Mostrando postagens com marcador Experimental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Experimental. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de maio de 2016
Avatar

Anohni - Hopelessness

0 comentários


Gênero: Pop/Eletrônico
País: EUA
Ano: 2016

Comentário: Por trás do nome Anohni está Antony Hegarty, um artista transgênero que fez sua carreira à frente do Antony & the Johnsons, um grupo musical novaiorquino que conquistou certo sucesso, especialmente em 2005 com o álbum I Am A Bird Now. Anohni é dona de uma voz estupidamente incrível, e isso já deveria convencer qualquer um de ouvir Hopelessness. Mas tem muito mais aqui.

Anohni é um indivíduo transgênero, e como tal (como qualquer cidadão com mínimo de consciência, capacidade crítica e pensamento independente deve saber) sofre preconceito, opressão e marginalização pelos poderes políticos e paradigmas sociais vigentes. Dessa forma, não é surpreendente a posição política indignada e revolucionária da cantora,  que se mistura docemente a melodias pop e melódicas lambuzadas pela sua voz grave e encorpada. As letras são tão explícitas que tornam o som quase experimental, ainda que não pretenda exatamente ser. Temos aqui músicas como "Watch Me", que versa sobre perseguição governamental, "Execution" que versa sobre exatamente o que parece, execução, e como penas capitais unem culturas supostamente tão diferentes quanto os Estados Unidos e a Coréia do Norte ou ainda "Drone Bomb Me", que nas próprias palavras de Anohni: "É uma canção de amor na perspectiva de uma menina afegã de nove anos cuja família foi morta por uma bomba atirada por um drone. Ela está olhando pro céu, enquanto se vê pedindo para ser morta por uma bomba também".

E para jogar tudo isso na sua cara hétera, branca e de classe média, ainda tem um clipe com a Naomi Campbell:

Drone Bomb Me - by ANOHNI from nabil elderkin on Vimeo.

Lágrimas devidamente escorrendo pela cara, ainda vale dizer como a voz diferenciada de Anohni também contribui, claramente tão transgênera quanto a cantora, para criar uma atmosfera desconfortavelmente melódica. O instrumental é eletrônico e suave, mas devidamente quebrado a gosto de Oneothrix Point Never e Hudson Mohawke, que participam do disco. Se você os conhece, já sabe que pode esperar baixos poderosamente profundos de Mohawke e as edições pouco convencionais de Oneotrhix, que tornam o vocal de Anohni ainda mais desconcertante. É inclusive contraditório rotular esse disco como 'Pop', e o faço por mera incapacidade de escolher gênero melhor, por que a sonoridade do disco é demasiada intensa para ouvidos populares. É como se Anohni na verdade quisesse ter mesmo é uma puta banda de grindcore berrando loucamente as mais revolucionárias e odiosas letras, mas por mero capricho ou teimosia encapsula tudo isso num pop melódico radialístico. E isso é maravilhoso. Diga-se de passagem, desde 2006 a cantora faz colaborações com o Current 93, por exemplo, o que já é sinal que há muito mais aqui do que mero pop.

O disco é inteiramente fantástico e certamente figurará entre tops de 2016. E a fórmula com que vem consegue levar críticas à ouvidos que dificilmente as ouviriam de outra forma. E a melhor parte é que apesar da politização das letras, todas as críticas são sobre coisas tão claramente óbvias que ficam acima de espectros políticos. Difícil superar esse álbum e a forma com que nos faz ao mesmo tempo nos deliciar e nos incomodar com nossas hipocrisias. O que é totalmente necessário.



Tracklist:

1. "Drone Bomb Me"   4:10
2. "4 Degrees"   3:51
3. "Watch Me"   3:26
4. "Execution"   3:38
5. "I Don't Love You Anymore"   5:00
6. "Obama"   4:11
7. "Violent Men"   2:10
8. "Why Did You Separate Me from the Earth?"   3:36
9. "Crisis"   4:42
10. "Hopelessness"   3:54
11. "Marrow"      3:01

Ouça no Spotify.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Avatar

Pyramids - A Nothern Meadow

0 comentários

Gênero: Experimental / Ambient / Black Metal / Shoegaze
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Em seu álbum de estréia os americanos do Pyramids mostraram uma sonoridade bem experimental, contando com o vasto repertório de influências e sonoridades exploradas. O álbum teve uma recepção favorável e com boas críticas, mostrando uma banda que tinha potencial a ser explorado. O álbum de estréia foi lançado em 2008, seguido por diversas colaborações do Pyramids com nomes como Nadja, Mammifer e Horseback, além de ter faixas remixados por bandas como Ulver e Lustmord.

Analisando tudo isso, pode se dizer que  o Pyramids teve anos de grandes experiências e que permitiram a banda uma bagagem maior para o lançamento de seu segundo álbum de estúdio. A Nothern Meadow foi lançado no dia 17 de Março pela Profunde Lore Records, contando com as participações de Vindsval (Blut Aus Nord) e Colin Marston (Gorguts, Krallice).

Se comparado ao debut, uma característica que evoluiu em A Nothern Meadow é que o desenvolver das faixas flui mais naturalmente, sem aquela sensação de estarem dispersas ou perdidas. Para uma banda que faz uma experimentação com elementos do Industrial, Dark Ambient, Shoegaze, Post-Rock, Drone e Black Metal, a sonoridade soa precisa e bem estruturada. Normalmente em algum momento do álbum, um desses estilos é mais utilizado que os outros, mas a combinação em si foi muito bem feita.

A atmosfera do álbum é pesada, trazendo passagens mais sufocantes em que o instrumental é mais denso. Ainda há momentos em que a música do Pyramids ganha um tom mais simples e com um clima mais agradável. Alguns riffs  no álbum lembram bastante alguns utilizados pelo Blut Aus Nord na trilogia 777, assim como a programação da bateria (que foi feita por Vindsval). Os vocais trazem um tom mais pacífico e calmo na maior parte do álbum, diferenciando-se do instrumental, mas em algumas partes é utilizado um vocal ríspido que combina muito bem com as o tom do instrumental.

Pode-se dizer que a sonoridade apresentada pelo Pyramids é algo complexo e com um clima bem introspectivo, o que pode não agradar aqueles que não estão habituados com esse tipo de proposta. Em A Nothern Meadow, o Pyramids traz um álbum sombrio, depressivo e instigante, Música torta e estranha, mas que agrada a quem procura mais na música do que apenas uma ideia óbvia e fácil de digerir, A Nothern Meadow conduz o ouvinte à uma experiência no lado mais sombrio da mente ao longo de 50 minutos. Destaque para a faixa I Am Sorry, Goodbye.



Tracklist:

01. In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow
02. The Earth Melts Into Red Gashes Like The Mouths Of Whales
03. The Substance Of Grief Is Not Imaginary
04. Indigo Birds
05. I Have Four Sons, All Named For Men We Lost To War
06. I Am So Sorry, Goodbye
07. My Father, Tall As Goliath
08. Consilience

Ouça em: Spotify


segunda-feira, 11 de maio de 2015
Avatar

Raketkanon - Rktkn#2

0 comentários

Gênero: Experimental / Sludge / Post-Hardcore
País: Bélgica
Ano: 2015

Comentário: O Raketkanon é uma daquelas bandas que você provavelmente nunca ouviu falar e dificilmente a conheceria em circunstâncias normais, não há muito sobre a banda circulando pela internet nos principais sites que divulgam lançamentos. O quarteto belga produz uma sonoridade pouco convencional e de difícil assimilação, fugindo de muitos aspectos que poderiam agradar um público maior.

