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domingo, 4 de setembro de 2011
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Pignes 60's: Psychedelic Rock

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A partir da segunda metade da década de 60, o rock e o psicodelismo se misturam claramente e se torna praticamente impossivel separar ambas até o final da década/início da década de 70. Surgido a partir da reprodução de experiências com drogas lisérgicas na forma de música, a psicodelia se enveredou no rock e claramente ajudou a dar o pontapé inicial pra inúmeros subgêneros que viriam a dar as caras futuramente.

Essa reprodução de lisergia se deu principalmente no experimentalismo de novas técnicas e efeitos de gravação como delays, wah wah, distorções experimentais , usos de instrumentos não muito tradicionais como a citara, orgãos, harpas, mellotrons, fora os instrumentos eletrônicos mais primitivos como os sintetizadores e teremins. Fora isso tivemos o início da saga dos solos virtuoses, viajados e cheios de feeling. E sem esquecer muita influência de melodias indianas incorporadas a estilos mais tradicionais como o Blues Rock e o Folk Rock. Tudo isso gerou gêneros como psychedelic folk, psychedelic rock, psychedelic pop, psychedelic soul (tava todo mundo muito louco) fora outros gêneros que colheram os frutos disso claramente como o prog rock em especial, além do jazz rock, heavy metal, glam rock e até a música eletrônica.

Na montagem da coletânea, não consegui ter coragem de fugir dos grandes clássicos, seria ingrato não colocar o 13th Floor Elevators, os considerados criadores do gênero, que apesar de ser uma informação contraditória, ao menos  responsáveis por criar o termo foram eles. Também não daria pra deixar de fora o Sgt. Peppers do Beatles, considerado como um dos melhores álbuns da história, e também o de maior sucesso de toda essa onda. O Pink Floyd em sua fase embrionária e mais experimental, quando ainda eram liderados por Syd Barret que pouco depois iria pirar completamente graças ao uso excessivo de drogas. Ainda temos nosso querido Mutantes pra representar o Brasil, que se tornara provavelmente a segunda banda de rock brasileira (depois do Sepultura) a ter maior fama internacional, com total merecimento. Stones, Hendrix, Doors, Who, Cream também marcam como grandes medalhões de toda a história do Rock. Os amigos e colaboradores Zappa com seu Mothers of Creation e Van Vilet como Captain Beefheart and his Magical Band, dois dos músicos mais geniais de toda história sem exageros, completamente incomparaveis. Os fundamentos do Prog Rock também aparecem com King Crimson e Jefferson Airplane, além dos irmãos alemães mais experimentais do Prog como o Can e o Amon Düll II representando o Krautrock.
Enfim, tentei sintetizar essa fase tão rica e boa do rock que fora a psicodelia, embora seja até pretensioso fazer isso em uma coletânea com vinte e poucas músicas, espero que a audição seja uma experiência prazerosa.

Tracklist

1.Pink Floyd - Astronomy Domine (The Piper At The Gates Of Dawn)
2.Mutantes - Panis Et Circenses (Os Mutantes)
3.Frank Zappa & The Mothers Of Invetion - Motherly Love (Freak Out!)
4.Captain Beefheart and His Magical Band - Abba Zaba (Safe as Milk)
5.Velvet Underground - All Tomorrow's Parties (Velvet Underground & Nico)
6.Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band)
7.The 13th Floor Elevators - Roller Coaster (The Psychedelic Sounds Of 13th Floor Elevators)
8.Can - Mary, Mary So Contrary (Monster Movie)
9.The Who - I Can See For Miles (The Who Sell Out)
10.King Crimson - 21st Century Schizoid Man (In The Court Of King Crimson)
11.Cream - Sunshine Of Your Love (Disraeli Gears)
12.Jimi Hendrix Experience - Fire (Are You Experienced?)
13.The Doors - People Are Strange (Strange Days)
14.Jefferson Airplane - Somebody To Love (Surrealistic Pillow)
15.Grateful Dead - Born Cross-Eyed (Anthem Of The Sun)
16.Blue Cheer - Summertime Blues (Vincebus Eruptum)
17.Amon Düül II - Kanaan (Phallus Dei) 
18.Yardbirds - Over Under Sideways Down (Roger The Engineer) 
19.Rolling Stones - On With The Show (Their Satanic Majesties Request)
20.Aphrodite's Child - The Shepherd And The Moon (End Of The World)
21.H.P. Lovecraft - Let's Get Together (H.P. Lovecraft) 
22.Red Krayola - Hurricane Fighter Plane (The Parable Of Arable Land) 


sábado, 3 de setembro de 2011
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Pignes 60's: Experimental Rock

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Antes de começar a falar sobre a minha coletânea, vou falar sobre um fato constatável ao se fazer um apanhado de bandas experimentais dos anos 60. Bom, o rock em si como conhecemos começou a ficar famoso em seus moldes atuais naquela década, então, de forma grosseira, todo o rock daquela época tem um pé no experimental. Todas as bandas a algum nível deram sua contribuição de originalidade ao estilo, criando bases para a diversidade de vertentes que vemos atualmente.

No que tange as minhas escolhas, tentei não ser muito clichê, e não botei um nome que certamente gerará controvérsias: Frank Zappa. Mas só pelo motivo que ele deve aparecer em outras coletâneas por aí a rodo ainda nesta década. Mas como podem observar, não deu pra fugir muito de repetir bandas de outras coletâneas, como o caso do Velvet Underground, que apareceu numas três. Mas indo além desse problema, tentei fazer um apanhado de bandas e músicas que não só são em si experimentais, mas criaram despretenciosamente escolas de música experimental, como o Red Crayola e o Grateful Dead. Sem falar, é claro, dos primórdios do Progressivo, com King Crimson e Magma. O tropicalismo dos Mutantes está presente, assim como o Krautrock do Xhol Caravan e do Can. Pra finalizar os meus comentários, botei ainda o psicodelismo experimental do The 13th Floor Elevators.

Então é isso, a coletânea não está muito extensa, nem tem muitos nomes, mas por que eu coloquei algumas músicas muito longas, com mais de 20 minutos, e ficaria bastante tedioso uma coletanea extensa de músicas longas. É um aperitivo do que o experimental nessa década proporciona, e mais ainda um sinal do que viria a explodir na década de 70 no Krautrock e o Rock Progressivo. Espero que gostem.

Tracklist

1: Magma - Kobaia
2: The 13th Floor Elevators - You Don't Know
3: King Crimson - Moonchild
4: Can - You Doo Right
5: O Terço - A Flauta
6: Os Mutantes - Bat Macumba
7: The Grateful Dead - Attics Of My Life
8: The Monks - I Hate You
9: The Velvet Underground - Venus In Furs
10: The Reed Krayola - Guitar
11: Xhol Caravan - Pop Games

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
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Pignes 60's: Folk/Country

