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sábado, 27 de dezembro de 2014
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Somi - The Lagos Music Salon

4 comentários

Gênero: Vocal Jazz / Neo-Soul / World Music
País: EUA-Nigéria
Ano: 2014

Comentário: Eu não escutei muitas novidades neste ano, mas um pouco do que mais me cativou eu gostaria de compartilhar. Somi é americana e descedente de imigrantes ugandenses e ruandenses. Muito jovem, mudou-se com a família para a Zâmbia. Anos depois, retornou e graduou-se em Antropologia e Estudos Africanos na Universidade de Illinois. Seus primeiros discos já indicavam um certo interesse em fundir Jazz, Neo-Soul e música africana. Porém, somente após estar por um ano na região de Lagos na Nigéria, ela encontrou o ponto de equilíbrio ideial para sua mistura, autointitulada "New African Jazz".

O primeiro grande destaque do disco é a revisão da clássica "Lady" do Fela Kuti. Quando o piano começa, a bátida rápida e sincopada, guiada pela bateria, atinge seu clímax nas sessões rítmicas de Saxofone, comuns no trabalho de Fela, que evocam as letras originais (“She gon say / She gon say I be lady-o”). "Lady Revisited" é um poema-manifesto que, ao mesmo tempo, convida a dançar e a reconhecer a força da mulher africana.

Gravado tanto em Nova York quanto na Nigéria, o lançamento também conta com músicos americanos e africanos. Em "Ginger Me Slowly", as bátidas funk de Otis Brown III dão o toque misterioso necessário ao clima de sedução em que Somi convida um garoto a paquerá-la da forma mais gentil possível.

Em geral, eu não gosto de músicas pretensiosas, mas o saldo de "When Rivers Cry" é positivo. A música se inicia com um coral infantil cantando o nome dos países africanos, inesperadamente, dá um salto à música erudita e termina nas, desnecessárias porém afiadas, rimas do Common.

"Brown Round Things" conta a história das prostitutas, nela o pianista Toru Dodo se mantem simples para que os dois protagonistas brilhem. Primeiro a linda voz de Somi e, em segundo, o trombone de Ambrose Akinmusire, tido como um dos grandes nomes do Jazz comteporâneo.

Mas de todas as belas canções que figuram aqui, duas me tocam em especial, "Four African Women" e "Last Song". A primeira é uma adaptação do clássico "Four Women" da Nina Simone. Enquanto a original fala sobre a vida de quatro prostitutas, a adaptação, além de ter uma linha de baixo genial, fala sobre a vida de quatro mulheres africanas, sem medo de tocar em realidades cruéis da região ("Strong enough to carry on after genocide and all my family gone"). A outra canção que também me emociona começa como uma linda balada Soul, mas vai crescendo a medida que a percussão vai entrando e quebrando a melodia.

The Lagos Music Salon é um dos melhores lançamentos que eu pude colocar as mãos este ano, não tenho dúvida. Divirtam-se!

Tracklist:
01. First Kiss: Eko Oni Baje
02. Love Juju #1
03. Lady Revisited (feat. Angelique Kidjo)
04. Ankara Sundays
05. Ginger Me Slowly
06. When Rivers Cry (feat. Common)
07. Brown Round Things (feat. Ambrose Akinmusire)
08. The Story of Monkey
09. Akobi: First Born S(u)n
10. Two Dollar Day
11. Still Your Girl
12. Four.One.Nine
13. Love Nwantinti (feat. In His Image)
14. Four African Women
15. Hearts & Swag
16. Love Juju #2
17. Last Song
18. Shine Your Eye


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domingo, 20 de julho de 2014
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Johnny Winter - Johnny Winter

1 comentários

Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 1969

Comentário: É, meus amigos, o mundo tornou-se um lugar um pouco pior nos últimos dias. Não falo somente do massacre israelense na Palestina ou do abatimento do avião malasiano na Ucrânia. Perdemos Bobby Womack, perdemos Johnny Winter. Johnny era um ótimo exemplo para aquele antigo provérbio: "beleza não põe mesa". Já no caso dele, quem vê aquele magrelo feioso, albino e vesgo tem dificuldade para acreditar no Blues enérgico que ele fazia. Quando o assunto é música, as aparências enganam muitas vezes.

Este disco de 1969 é um dos mais puristas do Johnny e também o meu favorito, mas não necessariamente por causa disso. Dentre as canções acústicas, temos "When You Got A Good Friend", uma das mais famosas de Robert Johnson, que Johnny acertadamente deu seu toque particular, mas não alterou demais a versão original. Eric Clapton parece um menino assustado perto dele. Outra acústica que se destaca é "Dallas", a qual poderia facilmente ser confundida com um clássico do Delta Mississippi, embora seja uma composição original. "I'll Drown In My Tears" é a interpretação vocal mais entregue e honesta, dá quase pra sentir a mesma dor de cotovelo que ele deveria estar sentindo naquela época.

No lado elétrico do disco, temos a uptempo "Good Morning Little School Girl", onde a guitarra do Johnny nos faz até mesmo esquecer a harmônica de Sonny Boy Williamson. Embora a grande estrela do disco, na minha opinião, seja "Be Careful With A Fool" de BB King na qual Johnny deixa sua marca pessoal, seu jeito de tocar que morde para depois assoprar. O disco é mais que recomendado, é obrigatório. Tchau Johnny, vai fazer falta.