Mas apesar de todas as adversidades relacionadas à banda e sua sonoridade, resolvi conferir RKTKN#2, o segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 6 de Março pela KKK Records. O álbum se inicia com o single Florent, uma faixa conduzida por um ritmo bem agradável e uma sonoridade bem cativante. O timbre da guitarra é bem suave, ao contrário do vocal que se lança aos berros ao decorrer dos 3 minutos da faixa. Já na faixa seguinte Niko Van Der Eeken, a bateria simples e lenta se une ao bom incremento de synths no início da faixa. Em sua evolução, o instrumental se torna mais amplo, utilizando riffs mais pesados do que os apresentados na faixa anterior.

Após as duas primeiras faixas do álbum, fica bem clara a ideia do Raketkanon no que se diz respeito à fazer música. A banda não segue uma estética bem definida, as faixas sofrem diversas variações de ritmos, que se alternam entre aqueles mais cativantes e outros mais cadenciados. E é numa dessas faixas mais cadenciadas que a banda conseguiu fazer uma faixa mais bem estruturada que a maioria das outras. Mathilde é uma faixa calma e bem conduzida através de leveza instrumental e o tom ameno do vocal. O desenvolvimento da faixa traz um instrumental mais agitado, com uma guitarra introduzindo riffs mais marcantes e o vocal num tom de agonia. A épica Hanz talvez seja o maior destaque do álbum. A faixa traz um clima sombrio e psicodélico, conduzido por um instrumental mais arrastado e com o vocal se dispersando em meio ao instrumental, levando o ouvinte ao climax máximo da música feita pelo Raketkanon.

RKTKN#2 não é um álbum que vai agradar à muitos, a maneira como o Raketkanon desenvolveu as faixas é peculiar, trazendo ritmos aleatórios e timbres de guitarra simples. porém, cativantes. Acredito que aqueles que gostam de se aventurar em sonoridades e bandas mais experimentais, encontrarão na música feita pelo Raketkanon algo de interessante ao longo dos 40 minutos do álbum.



Tracklist:

01. Florent
02. Nico Van Der Eeken
03. Suzanne
04. Mathilde
05. Elisa
06. Ibrahim
07. Harald
08. Hanz

Ouça em: Spotify 


quinta-feira, 9 de abril de 2015
Avatar

Os mutantes - Os mutantes

1 comentários
Gênero: Psicodélico, experimental
País: Brasil
Ano: 1968

Comentário:
Os mutantes é, sem duvida, não só um dos discos mais importantes do tropicalismo, como também é um dos melhores. Ele traduz de uma forma espetacular o que o tropicalismo representou na  musica. Toda a influencia que esse movimento estava recebendo, as novidades que o Brasil estava ganhando, e que alguns repudiavam, o experimentalismo, a critica a sociedade, tudo isso está nele.

O disco se inicia com a musica “Panis Et Circenses”, e começa com uma letra que faz critica as pessoas “caretas” e acomodadas que estão tão ocupadas em morrer. “A Minha Menina” é uma das musicas que eu mais gosto nesse disco, o modo como ela começa, com aqueles acordes de violão, e depois um riff sujo e distorcido de guitarra que serve como antítese aos  acordes que abriram a música, tudo isso sendo acompanhados por uma incrível percussão. E, pode ser só comigo, mas essa musica tem uma sonoridade envolvente por causa desse ritmo e dessa letra.

“Adeus Maria Fulo” puxa mais para o experimentalismo, quanto “Senhor F” apresenta um alivio cômico no disco por causa de sua letra, além de possuir uma sonoridade bem semelhante aos Beatles.

A parte mais psicodélica fica a cargo de “Batmacumba”, que vem caracterizada com sons distorcidos e uma percussão animada lembrando um ritmo de capoeira.

Não tem como dizer não para esse disco, além de ser importante para o Brasil, é uma aula pra quem reclama da musica brasileira.

Tracklist:
1 Panis Et Circenses
2. A Minha Menina
3. O Relógio
4. Adeus Maria Fulo
5. Baby
6. Senhor F
7. Bat Macumba
8. Le Premier Bonheur Du Jour
9. Trem Fantasma
10. Tempo No Tempo

Ouças em: Spotify
quarta-feira, 25 de março de 2015
Avatar

Imperial Triumphant - Abyssal Gods

0 comentários

Gênero: Experimental / Black / Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: O Imperial Triumphant é uma banda americana relativamente nova e ainda sem muita expressão no cenário. Apesar de ainda não ter alcançado uma popularidade mais expressiva, a banda surpreende em seu segundo álbum de estúdio intitulado Abyssal Gods.

Assim como já estamos acostumados, a banda é mais uma daquelas que possui um grande leque de inspirações e influências, tentando moldar uma sonoridade diferenciada dos padrões convencionais. Em Abyssal Gods, afirmaria que a banda caminha a passos largos para isso.

Utilizando uma boa mescla entre Black Metal e um Death Metal cavernoso (e técnico em diversos momentos), a banda criou dentro das suas experimentações com tais estilos, um álbum bastante pesado, sombrio e atordoante. A sonoridade da banda é repleta de riffs que não seguem obrigatoriamente um padrão ou lógica em algumas partes, além outros mais desenvolvidos e bem inseridos, alternando entre timbres mais estridentes e dissonantes. A bateria é impactante e veloz na maior parte do álbum, exceto nos momentos em que a banda impõem um ritmo mais arrastado ou numa levada mais estática e sombria. O baixo é notável em alguns momentos no meio do caos sonoro feito pela banda, e apresenta momentos bem técnicos e hábeis. O vocal é bem distribuído pelas faixas, apresentando características parecidas de bandas como Deathspell Omega e Ævangelist (principalmente no último álbum).

No geral, Abyssal Gods pode ser considerado um álbum confuso e até difícil de ser ouvido por aqueles que não estão acostumados com o estilo ou que não gostam de sonoridades que fujam do convencional. Apesar disso o álbum tem suas qualidades e uma boa produção, sendo quase um must listen para fãs do gênero. De destaque temos a faixa de abertura From Palaces of the Hive, que alterna entre intensidade e peso, para uma levada mais calma que se inicia com um dos melhores timbres de guitarra que ouvi em 2015. Krokodil é outro destaque por ser a faixa mais longa e onde o experimentalismo da banda é melhor explorado, conduzindo o ouvinte à 8 minutos de pura insanidade e caos.

O álbum foi lançado no dia 10 de Março pelo selo da Aural Music / Code 666.





Tracklist:

01 - From Palaces of the Hive
02 - Abyssal Gods
03 - Dead Heaven
04 - Celestial War Rape
05 - Opposing Holiness
06 - Krokodil
07 - Twins
08 - Vatican Lust
09 - Black Psychedelia
10 - Metropolis


Ouça: Spotify


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Avatar

Savages & Bo Ningen - Words To The Blind

0 comentários

Gênero: Post Punk, Experimental, Shoegaze, Noise
País: Inglaterra / Japão
Ano: 2014

Comentário: A última empreitada das britânicas do Savages é uma parceria com os japoneses do Bo Ningen. A coisa toda consiste em apenas uma música de quase trinta e oito minutos e é barulhenta, sufocante e genial.

