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terça-feira, 11 de outubro de 2016
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Decembre Noir - Forsaken Earth

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Gênero: Doom/Death Metal
País: Alemanha
Ano: 2016

Comentário: Decembre Noir é uma banda alemã da cidade de Erfurt, na Turíngia, que se formou em 2008 e lançou seu debut em 2014. Forsaken Earth é seu segundo álbum, lançado em Agosto. E o fato é: matou uma saudade imensa que eu tinha de um álbum nesse nível de Doom/Death.

Estamos aqui falando de uma banda, em todos os efeitos, pequena e pouco conhecida no cenário. Porém de uma qualidade tanto técnica quanto criativa descomunal dentro de um gênero onde bandas, atualmente, só se destacam em dois sentidos: serem profundamente melancólicas onde outras bandas ainda não chegaram, ou em serem mais experimentais dentro do estilo o quanto puderem. Estamos falando de um estilo infelizmente saturado, onde ouvir os clássicos muitas vezes vale mais a pena que notar novos releases. Decembre Noir, no entanto, preza por outro caminho, o mesmo que muitas bandas falharam: o de reinventar fórmulas clássicas de maneiras efetivamente boas. E consegue.

O disco é calcado fortemente nas bases atuais do estilo, de bandas como Swallow The Sun, October Tide ou Novembers Doom, mas consegue ter uma identidade própria evidente em todas as faixas. Essa identidade própria aparece na forma com que a banda lida com as variações de velocidade. No geral, os riffs são, obviamente, cadenciados e melancólicos, mas a cozinha frequentemente se arrisca em blast beats e levadas mais rápidas, o que dá um peso descomunal ao som da banda, que é já naturalmente pesado devido a afinação grave e levada arrastada.


Aos fãs de Novembers Doom, por exemplo, arrisco dizer que Decembre Noir soará especialmente incrível. Fora os americanos do Novembers, pouquíssimas bandas arriscam instrumentais tão constantemente próximos do Death Metal quando se trata de Death/Doom atual, sob o risco imimente de diminuir a carga emocional do estilo. O que justamente não só não ocorre com Novembers Doom e Decembre Noir, como é exatamente intensificado quando se reunem vocais ocasionalmente limpos com o instrumental esporrante. Os vocais limpos de Decembre Noir não são tão melódicos, o que eu particularmente considero totalmente condizente com a proposta mais direta da banda, ainda que em certas músicas claramente uma maior melodia não faria tanto mal. Mas os riffs não tão lentos são perfeitamente bangeáveis e isso torna a musicalidade da banda fluida, ainda que melancólica, algo que soa maravilhosamente bem.

Para quem, assim como eu, estava saturado de repetitividade em novos lançamentos em Death/Doom, mas, ao mesmo tempo, não conseguia parar de ouvir bandas como Swallow The Sun, Draconian, Novembers Doom, October Tide, Doom:VS e afins: ouça sem medo. Caso sejas novo no estilo, Decembre Noir também não deixa de ser um excelente convite. Forsaken Earth é ótimo, sólido e foge da monotonia muito bem.



Tracklist:

1. In This Greenhouse of Loneliness and Clouds 06:42
2. Small.Town.Depression 06:46
3. Ghost Dirge 05:45
4. The Vast Darkness 08:42
5. Waves of Insomnia 14:17
6. Distant and Unreachable 07:40

OUÇA: Spotify

domingo, 17 de julho de 2016
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Seedna - Forlorn

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Gênero: Atmospheric Black Metal
País: Suécia
Ano: 2016

Comentário: Tornar o Black Metal 'atmosférico' não é necessariamente uma tarefa difícil, dada a natureza fria e lúgubre do gênero, e eu diria até que atualmente a forma mais ortodoxa do gênero é justamente seguindo a receita burzunesca de atmospheric black metal. No entanto, desde o início dos anos 90, o DSBM reinventou de certa forma a vertente atmosférica do gênero com um tom mais suicida, sarcástico e depressivo que o usual. Muitas bandas a partir daí então tentaram arduamente praticar o estilo sem necessariamente ser DSBM mas acabaram sendo, pois beberam demais nessa fonte já enviesada. Lamentavelmente, portanto, hoje em dia não é fácil encontrar bandas legitimamente boas no estilo, e nesse meio, fui feliz de encontrar o Seedna.

Seedna foi formado em 2012 pelos irmãos Emil (na época, bateria) e Erik (baixo) na Suécia e desde então lançaram três registros (sendo um split com o projeto de Harsh Noise sueco Phí), com Forlorn sendo o mais recente e, tecnicamente, o "debut" oficial da banda, já que é o primeiro full-length dos caras lançado por uma gravadora. O visual da banda, propositadamente foca em nos imergir numa atmosfera desconcertante, como podem ver no vídeo a seguir, de um show da banda gravado em Tidalhom, na Suécia, em 2014. Nada totalmente original, é verdade, mas eu particularmente acho fantástica e integralmente essencial a teatralização que um visual assim traz aos shows de bandas nesse estilo.


(As músicas deste show não estão contidas nesse disco, só pra constar).

A sonoridade é um misto claro de Black Metal com influências de Post-Metal, Post-Rock (nas vibes mais lúgubres e etéreas possíveis, nada de melodias) e principalmente Dark Ambient. O Doom Metal aparece aqui e ali por consequência, mas aparentemente não há nenhuma amarra ao estilo que o faça ser centro das atenções em algum momento. O instrumental é excelente em reunir todas essas vibes harmonicamente. As guitarras são densas e pesadas, exatamente como deveria ser no estilo, de forma que nenhum tremelo é ouvido isoladamente, mas apenas como parte de uma orquestra brutalmente fria e nefasta. Abyss, sexta faixa do disco e minha preferida, por exemplo, abre com um riff absurdamente maravilhoso que reúne todas as características que eu poderia elogiar nas guitarras da banda. A bateria cadencia quase o tempo inteiro, mas quando precisa ser mais violenta, o é de forma bem precisa e as variações de ritmo são excelentes e respondem maravilhosamente bem ao que esperamos ouvir. Trechos mais acústicos, clássicos do estilo, estão presentes o tempo todo e são executados de forma que o peso não se dissolve completamente com eles. Essa característica torna as músicas incrivelmente fluidas e o disco muito bem coeso, ainda que tenha músicas extensas como Wander com seus 22 minutos.

O vocal, no entanto, poderia ser mais flexível. Quase o tempo inteiro em que rolam vocais rasgados agudos eles parecem mal colocados. Os momentos de sussurros e vocais mais graves recaem muito melhor. A saber de bandas como Deathspell Omega, não são vocais rasgados que fazem do Black Metal, Black Metal de verdade, então realmente não me incomodaria se isso mudasse. Mas a interpretação do vocalista Olle é excelente, independentemente disso. Quando é preciso colocar raiva e intensidade, isto é posto de forma crucial. Em momentos mais intimistas, os sussurros e murmúrios recaem como mais um instrumento em meio a toda a atmosfera, também como exatamente deveria ser.

Forlorn é um excelente disco para quem, como eu, estava sedento de Black Metal atmosférico e um pouco carente de bandas no estilo que não caíssem diretamente no DSBM. Apesar da melancolia, o disco traz uma vibe mais obscura e sinistra que necessariamente depressiva. Certamente no entanto não estamos de frente a uma banda original ou completa, há muitos elementos onde o grupo pode evoluir e suas sonoridade ainda nos remete a clássicos do estilo em muitos momentos. Mas a incorporação de elementos do Dark Ambient pelo instrumental é fantástico. Nos últimos tempos poucas vezes, fora os trabalhos de projetos absurdos como o Gnaw Their Tongues, eu senti o peso que essa vibe tem. Então Forlorn sem dúvida passou no crivo.



Tracklist:

1: Hourglass 3:20
2: Wander 22:20
3: Passage 5:13
4: Frozen 8:44
5: Eternal 8:07
6: Abyss 11:29
7: O 2:31


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Compre: Bandcamp

terça-feira, 17 de maio de 2016
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Anohni - Hopelessness

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Gênero: Pop/Eletrônico
País: EUA
Ano: 2016

Comentário: Por trás do nome Anohni está Antony Hegarty, um artista transgênero que fez sua carreira à frente do Antony & the Johnsons, um grupo musical novaiorquino que conquistou certo sucesso, especialmente em 2005 com o álbum I Am A Bird Now. Anohni é dona de uma voz estupidamente incrível, e isso já deveria convencer qualquer um de ouvir Hopelessness. Mas tem muito mais aqui.

