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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
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Bandas Amigas: Galego

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Artista paulistano que vai do transe atlântico ao trance espacial. Se aventura por diversas linguagens. Em uma de suas musicas diz: "keep me out of the mold, out of the line, outside the rules/ let me follow the unknown, i want to burn me all, all inside you (mantenha-me fora do molde, fora da linha, fora das regras/ deixe-me seguir pelo desconhecido, eu quero me queimar todo, todo dentro de você).

Ao fixar o texto acima, proveniente da página do artista, e encerrar o post desta forma é inevitável não transmitir um sentimento de preguiça. Mas verdade seja dita: a descrição acima realmente resume muito bem o trabalho de Galego.


Mas vale ressaltar diferenças entre seus dois — e que não sejam os únicos — discos. Com uma sonoridade e estética claramente importada do hemisfério norte, um gringo despojado, o disco The Man of Tomorrow lançado em outubro de 2015 faz eficaz uso do eletrônico e do indie/rock alternativo, além das letras em bom inglês. Ou se preferir como o próprio músico avalia: canções que passeiam de forma ousada pelo universo eletrônico-indie-rock-algumacoisa. The Man of Tomorrow se mostra um trabalho realmente pessoal, com Galego participando de todas as etapas (composição, gravação, produção, mixagem e masterização) sozinho.


Em contraste, Transeatlântico (2014) é aquele disco brasileiro para quem gosta da chamada "nova bossa", "nova mpb", no qual temos uma grande variedade sonora, tanto de gêneros como de épocas da música, sendo compatível com o som de músicos e bandas como Leo Cavalcanti, Curumin (que inclusive faz uma participação no disco), Karina Buhr, Cidadão Instigado, ou seja, um tanto swingado, um tanto romântico, um tanto pop, um tanto indie, um tanto tanta coisa. Assim não é difícil imaginar que Transeatlântico foi aceito facilmente, conseguindo o destaque que merecia.
Neste disco Galego dividiu as tarefas com Cris Scabello e Mauricio Fleury, membros do Bixiga 70, além de outros nomes.

Ambos os discos podem ser baixados no site do músico e também estão disponíveis para audição no Spotify e SoundCloud. Ah, e curta a sua página no Facebook.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015
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Julgue o Disco pela Capa - Volume 08

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Mesmo não sendo nem de longe um grande entendedor do universo Harry Potter e tão pouco ter lido qualquer obra de J.K. Rowling, um dos elementos cinematográficos que mais me chamavam atenção eram as fotos animadas nos jornais e panfletos, ou mesmo os quadros. Estes últimos demonstrando não ser apenas um meros Graphics Interchange Format (GIF), mas sim possuindo "vida".

Mas o que isso tem haver com este post? Bom, ocorre que o cidadão que atende pela alcunha de JB dono do Tumblr jbetcom's music, teve a feliz ideia de animar algumas capas de discos e, após publicá-las na internet, contou com todo o estímulo necessário para continuar sua jornada, hoje divulgando em seu blog algumas dezenas de encartes que se movimentam. Tudo bem que, como as imagens originais não foram criadas com esse propósito, o resultado é limitado, mecânico e as distorções são inevitáveis, portanto diferente daquilo que vivenciamos nas manchetes do The Daily Prophet. Porém nada disso ofusca a astúcia criativa de JB, nos apresentando uma experiência diferente, ou ao menos um adicional aos discos que já gostávamos.

Vasculhei completamente o blog do artista e montei uma pequena seleção das minhas gifs favoritas — e não escondo que o fato de gostar das músicas em si influenciaram nas escolha:




Blur - Modern Life is Rubbish (1993)

Blur, ao lado de Suede e em seguida Oasis e Pulp, está entre as bandas primogênitas da cena britpop, sendo seu Modern Life is Rubbish por vezes considerado o pontapé inicial disso tudo — obviamente sempre existiu e sempre existirá divergência sobre quando uma cena pontualmente surgiu.
É interessante notar que, mesmo após um hiato entre 2003 e 2008, ou mesmo a existência da banda desde 1988 (sou um mês mais velho que ela), ela continua com a mesmíssima formação, o quarteto Damon Albarn (vocal, teclados), Graham Coxon (guitarra, backing vocal), Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria).
Os caras lançaram esse ano o The Magic Whip, seu oitavo disco.



Cannibal Corpse - Butchered at Birth (1991)

Este é o segundo álbum do Cannibal Corpse e como pode ser notado, um dos grandes destaques do disco Butchered at Birth é o encarte, neste caso transmitindo não apenas um sentimento de repulsa, como também curiosidade e um tanto de carisma — ou isso seja meramente meu gosto por essa arte (minha favorita do CC) distorcendo as coisas.
O artista por trás desta e de várias artes do Cannibal Corpse é Vincent Locke (os fãs podem dizer se são todas), que também esteve envolvido com algumas HQs, entre elas Batman e The Sandman, por exemplo.
Eu só sei que definitivamente gostaria desse disco no formato animado.



The Smashing Pumpkins - Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995)

Enquanto Billy Corgan, único integrante original do Smashing Pumpkins, decide se o lançamento esperado para esse ano Day for Night será a despedida da banda, é interessante mostrar aos novos possíveis ouvintes a grandeza dos primeiros trabalhos da banda, que ainda contavam com D'arcy Wretzky (baixo, backing vocals), James Iha (guitarra, backing vocals) e Jimmy Chamberlin (bateria) e juntos faziam um som incrível e alternativo, com vastos elementos resultando em variadas sonoridades, como, ou próximo do: grunge, dream pop, shoegaze e até heavy metal.
Não descreverei o disco, mas indicarei algumas das minhas faixas favoritas: A popular "Bullet with Butterfly Wings"; a melancólica "1979"; a dobradinha barulhenta "Jellybelly" e "Zero" e um pouco de romantismo com "By Starlight".




Stratovarius - Fright Night (1989)

Pois é, nunca neguei respeitar meia dúzia de bandas de power metal — ou seja, não gosto da maioria a qual me obriguei a ouvir e tão pouco tenho me dedicado a ouvir um novo álbum sequer — e uma delas é Stratovarius. Mesmo possuindo influência de Helloween, por exemplo, no seu debut Fright Night a banda já havia instaurado o metal progressivo, um pouco mais tímido que nos álbuns posteriores, mas o suficiente para não se parecer tanto com outras centenas de álbuns de heavy metal naquela época prolífera. Infelizmente a banda caiu num limbo feito de chatice, assim como 99% das demais bandas do gênero soam pra mim. É triste, e insuportável eu diria, ouvir algo deles após Intermission, de 2001. A banda perdeu seu charme e todo aquele bom uso dos teclados, uma de suas marcas registradas  — e essa fase genérica é visível até mesmo nos encartes.



