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domingo, 8 de março de 2015
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Lebanon Hanover - Besides The Abyss

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Gênero: Coldwave / Post-Punk / Minimal
País: UK
Ano: 2015

Comentário: Uma das coisas que sempre me abalou em Lebanon Hanover é delicadeza decadente e poética da arte sonora e, curiosamente, também visual da banda. Reconheço que prezo muito pela estética e me deparar com os filtros, lugares, cores e synths de Lebanon Hanover chega a doer de tanta paixão! Sobretudo, porque nunca uma banda conseguiu personificar ou materializar sensações da sonoridade de suas músicas de forma tão harmoniosa como LH. As capas dos discos falam por si próprias (e isso desde o primeiro disco lançado The World is Getting Colder, o qual postei aqui).

Com uma sonoridade mais disforme nos quesitos sintetizadores e riffs psicodélicos estendidos, Besides The Abyss parece ser o disco mais introspectivo já lançado por Lebanon Hanover. Retornei para Tomb For Two e sua Gallowdance (postados aqui), como também voltei ao (ultra)romantismo de Why Not Just Be Solo com suas Northern Lights e a crueza belíssima (ainda em primeiro lugar de meu pedestal lebaniano) de The World is Getting Colder e seu “Die World”. De fato, Besides The Abyss tem sim um caráter mais intimista, seja pela composição sonora, pela proposta do disco ou as letras das músicas.

A estrutura musical de Lebanon Hanover é a mesma: o vocal cru, grave e gélido de Larissa (que ainda canta em alemão) com o vocal emotivo de William, junto aos supracitados synths disformes, linhas de baixo duras e riffs canalhas psicodelicamente estendidos em uma composição minimalista e trevosa – daquela velha tentativa de revival goth 80’s que a banda carrega. Besides The Abyss soa ser uma noite mais escura e fria às criaturinhas cheias de clichês que vagam solitárias e de preto por aí. Como uma vez disse, Lebanon Hanover é coisa finíssima!

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Tracklist:
01. Hollow Sky
02. The Crater
03. Fall Industrial Wall
04. The Chamber
05. The Well
06. The Moor
07. Broken Characters
08. Chimerical
09. Dark Hill
10. Spirals

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
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Ryoji Ikeda - +/-

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Gênero
: Minimal/Eletrônico/Noise/Ambient
País: Japão
Ano: 1997

Comentário: Ryoji Ikeda nasceu em 1966 na cidade de Gifu, na região central do Japão, mas hoje em dia reside na França, em Paris. Ikeda é um dos mais reconhecidos artistas de um dos gêneros mais prolíficos do Japão: O eletrônico experimental. Seja na veia do Noise, do Ambient ou manifestações menos avant-garde, japoneses sabem experimentar sonoridades como ninguém. Ryoji em especial, faz uma coisa que eu sempre tive curiosidade em fazer, especialmente por ter me graduado em uma área de exatas. Compor música baseando-me essencialmente em padrões matemáticos.

A relação entre matemática e música é intrínseca e indistinguível em todos os gêneros, porém é na música eletrônica que ela brilha. Stockhausen, no século passado, já brincava com a matemática que rege a composição musical erudita e a formulação com a qual esta é escrita, intrinsecamente dependente de padrões matemáticos rigídios e facilmente previsível a partir de uma análise desses padrões. Não é difícil, ao se pensar em partituras e a linguagem musical formal, compor uma música baseando somente em padrões matemáticos, se, é claro, nos dispojarmos da intenção de produzir algo comercial e popular. Na música eletrônica, baseada em oscilações de circuitos elétricos, isso se torna ainda mais óbvio e eficiente.

Quando alteramos os parâmetros infindáveis de um sintetizador, o que estamos fazendo na prática é alterar o funcionamento de componentes eletrônicos de circuitos de forma a que a corrente que passa nestes seja alterada. A oscilação padrão de circuitos com corrente alternada é senoidal, daí vem a mais famosa base musical eletrônica, os senos, com sua sonoridade adocicada. Se no entanto alteramos a frequência com que adentra no circuito a força eletromotriz, modificamos o formato de saída da nossa corrente. Usando este recurso, alcançamos um outro padrão comum que é também utilizado largamente na música eletrônica: as ríspidas ondas quadradas, que já possuem um som mais metálico e intenso.  Criando uma série de circuitos combinados de forma a misturar padrões oscilatórios das mais variadas formas, frequências e amplitudes, obtemos a infinidade de sons que um sintetizador é capaz de produzir. Isso é tudo simplesmente matemática, que por acaso também é música.

Ryoji se baseia nesses princípios para, ao invés de simplesmente usar um sintetizador como ferramenta, partir da matemática por trás pra criar a música. Mas não qualquer música. Brincando com padrões, Ryoji cria uma sonoridade minimalística, experimental e ambient em sua melhor proporção. A música ambient tem por definição a capacidade de emocionar e envolver sem necessidade de ser explíticita. Na musicalidade de Ikeda, isso é levado ao extremo de alguns sons terem frequências tão altas ou tão baixas que estão no limiar de serem inaudíveis para o ouvido humano, ainda que sejam perceptíveis de uma forma curiosa quando o silêncio do fim da faixa chega. Além disso, Ikeda soa paradoxalmente melódico. Não esperem caos sonoros, o rigor matemático por trás de tudo aqui torna tudo extremamente ordenado. No entanto não é tão denso quanto artistas como o Pan Sonic - mas nunca se sabe realmente se aquela faixa que parece ser simplesmente um pulsar agudo repetitivo não esconde por trás uma parade sonora de alta frequência. Só somos capazes de descobrir isso quando a música acaba - por que embora sejam frequências inaudíveis, ainda assim elas são diferentes do silêncio absoluto.

