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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
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Arcade Fire - Reflektor

3 comentários

Gênero: Indie Rock / Disco / Dub / Reggae
País: Canadá
Ano: 2013

Comentário: O Arcade Fire é uma anomalia musical. Dono de uma das carreiras mais dispares dos anos 2000 para cá o grupo começou fúnebre, via o essencial e pungente Funeral, manteve a dobradinha baixo-autoestima e ótimas canções em Neon Bible, migrando, assustadoramente, para o lado ensolarado e pop em The Suburbs, disco que lançou o grupo ao estrelato, chegando ao ponto de ganhar o Grammy de Melhor álbum do ano em 2011. De lá para foram 3 anos, turnês elogiadas que migraram de pequenos lugares para estádios, e a conquista de um enorme número de séquito, tanto de público quanto da crítica. E foi com esta vivência tão dispare que os canadenses adentraram ao estúdio para gravar Reflektor.

Produzido por James Murphy (ex-líder do essencial LCD Soundsystem), a banda reprisa a parceira nascida num single conjunto lançado em 2007. Dividido em dois discos bem distintos, a nova empreitada assusta numa primeira audição descuidada. Buscando uma sonoridade que oscilasse entre elementos do indie rock, a trupe de Win Butler estabeleceu o inédito diálogo com sonoridades jamaicanas, seja flertando com o reggae ou o dub em vários momentos, influências estas ligadas diretamente as predileções do produtor da vez.

O disco de número um prima por canções "alegres". O single "Reflektor" já denuncia a gradual mudança. Em seus 7 minutos e 34 segundos, batidas disco dialogam com elementos percussivos e vocais de apoio de, pasmem, David Bowie. "We exist", traz linha de baixo sinuosa e versos em prol da existência ante a frieza humana. "Flashbulb eyes" é puro dub em essência. "Here comes the night time" aparece em duas versões. A presente neste primeira parte inicia-se num proto gipsy punk, mas se entrega ao electro. O pop oitentista surge em "You already know". Encerrando o primeiro "lado" ainda temos "Joan of Arc", faixa que inicia punk, traz vocais etéreos (cortesia de Régine Chassagne) e letra sobre rejeição.

Já o segundo disco responde pela porção introspectiva de Reflektor. A começar pelo reprise de "Here comes the night time" que desta vez surge em versão menor e escura, carregada de sintetizadores e arranjo de cordas. A belíssima "Awful Sound (Oh Eurydice)" aborda de forma explícita o desespero em forma de tragédia grega, mas os arranjos adocicados e os vocais de Régine quase nos convencem do contrário. "It's never over (Hey Orpheus) "novamente aposta na disco music e tem linha de baixo dançante. Além de trazer também referências a mitologia grega, a canção é ode ao filme "Orfeu Negro" lançado em 1969, cujas imagens surgem no vídeo promocional de  "Afterlife", penúltima canção do álbum e segundo single. Para o final é reservada a faixa "Supersymmetry" que em seus quase 6 minutos de duração utiliza de sutis recursos eletrônicos, cordas e ternura numa bela ode a solidão e ao crescimento pessoal.

Por fim, falta ainda dizer algo sobre a faixa síntese do álbum, a ótima "Normal Person". Em alto e bom som Win Butler questiona de início se "há algo tão estranho quanto uma pessoa normal"? Percebesse aqui uma critica ao ser tido como "normal" para os padrões da sociedade que valoriza o ser cruel ou cool em antítese ao amor amor a si e ao próximo.

"I've never really ever met a normal person". Para o Arcade Fire, ser comum nunca fora cogitado. Mais do que isso a banda buscou algo ainda mais valoroso: ser autêntica.
                   