Autopsy - Tourniquets, Hacksaws and Graves (2013)

A verdade é que não havia sacado este disco, mas como a animação é uma das que mais gostei, me senti coagido a apreciá-lo. Além do mais, coincidentemente, o disco é apresentado no filme Deathgasm (2015) que resolvi assistir essa semana.
Assim como Blur, Autopsy também é uma banda importante para a cena musical, no seu caso a death metal, pois desde sua formação em 1987 se tornou uma das mais influentes bandas do gênero. Seu som carregava nítidas heranças do debut de Death, Scream Bloody Gore (1986), do qual Chris Reifert fez parte antes de se desligar e fundar a Autopsy, somando agressividade com a temática gore, da qual é considerada pioneira.
Sobre Tourniquets, Hacksaws and Graves: está um petardo. Manda bala.



Public Enemy - It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back (1988)

É difícil dizer quais músicas não soam icônicas no disco It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back do grupo de hip hop estadunidense Public Enemy. Lançado em 1988 o disco ainda contava com uma grande formação, além dos atuais Chuck D, Flavor Flav, Khari Wynn, DJ Lord e Professor Griff, e que hoje são reconhecidos MCs, DJs, produtores e por aí vai.
Como It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back é o segundo álbum do grupo, espere por composições com fortes críticas sociais e um conteúdo político. além do ritmo mais acelerado que o primeiro, Yo! Bum Rush the Show (1987).
É um material dinâmico, sonora a liricamente, com fortes influências do funk.



Sepultura - Arise (1991)

É redundante dizer o quão foda e importante é Sepultura e seu grande disco Arise para o heavy metal e até além, incluindo o respeito e orgulho nacional que essa obra representa.
Arise é brutal como os discos anteriores, explodindo em thrash e death, mas modernizando seu som, trazendo alguns elementos ainda não vistos em suas músicas, incluindo a percussão, tornando-o mais latino.
Apesar das novidades, Arise está relativamente distante de Roots, por exemplo, que é muito grooveado, experimental e abrasileirado.
Enfim, é bom lembrar que é audição OBRIGATÓRIA!


Outros exemplos:



sábado, 31 de outubro de 2015
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Drops de bacon #15: Sambas estranhos e afro-ruídos: 3 discos/pt.01

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Este é o primeiro de uma sequência de sei-lá-quantos posts que pretendo escrever para apresentar sempre discos que tenham uma forte relação com a cultura e religiões afro, mas que fuja, ou pelo menos não se enquadre totalmente na ampla categoria que é a denominada Música Popular Brasileira (MPB), seja por conter um som muito desconstruído/experimental, por trazer de volta elementos tão rústicos que perderam a simpatia das comunidades brasileiras ao longo dos anos e da modernização, chegando a causar certa estranheza em dias atuais, ou ainda claramente fazer referências a ingredientes religiosos que são postergados ou mesmo discriminados num país onde o próprio negro virou cristão.

Desta forma, pretendo aqui adotar o termo Música Torta Brasileira (MTB), — assim como nosso parceiro Fernando Augusto Lopes em seu texto para o Floga-se — especificamente associado à cultura negra (e ao samba, que com alegria e bom humor chamo de samba torto, estranho, manco, macumbeiro, etc), para designar estas estranhezas que tantos artistas vem produzindo durante décadas de música brasileira. No entanto, não se apeguem tanto a isso. Assim como a MPB pode garantir inúmeras experiências, boas e incômodas, solenes e brutais, a MTB será apenas um tipo de temática, mas não um gênero musical rigoroso.





Juçara Marçal & Cadu Tenório – Anganga
Ano: 2015
Gênero: Afro-noise
Selo: Sinewave / QTV 
Arte: Cadu Tenório
Streaming: BandCamp
Download: SineWave

Uma das grandes surpresas de 2015 foi a união de dois “recentes” grandes nomes da música torta brasileira, cenário esse que fervilha ao nível underground mas que tem chamado atenção mesmo até de alguns grandes portais. Se de um lado Juçara Marçal é endeusada por sua interpretação vocal ímpar, já bastante notável desde a época com as mulheres do Vésper e com o grupo A BARCA, e por uma carreira que vem sendo tomada cada vez mais de samba estranho — principalmente pelas parcerias com Kiko Dinucci e Thiago França —, do outro Cadu Tenório é um respeitável compositor de música perturbadora e desconcertante, obviamente admirado por um nicho específico, mas demonstrando que bebe de várias fontes musicais diferentes e, ao compor, nos ambienta em meio aos cascalhos e ao aço, ao tempo frio e metálico.
Assim como em Sobre A Máquina, VICTIM! ou Ceticências, Anganga soa quebrado e desgraçado, mas com um plus mítico e, de certa forma aterrorizante para ouvidos não acostumados criados num país predominantemente cristão, onde o diferente ainda causa estranheza e mesmo, infelizmente, repulsa. Neste caso porém, é justificável, já que Cadu e Juçara não estão nos entregando uma música de ninar. O disco consiste no atrevimento da dupla em desconstruir e reinterpretar cantos de trabalho, chamados de vissungos, entoados pelos negros nos garimpos em Minas Gerais e cantos do Congado Mineiro, anteriormente recolhidos e transcritos pelo filósofo e linguista mineiro Aires da Mata Machado Filho, em 1920, e interpretados primeiro por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela na obra O Canto dos Escravos, de 1982.
Foto: Divulgação
De acordo com a descrição na Sinewave, “Anganga é a entidade suprema do povo banto (“Anganga Nzambi”). A palavra consta do canto do congado “Grande Anganga Muquixe”, cujos versos indicam reverência àquele cuja “gunga não bambeia”, o mestre, o mais velho. Trata-se de uma expressão que diz respeito à reverência ao passado.”.

O disco ainda conta com duas composições próprias de Cadu Tenório, “Eká” e “Taio”, também com colaboração de Juçara Marçal. O resultado é um afro-noise sufocante, murmurador, agonizante e estranhamente belo que parece implorar por liberdade.

A mixagem e masterização recebem os cuidados de Emygdio Costa (Fábrica, Sobre A Máquina), velho companheiro de Tenório.