O Savages foi formado em 2011 e é um dos destaques em meio a toda esta onde post-punk revival. O primeiro discos das moças, Silence Yourself, é um deleite para os fãs do gênero e rendeu a banda críticas positivas e apresentações pelo mundo afora. Inclusive com uma passagem pelo Lollapalooza Brasil  em 2014. O Bo Ningen, por sua vez, é um grupo acid punk japonês formado em Londres, em 2006. O quarteto conta com três discos na bagagem e colaborações com outras bandas.

'Words To The Blind' começa com um spoken word hipnotizante, que após cerca de seis minutos deságua em um mar de experimentalismo e barulho. Sombria e claustrofóbica a faixa se arrasta em meio aos sons de uma bateria distante e múrmuros suaves, até que se torna grandiosa e pesada. Apesar de parecer se perder em determinados momentos, nos quais parece que cada uma das bandas está tocando uma música diferente, Words To The Blind, é um lançamento que vai encher os olhos dos fãs de ambas.

Tracklist:
1. Words To The Blind

Ouça: Spotify

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Avatar

Русичі - Щебетала пташечка

0 comentários
Gênero: Folk-Pop-Rock /Experimental & Alternativo
País: Ucrânia
Ano: 2008

Comentário: Como a Ucrânia chamou atenção para si nos últimos meses, achei que poderia aproveitar o momento para trazer novamente o disco Shchebetala ptashechka (Щебетала пташечка /  A Birdie Twittered) que eu havia publicado anos atrás. Por seu som alegre e boas vibrações, é uma boa para tentar se livrar um pouco das tensões e ao mesmo tempo me mascarar, fazendo-me parecer que só estou preocupado com nossos colegas ucranianos e não tenho a menor intenção de lucrar com essa postagem. Brincadeiras à parte (até porque não ganhamos um centavo sequer), um dos principais motivos por eu indicar o som de Rusychi (Rusyczi / Русичі) é pelo valor mantido ao seu idioma natal, embora não vire totalmente as costas ao inglês, e por apresentar uma mistura entre elementos da cultura ucraniana — à começar pelo seu nome, uma derivação de "rusychies/rutheni", que faz referência aos eslavos orientais, antepassados dos russos, bielorrussos e, claro, dos ucranianos — com o de outras, flertando com reggae, rock alternativo, hip hop, ska e funk.

Acaba não dependendo muito de distorções elétrico-instrumentais, deixando o som extremamente agradável e alegre, dando espaço ainda para outras inserções como o country e até bossa nova/samba, mergulhados na própria atmosfera folk da banda. Rusychi não faz nada de complexo, ou muito estranho, mas sabe como trazer a música popular, do agrado dos mais exigentes e tradicionais, aos ouvidos mais modernos e que buscam fugir da mesmice.

Todos esses elementos são acompanhados por instrumentos como sopilka, ocarina, cane sopilka (todas flautas) e outras, das quais me nego a tentar identificar, e pela voz de Mila Mazur que, com seu vocal presencial, acrescenta muito à banda, merecendo atenção nas entonações e performances quando as músicas caiem em algum estilo diferente e depois voltam ao folclórico.

Destaco a faixa "Вербовая дощечка", uma das músicas que melhor representam o lado folk do disco, servindo de boa introdução. "Грушечка" segue o clima da anterior, porém mais alegre e "Ти до мене не ходи" é agitada, onde a flauta e a guitarra se encaram enquanto o vocal se esforça mais para aparecer. Como última indicação, "Калино-малино", que fecha o disco de forma funkeada, agora liderada pelo vocal masculino, ficando Mila com o backvocal.




Tracklist:
1. Вербовая дощечка
2. Грушечка
3. Мав я раз дівчиноньку
4. Щебетала пташечка
5. Ти казала (Підманула)
6. Ой за гаєм (фрагмент)
7. Мала конопельки
8. Стоїть дівча
9. Ти до мене не ходи
10. Калино-малино

Download


Shebetala ptashechka ("Bird twittered") from Rusychi on Myspace.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Avatar

Mocha Lab - Cthulhu: The Funksical

0 comentários
Gênero: Funk / Experimental / Art Rock
País: EUA
Ano: 2009

Comentário: Mocha Lab é apenas a ponta de um iceberg que constitui projetos musicais assinados por Paul Shapera, cuja temática de seus discos (a maioria) demonstra a sua grande dedicação à arte steampunk — e suas vertentes, como dieselpunk e atompunk, ambas estampadas como títulos — e claramente influenciado pelas obras "lovecraftianas", como bem explicita o título do presente disco. Mas, sabe-se lá como exatamente seriam músicas ideais para um mundo steampunk (dúvida que me vem como quando comparo o disco em questão à algumas músicas de Rasputina, por exemplo), Shapera, mais precisamente em seu projeto Mocha Lab, deixa claro à partir do "Cthulhu: The Funksical" que seu estilo cósmico é embebido, pra não dizer realmente tomado, em swing e um groove psicodélico de alta qualidade e criatividade, tornando-se muito original. São construções sonoras de resultado bastante agradável, principalmente pela pegada black, mesmo que a psicodelia e as experimentações não passem nem um pouco despercebidas e gerem eficaz estranheza.

Acredito que não seja o único a estranhar o disco pela primeira audição, até porque não é apenas os ouvidos que são instigados. A ideia em fundir o bom, velho e animado funk com o mundo medonho de Howard Phillips Lovecraft chega a soar jocoso num primeiro instante, e vamos combinar, assim continua ao longo das dezenas de reproduções de cada faixa. Mas os risos e estranhezas abrem brecha para a admiração e seriedade da obra, tamanho carisma que flui. Eu diria que é o "black no dark", se é que ficou clara a piada insossa.

O disco é conceitual, e ao decorrer trata de alguns seres místicos do universo criado por Lovecraft, mas da maneira quase inconciliável de Paul Shapera, cuja ligação ocorre principalmente durante as 8 primeiras faixas numeradas (numeradas propositalmente, portanto não é preguiça do autor deste post em editar as faixas), numa narrativa curta, em vozes otimizadas por vocoder (creio) e com entonações caricatas — na realidade bem dentro da proposta do funk. E o próprio compositor chega a chamar sua história de "ridícula".
Mas não se engane, não é um disco chato com "falatório desnecessário", pois você é facilmente levado pelos vários tentáculos musicais que aparecem durante o disco, ao mesmo tempo que não sentirá falta do Rock, um ser quase onipresente que na minha opinião pertence a espécie dos Grandes Antigos, ou seja, mesmo quando está em sua tumba, não é privado da capacidade de se comunicar.

Cthulhu: The Funksical é o álbum mais recente assinado como Mocha Lab, mas The Coffee Cellar, Subduction e Anamnesis valem a audição, além é claro de todo catálogo presente no BandCamp. Ainda como dica, visitem o site Site Lovecraft para baixar os e-books.


"Na sua casa em R'lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. Se ligou, baby!?"



domingo, 28 de setembro de 2014
Avatar

Atoms For Peace – Amok

0 comentários
Gênero: Experimental
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Atoms for Peace é um supergrupo formado pelo vocalista Thom Yorke (Radiohead), percussionista Mauro Refosco (forró in the dark), tecladista e guitarrista Nigel Godrich, baterista Joey Waronker e pelo baixista Flea (RHCP).