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A maioria dos leitores certamente estudou algo sobre o folclore na escola. Vocês se lembram? Falavam de cultura popular, costumes, tradições, histórias e cantigas passados de geração a geração. O termo "Folk" de "Folklore" é o mesmo "Folk" referente ao gênero musical desta coletânea. Assim sendo, pode-se dizer, a princípio, que a música Folk é a música tradicional de um povo, de uma região. Cada região no mundo teria seu próprio estilo musical Folk.
Esta coletânea, porém, se foca num Folk mais "específico". Trata-se de uma evolução da música Folk tradicional anglo-americana, um processo que começou no final do século XIX com artistas interessados na preservação desse tipo de música. Aos poucos, a música Folk foi se solidificando, com a criação de novas canções enraizadas nas canções tradicionais. Este novo estilo foi chamado de "Folk Revival" ou "Música Folk Contemporânea". O exemplo mais claro deste processo é o trabalho de Woody Guthrie. Ele interpretou muitas canções tradicionais e também escreveu canções próprias. (Seu trabalho é fantástico, ouçam! Por mais simples que sejam, suas canções são verdadeiramente tocantes). Woody foi inspiração para a maioria dos artistas presentes nesta coletânea.
Esta coletânea aborda também a música Country. Esta nada mais é do que outra evolução da música Folk que ocorreu nos EUA. A música Country nasceu no sudeste americano e se ramificou em diferentes formas, como o Honky Tonk, Outlaw e Hillbilly, este último que deu origem ao Rockabilly. Country e Folk se encontram com frequência. Muitos artistas - nesta coletânea temos Dylan, Cash, Seeger - escreveram canções enquadráveis nos dois gêneros.
Na década de 60, ambos os estilos se fundiram com o Rock. Talvez esta década tenha sido mais importante para o Folk do que para o Country, uma vez que o Country já era bem definido nos anos 50, ao passo que o Folk, bem disperso na década de 50, teve uma explosiva popularização na década seguinte. Surgiram muitos artistas que se utilizaram da música Folk das mais diversas maneiras. Por isto, o estilo se distanciou muito do "folclórico" original.
Quanto à sonoridade, o Folk se caracteriza - a princípio - pelo uso do violão combinado com gaita. Este instrumental foi sendo incrementado ao passar do tempo, mas ainda hoje continua sendo a base do estilo. O Country foi sempre mais versátil em relação ao instrumental, cabendo facilmente nele o uso de diversos instrumentos e sons. Mas o papel principal, em ambos os estilos, fica por conta do vocal e das letras. Belas vozes e letras inteligentíssimas estão presentes nestes estilos.
Esta coletânea começa com a canção "Where Have All The Flowers Gone?" escrita por Pete Seeger e Joe Hickerson em anos diferentes. É um bom exemplo de uma canção que remete ao Folk tradicional. Estruturada em estrofes padronizadas, lembra muito uma cantiga infantil. Sua profunda letra, porém, pouco tem de infantil. Esta canção me encantou especialmente, por isso dei destaque a ela. A seleção segue com outras canções mais tradicionais, incluindo a famosa House of the Rising Song, aqui cantada por Joan Baez. Foram inseridos também os populares Simon & Garfunkel e The Mamas & The Papas. (Não consegui deixar "California Dreamin'" de fora. É o tipo de música que todo mundo conhece, mas é digna de tanto reconhecimento [Michelle Phillips é muito linda! *.*]). "Woodstock" refere-se ao importante festival, onde o Folk teve grande participação. Em seguida, foram inseridas algumas canções Country, onde se destacam as belas vozes de Don Gibson, Willie Nelson, etc. A partir da faixa 17 - com The Byrds, banda pioneira tanto no Folk Rock quanto no Country Rock - apresenta-se uma lado mais "moderno" dos estilos. Além das fusões com o Rock, tem um pouco de Psychodelic-Folk com The Incredible String Band e um Blues-Folk sofisticado com Van Morrison. A memorável "Like a Rolling Stone" finaliza a seleção. Esta canção tem importância descomunal, quase tão grande quanto a importância de Bob Dylan para a história da Folk contemporâneo. É uma pena ter inserido apenas uma canção de Dylan na coletânea, mas ele é praticamente onipresente. Quase todos os outros artistas da coletânea já fizeram parceria com Dylan, ou já tocaram composições suas.

Obs.: Meus conhecimentos sobre Folk e Country, antes de começar a montar esta coletânea, eram próximos a zero. Provavelmente deixei artistas importantes de fora, provavelmente escrevi alguma informação errada. Peço que conhecedores do estilo adicionem informações relevantes nos comentários. ^^
Peço desculpas também pela baixa qualidade de algumas faixas. Em muitos momentos fiquei dividido entre retirar a canção ou deixá-la com qualidade ruim, e acabei optando pela segunda alternativa - como é o exemplo de "Turn! Turn! Turn!", na belissíssima versão de Judy Collins junto com Pete Seeger, cujo áudio foi retirado da gravação de um programa de TV.
Peço desculpas ainda pelo texto imenso.

Tracklist:

01. The Kingston Trio - Where Have All The Flowers Gone?
02. Peter, Paul and Mary - All My Trials
03. Simon & Garfunkel - I Am a Rock
04. Joan Baez - House Of The Rising Sun
05. Judy Collins & Pete Seeger - Turn! Turn! Turn!
06. The Highwaymen - The Gypsy Rover
07. The Mamas & The Papas - California Dreamin'
08. Odetta - The Golden Vanity
09. John Denver - Leaving On a Jet Plane
10. Joni Mitchell - Woodstock
11. Don Gibson - Sea Of Heartbreak
12. Merle Haggard - Workin' Man Blues
13. Bobby Bare - Detroit City
14. Tammy Wynette - I Don't Wanna Play House
15. Willie Nelson - Mr. Record Man
16. Johnny Cash - Ring Of Fire
17. The Byrds - I Am a Pilgrim
18. Buffalo Springfield - For What It's Worth
19. The Flying Burrito Brothers - Christine's Tune
20. Tim Buckley - Once I Was
21. Nick Drake - Three Hours
22. Pentangle - Light Flight
23. The Incredible String Band - Painting Box
24. Van Morrison - Cyprus Avenue
25. Bob Dylan - Like a Rolling Stone

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
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Pignes 60's: Funk/Soul/RnB

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No meu post de apresentação neste notável blog, eu disse que vocês não haveriam de esperar de mim resenhas muito longas, já que o papel delas é instigar, de forma sucinta, o leitor a comprar a sua ideia, no caso, baixar o disco indicado. No entanto, vai ser bem difícil cumprir com o prometido ao se falar de uma coletânea que cobre uma década. Ainda mais com estilos tão marcantes.
De um modo geral, Funk, Soul e R&B se entrelaçaram na década de 60. Alguns artistas desse selecionado se enveredaram pelos três estilos alternadamente. Os frutos desse período são colhidos até hoje, e um deles é o tão amado Hip Hop, e esse é um dos motivos que mais me alegraram em pesquisar mais a fundo o objeto desta coletânea. Sendo assim, passemos aos artistas escolhidos.
Quanto ao funk, cabe ressaltar que falar dele e não falar de James Brown é incorrer em erro gravíssimo. O cara praticamente inventou o estilo, que na década seguinte causou frenesi geral e encimou todas as paradas. Papa's Got a Brand New Bag retrata perfeitamente seu estilo e sua vivacidade. Elétrica e direta. E Se alguma música pode rivalizar com o legado de Brown no quesito importância ao funk, certamente é Thank You (Fallentinme Be Mice Elf Agin). Considerada uma das mais influentes canções do gênero, foi lançada em dezembro de 69, e obteve trocentas regravações, inluindo uma de Eddie Murphy, bem recente, pro terceiro filme da série Shrek.
Passando-se ao Soul, inicio com aquela que é reconhecida como a rainha do estilo. Respect foi escrita por Otis Redding (que também consta dessa lista), e afirmou a carreira de Aretha Franklin de vez, em 1965. Além dela, Sam Cooke é considerado um dos inventores do Soul, e consta de qualquer lista que fale do gênero, inequivocamente. Quanto aos duos, Sam & Dave formaram uma dupla carismática e de grande sucesso, que outorgaram alegria ao estilo e contribuíram para seu sucesso. Não poderia faltar, também, a vertente do Soul Blues, cujo maior expoente é Bobby Bland.
Mas o grande difusor do estilo, cuja importância histórica é inegável, é a Motown Records, gravadora fundada por Berry Gordy Jr em Nova York que propagou diversas formas de Soul. É responsável por grande parte dos lançamentos da década, inclusive das faixas aqui inscritas da lavra de The Miracles, Martha & the Vandellas, The Mar-Keys (soul instrumental), The Four Tops, The Temptations e The Supremes.
Completam esse selecionado alguns nomes que dispensam apresentações: Ray Charles, Stevie Wonder, Barbara Lewis, Wilson Pickett e Otis Redding, cujas canções que aqui incluí combinam letra e melodia perfeitamente. Valeu a pena montar essa coletânea só por descobrir tais músicas, de verdade.
Por fim, eu não poderia deixar de incluir algo nosso. Wilson Simonal é o Brasil na Soul/Funk/R&B do pignes. Nem Vem que Não Tem é a canção mais malandrona da face da terra. “Uma musiquinha para machucar os corações”, como ele próprio, do alto de toda sua sagacidade, introduz. Com “nem vem de garfo que hoje é dia de sopa” e “nem vem de escada que o incêndio é no porão”, chego à conclusão que tantos sentidos figurados juntos não podem dar em algo ruim. E como se não bastasse, incluí, como bonus track, a versão EM FRANCÊS, sim, EM FRANCÊS, desse clássico, feita por Michel Zanini. Aproveitem!

