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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
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Bandas Amigas: Galego

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Artista paulistano que vai do transe atlântico ao trance espacial. Se aventura por diversas linguagens. Em uma de suas musicas diz: "keep me out of the mold, out of the line, outside the rules/ let me follow the unknown, i want to burn me all, all inside you (mantenha-me fora do molde, fora da linha, fora das regras/ deixe-me seguir pelo desconhecido, eu quero me queimar todo, todo dentro de você).

Ao fixar o texto acima, proveniente da página do artista, e encerrar o post desta forma é inevitável não transmitir um sentimento de preguiça. Mas verdade seja dita: a descrição acima realmente resume muito bem o trabalho de Galego.


Mas vale ressaltar diferenças entre seus dois — e que não sejam os únicos — discos. Com uma sonoridade e estética claramente importada do hemisfério norte, um gringo despojado, o disco The Man of Tomorrow lançado em outubro de 2015 faz eficaz uso do eletrônico e do indie/rock alternativo, além das letras em bom inglês. Ou se preferir como o próprio músico avalia: canções que passeiam de forma ousada pelo universo eletrônico-indie-rock-algumacoisa. The Man of Tomorrow se mostra um trabalho realmente pessoal, com Galego participando de todas as etapas (composição, gravação, produção, mixagem e masterização) sozinho.


Em contraste, Transeatlântico (2014) é aquele disco brasileiro para quem gosta da chamada "nova bossa", "nova mpb", no qual temos uma grande variedade sonora, tanto de gêneros como de épocas da música, sendo compatível com o som de músicos e bandas como Leo Cavalcanti, Curumin (que inclusive faz uma participação no disco), Karina Buhr, Cidadão Instigado, ou seja, um tanto swingado, um tanto romântico, um tanto pop, um tanto indie, um tanto tanta coisa. Assim não é difícil imaginar que Transeatlântico foi aceito facilmente, conseguindo o destaque que merecia.
Neste disco Galego dividiu as tarefas com Cris Scabello e Mauricio Fleury, membros do Bixiga 70, além de outros nomes.

Ambos os discos podem ser baixados no site do músico e também estão disponíveis para audição no Spotify e SoundCloud. Ah, e curta a sua página no Facebook.

domingo, 10 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Lessandro Firmo (xpandaren)

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Esse ano foi meio que esquecido na minha cabeça, em questão de garimpar por lançamentos. Ter feito esse top foi um motivo motor de eu tirar a bundinha da cadeira, deixar de esperar que caísse do céu e ir procurar por coisas novas. Bem, creio que funcionou de certa forma (risos). Novas revelações, bandas de longa data com novidades eximiamente bem trabalhadas, bandas de longa data com as mesmices lindas, entre outros. Em resumo, foi um ano consideravelmente bom para a música, generalizando.

Seguem em em em em (eco)...

sábado, 9 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Marcos Alves

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2015 foi um ano estranho em sua totalidade. Também foi um ano onde expandi meus horizontes musicais e o terminei escutando coisas que eu não imaginaria no começo. Foi o ano em que, finalmente, comecei a me aprofundar no hip hop e suas vertentes. Bem como o Black Metal, gênero que me arrependo de não ter dado mais atenção antes.

Sem muita enrolação, essa é a minha lista de melhores discos de 2015.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Rômulo Alexander

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Um hobby: fazer uma lista de melhores álbuns do ano. Aposto que você que está lendo também tem essa mania. Mas se for levado a sério, é um hobby impossível de ser executado. Segundo esta página, em 2010 foram lançados 75.000 álbuns só nos EUA. Quantos devem ter sido lançados em 2015, no mundo inteiro? Mais de 100.000, provavelmente. Impossível ouvir tudo isso num único ano. Listar os melhores álbuns é um trabalho por amostragem.
Por isso, tentei fazer uma lista abrangendo diversos estilos. Portanto, cada um dos álbuns abaixo não está aqui por si só, mas sim como representante de um estilo ou uma cena musical com grande destaque em 2015. Isso numa perspectiva bem pessoal, ok? Não consegui sair muito do Rock, nem do Metal. Vamos lá!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Matheus Saez

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O pouco contato que tive com os lançamentos de 2015 foi altamente compensado pela magnifica qualidade da musica produzida nesse ano. Tive uma oportunidade grande de aumentar minha gama de gêneros musicais e o fiz. Me apaixonei mil vezes por alguns dos discos pelos quais esperei ansiosamente o dia de estreia ou por um em especial que me tomou de surpresa e me encantou como só ele poderia.

Mas cortando a conversa antes que ela se prolongue muito, gostaria de anunciar minha volta ao site depois de um ano sem trazer novidades ou reviver tesouros antigos. Pretendo manter um ritmo mais frequente por aqui nesse ano que começa e aproveitar para exercitar meus conhecimentos culturais musicais.

Voltando ao top10 2015, eu estou muito contente com a lista que fiz, mas devo dizer que a ausência de títulos nacionais me deixou decepcionado, e a culpa é completamente minha. O Brasil também foi fonte de ótimas produções musicais no ano passado, algumas listas já postadas trazem nomes incríveis, como vale a pena conferir!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
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Os melhores discos de 2015 por Bruno Lisboa

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A música brasileira viveu um grande momento em 2014 e 2015 foi, novamente, um ano especial. Por mais que a "velha mídia" costume cravar que a mesma está morta, o número de produções de alta qualidade deste ano superou as minhas expectativas. Outros tantos discos poderiam estar aqui.

Na ala internacional os retornos do trio Sleater Kinney e Juliana Hatfield dividem espaço com o soberbo disco do rapper Kendrick Lamar, a ousada recriação de 1989 disco de Taylor Swift por parte de Ryan Adams e os novos rebentos de Mark Kozelek via Sun Kil Moon. Eis a lista:

terça-feira, 5 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Lucas

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Pois bem, mais um ano se foi e dele ficam só as estórias - e são justamente elas que proponho remontar aqui nesse TOP 10, em sua maioria narrativas melancólicas, cada qual a sua maneira, fantasiada ao seu modo, escondidas por detrás de sonoridades e gêneros musicais. Não importa. Cada álbum escolhido para essa pessoal e singela lista tenta contar uma história, a sua maneira, com sua linguagem e estéticas próprias. Desde a neo psicodelia até o blues, o indie, o rap, o samba, a MPB: macumbas por amores malditos, e intimidades reveladas em forma de canção, nada aqui escapa da boa e velha narrativa. Reconstruída e musicada. Enfim, aqui estão as 10 narrativas que me prenderam em sua magia no ano passado. 