 É claro que, de uma união como essa, deve sair algo bom, cada um trazendo diferentes influencias, manias e ideias, ajudando a construir uma atmosfera diferente no Atoms for Peace. Ainda que o disco soe como algo solo do Thom Yorke (ou até mesmo um parte dois do “King Of Limbs” do Radiohead), cada um acrescenta algo interessante para a musicalidade.

Mauro Refosco, grande percussionista que participa do forró in the dark  e do RHCP, traz uma percussão com fortes influencias latinas, e isso casa perfeitamente com as batidas eletrônicas feitas pelo Joey e Nigel como podemos ouvir em Before Your Very Eyes e Stuck Pieces Together. Flea aparece sem slaps nervosos influenciados pelo funky, mas mostra um lado diferente seu (diferente até de seu EP), dando linhas de baixos sustentáveis e nada exageradas (ouça  “Ingenue”).

As musicas surgiram de Jams, que foram gravadas e editadas por Thom e Nigel, o que deu uma grande liberdade para criar o som final do disco. Ainda que a influencia do Thom Yorke pese nesse disco, seria besteira falar que os outros músicos não acrescentaram nada na sonoridade. Sutilmente, cada um faz seu papel contribuindo para a contextualização do disco. Creio que esse álbum seja um daqueles casos que todos estão pensando na mesma direção na hora de gravar.


Tracklist:
1. Before Your Very Eyes
2. Default
3. Ingenue
4. Dropped
5. Unless
6. Stuck Together Pieces
7. Judge, Jury and Executioner
8. Reverse Running
9. Amok

Download: Solidfiles / Sendmyway / Hugefiles
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Avatar

Emptiness - Nothing But The Whole

0 comentários

Gênero: Experimental / Black / Death Metal
País: Bélgica
Ano: 2014

Comentário: Quando uma banda resolve se reinventar, ela está ciente de que o resultado pode não ser satisfatório para seu público alvo, além de render algumas críticas negativas. A banda Emptiness se aventurou por esse caminho em seu quarto álbum de estúdio, e até o momento, o álbum vem colhendo ótimos resultados por parte do público e mídia especializada.

Nothing But The Whole é um álbum sombrio e experimental, daqueles em que o resultado final da sonoridade é até difícil de ser claramente descrito. O passado da banda ligado ao Black / Death e que foi o ponto principal até o álbum anterior, aqui ganha nova forma com a adição de elementos vindos do Industrial e Dark Ambient, algo que bem utilizado pelo Blut Aus Nord em alguns álbuns e pelo The Axis of Perdition. 

Do início ao fim, o álbum apresenta contrastes bem interessantes e não causa a sensação de ser algo repetitivo ou monótono. A bateria alterna entre momentos mais intensos e passagens que lembram algumas bandas de Industrial Rock/Metal. As guitarras em alguns momentos sofrem algum efeito de distorção ou possuem um tom mais dissonante, algo que combina muito bem com esse tipo de sonoridade. 

Um álbum que chama a atenção pela capa e sonoridade, altamente recomendado para aqueles que gostam de sonoridades que fujam um pouco dos padrões convencionais. Cito como destaques do álbum a "All is Know" (a mais experimental do álbum) e a "Lowland" (dona de uma  atmosfera incrível e hipnótica). 



Tracklist:

01. Go and Hope
02. Nothing But The Whole
03. Behind The Curtain
04. All Is Known
05. Tale Of A Burning Man
06. The Past Is Death
07. Lowland

Download: Sendspace

segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Avatar

Thantifaxath - Sacred White Noise

0 comentários

Gênero: Experimental / Atmospheric / Black Metal
País: Canadá
Ano: 2014

Comentário: O Thantifaxath surge como uma das grandes surpresas do ano no cenário do Black Metal, a banda canadense possui a característica de manter em segredo a identidade de seus membros, não creditando nada em nome de alguém em seu trabalho, além de se apresentarem ao vivo cobertos por um robe, similar aos usados pelos membros do Sunn O))).

Em contrapartida aos seus conterrâneos canadenses da cena de Quebec, o Thantifaxath executa uma sonoridade mais ousada e bem interessante, revitalizando e acrescentando muito ao estilo. Guitarras dissonantes e estridentes, acompanhadas de um instrumental agressivo, pesado e em certos momentos acompanhados de um psicodelismo bem sombrio.

Na primeira audição do álbum, a sonoridade em alguns momentos me lembrou a feita pelo Deathspell Omega no Paracletus, trazendo uma produção mais limpa e uma atmosfera mais sufocante. A sonoridade do álbum consiste em um instrumental pesado, experimental, e com um tom bizarro. A instrumental "Eternally Falling" traz uma sonoridade mais cadenciada, acompanhada de um violino bem sombrio, que se encaixaria como trilha dos filmes de terror mais insanos que você já assistiu. "Where I End and the Hemlock Begins" apresenta uma evolução incrível, partindo de um início arrasador conduzido por um vocal insano e repleto de ódio, a faixa vai de encontro à uma parte mais amena e com uma levada bem prog.

O momento de maior brilho do álbum talvez seja a faixa de encerramento, intitulada "Lost in Static Between Worlds". Após um início atmosférico caracterizado por um violino com tom bem depressivo e acompanhado do som de uma ventania ao fundo, a beleza contida na faixa ganha enfoque com a entrada de um instrumental cadenciado, liderado por uma guitarra bem dissonante e hipnotizante. A faixa evolui trazendo consigo um instrumental pesado, apresentado ótimos momentos com foco na distorção e uma sensação de profundidade incrível.

Sacred White Noise é um álbum sólido e uma estréia satisfatória. O Thantifaxath emerge como uma promessa e uma banda para se acompanhar com atenção, pois, dispõe de grande potencial e criatividade. Um dos álbuns mais caóticos e belos como há muito tempo eu não ouvia, e que certamente vai agradar aos apreciadores de sonoridades mais adversas dentro do Black Metal.


Tracklist:

01. The Bright White Nothing At The End Of The Tunnel
02. Where I End And The Hemlock Begins
03. Gasping In Darkness
04. Eternally Falling
05. Panic Becomes Despair
06. Lost In Static Between Worlds

Download: Mega

sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Avatar

Esplendor Geométrico - Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza

0 comentários

Gênero
: Industrial
País: Espanha
Ano: 1985

Comentário: Esplendor Geométrico é uma banda espanhola formada em 1980, em Madrid. O grupo retira seu nome de uma obra de Filippo Tommaso Marinetti, considerado fundador do Futurismo, um movimento surgido na Itália no início do século XX que exaltava a modernidade de forma profética: a agitação das metrópoles, a violência urbana, a juventude precoce, os avanços tecnológicos, e tudo isso estava nas pinturas, esculturas e todas as outras formas artísticas que o futurismo abrangiu em seu auge. Pensar que todas essas características tão próprias do nosso tempo eram completamente alienígenas para a mentalidade do final do século XIX e início do século XX, mas, ainda assim, estavam presentes no Futurismo italiano, é no mínimo estarrecedor. Não por acaso, no entanto, o futurismo, otimista como aparentava, definhou quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Esplendor Geométrico, a banda, surge justamente em 1980, uma década onde brincar com a antimusicalidade ganhou nome: Industrial.  E antimusicalidade era tão vanguardista quanto pintar quadros de uma realidade décadas à frente, ao menos quase 35 anos atrás. Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza é o segundo full-lenght do grupo, e o primeiro lançado pelo seu selo próprio,  Esplendor Geométrico Discos.