Tracklist
  1. James Brown - Papa's Got A Brand New Bag - 4:20
  2. Sly & the Family Stone - Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin) - 4:50
  3. Aretha Franklin - Respect - 2:22
  4. Sam & Dave - Soul Man - 2:39
  5. Wilson Pickett - Mustang Sally - 3:59
  6. Wilson Simonal - Nem Vem que Não Tem - 2:31
  7. The Supremes - You Can't Hurry Love - 2:53
  8. The Four Tops - I Can't Help Myself (Sugar Pie, Honey Bunch)
  9. Marvin Gaye & Tammi Terrel - Ain't no Mountain High Enough - 2:24
  10. The Temptations - Ain't Too Proud To Beg - 2:30
  11. The Mar-Keys - Last Night - 2:33
  12. Martha & the Vandellas - Nowhere to Run - 2:55
  13. Sam Cooke - (What A) Wonderful World - 2:11
  14. The Miracles - Ooo Baby Baby - 2:47
  15. Bobby Bland - Turn On Your Love Light - 2:31
  16. Otis Redding - (Sittin' On) the Dock of the Bay - 2:45
  17. Stevie Wonder - For Once In My Life - 2:49
  18. Ray Charles - I Can't Stop Loving You - 4:13
  19. Barbara Lewis - Baby I'm Yours - 2:30
  20. Michel Zanini - Tu Veux Ou Tu Veux Pas - 2:45
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
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Pignes 60's: Protopunk/Garage Rock

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Segundo o Wikipedia, aquele site de fontes bem duvidosas, o rock de garagem (ou Garage Rock) e o protopunk nunca foram reconhecidos como tal durante o boom de sua existência, ou seja, nos anos 60. Os termos vieram apenas na década seguinte exatamente para diferenciar os sons produzidos nos anos 60 e 70. “Rock de Garagem” ganhou este nome por ser algo tão caseiro, bruto, cru e efêmero que qualquer pessoa poderia muito bem montar a sua bandinha e ensaiar na garagem de seu pai! Daí vem a explicação da miríade de bandas que apareceram, tocaram − algumas gravaram alguma coisa (e isso não significa que foi algo bem feito, pelo contrário!), outras ficaram “famosas” − e, como todo pó volta a ser pó, sumiram...

Quanto ao Protopunk, a história já é um pouquinho mais complicada, ou não, depende do ponto de vista! Para quem não sabe, se é que alguém não sabe, o prefixo “proto” significa algo como “aquilo que se forma antes”; desta forma “protopunk” nada mais é que a “origem” do punk, claro, apresentado sonoramente bem diferente do que conhecemos, até porque, ao que percebi em minhas pesquisas e ressalto que posso estar errada e estar praticando a heresia musical, o Protopunk praticamente não existe quanto à parte sonora; seria algo mais ideológico do que propriamente musical! E isso se explicita nos próprios sites de músicas disponíveis por aí, se você procurá-los, encontrará tags como “Garage Punk”, “Garage Rock”, “Garage Rock/Psych/Beat” e os caralhos, mas dificilmente encontrará “Protopunk”, ao menos, isto foi algo que constatei. No entanto, a meu ver, há dois princípios básicos que, de certa forma, unem o Protopunk ao Garage Rock: a primitiva idéia de “Do it yourself” e as temáticas “revolucionárias”.

O fato é que eu não conhecia ABSOLUTAMENTE nada sobre ambos os estilos; a frustração foi grande quando descobri que as únicas bandas que conhecia dos gêneros eram: The Stooges, Velvet Underground e Beatles; as primeiras eu nunca gostei e Beatles?! Bem... gosto das mais conhecidas! E a decepção foi proporcional quando constatei que as melhores músicas do Bowie, que se encaixariam perfeitamente em minha coletânea, eram dos anos 70! Outro grande empecilho fora as constantes influências de outros gêneros que ocorriam nos anos 60, sendo assim, difícil seria montar uma coletânea genuína. Portanto, acho que o que fiz ficou mais para “coletânea híbrida”. Também fiquei muito feliz, apesar dos pesares, em conseguir reunir características bem minhas nas bandas/músicas que selecionei, por exemplo:
- o clichêzão: Beatles;
- o idioma estranho: Dzikusu (banda polonesa que canta em polonês, olha que coisa linda!);
- a salada: Les Baroques (banda holandesa com nome francês que canta em inglês!);
- o feminismo (?) incubado: Lyn & The Invaders, Denise e The Luv’d Ones (esta última composta apenas por mulheres que, de fato, não perderam tempo se descabelando e dando gritinhos histéricos, e foram fazer as suas próprias músicas!);
- o cláááááááássico: The Monks, The Sonics, MC5 (sem dúvida, MC5 é uma das bandas que mostra já nos anos 60 o desprezo por temáticas cute cute e o gosto por passar mensagens revolucionárias repletas de palavrões e... É, FODA-SE!);
- o underground: Crushed Butler (tão underground que nem lembro como a conheci!);
- a dedicatória: The Fugs − a minha mona, Camilo; que sempre me ajudou e desta vez não foi diferente, afinal, “quem ama reupa!”.



Tracklist:

01. The Monks - Boys Are Boys
02. The Sonics - Have Love Will Travel
03. West Coast Pop Art Experimental Band - You Really Got Me
04. MC5 - Tonite
05. Five Canadians - Writing On The Wall
06. Les Baroques - I Was Wrong
07. The Fugs - Doin' All Rignt
08. Pretty Things - Free Love
09. Crushed Butler - High School Dropout
10. Lincoln Street Exit - The Brummer
11. The Rationals - I Need You
12. The Lemon Fog - Yes I cry
13. Dzikusu - Piastelsi
14. The Beatles- She Loves You
15. Denise - What'll You Do Then
16. The Who - Run Run Run
17. The Luv'd Ones - Walkin' The Dog
18. Lyn & The Invaders - Boy is Gone
19. Los Saicos - Lonely Star
20. Hipster Image - Make Her Mine

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domingo, 28 de agosto de 2011
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Pignes 60's: Blues/Blues Rock

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A primeira coisa que eu gostaria de dizer é que eu nunca tive a pretensão de, em vinte e poucas canções, sintetizar todo o sentimento e produção musical de um gênero tão extenso e importante quanto o Blues e sua fusão com o Rock. Eu tenho que me eximir um pouco da responsabilidade, claro. Alguns dos vários nomes que não apareceram na coletânea, eu vou postando aos poucos.

A segunda coisa é que eu acredito que, para explicar as minhas escolhas, é necessário uma breve introdução histórica . O Blues nasceu nas fazendas de algodão do Sul dos Estados Unidos. Aonde os negros soltavam a voz para aliviar um pouco o cansaço do trabalho. A primeira geração de bluesmen profissionais era composta de negros incapacitados para o trabalho manual. Blind Lemon Jefferson talvez seja o maior representante desta geração. E foi dessa forma que o Blues de bases harmônicas simples se espalhou rapidamente por todo Sul do Estados Unidos com os músicos intinerantes de vida na estrada.

Até a segunda Guerra Mundial, o principal celeiro musical do Blues era a região do Delta Mississipi. Aquela região seria a responsável pelo aparecimento daqueles que talvez fossem os maiores bluesmen de toda a história, dentre eles, o lendário Robert Johnson. E de um gênero musical único, o Delta Blues que inventaria um truque aprimorado por Elmore James, o Slide. Mas com o ínicio da Segunda Guerra Mundial, o panorama social americano mudou drasticamene. Os negros agora habitavam as periferias das grandes cidades do Centro-Norte como Memphis, mas especialmente, Chicago. E foi nesse cenário urbano que aconteceria a adição de um novo elemento: a guitarra elétrica. Aqui, na adição deste novo elemento, começa verdadeiramente a minha coletânea.

Chicago viu nascer a parceria de Muddy Waters e Willie Dixon que renderia vários blues standards. Buddy Guy e Otis Rush seriam nomes responsáveis pela consolidação do Chicago Blues. Enquanto isso, o solitário John Lee Hooker surgia em Detroit. Os três reis da guitarra elétrica cravariam seu nome na história na música: B.B. King, Albert King e Freddie King. Embora bluesmens como Lightnin' Hopkins e Jimmy Reed não deixassem de ser nomes importantes.

Nesta época, o Rock já havia nascido. Mais do que isto, o Blues era ingrediente fundamental no receita de qualquer banda. De Elvis Presley a Led Zeppelin não havia quem não tivesse sido influenciado. Por isto, Paul Butterfield Blues Band que foi importante levando o Blues aos brancos. Com toda essa agitação nos Estados Unidos era natural que o Blues chegasse a Terra da Rainha. Era tempo do Blues britânico: John Mayall, Savoy Brown, Peter Green e, futuramente, o prodígio, Eric Clapton.