Ikeda também é artista plástico, e na realidade sua sonoridade é apenas uma das várias manifestações da sua arte. Arrogantemente, não é algo pra qualquer um. Mas é uma das melhores coisas que o Ambient pode produzir.



Tracklist:

headphonics (1995-96)

01 headphonics 0/0 3:12
02 headphonics 0/1 3:11
03 headphonics 1/0 4:16

+/- (1996)

04 + 2:50
05 +. 5:07
06 +.. 10:55
07 - 6:36
08 -. 11:51
09 -.. 13:24
10 +/- 1:05

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MEGA (96 mb/320 Kbps)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013
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Lebanon Hanover - Tomb For Two

3 comentários
Gênero: Coldwave, Pós-Punk, Minimal
País: UK
Ano: 2013

Comentário: Penso que Lebanon Hanover é aquele tipo de banda que tu sabes o que esperar, porém ainda irás invariavelmente te surpreender! Depois dos quase irmãos gêmeos siameses The World Is Getting Colder e Why Not Just Be Solo nascerem em 2012, a banda pare outro monstrinho que, não menos poético e decadente que os outros, emana uma Lebanon Hanover mais trevosa. Claro, é inevitável a comparação entre um e outro álbum e a conclusão de que todos, por mais que aloprem em especificidades simplórias, são uniformes!

Bem como aquele friozinho na espinha que vem cada vez que tu és arrebatado por uma banda que surge como uma das mais fidedignas e prolixas do revival fucking goth nos últimos anos – sobretudo quando está banda é formada por um casal. Afinal, nessas décadas de amor e goth, nós sabemos os destinos trágicos que essas bandas acabam tendo. Rezemos para que o amor e, por conseguinte, a banda não acabem!

De qualquer forma, Tomb For Two chega trevosando já no nome. E convenhamos: que capa de álbum belíssima da qual não haveria imagem melhor que a usada! Em seu sentido estrutural, este álbum não foge nenhum pouco das características fatídicas de Lebanon Hanover: synths exacerbados, baterias sampleadas, baixo imponente e aquela guitarrada escrachada e chula nos riffs mais canalhas! Afinal, quem precisa de firulagem sonora quando tu ganhas o título goth nos clichês e no gogó?

Os vocais frios de Larissa Iceglass aparecem desprovidos de sentimento humanóide em tonalidades de falsa melancolia, enquanto contradizem os chorosos e trevosos vocais de William Maybelline. Bem assim, a música mais tenebrosa – dessas que arrepiam literalmente assim que os vocais de William emanam – é também aquela de nome mais tosco “Midnight Creature” (faixa 9). E não esqueçamos de Gallowdance – faixa 5, a qual também fora lançada como single –, onde, em seu videoclipe, Larissa dança apática com uma corda no pescoço; e do belíssimo clipe vintage de I Believe You Can Survive (faixa 6)!

Tomb For Two é cru, dançante e ambíguo para mim: ao mesmo tempo que é introspectivo e te permite uma viagem solitária em um dia nublado, é extrovertido para dançares em uma festa meia-noite no cemitério. Em outras palavras, tudo aquilo que Lebanon Hanover vem demostrando ser. Tomb For Two já tem seu lugar garantido em meu Top Álbuns 2013 e coração!

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Tracklist:
01. Sadness Is Rebellion
02. Your Fork Moves
03. Stahlwerk
04. Hall Of Ice
05. Gallowdance
06. I Believe You Can Survive (Elegy For The Introvert)
07. Tomb For Two
08. Autofocus Has Ruined Quality
09. Midnight Creature
10. Invite Me To Your Country

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domingo, 8 de setembro de 2013
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Lebanon Hanover - The World Is Getting Colder

5 comentários
Gênero: Coldwave, Pós-punk, Minimal
País: UK
Ano: 2012

Comentário: Lebanon Hanover é o retrato caricatural da cena underground goth, onde as músicas são produzidas em uma gravadora independente e os videoclipes são dirigidos, filmados, atuados e editados pelos próprios membros – e ainda no estilo mais clássico de fotografia do que conhecemos como “indie” em cenários e figurinos tumblrísticos. Formada em 2010 por Larissa Gergiou (a.k.a Larissa Iceglass) e William Morris (a.k.a William Maybelline), já possui dois álbuns no currículo, além de um Split lançado em 2011 com a banda alemã La Fete Triste e um single lançado em fevereiro deste ano ("Gallowdance") que, por sua vez, anuncia o lançamento do terceiro álbum da banda agora em setembro.

Muito embora os dois álbuns do duo tenham sido lançados no mesmo ano, The World is Getting Colder em fevereiro do ano passado (2012) e Why Not Just Be Solo em outubro, optei por postar o primeiro, pois este traz a crueza que todo primeiro álbum tem. The World is Getting Colder é a únião de músicas das quais foram produzidas por três anos. Por isso, não é à toa que o videoclipe da música Totally Tot fora produzido ainda em 2010, de maneira bem amadora assim como todos os outros clipes da banda. Why Not Just Be Solo é um álbum de synths e conjunção sonora mais trabalhado e que, no entanto, não perde a linhagem do primeiro álbum. Contudo, se partirmos da ideia do goth bruto, com notas/sonoridades simples, interessa-me mais The World is Getting Colder.

As letras das músicas de Lebanon Hanover são simples, falam de nostalgia e ambientam uma espécie de revival da cena goth 80’s; por vezes são dotadas de ironia escrachada (“Ask me if I’m a goth or a manic depressive”) e contam uma história romântica de questionamentos e (auto)análises urbanoides, tudo em rimas simples e repetitivas, bem como cantadas em inglês e alemão. Na parte instrumental, Lebanon Hanover é uma banda basicamente de sintetizadores; com baterias sampleadas, guitarra (Larissa) com riffs simples e contrabaixo (William) de linhas duras e arrastadas. Sendo assim, é inevitável a altivez dos synths com batidas marcantes e reverberantes, além de simples, repetitivas e lentas em sentido minimalista. Os vocais são alternados, ora o cru vocal de Larissa em tons de lamentos frios em uma música, ora o vocal fantasmagórico de fera chorosa de William na música seguinte.