Anohni é um indivíduo transgênero, e como tal (como qualquer cidadão com mínimo de consciência, capacidade crítica e pensamento independente deve saber) sofre preconceito, opressão e marginalização pelos poderes políticos e paradigmas sociais vigentes. Dessa forma, não é surpreendente a posição política indignada e revolucionária da cantora,  que se mistura docemente a melodias pop e melódicas lambuzadas pela sua voz grave e encorpada. As letras são tão explícitas que tornam o som quase experimental, ainda que não pretenda exatamente ser. Temos aqui músicas como "Watch Me", que versa sobre perseguição governamental, "Execution" que versa sobre exatamente o que parece, execução, e como penas capitais unem culturas supostamente tão diferentes quanto os Estados Unidos e a Coréia do Norte ou ainda "Drone Bomb Me", que nas próprias palavras de Anohni: "É uma canção de amor na perspectiva de uma menina afegã de nove anos cuja família foi morta por uma bomba atirada por um drone. Ela está olhando pro céu, enquanto se vê pedindo para ser morta por uma bomba também".

E para jogar tudo isso na sua cara hétera, branca e de classe média, ainda tem um clipe com a Naomi Campbell:

Drone Bomb Me - by ANOHNI from nabil elderkin on Vimeo.

Lágrimas devidamente escorrendo pela cara, ainda vale dizer como a voz diferenciada de Anohni também contribui, claramente tão transgênera quanto a cantora, para criar uma atmosfera desconfortavelmente melódica. O instrumental é eletrônico e suave, mas devidamente quebrado a gosto de Oneothrix Point Never e Hudson Mohawke, que participam do disco. Se você os conhece, já sabe que pode esperar baixos poderosamente profundos de Mohawke e as edições pouco convencionais de Oneotrhix, que tornam o vocal de Anohni ainda mais desconcertante. É inclusive contraditório rotular esse disco como 'Pop', e o faço por mera incapacidade de escolher gênero melhor, por que a sonoridade do disco é demasiada intensa para ouvidos populares. É como se Anohni na verdade quisesse ter mesmo é uma puta banda de grindcore berrando loucamente as mais revolucionárias e odiosas letras, mas por mero capricho ou teimosia encapsula tudo isso num pop melódico radialístico. E isso é maravilhoso. Diga-se de passagem, desde 2006 a cantora faz colaborações com o Current 93, por exemplo, o que já é sinal que há muito mais aqui do que mero pop.

O disco é inteiramente fantástico e certamente figurará entre tops de 2016. E a fórmula com que vem consegue levar críticas à ouvidos que dificilmente as ouviriam de outra forma. E a melhor parte é que apesar da politização das letras, todas as críticas são sobre coisas tão claramente óbvias que ficam acima de espectros políticos. Difícil superar esse álbum e a forma com que nos faz ao mesmo tempo nos deliciar e nos incomodar com nossas hipocrisias. O que é totalmente necessário.



Tracklist:

1. "Drone Bomb Me"   4:10
2. "4 Degrees"   3:51
3. "Watch Me"   3:26
4. "Execution"   3:38
5. "I Don't Love You Anymore"   5:00
6. "Obama"   4:11
7. "Violent Men"   2:10
8. "Why Did You Separate Me from the Earth?"   3:36
9. "Crisis"   4:42
10. "Hopelessness"   3:54
11. "Marrow"      3:01

Ouça no Spotify.


terça-feira, 12 de abril de 2016
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La Dispute - Somewhere at the Bottom of the River Between Vega and Altair

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Gênero: Post-Hardcore
País: EUA
Ano: 2006

Comentário: Por mais datado que soe o gênero "Post-Hardcore" num contexto "2008", os primeiros acordes já denunciam novidade e a constatação que La Dispute é muito mais que uma banda de Post-HC. Especialmente pela fervorosa adoração com os quais muitos fãs da banda se apresentam, e isso foi a primeira coisa que me chamou atenção sobre o grupo. Raramente tal furor é infundado.

Este álbum que vos apresento foi o primeiro Full-Lenght da banda depois de um intenso EP, Vancouver, de 2006. A levada é mais rápida que os futuros lançamentos do grupo, mais Post-Hardcore em si, porém os elementos mais importantes da banda já se fazem presentes: o liricismo do vocalista Jordan Dreyer, a influência massiva do Jazz e o spoken-word. Dreyer, de fato, antes da banda já era poeta e isso foi transportado para o La Dispute na forma ainda de um vocalista versátil, que consegue susurrar, berrar e cantar de forma característica dentro de um nicho onde quase todos os vocalistas tentam soar o mesmo. Uma das primeiras coisas notáveis na sonoridade da banda é a praticamente initerrupta sequência de versos na maioria das músicas. Há poucos momentos somente instrumentais - embora eles existam e sejam tão poderosamente poéticos quanto os versos. No geral, as palavras são metralhadas em nós sem piedade. O que de certa maneira é até cruel, dada a sinceridade e intensidade da poesia de Dreyer.

Enquanto a poesia é cantada ou declamada, o instrumental da banda acompanha. Por vezes dissonante e intenso, o clima que mais fica na cabeça, no entanto, é uma melodia cadenciada e atmosférica, altamente influenciada pelo ritmo spoken-word de muitos trechos de músicas da banda. Em termos gerais, a capacidade do La Dispute de absorver o ouvinte é um absurdo. A transição entre vocais mais lentos e berros é tão suave e bem colocada que a previsibilidade nesse caso é extremamente prazerosa. A vibe de "desabafo" é algo totalmente constante na discografia da banda e essa mistura é crucial pra que isso se construa.

Somewhere... é uma excelente maneira de começar a entender o La Dispute, e daí partir pro resto da discografia. De preferência e quase obrigatoriamente, devidamente acompanhado as letras ao mesmo tempo para total e absoluta degustação da banda. Definitivamente não recomendo, no entanto, se você não quiser correr o risco de dar de cara com machucados internos. Mas se o seu dia já está indo dessa pra uma melhor, caia dentro e vá até o fundo de vez.



Tracklist:

1."Such Small Hands"  1:35
2."Said the King to the River"  4:01
3."New Storms for Older Lovers"  4:59
4."Damaged Goods"  2:55
5."Fall Down, Never Get Back Up Again"  2:45
6."Bury Your Flame"  4:35
7."Last Blues for Bloody Knuckles"  5:00
8."The Castle Builders"  2:46
9."Andria"  4:20
10."Then Again, Maybe You Were Right" 1:36
11."Sad Prayers for Guilty Bodies"  3:46
12."The Last Lost Continent"  12:02
13."Nobody, Not Even the Rain"  1:10


Ouça aqui: Spotify
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
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Gnaw Their Tongues & Dragged Into Sunlight - N.V.

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Gênero: Black/Doom Metal/Noise
País: Holanda / Reino Unido
Ano: 2015

Comentário: Dragged Into Sunlight uma banda de Black/Doom Metal das mais doentias, com vocais rasgados, cadencias pesadíssimas e com um pé no Grind. Gnaw Their Tongues, por outro lado, é o nome com o qual Maurice de Jong, ou Mories, como se auto-intitula, executa um dos mais obscuros formatos de Noise, um Dark Ambient desconcertantemente variado, imersivo e mórbido. N.V. é a mistura dessas duas vibes que simplesmente nasceram pra que essa união acontecesse.

Em 2011 as duas entidades se uniram, inicialmente como uma forma de tributo ao Godflesh e seu seminal Industrial. N.V. é o debut dessa colaboração, fruto da edição de mais de três horas de material em pouco mais de meia hora de disco. O Dragged Into Sunlight tem por hábito usar diálogos de serial killers e assassinos em suas músicas (não necessariamente uma novidade no Metal), mas nesse álbum é que realmente esses diálogos encaixam perfeitamente com a música. A forma fria e metódica que se ouve falar da morte pela boca de criminosos bárbaros é exatamente a atmosfera do disco. Algo tão extremo que parece errado, mas ao mesmo tempo artisticamente prazeroso pra aqueles que se interessam por esse nível de obscuridade.