O álbum é cru e visceral, mas cadenciado de forma magistral. Usando sonoridades industriais e metálicas, Esplendor Geométrico consegue criar paisagens sonoras destrutivas e incrivelmente concretas, com estruturas construídas de forma a envolver e prender. Faixas como Comisario de Luz IV são exemplos de um uso genial da manipulação de sons concretos, analógicos e crus em uma época onde praticamente tudo que era feito nessa área eram experimentos baseados na tentativa e erro de se aproximar de alguma coisa vagamente musical (ou o mais longe disso possível). A abstração aqui é completa. Mesmo que o peso do som seja monstruoso, seu uso cadenciado abre espaço para um vazio psicológico onde nossos pensamentos complementam a sonoridade.

O maior trunfo do disco, pra mim, é a percussão, formada essencialmente de uma seleção cuidadosa de sons concretos. E assustadoramente moderna, precisa e pesada. Impossível escutar sem sentir-se envolvido e preparado para toda e qualquer barulhada bizarra que apareça subitamente no caminho. E isso é incrível. O último lançamento da banda foi em 2011, mas este disco aqui permanece e permanecerá inalteradamente clássico.


Tracklist:

1 - Comisario De La Luz I 4:57
2 - Comisario De La Luz II 5:18
3 - Comisario De La Luz III 4:30
4 - Comisario De La Luz IV 4:59
5 - Blanco De Fuerza I 9:12
6 - Blanco De Fuerza II 3:37
7 - Blanco De Fuerza III 4:48
8 - Blanco De Fuerza IV 4:21
Bonus Tracks da versão em CD, lançada em 2011:
9 - Noising In The Rain I 5:52
10 - Noising In The Rain II 5:04
11 - Noising In The Rain III 4:12
12 - Noising In The Rain IV 3:05


Download:

135 Mb, 320 Kbps: MEGA
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Avatar

Alice Caymmi – Alice Caymmi

0 comentários

Gênero: MPB / Experimental
País: Brasil
Ano: 2012

Comentário: Já começo essa resenha dizendo que talvez, só talvez, eu não me sinta totalmente preparado para escrever sobre esse álbum. Alice Caymmi, de vinte e dois anos quando lançou esse seu debut que recebe o mesmo nome que carrega. E bem, eu só consigo pensar se esse nome fora uma benção ou um agouro na carreira da Alice – e confesso, ainda não sei.

Alice mergulha também no mar. Logo na primeira faixa “Água Marinha”, vemos que a influência do grande tema inspirador de seu avô, Dorival, se faz presente. Talvez seja uma boa herança de família ou um fardo que ela tenha de carregar. Mas Alice não se deixa naufragar em uma maré herdada – ela vai além e recebe do trabalho deveras experimental da Björk a verdadeira fonte de seu trabalho e em “Água Marinha” percebemos flertes com essa sonoridade: vocais serenos e batidas eletrônicas bastante oscilantes. Não se pode dizer que a carioca não faz para merecer o título de uma cantora, de fato, ela não pretende se colocar como uma espécia de continuadora dos trabalhos de sua família, por mais que acabe sendo, mas não vejo essa intencionalidade em seu álbum.

O álbum transcorre em um caminho próprio, enquanto as faixas complementam-se mutuamente mostram-se também um trajeto próprio e em si mesmas. Consta uma versão de "Sargaço Mar", de seu avô, versão essa bastante autoral e com um clima de melancolia contida, de mar pós-ressaca; interpretação bastante própria, assim como a décima e última faixa do álbum, "Ulravel", originalmente presente no álbum Homogenic, da já citada Björk. O “experimental” presente na classificação desse álbum explicarei agora: ouvindo mais de uma vez as faixas do álbum, como a já citada “Água Marinha” e “Revés”, para ainda permanecermos na primeira metade do álbum parecem-me distantes dessa safra da nova MPB, mesmo que diversos sites especializados, blogs e etc queiram colocá-la entre Karina Buhr e Tulipa Ruiz não vejo tal associação direta (embora eu não posse me dizer assíduo ouvinte de ambas) vejo em Alice um grau de melancolia e pessoalidade em várias sequências da sua estreia

A voz andrógina de Alice para alguns pode até ser outro obstáculo a ser transposto nesse navegar, mas para mim pareceram águas de duro acesso, mas acessíveis, de imediato há estranhamento e até certa dureza, mas aos poucos há o desvelamento da delicadeza, do belo em seus vocais e olha, quando essa revelação é feita o álbum se torna um registro que mescla docilidade, virilidade, brutalidade e sensibilidade e "Rompante" resume muito bem isso e que aliás, também pode ser usada para exemplificar a segunda metade do álbum, excetuando "Tudo Que For Leve", que deságua na mesma onda que a primeira metade do homônimo álbum.

Pois bem, o debut da Alice é tão revelador quanto misterioso, parece-me que ela trabalha em um chiaroscuro tal qual presente em telas barrocas: revela-se de um lado para esconder-se em outro, um jogo muito bom e instigante, um belo registro de uma voz diversificada e inovadora: um mergulhar extasiado em águas que só revelam o que não se espera ver.

[Site / Facebook]


Tracklist:
01. Água Marinha
02. Arco Da Aliança
03. Mater Continua
04. Revés
05. Sangue, Água E Sal
06. Rompante
07. Vento Forte
08. Sargaço Mar
09. Tudo Que For Leve
10. Unravel

Download: MEGA

terça-feira, 13 de maio de 2014
Avatar

Asilo - Comunión

0 comentários

Gênero: Sludge / Doom / Crust / Experimental
País: Argentina
Ano: 2014

Comentário: Conheci a banda Asilo no ano passado através do single Geografias / Wardance, lançado em 2012. A banda criada no ano de 2010 lançou seu primeiro álbum de estúdio no dia 2 de Abril, o qual escutei recentemente e me agradou bastante.

O quarteto que forma a banda se empenhou muito na criação do álbum e o resultado ficou excepcional. Um registro com cerca de 53 minutos de duração, distribuído em 10 faixas e que consegue prender a atenção do ouvinte.

A sonoridade da banda é bem interessante, mesclando elementos do Sludge, Doom, Crust e ainda conta com uma vibe meio experimental, tudo isso torna o registro bem rico musicalmente. A atmosfera apresentada alterna entre momentos de ira, angústia e até mesmo partes mais sombrias. O instrumental arrastado e pesado é uma constante no som da banda, que conta com momentos cheios de distorção. O tipo de vocal utilizado, soa completamente insano e perturbador, combinando perfeitamente com o tipo de som feito pela banda.