Virgínia Rodrigues - Mama Kalunga
Ano: 2015
Gênero: Samba Torto / Samba Macumba
Selo: Independente (Dist. Tratore)
Arte: Cláudio Bispo (escultura) / Sora Maia (foto)
Streaming: Spotify

Mama Kalunga é o quinto disco de Virgínia Rodrigues lançado sete anos após Recomeço, disco de 2008, e, contando com várias participações, destaca-se por sua solenidade ao narrar a presença negra no mundo, e especialmente no Brasil, com músicas que vão de “sambas eruditos” a composições em tons ritualísticos. Tais participações fazem parte da estrutura primordial do disco, pois Virgínia aqui não compõe, “apenas” interpreta — de corpo e alma.
Aliás, é desmerecer o trabalho alheio dizer que os nomes presentes no disco foram “meras” participações. O repertório, a começar por Tiganá Santana (e também produtor ao lado de Sebastian Notini), corresponde a maioria das faixas: “Mama Kalunga”, “Mukongo”, “Mon`ami”, “Yaya Zumba” (com frases pela voz da atriz Ruth de Souza) e “Dembwa (10 de Agosto)”, composições em sua maioria interpretadas nas línguas africanas kikongo e quimbundo por Virgínia e que fazem a frase “sujo de barro e espírito” — de Tiganá, em apresentação do disco — ter total sentido. Seguindo, Paulinho da Viola é evidenciado com “Nos Horizontes do Mundo”, composição de 1978 e que já fora experimentada por cordas vocais feminina com Leila Pinheiro, em 2005. Gilson Nascimento é responsável pela música que abre o disco, “Ao senhor do fogo azul”, dirigida a Nkosi/Ogum — o guerreiro, o lutador, o forjador, o senhor do ferro — orixás de grupos étnicos diferentes, mas mitologicamente semelhantes. Por outro lado, “Vá Cuidar de Sua Vida”, de Geraldo Filme se afasta da mitologia e, de forma racional, nos entrega uma letra provocativa (vale muito ouvir a versão de Itamar Assunção, presente no disco Pretobrás (1998)), travestida de um ritmo razoavelmente bem humorado e com trechos como “Vá cuidar da sua vida. Diz o dito popular. Quem cuida da vida alheia. Da sua não pode cuidar” e "Negro jogando pernada. Negro jogando rasteira. Todo mundo condenava. Uma simples brincadeira. E o negro deixou de tudo. Acreditou na besteira. Hoje só tem gente branca. Na escola de capoeira".
Foto: Sora Maia
O maestro, compositor e arranjador Abigail Moura, criador da Orquestra Afro-Brasileira, apresenta em “Babalaô / Amor de Escravo” uma canção leve, compassada e bela. As duplas Roberto Mendes e Nizaldo Costa, com “Teus Olhos em Mim”, e Moacir Santos e Nei Lopes, com “Sou Eu” (e participação de Tiganá Santa), além de “Luandê”, de Ederaldo Gentil (do disco Pequenino (1976)), trazem romantismo a Mama Kalunga ao mesmo tempo em que mantêm a estética afro que o disco se propôs desde o início. Por fim, “Cântico Tradicional Afrocubano / Belén Cochambre”, de domínio público, é a experiência máxima do disco no quesito “música raiz” que se pode ter, mesmo com meros 2 minutos e 28 segundos, onde Rodrigues segue acompanhada da cantora peruana Susana Baca, ex-Presidente da Comissão de Cultura da Organização dos Estados Americanos (2011 — 2013).

Enfim, um álbum rico, cheio de sentimentos e elementos, heranças da África e povo negro brasileiro e que incluem algumas interpretações nas línguas africanas kikongo e quimbundo de forma honesta. A imersão é garantida.




Juçara Marçal e Kiko Dinucci - Padê
Ano: 2008
Gênero: Samba Torto / Samba Macumba
Selo: Tratore / Selo Cooperativa
Arte: ?
Streaming: Spotify
Download: Kiko Dinucci.com.br

Provavelmente as bases teatrais de Juçara não foram em vão e a Companhia Coral parecem ter sido, de grande forma, responsáveis pela desenvoltura com a qual a cantora encara e domina o samba torto, mas ainda dançável e possível arriscar alguns passos, presente em Padê, primeiro trabalho junto do músico e já praticamente um ser onipresente Kiko Dinucci. Este por sua vez basta qualquer pesquisa ao “oráculo” para entender as dimensões de seu trabalho como músico e alimentador cultural, encabeçando ou se vinculando a vários projetos como Bando AfroMacarrônico, Duo Viola, Passo Torto, Metá Metá ou mesmo sozinho, como em Na Boca Dos Outros (2009). Aliás, seria mesmo injusto não citar outras notórias participações de ambos. Sendo sucinto: “Fio de Prumo (Padê Onã)” (Juçara), do álbum Convoque Seu Buda (2014) de Criolo; “Samba Do Fim Do Mundo” (Juçara e Fabiana Cozza), do álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) de Emicida; A Mulher Do Fim Do Mundo (2015) (Dinucci e vários), o mais recente disco de Elza Soares; “Retrato na Praça da Sé” (Dinucci), do álbum Vira Lata na Via Lactea (2014) de Tom Zé; RÁ! (2015) (Com a trupe Thiago França, Kiko Dinucci Juçara Marçal e outros), novo trabalho do rapper Rodrigo Ogi e por aí vai.

Padê — segundo dicionário Michaelis: “Cerimônia em honra a Exu, e que antecede as festas do candomblé”, “Homenagem a Exu, antes de qualquer cerimônia do candomblé, para que ele não estrague a festa” e ainda “desjejum que se oferece ao Exu, antes do início das cerimônias nos candomblés; é constituído de pipoca com azeite de dendê, seu alimento preferido” —, já com seus sete anos de idade, segue uma linha mais próxima do samba manco e macumbeiro ouvido em "pastiche nagô" (2008), não chega a ser metalizado como as músicas de Metá Metá (embora seja uma evolução — e por evolução entendam simplesmente como “mudança”, não “melhoria” ou “piora”) ou como o disco de Vicente Barreto, Cambaco (2015) (Kinucci também está aqui). Tão pouco chega a ser tão Encarnado (2014) (vale ressaltar que este disco figurou a maioria das listas no nosso #Top2014), mas é possível ouvir tudo junto, incluindo um Passo Torto para nenhuma entidade botar defeito.
Foto: Bruno Poletti/Folhapress
De acordo com o texto de nosso editor Bruno Lucas “(...)desde o seu título o álbum se oferece como um registro espiritual nas bases das religiões africanas em solo brasileiro(...)”, portanto Padê é audição obrigatória para quem se interessa pelas raízes culturais e religiosas de nosso povo enquanto degusta uma maravilhosa obra de arte.
Para informações complementares quanto aos elementos sonoros e culturais presentes no disco, além de uma segunda visão sobre o mesmo, Bruno Lucas já deu conta do recado em seu ótimo post (clique).