A união das duas bandas é tão fantástica que praticamente nada se perde de nenhum dos dois lados - as músicas seguem essencialmente a mesma fórmula de sempre do Dragged Into Sunlight ao mesmo tempo que soam completamente sinceras e coerentes com o Noise sinistro do Gnaw Their Tongues. A bateria come solta, dando trégua apenas nas partes mais cadenciadas onde o peso absurdo das guitarras gravíssimas tomam conta. As guitarras vem acompanhadas de sons bizarros, nauseantes e hipnóticos do Dark Ambient, abusando de dissonâncias para dar mais ênfase ainda na atmosfera obscura.  Enquanto isso, os vocais estrangulados do Dragged Into Sunlight ficam ainda mais profundos e sinistros cobertos de distorção. Nos trechos mais extremos, as guitarras e as baterias se sobressaem, até o momento onde o Noise e o Dark Ambient lentamente vão tomando conta e a música vai afundando numa dissonância grave e sinistra, com os vocais rasgados colaborando para o absurdo acontecer. Aí entram os trechos mais cadenciados, com vocais graves e profundos e diálogos dos assassinos. É deliciosamente assustador. Ainda há momentos onde o Ambient sobressai, com as guitarras mais caladas, mas com a bateria e os vocais do Dragged Into Sunlight fazendo parte de uma tensa e sinistra parede sonora.

Os próprios autores da obra declaram o disco como um tributo a genialidade do Streecleaner do Godflesh e sua influência na música extrema. Justin Broadrick inclusive finalizou a produção do disco. A arte da capa é assinada por Seldon Hunt, que trabalhou com bandas do naipe de Khanate, Neurosis, Sunn O))) e afins (apesar de que, né, está ali mais pela referência do que pela arte em si, que não é nada demais). A melhor parte de N.V. é o álbum fazer parte de uma direção maravilhosa que algumas bandas de metal tem tomado, que é buscar sonoridades mais extremas não no Metal em si, mas no Industrial e no Noise. Não que isso seja novidade, vide o próprio Godflesh, mas isso parecia ter se apagado por algum tempo e agora volta potente com a vibe "crust" de muitas bandas de Black Metal dos anos 10 do séc. XXI. Que tudo se afunde cada vez mais nessa escuridão.





Tracklist:

1. Visceral Repulsion 05:50
2. Absolver 07:54
3. Strangled with the Cord 05:16
4. Omniscienza 06:40
5. Alchemy in the Subyear 06:41


Ouça:

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
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Os Melhores Discos de 2014 por Forbidden (ou o Forba)

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2014 foi o ano mais mortífero das últimas décadas mas nem por isso o ignes está morto: estamos de volta com mais um top 2014. Só que depois de tantos anos fazendo tops conjuntos, decidimos dessa vez deixar a escolha mais particular e abrir horizontes pra tantos e tantos discos que acabavam não aparecendo na lista final, mas estavam encravados nos corações de membros do blog. Começando hoje, e ao longo das próximas semanas, postaremos nossos top 2014 individuais e com isso esperamos abrangir os mais diversos estilos e vibes que compõe nosso maravilhoso blog. E quem começa sou eu, Forba, o membro mais ancião desta casa.

O formato é simples: um top 15 com destaque para o "pódio". Sempre é desnecessário lembrar: a escolha é pessoal e a ordem não faz tanta diferença. Só queremos fazer o que sempre fizemos, divulgar pra mentes como as nossas aquilo que achamos genial.

Pois então, comecemos.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014
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Heaven Shall Burn - VETO

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Gênero
: Melodic Death Metal/Metalcore
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Num surto de vontade, cá estou eu postando no meio da madrugada um disco que eu ouvi mais do que esperava ano passado, e que vem de uma das bandas mais interessantes do metal atual. Seja pelo seu peso absurdamente característico do metalcore alemão, que tem pés fincados fortemente no Death Metal Melódico de bandas como At The Gates e Carcass (ou seja, sem vocais limpos aqui, mas muitos riffs pegajosos por todos os lados) ou pela sua temática política fortemente de esquerda.

VETO é o sétimo full-lenght da banda e mostra um grupo maduro, que explodiu com o bombástico Antigone (2004), um disco que abusava de palavras de ordem e riffs que oscilavam entre o famoso "para e vai" dos grooves do metalcore e levadas melódicas entre uma centena de palm mutes. VETO possui a mesma pegada clássica da banda, que são riffs baseados em uma pegada pesadíssima, mas com um background histórico e temáticas muito mais profundas que os discos anteriores da banda. Especialmente pela figura icônica de Lady Godiva, personagem de uma lenda - com requintes históricos - datada no século XIII, de uma nobre inglesa empenhada a convencer seu marido, Leofric, Conde da Mércia, a reduzir impostos sobre a região que governava, asolada por fome e miséria. A lenda conta que, após muita insistência de Godiva, Leofric desafia a esposa a desfilar nua pelas ruas da cidade, montada a cavalo, para que o desejo de Godiva fosse atendido, em tom irônico e sarcástico. Godiva então ordena que todos os cidadãos não saiam de casa e fechem as janelas (afinal, considere que estamos em plena Idade Média) e faz a vontade do marido, que acaba acatando o desejo da Lady, impressionado pela coragem inabalável da esposa e em honra com sua promessa.

Coragem e resistência são palavras recorrentes na lírica do Heaven Shall Burn, e a história de Lady Godiva cai como uma luva. Assim como o título do álbum, VETO - latim para "Proibo" - que é mais uma palavra forte, poderosa e intensa no léxico da banda alemã. As letras são intensas, violentas e cativantes. Os trechos mais intensos do instrumental sempre coincidem com versos mais pegajosos e incitadores, coisas como anti-tirania, defesa das minorias e enfrentamento da autoridade são comuns e largamente disseminadas.

Mas se muito foi dito do instrumental e da lírica, não se pode encerrar-se a resenha sem ser comentado sobre a técnica e o vocal de Marcus Bischoff, que é um monstro dos vocais de rasgados do metalcore, levando-os ao patamar de serem mais intensos e violentos que qualquer banda de Death Metal. Oscilando entre um mais comum rasgado agudo até graves grunhidos, o vocal de Marcus é sempre perfeitamente preciso o suficiente para que as letras são se percam em desnecessárias distorções vocais. Dessa forma incrível, nem mesmo o mais raivoso berro insandecido de raiva mascara a mensagem que a banda quer passar. O vocal de Marcus é, portanto, imprescindível na sonoridade do Heaven Shall Burn.

E nada melhor que ser surpreendido no meio do disco por um cover do Blind Guardian, Valhalla, e seus improváveis vocais limpos em meio ao gutural incrivelmente afinado e tremolos de guitarra. VETO é um must de 2013 que temo ser menos reconhecido do que deveria.




Tracklist:

1.Godiva 04:19
2.Land of the Upright Ones 04:08
3.Die Stürme rufen dich 03:59
4.Fallen 04:29
5.Hunters Will Be Hunted 05:59
6.You Will Be Godless 03:10
7.Valhalla (Blind Guardian cover) 05:29
8.Antagonized 03:33
9.Like Gods Among Mortals 04:20
10.53 Nations 04:06
11.Beyond Redemption 05:46

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014
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Esplendor Geométrico - Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza

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Gênero
: Industrial
País: Espanha
Ano: 1985

Comentário: Esplendor Geométrico é uma banda espanhola formada em 1980, em Madrid. O grupo retira seu nome de uma obra de Filippo Tommaso Marinetti, considerado fundador do Futurismo, um movimento surgido na Itália no início do século XX que exaltava a modernidade de forma profética: a agitação das metrópoles, a violência urbana, a juventude precoce, os avanços tecnológicos, e tudo isso estava nas pinturas, esculturas e todas as outras formas artísticas que o futurismo abrangiu em seu auge. Pensar que todas essas características tão próprias do nosso tempo eram completamente alienígenas para a mentalidade do final do século XIX e início do século XX, mas, ainda assim, estavam presentes no Futurismo italiano, é no mínimo estarrecedor. Não por acaso, no entanto, o futurismo, otimista como aparentava, definhou quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Esplendor Geométrico, a banda, surge justamente em 1980, uma década onde brincar com a antimusicalidade ganhou nome: Industrial.  E antimusicalidade era tão vanguardista quanto pintar quadros de uma realidade décadas à frente, ao menos quase 35 anos atrás. Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza é o segundo full-lenght do grupo, e o primeiro lançado pelo seu selo próprio,  Esplendor Geométrico Discos.