Em suma, The World is Getting Colder é simples, seja nas levadas frias ou nas letras de fácil assimilação; e que, no entanto, é surpreendente. Por fim, apenas lamento por quem não ouvirá Lebanon Hanover, pois, como diria Y., isso aqui é coisa fina!

P.S.: Para quem quiser ouvir Why Not Just Be Solo é só clicar aqui e recomendo assistirem o videoclipe de Northern Lights.

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Tracklist:
01. Die World
02. Ice Cave
03. No.1 Mafioso
04. Sand
05. Totally Tot
06. Kunst
07. Die World II
08. _
09. Canibal
10. Einhorn
11. Sunderland

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sábado, 10 de agosto de 2013
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Pan Sonic - Vakio

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Gênero
: Eletronico/Experimental/Minimalista
País: Finlândia
Ano: 1995

Comentário: Começar a resenhar Pan Sonic é um desafio, pois eu sei que estarei falando de uma banda extremamente particular pra pessoas com gostos extremamente variados. E o minimalismo absurdo do Pan Sonic guarda em si uma imensa multitude de possibilidades musicais, que faz cada pessoa gostar por um ponto de vista diferente. Então, antes de mais nada, recomendo ouvir Pan Sonic enquanto lê a resenha. Comece por aqui:

Pan Sonic - Hapatus

quarta-feira, 22 de maio de 2013
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Moondog - Moondog

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Gênero: Avant-garde, Experimental, Minimalista, Neoclássico
País: Estados Unidos da América
Ano: 1969

Comentário:

Durante a nossa vida nos deparamos com os mais variados tipos de pessoas. Algumas dessas pessoas nós consideramos interessantes. Outras vão além e notamos que há algo que as distingue das demais. Algumas nós até taxamos de gênios. Mas há outro tipo de pessoas e essas são extremamente raras. São pessoas que parecem ter nascido entre nós apenas por algum acidente transcendental (ou uma dádiva divina). Pessoas que sua própria vida é como um livro misterioso e infinito no qual sempre teremos o que aprender. Tenho muita convicção que Moondog era uma dessas pessoas.

Nascido com o nome de Louis Thomas Hardin a 26 de maio de 1916, Moondog parece ter desenvolvido uma sensibilidade artística que poucos experimentaram. Quem nunca ouviu falar desta figura acaba se deparando com uma surpresa atrás da outra ao conhecer fatos sobre sua vida. O primeiro, que é óbvio, é que Moondog era poeta e músico, tendo várias composições de sua autoria. Sua música consiste em experimentações com sonoridades eruditas, sendo notórias as influências do jazz e, muitas vezes, de ritmos tribais. É possível, também, encaixar sua música no chamado minimalismo e, por causa de todas essas influências taxa-se o todo de avant-garde.

Sua música é boa por si só e os aspectos de sua vida não são, de forma nenhuma, uma desculpa para torná-la melhor, porém, é impossível deixar de relacionar a sensibilidade e originalidade de seu modo de viver com suas criações artísticas. Pois bem, o segundo fato interessante sobre Moondog é o de que ele ficou cego aos 16 anos após um acidente com uma dinamite. Há quem diga que, por ter perdido a visão, sua capacidade auditiva tornou-se mais aguçada. Bem, o que sabemos é que, apesar de ter estudado em colégios especiais para cegos e lá ter aprendido os rudimentos da música, Moondog é considerado autodidata, pois aprimorou seus conhecimentos em sua solidão.

Como se tudo isto não bastasse, Moondog foi ainda mais além. Imaginem vocês que este intrigante compositor cego resolver renunciar a um estilo de vida comum e confortável para viver, por vontade própria, nas ruas de Nova Iorque a partir da década de 1940. Apesar de sua deficiência, ele mesmo confeccionava suas roupas, as quais ele fazia segundo a sua representação pessoal do deus nórdico Odin. Esse visual nada convencional numa figura errante pelas ruas da grande metrópole lhe rendeu o apelido de "O Viking da Sexta Avenida", que era a rua de sua "residência".
O Viking da Sexta Avenida, um ser anacrônico.

Durante o tempo que passou perambulando pelas ruas de Nova Iorque Moondog vendeu seus discos, suas partituras e seus instrumentos (sim, ele criou instrumentos musicais próprios!), além de também tocar ao vivo. Contudo, apesar de que, hoje em dia, muita gente desconheça essa figura, ele não passou totalmente despercebido pelo mundo, pois vários músicos de renome se interessaram na sua figura, dentre os quais podemos citar Philip Glass, Steve Reich e Charlie Parker.