Tracklist:

Disco 1

Reflektor
We Exist
Flashbulb Eyes
Here comes the night time
Normal Person
You already know
Joan of Arc

Disco 2

Here comes the night time II
Awful Sound
It's never over
Porno
Afterlife
Supersymmetry

Download: Mega - 4shared

sábado, 6 de outubro de 2012
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Afrika Bambaataa & Soulsonic Force - Planet Rock: The Album

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Gênero: Hip Hop / Electro-Funk / Disco
País: Estados Unidos
Ano: 1986

Comentário: Nós, digníssimos membros deste blog, que fazemos a circulação de cultura musical acontecer, temos um grupo específico no facebook, no qual discutimos os rumos do blog, o PIB do país, o corte de cabelo do Neymar, dentre outras inutilidades. Ontem, a discussão adveio de um pedido de sugestão de um dos uploaders, que estava duvidoso acerca do gênero Electropop, e pedia um exemplo de artista deste nicho. Um dos postadores - cuja identidade não vou revelar, para preservar sua integridade - sugeriur Afrika Bambaataa. Pensei comigo: what the fucking fuck? Logo em seguida ele se retratou, é verdade, mas a sua dislexia serviu para me lembrar do primoroso trabalho de Bambaataa e a sua incomensurável influência em um de meus estilos preferidos: o Hip Hop.
Planet Rock: The Album é considerado o primeiro grande registro de sua carreira, quase um debut,e pode ser tomado como um exemplo fidedigno das transformações que a música pode operar na vida de alguém. Nascido e criado no Bronx, bairro violento de Nova York, - onde se passam os filmes do Charles Bronson, arrebentando com bandidos, pra s eter uma ideia - sua juventude teve lugar num tempo em que a grande "moda" entre as classes mais baixas era a formação de gangues para cometer delitos e arruaças. Além disso, a rivalidade com outras gangues também era algo relevante, gerando conflitos que, muitas vezes, desfalcavam os seus batalhões, retirando a vida de muitos jovens.
A Black Spades era uma das mais famosas dessas organizações criminosas. E como era imperioso na estatística, Bambaataa, um então juvenil Kevin Donovan, seu nome de nascença, se agregou ao grupo e, por muitas vezes, agrediu rivais, destruiu propriedades alheias, se aglomerou para usar drogas, enfim, mil manifestações do ódio. Só coisa de gente bem intencionada. Aos poucos, foi vendo a gérmen do Hip Hop crescer, e tomado pelas batidas que passou a arriscar como DJ, percebeu que aquele não era o caminho mais adequado.
Hoje, é apontado como uma das maiores razões pela qual a Black Spades decaiu a partir de 1973 e se extinguiu pouco tempo depois. Saindo da gangue, fundou a Universal Zulu Nation, grupo de Hip Hop e ativismo social, e foi seguido por muitos outros comparsas dos tempos de rebeldia imotivada. As crenças da nova união deram origem à Hip Hop Declaration of Peace, iniciativa conjunta do Temple of Hip Hop (outro grupo formado por um grande nome, KRS-One).  A declaração enumera dezoito princípios visando ao bem comum.
E como que um agradecimento pelo fato de a música ter transformado sua vida, Bambaataa transformou pra sempre os rumos da música. É considerado um dos pais do Hip Hop, e, ouvindo Planet Rock de cabo a rabo, é possível identificar ali a semente do que o bom Hip Hop representa hoje. Ouvindo lançamentos, por sua vez, dá pra reconhecer o dedo de Bambaataa na quase totalidade dos registros dos rappers hodiernos.
Enfim, é um cara que não se consegue ignorar, nem mesmo deixar de admirar. Até porque, convenhamos: quem é que fica parado ao ouvir as famosíssimas batidas da faixa título. Sinta a batida, rapaz.



Tracklist:
  1. "Planet Rock" – 7:31
  2. "Looking for the Perfect Beat" – 6:51
  3. "Renegades of Funk" – 6:45
  4. "Frantic Situation" (Frantic Mix) (feat. Melle Mel) – 5:07
  5. "Who You Funkin' With?" – 6:23
  6. "Go-Go Pop" (feat. Trouble Funk) – 6:00
  7. "They Made a Mistake" – 5:30


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