Mas não só o Blues chegou em terras inglesas como também o Rock And Roll. Estas novas bandas influenciadas pelo Rock e Blues formariam o Blues Rock britânico. Muitas delas participariam da chamada "Invasão Britânica". The Animals, The Rolling Stones e, especialmente, o The Yardbirds foram as minhas escolhidas. Eu digo especialmente o The Yardbirds porque a banda ficou famosa por ter, em tempos diferentes, ninguém mais, ninguém menos que Jimmy Page, Eric Capton e Jeff Beck. Que seriam os homens responsáveis pelo desfecho do Blues Rock na decáda de 1960. Enquato Jimmy Page se uniria a Robert Plant e fundaria o Led Zeppelin, Jeff Beck montaria seu Jeff Beck Group supostamente para rivalizar com o Led. Fato é que o resultado do Blues Rock, na decáda de 1970, é o Hard Rock.

Tracklist

01. Fleetwood Mac - My Heart Beat Like a Hammer
02. B. B. King - You Done Lost Your Good Thing Now
03. The Animals - I'm Crying
04. Howlin' Wolf - Back Door Man
05. Lonnie Mack - Memphis
06. Jimmy Reed - Bright Lights, Big City
07. The Rolling Stones - Cry To Me
08. John Lee Hooker - One Bourbon, One Scotch, One Beer
09. John Mayall - All Your Love
10. Muddy Waters - (I'm Your) Hoochie Coochie Man
11. Cream - I Feel Free
12. Albert King - Oh, Pretty Woman
13. The Yardbirds - I'm a Man
14. Elmore James - Done Somebody Wrong
15. Canned Heat - On The Road Again
16. Otis Rush - Homework
17. Savoy Brown - It Hurts Me Too
18. Freddie King - Get Out of My Life, Woman
19. Memphis Slim and Willie Dixon - How Make You Do Me Like You Do
20. Paul Butterfield Blues Band - Two Trains Running
21. Lightnin' Hopkins - Mojo Hand
22. The Jeff Beck Group - Morning Dew
23. Buddy Guy - Money (That's What I Want)
24. Ten Years After - I'm Going Home

Mediafire (Link gentilmente reupado pelo visitante Fred, valeu cara! - agradeçam a ele, bando de maleducados)


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Coletâneas Pignes: Anos 60

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Já se tornou tradicional aqui no Pignes, nos uploaders organizarmos coletâneas sobre temas específicos, onde cada um se esforça pra montar uma coletânea baseada naquilo. Dessa vez alguns de nos fizemos coletâneas sobre os anos 60, cada uma tratando sobre algum gênero popular da época. Durante o decorrer dessa semana, vocês encontrarão a cada dia uma nova coletânea, espero que gostem.
domingo, 12 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: Jazz

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Por fim a última das coletâneas. Como abri com a de música erúdita, seria natural fechar em grande estilo. Obviamente pra finalizar o talvez gênero mais importante da música após a erúdita, o Jazz. Coletânea by Panda.

Comentário: Mais do que um estilo musical, O jazz é uma manifestação artístico-musical originária dos Estados Unidos que teria supostamente surgido por volta do início do século XX na região de Nova Orleans e em suas proximidades.

Tendo na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam um de seus espaços e desenvolvendo-se com a mistura de várias tradições musicais, em particular a afro-americana.A forma de se fazer música incorporava blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia,improvisação ao extremo e notas com swing do ragtime.

Desde o começo do seu desenvolvimento, no início do século XX, o Jazz produziu uma grande variedade de subgêneros, como o Dixieland da década de 1910, o Swing das Big bands das décadas de 30 e 40,o Bebop de meados da década de 40,o Jazz latino das décadas de 1950 e 1960, e o Fusion das décadas de 1970 e 1980, anos do seu pico de popularidade, a era de ouro. Devido à sua divulgação mundial, o mesmo se adaptou a muitos estilos musicais locais, obtendo assim uma grande variedade melódica, harmônica e rítmica.

Trago-vos uma mera pincelada de alguns dos gêneros mais aclamado e adorado de todos os tempos da música.


Tracklist

Jazzy Evoluti

Chord first
String one: Dixieland
01. Del Kay - Medley
02. Jazz Band - Home Again Blues
03. New Orleans Jazz Band - Charleston
String Two: Ragtime
04. Ernest Hogan - Conn Song
05. Tom Turpin - Two Step Rag
06. Vess Ossman - Florida Rag
07. William H Kell - Rag Show Tune
Chord Second
String one: Swing Music
08. Benny Goodman - Let's Dance
09. Buddy Rich Big Band - Pick up the Pieces
10. Duke Ellington - Take the "a" Train
11. Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. - I Left My Heart in San Francisco
12. Glenn Miller - In the Mood
13. Tommy Dorsey & Artie Shaw - Love Walked in
Chord Third
String one: Bebop
14. Bud Powell - All the things you are
15. George Gershwin - I Got Rhythm
16. Sarah Vaughan - Something
17. Sonny Stitt - Lover Man
String two: Hardbop
18. Clifford Brown - Yesterdays
19. Frank Rosolino - Corcovado
20. Peggy Lee - Smoke Gets in your Eyes
21. Thelonious Monk - Brilliant Corners
Chord fourth
String one: Free Jazz
22. Cecil Taylor - Tales (8 whisps)
23. Eric Dolphy - Iron Man
24. Ornette Coleman = Fist Take
Chord Fifth
String one: Post bop
25. Charles Mingus - Work Song
26. Wayne Shorter - Footprints
27. John Coltrane - Mr. P.C.
Chord Sixth
String one: Jazz Funk
28. The New Mastersounds - Forgiveness
29. Victor Wooten - A Chick from Corea
String two: Jazz Fusion
30. Al Di Meola - Lady of Rome, sister of Brazil
31. Allan Hodsworth - Secrets
32. Blood, sweat and tears - And when I die
33. Chick Corea - Paint the World
34. Dave Weckl - Access Denied
35. Frank Gambale - The User
36. Mahavishnu Orchestra - Birds of Fire
37. Mike Stern - All Heart
38. Return to Forever - Sorceress
39. Vital Information - Snap out of it
40. Weather Report - Morning Lake
41. Yellowjackets - Top Secret
String two: Jazz Soul
42. Breakestra - Get your Soul Together
43. Oliver Sain - On the hill
Chord Seventh
String one: Acid Jazz
44. India Arie - Butterfly
45. St Germain - So Flute
Strint two: Smooth Jazz
46. Miles Davis - So What
47. Dizzy Gillespie - Night in Tunisia
48. Fourplay - Free Range
Chord Eighth
String one: M-base
49. Geri Allen - Lush Life
50. Greg Osby - Mr Gutterman

Parte 1 - Parte 2
sábado, 11 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: World Music

3 comentários
Essa sem dúvidas fora uma das coletâneas mais interessantes publicadas, fica ai a recomendação.

Comentário: Vou fazer uma justificativa rápida da escolha das músicas. Em geral eu queria fazer algo que fosse agradável de escutar, diversificado e que possuísse uma qualidade mínima de gravação.

World Music por si só é um termo muito vago, sem significado musical. Diz-se apenas da música folclórica de uma cultura interpretada por músicos pertencentes a esta cultura.

Portanto na coletânea encontramos música de regiões rivais politicamente. A sítar do indiano Ravi Shankar somada à potência vocal do paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan. E isto foi uma das coisas mais interessantes na elaboração da coletânea. Encontrar semelhanças musicais em regiões isoladas geograficamente ou geopoliticamente. Qual não foi minha surpresa ao encontrar na Morna (gênero musical e de dança de Cabo Verde) as mesmas bases da nossa música latina e do samba.

Outra coisa muito interessante foi ver a mistura de gêneros. A interseção do Blues com a música caribenha (Taj Mahal) ou com a música tradicional da República do Mali (Ali Farka Touré e Tinariwen). O belíssimo ponto de encontro da música árabe com o Jazz representado por Anouar Brahem. No Brasil André Abujamra possui uma extensa obra direcionada a divulgação da diversidade cultural. Ele está presente com sua banda Karnak. A atemporalidade da banda Irfan que conseguiu fundir o moderno Ethereal Wave à música tradicional medieval e búlgara. 

Todos poderão descobrir o resto se baixarem. Espero que gostem!

