Gênero: Jazz / Reggae/ Dub / Hip hop / Afrobeat País: Brasil Ano: 2014
Comentário: Fruto
da cena nova cena paulistana Céu é um dos seus melhores exemplares. Atenta a
diversidade sonora, a cantora vem desde 2005 apostando numa sonoridade híbrida
da música negra, transitando livremente entre jazz, reggae, dub, hip hop e o
afrobeat. Disco a disco, a cantora vem conquistando um maior número de adeptos.
Sua
carreira fora iniciada há 10 anos com Céu,
disco que já lhe rendeu certa atenção do público graças aos hits “Lenda” e
“Malemolência” que figuraram em trilhas de novelas da Rede Globo. Na sequência
foi a vez Vagarosa, álbumlançado em 2009, trabalho que figurou
na lista de melhores do ano de várias publicações. O mais recente Caravana Sereia Bloom, de 2012, também
percorreu os mesmos caminhos, obtendo reconhecimento ambos os lados, graças ao
grande amadurecimento de suas características habituais.
Dona
de uma voz inconfundível, lenta e sensual, Céu faz de suas composições (geralmente
criadas em parceira com Gui Amabis, Lucas Santanna, entre outros) um retrato
fidedigno de sua pessoalidade, transbordando paixão e beleza a cada verso.
Aproveitando
o sucesso conquistado ao longo dos últimos anos e a repercussão positiva da sua
recente turnê (que percorreu o Brasil e também o exterior) acabou por resultar
no seu primeiro registro ao vivo.
Gravado
ano passado no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, Céu ao vivo marca seu primeiro registro sob a batuta da Som Livre. A
apresentação, que teve direção musical da própria cantora, contou também o
apoio da Zeppelin Filmes e do coletivo The Wolfpack, que ficaram responsáveis
pelo apelo visual.
O
setlist da apresentação opta, acertadamente, pelo formato o melhor de... , pois percorre toda a carreira da cantora. Em sua
maioria as faixas ganharam texturas muito próximas aos registros oficiais de
estúdio, mas não deixa de ter suas surpresas. A faixa “Cangote” é exemplo desta
seara, pois ganhou novos ares, tornando-a ainda mais dançante graças a melodias
em ode ao carimbó, ritmo tradicional paraense.
Na
ala das covers, outra característica recorrente a sua carreira, surge a
agradável releitura de “Mil e uma noites de amor”, hit oitentista de Pepeu
Gomes, trilha da novela “Roque Santeiro” que faz par ao hino “Concrete Jungle”
de Bob Marley, cantor recentemente homenageado pela cantora na turnê Catch a fire, época em que tocava do
maior ícone do reggae na íntegra.
Escudada
por exímios músicos, a banda de apoio formada por Dustan Gallas (guitarrista e
tecladista), DJ Marco, Lucas Martins (baixista)
e Bruno Buarque (baterista) deixa a cantora à vontade, em entrega
absoluta ao devoto público, composto por quatrocentas pessoas, que participa do
espetáculo cantando cada um dos versos em uníssono durante toda apresentação.
Em
síntese, Céu ao vivo, agrada, pois
serve tanto para converter iniciados a sua música como também vale a apreciação
dos já habituados. Passada a primeira década de bons serviços prestados Céu
segue como uma das cantoras mais relevantes da música popular brasileira.
Tracklist: 1. Falta De Ar 2. Amor De Antigos 3. Contravento 4. Retrovisor 5. Grains De Beauté 6. Mil E Uma Noites De Amor 7. Cangote 8. Baile De Ilusão 9. Streets Bloom 10. 10 Contados 11. Malemolência Música Incidental: Mora Na Filosofia 12. Lenda 13. Concrete Jungle 14. Chegar Em Mim 15. Rainha Ouça em: Deezer
Comentário: Como ervas daninhas, desde que Tyler, the Creator e sua horda tomaram a internet de assalto com um Hip Hop descontraído, com letras extremamente variadas, muitas vezes de gostos duvidoso, se tornaram cada vez mais frequentes as aparições de novos rimadores, esfregando a alternatividade na cara do ~internauta~ em busca da fama repentina por meio da grande rede. Obviamente, o que abunda costuma pecar no quesito qualidade. Em se tratando de arte, pouco ou quase nada se aproveita desse novo nicho que pipocou em profusão. Com atenção, no entanto, é possível tirar alguns diamantes desse lamaçal, que possivelmente serão lapidados e nos renderão bons momentos junto aos headphones.
Um deles é Michael Christmas, um garoto de apenas dezenove anos e muitos quilogramas, oriundo de Boston e que retrata fielmente a geração pós-moderna: inundado de informação e opções de recebimento de cultura, as referências pop vêm à cabeça quase que simultaneamente com relação a, praticamente, qualquer assunto possível. Na medida certa, o rapper insere essas referências em suas rimas em sua mixtape de estreia, Is This Art?, temperando-as com emoções e, certamente, com muita diversão. É extremamente nítido o quanto o artista está aproveitando ao máximo o seu momento, traduzindo a sua satisfação em química junto ao microfone.
Um bom exemplo de sua habilidade na transformação de referências do mundo pop em rimas convincentes é a faixa Michael Cera, em que perpassa por vários trabalhos do autor, especialmente quanto a Arrested Development, fazendo citações de personagens e contextos que certamente arrancarão risos de fãs da série. Vale ressaltar, ainda, que a mixtape tem a participação de gente com certo renome no mundo do Hip Hop, como Alex Wiley, que já fez parcerias com os já citados membros do OFWGKTA, além de Mr. MFN Exquire, que, apesar de ser um rapper bem mediano, e um letrista absolutamente fraco, já possui alguma fama, o que traz ainda mais holofotes ao trabalho de estreia de Christmas.
A pergunta-título não é difícil de responder. Tendo em vista que arte é qualquer coisa que você assim identifique, já que trata substancialmente de gostos pessoais - ou seja, algo muito subjetivo - certamente estamos diante de um trabalho artístico, cujo precursor pode ser bem moldado por produções arrojadas para se firmar como um grande nome do Hip Hop. Com esse disco, por exemplo, já conseguiu cravar sua alcunha na lista de artistas a serem observados com atenção.
Comentário: Os Roots mudaram bastante desde seus primeiros discos. Ao longo de quase duas décadas, o grupo manteve seu som - incontestavelmente hip hop - mas, naturalmente, transformou-se, arriscando novas sonoridades em diversos affairs com outros estilos. Ainda assim, desde as claras influências do Jazz, Soul e Funk - todas habilmente coordenadas pelos membros da banda, connoisseurs e fãs dos gêneros - até outras que vão e voltam de acordo com o release, como alguns gêneros da música eletrônica e a música pop, o conjunto americano conseguiu se manter relativamente fiel a sonoridade que lhes consagrou em primeiro lugar.