Tracklist:
01. I'm Yours And I'm Hers
02. Be Careful With A Fool
03. Dallas
04. Mean Mistreater
05. Leland Mississippi Blues
06. Good Morning Little School Girl
07. When You Got A Good Friend
08. I'll Drown In My Tears
09. Back Door Friend
10. Country Girl
11. Dallas (with Band)
12. Two Steps From The Blues


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segunda-feira, 3 de março de 2014
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Gregory Porter - Liquid Spirit

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Gênero: Vocal Jazz / Soul / Gospel
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Quero deixar claro que pretendo terminar minha lista com os melhores do ano passado ainda em 2014. Sendo assim não há como não incluir a voz mais bela surgida dentro do Jazz nos últimos anos.

O ponto forte de Gregory é o enorme controle que ele possui sobre a própria voz, dono de uma sensibilidade ímpar. Logo na faixa de abertura, ele mostra a que veio. "No Love Dying" anda por uma linha tênue entre o Soul e o Jazz, evocando aquela antiga ideia do amor como uma escolha. "Liquid Spirit", por sua vez, fixa raízes na música Gospel com incessante bater de palmas culminando em um ótimo solo de piano.

Pode-se conferir as melancólicas baladas "Water Under Bridges", ganhadora de um versão rubato com seu tempo ligeiramente reduzido, e "Wolfcry" à lá Tony Bennett. Ambas são belos duetos entre Gregory e o pianista Chip Crawford. Minhas duas canções favoritas são "Hey, Laura", dona de um romantismo bastante triste e "Movin" que sugere algo na linha do Bill Withers, mas que Porter logo trata de acelerar com o saxofone de Yosuke Sato deixando tudo mais marcante. Liquid Spirit foi um passo enorme na carreira de Gregory Porter que eu considero imperdível.


Tracklist:
01. No Love Dying
02. Liquid Spirit
03. Lonesome Lover
04. Water Under Bridges
05. Hey Laura
06. Musical Genocide
07. Wolfcry
08. Free
09. Brown Grass
10. Wind Song
11. The In Crowd
12. Movin'
13. When Love Was King
14. I Fall In Love Too Easily
15. Time Is Ticking
16. Water Under Bridges (Rubato Version)


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domingo, 19 de janeiro de 2014
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Robert Glasper Experiment - Black Radio 2 (Deluxe Edition)

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Gênero: Neo Soul / Neo Jazz / Hip Hop / R&B
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Dando sequência à minha lista de melhores do ano passado, trago aqui um dos projetos mais interessantes que tive oportunidade de escutar nestes últimos tempos. Para quem não conhece, eu explico. Robert Glasper é um pianista de Jazz e dos bons. O objetivo de Robert neste projeto porém é mostrar que se pode fazer músicas originais, instigantes e belas sem desagradar o "Deus Mercado".

Para atingir sua meta, Robert Glasper conta com o apoio de uma moçada sempre muito talentosa. Enquanto o primeiro Black Radio contava com gente como Erykah Baduh e Mos Def, o segundo traz um pessoal como a musa do Neo Jazz Norah Jones, o competente rapper Common, o soulmen Anthony Hamilton e muitos outros.

Enquanto o primeiro Black Radio era mais experimental, trazendo alguns covers interessantes. O segundo acerta o pop em cheio e o efeito colateral, como era de se esperar, é o piano do Robert bem menos proeminente.

Primeiro grande destaque é "I Stand Alone" aonde a sinergia entre a voz do Patrick Stump do Fall Out Boy e o piano de Glasper impressiona com um refrão graciosamente colocado entre os versos matadores do Common. A performance sempre estonteante da Jill Scott marca presença em Calls, uma canção baseada na repetição, mas ainda assim muito bonita.

Minha favorita é Yet To Find aonde Anthony Hamilton mostra o razão dele ser um dos melhores cantores da atualidade, a influência da música Gospel é nítida e a interpretação do Hamilton dispensa comentários. A versão de Jesus Children do Stevie Wonder é quase tão comovente quanto a original. Mais um lançamento que não se pode deixar passar.

"Thank God we've still got musicians and thinkers whose obsession with excellence and whose hunger for greatness remind us that we should all be unsatisfied with mimicking the popular, rather than mining the fertile veins of creativity that God placed deep inside each of us."

P.S.: O formato dos arquivos não é MP3, mas sim, MPEG-4 (256 kbps).