O álbum é cru e visceral, mas cadenciado de forma magistral. Usando sonoridades industriais e metálicas, Esplendor Geométrico consegue criar paisagens sonoras destrutivas e incrivelmente concretas, com estruturas construídas de forma a envolver e prender. Faixas como Comisario de Luz IV são exemplos de um uso genial da manipulação de sons concretos, analógicos e crus em uma época onde praticamente tudo que era feito nessa área eram experimentos baseados na tentativa e erro de se aproximar de alguma coisa vagamente musical (ou o mais longe disso possível). A abstração aqui é completa. Mesmo que o peso do som seja monstruoso, seu uso cadenciado abre espaço para um vazio psicológico onde nossos pensamentos complementam a sonoridade.

O maior trunfo do disco, pra mim, é a percussão, formada essencialmente de uma seleção cuidadosa de sons concretos. E assustadoramente moderna, precisa e pesada. Impossível escutar sem sentir-se envolvido e preparado para toda e qualquer barulhada bizarra que apareça subitamente no caminho. E isso é incrível. O último lançamento da banda foi em 2011, mas este disco aqui permanece e permanecerá inalteradamente clássico.


Tracklist:

1 - Comisario De La Luz I 4:57
2 - Comisario De La Luz II 5:18
3 - Comisario De La Luz III 4:30
4 - Comisario De La Luz IV 4:59
5 - Blanco De Fuerza I 9:12
6 - Blanco De Fuerza II 3:37
7 - Blanco De Fuerza III 4:48
8 - Blanco De Fuerza IV 4:21
Bonus Tracks da versão em CD, lançada em 2011:
9 - Noising In The Rain I 5:52
10 - Noising In The Rain II 5:04
11 - Noising In The Rain III 4:12
12 - Noising In The Rain IV 3:05


Download:

135 Mb, 320 Kbps: MEGA
domingo, 1 de junho de 2014
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Anathema - Distant Satellites

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Gênero
: Progressive/Atmospehric Rock
País: Inglaterra
Ano: 2014

Comentário: Pouparei-me de comentários acerca da biografia do Anathema, uma banda tão importante pra esse blog que se você está aqui muito provavelmente ou você já a conhece e é fã ou em breve tornar-se-á. Distant Satellites é o mais recente de uma vasta discografia de álbuns de estúdio e uma série de outros releases da banda inglesa que ajudou a consolidar o Death/Doom Metal no início dos anos 90 e posteriormente gradativamente migrou para uma sonoridade caracteristicamente melódica e melancólica, tocando as raias do Atmospheric Rock, Prog Rock, Post Rock e similares, porém com um toque completamente original e intenso especialmente criado pelo guitarrista e principal compositor da banda, Daniel Cavanagh. Nos últimos anos a sonoridade do Anathema recebeu uma série de inovações, como a inclusão definitiva de Lee Douglas, fazendo vocais femininos em par com os já característicos vocais apaixonados de Vincent Cavanagh, e um toque mais progressivo à sonoridade - que não é algo exatamente novo, desde de pelo menos A Natural Disaster em 2003 a sonoridade do Anathema é profundamente progressiva, pra não dizer antes.

E não por acaso, A Natural Disaster é, particularmente, meu álbum favorito do Anathema. Especialmente pela mescla harmoniosa de melancolia e abstração atmosférica, inclusive com elementos mais exóticos como leves toques eletrônicos. No entanto, desde 2010, com o lançamento de We're Here Because We're Here, o Anathema recebe a colaboração na produção de Steven Wilson, produtor e músico inglês conhecido pelos seus trabalhos solo, inúmeras colaborações, outras produções de bandas como Katatonia e Opeth e especialmente pelo Porcupine Tree. Mas a presença de Steven Wilson na produção de qualquer disco sempre deixa marcas mais fortes que o normal. Se em We're Here Because We're Here as coisas soaram meio estranhas de começo, em Weather Systems, de 2012, já estávamos bem mais acostumados e tudo soou bem mais "anathema" e menos "steven wilson". Mas em Distant Satellites temos um gosto de estar ouvindo algo que não é o Anathema em alguns momentos. E, muito embora as bandas experimentarem novas sonoridades seja algo que eu fortemente apoio, essa "experimentalidade" influenciada pelo progressivo característico de Steven Wilson já está realmente me frustrando.

Distant Satellites começa com uma dupla de faixas perfeitamente similares ao disco anterior da banda, The Lost Song Part 1 e 2. Com destaque total a parte 2, com lindos vocais de Lee Douglas. Dusk (Dark Is Descending) animava fãs quando da divulgação da tracklist do álbum, pelo nome sugestivo e a capa do disco remetendo aos lançamentos primordiais da banda. Embora não tenha nada de old school na sonoridade, Dusk é uma boa faixa, talvez uma das melhores do disco. Ariel tem um clima nada surpreendente, porém perfeitamente agradável à fanbase da banda, e não decepciona - embora não cative. The Lost Song Part 3 tem uma pegada já bem mais progressiva, mas ainda mantendo a harmonia - especialmente com os vocais de Vincent e Lee aparecendo juntos e uma ótima percussão. Um pedaço da faixa já era conhecido pelos fãs previamente ao lançamento do disco, e em geral com boa recepção, e não frustra.

Porém, da metade pra frente o disco se transforma em algo que mais parece um experimento de Steven Wilson que um disco do Anathema. Anathema, em si, é uma faixa onde o clima como um todo começa a perder o feeling e se tornar mais focado no instrumental que nos vocais. O que só seguraria o feeling do começo do disco se esse instrumental fosse realmente intenso e profundo, o que não é. Daniel Cavanagh ainda tenta manter o clima caraterístico com boas guitarras e solos, mas a avalanche de outros elementos, como os sinfônicos, eletrônicos e atmosféricos, tornam as coisas bem menos orgânicas e mais megalomaníacas do que deveriam ser. E isso, amigos, é a marca registrada do Steven Wilson. Em You're Not Alone essa experimentação extrapola todos os limites. Se no início da faixa a estranheza nos vocais ainda era plausível e até mesmo agradável, do meio pra frente a faixa é estragada com uma dose cavalar de progressividades nonsense que nada, absolutamente nada tem a ver com a sonoridade do Anathema. Fireflight, a próxima faixa, então é apenas um longo instrumental atmosférico baseado num orgão, servindo de meio que introdução para a faixa título, que vem a seguir.

Distant Satellites, a faixa, apesar de começar com batidas eletrônicas cheias de glitch, ainda fica bem interessante quando os vocais de Vincent começam a participar do experimento. Mas infelizmente o feeling não dura muito tempo nos 8 minutos da música, começando a ficar enjoativa logo cedo. Mas não me entendam mal, a batida eletrônica e os elementos em geral que compõem a música não me desagradam, apenas estão completamente mal organizados a ponto de desfigurar completamente a musicalidade do Anathema. Mesmo assim, Distant Satellites ainda é um máximo local no domínio das experimentações progressivas do disco, que fecha com Take Shelter, que como previsto para uma conclusão de um disco que da metade pra frente apostou em "progressividade", é uma viagem atmosférica sem muito a adicionar à experiência do álbum.

A influência de Steven Wilson em bandas como Katatonia, Opeth e agora Anathema é visível e inquestionável nos trabalhos que essas bandas criaram nos últimos anos. E isso, francamente, já está completamente saturado aos meus ouvidos particularmente. Incluir elementos experimentais e progressivos não é nada que me desagrade, porém sempre a mesma fórmula pra fazer isso torna tudo repetitivo e cansativo, algo que definitivamente a música progressiva não deveria ser. Distant Satellites, o disco, é uma experiência bipolar divida exatamente na metade do disco, com 5 músicas do Anathema que nós conhecemos e 5 músicas de um Anathema ainda muito estranho, que pode ser que eu me arrependa de dizer isso daqui alguns anos, mas que eu espero realmente que pare por aí. O disco termina sem nos dar vontade de ouvir novamente, embora eu recomende. Na segunda ouvida tudo pareceu menos trágico e as faixas iniciais mostraram-se não tão ruins quanto eu pensava. Mas nunca, jamais, escute o álbum fora de ordem.