Por isso, &TYSYC é um disco previsível. Há alguns anos, Questlove, Black Thought e sua turma fazem pequenas incursões em uma sonoridade mais contida e eletrônica, até atmosférica, do que de seu som 'clássico', mais agressivo. E essa previsibilidade é, ao mesmo tempo, a fraqueza e o ponto forte do disco. Temos músicos inspirados fazendo o que sabem bem. Mas também temos músicos de altíssimo nível com receio de ir mais além.
Tomemos os dois únicos membros originais do grupo: Questlove e Black Tought. O primeiro, talvez o baterista mais importante do hip-hop, ótimo produtor, grandíssimo conhecedor de música e de suas experimentações, faz um disco medíocre para o seu próprio padrão. A bateria é competente, suas batidas presentes sempre no momento certo. Transita entre diversas levadas, desde algumas mais jazzísticas, à outras minimalistas, tendo inclusive momentos de break. Para muitos outros, seria mais do que uma ótima exibição. Mas para alguém que já lançou clássicos como Things Fall Apart e participou de discos do auge de artistas do naipe de Common e D'Angelo, é quase impossível não sentir que &TYSYC foi feito no piloto automático.
O mesmo pode ser dito do segundo. Na minha opinião, um dos maiores mcs de todos os tempos, com uma produção assombrosa e um nível de qualidade altíssimo, ao longo de pelo menos 20 anos - contaria nos dedos outros rappers de tamanha consistência - Black Thought faz um disco sem o brilhantismo de seus pontos altos. Temos, é claro, versos impactantes, como na primeira música, Never. Mas nada que justifique o álbum. É possível argumentar, inclusive, que os freestyles recentes do dito cujo estão melhores que o seu som de estúdio.
O álbum inteiro, vê-se, tenta tirar o habitual protagonismo da dupla, um esforço louvável, ainda que tenha se provado não muito benéfico. A bateria, normalmente força motriz do som da banda, fica em importância menor, cedendo lugar ao piano. Sua habitual intensidade dá lugar a pronunciados silêncios de batida e a uma atmosfera eletrônica. O rap dá lugar a diversos refrões e sessões cantadas que, apesar de bem trabalhadas e inseridas, parecem destoar do compacto som. Músicas como Tomorrow, que fecha o disco, são os destaques, justamente por ir em direção ao som mais encorpado e repleto de camadas que o hip-hop do The Roots sempre prezou.
Conceitual, o disco não passa a mensagem de maneira muito pungente. Visando tratar da violência na América, a sonoridade reflete, de fato, uma atmosfera triste e, até certo ponto, desolada. Mas os refrões, com frequência, acabam por animar e subir o tom das canções, matando um pouco com um contraponto não muito bem estruturado. O que não quer dizer que as participações especiais sejam ruins; são refrões e vozes competentes, mas que não caem bem no conjunto atmosférico do disco. As letras, de bom gosto e bem escritas, não salvam a tentativa. Menos sentido estético fazem as inserções de músicas de outros artistas, como Nina Simone, que interpolam o disco em certos momentos, sem mais nem menos.
Mas não me leve a mal: ... And then you shoot your cousin é um bom disco. Para fãs da banda, para fãs de hip-hop, soul, enfim, de black music como um todo. Mas é inevitável se decepcionar ao tomar-se conta de que esse é um álbum feito por uma das maiores bandas de hip-hop de todos os tempos. É, ouso dizer, insosso. Para um grupo com mais de 20 anos de carreira e experimentações bem sucedidas, tendo tido 3 anos para trabalhar em um novo álbum, é normal que o ouvinte se sinta com um placeholder em mãos; uma coletânea de 30 minutos feita no entre-tempo de turnês extensivas e o trabalho diário no Tonight Show.
Tracklist:
01. Theme from the middle of the night (cantado por Nina Simone)
02. Never
03. When the people cheer
04. The Devil (cantado por Mary Lou Williams)
05. Black Rock
06. Understand
07. Dies Irae (cantado por Michael Chion)
08. The Coming
09. The Dark (Trinity)
10. The Unraveling
11. Tomorrow
Gênero: Latin Rock / Folk music / Punk rock / Pop / Hip-Hop País: Méxixo Ano: 1994
Comentário: "Tudo ao mesmo tempo agora": se uma frase pudesse sintetizar o que foram os famigerados e globalizados anos 90 a melhor definição seria esta. E para os adoradores da música composta neste fértil e versátil período talvez não há melhor disco que ilustre tamanha versatilidade sonora do que este Re, segundo álbum dos mexicanos do Café Tacvba.
Lançado em 1994 e produzido por Gustavo Santaolalla, o disco é um primor em termos de gêneros musicais, pois rock, punk, pop, reggae, ska e hip-hop convivem naturalmente entre ritmos latinos como a salsa, o bolero e norteño, ritmo próximo ao folk, bastante popular na América latina. .
Composto por 20 faixas Re é de fato o trabalho mais popular do quinteto lidero por Rubén Albarrán. São deste objeto chamado disco os hinos "La ingrata", "Esa noche", "El ciclón", "Las flores", "El puñal y el corazón" e a belíssima "El baile y el salón", todas também presentes na essencial coletânea Tiempo transcurrido que traz à tona o supra sumo da banda, cobrindo todos discos lançado até 2001.
Tido pela crítica como como o melhor álbum latino americano de todos os tempos o mesmo é para alguns o "álbum branco" do grupo, em alusão ao soberbo clássico dos Beatles. Tal afirmação, perfeitamente justificável, pode ser comprovada numa primeira audição.
Por fim, aos desaviados e afortunados que irão ao Lollapalooza Brasil semana que vêm fica a recomendação: assistam à apresentação do grupo. É diversão garantida.
01. El aparato
02. La ingrata
03. El ciclón
04. El borrego
05. Esa noche
06. 24 horas
07. Ixtepec
08. Trópico de Cáncer
09. El metro
10. El fin de la infancia
11. Madrugal
12. Pez
13. Verde
14. La negrita
15. El tlatoani del bairro
16. Las flores
17. La pinta
18. El baile y el sálon
19. El puñal y el corazón
20. El bálcon
Gênero: Rap-Rave / Alternative Hip-Hop País: África do Sul Ano: 2012
Comentário: Primeira coisa a falar do "Die Antwoord": quando vi o clipe de I Fink U Freeky eu fiquei
paralisado. Bem, vamos aos fatores. Primeiro – o vocal da Yolandi
Visser somada a estética do grupo me deixaram realmente freeky.