Este álbum, que traz o pseudônimo do compositor, é do ano de 1969, lançado pela Columbia Records. Nele, Moondog  atua como regente das músicas que foram executadas por vários músicos. Chega a ser impressionante perceber a qualidade de um trabalho dessa envergadura tendo as rédeas puxadas por alguém que não teve formação erudita. Não por acaso, creio eu, uma das músicas mais belas do álbum, Lament 1 "Bird's Lament", é uma "chacona" e foi feita em homenagem ao então já falecido Charlie Parker. De qualquer forma, o álbum inteiro mostra a criatividade desta estranha (e bela!) criatura, que, ouvi dizer por aí, terá um documentário sobre sua vida pra ser lançado ainda este ano. Espero ansiosamente! =D




Tracklist:

01. Theme - 02:34
02. Stamping Ground - 02:39
03. Symphonique #3 (Ode to Venus) - 05:51
04. Symphonique #6 (Good for Goodie) - 02:47
05. Cuplet - 00:09
06. Minisym #1 - 05:45
07. Lament I, "Bird's Lament" - 01:43
08. Witch of Endor - 06:30
09. Symphonique #1 (Portrait of a Monarch) - 02:37


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
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James Blake - Discografia

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Gênero: Soul / Eletrônico / Dubstep / Experimental / Minimal
País: Inglaterra

Comentário: A história já é bem recorrente: rapaz introvertido, desajeitado, sem muita afinidade com o dom da comunicação por meio das palavras. De repente, toda a instrospecção é canalizada para um dom, geralmente esportivo ou artístico. No caso, a música foi a válvula de escape do londrino James Blake, que buscou nos preceitos da produção a sua melhor forma de externação do seu estilo. Aos poucos, foi desenvolvendo uma estilização única, chamando a atenção do fortíssimo ambiente underground de Londres - assim qualificado por conta da facilidade com que as coisas que lá acontecem se propagam para o restante do mundo.
Em 2010, conheceu os membros do ótimo Mount Kimbie - nota mental: postar esse grupo - e passou a acompanhá-los em turnê, tocando teclado e vocalizando em algumas faixas. No mesmo ano, lançou seu primeiro trabalho. O EP The Bells Sketch criou grande expectativa em cima de seu talento, que foi sendo aguçada com outros Extended Plays até o final daquele ano. No início de 2011, portanto, é que se deu a confirmação de tudo aquilo que dele se esperava. O seu primeiro full lenght, homônimo, se revelou uma verdadeira obra-prima, que, inicialmente, era taxada de dubstep. O efeito Skrillex, entretanto, fez com que sua obra fosse rotulada de pós-dubstep por uma fatia da mídia especializada, de modo a que ninguém ache que há qualquer semelhança no trabalhos dos dois músicos.
Acima de tudo, Blake é um artista versátil. Você encontra em sua obra produções animadas, bem como canções profundamente depressivas. Encontra faixas apenas instrumentais, e encontra também vocais densos e bem trabalhados. É, também, inovador. Muitos dos elementos de sua produção, como a inserção de estalos, grunhidos e graduações que, de pronto, parecem não fazer sentido, mas que aos poucos vão se tornando música, não são encontrados facilmente, não com essa propriedade.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
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Andrei Machado - Étant

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Gênero: Experimental Ambient / Minimal / Piano
País: Brasil
Ano: 2009

Comentário: "Andrei Machado não é ninguém". Com essa intimidadora descrição, que até pouco tempo figurava em sua página do LastFM, o músico brasiliense já deixava transparecer que pouca ou nenhuma atenção queria à sua pessoa. Ao contrário, tudo o que fazia, musicalmente falando, era externar algo que pulsava em seu interior, algo que precisava ser reduzido a termo, em forma de música que, mesmo não contendo nenhuma palavra sequer, diz muito a quem se permitir ouvir.
Machado é mais um dos inegavelmente talentosos artistas apadrinhados pela excelente Sinewave, selo virtual, que só libera suas gravações via internet, de modo gratuito. Étant é o seu segundo disco, e traz composições que, de maneira bem despretensiosa, podem te tomar de assalto, quando você menos se der conta disso.
O disco é de um minimalismo excêntrico visto em poucos registros nacionais. A sua parca dose de rigidez permite que cada ouvinte atribua às canções o significado que quiser. Não que a música em si, de um modo geral, não seja interpretativa, mas o trabalho de Machado vai além, permitindo que o ouvinte interaja com os inebriantes conjuntos de sons, que começam de maneira esparsa e, aos poucos, vão se amontoando de forma a fazer sentido como música.
Faixa após faixa, não é preciso de nenhuma letra para deixar claro o alto grau de emoção de que as composições do piano, devidamente acompanhadas de intervenções eletrônicas, são carregadas. Os intimistas títulos das canções ajudam a construir uma atmosfera perfeita à experiência proposta. 
Particularmente, eu preciso agradecer ao artista por me fazer companhia em tantas horas de estudo, permitindo me abstrair de qualquer outra coisa que aconteça à minha volta. Essa postagem, então, poderia ser resumida em duas palavras: muito obrigado.

MySpace//LastFM

Tracklist:
  1. "Ecce Homo"
  2. "O Cemitério dos Deuses Mortos"
  3. "Achei o Abismo, Está em Mim"
  4. "Prelúdio"
  5. "O Limiar da Eternidade"
  6. "Somos Poeira de Estrelas"
  7. "Minha Vida Sem Mim"
  8. "Uma Canção Para Werther"
  9. "E, Finalmente, Deixei o Sol Entrar"

Download Oficial

segunda-feira, 11 de junho de 2012
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Wim Mertens - Best Of

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Gênero: Contemporany classical, minimalism
País: Bélgica
Ano: 1997

Comentário:
Eis aqui um trabalho interessantíssimo da música contemporânea! O som aqui exposto, apesar de estar, diversas vezes, sob a designação de "música erudita", soa bastante acessível e, por vezes, diria eu, até popular. Wim Mertens é um músico que eu não consigo deixar de lado, pois, de vez em quando resolve reaparecer uma melodia sua em minha consciência adormecida e eu corro logo para ouví-lo.

Antes de mais nada é necessário dizer que Wim Mertens é musicólogo (sua formação em ciências políticas e sociais acaba não sendo tão relevante para o nosso propósito aqui). Eu arriscaria dizer que sua música é experimental, mas ultimamente esta palavra vem sendo tão banalmente utilizada que não sei se seria uma boa descrição. Porém, é impossível negar que, para o cenário no qual está inserido, Mertens produz um som "Avant-garde". De qualquer forma, é, também, minimalista. Ele não nega que aprecia o fato de que sua música seja "tão popular quanto pode ser."