Tracklist:
01. Baby Tonight (Black Radio 2 Theme / Mic Check 2)
02. I Stand Alone (feat. Common & Patrick Stump)
03. What Are We Doing (feat. Brandy)
04. Calls (feat. Jill Scott)
05. Worries (feat. Dwele)
06. Trust (feat. Marsha Ambrosius)
07. Yet To Find (feat. Anthony Hamilton)
08. You Own Me (feat. Faith Evans)
09. Let It Ride (feat. Norah Jones)
10. Persevere (feat. Snoop Dogg, Lupe Fiasco & Luke James)
11. Somebody Else (feat. Emeli Sandé)
12. Jesus Children (feat. Lalah Hathaway & Malcolm Jamal Warner)
13. Big Girl Body (feat. Eric Roberson)
14. You're My Everything (feat. Bilal & Jazmine Sullivan)
15. I Don't Even Care (feat. Macy Gray & Jean Grae)
16. Lovely Day
17. Trust (feat. Marsha Ambrosius & Common)


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domingo, 12 de janeiro de 2014
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Mayer Hawthorne - Where Does This Door Go

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Gênero: Neo Soul / Hip Hop / Pop
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Não há outra forma de eu continuar minha lista de melhores do ano passado sem um dos caras mais criativos da música atual. Dois caminhos estão em maior evidência no Neo Soul atualmente, por um lado nós temos os artistas da Deptone como Charles Bradley e Sharon Jones que fazem um Soul mais "ortodoxo". Por outro, temos artistas como Anthony Hamilton e Bilal que fazem um som mais "eletronizado" e com maiores influências do Hip-Hop.

Mayer Hawthorne trilha seu próprio caminho. Ele consegue recriar aquele clima nostálgico das décadas de 1960 e 1970, porém soando moderno e sem precisar recorrer o tempo inteiro ao Hip Hop. Porém quando lança mão do gênero o resultado é ótimo. Prova disto é a parceria com o bom rapper Kendrick Lamar e seu flow característico em "Crime".

Mas o que devo dizer aos que já são fãs do Hawthorne e vão escutar Where Does This Door Go pela primeira vez? Primeiramente diria para não se assustarem com a produção mais encorpada que desta vez não ficou a cargo do Mayer, ele que agora está cantando melhor do que nunca e finalmente parece confiante no próprio falsete como se vê em "Wine Glass Women". Eu avisaria também que se por um lado ele vem acrescentando mais influências ao seu repertório a ponto de ser comparado ao Steely Dan em algumas resenhas que li na internet, por outro suas letras regrediram bastante em termos líricos.

A maturidade lírica de "Reach Out Richard", um monólogo com seu pai, contrasta com a inconsequência juvenil de "Crime" ou com a forma infantil a qual Mayer retrata as mulheres em "The Innocent" classificando-as como um objeto de sedução a ser temido. Pelo menos ele não perdeu o hábito de fazer ótimos vídeo-clipes. Mas não se assuste, pois as letras não chegam a estragar o disco, nem a fraca balada "All Better" estraga o disco. No fim do dia, você vai estar cantarolando "Back Seat Lover" e seus "nah! nah! nah's!"

Tracklist:
01. Problematization
02. Back Seat Lover
03. The Innocent
04. Allie Jones
05. The Only One
06. Wine Glass Woman
07. Her Favorite Song (ft. Jessie Ware)
08. Crime (ft. Kendrick Lamar)
09. Reach Out Richard
10. Corsican Rose
11. Where Does This Door Go
12. Robot Love
13. The Stars Are Ours
14. All Beter


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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
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Charles Bradley - Victim Of Love

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Gênero: Soul
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Finalmente saiu a lista de melhores do ano do Ignes que não participei, pois sou preguiçoso. Mas como toda boa lista, a nossa tem ótimos nomes, discos medianos e algumas porcarias. Uma fraquíssima bandinha neofascista em primeiro lugar é algo difícil de se levar a sério, a ascensão do nazifascismo no Ocidente nesses últimos anos, especialmente na Europa, é algo que tem me assustado diga-se de passagem.

Todavia vamos logo ao que interessa, hoje dou início à uma série de posts daquilo que considero um pouco do que se fez de melhor neste ano. Pra ser mais preciso, estou dando continuidade ao que comecei com o ótimo Get Up! do Ben Harper e Charlie Musselwhite.

Neste segundo disco, Bradley mostrou-se mais sincronizado com a Menahan Street Band e provou, caso restasse alguma dúvida, sua personalidade e que seus dias como imitador do James Brown são passado. Enquanto No Time For Dreaming era um disco mais revivalista, com o espirito da gravadora Motown e tudo que lhe é comum, Victim Of Love é mais abrangente estético e musicalmente.

Podemos tomar por exemplo, "Love Bug Blues" e "Confusion" que são as duas canções mais funky do disco que lembram a psicodelia que invadiu a música Soul no início da década de 1970, destaque para o lindo trabalho de metais desempenhado pela Menahan Street Band. Na contra-mão, temos "Crying in the Chapel" e "Victim of Love", ambas bastante melancólicas, sendo que a última é praticamente só violão e voz.

Por falar em voz, as cordas vocais de Charles Bradley nunca estiveram em melhor forma, como se pode ver no lindo cover, que ele fez do Black Sabbath, outro lançamento que inexplicavelmente não apareceu na lista do Ignes. Algo interessante entretanto é que uma das melhores do disco, "Dusty Blue", é instrumental. Diferente de "Since Our Last Goodbye" que era a canção instrumental do disco anterior, "Dusty Blue" se encaixa perfeitamente com suas flautas e Órgão Hammond nostálgicos na proposta de Victim Of Love.

Victim Of Love é tão emocionante quanto a vida de Charles, vida que já rendeu um bom filme. Charles é uma vítima do amor e seu amor só não é maior que seu talento.