Segundo – o clipe é terrivelmente bizarro, tanto que, tive de
assisti duas vezes e não, não levei a sério a banda, ah, erro meu,
erro meu! Sei que muita gente para nessa parte e realmente não leva
a sério, de certa parte, estão certos, de outra, errados. É
difícil classificar o que é para ser levado a sério no Die
Antwoord, de fato. O que eles querem? O que eles fazem? Que merda é
essa de rap-rave? Muitas questões, mas nada que Ten$ion, segundo
álbum da banda, não seja capaz de responder.
O estilo da banda é
inspirado em Roger Ballen, fotógrafo nascido em Nova Iorque e
morador de Joanesburgo – aliás, acho o Ballen um fodão em preto e
branco, isso tirando o fato de sua estética totalmente estranha e
subversiva. A banda faz uma clara referência ao Roger Ballen em seus
trabalhos, referência gritante, aliás. Dando uma rápida pesquisa
vocês acham algo do trabalho do Ballen com a banda em si, sendo o
clipe de I Fink U Freeky o trabalho mais evidente da união da
banda com o fotógrafo, que codirigiu o clipe com Ninja. Outra
inspiração da banda é a cultura Zef, nome que veio da abreviação
do Ford Zephyr, carro que se tornou mundialmente popular no mundo
todo de 50 a 70 e na África do Sul, seus condutores, geralmente
trabalhadores da mineração, assim como os carros, eram apreendidos.
Basicamente a cultura Zef defende um “você é pobre, mas é
fantasia, é sexy, tem estilo”. Ninja, vocalista do grupo, defende
que o Zef é movimento musical de subcultura, comparável ao hip-hop.
Alguns dizem que a cultura Zef é branca e em suas próprias palavras
Ninja rebate que: “o racismo é obsoleto e passado para os
sul-africanos".
Não é fácil
compreender todas as nuances do grupo. Não é fácil compreender sua
estética Zef-Balleniana (oi, neologismo) e levar tudo a sério. Acho
que mais do que apresentar o álbum aqui, pretendo apresentar a
estética do grupo, que é muito forte – tanto quanto o som que
produzem. Nitidamente vemos no álbum claras referências ao hip-hop,
em Hey Sexy, que tem uma levada de percussão bem marcada e
dançante, ao estilo do hip-hop que estamos acostumados com um refrão
até pegajoso. So What?, com
um piano realmente bom no início, também vai no mesmo
estilo e se aproxima ainda mais do hip-hop midiático e bem-feito de
hoje em dia.
Um pequeno parêntese
para falar das experimentações do grupo, no meio das faixas
musicais desenrolam-se várias pequenas faixas com falas,
experimentalismos e coisas a mais. Destaco aqui Uncle Jimmy,
feita toda em diálogo – e sim, eu curto ouvir diálogos no meio do
álbum.
O álbum também pode-se
ser dizer cíclico, enquanto Never Le Nkemise 1, uma mistura
de zulu (segundo minhas pesquisas, posso estar errado) e inglês,
funciona como prelúdio ideal do álbum com seu hip-hop/rap
característico e rimas gangster, Never Le Nkemise 2 é o
encerramento ideal para álbum, com batida rave repetida e crescente.
Do começo ao fim o grupo mantêm-se (e tenta nos explicar) sua
proposta rave-rap e acho que essas duas faixas, uma de prelúdio e
outra de epílogo, funcionam muito bem para marcar a estética que o
álbum pretende transmitir.
Já acho Fatty Boom
Boom um clássico do “Die Antwoord” pelo seu clipe de Lady
Gaga na selva/cidade africana. Aliás: clipe foda, de conteúdo, de
estética (eu falo estética pra caramba, perdão), de relativização
de cultura, de resistência, ah, sério, eu realmente piro quando
paro para analisar a sério algo da banda porque eu realmente vejo
que por detrás de todo essa “experimentação exagerada” existe
um viés artístico de resistência e voz para o povo africano.
Para encerrar: Baby's
On Fire pende mais pro lado “rave” da banda, contrapondo aqui
com So What?, que por assim dizer é mais rap. Quando o rap e
o rave são trabalhados de um modo separado a banda mostra sua
versatilidade sem perder sua essência – algo muito bom, por sinal.
DJ Hi-Tek Rulez é um rap muito bom e nem diz muita coisa a
letra, mas eu curto muito, até por não dizer muita coisa: nonsense
realmente me agrada. Enfim, acho que o “Die Antwoord” merece
alguma visibilidade pelo trabalho que fazem há um tempo já,
caricato, exagerado, nonsense, sem dúvida, mas ainda assim
agressivo, promissor e contracultural – e essas características
que eles abraçam tanto em sua sonoridade quanto em sua plasticidade
me agradam por demais.
Comentário: Com grito suplicante de
Marty McFly, chamando o Dr. Brown para dizer que está de volta do
futuro, é onde inicia-se “Em Carne Viva”, do rapper do Rio de
Janeiro, Funkero, também recém-integrante do Cartel Mcs, que teve
seu último álbum postado aqui no blog.
Pois bem, trago aqui as
rimas e o flow do Funkero, entre o funk carioca e o rap ele se
encontra. Ah, e entre a sétima arte também, acho que nunca vi um
álbum com tantas referências a filmes e utilizando-as com excelente
maestria. Desde o título do álbum (um filme de 2003 com Mark
Ruffalo) a faixa das músicas, até as próprias falas dos filmes, o
cinema é um referencial temático muito bem explorado no álbum –
e não poderia deixar de fora essa observação na resenha, já que no release do álbum isso também não é deixado de fora.
EM CARNE VIVA é uma viagem ao mundo do RAP e ao mundo da sétima arte, através da audição...em meio a referencias cinematográficas,literárias e musicais, FUNKERO tenta cantar o “roteiro” do seu próprio FILME, com um pouco de suspense a La HITCHCOCK,um pouco de loucura,de humor ácido e contestador a La KUBRICK,um pouco de tensão e de crime a La COPPOLLA, violência e crueldade arrebatadora a La TARANTINO...