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Os Melhores Discos de 2015 por Ariel

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Sei que pensaram que 2015 não teria o seu apanhado por nós do que de melhor proporcionou, mas o intuito em postar os tops nesse início de ano foi para que nenhum disco lançado e escutado por nós durante o ano fosse injustiçado (sobretudo aqueles lançados em Dezembro), e seguimos ainda a linha do ano passado de posts individuais que tanto deu certo e pode expor a peculiaridade de cada um da staff do Pignes. Dessa vez em uma versão mais enxuta e breve (10 discos apenas), dos quais serão postados ao longo dessa semana, começando por mim (Ariel).

Este ano que passou foi daqueles cheios de reviravoltas, das bandas que lançaram seus discos mas não comoveram e daquelas que eclodiram surpreendendo a todos. Particularmente, 2015 foi o ano que escancarei a porta dos gostos e experimentações e fui do Black Metal ao Samba na mesma noite. E igualmente reafirmei a identidade com as bandas que contam a minha historia, me acompanham a vida.

domingo, 20 de dezembro de 2015
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BANDAS AMIGAS #9 - Federico Puppi e Fernando Leitzke

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 Federico Puppi



Depois de anos de espera, amadurecimento, esquecimento e descobertas, nasce o meu primeiro disco autoral e inédito”. É assim que o violoncelista e compositor italiano Federico Puppi anuncia “O Canto da Madeira” (independente, financiado via crowdfunding), instrumental de verve pop. O álbum pode ser baixado gratuitamente no site oficial do músico (www.federicopuppi.com) e está disponível para audição nas plataformas digitais. A cantora e compositora Maria Gadú participa de duas faixas.

Disco e apresentações são fruto de uma mistura sonora vibrante e contemporânea: um violoncelo alemão de 150 anos + melodias pop + ritmos brasileiros + flertes com o rock, o jazz e o eletrônico. Ao todo, o disco traz 10 canções instrumentais, cantadas pelas cordas graves do violoncelo no lugar tradicional da voz. O conceito deu nome ao álbum e norteia a obra de Puppi, que estuda o instrumento desde os 4 anos com uma certeza rara de que escolheu e foi escolhido pela música. “Brinco dizendo que é esse violoncelo cheio de histórias quem me toca”.

A vontade de gravar um disco para chamar de seu é antiga, mas, como uma massa que leva um certo tempo para crescer, “O Canto da Madeira” acaba de sair do forno – e chega num ótimo momento na carreira de Federico Puppi. Já estabelecido no Rio de Janeiro, onde mora desde 2012, quando, fugindo da crise europeia, baixou por aqui com o cello nas costas, o ragazzo está em destaque na cena, tocando com o estupendo Caio Prado, além de pertencer à banda fixa e estelar de Maria Gadú. Juntos, produziram o recente “Guelã” (Som Livre), indicado ao Grammy Latino como melhor álbum de MPB.

“Sempre tive a necessidade de fazer o meu som, com as minhas músicas. Esse desejo aumentou nos últimos anos, quando vi a minha carreira de instrumentista deslanchar”. Federico Puppi encontrou o seu lugar. Vem gravando com artistas consagrados – destaque para a sua participação no disco “Magic” (2014), de Sérgio Mendes –, compositores e músicos famosos – gravou o disco “Dio&Baco”, de Suely Mesquita e Eugenio Dale, e se apresenta regularmente com o duo – já colocou o seu instrumento à serviço das contemporâneas Roberta Sá e Anna Ratto (no CD e DVD “Ao vivo”), por exemplo, e expandiu para outras formas de arte. Atualmente, está em cartaz com o espetáculo teatral “Consertam-se Imóveis”.

Faixas como “Solo come um cane” (a única com título em italiano, que significa “Sozinho como um cão”), “Touareg”, “Blue jeans” e “Dança da chuva” vieram da Itália dentro do case de Puppi. Outras três foram escritas no Brasil: “Dente de Leão”, que ele dedica à mulher, a atriz Suzana Nascimento; “Chiara”, feita para a irmã radicada em Edimburgo, e “Rua São Braz”, uma homenagem ao seu primeiro endereço carioca, em Todos os Santos. Com todo o simbolismo que pode ter, é a faixa que abre o disco.


Sobre Gadú, o violoncelista fala com intimidade e gratidão. “Nos conhecemos numa noite que eu não queria sair de casa, mas acabei indo parar num sarau no Comuna, em Botafogo. Quando estava no fim, chegaram um rapaz e uma garota. Eles quiseram tocar e os caras religaram tudo. Eram Dani Black e Maria Gadú. De repente, me vi no palco com a Maria, sem saber quem era. Fizemos uns improvisos e a noite terminou muito feliz. Dias depois, ela me ligou convidando para participar de um show em homenagem ao Cazuza. Aceitei na hora. Isso foi em setembro de 2013”, rebobina.

A partir daí, a vida seguiu outro rumo e Federico Puppi foi se aproximando dos músicos que abraçaram a ideia de fazer “O Canto da Madeira” acontecer. Conheceu Gastão Villeroy (baixo e coprodutor do disco) e Cesinha (bateria) através da Gadú e, apresentado pelo Gastão, ficou amigo do Marco Lobo (percussões). O Eugenio Dale (violão de nylon na faixa “Bebum”) também veio por intermédio do Gastão, sócio no estúdio Pacto com Baco, onde parte do trabalho foi gravado. Fernando Caneca (guitarra e violão de nylon) já tocava com a Gadú e logo ficaram amigos. Quando menos esperava, estava formada a banda que você ouvirá neste lançamento, que já pode ser considerado um dos melhores álbuns do ano!