"Geografias" é a faixa de abertura e já havia sido lançada num single como disse no início da resenha. Após um começo numa levada mais Ambient, o instrumental cru e pesado dita o ritmo, com o vocal entoando toda insanidade possível. Não consigo imaginar faixa melhor pra abrir um álbum como esse. Comunión surpreende com faixas como "(Epidemia mundial del desencanto)", onde a agressividade é deixada de lado e a banda nos apresenta mais um pouco do seu lado Experimental e flerta com uma sonoridade mais Ambient. Conduzida por um piano e acompanhada por alguns efeitos mínimos ao fundo, a sensação de profundidade causada pela faixa é maravilhosa, com as letras sendo ditas com calma e vagarosamente. Existem mais duas faixas que seguem a mesma proposta, sendo elas "(Anti voz)" e "(No a la vida)". Mas a pancadaria sonora é a principal faceta da banda, faixas como "La Paciencia del Cuchillo" e "Miedo y Curiosidad", vão de encontro ao sentimento de caos e ódio criado pela banda.

Comunión é sem dúvida um daqueles álbuns que não pude deixar passar despercebido, o Asilo se mostra uma banda capaz de surpreender e criar uma sonoridade de arrancar elogios daqueles que apreciam esse tipo de som, além de fortalecer a cena musical da Argentina. Para aqueles que tiverem o interesse, todo material da banda está disponível pra download no Bandcamp e no profile do banda no LastFm.




Tracklist:
01. Geografías
02. Pichiciega Fe
03. (Epidemia Mundial del Desencanto)
04. La Paciencia del Cuchillo
05. Arquitectura del Silencio
06. (Anti Voz)
07. Dinámica del Cambio
08. Miedo y Curiosidad
09. (No a la Vida)
10. La Ultima Voluntad

Download: Bandcamp

quarta-feira, 30 de abril de 2014
Avatar

P.H.O.B.O.S. - Tectonics

0 comentários


Gênero
: Industrial/Doom Metal/Experimental
País: França
Ano: 2005

Comentário: Antes de mais nada, se faz mister a distinção: 'industrial' aqui é aquele industrial corrosivo e altamente experimental, que deu origem a uma multitude de estilos cada vez mais experimentais e corrosivos como o Noise e o Dark Ambient, e não aquele 'industrial' a qual nos referimos quando se tratando de EBM. Portanto P.H.O.B.O.S. não é mais uma daquelas bandas de Industrial Metal que resolveram ter a idéia de mesclar EBM e Metal. P.H.O.B.O.S. é uma das mais intensas, potentes e devastadoras formas de se fazer Metal já compostas, calcando-se totalmente no Noise, no Dark Ambient e no Industrial dos anos 80.

Formada em 2000, a banda foi criada por Frédéric Sacri e Philipe Gerber, em Paris, ainda que somente Frédéric permaneça na banda até hoje. Em 2003 a banda fez sua primeira aparição ao vivo, mas desde então estas continuam sendo raras. A escolha de tudo na banda é criteriosa e precisa: Phobos é o filho de Ares, o deus grego da Guerra, e representa o Medo. Ao lado de seu irmão divino Deimos, que representa o Terror, ambos nomeiam as duas luas de Marte (que é a versão romana de Ares). Phobos representa o pânico que a Guerra trás e, nos mitos, guerreava ao lado de seu pai. Como bem sabemos pelo Martial Industrial, poucas coisas combinam tão bem com industrial como a Guerra. E por que não, o medo? Não raramente os vocais rasgados estridentes na musicalidade do P.H.O.B.O.S. nos instigam um desconforto característico do pavor. Mas se não bastasse isso, ainda há samples de gritos desesperados de dor e terror espalhados por cada nota de guitarra abafada ou batida industrial da percussão da banda.

E em falando de percussão, nenhum título é mais apropriado pra esse álbum quanto "Tectonics". As guitarras no disco são completamente coadjuvantes, num mar de espancamentos industriais percussivos banhados em noise, completamente hipnóticos. A magia causada pela mistura da percussão no front e os vocais e guitarras no background é completamente envolvente, ainda que cause dores de cabeça nos desavisados. Tectonicamente imprimindo suas batidas compassadas de maneira simetrica, porém nada convencional ou previsível, as faixas do disco vão se desenrolando uma mais pesada que a outra.

Mas a música do P.H.O.B.O.S. não é somente cru e visceral, ela também é melódica. Nas profundezas da sonoridade da banda existem acordes melódicos, algumas vezes até lembrando a distorção do Nadja. Isso não torna, no entanto, o disco algo completamente imprevisível - em fato logo na terceira faixa tudo que o P.H.O.B.O.S. tem para oferecer em Tectonics já está posto na mesa. Mas ao mesmo tempo, o disco é exatamente o tipo de coisa para se ouvir com o real intuito de ouvi-lo - portanto nas segundas e terceiras ouvidas o disco cresce absurdamente. Especialmente pelo fato que ficará óbvio com qual humor este deve ser ouvido, em quais circunstâncias e em quais ambientes.

Infelizmente bem pouco divulgado, o trabalho de Frédéric deve ser mais disseminado aos fãs de Metal e Industrial, por que além de extremamente bom é uma das mais perfeitas justaposições dos dois estilos, sem exagerar em nenhum lado. Exageros esses que não se tornaram raros, mesmo num mar de tentativas de fazer essa junção anteriormente.

A banda após esse disco lançou ainda mais dois full-lenghts, onde a sonoridade foi um pouco mais desenvolvida, e esse ano está pra lançar um split com nada menos que o Blut Aus Nord, uma das mais incríveis e pioneiras bandas do Post-Black Metal. Definitivamente aguardando ansiosamente. E além de tudo isso, a arte visual da banda ainda é fantástica, o que pode ser conferido no merchandise da banda, aqui. Realmente é mais uma das coisas que me faz lamentar terrivelmente a disparidade de valor entre o Euro e o Real.




Tracklist:

1. Nietzschean Dynamics 01:44
2. Gregarious 07:11
3. Wisdoom  07:14
4. Monochrome Red 09:21
5. Engulfed In Subduction 04:02
6. Nihil Credo 07:30
7. Inseminator/Matrix 10:22
8. Dormant/Dead End 10:43


Download:

MEGA
sábado, 19 de abril de 2014
Avatar

Quialtera - Jgmglibtz

0 comentários
Gênero: Progressive Rock/ Metal/ Experimental
País: São Paulo, Brasil
Ano: 2014

Comentário:
Eu estava com muita vontade em voltar a escrever resenhas, mas devido aos dias corridos, à preguiça crônica e outros fatores, como o receio em relação à ferrugem mental — no que diz respeito à música —, acabei deixando o blog de lado para me dedicar mais às putarias do mundão (ou nada disto). Mas bem, encerrando por aqui a parte "pratos limpos", venho apresentar um trabalho que considero deveras interessante, recém lançado e de origem nacional.

"Quialtera", nome de origem teórico-musical que, de forma simplificada, significa uma alteração rítmica em uma música, sendo um nome realmente válido para a proposta da banda paulista, mas não totalmente representativa. Isso porque a banda de Yuri Deryous (Guitarra/ Teclado/ Vocal), Walter Aires (Guitarra), Emerson Dylan (Baixo) e Jean Custer (Bateria) é — usando uma frase extremante brega — uma "explosão de gêneros" e deixa transparecer uma sobrecarga de influências muito legais e bem encaixadas, o que evita que essa "mistura" toda passe de interessante, para cansativo. Toda essa qualidade é ainda mais valorizada por ter sido apresentada logo em seu primeiro disco "Jgmglibtz", cujo título, segundo o próprio vocalista Yuri: "Já o nome do cd não significa merda nenhuma".