“Alta Velocidade”
deixa claro que o Funkero não esqueceu do funk em suas composições,
longe disso, o beat aqui é muito funkeado tal qual um batidão
carioca e o flow do cara se adapta perfeitamente a ele, sem se tornar
rápido demais e incompreensível. Mais do que nunca essa união de
rap e funk é clara e muito bem encaixada.
“V de Vingança”
e “Um Drink No Inferno” exemplificam o que anteriormente
citei sobre as influências do cinema no título das faixas. A
primeira, por sua vez, fala desse conflito armado das ruas que todos
nós somos vítimas e carrascos, podemos estar em qualquer lado nessa
luta de polícia, bandido e cidadão também. Inocentes e culpados,
em noite de terror, a queima roupa. Seguindo a ordem de músicas vem
“Teoria da Conspiração”, para mim uma das melhores do
álbum, junto com “Sociedade dos Poetas Mortos” (que
aliás, é um ótimo filme também). Em ritmo “Teoria da
Conspiração” é mais calma, mas não menos densa do que a
faixa anterior em letra. As participações da faixa que versam sobre
os iluminatis e dominação mundial de diversas maneiras são
excelentes. Shaw e Ogi complementam muito bem os versos do Funkero
aqui.
“Perfume de Mulher”
e “Sem Limite” falam de amor e sexo, não nessa ordem, nem
ao inverso. A primeira fala mais dessa complementação de amor e
sexo, em um ritmo mais lento, quase uma balada pra ficar admirando as
gurias dançando devagar na pista. Muito perspicaz essa união de
ritmo e letra. E a faixa termina com um sampler de uma fala do
filme Perfume de Mulher, creio eu. A segunda fala mais de conquista e
sexo em si, com um beat mais acelerado e um refrão muito bom,
um dos melhores do álbum.
“Sociedade dos
Poetas Mortos” começa com um sampler de Canto Pra
Morte, do Raul. Gosto muito dessa faixa tanto pela ótima
participação do Chino, do Oriente, com seus versos metralhantes,
tanto pelo que ela exala. Acho que vejo até um pouco do filme na
faixa, além do título. O filme fala muito sobre ir além a si
mesmo, de ir além das próprias palavras, e vejo isso na música, de
alguma maneira, pode ser uma outra interpretação para o tom funesto
do Funkero “Deus abençoe a morte, essa noite eu morri / Só me
restaram flashes, remendos do que vivi”, vejo a música no fim,
como uma ode a vida e ao dom de um poeta – aqui um poeta das ruas,
mas, mesmo assim, um poeta.
“Adeus” foi
feita em homenagem ao irmão do Funkero, já falecido. A faixa tem um
clipe incrível e transmite o que realmente sinto ao ouvir a música,
por isso não vou me estender muito aqui. A faixa merece ser ouvida,
é simplesmente, tocante. Fechando o álbum: “Chuva de Bala”
e “Notícias de Uma Guerra Particular”, ambas voltando a
temática de violência urbana. A participação do Mamut, do
Soldados da Pista, é incrível em “Chuva de Bala”, a
levada do cara transcende as palavras que ele diz, a música vale
pela participação, de fato.
Resumindo, Em Carne
Viva é no fim feito de diversas inspirações do Funkero. Um
álbum muito coeso em suas temáticas e no que quer dizer. Ah e também tem uma reunião de citações a filmes incríveis que
inspiram músicas tão boas quanto. É uma reunião de gêneros,
ritmos e películas que deu totalmente certo.
01. De Volta Pro Futuro
02. Um Drink No Inferno
03. Alta Velocidade
04. V de Vingança
05. Teoria Da Conspiração
06. Chapa Quente
07. Perfume de Mulher
08. Sem Limite
09. Lamento
10. Sociedade dos Poetas Mortos
11. Adeus
12. Chuva de Bala
13. Noticias de uma guerra particular Download: MEGA
Gênero: Neo Soul / Neo Jazz / Hip Hop / R&B País: EUA Ano: 2013
Comentário: Dando sequência à minha lista de melhores do ano passado, trago aqui um dos projetos mais interessantes que tive oportunidade de escutar nestes últimos tempos. Para quem não conhece, eu explico. Robert Glasper é um pianista de Jazz e dos bons. O objetivo de Robert neste projeto porém é mostrar que se pode fazer músicas originais, instigantes e belas sem desagradar o "Deus Mercado".
Para atingir sua meta, Robert Glasper conta com o apoio de uma moçada sempre muito talentosa. Enquanto o primeiro Black Radio contava com gente como Erykah Baduh e Mos Def, o segundo traz um pessoal como a musa do Neo Jazz Norah Jones, o competente rapper Common, o soulmen Anthony Hamilton e muitos outros.
Enquanto o primeiro Black Radio era mais experimental, trazendo alguns covers interessantes. O segundo acerta o pop em cheio e o efeito colateral, como era de se esperar, é o piano do Robert bem menos proeminente.
Primeiro grande destaque é "I Stand Alone" aonde a sinergia entre a voz do Patrick Stump do Fall Out Boy e o piano de Glasper impressiona com um refrão graciosamente colocado entre os versos matadores do Common. A performance sempre estonteante da Jill Scott marca presença em Calls, uma canção baseada na repetição, mas ainda assim muito bonita.
Minha favorita é Yet To Find aonde Anthony Hamilton mostra o razão dele ser um dos melhores cantores da atualidade, a influência da música Gospel é nítida e a interpretação do Hamilton dispensa comentários. A versão de Jesus Children do Stevie Wonder é quase tão comovente quanto a original. Mais um lançamento que não se pode deixar passar.
"Thank God we've still got musicians and thinkers whose obsession with excellence and whose hunger for greatness remind us that we should all be unsatisfied with mimicking the popular, rather than mining the fertile veins of creativity that God placed deep inside each of us."
P.S.: O formato dos arquivos não é MP3, mas sim, MPEG-4 (256 kbps).
Tracklist:
01. Baby Tonight (Black Radio 2 Theme / Mic Check 2)
02. I Stand Alone (feat. Common & Patrick Stump)
03. What Are We Doing (feat. Brandy)
04. Calls (feat. Jill Scott)
05. Worries (feat. Dwele)
06. Trust (feat. Marsha Ambrosius)
07. Yet To Find (feat. Anthony Hamilton)
08. You Own Me (feat. Faith Evans)
09. Let It Ride (feat. Norah Jones)
10. Persevere (feat. Snoop Dogg, Lupe Fiasco & Luke James)
11. Somebody Else (feat. Emeli Sandé)
12. Jesus Children (feat. Lalah Hathaway & Malcolm Jamal Warner)
13. Big Girl Body (feat. Eric Roberson)
14. You're My Everything (feat. Bilal & Jazmine Sullivan)
15. I Don't Even Care (feat. Macy Gray & Jean Grae)
16. Lovely Day
17. Trust (feat. Marsha Ambrosius & Common)
Gênero: Jazz / Blues / Rock / Pop / Soul / Rap / Latino País: Estados Unidos Ano: 2013
Comentário: Martin Scorsese sempre capricha em suas seleções sonoras para seus filmes e o recém lançado O lobo de Wall Street não é diferente. Se em sua carreira Scorsese primou pela versatilidade de gêneros fílmicos (comédia, drama, musical, ação, aventura entre tantos outros), visualizamos aqui nesta trilha o reflexo desta qualidade.