Tracklist:
01. Strictly Reserved for You
02. You Put the Flame On It
03. Let Love Stand a Chance
04. Victim of Love
05. Love Bug Blues
06. Dusty Blue
07. Confusion
08. Where Do We Go from Here?
09. Crying in the Chapel
10. Hurricane
11. Through the Storm


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sábado, 9 de novembro de 2013
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Al Green - I'm Still In Love With You

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Gênero: Soul / R&B / Gospel
País: EUA
Ano: 1972

Comentário: Eu não sei quanto a vocês, leitores. Mas música é uma das minhas maiores paixões, costumo dizer que minha vida possui uma trilha sonora composta por canções que se modificam de acordo com meu humor, porém em termos de emoções, Al Green é um artista completo. Ele pode te fazer sentir triste ou alegre com um mesmo disco, mas solitário você jamais se sentirá.

Al Green foi o melhor cantor dentro da música gospel e um dos melhores da música secular, dono de uma voz sedutora e controlada. Ele canta como se sentisse a música, como se sussurrasse nos ouvidos da amada. Toda essa paixão é melhor representada em “Simply Beautiful”.

Os arranjos do disco, apesar de não serem complexos, são bastante precisos, em perfeita sintonia com o principal destaque, a voz de Al Green. Após colocar suas mãos em "Oh, Pretty Woman" do Roy Orbison, ele faz sua mágica e injeta doses do melhor R&B, em uma bela interpretação, provando que existe vida além do Rock and Roll, algo que eu demorei um tempo para perceber.

A percussão e o órgão que dão início a "I'm Glad You're Mine" vão fazer você querer dançar, mas tenha cuidado para que os metais e os falsetes do Al Green em "I'm Still in Love With You" não te façam ligar para alguma ex-namorada, querendo consertar as pendências daquele amor mal resolvido.

Al Green e sua música esbanjam algo que muitos artistas de hoje fracassam ao perseguir, carisma e elegância. Eu não deixaria de conferir este clássico de 1972.


Tracklist:
01. I'm Still in Love With You
02. I'm Glad You're Mine
03. Love and Happiness
04. What a Wonderful Thing Love Is
05. Simply Beautiful
06. Oh, Pretty Woman
07. For the Good Times
08. Look What You Done for Me
09. One of These Good Old Days


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sábado, 5 de outubro de 2013
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Sly & The Family Stone - Fresh

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Gênero: Funk / Soul
País: EUA
Ano: 1973

Comentário: Se você gosta de Funk, você já possui este ótimo disco do Sly & The Family Stone. Se ainda não conhece o gênero, Fresh é a melhor festa de boas-vindas que você poderá ter.

Fresh é um pouco diferente de seus anteriores, aqui o Funk foi soberano movendo-se numa direção mais comercial, apostando em andamentos mais lentos, porém não menos dançantes. Liricamente o grupo se mostrou mais aberto, embora as críticas sociais não tenham sido abandonadas por completo. Babies Makin' Babies demonstra a preocupação com a falta de planejamento familiar, enquanto Skin I'm In relata o orgulho de ser negro.

Segundo dizem, Miles Davis teria ficado tão maravilhado com a faixa de abertura, In Time, que teria feito sua banda escutá-la por meia hora repetidamente. Minhas preferidas são If You Want Me To Stay e Let Me Have It All. Rusty Allen que foi o substituto de Larry Graham fez um ótimo trabalho com um baixo bem grooveado e o Sly fez o que ele sabe fazer, soltou a voz e, como de costume, foi um dos maiores destaques do disco.

Fresh foi o último grande clássico da Family Stone, depois dele o grupo foi se deteriorando, muito em conta, do abuso de drogas por parte, principalmente, do Sly. Então não perca a oportunidade de escutar um clássico de uma época.


Tracklist:
01. In Time
02. If You Want Me To Stay
03. Let Me Have It All
04. Frisky
05. Thankful N' Thoughtful
06. Skin I'm In
07. I Don't Know (Satisfaction)
08. Keep On Dacin'
09. Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be)
10. If It Were Left Up To Me
11. Babies Makin' Babies

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sábado, 21 de setembro de 2013
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Vintage Trouble - The Bomb Shelter Sessions

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Gênero: Soul Rock / Blues Rock
País: EUA
Ano: 2011

Comentário: Eu pretendia escrever um pouco sobre o Rock In Rio, mas nem foi necessário, o PH escreveu tudo que eu pensava a respeito do festival na sua resenha da Selah Sue, uma boa descoberta diga-se de passagem, porém minha maior surpresa até o momento é este quarteto americano que mistura uma porção de influências em seu repertório, eu estava na academia quando o show passava na TV e fiquei sem fôlego, não por conta dos aeróbicos, mas por causa do som enérgico do grupo.

Os gêneros que mais se destacam na sonoridade do Vintage Trouble são o Rock, o Soul e o Blues. os dois pilares que sustentam a banda são Ty Taylor e Nalle Colt. O vocalista Ty Taylor deve ser algum neto bastardo do James Brown, além de ótimo cantor, o sujeito esbanja energia e carisma, tanto no palco quanto no estúdio. Já o guitarrista Nalle mostra um feeling absurdo, sem falar que ele sabe a hora exata de fazer sua guitarra proeminente.