Fernando Leitzke



O pianista gaúcho Fernando Leitzke (pronuncia-se “Laitisque”) gravou este ano o álbum instrumental “Rios que navego” com apoio financeiro de mais de 200 amigos e admiradores. Fez o primeiro show de lançamento na Casa do Choro e está trabalhando para continuar levando esse repertório para os ouvidos brasileiros. Radicado no Rio de Janeiro há seis anos, Fernando toca há 12 anos e acredita que esse seja um “disco de fronteiras” por aproximar a sonoridade do Rio e de Porto Alegre, em sambas, candombes, choros, um bolero e uma valsa.

“Gravei este disco porque senti a necessidade de mostrar o meu trabalho mais a fundo, não só como acompanhador, mas também como arranjador e solista. As composições sempre chegaram de um forma muito natural, mas refletem momentos como liberdade e tristeza. Escrevi as cinco autorais no Rio, em apartamentos onde morei no Flamengo e na Tijuca”, conta o músico, que entremeou os seus temas (“Chaleira quente” e “Pequena folha” são dois deles) com obras reconhecidas de Pixinguinha (“Mundo melhor”, sem a letra de Vinicius de Moraes), Tom Jobim (“Descendo o morro”, também sem os versos de Billy Blanco) e Radamés Gnattali (“Vou andar por aí”).



Esses três compositores representam o que há de melhor na música brasileira e também foram, de certa forma, responsáveis pela vinda do pianista à cidade onde moraram e produziram. O nome “Rios que navego” resume essas influências. Já Rubén Gonzales, pianista cubano, é uma grande referência no modo de tocar, um exemplo de piano forte com alma. E Rubén Rada, ele conheceu através de outros músicos gaúchos e se encantou pelo seu repertório de candombes, ritmo tradicional no Uruguai. Nos choros autorais “Segunda” e “Radamesiando”, Fernando homenageia, respectivamente, Cristóvão Bastos e, de novo, o mestre Radamés, a maior inspiração para os pianistas de música brasileira. 

domingo, 13 de dezembro de 2015
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BANDAS AMIGAS #8 - Pedro Dias Carneiro

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Pedro Dias Carneiro
Vovô Bebê


Pedro Dias Carneiro é compositor, arranjador e produtor musical. Nascido no Rio de Janeiro, hoje passa boa parte do seu tempo na estrada entre sua cidade natal, onde assumiu no último ano o antigo estúdio 304, e Belo Horizonte, trabalhando como assistente e aprendiz do produtor musical Chico Neves. Com a sua banda carioca, "Dos Cafundós", fundada em 2002, lançou o elogiado disco "Capitão Coração” pelo selo inglês Far Out.

As suas letras intensas e a sua música disforme recriam o lugar previsível da canção brasileira. E as suas criaturas-canções falam sobre a vida cotidiana do mundo e, ao mesmo tempo, inventam imagens quase cinematográficas, deslocando os seus personagens do comum ao absurdo com a intimidade de quem transita, em sua própria vida, entre esses dois lugares.

“Vovô Bebê” (independente) é o primeiro álbum do compositor, que estará disponível para download gratuito a partir do dia 14 de dezembro, no site www.vovobebe.com.

Concebido por Pedro e Chico Neves entre 2009 e 2014, “Vovô Bebê” é um apanhado afetivo de canções registradas entre a casa de Pedro, no Rio de Janeiro, e os estúdios de Chico, no Rio e em Belo Horizonte, onde o produtor vive há três anos. A arte do disco, caprichada, detalhista e com pedaços de fotos antigas impressas, foi feita pelos designers Felipe Bardy e Guga Liuzzi. Acompanha, ainda, um livreto biográfico do artista. Os instrumentos são, em sua maioria, tocados por Pedro e Chico, com participações especialíssimas de Guinga (violão), Conrado Kempers (violino e dilruba), Marcelo Caldi (acordeon) e Pedro Braga (piano).

"Nenhuma das músicas tem bateria e a percussão aparece em duas ou três faixas", diz o jovem artista. Pode-se dizer que a sonoridade do disco foi praticamente concebida durante as gravações. Todas as canções são da autoria de Pedro, com exceção de "Saudade do Cordão", parceria dele com Guinga. O repertório é autoral inédito e marca a estreia do músico de 30 anos, que compõe desde os 10 anos. O disco traz 10 faixas, cinco para cada lado: A e B.


A tradição e o experimentalismo andam juntos na personalidade musical do compositor, que faz uma música paradoxal: às vezes simples, às vezes complexa, às vezes leve e, outras, densa. É, com certeza, um disco original, repleto de dor e beleza, agressividade e acalanto. Difícil enquadrá-lo num gênero ou categoria, já que ele transita por vários lugares, com muitas cenas e informações. Há um jovem, um bebê e um senhor ali. Há também um mundo a ser descoberto: A caverna do Pedro Dias Carneiro.

Para o produtor e amigo Chico Neves, o jovem Pedro Dias Carneiro é uma figura ímpar, que surpreende a cada composição. "Ele tem uma maneira de pensar a música muito peculiar, instigante e inteligente. Escreve as letras de uma forma brilhante! Este trabalho foi desafio dos bons, longo caminho trilhado até chegar na forma, no conceito, desta joia rara que se tornou o primeiro disco do Pedro. Muito talento para uma pessoa só, que às vezes se perde e se dá um nó!".



sábado, 3 de outubro de 2015
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Elza Soares - A Mulher Do Fim Do Mundo

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Gênero: Samba / Samba-rock / Rap / Jazz / Vanguarda Paulista
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: É extremamente difícil saber como eu vou começar essa resenha. Mas comecemos, mesmo sem saber de onde, mesmo sem saber como. Na primeira faixa já temos um poema musicado do Oswald de Andrade, Coração do Mar, na voz rouca, potente, sofrida, visceral dessa rainha que é Elza Soares.

Tenho para mim que a abertura do álbum com Coração do Mar e Mulher Do Fim Do Mundo, a faixa-título, resumem muito bem o conceito que o álbum quer passar. Esse samba que é choro, que arrebata, sofrido, estranho, cheio de barulhos sujos, vanguardista - que depois de setenta anos de carreira, desabrochou em um primeiro álbum de inéditas. E inserida nesse universo de apocalíptico e apoteótico, Elza canta até o fim a negritude, a força da mulher, o sexo e a dor.