Organizada por Randall Poster e Marty, as escolhas aqui primam em sua maioria pelo caráter clássico do cancioneiro americano. À começar temos um standard jazz "Mercy, Mercy, Mercy" cometido pelo saxofonista Cannonball Adderley. Na ala do jazz ainda temos pérolas garimpadas de Allen Toussaint, Ahmad Jamal e Eartha Kitt, na ótima "C'est si bon". A porção blues fica por conta das presenças de canções de Elmore James, Howlin' Wolf e Bo Didley que comparece com duas canções: "Pretty Thing" e "Road Runner". Joe Cuba e Jimmy Castor são responsáveis pela porção latina da trilha com as ótima "Bang! Bang!" e a hilária "Hey Leroy your mama is callin you" respectivamente. O rock, gênero onipresente de suas trilhas, dá o tom com o clássico de Billy Joel "Movin' out" e também clássica versão para o hino "Mrs. Robinson" cometida pelo saudoso Lemonheads. O blues country "Meth lab Zoso sticker", da promessa 7horse, é a prova de que o diretor está também de olho no que acontece na cena musical atual. A vertente pop é representada pelo pop experimental de Malcolm McLaren e a oitentista "Never say never" de Romeo Void. Vale ainda fazer menção a corretíssima versão para "Goldfinger" (tema de 007), realizada por Sharon Jones e seus Dap Kings, que surge ao vivo durante o filme na cena do casamento do personagem central Jordan Belfort, interpretado brilhantemente por Leonardo Dicaprio.
Por fim, a trilha em si já é digna de audição por si mesma, mas vale a pena o exercício de assistir ao filme que estréia oficialmente dia 24 de janeiro no Brasil, pois mais do que meramente colocar canções durante as cenas rodadas, Scorsese prima por escolhas nas quais música e cena dialogam abertamente. Sem contar que há outras surpresas sonoras tais como Foo Fighters, Devo e Cypress Hill. É ver para crer.
P.S. A escolha de "Black Skinhead", de Kanye West, como faixa amostra é o fato da mesma ter sido utilizada num dos trailers promocionais do filme e, além disso, é, indiretamente, um hino para a obra em si. A mesma está presente no link de download abaixo em versão ao vivo como bônus.
01. Mercy, Mercy, Mercy - Cannonball Adderley
02. Dust my brown - Elmore James
03. Bang! Bang! - Joe Cuba
04. Movin' out - Billy Joel
05. C'est si bon - Eartha Kitt
06. Goldfinger - Sharon Jones and the Dap-Kings
07. Pretty thing - Bo Didley
08. Moonlight in Vermont - Ahmad Jamal Trio
09. Smokestack Lightnin' - Howlin' Wolf
10. Hey Leroy your mama is callin you - Jimmy Castor
11. Double Dutch - Malcolm McLaren
12. Never said Never - Romeo Void
13. Meth lab Zoso sticker - 7horse
14. Road Runner - Bo Didley
15. Mrs. Robinson - Lemonheads
16. Cast your fate to the wind - Allen Toussaint
17. Black Skinhead - Kanye West
Gênero: Indie Pop / Hip-Hop País: Nova Zelândia Ano: 2013
Comentário: Minha primeira impressão a ouvir
algumas músicas soltas do “Pure Heroine”, dessa menina neozelandesa de
dezesseis anos (quando lançou o álbum!) e nome complicado, (né, porque Ella
Maria Lani Yelich-O'Connor nem é muito simples), foi confusão. De fato também sei que minha percepção é mutável demais
para poder intuir juízo de valor logo de primeira, então deixei o álbum de lado
lembrando que voltaria nele para saber se o resenharia ou não. E bem, se estou
aqui resenhando o álbum é porque achei pontos positivos nele. De imediato Lorde não me tocou,
confesso. Talvez, somente Royals, que
foi o motivo da mesma gravar o “Pure Heroine”, pois seu EP “The Love Club” teve
uma resposta muito positiva, tal qual sua música mais conhecida; Royals.
Falando inicialmente na sonoridade
da faixa; Royals, começa com uma
batida característica do hip hop, gênero esse, aliás, que é uma das inspirações
de Lorde. Sonoramente a música cresce, mesmo que pouco, ela começa com batida e
voz e os outros instrumentos vem fazer parte do conjunto, por isso de fato
existe um crescimento na faixa, mas o aspecto mais importante, para mim, é a
letra. Royals é verdadeira, condiz com o universo de dezesseis anos da cantora.
Não é nada além do que veríamos de uma menina que ainda está no ensino médio e já
se destaca tanto na crítica especializada quanto nas paradas de sucesso, por
esse motivo acho que Royals é, de fato, uma das melhores faixas do álbum.
Voltando uma faixa temos 400 lux, que se assemelha até a Royals,
mas é mais hip hop, se assim posso dizer,
dançante de uma maneira lenta e também feita para ser ouvida com fones dentro
de um ônibus cheio. A sonoridade de 400
lux muito me atrai, existe algo de envolvente, algo de sensual tanto no
ritmo, mas não tanto nas palavras, que se assemelha a Royals, em conteúdo. Ambas as faixas carregam muito da essência do
que a Lorde viveu e ainda vive: sua juventude, seus sonhos, suas realizações e
aspirações.