Links interessantes:

PENSE OU DANCE: MÚSICA TORTA BRASILEIRA, post do nosso parceiro Fernando Augusto Lopes, ser pensante por trás do Floga-se.

O Povo Brasileiro, documentário de Darcy Ribeiro.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
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Crib45 - Marching Through The Borderlines

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Gênero: Post-Metal/Atmospheric Sludge
País: Finlândia
Ano: 2014

Comentário:
Mais tardio do que este post, Marching Through The Borderlines foi parido em abril de 2014, cinco anos após o primeiro e até então único full-length da banda Crib45, o Metamorphosis, um dos discos das levas subsequentes da cena post-metal que mais me agradaram, assumindo posições elevadíssimas no meu ranking ficcional (pois não existe de fato, não costumo piramidar discos). Foi um disco de estreia memorável, muito embora a banda não tivesse tanto reconhecimento. Bom, pelo menos não se ouvia falar de Crib45 por aqui.
Apesar da espera, Marching Through The Borderlines se mostrou igualmente bem conduzido, ainda apresentando, vez ou outra, os saborosos saxofone e clarinete do primeiro disco e o vocal convincente de Teemu Mäntynen. A diferença, aos meus ouvidos, em relação ao lançamento anterior está numa produção mais caprichada — embora, tenho de confessar, a produção mais "natural" é um dos pontos que mais me fez gostar de Metamorphosis —, em passagens eletrônicas de bom caimento e algumas outras performances bem pontuais no decorrer da obra.

A saída de vários integrantes também causou uma dissemelhança entre as obras, já que alguns deles eram também vozes de apoio. Uma pena, já que os vocais limpos ao lado do som rasgado, alto e ao mesmo tempo grave emitido por Teemu era de uma complementação belíssima. Entretanto, há de se notar que este disco foi conduzido de forma que necessitasse um pouco menos de vocais de apoio e, quando chega a hora, não apresentam tanto destaque como ouvíamos antes, principalmente porque aqui é comum estarem gritando, envoltos de muita distorção provinda das guitarras. Mas no geral, os novos integrantes se saíram bem e não tenho queixas.

Enquanto o Metamorphosis nos alegra a cada música, tornando-as individualmente memoráveis, deixando as vezes um pequeno vácuo no feeling entre elas, Marching Through The Borderlines parece se preocupar mais com o todo, com a coesão entre as nove faixas. Um álbum diferente, com uma nova formação (à exceção de Teemu) e que soa naturalmente mais moderno, mais alternativo que seu antecessor.

Ambos os discos, assim como singles e EPs, podem ser ouvidos através do Spotify.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015
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~▲†▲~ (Xwxwxwxwv) - Discografia

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Gênero: Eletrônica/ Witch House/ Industrial/ Ambiente
País: Rússia
Ano: 2010 e 2011

Comentários: Apesar dos parênteses no título, a banda deixa em seus discos, e nas demais tags, os caracteres ~▲†▲~, referindo-se realmente ao seu nome. Obviamente é praticamente impossível achar tal banda desta forma, por isso utilizam a sequência Xwxwxwxwv para facilitar a busca e a divulgação de seu nome. Assim sendo, também fiz a utilização de ambos por via das dúvidas.

Pouco se sabe sobre ela, aliás, sou sincero em dizer que sei quase nada, fora seu som, e por isso ficarei devendo (quem deve é ela) informações. Contudo, seu som é hipnótico e agressivamente confuso. Perturbante e medonho, mostra o lado obscuro da música eletrônica, que ainda aumenta ao analisarmos os títulos das faixas e, evidentemente, as capas dos discos. Capas estas que querem dizer algo, ou não querem, ou não sabemos interpretar, ou não há o que interpretar. Apesar dessa aparência sombria, ela soa mais como 'desconhecida', e como bem sabemos, o desconhecido sempre nos gera receio, porém curiosidade.


Pode-se dizer que a 'til triângulo cruz triângulo til' se encaixa em uma 'nova' (década de 2000) categoria de música que cresce no submundo, principalmente estadunidense e europeu. Existem outras mais, algumas tão estranhas quanto, mas todas com suas características próprias. Porém uma coisa muitas delas tem em comum: O uso abusivo de triângulos (ou deltas), olhos e cruzes. Seu significado foge do meu conhecimento, mas sempre sugerem interpretação, e como cada um tem a sua, será fácil encontrar desde boas palavras como 'equilíbrio' até fantasias e conspirações como 'illuminat'. Já com relação ao Witch house, você pode ler algo a respeito na Wikipédia, mas aparentemente não segue as mesmas ideias mirabolantes, ou talvez seja simplesmente informação incompleta.


O som é deveras atraente aos que apreciam a música eletrônica com uma certa interferência industrial e executada de forma mais ambiente, calma, mas ao mesmo tempo com uma movimentação intensa, como de pequenas partículas. Apesar de parecer novo para alguns, em seu som podemos notar muitas influências, entre elas hiphop, darkwave, trance... e da própria música que fora anteriormente encapsulada, pois, sim, o comum é desacelerar músicas conhecidas, inclusive do mundo pop, até resultar nessa forma decadente.

O segundo disco, ~▲††▲~, é em geral mais 'acessível', puxando mais para o ambient e deixando de lado um pouco todo aquele masoquismo mental. Entretanto não se torna inferior, pelo contrário, é mais conciso e coeso, apesar de eu gostar mais do choque do EP.
O clipe acima é da música '•'(ponto), a primeira do EP, e foi feito à partir de cenas retiradas do filme Häxän, de 1922, conhecido por aqui como Haxan - A Feitiçaria Através dos Tempos. O segundo clipe é do novo álbum, uma viajem alucinante.

Este post foi atualizado em 14/09/2015 para restaurar os links quebrados e relatar que o projeto não mais existe (bom, pelo menos todos os seus links oficiais foram removidos), mesmo tendo mudado seu nome para VEINS há algum tempo.