Maria da Vila Matilde funciona como uma espécie de retrato para várias mulheres que cansaram de serem tratadas como maltrapilhos pelos seus companheiros. Ela ameaça jogar água fervendo, soltar os cachorros e promete - ele vai se arrepender de levantar a mão pra ela, ah se vai. A faixa é um samba de ritmo estranho, que se apropria da falta de compassos, de cordas soturnas, de uma pequena referência ao partido alto, que logo se quebra para voltar a sua excentricidade habitual. Ah, e que faixa, não consigo passar por ela e ouvir uma vez só, por sinal.

O álbum foi todo composto, ritmado e musicado pelos excelentes artistas da cena de vanguarda paulista, responsáveis também por álbuns que também já nasceram clássicos, como o Encarnado, da Juçara Marçal lançado no ano passado, como Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Felipe Roseno e etc. A produção ficou por conta do bateirista Guilherme Kastrup - e com cada música pensada especialmente para os temas e a voz da Elza, não seria difícil de prever a sensação que esse álbum seria. A Mulher Do Fim Do Mundo é uma explosão de dor, martírio, erotismo, brasilidade, samba, rock, experimentações. É difícil rotular esse álbum dentro de uma caixa, e quando isso acontece com um trabalho, é quase certo de que ele está no caminho certo. E esse álbum é isso: é um percurso em um caminho tortuoso e difícil, mas com toda a certeza, certeiro.

Elza não tem medo de palavrão, não tem medo de abrir feridas, de se fazer erótica - e é justamente isso que faz em Pra Fuder, um samba muito bem marcado, de percussão gradual, de metais entrelaçados a tudo de vocal visceral, synth e etc. O swing que a faixa apresenta é latente e sedutora, principalmente pela entrega da voz da Elza, que sabe onde ir nos momentos certos, sabe diminuir e aumentar sua intensidade, dosar e entregar o deu desejo.

É difícil não se alongar nas discussões sociais, musicais e culturais que esse álbum carrega. Pra mim ele funciona como a comprovação de que a cultura e a música nacional vão bem, obrigado. Os temas são atuais, vão do rap de Firmeza?!, o acústico de Solto, com a voz da Elza em evidência, até a musicalidade de um poema modernista! E todos estão juntos nessa miscelânea de mundo prestes a acabar, de choro que não é nada além de carnaval, de dança, de soturnidade, de uma mulher curando suas próprias feridas após ter enterrado um filho - sentimos a agonia e a libertação que esse trabalho exala e oh, só podemos agradecer pelo registro, por podermos ser retirados nessa contradança que a Elza nos convida a fazer.

A Mulher Do Fim Do Mundo é também uma Menina que Dança - é o multiculturalismo brasileiro reafirmando suas raízes, reafirmando sua negritude, usando aqui como exemplo as batidas da faixa O Canal, sua identidade; sua voz. No fim desse mundo que não ainda não acabou só me sobra um vazio dentro do peito - assim como o vazio que o álbum também apresenta - e a sensação de que os deuses estão errados: a humanidade não é imagem e semelhança, é carnaval.




Tracklist:
01. Coração Do Mar
02. Mulher Do Fim Do Mundo
03. Maria Da Vila Matilde
04. Luz Vermelha
05. Pra Fuder
06. Benedita
07. Firmeza?!
08. Dança
09. O Canal
10. Solto
11. Comigo

Download: Site Oficial

segunda-feira, 21 de setembro de 2015
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Johnny Hooker - Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!

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Gênero: MPB / Glam Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: O Johnny é uma catarse. Evocando a filosofia aristotélica, encontramos o conceito de catarse como “purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama” e logo na primeira faixa, a que dá nome ao álbum, Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, a gente percebe essa catarse atrelada na poética do cara.

Aliás, esse resenha é dedicada a Ariels porque esse álbum é verdadeiramente dela (a gente dividiu e estamos a procura de um álbum pra mim).

“É, talvez algum dia / Eu vou te encontrar / E só se eu te implorar / Conte mentiras pra me fazer sonhar”, o drama está intrincado na letra tal qual na sonoridade com os metais advindos de uma novela mexicana – e não pensem que é uma ofensa, longe disso, as novelas mexicanas são permeadas com todo o drama visceral que o Johnny apresenta na faixa, toda a macumba pra amarrar seu amor maldito, assim, libertando-se do sofrimento que é aquele amor por meio da percussão bem ritmada e do vocal quase gritado mais pro final da faixa: como já disse, catártico.

Em Volta, Johnny mantém a sonoridade bem atrelada aos metais, algo bem latino, kitsch, quase brega – mas funciona. Funciona porque as letras pedem esse drama excessivo, pedem essa esse erotismo que ele coloca em suas interpretações; essa tragédia bem ritmada e fluida, não caricata, mas real, pulsante, falando tudo o que precisa ao mesmo tempo e sem se tornar uma cacofonia irritante: o drama mantém cada coisa em seu lugar.

O álbum dói. Alma Sebosa, que fora trilha sonora de uma novela das sete da Globo, mantém a mesma pegada que as anteriores, só que na faixa há algo bem mais mariachi, os metais em maior evidência em um ritmo mais rápido, bem ornamentados com a percussão dançante. Vale também ressaltar a ótima versão de Alma Sebosa em espanhol que joga ao quadrado todas as referências sonoras presentes na versão em português. É uma faixa com uma característica que é bem recorrente no álbum, até, mas não falha, em momento algum. Nem cansa, longe disso, porque no decorrer da mesma temos uma guitarra que vem se juntar com toda a potência que o álbum apresenta – e se mantém assim em quase toda sua extensão.

Algo que quero deixar frisado aqui é a poesia das letras. Nas quatro primeiras faixas, com Chega de Lágrimas se afastando um pouco das linhas dos metais presentes até então, há reinvenções de amores descontentes; perdas, danos, ganhos, acertos e erros. O que me atrai no álbum é o medo de não se esconder, as composições são altamente doídas e existenciais, relatam casos amorosos das mais variadas formas, resfolegam na lama, não se salvam de maneira alguma - as composições não têm medo de se tornarem piegas ou caírem no brega mais do mesmo, no brega farofa que a gente tanto amo, elas realmente viram poesias embaladas por uma sonoridade que só as faz crescer.