Ribs começa de um jeito bastante soturno, até, antagonizando-se com
a faixa anterior. O coral, a batida e voz da Lorde dão um drama especial à
faixa que fala de amor e envelhecimento e do quando nada disso é o bastante
(diante da vida, da cumplicidade, do próprio amor e etc). Buzzcut Season é uma das letras mais fortes da cantora, minha
interpretação da música encaixa-se muito bem na estética impressa em “Pure
Heroine”. Além de também ambientar-se na dualidade entre uma quase pista de
dança e música reflexiva para se ouvir em fones de ouvido, Buzzcut Season remete a ilusões e seguir tendências; fingimentos e
serve muito bem como entrada para Team,
que junto com Royals resumem
essencialmente o que a Lorde imprime em suas canções: batida de inspiração no
hip hop kanywestiano, vocal
envolvente, presença de coros por detrás da sua voz e principalmente, letras que
rejeitam todo o glamour midiático que hoje ela vive. Bem, muitas de suas
músicas serviriam perfeitamente para embalar as cenas de Kids, do Larry Clark, filme esse, aliás, que serviu de base para a
mesma compor sua primeira canção, Dope
Ghost, que não consta no álbum.
Glory and Gore faz-se de mais uso do hip hop em seu ritmo e segue
no mesmo trilho das letras anteriormente apresentadas. Vejo em Still Sane uma das faixas mais próprias:
aqui ela fala de si mesma, não do grupo onde se insere. Na faixa ela fala de
sua recém-fama, de quanto ela gosta de hotéis, de quanto se sente sozinho
conforme vai chegando ao topo. É uma faixa calma e com o peso certo de
introspecção, essa, de fato, é para se ouvir sozinho em um canto por ai da
vida, o beat de balada não existe em Still Sane.
Finalizando o álbum estão White Teeth Teens, essa que conta com um
quase spoken word da Lorde em meio a
um coro repetitivo e etéreo – um dos pontos altos da faixa que vai de encontro
com a temática, como já li em outros lugares, “egos e garrafas vazias” que a Lorde
imprime em suas composições, e A World Alone,
que de perto(ou de longe) parece o hino mais sincero para essa geração criada
pela internet, que espera algo acontecer para então ir atrás, geração essa que
dança ao som do rap mais do que pop da Lorde, que enquanto acha-se especial
também se vê simplório. E é com essa sensação de tudo e nada que o álbum
encerra-se. E a voz de Lorde ecoando pela batida simples, mas muito bem
ritmada. E as pessoas continuam falando enquanto nós estamos dançando sozinhos
no mundo.
Comentário: Diferente do álbum de estreia, Usuário, Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára, da nem tão finada assim banda carioca Planet Hemp apresenta-se menos experimental e caseiro, mas consegue flertar com outros gêneros além dos mais marcantes rap e hardcore presentes no outro álbum. O disco surge com enormes ganchos entre ritmos e letras – em sua maioria sempre em prol de uma tal de cannabis sativa - que são entrecortadas ora pela força e potência do hardcore quase gritado, ora pelo gingado do samba e até mesmo do rap, e mesmo com esse turbilhão de ideias o álbum consegue ser coeso. Afinal quem mais na época conseguia juntar rap, rock and roll, psicodelia, hardcore e ragga?
Até hoje o álbum faz-se atual em suas críticas. Aos puritanos de plantão que acham que o Planet Hemp é somente um bando de maconheiros que só falam de usar maconha, perdão, vocês estão enganados. As críticas sociais contidas em Os Cães aparecem logo no começo com “Zerovinteum”. Aliás, as três primeiras faixas são uma das melhores sequências do álbum, complementam-se tanto em letra quanto em ritmo.
Além de preocupar-se com as mensagens dos versos, o Planet tem uma sonoridade de instrumentos muito marcante. Tanto no álbum de 95 quanto nesse de 97 a presença de música somente instrumental é recorrente, mesmo “Skunk” do primeiro álbum sendo mais experimental e Biruta misturando o beat do hip hop com reggae e samba, ambas tem o seu valor no contexto de seus respectivos álbuns.
A variedade do álbum é imensa – e isso realmente me agrada. Em um mesmo álbum ouvimos um fantástico acasalamento de flow e beat, homenagem ao Led, em “Adoled” e o bom e velho hardcore que o Planet já mostrara em seu álbum anterior Usuário, com “Maryjane”.
Dentro dessa variedade vemos até uma onda de jazz dentro do álbum com “Paga Pau” que traz um saxofone de fundo, dando um tom dolorido à música com o vocal mais sombrio do D2 - torna tudo mais áspero; quase soturno. Uma das melhores faixas do álbum, em todos os sentidos: letra, instrumental e vocal. E em momento nenhum ela destoa do resto; funciona como complemento da admirável sonoridade que a banda é capaz de criar.
Saindo do jazz e caindo no samba o cover de “Nega do Cabelo Duro” é bastante gingada, tipicamente carioca, como deveria ser. De letra leve e conhecida é um cover que poderia até ser mais reconhecido do que é atualmente. Por sinal, o Planet faz ótimo covers, vide “Samba Makossa”, da Nação Zumbi, tão boa e reconhecida tanto quanto a original.
Pela sua imensa sonoridade e repleto de referências, de certo ponto até, inusitadas, Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára é considerado por muitos fãs o melhor álbum da banda, o que não é realmente difícil de acreditar. Mas ainda creio que o Usuário tem sua força, mesmo mostrando-se um pouco menos coeso e versátil. E nessa efervescência de sonoridades – que termina de uma forma extremamente sensacional – só tenho a dizer que todos deveriam se ligar nessa Ex-Quadrilha da Fumaça, de uma forma ou de outra.
1. Zerovinteum
2. Queimando Tudo
3. Hip Hop Rio
4. Bossa
5. 100% Hardcore
6. Biruta
7. Mão na Cabeça
8. O Bicho Tá Pegando
9. Adoled (The Ocean)
10. Seus Amigos
11. Paga Pau
12. Rappers Reais
13. Nega do Cabelo Duro
14. Hemp Family
15. Quem Me Cobrou?
16. Se Liga Download: MEGA
Gênero: Hip Hop / Rap País: Estados Unidos da America Ano: 2012
Comentário: Ta bom, mais uma artista que eu encontrei vendo gente pelada por aí na internet. K.Flay é uma rapper americana que me chamou a atenção pela sonoridade e sua qualidade, mesmo sem perder a simplicidade. Eu não sou entendedor de rap, nunca fui, nem parece que vou ser num futuro próximo, mas vou arriscar essa resenha.
Misture uns beats legais com um flow maneiro e umas rimas da hora e pronto ela ta aí. K.Flay era ainda uma universitária em Stanford quando começou a escrever suas letras e no começo era mais para uma zoação com o hip hop atual, mas ela curtiu o que fez e então começou a gravar e lançar seu material.
Eyes Shut foi o ultimo EP independente dela, lançado no ano de 2012 com apenas cinco faixas curtas - de 2 a 4 minutos. As letras são cheias de ironia e coisas que são indispensaveis ao estilo. Mesmo assim muitas também tem informações sobre seu pai - quem faleceu quando ainda era bem nova.