Saca a história:
"Estávamos eu (Yuri), o batera e o baixista em um bar, daí esse baixista tentou mandar um sms pro guitarrista que não tinha ido, mas ele tava tão travado que digitou essa merda aí (...) Até hoje ninguém desvendou o que ele pretendia escrever".

O disco Jgmglibtz, fruto de um trabalho que se iniciou em 2011 e que foi lançado em março deste ano, traz muitas referências, sendo que logo na primeira faixa, The Sounds We're Made Of, já podemos ouvir a maioria delas, todas moldadas como se fossem uma demonstração daquilo que o disco nos reserva. E essa demonstração vai desde uma linha hard rock, uma pegada as vezes mais punk, back vocals remetendo à black music, um triangulo puxando "a nordestina" e até momentos relâmpagos de blast beats, só pra mostrar que a rapaziada é do metal, mas de forma tão sutil que não chega a "endemonizar" a faixa. Já outras faixas se comportam de forma mais leves, com direito a um solene piano, enquanto que outras, revelam aquele heavy metal que estava difuso na primeira faixa.

Recapitulando, é um disco que vai te fazer banguear; remeter-te às sonoridades presentes em discos como "We're Here Because We're Here" (Anathema), à riffs paralelamente executados com vocais a nos lembrar de Opeth (e, particularmente, outros que me soam uma mistura de Exxótica com Black Sabbath) e ouvir baixos e cordas de guitarras viajando pelo espaço que deduram que estes caras andaram ouvindo muito Pink Floyd. E ao final, a viajem é fantástica e veio em boa hora, "pegando carona" com os atuais olhares voltados para o "Cosmos" (volta do seriado; astronomia em alta; novas descobertas; efervescência de áreas como astrobiologia; etc...).



Tracklist:
1.The Sounds We're Made Of 04:20
2.Permanent Perception 08:54
3.Às Memórias Ausentes, Notas de Ansiedade 02:45
4.Fuck The Folk 06:23
5.The Pig Speaks 03:00
6.Ana 09:10
7.Take a Ride 14:06
8.Jgmglibtz 06:30

Download: MediafireBandCamp / SoundCloud(streaming)
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Avatar

Caetano Veloso - Transa

0 comentários
Gênero: Musica Popular Brasileira/ Tropicalia
País: Brasil
Ano: 1972

Comentário: Essa é de longe a obra prima de Caetano Veloso. Gosto muito de outros álbuns dele, mas esse é o mais cativante de todos. Caetano gravou o disco na Inglaterra durante seu exílio e o lançou no Brasil assim que voltou, em Janeiro de 1972. O registro reflete muito dessa dualidade cultural que o artista vivia, com músicas em inglês e português, musicalidade riquíssima de ritmos diferentes e a mistura de tradição com experimentalismo, Caetano mostra o que para mim é a fronte da versatilidade brasileira.

As faixas são perfeitamente harmônicas, todas tem um clima muito bom para curtir com amigos, conversar, são melodias com letras tão convidativas que é impossível não dançar e cantar junto. É o tipo de música que você sempre quer deixar tocando, uma pena que o álbum tenha só aproximadamente trinta e sete minutos.

Falando na musicalidade, não podemos deixar de dizer que a parte instrumental desse álbum é notável. Os músicos convidados foram; Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Percussões e guitarras marcantes durante todo o disco, a bateria é impecavelmente bem colocada. As batidas passam do samba para reggae e outros ritmos que embalam as letras que tocam muito nas músicas tradicionais brasileiras.

É muito difícil destacar só uma música do Transa. “You Don’t Know Me” inicia o álbum de forma maravilhosa, Caetano parece mostrar o que sente sobre estar longe de seu país e sobre a sua vida na terra da rainha. “Nine Out of Ten” explora o ritmo de raggae e tem letra em inglês, mas mesmo assim mantém uma identidade brasileira. “It’s a Long Way” é uma viagem, a canção trás uma sensação de saudade muito interessante quando a cantoria em inglês de Caetano é interrompida por trechos de músicas clássicas brasileiras. “Mora na Filosofia” é uma homenagem ao grande sambista Monsueto, uma das músicas em português mais chamativas do disco.

O álbum é uma pérola, parada obrigatória para todos os brasileiros que se interessam pela música popular brasileira, eu creio.

                                    Youtube / Site Oficial / Facebook / Last.fm

Tracklist:
Side 1:
01. You Don't Know Me - 3:48
02. Nine Out Of Ten - 4:55
03. Triste Bahia - 9:32
Side 2:
04. It's A Long Way - 6:05
05. Mora Na Filosofia - 6:13
06. Neolithic Man - 4:47
07. Nostalgia - 1:23
Download: Mega / 4Shared
domingo, 13 de abril de 2014
Avatar

John Frusciante - Enclosure

0 comentários
Gênero: Eletrônica/Experimental
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Desde pequeno sou fã dos Red Hot Chili Peppers, e quando John Frusciante deixou a banda, senti, como muitos, uma raiva imatura dele e do guitarrista que veio substitui-lo. Mas o tempo e a raiva passaram, reconheci o talento do novo guitarrista e comecei a ficar ansioso pelos próximos trabalhos do Frusciante.

A primeiro coisa que ele lançou, ao sair da banda, foi o EP “Letur - Lefr”, não vou entrar em detalhes sobre ele, até porque você pode ler uma resenha clicando aqui, mas ele basicamente mostrava que o guitarrista estava em uma onde diferente agora, tomado por musica eletrônica e com sede de explorar algo novo. Depois veio o EP “outsides”, que se mostrou mais firme na sonoridade e menos bagunçado, e então temos o recente “enclosure”, o disco que marca o fim de um ciclo, segundo o próprio Frusciante. E se as batidas dos outros discos pareciam ser sem sentido, desesperadas e apenas um monte de colagem de camadas, “enclosure” vem para mostrar o amadurecimento de Frusciante nessa área, com uma sonoridade coesa e ainda assim experimental.

sábado, 8 de março de 2014
Avatar

Die Antwoord – TEN$ION

0 comentários

Gênero: Rap-Rave / Alternative Hip-Hop
País: África do Sul
Ano: 2012

Comentário: Primeira coisa a falar do "Die Antwoord": quando vi o clipe de I Fink U Freeky eu fiquei paralisado. Bem, vamos aos fatores. Primeiro – o vocal da Yolandi Visser somada a estética do grupo me deixaram realmente freeky. Segundo – o clipe é terrivelmente bizarro, tanto que, tive de assisti duas vezes e não, não levei a sério a banda, ah, erro meu, erro meu! Sei que muita gente para nessa parte e realmente não leva a sério, de certa parte, estão certos, de outra, errados. É difícil classificar o que é para ser levado a sério no Die Antwoord, de fato. O que eles querem? O que eles fazem? Que merda é essa de rap-rave? Muitas questões, mas nada que Ten$ion, segundo álbum da banda, não seja capaz de responder.