Tracklist:

1. The Lost Song Part 1 (5:53)
2. The Lost Song Part 2 (5:48)
3. Dusk (Dark Is Descending) (6:00)
4. Ariel (6:28)
5. The Lost Song Part 3 (5:22)
6. Anathema (6:40)
7. You’re Not Alone (3:26)
8. Firelight (2:43)
9. Distant Satellites (8:17)
10. Take Shelter (6:07)

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sábado, 31 de maio de 2014
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Pictureplane - Thee Physical

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Gênero
: Witch House/Dreamwave/Experimental
País: EUA
Ano: 2011

Comentário: "Plano de Imagem" é não só a tradução do nome de estágio com o qual Travis Egedy se apresenta, como é também uma boa definição simplista do som criado pelo músico estadunidense. Sediado em Denver, o Pictureplane é uma das mais interessantes encarnações do Witch House, e uma das quais mais é complexo definir limites de gênero. Imagine uma tela branca a sua frente e vá pintando imagens psicodélicas ao ouvir o melódico som - quase um ~witchpop~ - de Travis

Passeando por Drum'n'Bass, House, Synthpop e mais uma miríade de variações da música eletrônica, o oceano de samples que Travis encaixa e sobrepõe para formar a musicalidade do Pictureplane se torna completamente imprevisível e inexplicavelmente harmonioso. O som é bem mais melódico que o gótico e obscuro Witch House costuma ser, sem no entanto deixar de ser inundado de sintetizadores densos, glitches e tudo mais que é marca do estilo.

No entanto, aqui temos um elemento alienígena crucial em todas as músicas: Vocal. Mas não um vocal limpo samplezado da maioria das bandas de witch house - muito embora isso também não seja completamente deixado de lado, como na faixa de abertura - e sim é extremamente baseado no estilo de vocal do Dreamwave, com ecos e reverbs cuidadosamente encaixados entre paredes densas de sintetizadores. Tal fato faz o já melódico instrumental do Pictureplane ainda mais doce e de fácil assimilação. E bastante original, até certo ponto, pois não chega a surpreender por nada além de sua boa composição e da temática. A lírica do projeto é junkie, psicodélica e ilimitadamente lisérgica. De amores transgêneros à críticas descompromissadas ao materialismo, a defesa de uma realidade abstrata e desprovida de preconceitos é unânime.

Thee Physical é o mais recente de seis álbuns de estúdio lançados por Travis desde seu debut em 2004. O músico, como a maioria dos artistas do gênero, "se comunica" através de seu Soundcloud, que é atualizado com regularidade com vários singles. Em suma, pra quem curte as viagens do Witch House, Pictureplane é uma trip melódica e cheia, lotada, abarrotada de feeling. Na dúvida, confira o clipe de Real Is A Feeling - que por sinal é um título mais que apropriado pro lisérgico som de Travis Egedy.




Tracklist:

1- Body Mod
2- Black Nails
3- Sex Mechanism
4- Touching Transform
5- Post Physical
6- Techno Fetish
7- Real Is A Feeling
8- Trancegender
9- Negative Slave
10- Breath Work
11- Thee Power Hand

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sexta-feira, 2 de maio de 2014
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Sol Invictus - In The Rain

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Gênero
: Neofolk
País: Inglaterra
Ano: 1995

Comentário: Tony Wakeford nasceu em 1959, na Inglaterra, e começou sua carreira musical no Punk Rock do Crisis, uma banda associada a extrema-esquerda, ao anti-fascismo e afins. Na época, Tony inclusive fazia parte da SWP (Socialist Workers Party - Partido Socialista dos Trabalhadores), um partido inglês (obviamente) de esquerda.

Porém, em 1980 a Crisis tinha seu fim e após um breve período, em 1981, Douglas Pearce, Tony e Patrick Leagas formam o Death In June. Na mesma época, no entanto, Tony Wakeford se tornou parte da British National Front (NF), uma entidade de extrema-direita (só para brancos) representativa até os dias atuais. Essa mudança de visão (e ativismo) política causou sua expulsão do Death In June em 1984 (e uma série infindável de inimizades até hoje dentro da cena do Neofolk, sem contar os inúmeros artigos ligando o Sol Invictus ao Neonazismo que se encontram na internet - que eu vou deixar a cargo do leitor decidir se são coerentes ou não). O fato é que Tony se refere publicamente a sua participação na NF como: "provavelmente a pior decisão da minha vida" e em inúmeras vezes tentou se mostrar como oposto as doutrinas neofascistas, como em 2011, quando sob tentativas de terem seu show cancelado em Londers devido a acusações de neofascismo, declaram absolutamente taxativamente que são contra quaisquer doutrinas semelhantes, inclusive o Anarquismo Nacionalista. Porém vale lembrar que Tony ainda teve uma banda de post-punk na vibe sinistra dos primeiros trabalhos do Death In June chamada Above The Ruins cuja temática lírica muito se aproximava de da extrema-direita, logo após sua saída do grupo de Douglas Pearce.

Finalmente, em 1987, Wakeford forma o Sol Invictus, sua principal banda até hoje e uma das mais importantes formações do Neofolk. Com uma sonoridade muito mais neoclássica e menos marcial que o Death In June, no Sol Invictus Wakeford demonstra um talento indescritível, uma sensibilidade atemporal e uma profundidade ímpar. Ao longo de uma vasta discografia é difícil citar álbuns isolados, porém In The Rain se destaca a meu gosto pessoal e por isso vos posto aqui.

Lançado em 1995 o disco tem um clima soturno e melancólico, com melodias bastante folk, apocalípticas e sentimentalmente pesadas, ainda que os toques neoclássicos dos instrumentos eruditos sempre presentes torne tudo romântico, de certa maneira. O vocal de Wakeford é soturno e belo, e as letras da banda nos levam a cenas distópicas ainda que abstratas, como se sentimentos pudessem ser devastados. Faixas como Down The Years possuem ainda refrões pegajosos e versos cativantes. O uso do violoncelo no disco é mais do que sublime, especialmente por ser um instrumento bastante grave e a sonoridade da banda de maneira geral soar bastante grave. A duração do disco é outro ponto positivo, são 13 faixas em geral mais longas que o normal, porém equilibradas com interlúdios e faixas mais curtas que tornam o disco bastante agradável de se ouvir linearmente - inclusive recomendo fortemente.

Acima de controvérsias políticas, Sol Invictus é uma das mais importantes bandas do estilo, especialmente por sua influência seminal no estilo. In The Rain é um dentre vários incríveis álbuns lançados pela banda e vale a pena ser ouvido por iniciantes no estilo. E apesar de controversa, a figura política de Wakeford é um excelente parâmetro para o que é o Neofolk: um estilo imerso em diversas siglas políticas europeias e um campo minado para quem leva a sério isso na música. Para ouvidos despreocupados, Sol Invictus é uma experiência musical inigualável, já para ouvidos e cérebros interessados, a biografia de Wakeford é um bônus. 


Tracklist:

1 Europa In The Rain I 1:06
2 Stay 4:47
3 Believe Me 3:52
4 Down The Years 4:22
5 In The Rain 4:41
6 Fall Like Rain 6:28
7 Oh What Fun 2:55
8 An English Garden 4:11
9 The World Shrugged 4:12
10 In Days To Come 4:03
11 Europa In The Rain II 3:18


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quarta-feira, 30 de abril de 2014
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P.H.O.B.O.S. - Tectonics

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Gênero
: Industrial/Doom Metal/Experimental
País: França
Ano: 2005

Comentário: Antes de mais nada, se faz mister a distinção: 'industrial' aqui é aquele industrial corrosivo e altamente experimental, que deu origem a uma multitude de estilos cada vez mais experimentais e corrosivos como o Noise e o Dark Ambient, e não aquele 'industrial' a qual nos referimos quando se tratando de EBM. Portanto P.H.O.B.O.S. não é mais uma daquelas bandas de Industrial Metal que resolveram ter a idéia de mesclar EBM e Metal. P.H.O.B.O.S. é uma das mais intensas, potentes e devastadoras formas de se fazer Metal já compostas, calcando-se totalmente no Noise, no Dark Ambient e no Industrial dos anos 80.

Formada em 2000, a banda foi criada por Frédéric Sacri e Philipe Gerber, em Paris, ainda que somente Frédéric permaneça na banda até hoje. Em 2003 a banda fez sua primeira aparição ao vivo, mas desde então estas continuam sendo raras. A escolha de tudo na banda é criteriosa e precisa: Phobos é o filho de Ares, o deus grego da Guerra, e representa o Medo. Ao lado de seu irmão divino Deimos, que representa o Terror, ambos nomeiam as duas luas de Marte (que é a versão romana de Ares). Phobos representa o pânico que a Guerra trás e, nos mitos, guerreava ao lado de seu pai. Como bem sabemos pelo Martial Industrial, poucas coisas combinam tão bem com industrial como a Guerra. E por que não, o medo? Não raramente os vocais rasgados estridentes na musicalidade do P.H.O.B.O.S. nos instigam um desconforto característico do pavor. Mas se não bastasse isso, ainda há samples de gritos desesperados de dor e terror espalhados por cada nota de guitarra abafada ou batida industrial da percussão da banda.