Amor Marginal ganhou uma gravação um pouco menos soturna do que a do álbum anterior, mas ainda assim agrada. É ela que, para mim, funciona como o ponto de ruptura de tudo que vinha anteriormente acontecendo no álbum. Ela é mais lenta, mais sofrida, tem uma pitada de ultrarromantismo, funcionando também muito bem com a faixa seguinte, Segunda Chance, que começa num voz e violão incrível.

Aliás, falando ainda de Amor Marginal, ontem fora lançado o belíssimo clipe da faixa. Uma incrível interpretação do Luiz Miranda com um texto original do Johnny funcionando como prólogo e, posteriormente, epílogo do mesmo. O clipe fora inspirado no ótimo filme de Javier Fuentes-León, Contracorrente, de 2009, que também narra o relacionamento de um homem casado com um “morador” do mar. O filme é belíssimo, vale a pena à procura e funcionou muito bem a vibe do mesmo com a música do Johnny – a atuação do Johnny, o cenário e o figurino são incríveis, você fica criando a narrativa daquele casal, daquela trilha mentalmente e tudo só se torna mais poético, mais catarse, por favor.

Finalizando a resenha tem a sensacional Você Ainda Pensa?. Letra e sonoridade estupendas, de uma dor fodida, de um amor real, de uma vida real, de um casal real. Sei lá, não consigo ver o Johnny longe de toda essa tragédia, desse buraco que ele não faz questão nenhuma de sair, ao contrário, ele te carrega pra ele, te faz sentir aquilo tudo, te faz sentir mal estar – te faz sentir bem com o teu próprio mal estar e para mim isso é o ponto máximo do álbum.

A catarse se faz presente nessa tragédia feita para ilustrar diversas faces de um amor maldito.


Tracklist:
01. Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!
02. Volta
03. Alma Sebosa
04. Chega de Lágrimas
05. Amor Marginal
06. Segunda Chance
07. Boyzinho
08. Boato
09. Você Ainda Pensa?
10. Desbunde Geral
11. Alma Sebosa (Versão em Espanhol) 
 
Ouça: Spotify

 
terça-feira, 18 de agosto de 2015
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Ana Cañas - Tô na vida

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Gênero: Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Muitos creditam ou se surpreendem com a "nova" fase roqueira de Ana Cañas impressa em Tô na vida, seu mais novo disco, mas o mesmo não traz tantas novidades em si.

Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi), mixagem de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) e colaborações de peso por parte de Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Dadi, Canãs fica à vontade para perfilar o que melhor sabe fazer: canções sobre o amor e dor.

Assinando grande parte do repertório, a cantora versa de maneira simples e pegajosa sobre a plenitude amorosa encontrada como em "Existe" (canção com belo solo de Maia), na cadenciada "O som do osso", em "Indivísvel" (música marcada por riffs marcantes e secos em ode a Joan Jett), na predominante acústica e lasciva  "Bandido", na suja "Madrugada quer você" (parceria estridente com Arnaldo Antunes e Lúcio Maia). Nesta seara destaca-se também o hino feminista "Mulher" ("Nenhuma em mil, ninguém e todas / Alguém te pariu, linda e louca"), que funciona como uma co-irmã de "Todas as mulheres do mundo" (canção de sua ídola Rita Lee)

Em contrapartida, baladas como o primeiro single "Tô na vida" (soul conduzido pela guitarra marota e sexy de Lúcio e pelo teclado vintage de Jeneci), "Amor e Dor" ("Não sei que eu sou/mas sei que vou por aí) e a beatleniana "Pra machucar" ("Por que é que a gente diz as coisas quase sem pensar?") revelam a outra porção do amor, expondo as fragilidades de quem se arrisca de coração aberto e sofre entre erros e acertos em busca a realização.

Num balanço final, para quem conhece a sua carreira de fato sabe muito bem que a postura rock n' roll já era alardeada, seja no palco ou com os apontamentos presentes em canções dos álbuns Hein? Volta. Mas a falta de novidade não descredita a qualidade alcançada neste trabalho. A coragem em se desnudar ante ao público segue como grande trunfo desta garota prodígio da música brasileira.

             
[Site]

Tracklist:

01. Existe
02. Tô na Vida
03. Hoje Nunca Mais
04. O Som do Osso
05. Indivisível
06. Coisa Deus
07. Bandido
08. Feita de Fim
09. Um Dois um Só
10. Amor e Dor
11. Mulher
12. Pra Machucar
13. Madrugada quer Você
14. O Amor Venceu (Faixa bônus)


Ouça: Deezer

domingo, 16 de agosto de 2015
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Bulldozing Bastard - Under the Ram

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Gênero: Black / Speed Metal
País: Alemanha
Ano: 2015

Comentário: O Bulldozing Bastard é um duo alemão criado em 2012 por Irön Kommander e Genözider, que aposta numa fórmula bastante conhecida e utilizada para criar sua sonoridade. Under the Ram é o segundo álbum de estúdio do duo e traz um conteúdo bem agradável para aqueles que gostam de um som mais direto, veloz e que resgata a essência de bandas clássicas, principalmente dos anos 80.

A banda que se auto intitula como Bastard Metal, tem uma sonoridade nos moldes de bandas como Midnight e Gehennah, trazendo toda aquela influência de nomes como Motörhead, Venom e dos italianos do Bulldozer. Dito isso, é óbvio que Under the Ram não soará nada inovador para aqueles que conhecem as bandas citadas, mas a maneira que o duo conduziu o álbum consegue um resultado bem eficiente e agradável.

Desde a abertura com Queen of the Night, o Bulldozing Bastard entrega ao ouvinte uma série de riffs saudosistas, solos empolgantes, vocais sujos e com os tradicionais refrões em coro, uma levada d-beat e linhas de baixo bem marcantes. Essas características se mantém como os pilares da sonoridade da banda, que ao longo dos 31 minutos de duração do álbum, não deixa o ritmo cair com suas faixas enérgicas e velozes. Alleys of the Underground é a minha favorita em Under the Ram, traz um timbre de guitarra mais  marcante e linhas de baixo mais notáveis, sem citar os ótimos solos ao decorrer da faixa. Once the Dust has Settled encerra o álbum da melhor maneira possível, trazendo um refrão contagiante e um instrumental mais trabalhado, com um riff principal absolutamente matador.