Eu destacaria a enérgica Blues Hand Me Down, Nancy Lee e seu riff à lá Chuck Berry, Gracefully balada aos moldes das que Solomon Burke fazia, You Better Believe It e sua bem-vinda harmônica, os oito minutos de puro feeling de Run Outta Me, uma interpretação emocionante do Taylor e todas as demais canções. Fico triste de não ter descoberto o grupo antes, mas são coisas da vida, sempre existirão músicas ótimas que nós nunca conseguiremos escutar, Vintage Trouble por outro lado, você não só pode como deveria.


Tracklist:
01. Blues Hand Me Down
02. Still and Always Will
03. Nancy Lee
04. Gracefully
05. You Better Believe It
06. Not Alright By Me
07. Nobody Told Me
08. Jezzebella
09. Total Strangers
10. Run Outta You
11. Love With Me (Recorded at Harvelle's Blues Club)
12. Nancy Lee (Q Radio Session Recording)
13. Come On By
14. Total Strangers
15. World's Gonna Have to Take a Turn Around



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sábado, 31 de agosto de 2013
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Stevie Wonder - Innervisions

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Gênero: Soul / Jazz
País: EUA
Ano: 1973

Comentário: Incrível como, quando fugiu do romantismo clichê, a música Soul produziu frutos ainda mais maravilhosos. Assim como Marvin Gaye em What's Going On, Stevie Wonder fez um clássico com pesadas críticas sociais e políticas a sociedade americana da época, falando sobre o racismo, as drogas, os aspectos violentos da vida urbana e a decadência do sonho americano.

O primeiro destaque do disco é Too High com seu baixo jazzístico e percussão suingada, onde Stevie Wonder já faz sua primeira crítica social, alertando sobre a epidemia se espalhava rapidamente na sociedade americana.

Living For The City é o ponto alto do disco, onde Stevie lança mão dos diversos tons que pode alcançar com sua bela voz e com interpretação brilhante nos conta, em ótimos oito minutos, um pouco da história da comunidade negra, relatando, dentre outras coisas, a dificuldade de se encontrar um emprego, pois a "cidade" não gosta das "pessoas de cor".

Terceira canção que eu gostaria de destacar é belíssima balada All In Love Is Fair, apesar de ficar devendo nos arranjos que poderiam ser mais intrincados, a interpretação é maravilhosa e as letras mais ainda, aprenda umas lições Justin Timberlake, dá pra ser romântico sem ser piegas.

Só pra concluir, Innervisions é um disco maravilhoso, com certeza um dos meus favoritos, mesmo as canções que eu não fiz uma menção especial são ótimas, você não deveria deixar de adicionar a sua coleção.

Tracklist:
01. Too High
02. Visions
03. Living For The City
04. Golden Lady
05. Higher Ground
06. Jesus Children Of America
07. All In Love Is Fair
08. Don't You Worry 'Bout A Thing
09. He's Misstra Know-It-All



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sábado, 24 de agosto de 2013
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Nina Simone - Silk & Soul

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Gênero: Jazz / R&B / Soul / Blues / Gospel
País: EUA
Ano: 1967

Comentário: Atendendo aos pedidos da Ariel, eu decidi escrever sobre uma mulher que, além de magnífica pianista, cantora e compositora, acabou tornando-se um ícone da luta contra o racismo e o machismo.

Em sua carreira, Simone passeou por diversos gêneros musicais, em Silk & Soul não poderia ser de outra forma. Eu consigo dividir o disco em duas partes, uma parte "Silk", aveludada e doce. A segunda parte seria a "Soul", sensual e dançante. Claro que essa divisão não é natural e nem tão clara, foi só uma forma de facilitar a análise do disco, quando o assunto é Nina Simone, as coisas nunca são tão preto no branco.

A primeira parte é composta pelas belíssimas Turning Point, Cherish, The Look Of Love, Love O' Love e a autoral, Consummation. Em Turning Point, Nina conta a estória de uma pequena garota que não pode brincar com sua coleguinha de classe, pois sua mãe não aprova que ela se divirta com meninas com a pele "cor de chocolate". Apesar da pesada crítica social, a performance de Nina é tão estonteante a ponto de fazer parecer que a música é uma canção de ninar. Consummation é outra que vale destacar, baseada na obra de Sebastian Bach, o compositor favorito de Nina. É também o momento mais emotivo e aonde ela mostra toda a força de suas cordas vocais.

Da segunda parte, a versão de I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free de Billy Taylor é um dos destaques com a emoção na voz de Nina crescendo conforme o andamento da canção se acelera. Já Some Say é um mergulho no melhor do Soul, com um trabalho lindo de percussão e nos metais.

Silk & Soul é só mais uma prova do quão versátil Nina Simone pode ser, do quanto ela se sente à vontade lutando ou amando, talvez as duas coisas nem estejam tão distantes, não sei. O que eu sei é que você não deveria deixar de conferir este pedaço da discografia impecável de Nina Simone.