De fato, o meu primeiro contato com sua música foi no filme Nós que aqui estamos por vós esperamos, (recomendadíssimo) apesar de eu, na época, sequer saber da existência do compositor. Quando me dispus a ouvir seu material lembrei: "êpa! Isso é familiar". Experiências à parte, este álbum que vos trago, com seu título auto-explicativo, é uma seleção de suas supostas melhores obras. Achei por bem postar esse álbum em especial, pois, nosso amigo compositor não cansa de compor novas músicas e lançar novos álbuns (em seu total mais de 50!) Suas obras mais "famosas", digamos assim, estão nesse álbum, tais como Struggle for pleasure e Maximizing the audience, apesar de minhas preferidas serem Often a bird e Iris (o fato destas duas serem trilha do filme anteriormente citado é mera coincidência). Iris é a música mais "profunda" do álbum, em minha opinião, pois, além da linda linha melódica do piano, é acompanhada por um vocal em falsete cantando numa língua imaginária resultando no despertar de sensações incríveis e belas, sensações essas que são realmente estranhas, não sei dizer se é algo bom ou ruim, sei apenas que são bastante contemplativas.

Enfim, está aqui um compositor "erudito" que vai muito além das linhas já traçadas por outros de seu ramo, que sabe utilizar-se de meios não convencionais para criar músicas com melodia simples, belas e muito tocantes.

MySpace//LastFm//Site

Tracklist:

01. Struggle for pleasure - 04:01
02. Birds for the mind - 04:51
03. Close cover - 03:23
04. Their duet 03:36
05. Humility 03:02
06. Often a bird - 03:49
07. 4 mains - 3:17
08. No testament 3:58
09. Iris - 9:55
10. Hors-nature - 3:22
11. Maximizing the audience - 11:50
12. The scene - 1:48

Links:

DepositFiles//BayFiles

domingo, 13 de maio de 2012
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Ø - Oleva

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Gênero
: Ambient/IDM/Minimalista
País: Finlândia
Ano: 2008

Comentário: Mika Vainio é o nome por trás do projeto Ø, e também é homem que, ao lado de Ilpo Väisänen, criou um dos mais influentes eintrigantes projetos de música ambient, eletrônica, experimental e minimalista dos últimos tempos, o Pan Sonic. Pois bem, prefiro começar essa resenha dizendo o seguinte: a única coisa que eu achei que não combinou neste absolutamente genial trabalho foi a capa. "Mas por que cara, ela é linda!" Sim, ela é linda. Mas a beleza dela está basicamente na complexidade de elementos que a compõem, essa diversidade de cores e elementos. O que é exatamente o contrário do  Ø , uma das coisas mais minimalistas e fodas que eu já pude ouvir, que tira sua beleza de pequenos elementos e padrões, uma seleção de pequenos elementos criando uma atmosfera completamente densa a partir de um quase nada musical.

Ao se ouvir o trabalho de Mika neste álbum o que o ouvinte encontra é, a principio, um choque pro ouvido acostumado com uma pluralidade de sons simultâneos da música convencional. A grande maioria das músicas é compostas por simplesmente dois elementos: um kick produzindo padrões e um background atmosférico e melódico bem simples que dá todo o charme ao projeto, elevando-o de simples barulho a uma sutil e incrivelmente bem elaborada seleção de sons. Criar melodias densas, cativantes e grudentas seria fácil com uma infinidade de sons ao mesmo tempo, mas Mika cria essa mesma vibe usando um minimalismo extremo. É algo indescritivelmente incrível.

A parte ambient do projeto cai pro lado mais obscuro e frio, mas sem perder a melodia e o feeling, coisa que só vi acontecer em projetos de altíssimo nível como o Lustmord. É aquele tipo de "vazio" músical onde o silêncio faz parte da música, a cadencia de sons melódicos e percussivos lentamente vai levando o ouvinte ao silêncio completo harmoniosamente, meio que se infiltrando nesse silêncio e se tornando parte dele. É o tipo do disco que quando acaba, você nem percebe, pois todas as melodias permanecem tocando na sua cabeça, de tão grudentas, mesmo que absolutamente sutis e discretas.

Por fim, saliento aos fãs do Pan Sonic que o  Ø é bem mais melódico e cadenciado, mas sem perder a magia eletrônica que Mika traz ao duo. Oleva é uma experiência única no minimalismo e no ambient, que realmente muda conceitos sobre o que é necessário pra se envolver e cativar dentro do espectro de possibilidades musicais. Recomendadíssimo, mas tenham mente que vão ouvir algo um tanto diferente da música convencional.

PS: Sim, a terceira faixa é um cover do Pink Floyd. Acredite nisso ao ouvir ou não.

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Tracklist:

01 - Unien Holvit 4:00
02 - S-Bahn 5:26
03 - Set The Controls To The Heart Of The Sun 5:46 
04 - Loihdittu 5:04
05 - Vastus 4:55
06 - U-Bahn 4:49
07 - Frekvenssi 2:19
08 - Koituva 6:35
09 - Mojave 5:57
10 - Tasanko 4:29
11 - Kausaaliton 7:23
12 - Muistetun Palaava Taajuus 4:50

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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Gui Boratto - Chromophobia

2 comentários

Gênero: Eletrônica / Minimal / Techno / House
País: Brasil
Ano: 2007

Comentário: De um tempo pra cá, tornou-se bastante frequente a utilização das premissas do minimalismo na música eletrônica. A consolidação disso se deu esse ano, com o londrino James Blake dando uma aula de como, de maneira cada vez mais intensa, hodiernamente, sem dúvida, menos é mais. Ocorre que, seja antes ou depois de Blake, o Minimal na música eletrônica sempre se revelou de forma melancólica, em tristonhas batidas.
Até que Gui Boratto, natural de São Paulo e, por lógica consequência, brasileiro, outorgou tons alegres ao estilo. Ou, como alguns críticos gostaram de avaliar em seu primeiro álbum, Chomophobia, Boratto deu cor a um gênero que somente se revelava de maneira acinzentada. E é por isso que o brasileiro tem, hoje, tamanho reconhecimento internacional, e é possível se dizer que esse reconhecimento, lá fora, é incomensuravelmente maior do que em sua terra natal.
Boratto lançou, ainda, em 2009, Take My Breath Away, e nesse ano o álbum III. Foram considerados consolidações na carreira do DJ, mas nenhum deles é tão bom e original quanto o álbum de estreia.