//discoGs - ~▲†▲~ //discoGs - VEINS


~▲††▲~ [Album]
Tracklist:
1. Vague I 03:49
2. Social Phobia 04:02
3. unfortunately stuck 00:03
4. Dusk 03:19
5. экзотика 04:05
6. Vague II 03:21
7. Stickweed Houses 04:00
8. Disunited 03:46
9. Vague III 03:57
10. Spoffish 03:38

DOWNLOAD (discografia)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
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Русичі - Щебетала пташечка

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Gênero: Folk-Pop-Rock /Experimental & Alternativo
País: Ucrânia
Ano: 2008

Comentário: Como a Ucrânia chamou atenção para si nos últimos meses, achei que poderia aproveitar o momento para trazer novamente o disco Shchebetala ptashechka (Щебетала пташечка /  A Birdie Twittered) que eu havia publicado anos atrás. Por seu som alegre e boas vibrações, é uma boa para tentar se livrar um pouco das tensões e ao mesmo tempo me mascarar, fazendo-me parecer que só estou preocupado com nossos colegas ucranianos e não tenho a menor intenção de lucrar com essa postagem. Brincadeiras à parte (até porque não ganhamos um centavo sequer), um dos principais motivos por eu indicar o som de Rusychi (Rusyczi / Русичі) é pelo valor mantido ao seu idioma natal, embora não vire totalmente as costas ao inglês, e por apresentar uma mistura entre elementos da cultura ucraniana — à começar pelo seu nome, uma derivação de "rusychies/rutheni", que faz referência aos eslavos orientais, antepassados dos russos, bielorrussos e, claro, dos ucranianos — com o de outras, flertando com reggae, rock alternativo, hip hop, ska e funk.

Acaba não dependendo muito de distorções elétrico-instrumentais, deixando o som extremamente agradável e alegre, dando espaço ainda para outras inserções como o country e até bossa nova/samba, mergulhados na própria atmosfera folk da banda. Rusychi não faz nada de complexo, ou muito estranho, mas sabe como trazer a música popular, do agrado dos mais exigentes e tradicionais, aos ouvidos mais modernos e que buscam fugir da mesmice.

Todos esses elementos são acompanhados por instrumentos como sopilka, ocarina, cane sopilka (todas flautas) e outras, das quais me nego a tentar identificar, e pela voz de Mila Mazur que, com seu vocal presencial, acrescenta muito à banda, merecendo atenção nas entonações e performances quando as músicas caiem em algum estilo diferente e depois voltam ao folclórico.

Destaco a faixa "Вербовая дощечка", uma das músicas que melhor representam o lado folk do disco, servindo de boa introdução. "Грушечка" segue o clima da anterior, porém mais alegre e "Ти до мене не ходи" é agitada, onde a flauta e a guitarra se encaram enquanto o vocal se esforça mais para aparecer. Como última indicação, "Калино-малино", que fecha o disco de forma funkeada, agora liderada pelo vocal masculino, ficando Mila com o backvocal.




Tracklist:
1. Вербовая дощечка
2. Грушечка
3. Мав я раз дівчиноньку
4. Щебетала пташечка
5. Ти казала (Підманула)
6. Ой за гаєм (фрагмент)
7. Мала конопельки
8. Стоїть дівча
9. Ти до мене не ходи
10. Калино-малино

Download


Shebetala ptashechka ("Bird twittered") from Rusychi on Myspace.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
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Mocha Lab - Cthulhu: The Funksical

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Gênero: Funk / Experimental / Art Rock
País: EUA
Ano: 2009

Comentário: Mocha Lab é apenas a ponta de um iceberg que constitui projetos musicais assinados por Paul Shapera, cuja temática de seus discos (a maioria) demonstra a sua grande dedicação à arte steampunk — e suas vertentes, como dieselpunk e atompunk, ambas estampadas como títulos — e claramente influenciado pelas obras "lovecraftianas", como bem explicita o título do presente disco. Mas, sabe-se lá como exatamente seriam músicas ideais para um mundo steampunk (dúvida que me vem como quando comparo o disco em questão à algumas músicas de Rasputina, por exemplo), Shapera, mais precisamente em seu projeto Mocha Lab, deixa claro à partir do "Cthulhu: The Funksical" que seu estilo cósmico é embebido, pra não dizer realmente tomado, em swing e um groove psicodélico de alta qualidade e criatividade, tornando-se muito original. São construções sonoras de resultado bastante agradável, principalmente pela pegada black, mesmo que a psicodelia e as experimentações não passem nem um pouco despercebidas e gerem eficaz estranheza.

Acredito que não seja o único a estranhar o disco pela primeira audição, até porque não é apenas os ouvidos que são instigados. A ideia em fundir o bom, velho e animado funk com o mundo medonho de Howard Phillips Lovecraft chega a soar jocoso num primeiro instante, e vamos combinar, assim continua ao longo das dezenas de reproduções de cada faixa. Mas os risos e estranhezas abrem brecha para a admiração e seriedade da obra, tamanho carisma que flui. Eu diria que é o "black no dark", se é que ficou clara a piada insossa.

O disco é conceitual, e ao decorrer trata de alguns seres místicos do universo criado por Lovecraft, mas da maneira quase inconciliável de Paul Shapera, cuja ligação ocorre principalmente durante as 8 primeiras faixas numeradas (numeradas propositalmente, portanto não é preguiça do autor deste post em editar as faixas), numa narrativa curta, em vozes otimizadas por vocoder (creio) e com entonações caricatas — na realidade bem dentro da proposta do funk. E o próprio compositor chega a chamar sua história de "ridícula".
Mas não se engane, não é um disco chato com "falatório desnecessário", pois você é facilmente levado pelos vários tentáculos musicais que aparecem durante o disco, ao mesmo tempo que não sentirá falta do Rock, um ser quase onipresente que na minha opinião pertence a espécie dos Grandes Antigos, ou seja, mesmo quando está em sua tumba, não é privado da capacidade de se comunicar.

Cthulhu: The Funksical é o álbum mais recente assinado como Mocha Lab, mas The Coffee Cellar, Subduction e Anamnesis valem a audição, além é claro de todo catálogo presente no BandCamp. Ainda como dica, visitem o site Site Lovecraft para baixar os e-books.


"Na sua casa em R'lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. Se ligou, baby!?"



domingo, 20 de abril de 2014
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Australasia - Discografia

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Gênero: Post-rock/ Post-metal
País: Itália
Ano: 2012, 2013 e 2014

Comentário: Não se engane com este nome, Australasia não é uma banda com elementos aborígenes localizada em algum território entre a Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné ou aquelas pequenas ilhas que poucos sabem de sua existência — que dirá seus nomes —, mas sim um duo italiano fazendo aquele post-rock sempre bem-vindo. Por vezes com uma pegada mais pesada do metal a la black metal justificado principalmente pelos blast beats, mas mantendo um certo elo etéreo guitarrístico para não fugir da proposta, enquanto que em outros momentos soa-se até dançante, com a ajuda de sintetizadores e vocais femininos.