"Calling me a jazz singer was a way of ignoring my musical background because I didn't fit into white ideas of what a black performer should be. It was a racist thing; 'If she's black she must be a jazz singer."


Tracklist:
01. It Be's That Way Sometimes
02. The Look Of Love
03. Go To Hell
04. Love O' Love
05. Cherish
06. I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free
07. Turn Me On
08. Turning Point
09. Some Say
10. Consummation

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sábado, 17 de agosto de 2013
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Justin Timberlake - The 20/20 Experience

0 comentários


Gênero: Neo Soul / R&B / Pop / Hip Hop / Outros
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Ok, você pode acusar o Justin Timberlake de ser muita coisa, mas você não pode acusá-lo de não ser esperto. O que ele fez em The 20/20 Experience foi aproximar seu som da onda de retomada do Soul que está rolando no mercado americano, onda que trás consigo gente muito talentosa como John Legend e Raphael Saadiq, mas que é assunto pra outra resenha, o que eu quero dizer aqui, é que só um cara bem esperto fica sete anos sem lançar nada e ainda consegue causar o murmurinho que The 20/20 Experience causou.

Pusher Love Girl, canção de abertura, é muito longa e repetitiva, como infelizmente todas as demais. Não chega a ser dançante, mas você também não consegue ficar parado. Suit & Tie é uma mistura legal de R&B e Pop, a participação do Jay-Z não é brilhante, mas é efetiva. Finalmente chegamos em Don't Hold The Wall, um dos pontos altos disco, com diversos andamentos, abordando diversos gêneros musicais.

Daí em diante as coisas começam a desandar, Strawberry Bubblegum até ganha alguns pontos por conta da ousadia de misturar R&B, música eletrônica e terminar com uma levada bem abrasileirada, mas também sofre com o problema da repetitividade e com as letras pífias. Chegamos na insuportável Tunnel Vision que chega a me lembra o tal "funk carioca". Até que em Spaceship Coupe você perde toda esperança, pensa que a coisa desandou de vez, com uma das letras mais bregas e piegas da história, enjoativa. Na hora de escutar é uma faixa que você deveria pular, mas se quiser ouvir, vá por sua conta e risco e se vomitar no final, a culpa não é minha.

That Girl é a luz no final do túnel, um soul bem tranquilo com um pouco de Hip Hop, mistura que até pode parecer bobinha, mas que flui fácil e é aonde o Justin, que não tem uma grande voz, encontra sua melhor interpretação. Let The Groove In é a melhor do disco, a mistura de R&B e música africana não podia ter dado mais certo, é o tipo de coisa que eu gostaria de ver outtros artistas tentando também, o resultado seria, no mínimo, interessante. Mirrors se parece mais com os trabalhos antigos do Justin Timberlake, não é nada demais, mas não chega a comprometer. O disco termina com a profunda (isso mesmo, eu escrevi certo, PROFUNDA) Blue Ocean Floor. A canção é linda, o som de uma pessoa respirando e de água se movendo compõem um fundo sonoro hipnotizante.

No final das contas, The 20/20 Experience é um bom disco, sofre com as letras ruins, a canções muito longas e repetitivas. Mas se ignorar os defeitos, você vai encontrar coisas bem legais e a vontade de fazer algo diferente daquilo que predomina no show business americano. O que esperar do próximo disco de Justin Timberlake? Só as vendas e o mercado poderão nos dizer, espero que ele siga pelo mesmo caminho.


Tracklist:
01. Pusher Love Girl
02. Suit & Tie (Feat. Jay-Z)
03. Don't Hold The Wall
04. Strawberry Bubblegum
05. Tunnel Vision
06. Spaceship Coupe
07. That Girl
08. Let The Groove In
09. Mirrors
10. Blue Ocean Floor

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sábado, 3 de agosto de 2013
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Bill Evans - Dragonfly

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Gênero: Bluegrass / Jazz Fusion / Soul / Funk
País: EUA
Ano: 2012

Comentário: Não se trata do lendário pianista de Jazz, mas sim, do saxofonista Bill Evans, saxofonista dos bons ainda. Evans chegou até a integrar a banda de Miles Davis na década de 1980.

Seu último lançamento é uma mistura linda de Bluegrass, Soul, Funk e Jazz Rock contando com ótimas participações do Warren Haynes e Steve Lukather que se encaixam como uma luva em Dragonfly, mas é o tocador de banjo, Ryan Cavanaugh, quem deu ao registro o toque final de personalidade própria.

A faixa de abertura Madman já é um dos destaques, abrindo com o banjo de Cavanaugh e o sax de Evans conversando amigavelmente, em uma boa dose de Rock and Roll com um belo trabalho no vocal e nos backing vocals, destaque para Steve Lukather na guitarra. Entretanto o ponto mais alto do disco é a bluezística Kings And Queens e suas letras politizadas.

Poucas vezes a capa de um disco pode representar tão bem o som contido nele, apesar de multicolorida, a capa é simples e, em momento algum, parece heterogênea ou desconexa. A sensação é a mesma quando se vê a capa de Dragonfly ou quando se escuta sua música.