Tracklist

01. Vandanaa Trayee – Ravi Shankar (Índia)
02. Tumhain Dillagi Bhool (Part 1) - Nusrat Fateh Ali Khan (Paquistão)
03. Queen Bee – Taj Mahal (EUA)
04. Hawai'i '78 - Israel Kamakawiwo'ole (EUA – Hawaii)
05. Leila Au Pays Du Carrousel, var. - Anouar Brahem (Tunísia)
06. Haru No Umi - Michio Miyagi (Japão)
07. Hagia Sophia – Irfan (Bulgaria)
08. Les Musicians du Nil – Salamat (Egito)
09. Dark Moon, High Tide - Afro Celt Sound System (Vários)
10. Allah - Youssou N'Dour (Senegal)
11. Madan – Salif Keita (República do Mali)
12. Dance of Eagle - Sainkho Namtchylak (Mongólia)
13. Sodade - Cesária Évora (Cabo Verde)
14. Alma Não Tem Cor – Karnak (Brasil)
15. Allah Uya – Ali Farka Touré (República do Mali)
16. O Rama - Susheela Raman (Reino Unido / Sri Lanka)
17. Cler Achel – Tinariwen (República do Mali)
18. Zombie - Fela Kuti (Nigéria)
19. I Love You! - Omar Faruk Tekbilek (Turquia)
20. Tumhain Dillagi Bhool (Part 2) - Nusrat Fateh Ali Khan (Paquistão)

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quarta-feira, 8 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: New Age

2 comentários
Coletânea gostosa e relaxante de ouvir, fiquem com a ótima coletânea do Romulo (recomendo que baixem pras suas mães, toda mãe gosta de New Age).

Comentário: "New Age" é um movimento musical caracterizado principalmente por sua sonoridade suave e relaxante. Trata-se da face musical de um movimento filosófico que busca a espiritualidade isenta de dogmas e barreiras religiosas, visando bem estar psicológico e social. O termo "New Age" refere-se à polêmica Era de Aquarius, cuja aproximação inspirou os seguidores do movimento. A música New Age, assim como o movimento, tem um traço de espiritualidade, com sons que geralmente transmitem paz, calma, esperança. Em virtude disto, grande parte de seus ouvintes é praticante de yoga, meditação, etc. Entretanto, é importante lembrar que os artistas que executam a música New Age não necessariamente fazem parte deste movimento, e algumas vezes sequer gostam de serem rotulados como tal.

O New Age não é um estilo musical propriamente dito. Seus limites são um tanto quanto indefinidos, bem como sua origem. Canções eruditas, folclóricas, eletrônicas e ambientes podem ser classificadas como "New Age" quando se aproximam da proposta central do estilo. Entretanto, alguns aspectos musicais ajudam na classificação, tais como sons etéreos, melodias "fáceis", grande presença de efeitos eletrônicos, cantos gregorianos, reprodução de sons da natureza, pianos, violinos, flautas, e por aí vai. O instrumental geralmente grande ênfase, sendo que muitos artistas atual apenas com o instrumental.

Suas origens estão espalhadas em muitos estilos e lugares. Por volta dos anos 70 podemos encontrar artistas de música clássica, Jazz, Rock e World Music buscando inovações, principalmente através de ambientações etéreas e elementos eletrônicos. Alguns artistas que contribuíram nessa formação foram: Paul Horn, Deuter, Kitaro, Paul Winter, William Ackerman, e até mesmo os conhecidos do Rock: Mike Oldfield,  Vangelis, Brian Eno e Peter Gabriel.

Nesta coletânea, tentei selecionar diversos "campos" da música New Age. Por ser um gênero com um número elevado de grandes artistas, muitos foram deixados de lado. Mas estão inclusos artitas que popularizaram o estilo, como Enya e Era. Exploradores do eletrônico, como Blue Stone, Jean-Michael Jarre e Ray Lynch. Algumas músicas mundialmente conhecidas, como Conquest of Paradise do genial Vangelis, Nocturne do Secret Garden e Adiemus, do grupo homônimo. Tem ainda os ótimos compositores Kitaro e Yanni (foi doloroso selecionar apenas uma canção na imensa obra desses caras). A música folk (especialmente a celta), que anda lado a lado com o New Age, foi inserida na sua forma mais sutil, através dos obrigatórios artistas David Arkenstone, Deep Forest e Loreena Mckennitt. Marcus Viana, cujas belas canções foram tema de diversas novelas da Rede Globo, Vem representar o New Age nacional. Também estão inseridos artistas menos desconhecidos que fazem um som encantador, como Australis, Asher Quinn e B-Tribe. 

Tracklist

1.    Enya - Caribbean Blue   
2.    Secret Garden - Nocturne   
3.    Mars Lasar - Valley of the Giants   
4.    Adiemus - Adiemus   
5.    Blue Stone – Break of Dawn
6.    Era - Enae Volare Mezzo   
7.    Yanni - Felitsa   
8.    Lesiëm    - Una Terra   
9.    Jean-Michel Jarre - Equinoxe Part. 3   
10.    Loreena Mckennitt - Bonny Portmore   
11.    Vangelis - Conquest of Paradise   
12.    William Ackerman – Remedios
13.    Amethystium - Autumn Interlude   
14.    Kitaro – Moondance
15.    Kevin Kern - Fairywings   
16.    Suzanne Ciani feat. Chyi Yu - Turning   
17.    Marcus Viana - Vidas, Amores e Guerras   
18.    Deep Forest - Sweet Lullaby   
19.    B-Tribe - Angelic Voices (Rebirth Remix)   
20.    David Arkenstone – The Festival
21.    Ray Lynch – The Oh of Pleasure
22.    Australis – Barren Lands
23.    Enigma - Gravity of Love
24.    Asher Quinn – Return To Your Soul    

terça-feira, 7 de junho de 2011
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Pignes Coletâneas 2011: Trip Hop

9 comentários
Coletânea montada pelo Ian antes de sair do blog, mas que mesmo assim gentilmente cedeu ela pra postagem, posso dizer como um grande fã da música introspectiva e sensual que o trip-hop é, que a coletânea está com um setlist muito bom, recomendo.

Comentário: Fiz a coletânea centrada numa das músicas mais simbólicas do Trip-Hop: Glory Box, que finaliza o álbum. Essa coletânea começa com melodias que lembram tal obra-prima do Portishead em To Catch a Thief, da satírica Lovage, e segue relembrando-a, como em Hell Is Round the Corner, por Tricky. Portanto, seleção homogênea na medida do possível, agradável de se escutar, sem sensações de tropeços na transição de uma música para outra. Uma boa introdução ao gênero.

Tracklist

01. Lovage - To Catch a Thief
02. Flying Lotus - Bad Actors

03. Archive - Again

04. Big Sir - Nonstop Drummer
05. Sneaker Pimps - 6 Underground
06. DJ Shadow - Changeling

07. UNKLE - Lonely Soul
08. Björk - Pleasure Is All Mine

09. Blockhead - Carnivores Unite
10. Tricky - Hell Is Round the Corner
11. Bonobo - Kiara

12. Emancipator - Nevergreen

13. Lamb - God Bless

14. RJD2 - Smoke & Mirrors
15. Saltillo - A Necessary End

16. Massive Attack - Teardrop

17. Long Arm - After 4AM
18. Thievery Corporation - Until the Morning

19. Nightmares On Wax - Nights Interlude
20. Portishead - Glory Box
domingo, 5 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: Pignes goes Hip Hop

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Comentário: Sempre achei interessante como os ditos "roqueiros" vêem o hip hop como seu grande antagonista na música. Isso foi algo que sempre me intrigou visto que ambos são os gêneros mais difundidos de música urbana contemporânea, dois estilos nascidos das mãos dos negros e que se tornaram os maiores representantes musicais da juventude transgressoras nas últimas décadas. Músicas vindas das ruas para expressar o sentimento de jovens a quase três gerações, e que mesmo com o passar do tempo, ao contrário dos inúmeros gêneros que transitam pela música pop, estes se mantém firme e forte.

Nessa coletânea me preocupei em montar uma boa seleção de uma ramificação do hip hop relativamente recente desenvolvida de forma totalmente independente chamada de "underground hip hop", fiz isso para que aqueles que ainda não conhecem e resolvam dar uma chance recebam uma bela surpresa. Hoje em dia a imagem que é muito difundida do hip hop é aquela vinda do tão famoso West Coast que criou a imagem do gangsta, dos bling blings, dinheiros, mulheres, carros e outras futilidades além.