Assim soa "Sin4tr4", o primeiro registro de Gian (guitarra/synths) e Rico (bateria) todo instrumental (sem contar a faixa "Apnea" que conta com uma ajudinha feminina) e que, segundo a banda, tem ares do grandessíssimo Ennio Morricone assim como também do extremo e underground mundo do metal. Isso acaba gerando músicas bem interessantes ao ponto de fato conseguirem escapar um pouco da mesmice que algumas bandas instrumentais teimam em reproduzir. Contudo aqui posso notar uma diferença bem grande entre as faixas, o que me acaba soando bem experimental. Não é como se fosse um post-rock mais pesado durante todo o disco, ou atmosférico durante os seus 22:18. Não, pelo contrário, existem mudanças bruscas de intensidade, fazendo com que nos desfrutemos de sentimentos diferentes. Isso é ótimo, mas é arriscado, eu diria, ao se pensar num disco com 7 músicas da qual a proposta pede por uma coerência. Bom, eu aprovei, não senti maiores prejuízos e na verdade pouco ou nada me incomodou já que tudo parece soar tão bem.

Mas Sin4tr4 se tratava de um EP, então em 2013, Gian Spalluto — que agora assina o projeto como músico multi-instrumentista: AUSTRALASIA is an evolutionary musical project, a collective featuring an alternating array of musicians and led by multi-instrumentalist Gian Spalluto. — lança o full length "Vertebra", um disco com 10 faixas, das quais "Antenna" e "Apnea" já haviam sido apresentadas no EP anterior, e as novas composições são igualmente belas. Deixando como exemplo para aguçá-los temos "Aorta", segunda música mais longa do álbum e que inicia com uma sonoridade que já resume bem o que esperar dali em diante, e com o final trazendo vocais femininos juntamente do piano. E aí, logo em seguida, "Vostok" dá o ar da graça com uma breve introdução eletrônica, que tende a volta mais tarde, a não ser no final em que eu sou surpreendido por um violão que me remeteu à forma brasileira de fazer música... mas não chegou a tanto, felizmente, pois Vertebra não é um disco para se experimentar tanto... quem sabe em outra ocasião. Já as demais novas faixas trazem mais peso, leveza, dissociação entre corpo e alma e assim por diante. Um belo disco lançado pelo selo Immortal Frost Productions.

E finalizando este post, o Australasia lançou em fevereiro deste ano um cover de Twin Peaks Theme, em homenagem ao compositor de trilhas sonoras Angelo Badalamenti, mas mantendo a característica ambiente.


Tracklist:
  1. Antenna 
  2. Spine
  3. Apnea 
  4. Scenario 
  5. Satellite 
  6. Retina 
  7. Fragile
Download/Comprar: BandCamp



Tracklist:
01. Aorta
02. Vostok
03. Zero
04. Aura
05. Antenna
06. Volume
07. Vertebra
08. Apnea
09. Deficit
10. Cinema

Download/Comprar: MediafireImmortal Frost Productions



Tracklist:
1.Twin Peaks Theme

Download/Comprar: BandCamp

sábado, 19 de abril de 2014
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Quialtera - Jgmglibtz

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Gênero: Progressive Rock/ Metal/ Experimental
País: São Paulo, Brasil
Ano: 2014

Comentário:
Eu estava com muita vontade em voltar a escrever resenhas, mas devido aos dias corridos, à preguiça crônica e outros fatores, como o receio em relação à ferrugem mental — no que diz respeito à música —, acabei deixando o blog de lado para me dedicar mais às putarias do mundão (ou nada disto). Mas bem, encerrando por aqui a parte "pratos limpos", venho apresentar um trabalho que considero deveras interessante, recém lançado e de origem nacional.

"Quialtera", nome de origem teórico-musical que, de forma simplificada, significa uma alteração rítmica em uma música, sendo um nome realmente válido para a proposta da banda paulista, mas não totalmente representativa. Isso porque a banda de Yuri Deryous (Guitarra/ Teclado/ Vocal), Walter Aires (Guitarra), Emerson Dylan (Baixo) e Jean Custer (Bateria) é — usando uma frase extremante brega — uma "explosão de gêneros" e deixa transparecer uma sobrecarga de influências muito legais e bem encaixadas, o que evita que essa "mistura" toda passe de interessante, para cansativo. Toda essa qualidade é ainda mais valorizada por ter sido apresentada logo em seu primeiro disco "Jgmglibtz", cujo título, segundo o próprio vocalista Yuri: "Já o nome do cd não significa merda nenhuma".

Saca a história:
"Estávamos eu (Yuri), o batera e o baixista em um bar, daí esse baixista tentou mandar um sms pro guitarrista que não tinha ido, mas ele tava tão travado que digitou essa merda aí (...) Até hoje ninguém desvendou o que ele pretendia escrever".

O disco Jgmglibtz, fruto de um trabalho que se iniciou em 2011 e que foi lançado em março deste ano, traz muitas referências, sendo que logo na primeira faixa, The Sounds We're Made Of, já podemos ouvir a maioria delas, todas moldadas como se fossem uma demonstração daquilo que o disco nos reserva. E essa demonstração vai desde uma linha hard rock, uma pegada as vezes mais punk, back vocals remetendo à black music, um triangulo puxando "a nordestina" e até momentos relâmpagos de blast beats, só pra mostrar que a rapaziada é do metal, mas de forma tão sutil que não chega a "endemonizar" a faixa. Já outras faixas se comportam de forma mais leves, com direito a um solene piano, enquanto que outras, revelam aquele heavy metal que estava difuso na primeira faixa.

Recapitulando, é um disco que vai te fazer banguear; remeter-te às sonoridades presentes em discos como "We're Here Because We're Here" (Anathema), à riffs paralelamente executados com vocais a nos lembrar de Opeth (e, particularmente, outros que me soam uma mistura de Exxótica com Black Sabbath) e ouvir baixos e cordas de guitarras viajando pelo espaço que deduram que estes caras andaram ouvindo muito Pink Floyd. E ao final, a viajem é fantástica e veio em boa hora, "pegando carona" com os atuais olhares voltados para o "Cosmos" (volta do seriado; astronomia em alta; novas descobertas; efervescência de áreas como astrobiologia; etc...).