[ Site Oficial / MySpace / LastFM ]

Tracklist:
  1. "Scene 1" - 3:55
  2. "Mr. Decay" - 6:58
  3. "Terminal" - 5:57
  4. "Gate 7" - 6:41
  5. "Shebang" - 7:28
  6. "Chromophobia" - 7:12
  7. "The Blessing" - 5:40
  8. "Malá Strana" - 2:31
  9. "Acróstico" - 4:25
  10. "Xilo" - 3:55
  11. "Beautiful Life" - 8:31
  12. "Hera" - 3:59
  13. "The Verdict" - 3:37

    Mediafire / Sendspace / Rapidshare / Outros Links



    quarta-feira, 26 de outubro de 2011
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    James Blake - Enough Thunder EP

    1 comentários
    Gênero: Eletrônica / Dubstep / Minimal
    País: Inglaterra
    Ano: 2011

    Comentário: Após o seu muitíssimo bem recepcionado álbum homônimo de estreia, o londrino James Blake lança, agora, um Extended Play cuja proposta é bastante similar à de seu trabalho inicial. Enough Thunder traz seis canções que exploram efeitos incomuns e delicadíssimos pianos e melodias.
    A música de Blake continua completamente envolvente. É impressionante a facilidade que o jovem artista tem em inserir o ouvinte na atmosfera por ele criada, fazendo que as audições de seus discos se transformem em vredadeiros mergulhos nessa inovadora forma de se fazer música.
    As novidades ficam por conta de algumas letras mais elaboradas, coisa rara no primeiro álbum. Além disso, mais do que precisa é a participação de Justin Vernon, o cara por trás do Bon Iver, que abrilhanta a faixa Fall Creek Boys Choir que, sem dúvida alguma, é o maior destaque do release.
    Pra quem tiver a capacidade de fechar os olhos, deixar o som bem alto e se deixar levar por todos os elementos que compõem o projeto em si, cada uma de suas faixas se consubstanciará numa grata experiência. É muito raro constatar trabalhos tão pdoerosamente envoltos em uma aura tão especial. É quase impossível pensar em qualquer outra coisa quando se está ouvindo James Blake com a atenção que lhe é devida.

    [ Site Oficial / MySpace / Facebook / YouTube ]

    Tracklist:
    1. "Once We All Agree" - 4:23
    2. "We Might Feel Unsound" - 4:00
    3. "Fall Creek Boys Choir" (com Bon Iver) - 4:33
    4. "A Case of You" - 2:57
    5. "Not Long Now" - 5:23
    6. "Enough Thunder" - 4:15

      Mediafire / Sendspace / Hotfile / Rapidshare / Outros Links


          Fall Creek Boy's Choir by Divanusantara [ U.G.D ]
        quinta-feira, 1 de setembro de 2011
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        Original Motion Picture Score: Fight Club - Music by The Dust Brothers

        0 comentários
        Gênero: Eletrônica / Minimal
        País: Estados Unidos
        Ano: 1999

        Comentário: Desde a primeira vez que assisti, emudecido, aos cento e trinta e nove minutos de Clube da Luta, criou-se dentro de mim uma espécie de obssessão. Assisti mais umas oito ou nove vezes, decorei as falas, as cenas, elaborei e pesquisei teorias diversas, consegui gravar, até mesmo, os exatos momentos em que as mensagens subliminares surgem na tela. Li o livro - constatando que, pela primeira vez, a adaptação aos cinemas era tão boa quanto a obra original - e procurei outros títulos do mesmo autor, Chuck Palahniuk, genial propagador do humor negro e das situações perturbadoras. Mestre das palavras frenéticas.
        Além disso, como não poderia deixar de ser, fui atrás da trilha sonora. E, com alegria, constatei que a versão musical da história condiz com a qualidade do enredo. The Dust Brothers, dupla americana de música eletrônica, já havia sampleado álbuns de artistas consagrados, como Beck e Beastie Boys, e produziu batidas, ora melódicas, ora agressivas, que muito bem acompanham as clássicas cenas da película.
        Há muita variação nos recursos, sendo que a dupla se vale de instrumentos desde o piano até a guitarra, passando por tambores, e de ritmos que vão do batidão ao sossego pleno.
        Os títulos das faixas ilustram cenas do filme, e nos fazem relembrar de cada momento a que se referem. Ótima pedida, não só pros aficcionados por Tyler Durden como eu, mas também pros fãs de música eletrônica.
        PS: eu coloquei um bonus track, que não consta da OST, mas que toca no final, quando estão subindo os créditos: Pixies - Where's My Mind.