Tracklist:
01. Madman
02. Time
03. Kings And Queens
04. Tit For Tat
05. I Don't Know About Love
06. Forbidden Daffodils
07. Nothin' To Believe In
08. Lay It Down
09. Dirt County Breakdown
10. Dragonfly

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segunda-feira, 22 de julho de 2013
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Roberta Flack - Quiet Fire

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Gênero: Soul / R&B / Jazz
País: EUA
Ano: 1971

Comentário: Dona de uma das mais belas vozes da década de 1970 e de uma discografia impecável, Roberta Flack é um pouco diferente de suas colegas, como a Aretha Franklin, ela não altera a melodia das músicas originais que regrava, pois não precisa disto para transformar suas versões em algo único e pessoal.

No máximo, ela reduz o andamento das canções, apostando em arranjos simples, mas belos e na força das palavras e de sua própria voz para emocionar. Com exceção de Go Up Moses e Sunday and Sister Jones, ponto alto do disco, as canções são bem tristes e com andamento lento.

Quiet Fire é dos discos mais inspirados da carreira de Flack, recheado com versões, talvez ainda melhores que as originais, de ótimas música como Bridge Over Troubled Water do Paul Simon e a linda balada Will You Still Love Me Tomorrow da Carole King. Não deixe de conferir.


Tracklist:
01. Go Up Moses
02. Bridge Over Troubled Water
03. Sunday and Sister Jones
04. See You Then
05. Will You Still Love Me Tomorrow
06. To Love Somebody
07. Let Them Talk
08. Sweet Bitter Love

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quinta-feira, 20 de junho de 2013
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Michael Kiwanuka - Home Again

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Gênero: Neo Soul / Folk / Acústico
País: Reino Unido
Ano: 2012

Comentário: Quando um grande talento surge dentro de qualquer gênero as pessoas logo tratam de compará-lo a ídolos do passado.  Bill Withers, Terry Callier e Otis Redding são alguns do nomes aos quais Michael Kiwanuka tem sido comparado. Nomes que pretendo postar inclusive, mas o importante aqui, é que ele não fez por menos e recheou seu álbum de referências antigas, em um disco que parece ser anterior a seu intérprete.

Mas em que exatamente consiste o som de Michael Kiwanuka? Simplicidade. Simplicidade nas letras solitárias e nos arranjos. Basicamente algumas flautas bem típicas do Jazz como em Tell Me A Tale, um violão com uma pegada meio Folk e um vozeirão Soul, um disco que as pessoas não escodem que gostam.

Mas tome cuidado, há um precipício entre o que é simples e o que é mal-feito. Se você for escutar Home Again sem prestar muita atenção, vai perder os detalhes que deixam a audição muito mais agradável, como o coro, típico da música gospel, em Bones ou as notas ecoando em Always Waiting. Aprecie sem moderação.


Tracklist:
01. Tell Me A Tale
02. I'm Getting Ready
03. I'll Get Along
04. Rest
05. Home Again
06. Bones
07. Always Waiting
08. I Won't Lie
09. Any Day Will Do Fine
10. Worry Walks Beside Me


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terça-feira, 18 de junho de 2013
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Martinho da Vila - Memórias de um Sargento de Milícias

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Gênero: Samba
País: Brasil
Ano: 1971

Comentário: Memórias de um Sargento de Milícias é o terceiro álbum na carreira de Martinho da Vila e meu preferido. O nome foi inspirado no livro homônimo de Manuel Antônio de Almeida.

Livro e disco possuem pontos em comum. O livro foi um romance bastante incomum para sua época por retratar as classes mais pobres e expor mazelas sociais assim como o disco, feito logo após o Martinho dar baixa no exército.

Os dois maiores destaques são a dançante "Segure Tudo" e a agradável "Para Você, Felicidade" com seu belo cavaquinho. Grande clássico do samba e do nosso cancioneiro popular.


Tracklist:
01. Segure Tudo
02. A Flor e o Samba
03. Camafeu
04. Pode Encomendar o Seu Caixão
05. Dia Final
06. Menina-moça
07. Seleção De Partido Alto
08. Pra Você, Felicidade
09. Quem Pode, Pode
10. O Nosso Olhar
11. Memórias de um Sargento de Milícias

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domingo, 9 de junho de 2013
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Ben Harper with Charlie Musselwhite - Get Up!

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Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: O ano de 2013 tem sido maravilhoso para a música, portanto preparem seus ouvidos, pois podemos estar diante do lançamento do ano! Ben Harper se juntou a Charlie Musselwhite e, como se tocassem juntos a décadas, fizeram um disco com tudo que o, bom e velho, Blues tem a oferecer.

O talento de Ben Harper acredito que todos conheçam, o dom de Charlie Musselwhite é que talvez não seja assim tão conhecido, mas foi, ao lado de Paul Butterfield e  Mike Bloomfield, um dos primeiros bluesmen brancos a obter reconhecimento na década de 1960 e, hoje, é um dos maiores gaitistas ainda vivos.

O disco conta com as inesperadamente pesadas Blood Side Out e I Don’t Believe A Word You Say evocando o espírito do Led Zeppelin. As demais canções aproveitam-se da combinação rústica, mas bela, entre a harmônica e o violão, exatamente como a minha favorita, I Ride at Dawn.