O estilo da banda é inspirado em Roger Ballen, fotógrafo nascido em Nova Iorque e morador de Joanesburgo – aliás, acho o Ballen um fodão em preto e branco, isso tirando o fato de sua estética totalmente estranha e subversiva. A banda faz uma clara referência ao Roger Ballen em seus trabalhos, referência gritante, aliás. Dando uma rápida pesquisa vocês acham algo do trabalho do Ballen com a banda em si, sendo o clipe de I Fink U Freeky o trabalho mais evidente da união da banda com o fotógrafo, que codirigiu o clipe com Ninja. Outra inspiração da banda é a cultura Zef, nome que veio da abreviação do Ford Zephyr, carro que se tornou mundialmente popular no mundo todo de 50 a 70 e na África do Sul, seus condutores, geralmente trabalhadores da mineração, assim como os carros, eram apreendidos. Basicamente a cultura Zef defende um “você é pobre, mas é fantasia, é sexy, tem estilo”. Ninja, vocalista do grupo, defende que o Zef é movimento musical de subcultura, comparável ao hip-hop. Alguns dizem que a cultura Zef é branca e em suas próprias palavras Ninja rebate que: “o racismo é obsoleto e passado para os sul-africanos".

Não é fácil compreender todas as nuances do grupo. Não é fácil compreender sua estética Zef-Balleniana (oi, neologismo) e levar tudo a sério. Acho que mais do que apresentar o álbum aqui, pretendo apresentar a estética do grupo, que é muito forte – tanto quanto o som que produzem. Nitidamente vemos no álbum claras referências ao hip-hop, em Hey Sexy, que tem uma levada de percussão bem marcada e dançante, ao estilo do hip-hop que estamos acostumados com um refrão até pegajoso. So What?, com um piano realmente bom no início, também vai no mesmo estilo e se aproxima ainda mais do hip-hop midiático e bem-feito de hoje em dia.

Um pequeno parêntese para falar das experimentações do grupo, no meio das faixas musicais desenrolam-se várias pequenas faixas com falas, experimentalismos e coisas a mais. Destaco aqui Uncle Jimmy, feita toda em diálogo – e sim, eu curto ouvir diálogos no meio do álbum.

O álbum também pode-se ser dizer cíclico, enquanto Never Le Nkemise 1, uma mistura de zulu (segundo minhas pesquisas, posso estar errado) e inglês, funciona como prelúdio ideal do álbum com seu hip-hop/rap característico e rimas gangster, Never Le Nkemise 2 é o encerramento ideal para álbum, com batida rave repetida e crescente. Do começo ao fim o grupo mantêm-se (e tenta nos explicar) sua proposta rave-rap e acho que essas duas faixas, uma de prelúdio e outra de epílogo, funcionam muito bem para marcar a estética que o álbum pretende transmitir.

Já acho Fatty Boom Boom um clássico do “Die Antwoord” pelo seu clipe de Lady Gaga na selva/cidade africana. Aliás: clipe foda, de conteúdo, de estética (eu falo estética pra caramba, perdão), de relativização de cultura, de resistência, ah, sério, eu realmente piro quando paro para analisar a sério algo da banda porque eu realmente vejo que por detrás de todo essa “experimentação exagerada” existe um viés artístico de resistência e voz para o povo africano.

Para encerrar: Baby's On Fire pende mais pro lado “rave” da banda, contrapondo aqui com So What?, que por assim dizer é mais rap. Quando o rap e o rave são trabalhados de um modo separado a banda mostra sua versatilidade sem perder sua essência – algo muito bom, por sinal. DJ Hi-Tek Rulez é um rap muito bom e nem diz muita coisa a letra, mas eu curto muito, até por não dizer muita coisa: nonsense realmente me agrada. Enfim, acho que o “Die Antwoord” merece alguma visibilidade pelo trabalho que fazem há um tempo já, caricato, exagerado, nonsense, sem dúvida, mas ainda assim agressivo, promissor e contracultural – e essas características que eles abraçam tanto em sua sonoridade quanto em sua plasticidade me agradam por demais.


Tracklist:

1. Never Le Nkemise 1
2. I Fink U Freeky
3. Pielie (Skit feat. Ninja)
4. Hey Sexy
5. Fatty Boom Boom
6. Zefside Zol (Interlude)
7. So What?
8. Uncle Jimmy (Skit)
9. Baby's On Fire
10. U Make a Ninja Wanna Fuck
11. Fok Julle Naaiers
12. DJ Hi-Tek Rulez
13. Never Le Nkemise 2

DownloadMEGA

domingo, 2 de março de 2014
Avatar

Jute Gyte - Vast Chains

2 comentários

Gênero: Experimental Black Metal / Dark Ambient
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Nos últimos meses criei o hábito de procurar bandas que fujam dos padrões convencionais do Black Metal, nada contra à velha escola do estilo, apenas questão de interesse pessoal que cresce à medida em que conheço sonoridades mais experimentais e menos convencionais do que estava acostumado a ouvir.

Numa dessas buscas, me deparei com o Jute Gyte, banda americana que faz um som bem experimental e diversificado e tem como único membro o Adam Kalmbach. A banda foi criada no ano de 2002 e já lançou 22 álbum de estúdio e 4 EP's até o momento. Até agora só escutei esse álbum do qual faço a resenha, mas confesso que a sonoridade elaborada no álbum despertou um interesse imenso de conhecer os demais lançamentos do Jute Gyte

O álbum composto por 6 faixas que totalizam cerca de 58 minutos de duração, é um registro muito introspectivo, no qual o instrumental inconstante, alternando entre riffs distorcidos carregados de psicodelismo, para partes onde a veia do Dark Ambient contida na banda fala mais alto, criando passagens calcadas num clima de angústia e loucura, em alguns momentos me lembrando até os álbuns intermediários do Leviathan e algo do Blut Aus Nord e Deathspell Omega.

Semen Dried into the Silence of Rock and Mineral é a faixa que abre o álbum, já trazendo à tona o experimentalismo tocante que a banda desenvolve. Um vocal que em boa parte da faixa se resume em grunhidos raivosos, que se mistura entre tons distorcidos de guitarra com o objetivo de criar uma atmosfera insana e confusa. Outra faixa que destaco é a The Fire of This, faixa que encerra o álbum. O tom sombrio criado pelo instrumental lento e carregado, ganha destaque à medida que a faixa vai se desenvolvendo. O som totalmente dissonante e perturbador é acompanhado do vocal áspero de Adam, resultando numa viagem insana na mente do ouvinte, característica essa que é evidente em todo álbum.

Jute Gyte é uma banda que conheci por acaso, mas que devido à sua sonoridade experimental me agradou demais. Vast Chains é um álbum totalmente recomendado para quem gosta de escutar bandas que fogem do padrão convencional, como citei no início da resenha. Afirmo que a experiência vivida ao escutar o álbum é algo incrível, mesmo nesse clima de insanidade que as músicas transmitem. E fica aquela vontade de conhecer os demais trabalhos criados por Adam no nome do Jute Gyte, os quais espero que tenham as mesmas peculiaridades encontradas em Vast Chains.


Tracklist:
01. Semen Dried Into The Silence Of Rock And Mineral 
02. Endless Moths Swarming
03. The Inexpressible Loneliness Of Thinking
04. Flux And Permanence
05. Refusing A Heavenly Mansion
06. The Fire Of This

Download: Bandcamp

Quem escreve e faz os uploads:

 
Ignes Elevanium © 2011 DheTemplate.com & Main Blogger. Supported by Makeityourring Diamond Engagement Rings

Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.