A música que eu mais curti foi a “We Hate Everyone” (foi a primeira que ouvi). Ela tem trechos que ficaram simplesmente muito bons, como numa parte onde a musica fica mais suave e ela canta “Decked stacked against me, my heart filled with emptiness, I like it when it’s getting worse” algo como “Enfeites caem sobre mim, meu coração cheio de vazio, eu gosto quando fica pior”. Justamente por isso ela é bem “a música do cd”, tem uma pegada muito boa, é bem grudenta e engraçada.
Gênero: Horrorcore / Hardcore Hip Hop País: Estados Unidos Ano: 2008
Comentário: Até algum tempo atrás, este blog era tido como um disseminador do metal e suas vertentes. Os fãs mais radicais da música das trevas chegaram a se revoltar quando perceberam que a escuridão estava se esvaindo pelos dedos dos postadores, que pouco a pouco foram dando as mais diversas cores ao compleot breu de outrora. Confesso que sou um dos culpados porque, embora goste do gênero, nunca resenhei nenhum álbum de metal em minha mais de centena de postagens. Pois bem, como que em forma de um pedido de desculpas, venho demonstrar que a obscuridade ainda vive neste blog, mas que nao habita só as alcovas mais tr00 desse mundo. Há espaço pra ela no hip hop também.
Para provar esta última frase, não há melhor escolha do que Ill Bill, rapper de criação judia e humilde, que cresceu vendo de perto que a vida não é a porra do seu toddynho gelado que ele via na tv diariamente. Oriundo do Brooklyn, região periférica de New York city, Willian Braunstein cresceu observando as agruras da dependência química de bem perto. Por isso, ele e seu irmão, o também rapper Necro, sempre compuseram rimas sobre o tema.
Em The Hour of Reprisal, segundo disco da carreira de Ill Bill, o motivo maior de as drogas serem um tema tao recorrente em sua obra é revelado com maior ênfase, e este motivo tem nome e sobrenome: Howard Tenenbaum.
Uma das maiores influências na vida de Ill Bill, Uncle Howie acompanhou de perto o crescimento de seu sobrinho. Enquanto observava um infante Ill Bill lutar contra a lei da gravidade para aprender a andar, ou contra qualquer dificuldade cara aos primeiros aprendizados de uma criança, lutava ele mesmo contra o vício em heroína e metanfetamina.
No disco, há várias passagens sobre a batalha do homem contra seus próprios demônios, narradas.pelo próprio. Dentre esses relatos, destacamos a faixa My Uncle, uma das mais coesas do registro, que retrata toda essa luta, consubstanciando-se numa verdadeira carta aberta de um sobrinho que se preocupa com o futuro de um cara para quem ele nutre muito respeito (para se ter uma ideia, Ill Bill abriu uma gravadora denominada Uncle Howie Records). Ao que parece, a faixa tocou o homem: Uncle Howie faleceu em 2010, dois anos depois do lançamento deste disco, mas, segundo consta, morreu sóbrio e limpo (neste vídeo você pode conferir o tocante momento em que Uncle Howie ouve, pela primeira vez, a música feita em sua homenagem. É sensacional ver como um homem feito e cheio de problemas pode voltar a sentir uma ansiedade de criança em poucos segundos).
A faceta mais evidente de Ill Bill é a de se desvencilhar do que o restante da cena do rap produz nos últimos anos. Nada de falar sobre sexo ou dinheiro, chance alguma de fazer rimas sobre superação e foco nos seus sonhos, menor chance ainda de compor algo sobre coisas fúteis. Ill Bill quer esmagar sua cabeça contra uma parede de insatisfação e desigualdade social, provocada por todos os temas abordadas no disco: tráfico de drogas, falta de oportunidade, lei da selva e a guerra, esta última retratada de forma irretocável na faixa War Is My Destiny, com a participação de Immortal Technique e Max Cavalera.
A presença do metaleiro brasileiro, aliás, não é simples coincidência: apesar de ter se bandeado pras rimas e pras ruas, o Heavy Metal sempre foi exerceu influência notável em seu trabalho. Prova disso, aliás, é a faixa U.B.S. (Unauthorized Biography of Slayer), em que presta tributo a uma de suas bandas preferidas na infância.
Em resumo, Ill Bill foi bastante influenciado pelo mundo do metal, mas diferentemente da visão fantasiosa de inferno e maldições milenares que diversas bandas do gênero gostam de retratar, inclusive com criaturas monstruosas nas capas de seus trabalhos, o rapper decidiu retratar um cenário muito pior, muito mais grotesco e digno de dó, uma gama de lugares-comuns e cenas familiares a tantas pobres pessoas que fazem o papa do Ghost parecer uma professora do jardim da infância: o mundo real, dominado pelo homem e suas injustiças. PS: a animação que coloco abaixo não é o clipe oficial de War Is My Destiny, mas foi feita pelo canal de um cara muito talentoso e fã do Ill Bill. Ele fez o mesmo para My Uncle, que você pode ver aqui. Vale a pena conferir.
Bem meus caros, quem já acompanha o blog a algum tempo talvez reconheça essa coluna, que tanto ficou esquecida nos últimos tempos. Bandas Amigas é onde nós, desde os tempos mais primórdios, postamos de forma condensada as bandas que nos enviam material - não que deixemos de posta-las individualmente em posts próprios de vez em quando. Só que aqui, além da resenha individual como seria uma resenha, procuramos entre nós todos desta humilde casa analisar e dar nossas opiniões sobre três bandas selecionadas ao acaso dentre as que nos enviaram material nos últimos meses. E a partir de agora a coluna será semanal, saindo todo final de semana. Espero que assim consigamos fazer justiça a tantas e tantas pérolas independentes, nacionais e internacionais, que nos enviam material toda semana e que nos últimos tempos infelizmente não pudemos postar por inúmeras razões. Mas bem, vamos lá.
Como já estávamos sem postar essa coluna a bastante tempo, nesta edição trouxemos três nomes que já estavam engavetados no nossos arquivos pignianos a bastante tempo. O grindcore formado em Manaus mas sediado em Goiânia do Ressonância Mórfica, o Rap lusitano do Secta & Primaz e o rock experimental despojado paulistano do Hollowood.
Continue lendo e vamos conhecer esses caras.