E em falando de percussão, nenhum título é mais apropriado pra esse álbum quanto "Tectonics". As guitarras no disco são completamente coadjuvantes, num mar de espancamentos industriais percussivos banhados em noise, completamente hipnóticos. A magia causada pela mistura da percussão no front e os vocais e guitarras no background é completamente envolvente, ainda que cause dores de cabeça nos desavisados. Tectonicamente imprimindo suas batidas compassadas de maneira simetrica, porém nada convencional ou previsível, as faixas do disco vão se desenrolando uma mais pesada que a outra.

Mas a música do P.H.O.B.O.S. não é somente cru e visceral, ela também é melódica. Nas profundezas da sonoridade da banda existem acordes melódicos, algumas vezes até lembrando a distorção do Nadja. Isso não torna, no entanto, o disco algo completamente imprevisível - em fato logo na terceira faixa tudo que o P.H.O.B.O.S. tem para oferecer em Tectonics já está posto na mesa. Mas ao mesmo tempo, o disco é exatamente o tipo de coisa para se ouvir com o real intuito de ouvi-lo - portanto nas segundas e terceiras ouvidas o disco cresce absurdamente. Especialmente pelo fato que ficará óbvio com qual humor este deve ser ouvido, em quais circunstâncias e em quais ambientes.

Infelizmente bem pouco divulgado, o trabalho de Frédéric deve ser mais disseminado aos fãs de Metal e Industrial, por que além de extremamente bom é uma das mais perfeitas justaposições dos dois estilos, sem exagerar em nenhum lado. Exageros esses que não se tornaram raros, mesmo num mar de tentativas de fazer essa junção anteriormente.

A banda após esse disco lançou ainda mais dois full-lenghts, onde a sonoridade foi um pouco mais desenvolvida, e esse ano está pra lançar um split com nada menos que o Blut Aus Nord, uma das mais incríveis e pioneiras bandas do Post-Black Metal. Definitivamente aguardando ansiosamente. E além de tudo isso, a arte visual da banda ainda é fantástica, o que pode ser conferido no merchandise da banda, aqui. Realmente é mais uma das coisas que me faz lamentar terrivelmente a disparidade de valor entre o Euro e o Real.




Tracklist:

1. Nietzschean Dynamics 01:44
2. Gregarious 07:11
3. Wisdoom  07:14
4. Monochrome Red 09:21
5. Engulfed In Subduction 04:02
6. Nihil Credo 07:30
7. Inseminator/Matrix 10:22
8. Dormant/Dead End 10:43


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quinta-feira, 6 de março de 2014
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Kiss The Anus Of A Black Cat - Hewers Of Wood And Drawers Of Water

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Gênero
: Neofolk
País: Bélgica
Ano: 2010

Comentário: Formada em Gent, Bélgica, em 2004, o Kiss The Anus Of A Black Cat foi felícíssimo ao escolher seu nome. Derivado de um ritual mágico de bruxas medievais, nada encaixa melhor na sonoridade mística da banda, apesar da nossa visão moderna nos forçar a achar estranho.

A temática do grupo é, em todas as formas, mágica: xamanismo, ocultismo, bruxaria, satanismo; tudo se encaixa numa vibe totalmente ritualística. As músicas tem levadas hipnóticas, com bases acústicas e os vocais trêmulos, intensos e maravilhosos de Stef Heeren. Quando achamos estar diante de algo leve e sadio, rapidamente as músicas se tornam máquinas do tempo nos levado a uma obscura Europa medieval, onde o limite entre o explicável e o inexplicável era muito mais tênue. Não é um Neofolk bruto, apocalíptico ou desolador, mas é totalmente imersivo e orgânico como deveria ser.

Hewers Of Wood And Drawers Of Water é de fato o quarto lançamento da banda, e para muitos perde um pouco da essência original do grupo. Eu particularmente considero um disco entre a distopia de um Death In June e a melodia romântica de um Rome. Kiss The Anus Of A Black Cat se disfarça bem de acessível, mas é opressivo o suficiente pra não o ser. Psicodélico também o é, mas é monocromático ao mesmo tempo. Ainda há de se citar o uso magistral de elementos de rock psicodélico, como os ocasionais teclados, que incentivam a sensação nostálgica na sonoridade do grupo, sem perder de forma alguma a organicidade que o Neofolk necessita. Tudo é combinado de forma exata e coesa.

Já vejo os sátiros correndo em círculos à minha volta.



Tracklist:

1. Hewers of Wood and Drawers of Water 04:52
2. All Your Ghosts Are Worried 03:24
3. Argonaut and Magneto 04:51
4. Harrow  05:17
5. Veneration 05:00
6. Taking the Auspices 05:58
7. Feathers of the Wings of the Angel Gabriel 04:22
8. All the Heroes Run in Amour  03:14
9. Wander and Waiver 02:17

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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oOoOO - Without Your Love

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Gênero
: Witch House/Chillwave/Ambient/Experimental
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: oOoOO é a alcunha pela qual se apresenta Christopher Dexter Greenspan, um rapaz estadunidense que inciou as atividades do projeto em 2008 e é considerado, ao lado especialmente do Salem, como um dos percussores do Witch House. Without You Love é o primeiro e único full-lenght do projeto até a data, lançado ano passado.

A sonoridade do oOoOO foge aos padrões do Witch House como conhecemos pelo Salem ou por outros projetos com nomes mais legais como †‡† (Ritualz) ou ~▲†▲~ (Xwxwxwxwv), sendo extremamente intimista, cadenciado e ambient;  úmido como deveria ser, mas não tem toda a densidade opressiva do Witch House, dando lugar a um ambiente leve e romântico. Mas ao mesmo tempo é obscuro, intenso e instigante. Toda a edição de vocais é simplesmente maestral para sintetizar a sonoridade mais essencialmente dreamy possível.

Ao longo do disco de pouco mais de 40 minutos somos convidados a um ambiente onde tudo soa familiar, ainda que distorcido como numa trip alucinógena entorpecente. O Witch House tem o dom de arrombar a realidade com uma sonoridade totalmente alienígena, mas em oOoOO isso não é nada violento, muito pelo contrário, e esse é todo o diferencial. As batidas não são pesadas, opressivas - são instigantes. Comparando com outros trabalhos na cena, é seminal mesmo que tenha sido lançado a menos de um ano. O Witch House tem muito a oferecer e a se recriar, e oOoOO é um dos expoentes disso tudo.

Without Your Love tira seu nome de um filme francês dos anos 70 para complementar mais ainda sua melancolia. Muito provavelmente é algo do tipo ame-ou-odeie, e certamente pede o clima correto para sua apreciação. Mas vale a pena a experiência de passar alguns minutos numa dimensão onde a música tem outra cara. Dark Wave at its finest, ainda que hoje em dia chamemos isto de outro nome.



Tracklist:

1.Sirens  5:43
2.Stay Here  4:05
3.3;51 AM  2:46
4.Without Your Love  3:15
5.On It   3:52
6.Crossed Wires  3:37
7.Mouchette  3:21
8.The South  3:08
9.Misunderstood  4:36
10.5;51 AM  1:23
11.Across A Sea  5:01


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
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Disemballerina - Disemballerina

2 comentários

Gênero
: Neofolk/Doom Metal ("acústico")
País: EUA
Ano: 2010

Comentário: Já aviso logo: quem ao menos parou pra ler com mais atenção o gênero dessa banda aí encima, e portanto tem algum remoto interesse em Neofolk, Neoclássico, Música de Câmara, Doom Metal e bandas na linha do Agalloch, vai com certeza absoluta encontrar em Disemballerina uma nova banda favorita. Ah, e como o texto será um pouco longo, já vai ouvindo o que lhe aguarda com essa demo enquanto lê o contexto, pra ter certeza que vai valer a pena ficar até o final:



Dito isto, vamos em frente. Disemballerina é um projeto elaborado por inicialmente três individuos: Ayla Holland (Violão, Banjo e Bandola), Myles Donovan (Viola, Harpa e Mandola) e Jennifer Christensen (Violoncelo), mas que atualmente conta também com Marit Schmidt (Viola) - se eu tiver dito alguma besteira aqui, por favor me corrijam, encontrei pouca coisa precisa sobre a formação atual da banda. A cidade donde vem a banda já conta grande parte de sua história: Portland. Aos mais chegados, a região de Portland é pivô de uma das mais interessantes cenas de Black Metal atuais, o chamado Cascadian Black Metal. Para os desavisados, é uma corrente de bandas com temáticas bem próximas do Neofolk europeu, musicalidade e intensidade, como Agalloch, Fell Voices e Wolves In The Throne Room. Mas apesar de eu ter citado o Black Metal, essa vibe tomou conta cena musical de Portland e é lotada de bandas intimistas e com temáticas filosóficas e profundas, dos mais variados estilos, desde o Sludge Metal até a música de câmara, como é o caso aqui. Fora da região de Cascádia, o maior expoente dessa musicalidade é sem dúvida o Drudkh.