        Tracklist:
        1. "Who Is Tyler Durden?" - 5:03
        2. "Homework" - 4:35
        3. "What Is Fight Club?" - 4:45
        4. "Single Serving Jack" - 4:14
        5. "Corporate World" - 2:42
        6. "Psycho Boy Jack" - 2:57
        7. "Hessel, Raymond K." - 2:49
        8. "Medulla Oblongata" - 5:59
        9. "Jack's Smirking Revenge" - 3:59
        10. "Stealing Fat" - 2:21
        11. "Chemical Burn" - 3:35
        12. "Marla" - 4:22
        13. "Commissioner Castration" - 3:06
        14. "Space Monkeys" - 3:18
        15. "Finding The Bomb" - 6:50
        16. "This Is Your Life" (feat. Tyler Durden) - 3:31


        Download:

        MP3 - 128kbps
        Mediafire / Megaupload / Mirrorcreator
        quinta-feira, 7 de julho de 2011
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        Jandek - Ready For the House

        1 comentários
        Gênero: Lo-Fi, Avant-Garde, Minimal, Ethereal, Anti-Folk
        País: EUA
        Ano: 1978

        Comentário: Jandek, acredite ou não, é um dos mais prolíficos artistas da música americana. Hoje (2011) ele possui nada menos que 66 (SESSENTA E SEIS) álbuns lançados, independentemente, pelo selo tão enigmático quanto ele mesmo chamado Corwood. "Como eu nunca ouvi falar nesse cara?" você deve se perguntar. Bom, não é sua culpa. Jandek é um artista recluso, completamente avesso à exposição. Por mais de duas décadas, ele conseguiu com sucesso permanecer anônimo, apenas reconhecido pela alcunha "Jandek".

        E a música de Jandek? Ah, a música de Jandek é um fenômeno aparte. Na minha opinião, o que melhor pode descrever o som de Jandek é a curiosa palavra composta "Anti-Musical". A sonoridade da música de Jandek rompe com qualquer paradigma musical que estamos habituados e programados a buscar no som. A gravação é de baixa fidelidade, o famoso Lo-Fi. Tudo que ouvimos é um violão, ou eventuais e diversos instrumentos como gaitas e afins, tocando notas estranhas e fora de tempo, acompanhado por uma voz soturna e melancólica. "Esse cara não sabe tocar" é o que muitos podem pensar ao ouvir Jandek pela primeira vez. Eu não creio que seja este o caso.

        A música de Jandek, por mais anti-musical que seja, transmite uma sensação densa de solidão. Suas letras são bizarras e, por vezes, engraçadas. Mas nunca conseguem tirar a inebriante sensação de solidão. É como se fosse possível visualizar um rapaz sentado no escuro martelando notas aleatórias em seu violão e cantando qualquer coisa que lhe vem à cabeça. O que provavelmente é o processo de composição de Jandek, mas nada se sabe, uma vez que o mesmo não dá entrevistas.

        Ready for the House é o primeiro álbum de Jandek, e também o primeiro do selo Corwood. Como viria a ser padrão de seus álbuns, a capa é uma fotografia sem títulos, fontes, ou nada que indique que isto é um álbum. Tudo ajuda a criar a atmosfera de mistério sobre este personagem.

        Como disse anteriormente, não acredito que Jandek seja um charlatão, existe alma demais em seu material para alguém que não sabe tocar. Além do que, alguém que não sabe tocar e está apenas de brincadeira "pegando os trouxas" não produz uma média de 2 álbuns por ano por 3 décadas inteiras.
        Para muitos, esta não será uma viagem musical agradável e nem interessante, mas tenho certeza que entre os leitores do Ignes existem pessoas, que como eu, encontrarão beleza e intrigarão-se por este exemplar único de músico.

        Myspace || Lastfm

        Tracklist:
        01. Naked in the Afternoon  (4:44)
        02. First You Think Your Fortune's Lovely (8:04)
        03. What Can I Say, What Can I Sing  (4:44)
        04. Show Me the Way, O Lord (4:11)
        05. Know Thy Self (3:31)
        06. They Told Me About You (4:26)
        07. Cave in on You (4:18)
        08. They Told Me I Was a Fool (5:04)
        09. European Jewel (Incomplete) (4:40)

        Download: Mega || 4shared

        terça-feira, 5 de julho de 2011
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        James Blake - James Blake

        5 comentários
        Gênero: Eletrônica / Dubstep / Minimal
        País: Inglaterra
        Ano: 2011

        Comentário: Estalos. Grunhidos. Entra uma voz calma, serena, cantando coisas tristes. Os sons esparsos começam a tomar forma e fazer sentido como música. Mais estalos, mais grunhidos, mais scratches arranjados de forma a causar uma sensação estranha, algo meio perturbador, mas, ao mesmo tempo, viciante.
        Assim é a música de James Blake, um londrino de vinte e dois anos que despontou como uma das maiores revelações da música mundial. Inexplicavelmente muitíssimo bem aclamado, seu álbum homônimo é, decerto, intrigante.
        Pra mim, o grande trunfo do estilo de Blake é o caráter de graduação que as faixas têm. Explico: quase que invariavelmente, suas canções começam baixas, e com poucos recursos de som, mas aos poucos vão sendo adicionados mais efeitos, mais sons, mais distorções, e dá-se a impressão de que você aumentou o volume. Chega-se ao clímax de cada música, e você já está completamente envolto na atmosfera que o autor quis criar. Ótimo disco e, pra mim, o melhor do ano até o presente momento.