Under the Ram foi lançado no dia 13 de Maio pela High Roller Records (que possui um catálogo bem interessante). O álbum consegue manter as características apresentadas pela banda em seu debut lançado em 2012, além de mostrar que o amadurecimento da banda está resultando em faixas mais sólidas e bem tocadas. Parecido com muita coisa que você já ouviu antes, mas que continua surtindo o mesmo efeito de sempre, Under the Ram leva o saudosismo ao ouvinte de uma maneira simples e eficaz.



Tracklist:

01. Queen of the Night
02. Tornado
03. Mayhem Without Mercy
04. Full Speed Ahead
05. Brassknuckle Deathstrike
06. Under the Ram
07. Alleys of the Underground
08. Let the Bastard Roar
09. Black Metal Slut
10. Once the Dust Has Settled

Ouça em: Rdio ou Spotify


sexta-feira, 7 de agosto de 2015
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Pyramids - A Nothern Meadow

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Gênero: Experimental / Ambient / Black Metal / Shoegaze
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Em seu álbum de estréia os americanos do Pyramids mostraram uma sonoridade bem experimental, contando com o vasto repertório de influências e sonoridades exploradas. O álbum teve uma recepção favorável e com boas críticas, mostrando uma banda que tinha potencial a ser explorado. O álbum de estréia foi lançado em 2008, seguido por diversas colaborações do Pyramids com nomes como Nadja, Mammifer e Horseback, além de ter faixas remixados por bandas como Ulver e Lustmord.

Analisando tudo isso, pode se dizer que  o Pyramids teve anos de grandes experiências e que permitiram a banda uma bagagem maior para o lançamento de seu segundo álbum de estúdio. A Nothern Meadow foi lançado no dia 17 de Março pela Profunde Lore Records, contando com as participações de Vindsval (Blut Aus Nord) e Colin Marston (Gorguts, Krallice).

Se comparado ao debut, uma característica que evoluiu em A Nothern Meadow é que o desenvolver das faixas flui mais naturalmente, sem aquela sensação de estarem dispersas ou perdidas. Para uma banda que faz uma experimentação com elementos do Industrial, Dark Ambient, Shoegaze, Post-Rock, Drone e Black Metal, a sonoridade soa precisa e bem estruturada. Normalmente em algum momento do álbum, um desses estilos é mais utilizado que os outros, mas a combinação em si foi muito bem feita.

A atmosfera do álbum é pesada, trazendo passagens mais sufocantes em que o instrumental é mais denso. Ainda há momentos em que a música do Pyramids ganha um tom mais simples e com um clima mais agradável. Alguns riffs  no álbum lembram bastante alguns utilizados pelo Blut Aus Nord na trilogia 777, assim como a programação da bateria (que foi feita por Vindsval). Os vocais trazem um tom mais pacífico e calmo na maior parte do álbum, diferenciando-se do instrumental, mas em algumas partes é utilizado um vocal ríspido que combina muito bem com as o tom do instrumental.

Pode-se dizer que a sonoridade apresentada pelo Pyramids é algo complexo e com um clima bem introspectivo, o que pode não agradar aqueles que não estão habituados com esse tipo de proposta. Em A Nothern Meadow, o Pyramids traz um álbum sombrio, depressivo e instigante, Música torta e estranha, mas que agrada a quem procura mais na música do que apenas uma ideia óbvia e fácil de digerir, A Nothern Meadow conduz o ouvinte à uma experiência no lado mais sombrio da mente ao longo de 50 minutos. Destaque para a faixa I Am Sorry, Goodbye.



Tracklist:

01. In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow
02. The Earth Melts Into Red Gashes Like The Mouths Of Whales
03. The Substance Of Grief Is Not Imaginary
04. Indigo Birds
05. I Have Four Sons, All Named For Men We Lost To War
06. I Am So Sorry, Goodbye
07. My Father, Tall As Goliath
08. Consilience

Ouça em: Spotify


quinta-feira, 6 de agosto de 2015
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Drenge - Undertow

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Gênero: Alternative Rock, Garage Rock, Grunge
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Quando o Drenge surgiu, vindo de uma pequena cidade no norte da Inglaterra, com seu primeiro disco era difícil não se render ao então duo formado pelos irmãos Eion e Rory Loveless.

O disco homônimo saiu em meados de 2013 e era uma explosão de riffs pesados e refrões grudentos, a exemplo do carro-chefe, “Bloodsport”. Um disco pesado e recheado de uma frustração que só quem mora, ou já morou, em uma cidade pequena, é capaz de compreender.

O Drenge cresceu, viu o mundo, excursionou com grandes nomes, tocou em grandes festivais e agora conta com mais um membro. A forma que essas mudanças afetaram os irmãos Loveless fica bem clara em Undertow, segundo disco da banda.

Embora faixas como “We Can Do What We Want” (primeiro single do álbum) e “Favorite Son” ainda resgatem o espírito adolescente do primeiro disco, Undertow soa mais maduro, adulto e elaborado.

O maior trunfo do disco certamente reside no fato deste ficar cada vez mais denso, sombrio e pesado a cada música. É fácil perceber a atmosfera do disco se transformando, o que torna de Undertow uma metáfora para a passagem da fúria adolescente (We Can Do What We Want) para as nuances complexas da vida adulta (Standing In The Cold; Have You Forgotten My Name?).

Destaque para a faixa “The Woods”, o melhor trabalho da banda até então.

Tracklist:
1 . Introduction
2. Running Wild
3. Never Awake
4. We Can Do What We Want
5. Favourite Son
6. The Snake
7. Side By Side
8. The Woods
9. Undertow
10. Standing In The Cold
11. Have You Forgotten My Name?

Ouça: Spotify


quinta-feira, 16 de julho de 2015
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Wand - Golem

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Gênero: Garage Rock, Noise Rock, Psychedelic Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.