Esqueçamos tudo isso, as motivações aqui são maiores, hip hop com letras profundas que abordam desde tematicas sentimentais, críticas das mais ácidas a sociedade, questionamentos sobre fé, niilismo, dentre outras temas fortes e até polêmicos. Enfim o que eu quero dizer é que podem esperar aqui por músicas densas, de atmosfera sonora envolvemente, onde cada rapper selecionado possui um flow excelente, que converge perfeitamente com suas batidas. É essa grande sacada aqui no tal underground hip hop, a combinação dessas grandes letras, do flow, com uma preocupação melódica muito grande. Aqueles que costumam usar críticas piegas ao falar mal de hip hop comumente usando argumentos do tipo “rap é só uma batida repetitiva com alguém falando” vem abaixo.

Desde as músicas com programação eletrônica das mais simples, ja é possivel notar essa preocupação com melodia e atmosfera, mas grande parte vai muito além. Sejam guitarras distorcidas e pesadas como na faixa do Saul Williams, o puro jazz encontrado em músicas como as do Madvillain e muitos outros, a base de piano do Tonedeff, o violão com influências folk do Sage Francis, o canto lírico dando tom épico na faixa do Ill Bill, a atmosfera trip hop do Kno, entre tantas e tantas outras influências que esses caras carregam em suas músicas.

Tracklist

01 - Atmosphere - Until The Nipple's Gone
02 - Sadistik - Playing God
03 - Ill Bill - Babylon
04 - Grieves - Dead In The Water
05 - Madvillain - All Caps
06 - Cage - Hell's Winter
07 - Cunnylinguists - Shattered Dreams
08 - Saul Williams -Telegram
09 - Aesop Rock - Daylight
10 - cLOUDDEAD - And All You Can Do Is Laugh, Pt. 1
11 - Dälek - No Question
12 - MF Doom - Hoe Cakes
13 - Mos Def - Auditorium
14 - El-P - Flyentology
15 - Fat Jon - Adhara
16 - Why - The Vowels Pt. 2
17 - Kno - They Told Me
18 - Tonedeff - Masochist
19 - Blackalicious - The Fall And Rise Of Elliot Brown
20 - Input - Pictureface
21 - P.O.S - Goodbye
22 - Eternia & Moss - Any Man
23 - Tyler, The Creator - Yonkers
24 - Sage Francis - Polterzeitgeist

sexta-feira, 3 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: Reggae

4 comentários
Luccas como um grande especialista em marijuana se ofereceu pra coletânea sobre Reggae, esse gênero tão popular no Brasil, apreciem:

Comentário: Hoje tenho a missão de escrever sobre a coletânea de reggae e essa missão não é fácil, é uma grande responsabilidade e faço isso com muito respeito.
Logo de cara queria deixar claro que não compensa comentar a música um, ou a dois entre outras. Você tem que ouvir. Afinal, segui um linha de pensamento onde, pensei a galera não conhece bem o gênero então tentei escolher os clássicos...
Aqui você vai encontrar um Reggae gostoso de ser ouvido. Batidas certeiras que entram e ficam. Poesias em letras letras que me fez pensar ’’porque diabo não escrevi isso...” Realmente são muito boas. Fico imaginando esse caras tocando um som desses numa bela praia, viagem total!!

Tracklist

1 - Natiruts - Andei só
2 - Jimmy Cliff - Born to win
3 - Nação Regueira - Canção ao Mar
4 - Horace Andy - Children Of Israel
5 - Burning Spear - Colombus
6 - Planta E raiz - Com certeza
7 - Johnny Clarke - Crazy Baldhead
8 - The Icebreakers With The Diamond - Grand Rock
9 - Mighty Diamonds - Tonight
10 - Sly Dunbar - Dirty Harry
11 - Chimarrut's - Do lado de cá
12 - U roy - Dreadlocks Dread
13 - Special aka - Gangsters
14 - Peter Tosh - Guide Me from my Friends
15 - Alpha Blondy - I love Paris
16 - The ruts - Jah war
17 - Expressão Regueira - Lembranças de um luau
18 - Vital Dub - Merciful Dub
19 - Althea & Donna - No more fighting
20 - Prince far I - No more war dub
21 - Tribo de Jah - Regueiros Guerreiros
22 - Filosofia Reggae - Sentimento bom
23 - The Gladiators - Soul Rebel
24 - Alpha Blondy - Travailler C'est Trop Dur
25 - Maxi Priest - Wild World

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Coletâneas Pignes 2011: Neofolk

2 comentários

Nesse quarto dia de coletânea, trago a belissima compilação do Guilherme de um gênero que eu gosto muito porém nunca me aprofundei de fato, mas vou aproveitar a deixa, espero que vocês também :D

Comentário: O Neofolk é um desdobramento da Música Folclórica (principalmente européia). As influências eruditas e regionais são fortíssimas neste gênero, que alia o clássico ao moderno, o tradicional ao experimental.

Os grupos que fazem o Neofolk concentram-se na Europa, principalmente em países nos quais a raíz cultural e folclórica é mais latente, como os escandinavos. O pioneirismo, sempre ronda a reputação dos grupos Death in June e Current 93.

O Neofolk resgata a música e instrumentos nativos e tradicionais, porém, ao contrário dos grupos do Folk tradicional, à este som é adicionado um novo elemento, um teor pessimista, dark e muitas vezes depressivos e apocalípticos. Elementos da música pós-moderna, como o industrial e eletrônica são geralmente associados à erudição sonora. O darkwave e o ethereal são, também, de comum aglutinação ao gênero.

A temática lírica do Neofolk geralmente ronda a mitologia, como não poderia deixar de ser, além do ocultismo, paganismo, literatura (Lord Byron frequentemente) e a ancestralidade. Alguns grupos como o Spiritual Front e o Ordo Rosarius Equilibrio abordam fortemente os elementos filosóficos, principalmente de correntes filosóficas da escola alemã, como o Niilismo.

Muitas vezes o Neofolk é associado, errôneamente, ao Folk Metal. Embora ambos os gêneros sejam derivados e prestem tributos à musica folclórica, e incorporem diferentes elementos modernos, ambos gêneros são divergentes e até certo ponto distantes. Exceto casos como o Agalloch, que aborda tanto o folk metal quanto o neofolk em uma abordagem peculiar e única.

O Neofolk é um gênero pouco badalado, que têm nichos de fãs espalhados pelo mundo porém concentrados no velho continente, mas que tem uma vastidão e efervescência criativa fora de série.

Tracklist

01. Sol Invictus - Like a Sword (6:04)
02. Current 93 - A Song For Douglas After He's Dead (5:00)
03. Death In June - Hullo Angel (1:36)
04. Ordo Rosarius Equilibrio - Remember Depravity and the Orgies of Rome (4:30)
05. Íon - O Efeito do Verão (5:35)
06. Ulver - Utreise (2:56)
07. O Quam Tristis - Benedictimus Be (3:26)
08. Qntal - Palestinalied (5:58)
09. Agalloch - A Desolation Song (5:08)
10. Tenhi - Huomen (6:46)
11. In Ruin - Cold Confort (3:49)
12. Spiritual Front - My Kingdom For A Horse (3:36)
13. Vali- Et Ensomt Minne (4:21)
14. :Of Wand and the Moon: - Raven Chant (3:49)
15. Ordo Rosarius Equilibrio & Spiritual Front - Dreaming of my Scarlet Woman (4:44)
16. Sonne Hagal - Ragnaroek (3:40)
17. Der Blaue Reiter - La Clameur De L'ombre (2:34)
18. Corde Obliqué - Winds of Fortune (10:38)
19. Nest - Renewal (3:51)
20. In Ruin - Followe Thy Faire Sunne Unhapp Shaddowe (16:01)

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quarta-feira, 1 de junho de 2011
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Coletâneas Pignes 2011: Música Brasileira

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Nesse terceiro dia de coletâneas, é a vez do nosso amigo Damien, que se empolgou um pouco e fez uma coletânea de 25 músicas e uma resenha indecentemente grande (porém muito bem feita, é uma mini aula de música tradicional brasileira).