Mas por quê Cascadian? Cascádia é uma região entre os Estados Unidos e o Canadá, à beira do pacífico, que revela um movimento independentista desde o século XIX, e que hoje em dia reside sua motivação à independência num projeto chamado por muitos de "eco-socialismo". Cascádia é lar de diversas reservas naturais, e estando ela dentro de dois países com um voraz capitalismo predatório, não é de se surpreender que lá exista muita gente querendo governar a si próprio. E também não surpreendentemente, então, a música produzida nessa região tem uma proximidade fantástica do neopaganismo europeu e da melancolia da fuga para a floresta. 

Disemballerina entra nessa história como uma banda formada por, como vocês já notaram, instrumentistas eruditos, mas com toda a vibe Cascadiana intacta. Tanto a influência cavalar e monstruosa do Neofolk, quanto a melancolia do Doom Metal e até mesmo a violência do Black Metal estão sumarizadas na sonoridade do grupo, ainda que numa fórmula totalmente inortodoxa. Projetos com músicos eruditos se aproximando da música extrema não são raros - Apocalyptica ta aí pra (desmoralizar) provar isso - mas francamente eu nunca ouvi nada como essa demo do Disemballerina. Sim, essa é uma demo, embora tenha seus 31 minutos de duração. Tudo aqui é emocionante, belo e poderoso. Poderosa é a melhor palavra para descrever o Disemballerina, pois ela toca profundamente, intensamente e a sensação bucólica que imprime em nossa alma dura muito tempo depois de ouvida. Simplesmente, como eu disse no início, é algo completamente imperdível pra quem curte remotamente os estilos dessa banda e todo esse clima citado.

Pra felicidade geral, a banda deve lançar seu primeiro Full-Lenght em 2014. Aguardo mais do que ansiosamente.



Tracklist:

1- Saturn Return
2- Thieves' Oil
3- The Walking Dead
4- Drown
5- Hex

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
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Nachtmahr - Feindbild

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Gênero
: Industrial/EBM
País: Áustria
Ano: 2014

Comentário: Projeto solo de Thomas Rainer, famoso pelo L'âme Immortelle, o Nachtmahr vem sendo, desde que surgiu, em 2007, um dos mais intensos projetos de Industrial de toda a cena. E aqui quando se fala em "Industrial" se pensa em batidas REALMENTE intensas, bate estaca constante com o máximo possível de bass kick, vocais rasgados constantemente e essencialmente na lingua alemã, o idioma oficial do EBM (que se preze).

No seu último álbum, Veni Vidi Vici, Thomas tomou um caminho sutilmente mais leve, visivelmente menos pesado que os álbuns anteriores. Em Feindbild o clima ainda não é tão corrossivo quanto nos primeiros discos, mas é com certeza bem mais pesado que o disco anterior. O que no entanto não deixou de dar espaço para faixas mais dançantes e melódicas, como o cover I Hate Berlin e a faixa Die Fahner Unserer Väter, que maravilhosamente tornam a musicalidade do Nachtmahr imprevisível, finalmente. Por que embora eu ame os discos mais pesados e crus do Nachtmahr, eu confesso que já era completamente repetitivo. Feindblind mistura várias fases do projeto, numa amostra visível de maturidade da sua sonoridade.

Genialmente, Thomas consegue, mesmo usando vocais limpos, não dar um clima "L'âme Immortelle" pras faixas graças ao instrumental muito mais pesado e a temática sempre constante na segunda guerra, com batidas marciais o tempo inteiro. O mimetismo do compositor é uma das coisas que eu mais admiro em Rainer, e ele consegue manter uma qualidade constante em tudo que compõe que é invejável. Até os samples que ele encaixa na maioria das faixas são extremamente bem escolhidos. É curioso como a sonoridade do Nachtmahr parece ser bem menos saturada que muitos projetos de Industrial/EBM, mais enxuta e mais direcionada, mas consegue ser muito, muito mais intensa. Tomemos como exemplo outro projeto que admiro muito na cena, o Heimartaede. Comparando a densidade de sintetizadores nas duas musicalidades, o Nachtmahr é incrívelmente mais econômico, mas passa a mesma atmosfera opressiva. A faixa que sem dúvida mais exemplifica isso é a fantástica Parasit.

Mas acima de ser um excelente compositor, Thomas Rainer é um excelente vocalista. Seu vocal rasgado, que é o protagonista do álbum, é intenso exatamente com o estilo pede, mas seu vocal limpo é fantástico desde o L'âme Immortelle (eu, francamente, embora goste muito do L'âme, sempre fico esperando ansiosamente pelas músicas que o Thomas canta nos álbuns). Quando Thomas faz vocais limpos de forma mais estridente e grave, é impossível não nos lembrarmos da intensidade germânica do Rammstein. O que é inevitável, mas não é e nunca será um defeito.

Em suma, Nachtmahr novamente nos faz ter vontade de vestir um uniforme militar. Pra dançar e berrar em alemão, naturalmente. Mas não fazendo odes à Alemanha, e sim exclamando: Kaiserthum Österreich über alles!

PS: Feindbild foi lançado hoje, 14.02.14, numa edição especial que vem acompanhada de uma HQ de 36 páginas, por isso a capa tão cartunizada, feita pelo artista alemão Bruce Stirling John Knox. Por sinal, confiram o trabalho do cara no site oficial dele, aqui. É finíssimo.


Tracklist:

1 Wir sind zurück
2 Dämon
3 I Hate Berlin (feat. Frl. Plastique) (Second Decay Cover)
4 Die Fahnen unserer Väter
5 Chaos
6 Parasit 
7 Feindbild
8 Stehend sterben
9 Liebst du mich?
10 The Torch
11 Wache

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
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Ryoji Ikeda - +/-

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Gênero
: Minimal/Eletrônico/Noise/Ambient
País: Japão
Ano: 1997

Comentário: Ryoji Ikeda nasceu em 1966 na cidade de Gifu, na região central do Japão, mas hoje em dia reside na França, em Paris. Ikeda é um dos mais reconhecidos artistas de um dos gêneros mais prolíficos do Japão: O eletrônico experimental. Seja na veia do Noise, do Ambient ou manifestações menos avant-garde, japoneses sabem experimentar sonoridades como ninguém. Ryoji em especial, faz uma coisa que eu sempre tive curiosidade em fazer, especialmente por ter me graduado em uma área de exatas. Compor música baseando-me essencialmente em padrões matemáticos.

A relação entre matemática e música é intrínseca e indistinguível em todos os gêneros, porém é na música eletrônica que ela brilha. Stockhausen, no século passado, já brincava com a matemática que rege a composição musical erudita e a formulação com a qual esta é escrita, intrinsecamente dependente de padrões matemáticos rigídios e facilmente previsível a partir de uma análise desses padrões. Não é difícil, ao se pensar em partituras e a linguagem musical formal, compor uma música baseando somente em padrões matemáticos, se, é claro, nos dispojarmos da intenção de produzir algo comercial e popular. Na música eletrônica, baseada em oscilações de circuitos elétricos, isso se torna ainda mais óbvio e eficiente.