As influências citadas pela banda durante o processo de composição do disco (Melvins, Sleep e Electric Wizard) ficam bem claras nas faixas iniciais. O disco abre com o riff pesado e com ares de Black Sabbath de “Unexplored Map”, uma música relativamente curta. Em seguida a pesadíssima “Self Hypnosis in 3 Days” abusando de riffs simplistas e de um noise rock latente. “Self Hypnosis in 3 Days”  é definitivamente o maior destaque do disco.

Todo o peso presente nas faixas anteriores é interrompido pela onírica “Melted Rope”, fortalecendo os argumentos daqueles que comparam o Wand a um ‘Tame Impala mais pesado’. Apesar da indiscutível qualidade da música, essa parece meio deslocada no contexto do albúm.

Importante ainda destacar a quase pop “Cave in”. Uma música que, localizada no meio do disco, é uma espécie de meio termo entre os extremos apresentados neste disco.

Após as barulhentas “Floating Head” e “Planet Golem” o disco encerra com “The Drift”, uma faixa quase toda feita com sintetizadores, reafirmando a diversidade de estilos que perpassam ao longo de Golem.


Tracklist:
1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 3 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift

Ouça: Spotify


quinta-feira, 9 de julho de 2015
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Man Without Country - Maximum Entropy

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Gênero: Electo, Shoegaze
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Letras sombrias mescladas com uma explosão de sintetizadores que poderiam, perfeitamente, ser a trilha sonora de uma festa em seu auge. Esta é a definição perfeita do som produzido pelo duo inglês Man Without Country.

Maximum Entropy é o segundo disco lançado por eles. O sucessor do ótimo Foe, de 2012, traz novamente o shoegaze com fortes elementos eletrônicos que ditou o primeiro trabalho da banda. Todavia, neste trabalho o duo se concentrou em músicas menos arrastadas e mais dançantes. O que fica claro logo na faixa de abertura “Claymation”.

Assim que “Entropy” passa de sua intro e explode em um synthpop relaxante, é fácil perceber que as músicas consistem em uma série de camadas de sons que mesclam vários elementos de gêneros que podem parecer conflitantes, mas que a dupla conseguiu encaixar em uma sintonia perfeita. Resultando em uma sonoridade ao mesmo tempo suave e explosiva. Melancólica e dançante. Fórmula essa repetida em faixas como “Oil Spill” e “Dead Sea”.

Em determinados momentos o disco alcança momentos de uma notável profundidade esmagadora que beira o desespero, como na linda “Loveless Mariage” e “Incubation”. Em outros, surpreende com canções pop como “Laws Of Motion” e “Sweet Harmony”, faixa que encerra o disco. Essa miscelânea de níveis e camadas diferentes é o que torna Maximum Entropy um grande disco.

Tracklist:
1. Claymation
2. Entropy
3. Laws Of Motion
4. Oil Spill
5. Loveless Mariage
6. Deadsea
7. Catfish
8. Romanek
9. Virga
10. Incubation
11. Deliver Us From Evil
12. Sweet Harmony

Ouça: Spotify


quarta-feira, 8 de julho de 2015
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Esteban - Saca La Muerte de Tu Vida

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Gênero
: Pop Rock / Rock Platino
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário:O Tavares sempre afirmou que o que fazia em seu novo projeto era um “rock platino”, algo com muito violão, acordeom, piano e aquela melancolia tanto vocal como nos temas das canções. Em Saca La Muerte de Tu Vida, temos essa combinação magistralmente bem apresentada desde a concepção do álbum até a apresentação do mesmo.

Saca La Muerte de Tu Vida parece captar muito bem a essência gaúcha nostálgica/melancólica do Tavares. Já em “Janeiro”, música que inicia em um ótimo duo de piano e voz, podemos ver todo o resumo do gênero que ele se dispôs a fazer com o Esteban impregnado na letra e melodia. Aliás, é uma das mais belas poesias do álbum: “Teria paz se não tivesse sangue / Se o coração não conseguisse trabalhar / Esqueceria tudo do começo / E viveria toda a vida sem pensar / Não tomaria tantos comprimidos / Apagaria o que me dessem pra fumar”, só esse trecho já evidencia um narrador modelo por detrás da persona do cantor – a música tem o tom de intimidade que o álbum procura, além de ter forte presença de elementos do platino, um acordeom em uma brincadeira de evidenciar/esconder por detrás da bateria e do piano – é realmente a melhor faixa para apresentar o projeto a desconhecidos e já causa arrebatamento os que acompanham o trabalho do cara.

Pra Ser” coloca o álbum um pouco mais pra cima, embora as letras introspectivas e de arrependimento continuem bem presentes na faixa. Aqui o som do acordeom é um espetáculo a parte, está muito bem inserido por detrás da polifonia sonora dos elementos platinos que o Tavares faz questão de mesclar muito bem, obrigado. E no finzinho a bateria é realmente um fator importante na sonoridade.

Cigarros e Capitais” tem uma musicalidade muito peculiar dentro da estética sonora do álbum. Uma bateria mais ritmada, lembrando muito “Pianinho”, de seu álbum anterior, embora aqui a condução seja do acordeom e bateria. Na quinta faixa, “Tango”, temos uma das melhores surpresas do álbum. Eu particularmente gosto muito da latinidade que escorre nas criações do Tavares, até mesmo na promoção do Saca La Muerte  em seu instagram havia um quê de mistério latino por detrás das imagens que ele postava – fora uma divulgação bacana, com uma estética forte, tanto quanto o álbum. E o coral de “Tango” é uma das coisas mais belas feitas por ele, um primor.

Martes” é outra das músicas marcantes do álbum – um vocal em espanhol, a sonoridade platina fazendo-se presente desde o primeiro segundo. De longe é uma das minhas favoritas do álbum, funciona muito bem se ouvida logo depois de “Janeiro”, formam um duo excelente, coeso, inserido dentro da estética que o Tavares busca. Embora possamos aqui tecer críticas às repetições que metade do álbum apresenta ele é coerente por se manter em seu estilo, e bem, temos sim variações. Temos um pouco do tango infiltrado nas canções, do pop rock de fácil aceitação – embora em menor quantidade nesse aqui se compararmos com o “Adios Esteban!” -  flutuando por entre as faixas, uma ótima música instrumental funcionando como uma linda pausa do vocal do Tavares retomado logo em seguida em mais uma das faixas bem pessoais, a temática latina principalmente Uruguaia e Argentina entre as criações, um pouco de experimentalismos com algumas distorções e batidas eletrônicas em “O Que Não Vem”, etc.