No final das contas, Get Up! não é o disco mais original, mas sim, um disco que bebe de suas fontes e de que águas maravilhosas são feitas estas fontes, assim como All That Mastters Now que lembra bastante o clássico It Hurts Me Too, do Elmore James e Don't Look Twice que lembra Sweet Home Chicago, do Robert Johnson. Você não vai querer deixar essa passar!


Tracklist:
01. Don’t Look Twice
02. I’m In I’m Out And I’m Gone
03. We Can’t End This Way
04. I Don’t Believe A Word You Say
05. You Found Another Lover (I Lost Another Friend)
06. I Ride At Dawn
07. Blood Side Out
08. Get Up!
09. She Got Kick
10. All That Matters Now


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segunda-feira, 20 de maio de 2013
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Charles Bradley - No Time For Dreaming

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Gênero: Soul / Funk / R&B
País: EUA
Ano: 2011

Comentário: Chega a ser triste Charles Bradley ter lançado o primeiro trabalho somente aos 62 anos. Com seu vozeirão e aquele visual badass, Bradley cria uma energia contagiante, uma espécie de conexão com o ouvinte.

A musicalidade de Bradley parece ser nascida da mistura de James Brown, Otis Redding e Lee Fields. Os gritos, a emoção e os belos arranjos dos grandes clássicos da música Soul em pleno século XXI.

O disco já abre com a politizada The World (Is Going Up In Flames) com seu teclado pesaroso e melancólicos backing vocals, até que a voz de Bradley vai crescendo, explodindo em um refrão emocionante. Minha faixa preferida entretanto é a relaxante Lovin You, Baby. A canção começa guiada pela bateria e vai se encorpando em uma declaração de amor muito bonita, os trompetes e saxofones dão o toque final quando Bradley perde o fôlego, após mais uma interpretação vinda do fundo do coração.

Na verdade, eu não preciso falar mais nada a respeito de Charles Bradley, sua música fala por si só, salta da caixa-de-som e te dá uma verdadeira lição de vida.


Tracklist:
01. The World (Is Going Up In Flames)
02. The Telephone Song
03. Golden Rule
04. I Believe In Your Love
05. Trouble In The Land
06. Lovin You, Baby
07. No Time For Dreaming
08. How Long
09. In You (I Found A Love)
10. Why Is It So Hard
11. Since Our Last Goodbye
12. Heartaches And Pain



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quinta-feira, 25 de abril de 2013
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Chet Faker - Thinking In Textures

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Gênero: Post-Dubstep / R&B / Lo-Fi / Chill Out
País: Austrália
Ano: 2012

Comentário: Não entendo muito a respeito de música eletrônica, conheci o James Blake aqui no blog e a sonoridade me agradou, resolvi procurar mais fundo, meio às cegas, dentro do tal Dubstep.

Desisti depois do primeiro clipe do Skrillex, rs. Mas uma boa recordação que me restou dessa busca foi Thinking In Textures do Nick Murphy ou Chet Faker se preferirem. Foi também "meio às cegas" que o Chet começou a fazer seu som, de forma bem despretensiosa mesmo e despretensiosa é um bom adjetivo para sua música. Entretanto o cover que ele fez da canção "No Diggity" do grupo de R&B Blackstreet se transformou em um viral na internet. A partir de então o projeto cresceu até render seu primeiro fruto.

O que você pode esperar de Thinking In Textures são batidas bem relaxantes e a bela voz de Chet. Não tenho certeza se é uma influência, mas acredito que Chet Faker seja uma alusão a outro Chet que também tinha essas características. No fim das contas, o trabalho de Chet é uma coesa e calma viagem pelo mundo do R&B, Jazz e Dubstep e eu recomendo que você compre apenas a passagem de ida. Baixe!


Tracklist:
01. I'm Into You
02. Terms and Conditions
03. No Diggity
04. Love and Feeling
05. Cigarettes and Chocolate
06. Solo Sunrise
07. Everything I Wanted



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sábado, 20 de abril de 2013
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Esteban - ¡Adiós, Esteban!

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Gênero: Rock Platino (?)
País: Brasil
Ano: 2012

Comentário: Esteban é o atual projeto solo do Tavares, ex-baixista da fresno. Quando saiu de baixo das asas de sua antiga banda e do Rick Bonadio conseguiu mais do que um corte de cabelo decente.

As músicas tem arranjos muito mais bem trabalhados, lançando mão dos diversos instrumentos que toca. As letras são muito mais inteligentes, apesar de o tema ser o mesmo melodrama romântico, desta vez, nem tão adolescente.

Em geral, é um trabalho muito agradável com um arzinho de Britpop, toquezinho de MPB e gigantesca influência do Engenheiros do Hawaii, o Humberto inclusive participa na minha canção favorita do disco, Sinto Muito Blues. Deixe os preconceitos de lado e baixe!


Tracklist:
01. Canal 12
02. Pianinho
03. Visita
04. Muda
05. Sophia
06. Muito Além do Sofá
07. Sua Canção
08. Segunda- feira
09. Sinto Muito Blues
10. (Eu Sei) Você Esqueceu
11. Tudo pra Você
12. ¡Adiós, Sophia!



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Quem escreve e faz os uploads:

 
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