Ressonância Mórfica
Formada em 1998 em Manaus-AM, posteriormente mudando-se para Goiânia-GO, o Ressonância Mórfica é uma banda de grindcore extremamente interessante, fora do clichê e que já lançou até a data apenas um full-lenght e um EP, além da demo. Com vocais em português e sonoridade pesada porém cadenciada, a banda nos surpreendeu desde o início, quando esperávamos um Grindcore mais direto. E isso foi ótimo, sem dúvida a fórmula da banda chamou nossa atenção por ser cativante ainda que diferenciada, mesmo que as influências sejam notadas claramente em cada acorde como vindo das bandas de grindcore canônicas, mas com uma dose cavalar de influência do Crossover nacional (vide Ratos de Porão e Gangrena Gasosa).
"O conceito é interessante, consegue fugir da sonoridade usual do grindcore e soam mais atmosféricas do que outras bandas do gênero, porém o uso de gutural "falado" em português acaba soando meio cômico lembrando a Banda Ritual, acaba por perder a seriedade. "
- Koticho
"Puta banda, tem um conceito e uma estilística foda, soa pesada, mas o vocal cantado em português é uma faca de dois gumes. Cantar em português é interessante, mas acho que faltou nojeira, ficou muito claro o que o cara canta, e isso incomoda meus ouvidos, tipo um cara dando lição de moral em português com voz gutural. Na minha concepção o vocalista poderia ser mais ininteligível, mais escarrado, mais brutal. A parte instrumental tem um guitarrista muito bom, que arruma riffs bem inteligentes, mesmo usando algumas nuances de punk/ hc (vide cunnilingus), nada que empobreça o trampo. Faltou também um pouco de brutalidade na batera"
- Nagano
Ressalto ainda que colocar no full um poema musicado do Augusto dos Anjos agregou bastante valor a podridão do esquema. Mas, por fim, seguem os links que a bandas nos enviou:
Agregados Onimodos Malditos 2005 Tracklist:
1. Pasquim03:03
2. Sentimento Exaustivo01:50
3. Mnp02:15
4. Reação Irracional de Destrutividade01:53
5. Lisarb na Contramão02:31
6. Aleivosia01:39
7. Plutocracia04:49
8. Cunnilingus02:20
9. Penumbra02:59
10. Quiproquo03:41
11. O Deus Verme04:29 Ouça:Soundcloud (com o full todinho disponível) // Myspace // Site // Facebook
Secta & Primaz
Advindos de Lisboa, Secta & Primaz é uma dupla parte do Hip Hop Tuga, o Hip Hop português, sediados em Marinha Grande. Secta é um rapper que participou, além desta que nos enviaram, várias outras mixtapes com vários outros artistas, e assim com Primaz (aka Primaz Lirix) fazem parte um projeto chamado RESI2430, que se descreve como: "RESI2430 é um projecto musical oriundo da Marinha Grande que actua principalmente no panorama do hip-hop “tuga”. Composto pela integração de três antigas formações de hip-hop desta cidade, expõem o seu trabalho em diversos formatos como poesia, ilustração, musica, produção, ou beatbox.". A dupla nos enviou sua mixtape, Caneta, Papel e Bolas, que se apresenta como um bootleg, mas tem uma produção bem limpa e perfeitamente apreciável. Como eu particularmente não sou o melhor conhecedor de Hip Hop deste blog, deixo-vos com a análise dos meus colegas:
"Rap português numa linhagem semelhante ao de nomes que fazem um trabalho mais melancólico no underground americano como o Sadistik, tem uma produção bacana com bom uso de samples e beats. Acostumando com o sotaque português, que sempre acaba por soar estranho para os brasileiros, pode se tornar algo interessante e promissor. "
- Koticho
"Gostei do som Secta & Primaz. Por ser uma mixtape, lançada em 2012, dá um certo ar de inacabado, mas a proposta deles é rap old-school: muitos samples, scratches, rimas bem construídas. As canções são curtas e diretas. Eles fazem parte dum movimento cultural de Lisboa chamado "Resi2430" que mescla outros elementos da cultura hip-hop."
Formados em 2007 na capital paulista, o Hollowood é uma míriade de combinações musicais girando em torno da espontaneidade do punk, do math rock, do post-hardcore, do emo e do post-rock. Como descreveram a si mesmos no email que recebemos: "Começou com o clássico “amigos de colegial que se juntam pra tocar uns
hardcore”. Hoje, Dan (voz/guitarra), INSS (guitarra/voz), Renato
(baixo/voz) e Kajiro (bateria) fazem músicas em que cabe hardcore, math
rock, metal, pop, "indie"... Seja o que for — se for real.". Não tem descrição melhor que isso mesmo. O instrumental é divertido, complexo e cativante, e o vocal apela pro post-hardcore/emo/pop punk de forma intensa. A banda nos enviou dois materiais ao longo de 2012, um single contendo as faixas "Undone" e "It sucks when your mate is bitten by a zombie (and you have to cut off his head) Blues" e um EP, Zero. Sem dúvida vale a pena a conferida pra quem curte bandas como Toe, Algernon Caldwallader, This Town Needs Guns e muitas outras que eu poderia citar.
"Banda bem ativa do cenário alternativo/underground paulistana, o instrumental da Hollowood é carregado de influências de bandas da cena de math-rock japonesa, nomes como Ling Tosite Sigure, toe e te' se fazem bem aparentes, porém, o vocal com timbres "adolescentes" em faixas como Zero acaba por soar excessivamente pop punk, fazendo lembrar mais de Blink 182 do que das outras influências citadas, em outras canções quando isso não se mostra tão aparente com os vocais puxando mais para o emo e post-hardcore dos anos 90 acabam por fluir bem melhor com todo o conjunto."
- Koticho
Single 2012
Tracklist:
01. Undone
02. "It sucks when your mate is bitten by a zombie (and you have to cut off his head)" Blues
Então é isso galera, espero que tenham curtido essa edição de ressurgimento da seção e aguardem semana que vem com novas bandas. Valorizem os caras, se curtir e for da sua cidade, procure ir nos shows, e se não for, comprar o material da banda, acompanhar o que ela vem fazendo e tudo mais.
E acima de tudo: um obrigado gigantesco a todas as bandas que apareceram aqui e que nos enviam uma tonelada de material todo mês. Nós iremos postar todas, podem ter certeza. É extremamente gratificante receber tanta coisa boa, de tantos lugares e estilos diferentes. Continuem firmes!
>> Layout novo, ainda com incompatibilidades. Blog melhor visualizado em resolução de 1280 x 1024, mas pretendemos tornar este funcional em TODAS as resoluções.
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