Me Sinto Humano” tem um pouco do rockabilly  na essência de sua introdução e batida, embora possa ser só reminiscência da minha cabeça que associa o Tavares a um ícone tatuado latino americano de cigarro pendente, topete e jaqueta de couro, logo, um rockabilly com tango e acordeom – o que nem é tão improvável assim.

Considero o Tavares um dos compositores e intérpretes mais dignos de uns tempos para cá, lógico que todo o estigma criado em torno da Fresno, banda que o lançara a nível nacional, faz com que se criem indevidos muros de preconceitos com a música que o cara cria. Não considero a Fresno nem a pior ou a melhor banda do mundo, mas respeito à história da banda e o que eles foram capazes de criar – e é só repararmos o repertório, sonoridade e conceito criado por Tavares em seus álbuns que vemos que existem muitas coisas infundadas nessa chateação de ter de odiar tudo de cara. Saca La Muerte de Tu Vida se apresenta, para mim, como um dos mais coerentes registros nacionais desse ano: um punhado de morte em sua melhor concepção dentro de vidas (e álbuns) um tanto vazios.





Tracklist:
01. Janeiro
02. Pra ser
03. Chacarera da Saudade
04. Cigarros e Capitais
05. Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)
06. As Terças Podem Se Inverter
07. Martes
08. O Que Não Vem
09. Me sinto humano
10. Se
11. Carta aos desinteressados
12. Maria
13. Chacarera 2 (Feat. Pirisca Grecco)


Ouça: Spotify

sexta-feira, 3 de julho de 2015
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Bosse-De-Nage - All Fours

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Gênero: Post-Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Num estilo que desfruta de uma boa popularidade decorrente do impacto causado por algumas bandas nos últimos anos, é normal que cada vez mais surjam novas bandas tentando a sorte através dessa sonoridade. Isso geralmente resulta numa grande quantidade de bandas tentando criar uma sonoridade que esteja do nível das principais bandas do estilo mas acabam se perdendo demais nos clichês, na falta de criatividade ou nas limitações de recursos. Óbvio que isso não é uma exclusividade do Post-Black Metal, mas as ocorrências que se enquadram no que disse acabam por ser mais frequentes do que antes.

O Bosse-De-Nage poderia ser mais uma dessas bandas, mas felizmente, não é isso que ocorre em All Fours, quarto álbum de estúdio da banda lançado no dia 14 de Abril. Apontado por muitos como o melhor álbum da banda, All Fours apresenta argumentos suficientes para a validação dessa ideia. A banda consegue mostrar que possui conhecimento na hora de criar música, os membros não fazem música por acaso, seguem um contexto bem elaborado e versátil dentro de tudo aquilo que a banda leva como influência. Além de não se prender dentro apenas do Post-Black Metal, a banda conseguiu casar muito bem suas influências dentro do contexto de sua sonoridade, que em certos momentos ficam bastante em evidência em evidência. Essa adição de elementos do Post-/Hardcore foi uma ótima ideia para o resultado final do som feito pela banda.

A primeira coisa que me vem à mente quando penso em All Fours é o instrumental arrasador feito pelo Bosse-De-Nage. As composições são profundas e marcantes, a produção do álbum permite que todos os instrumentos sejam notados ao longo das oito faixas. A bateria no álbum é de tirar o fôlego! Constantemente segue um ritmo intenso e mesmo quando a percussão se torna algo mais contido, é apenas um prelúdio da pancadaria que está por vir. Os riffs estão ótimos, trazendo uma variação interessante de timbres que acompanham o clima que a música apresenta, sendo muito bem acompanhado pelo baixo. Os vocais de Bryan Manning ganharam meus mais sinceros elogios logo em At Night, faixa que abre o disco. Sujo, agressivo, agonizante, calmo, melancólico e o que mais você notar no vocal ao decorrer do álbum, Bryan mostra ter uma versatilidade do mesmo nível apresentado na parte instrumental.

Num álbum como esse eu fico meio em cima do muro na hora de apontar as faixas que mais chamaram a minha atenção, acaba que de certa maneira cada uma tem algo "único" e que me agrada bastante. The Insdustry of Distance tem como característica principal a velocidade tanto do instrumental quanto do vocal, mesmo com algumas "paradas" onde a bateria administra o ritmo, a faixa é de tirar o fôlego. Washerwoman é a minha favorita, a faixa se inicia com um ritmo bem cadenciado por dedilhados feitos levemente na guitarra, vocal limpo e falado e um clima daqueles mais deprê. Essa parte inicial da faixa me lembra algo do segundo álbum do Apati. Após 4 minutos nesse clima, ocorre uma verdadeira explosão instrumental. Um ritmo pesado e direto muito bem acompanhados pelos berros agoniantes de Bryan, criando um clima que te toca no fundo da alma (ao menos comigo rs). Não poderia de citar a To Fall Down, que possui uma construção bem interessante e apresenta um ótimo balanço entre o peso inserido ao decorrer da faixa.

All Fours agrada pela forma em que as faixas são construídas, dos ritmos propostos ao que é apresentado pelo instrumental e vocal. Recomendação certa para quem gosta do estilo e quer escutar um álbum mais variado mas que não caia dentro de algo mais complexo, a sonoridade é até bem easy listening para aqueles que já tem uma bagagem nesse tipo de sonoridade. Não sei dizer ao certo o que esse álbum representará para mim futuramente, mas no momento atual, é uma das coisas mais viciantes que ouvi em 2015.




Tracklist:

01. At Night
02. The Industry of Distance
03. –
04. A Subtle Change
05. Washerwoman
06. In a Yard Somewhere
07. To Fall Down
08. The Most Modern Staircase

Ouça: Spotify

Quem escreve e faz os uploads:

 
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