Tracklist:
1.The Sounds We're Made Of 04:20
2.Permanent Perception 08:54
3.Às Memórias Ausentes, Notas de Ansiedade 02:45
4.Fuck The Folk 06:23
5.The Pig Speaks 03:00
6.Ana 09:10
7.Take a Ride 14:06
8.Jgmglibtz 06:30

Download: MediafireBandCamp / SoundCloud(streaming)
sábado, 18 de janeiro de 2014
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Bandas Amigas #7 - Odilara, Fura e Nvblado

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Odilara
O alto astral de Odilara é suficiente para quebrar a rotina desse blog que é tão envolto de estranhezas ruidosas, nebulosidades e tantas outras palavras esquisitas e sequer existentes. Isso porque a banda se propõe a fazer aquele mpb alegre e descontraído, utilizando inclusive de uma boa pegada de samba rock — que continua em alta —, mas com certa liberdade, abrindo janelas para a criatividade e agregando outras influências e instrumentações. Uma fórmula interessante, que não transforma o gênero, mas dá continuidade de forma autêntica e promissora naquilo que já fora reinventado. E assim segue o quinteto mineiro que em 2010 lançou um disco auto intitulado e, coincidentemente, soando como um retrato da música brasileira que já existia, embora já demonstrasse qualidade. Agora com "Janela Pro Mundo" buscaram fazer algo que garantisse uma identidade própria ao grupo, mesmo continuando a usar a fórmula antiga. Não se pode dizer se a fórmula foi aperfeiçoada, isso dependerá de gostos, mas certamente o resultado pareceu bom e garante aos mineiros do Odilara um lugar ao sol. Destaco a preocupação com a artwork, que vocês poderão notar ao baixar o zip; também pelo trabalho totalmente autoral, a não ser pelo o cover/homenagem a Wilson Simonal, que só agregou malemolência ao disco.

Pignianos sobre esse som:
"Janela Pro Mundo carrega o estigma da brasilidade tropical em cores fortes diluídas, onde até a pronúncia do nome da banda soa em calmaria: O-D-I-L-A-R-A; da poesia simples que utiliza termos do cotidiano como “Deixa vacilar pra baixar a bola, e se vacinar” para construírem seus versos breves, dos quais são cantados predominantemente pelos belos e doces vocais de Andréa. Este é um álbum de ode à serenidade dos dias ensolarados!"
— Ariel C.

"Odilara é um louvor a brasilidade. As faixas complementam-se em estilo e referências, na sonoridade da banda vi o Brasil no mundo e vice-versa, o release da banda não poderia ser mais exato: de fato vão de Noriel Vilela à Radiohead pra fazer um gênero que cresci ouvindo - um bom e autêntico samba, daqueles que você vai batucando na palma da mão, que pega fácil e contamina. Fazem samba fácil; vívido!"
— Lucas Bruno

"Instrumentistas de primeira, porém, com sonoridade reciclada que não traz nada de novo. Deve agradar os frequentadores de barzinhos e fãs de Nova MPB no geral, o que não é meu caso."
— Koticho

"Dona de uma temática simples e bem produzida, o grupo belo horizontino prima pelo samba, mas nada impede que outros elementos participem, pois há espaço para scratches (tradicionais do rap), elementos eletrônicos, um flerte com a mpb e um leve aceno para o rock. Destacam as faixas "Tantas vezes", a versão acelerada de "Nem vem que não tem" de Wilson Simonal, e o samba rock "4 k"."
— Bruno Lisboa

Disco: Janela Pro Mundo
Ano: 2013
Gênero: Samba/ Samba-rock/ MPB

Tracklist:
01 – Vou Assim Devagar
02 – Aquela Beleza
03 – Desencanto
04 – Em Todo Lugar
05 – Ed. Liberdade
06 – A Virada
07 – Tantas Vezes
08 – O Que Eu Quiser
09 – Varanda do Ser
10 – Liquidado
11 – 4 K
12 – Nem Vem Que Não Tem

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Links: Facebook/Soundcloud/Site





Fura
Embora nova no mundo, Fura já vem aparecendo neste blog desde que lançou seu primeiro material lá em 2010/2011, e sempre agradou bastante. Até porque o quarteto demonstra bastante técnica e criatividade, preenchendo esse mundo musical com mais um belo projeto de post rock/metal. Isso já seria o bastante para que você devesse dar aquela espiada no som dos caras, mas o quarteto apimenta as coisas dizendo que são de vários lugares do mundo e que se juntaram para criar algo. Infelizmente essa história não é desembrulhada pela banda, sequer sei qual a nacionalidade dos músicos (ou se são todos da Espanha, mas estavam morando em outros países... pois é de lá que o disco é assinado). Enfim, o importante é que Marc Tudurí, Manuel Oriol, Luciano Pugliese e Álvaro Medina sempre se preocuparam muito com a estética musical e visual de seu projeto, criando músicas de grande qualidade e intensidade, além de artworks sempre atrativas, principalmente neste disco homônimo. E se eu pudesse destacar mais alguma coisa, para que angarie ouvintes, eu diria que a masterização ficou por conta de Magnus Lindberg, percussionista do Cult of Luna. Mas é só um detalhe, a qualidade já é parte da pré-criação do Fura.

Pignianos sobre esse som:
"Post-Rock com pegada, pesado e intenso, cheio de influências legais de outros gêneros, uma das melhores bandas que já apareceram no quadro do Bandas Amigas. "
— Koticho

"A proposta da banda é fazer um som que remeta à ideia de um furão (fura em catalão) em seus hábitos exploratórios e ágeis que se alternam com o profundo sono que tem o animal durante a maior parte do tempo. Fura faz um rock instrumental moderno e competente. A intensidade das guitarras é digna de destaque."
— Rômulo Alexander

Disco: Fura
Ano: 2013
Gênero: Post-rock-metal/ Ambient/ Experimental/ Math-rock/ Instrumental

Tracklist:
1.Belisari 03:47
2.Omeia 07:09
3.Cornia 06:02
4.Ushuaia 04:34
5.Sibil·la 07:37
6.Askja 06:17