Comentário: Para não fazer uma coletânea tão misturada e sem sentido musical, foi optado 'limitar-se' no Choro, Samba e Bossa-Nova. Entretanto há indícios de outros estilos nesta lista, e elementos um tanto não tão adotados.
Também não posso classificar como uma coletânea brasileira, visto que trouxe nomes renomados que se encarregaram de exportar nosso som ao mundo, e também você ouvirá um (a) novo (a) artista fazendo o mesmo, mas em terra ainda mais distante.
Aqui trago um pouco de tudo — ou tento — como partido alto, samba raiz, um puxadinho de MPB, uma boa proza com o jazz e até uma aventura no experimentalismo. Tudo isso tentando fugir do rock, que se fosse livre, OMG, seria um martírio ainda maior formar uma lista com apenas 20~25 músicas.
Quanto aos clássicos, aos pioneiros de cada fase/subgênero, tentei colocar alguns, mas não quis focar nem neles e nem nos maiores representantes, já que são sempre mencionados, inclusive já postei — e outros uploaders — alguns deles aqui. Entretanto não os ignorei, claro, mas adicionei também novos nomes, nomes gozados, nomes desconhecidos. Em geral ela vai desde o terreiro até o cinema, desde o boteco até o sambódromo, desde o morro até a novela das nove.
Contudo deixei o pagode de lado. Não por simplesmente achar vulgar — visto que quase tudo que eu ouço tenta soar vulgar — , mas sim pelo ritmo pouco atrativo. Mas mesmo assim coloquei uma das grandes de Zeca Baleiro com participação de Zeca Pagodinho — este que sem dúvida é o grande nome atual do gênero. Nem mesmo teu pagode me simpatiza ao ponto de parar para ouvi-lo, mas seu samba é sempre bem humorado e vale muito a pena ser tocado naquele churrasco, além de ser um dos poucos cantores famosos de samba que ainda seguram o partido-alto em sua carreira. Já Zeca Baleiro é uma batida de estilos, como bem sabemos, tendo quem adore e quem odeie.

Deixei também grandes nomes de fora, eu sei, mas foi proposital. Quanto às músicas, não me liguei na ideia de quais representam melhor, quais as 'melhores', mais conhecidas, etc. e tal, mas sim naquelas que me cativam, e que realmente é o importante: uma coletânea sincera. Coerência? Bom, não é fácil, já que eu não foquei nem em um, nem em outro, viajando em épocas diferentes. A sonoridade de músicas interpretadas por Carmen Miranda, por exemplo, sempre soam antiquadas, ou mesmo brega para alguns. Por outro lado Novos Baianos sempre dá um ânimo surpreendente, até mesmo ultrapassado as composições mais alegres e sempre pareceu à frente do seu tempo. Satanique Samba Trio distorce o gênero em segmentos, mas mantem a essência. Baden Powell só no virtuosismo... Enfim, talvez não seja fácil acompanhar, mas todas são ótimas músicas, o que faz disto realmente uma playlist em modo randon, e não um disco.



Partindo para as apresentações e um pouquinho de conhecimento:

Trio Madeira (Machucando): o Trio Madeira já foi apresentado anteriormente na soundtrack Brasileirinho - Grandes Encontros do Choro Contemporâneo, e é sem dúvida uma das minhas favoritas deste documentário. Composto por Adalberto de Souza, um músico do qual possui uma biografia desconhecida, mas que aparentemente é sogro de Abel Ferreira. Coincidentemente esta música ganhou destaque mundial depois deste mesmo documentário que publiquei. Aqui, Machucando é executada pelo já dito Trio Madeira.

Novos Baianos (Vamos Pro Mundo): banda que há muito venho pensando em postá-la. Normalmente eles fazem um samba de partido-alto muito influenciado pelo rock, sem esquecer-se de temperar com outros estilos, mas aqui tentei pegar algo mais carente dele.
Gosto deles por serem mais despretensiosos, fazerem música aqui e agora, ao vivo e a cores, e sempre ter um resultado magnífico. Vamos Pro Mundo é um exemplo disto, e também mostra o bom humor e a simpatia. Curiosidade: Seu segundo disco, Acabou Chorare, foi considerado pela revista Rolling Stone como o maior disco da história da música brasileira.

Chico Buarque (Homenagem Ao Malandro): Chico Buarque é meu cantor e letrista brasileiro favorito e não pense que eu faria uma coletânea sem ele. Possui muitas e muitas boas pedidas, mas cá trago Homenagem Ao Malandro, que sem um porque definido foi escolhida com dificuldade. Música bem conhecida de quem já teve a oportunidade de ver Ópera do Malandro.

Carmen Miranda (E o Mundo Não se Acabou): pode parecer sátira, e É! Inicialmente esta música foi composta com este mesmo propósito (composta por Assis Valente): satirizar um provável fim próximo do mundo. Isso lá em 1938. Hoje, antes mesmo dessa algazarra praticamente internética, eu já a tinha colocado nesta lista. Mas bem, veio o anuncio do fim do mundo, e o que eu fiz? Claro, tinha de deixá-la, não teve como. Fora isso é uma das minhas prediletas interpretadas por Carmen Miranda.

Sérgio Mendes (Jazz "N" Samba (Só Danço Samba)): Música original de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mas aqui nadinha de letra (como se a original tivesse muitas delas...), ficando somente com o instrumental: Sérgio Mendes (piano), Tião Neto (baixo), Edison Machado (bateria) e Rosinha de Valença (violão). Mendes é um dos grandes representantes da fusão samba e jazz.

Stan Getz & Charlie Byrd (Samba Dees Days): a escolha de Stan Getz para a coletânea foi uma das mais representativas. Ele, saxofonista estadunidense, foi um dos maiores exportadores da nossa música, em princípio a bossa-nova, para o mundo. Sempre esteve ao lado de grande nomes, incluindo os brasileiros. Charlie Byrd veio para amplificar a exportação, um respeitável violonista — também estadunidense — que é considerado um dos maiores entendedores da música brasileira fora do Brasil.

Abel Ferreira e seu Conjunto (Gaúcho (Corta-jaca)): falando em Abel Ferreira, cá está ele. Autodidata em praticamente tudo, se tornou um excelente clarinetista e se ocupou do Choro, mas esta música pertence à Chiquinha Gonzaga, a grande compositora, pianista e regente de tango à brasileira, choro e alguns outros gêneros. Aqui poderá ouvir uma versão mais próxima a original, e também notar que foi usada como clipe de encerramento da Minissérie Chiquinha Gonzaga, da Rede Globo. A versão de Abel Ferreira ficou ótima, tem toda uma particularidade que não sei explicar, mas claro, tornou-a mais sambista.

Bossa Três (Céu e Mar): colocar este trio é uma forma que usei para representar tantos e tantos trios de Bossa que existem. São muitos mesmo, a grande maioria sempre fazem música própria ainda, mas Bossa Três é uma das antigas. Composta por Luiz Carlos Vinhas (Piano), Sebastião Neto (baixo) e Edison Machado (bateria), fazem um bossa mais jazzístico e totalmente instrumental. Também é a primeiro conjunto instrumental de bossa, criado em 1961. Aqui o nome de Edison Machado se repete, e por aí vi que é considerado, por alguns, como o maior baterista do Brasil. Bom, quanto a esse assunto eu me desvio, mas fica aí a curiosidade em estudar sua carreira. Retirei esta música do disco Bossa Nova, que vale uma ouvida.

Nosso Trio (Brooklyn High (Partido Alto)): mais um belo trio, mas este soa bem mais moderno, até porque é. Brooklyn High (Partido Alto) foi retirada do disco Vento Bravo, de 2005. O mais legal é que não tinha notado nada anteriormente, mas ao ouvi-los mais vezes, principalmente acompanhando o baixo (um dos bons destaques do trio) notei certa influência de João Bosco. E NÃO É MENTIRA! Esta é a banda que acompanha realmente João Bosco, e como todos os que já o ouviram, suas músicas são realmente únicas. Enfim, confiram o disco, é excelente.

Tom Jobim & Elis Regina (Águas de Março): Buarque não é o único queridinho, por isso eles: Tom Jobim e Elis Regina estão aqui como convidados de honra. Pensei até em postar duas músicas, uma de cada, mas não, acabei não conseguindo deixar de lado esta, que na minha humilde opinião é uma das MELHORES canções brasileiras (mesmo não conhecendo nada) e mais especificamente em sua melhor versão. São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração.

João Bosco (De Frente Pro Crime): uma das composições musicalmente divertidas de Bosco, e liricamente interessantes pra mim, me fazendo lembrar das de Buarque. Usar de referências comuns, como podemos ouvir nessa letra, é uma das formas de composição mais agradáveis. Nesta música linda eu destaco principalmente: Letra, baixo e seu teor mais grave e a interpretação de Bosco, que de certa forma dão uma cena de novela em nossas cabeças.

Satanique Samba Trio (Cabra da Pestre Negra): achou os títulos estranhos? Isso é porque você ainda não a ouviu. Satanique Samba Trio é uma das bandas mais diferentes que pude ouvir e que mergulha no lago do samba. É uma grande pedida para quem gosta de experimentalismo, como Hermeto Pascoal, mas com um toque mais sinistro, e algumas vezes mais agressivo, como se fizesse referência ao rock pesado. Seu disco é uma experiência de bossa, samba, rock e jazz fusion com alto teor maléfico. São brasilienses.