        Tracklist:
        1. "Unluck" - 3:04
        2. "The Wilhelm Scream" - 4:36
        3. "I Never Learnt to Share" - 4:52
        4. "Lindisfarne I" - 2:43
        5. "Lindisfarne II" - 2:59
        6. "Limit to Your Love" - 4:40
        7. "Give Me My Month" - 1:54
        8. "To Care (Like You)" - 3:54
        9. "Why Don't You Call Me" - 1:36
        10. "I Mind" - 3:35
        11. "Measurements" - 4:21
        Site Oficial / Twitter

        FileSonic

        HotFile
        Mediafire
        Megaupload

        quinta-feira, 17 de março de 2011
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        Non Dolet - Inner

        5 comentários
        Gênero: Ambient/ Dream ambient/ Electro/Minimal/ Instrumental/
        País: Rússia
        Ano: 2011

        Comentário:
        Vindo diretamente (ou indiretamente) via e-mail, Alisa, que executa o papel de one-man-band, enviara seu projeto Non Dolet para apreciação, análise e partilha.
        Residente na Rússia, Alisa (Alice) é uma moça, bem jovem, e que começara iniciando sua carreira de forma atraente. Difícil de definir um estilo, Non Dolet parece ser avesso à definições e aos limites. Experimental, ambiente e eletrônico talvez sejam as bases fundamentais do projeto. O que ela cria a partir disto é que nos comove.
        Deficiente em informações, Alisa é mais uma criatura tentando mostrar sua arte, e do modo mais inteligente, que hoje é à partir da Internet.
        Seu som se faz delicado assim como o título de seu disco, Inner (Interior), mas também estranho, confuso e inquieto. Talvez seja a tradução de seu próprio ser, do ser de Alisa, com o pseudônimo de Non Dolet, mas, com pesquisas, sabe-se que a jovem — que estuda em um conservatório local, e que pretende estudar psicoacústica — dedicou este álbum à sua mãe.

        As músicas revelam o potencial de Non Dolet/Alisa, mas podem soar estranho, criando talvez dois grupos: Os que irão adorar tal som exótico, e os que talvez sentirão tédio, mesmo que gostem de coisas parecidas.
        Utilizando-se de vários instrumentos, ela realmente tira lucro deles, diferente de outros projetos ao qual notamos a falta de conhecimento dos músicos que apenas dão uma 'soprada', uma 'batida', uma 'riffada', como desculpa para dizer que fez um material diferente e com outras influências. Aqui não, além dos instrumentos (eletrônicos, acústicos e percussão), sua sonoridade ainda passeia pelo trip-hop e folk, mas de um modo diferente. Poderia dizer que sua música, na minha opinião, tem uma considerável taxa de influência de compositores como Edward Artemiev (postado aqui no blog) — que fizera a trilha sonora de filmes para o fantástico Andrei Tarkovski.

        Apesar de chamá-lo de estranho, eu o considero um trabalho bem acessível e de fácil digestão, desde que se permita aquele velho ritual: degustação, a salada, o prato principal e a sobremesa, para só depois tirar uma conclusão mais coesa do banquete. Uma ou outra faixa parecem não serem 100% compatíveis, mas a potencialidade transmitida revela que em um futuro ela poderá nos apresentar grandes obras (maiores ainda).

        Vale muito a pena baixar este material que, não só a música, possui uma bela capa, e aproveitando, destaco as faixas Inner, Outback, Bushido e War Field, mas abaixo você pode conferir todas. Uma cópia física do material poderá ser adquirido via e-mail para nondolet.a@gmail.com

        Last.fm//Official.fm
        sábado, 29 de janeiro de 2011
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        Pornophonique - 8-bit Lagerfeuer

        2 comentários

        Gênero: Alternative Rock/Electroacoustic/8-bits
        País: Estados Unidos
        Ano: 2006

        Comentário: Pornophonique definitivamente é aquele tipo de projeto que só temos acesso graças a Internet. O projeto é formado por 2 instrumentistas, um guitarrista e um… tocador de Game Boy… Sim, você não leu errado, as musicas utilizam muito do som 8-bits gerado pelo famoso portatil da Nintendo. E só pra deixar claro, essa não é uma banda de Nintendocore, nem de música eletrônica.
        O som na verdade é uma mistura de canções acústicas, com um dedinho de rock alternativo e eu diria até que durante alguns momentos me remetem ao new wave. O CD conta a história de um “Sad Robot” e sua melancôlia e solidão durante as fases de jogos old schools. Aqui é possivel ouvir referências a jogos como Lemmings, Space Invaders e vários outros clássicos old school.
        É simplesmente música criada por nerds, para nerds, abordando uma temática sentimental de uma forma bem diferente e criativa. 

        Tracklist

        02 - Take Me To The Bonus Level Because I Need An Extra Life
        03 - Lemmings In Love
        04 - Space Invaders
        05 - I Want To Be A Machine
        06 - 1/2 Player Game
        07 - Game Over
        08 - Rock'n Roll Of Fame


        sábado, 10 de julho de 2010
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        Ludovico Einaudi

        0 comentários
        Gênero: Piano
        Ano: 2007
        País: Itália

        Comentários: Nascido na ciadade de Torino, na Itália aos 23 de novembro de 1955, Ludovico Einaudi diplomou-se em composição no Conservatório G.Verdi di Milano e se especializou sob a orientação de Luciano Berio.
        Destaque para as belíssimas: "Divenire", "Andare" e "Primavera", álbum viciante, para amantes de trilha sonoras e piano!

        Tracklist:
        1. Uno
        2. Divenire
        3. Monday
        4. Andare
        5. Rose
        6. Primavera
        7. Oltremare
        8. L'origine Nascosta
        9. Fly
        10. Ascolta
        11. Ritornare
        12. Svanire

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        terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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        Oblique Existence - Contaminating Void (Demo)

        0 comentários

        Gênero:
        Minimalistic Funeral Doom Metal
        País: Brasil
        Ano Lançamento: 2008
        Comentário: Banda Brasileira, lançando sua primeira demo, Contaminating Void, som extremamente trOO, ambiente, contém uma intro, a faixa que dá nome a banda vem em seguida e é a única com vocais, que são muito bem feitos, guturais ótimos, e depois um 'instrumental' recomendo.

        Tracklist:

        01 - Intro
        02 - Oblique Existence
        03 - Interludium


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        Quem escreve e faz os uploads:

         
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