Quando alteramos os parâmetros infindáveis de um sintetizador, o que estamos fazendo na prática é alterar o funcionamento de componentes eletrônicos de circuitos de forma a que a corrente que passa nestes seja alterada. A oscilação padrão de circuitos com corrente alternada é senoidal, daí vem a mais famosa base musical eletrônica, os senos, com sua sonoridade adocicada. Se no entanto alteramos a frequência com que adentra no circuito a força eletromotriz, modificamos o formato de saída da nossa corrente. Usando este recurso, alcançamos um outro padrão comum que é também utilizado largamente na música eletrônica: as ríspidas ondas quadradas, que já possuem um som mais metálico e intenso.  Criando uma série de circuitos combinados de forma a misturar padrões oscilatórios das mais variadas formas, frequências e amplitudes, obtemos a infinidade de sons que um sintetizador é capaz de produzir. Isso é tudo simplesmente matemática, que por acaso também é música.

Ryoji se baseia nesses princípios para, ao invés de simplesmente usar um sintetizador como ferramenta, partir da matemática por trás pra criar a música. Mas não qualquer música. Brincando com padrões, Ryoji cria uma sonoridade minimalística, experimental e ambient em sua melhor proporção. A música ambient tem por definição a capacidade de emocionar e envolver sem necessidade de ser explíticita. Na musicalidade de Ikeda, isso é levado ao extremo de alguns sons terem frequências tão altas ou tão baixas que estão no limiar de serem inaudíveis para o ouvido humano, ainda que sejam perceptíveis de uma forma curiosa quando o silêncio do fim da faixa chega. Além disso, Ikeda soa paradoxalmente melódico. Não esperem caos sonoros, o rigor matemático por trás de tudo aqui torna tudo extremamente ordenado. No entanto não é tão denso quanto artistas como o Pan Sonic - mas nunca se sabe realmente se aquela faixa que parece ser simplesmente um pulsar agudo repetitivo não esconde por trás uma parade sonora de alta frequência. Só somos capazes de descobrir isso quando a música acaba - por que embora sejam frequências inaudíveis, ainda assim elas são diferentes do silêncio absoluto.

Ikeda também é artista plástico, e na realidade sua sonoridade é apenas uma das várias manifestações da sua arte. Arrogantemente, não é algo pra qualquer um. Mas é uma das melhores coisas que o Ambient pode produzir.



Tracklist:

headphonics (1995-96)

01 headphonics 0/0 3:12
02 headphonics 0/1 3:11
03 headphonics 1/0 4:16

+/- (1996)

04 + 2:50
05 +. 5:07
06 +.. 10:55
07 - 6:36
08 -. 11:51
09 -.. 13:24
10 +/- 1:05

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
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VA - The Guide To Grave Wave (by Мишка)

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Gênero
: Post-Punk, Industrial, Witch House, Ambient, Noise, Shoegaze, Experimental, Neofolk
País: Vários
Ano: 2010

Comentário: "Grave Wave? Que porra de estilo é esse? É mais um estilo de Metal? Esses metalero adora inventar estilo" Não, caro amigo. Nada disso.

Grave Wave é uma alcunha criada em 2010 pela seção musical da loja de roupas estadunidense Mishka (ou estilizadamente, Мишка) para batizar uma amálgama de estilos variados com uma mesma vibe que começou a aparecer no underground do séc XXI, a internet, com uma pegada neogótica, oitentista revival e que trouxe consigo de volta uma pegada obscura que muito era evidente nos anos 80 mas que nos anos 90 pouco apareceu. Os gêneros que esse guarda-chuva musical abrangem são variadíssimos, porém surgiram todos por volta de 2010 e permanecem até hoje, meros quatro anos depois, praticamente, salvo raríssimas exceções, encrustado no underground. Post-Punk Revival na vibe do Interpol, mas ainda mais obscuros, com uma pegada que eu diria neo-batcave; Shoegaze, mas um shoegaze quase ambient, quase noise, quase Ethereal; Neofolk com uma vibe mais distópica que o normal, Witch House - o maravilhoso estilo eletrônico indescritível que abusa dos recursos de edição musical do novo século da forma mais sinistra e melódica possível, sem falar dos sempre presentes Dark Ambient, Noise e do rock Experimental de maneira geral - não que o resto aqui deixe de ser experimental em algum aspecto - que está mais dark do nunca.

Esse clima sinistro da música dos anos 10 se desenvolveu através das mídias sociais, especialmente do youtube e do bandcamp, sendo assim uma das primeiras ondas estilísticas a usufruir inteiramente do mundo digital para se propagar. Se nos anos 80 o Darkwave se propagadou através das saudosas fitas cassete trocadas mão à mão, hoje em dia a dita Grave Wave se multiplica downloads mundo a fora. Porém, curiosamente, essa divulgação massiva que a internet proporciona não agrada totalmente quem prega um estilo "underground". Então para evitar a divulgação excessiva que destruiria o caráter cult do gênero, muitos projetos e bandas aqui citadas tem nomes pouco usuais e ingoogleáveis, como "†‡†" ou "M△S▴C△RA". Portanto muitas vezes é de uma dificuldade hercúlea encontrar material disponível dessas bandas, o que faz esta coletânea aqui ser tão importante.

Quando em seu blog o coletivo Mishka postou essa coletânea, em 3 discos, com os mais interessantes e icônicos artistas supostamente ligados a essa "wave" musical a qual chamaram de Grave Wave, rapidamente esta se tornou referência no que tange a estilos como o Post-Punk Revival e o Witch House, especialmente. Não bastasse o fato de terem reunido 35 faixas em 2 horas e meia do 'estilo', eles ainda fizeram um artigo caprichadíssimo contando todos os pormenores de cada banda e do estilo como um todo. É simplesmente imperdível, tanto que reposto aqui mas com os links originais diretamente do bandcamp deles, e os incentivo fortemente que visitem o post original. Isso aqui é mais uma homenagem que qualquer coisa. Por que faz tempo que eu sou fanático por essa coletânea.

Baixem e corram atrás, por que nesses quatro anos, quase todas as bandas citadas já lançaram um monte de coisa nova e um monte de outras bandas surgiram com as mesmas propostas. Mas não se esqueçam que isso não é do Ignes, muito menos meu. Mas vale muitíssimo a pena divulgar por aqui.

Post Original no Mishka Bloglin

Tracklist:

Disco 1
1. These New Puritans – Orion
2. Dream Affair – Silent Story
3. His Electro Blue Voice 0 Black Veils
4. Screen Vinyl Image – Siberian Eclipse
5. Blessure Grave – Stranger In the House
6. Soft Metals – Hot on the Heels of Love
7. //TENSE// – Turn It Off (Valis Remix)
8. Funerals – Aitu (LQD Live Edit)
9. Pink Priest – Snake Flick Its Tongue
10. Scorpion Violente – Ray Ov Gold
11. Ðose – Spells

Disco 2
1. Hussle Club – Good Morning Midnight
2. White Car – Spread Spit Slap
3. These New Puritans – White Chords (Stalker Remix)
4. Night Gallery – Mary Bell
5. LAKE R▲DIO – Always
6. Gr†ll Gr†ll – They All
7. Passions – Endless
8. Warm Hands – Darker
9. Memory Tapes – Green Knight (Creep Remix)
10. GHXST – Holy Speed
11. M△S▴C△RA – krystalMETH/alanWATTS

Disco 3
1. Gatekeeper – Visions
2. Salem – Asia (Jokers of the Scene Remix)
3. Fostercare – Heat High (Refix)
4. Party Trash – Beast
5. Lust For Youth – On Your Knees
6. Cult of Youth – Lace Up Your Boots
7. GuMMy†Be▲R! – Gurl
8. Cccandy – Blood and Guts
9. Black Math – Bottomless Sea
10. †‡† (Ritualzzz) – Kvltstep
11. Dadfag – Twins
12. Mater Suspiria Vision – The Ring
13. Nowa Huta – Nowa Huta vs. Pink Priest (NOWAHUTARMX)




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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
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Os 50 Melhores Discos De 2013

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Demorou, mas saiu. Eis a lista com os 50 melhores discos na opinião da vasta equipe do Pignes. Uma lista que reflete perfeitamente o ecletismo de nossos colaboradores, indo do pop chiclete de MIA ao black metal do Peste Noire, passando ainda pelos Stoner Rockers do Red Fang, o rapper Kanye West, o shoegaze do My Bloody Valentine, entre outros vários que passaram pelo blog neste que foi um grande ano para os fãs de música.  E agora, nos dias finais de 2013, é a hora de relembrar os discos que nos fizeram passar pelos dias com mais facilidade, pois a música, a música é o que nos move.

Quem escreve e faz os uploads:

 
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