Alaíde Costa (Ciúme): representando as musas das antigas, mas especificamente na bossa, ao qual é considerada uma das maiores representantes. Ciúme foi retirada do disco Alaíde Canta Suavemente, que respeitando o título só contem músicas leves, de amor ou melancólicas. Assim também se torna o lado romântico desta lista.

Tom Zé (Tô): grande Tom Zé, louco, decente e assim como esta descrição, auto contrastante. Participante ativo do Tropicalismo, é um dos mais originais músicos brasileiros, um liquidificador ambulante, um experimentador abusivo. Apesar de quando se trata de samba e relacionados, seu nome não venha grudado, Zé em sua carreira construiu três discos semelhantes, mas distintos: Estudando o Samba (1976), Estudando o Pagode (2005) e Estudando a Bossa (2008), serviu de prato cheio e pode referenciar o MPB aqui.

Luiz Bonfá (Cantiga Da Vida): Cantiga Da Vida é um disco lindo, variando entre faixas instrumentais e cantadas, suavemente por Bonfá. É um grande músico, na minha concepção muito mais conhecido lá fora que aqui, mas posso estar errado, mas ao certo um ponto marcante e que somou muito ao seu reconhecido foi o de ter participado da trilha sonora do filme Orfeu Negro, de 1959, ao lado de Tom Jobim.

Agostinho Dos Santos (Chega de Saudade): esta música é a das mais conhecidas, logicamente, mas aqui ela não foi acompanhada por seus criadores (Jobim e Vinicius), mas por Agostinho Dos Santos, cantor e compositor do qual confesso ter conhecido durante algumas recentes pesquisas. O instrumental é muito bom, mas o que mais me agradou foi sem dúvida o seu vocal, dando uma roupagem diferente a esta clássica canção e também aos backvocals, lembrando um pouco da música norte-americana da época. Curiosidade: Morreu em 1973 em um desastroso e polêmico acidente aéreo.

Beth Carvalho (As Rosas Não Falam): ou Madrinha do Samba, é uma das maiores intérpretes do samba, disso ninguém tem dúvida, mas é também uma das pessoas ao qual tenho que melhor explorar... No bom sentido. Com um ritmo mais lento, como se aqui os instrumentos acompanhassem o vocal, e não o contrário, apresenta a melancolia, o romance dramático. A música é de autoria de Cartola e está no disco Cartola II de 1976.

Zeca Baleiro & Zeca Pagodinho (Samba do Approach): para animar trouxe esta música, uma parceria entre o misturador Zeca Baleiro e o boa vida Zeca Pagodinho. Completamente intencional, guardei lugar para esta música que fora usada em novela (não me pergunte qual) e teve seu destaque por um bom tempo na televisão. É também a mais próxima do que chamamos de Pagode, mas com suas especialidades já que se trata de uma música de Baleiro. É também divertida, no qual os dois se comunicam e tiram sarro um do outro o tempo todo.

Anjos do Inferno (Brasil Pandeiro): a música pertence a Assis Valente, um poeta até a morte, e é uma das mais conhecidas dele. Tornara-se memorável ao ser interpretada por Novos Baianos, mas aqui é o Anjos do Inferno que interpretam, um grupo cujo nome é uma ironia ao Diados do Céu, liderado por Pixinguinha. Tem toda uma sonoridade própria, se comparada aos demais, mas aqui destaco principalmente os backvocals, que dão toda uma refinada.

Zé Keti (Acender as Velas): considerado um dos criadores, se não o criador do samba de morro, Keti virou a Voz do Morro, assim como sugeria uma de suas músicas, e tem sido ressuscitado graças a documentários. É a minha escolha menos sincera, digamos assim, pois é o que menos conheço, mas Keti tem grandes obras, inclusive fora um dos compositores da Portela.

Adoniran Barbosa (Despejo Na Favela): Adoniran (João Rubinato) é um cara que faz músicas tão simples, tão humildes, mas fortes e difíceis de cantar. Posso ser um enorme idiota, mas gosto de colocar Adoniran, Cartola e Dorival Caymmi na mesma sacola, misturar e ouvir. Despejo Na Favela diz tudo e não preciso entrar em detalhes. Minha ignorância não permite.

(小泉ニロ) Nilo Koizumi (Mas Que Nada): já imaginou um japonês cantando bossa, ou qualquer estilo brasileiro? Pensou em algo realmente desajeitado? Bom, Nilo Koizumi mostra que dá pra fazer algo bonito, sem passar vergonha, mesmo que não soe natural. Com sua voz meiga, algo comum em mulheres orientais, Nilo definitivamente arrebenta, e ainda conta com um instrumental competente. Apesar da impossibilidade de pronunciar os L's, fazendo com que Preto veLHo pareça mais com Preto veRo, não me atrapalha em nada, pelo contrário, torna-a ainda mais, digamos, fofa. Ainda não ouvi nenhuma composição própria dela, então ao que parece ela atualmente só regrava os clássicos brasileiros.

Baden Powell (Amor Sincopado): violonista virtuoso de jazz e bossa, é em minha opinião o melhor dos melhores, ou quase isso. Aqui trago uma faixa de seu ainda primeiro disto, Apresentando Baden Powell e seu Violão, de 1959. Baden Powell é certamente um músico para ser ouvido, e não discutido, por tanto esqueça qualquer comentário que eu esteja tentando fazer sobre ele e OUÇA.

Ernesto Nazareth (Odeon): pra quem não conhece, Ernesto Nazareth é um dos bons e grandes nomes do tango brasileiro — ao lado de Chiquinha Gonzaga — , assim como do choro em sua versão mais erudita, e influenciado provavelmente por outros estilo considerados requintados. Curiosidade: Villa-Lobos lhe dedicou a peça "Choros nº 1", para violão.

Rabo de Lagartixa (Diabinho Maluco): é um grupo instrumental mais recente, formado na década de 90. Cinco músicos trazendo dinâmica e um olhar mais diferenciado, mas completamente embalsamado com o choro. Diabinho Maluco foi a escolhida para fechar o disco, assim como também fecha o disco Quebra-Queixo, primeiro da carreira da galera. Finalizamos assim a discografia, animadamente chorosa.

O gostoso de fazer uma coletânea como esta é poder se encontrar com o antiquado, com o moderno, com o estiloso e com o descompromissado. Também é poder, em vinte e tantas músicas, reunir quase o dobro de músicos. Sim, pois, é uma tradição brasileira regravar, fazer parcerias, e no final, sempre sair um resultado bom, ótimo, e até superior. Isso por exemplo já não ocorre tanto em outros estilos que facilmente geram apedrejamentos.

Enfim, espero que entendam um pouco a diversidade, a noção de que o jazz só surgiu algumas décadas depois do choro e de que essa coletânea não resume nada — Acredito ter feito um bom disco, mas, novamente penso ter pecado na coerência.

Tracklist

01 - Machucando - Trio Madeira Brasil e Yamandú Costa
02 - Vamos Pro Mundo - Novos Baianos
03 - Homenagem Ao Malandro - Chico Buarque
04 - E O Mundo Não Se Acabou - Carmen Miranda
05 - Jazz "N" Samba - Sergio Mendes
06 - Samba Dees Days - Stan Getz & Charlie Byrd
07 - Gaúcho (Corta-jaca) - Abel Ferreira e seu Conjunto
08 - Céu e Mar - Bossa Três
09 - Brooklyn High (Partido Alto) - Nosso Trio
10 - Águas de Março - Tom Jobim & Elis Regina
11 - De Frente Pro Crime - João Bosco
12 - Cabra da Pestre Negra - Satanique Samba Trio
13 - Ciúme - Alaíde Costa
14 - Tô - Tom Zé
15 - Cantiga Da Vida - Luiz Bonfá
16 - Chega de Saudade - Agostinho Dos Santos
17 - As Rosas Não Falam - Beth Carvalho
18 - Samba do Approach - Zeca Baleiro & Zeca Pagodinho
19 - Brasil Pandeiro - Anjos do Inferno
20 - Acender As Velas - Zé Keti
21 - Despejo Na Favela - Adoniran Barbosa
22 - Mas Que Nada - 小泉ニロ (Nilo Koizumi)
23 - Amor Sincopado - Baden Powell
24 - Odeon - Ernesto Nazareth
25 - Diabinho Maluco - Rabo de Lagartixa

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