - 4:30
  7. "Let My People Go" - 3:55
  8. "Shine" (feat. Mela Machinko) - 4:07
  9. "Haile Selassie Karate" (feat. Mr. Porter) - 2:22
  10. "The Hitman" - 3:25
  11. "Assassins" (feat. Jean Grae & Royce da 5'9") - 4:31
  12. "The Grand Illusion (Circa 1973)" (feat. Citizen Cope) - 5:15
  13. "Still Standing" (feat. Jill Scott) - 5:17

Download


Quem escreve e faz os uploads:

 
Ignes Elevanium © 2011 DheTemplate.com & Main Blogger. Supported by Makeityourring Diamond Engagement Rings

Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.