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Nvblado
Se a primeira banda deste post foi capaz de trazer a harmonia, então a segunda preparou seus ouvidos para que Nvblado fechasse com o caos total. Advindo de Balneário Camboriú, SC, Nvblado é formado por Felipe Garcia (Guitarra), Marcel Machado (Bateria), Camilo Machado Garcia (Baixo) e pelos búfalos Renan Pamplona (Vocais) e Felipe Mattos (Guitarra) — mas se você conheceu Búfalo antes, não se deixe enganar por aquele lo-fi sadwave. Nvblado também pode te carregar por meio de uma instrumentação lenta e introspectiva, mas a beleza é outra. É negra, densa e, ao mesmo tempo, cheia de combustões espontâneas, trazendo, com seu screamo, angústia e desespero para dentro de um post-rock constituído de uma beleza mórbida envolvente. Já as letras, gritadas, são um show à parte para a depressão.
Apesar da banda existir há alguns anos, "Afogado" é o primeiro lançamento (independente), um disco que se sobressai em relação à outras bandas do gênero, e isso não é graças somente ao screamo, mas também por um clara tentativa (bem sucedida e no ponto certo) de experimentar. E que capa bacana.
"E quando você fala, suas palavras caem como pedras sobre mim, soterrando tudo o que sinto. Mas tudo o que eu queria ao seu lado, na verdade, era só me sentir um pouco mais vivo." — trecho de Avalanche Pt. II

Pignianos sobre esse som:
"Nvblado é o resumo de toda uma angústia acumulada. A faixa "Angústia" soa de fato, como uma verdadeira angústia deve ser: tranquila e explosiva, acalenta e mordaz. A sonoridade - e conceito - da banda muito me agradam por evocarem em mim uma angústia terrível que dificilmente sinto com música, vai além do desconforto angustiante, é de fato um conflito, como se fosse um mar que salva ou afoga. Enfim, de fato a banda me agradou pelo seu tom sóbrio, vai direto pros fones."
— Lucas Bruno

"Screamo e Post-Rock se mostrou um casamento muito frutífero quando bandas como Envy e Suffocate For Fuck Sake resolveram apostar na mistura. A melancolia e beleza natural dos timbres do post-rock contrastam de forma ideal com os vocais ásperos e sofridos do screamo, resultando em músicas densas e carregadas de emoções, como a própria faixa Angustia do grupo, onde é impossível ouvir e não se perder no mesmo mar de angustia declamado pela banda."
— Koticho

"Urgente e explosivo. São alguns dos adjetivos cabíveis ao Nvblado. Utilizando de elementos tradicionais e oriundos do post-rock, a sonoridade usufrui do silêncio subsequenciado do esporro. Ecos de Sonic Youth e Refused são sentidos numa simples comparação, mas resultando em algo autoral e poderoso."
— Bruno Lisboa

Disco: Afogado
Ano: 2013
Gênero: Post-rock/ Screamo

Tracklist:
1.Afogado 02:09
2.Angústia 06:38 (clipe)
3.Morada 03:33
4.Avalanche Pt. II 08:28
5.Arpoador 10:38
6.Artemisia 05:55

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Links: Facebook/BandCamp/Soundcloud


E aí, gostou?
Se tem sugestões, ou possui uma banda/projeto solo e quer vê-lo aqui no blog, basta acessar este post para ter acesso ao nosso e-mail e entender como proceder para divulgar sua banda: DIVULGUE SUA BANDA (promote your band).
Não prometemos publicar tudo, mas prometemos ouvir tudo e, aquilo que acharmos minimamente interessante, faremos o possível para publicar.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
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Crib45 - Metamorphosis

4 comentários
Gênero: Atmospheric Sludge/Post-Hardcore
País: Finlândia
Ano: 2009

Comentário: Metamorphosis é o primeiro e único full-length da banda Crib45, que só lançara duas demos e um EP. Formada em 2002, na cidade de Helsinki, Finlândia, Crib45 começou como uma banda de Grunge, mas que felizmente evoluiu para uma sonoridade ainda mais alternativa e experimental. A sonoridade da mesma é muito boa e mesmo original. É pesada e lenta, como outras bandas do estilo, porém com uma beleza desigual em meio ao clima mórbido, melancolista, que até demonstra requintes de "progressividade". Tudo isso fortalecido por suas letras que falam sobre a fraqueza humana, tristeza e a dor.

A banda praticamente não possui informações escritas, deixando-nos apenas a par de sua música da forma mais importante e significativa que existe, que é através de áudios e vídeos que mostram, mesmo depois de quase 10 anos de estrada, que a banda ainda está se encontrando e tem um longo caminho a ser explorado. Principalmente porque, tendo como principais influências bandas do nipe de Perfect Cirle, Nine Inch Nails, Faith No More, Khoma, Cult of Luna, Isis, Callisto e Deftones, é muito difícil fazer algo ruim e certamente eu lhes digo que é uma interessante revelação a ser acolhida.

FanSite||BandCamp
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
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Bandas Amigas #6 - Lingering Last Drops, Ilusion e The Tape Disaster

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Lingering Last Drops
Apesar de já ter feito parte do selo Sinewave, Lingering Last Drops apresenta neste mais recente lançamento ("no") uma estética muito diferente do que conhecemos por shoegaze, embora seja notável a presença deste gênero na mente, composição e execução de Carlos Paraná (que começou sozinho e, embora não seja mais o única pessoa na banda, a formação é inconstante e não citarei outros nomes). Seu som vai além de melancolia, mas traz também influências que parecem ter vindo de soundtracks de filmes de terror, jazz e até ritmos tribais, que como dito por Carlos: (…) Vai desde os terrores orquestrados de Scott Walker até o batmacumba dos Mutantes.
A banda surgiu em 2006, tendo lançado seu primeiro trabalho "The Lingering Last Drops" em 2009 pelo Sinewave — o que logo anuncia a possibilidade de um shoegaze — e "Daylight or Something Similar" em 2010, que distanciou bastante da sonoridade do primeiro disco. Agora em "no", seu mais recente lançamento, nos é apresentado uma estética diferenciada e com uma forte tendência a barrar alguns ouvintes logo de cara, graças a presença da faixa "Innocent". Ao decorrer do disco, o som se "harmoniza", ao mesmo tempo em que se enegrece e experimenta mais, com o vocal cedendo espaço para uma instrumentação mais melancólica.

Pignianos sobre esse som:
"A proposta como um todo é interessante, easy-listening e tudo mais. Mas o vocal realmente está aquém de todo o resto."
— Forbidden

"O vocal na música "Innocent" pode barrar alguns possíveis ouvintes, ou até servir como um diferencial, mas o mais importante é que o disco funciona estranhamente bem com todo esta psicodelia, drone, elementos eletrônicos, ritmos tribais, influência jazz e outras que enriquecem seu post-rock."
— Damien Willis

Disco: no [EP]
Ano: 2013
Gênero: Post-rock/ Experimental

Tracklist:
1.innocent 04:13
2.boxes 05:01
3.the moon canyons 04:00
4.iqlusion\flatliner blues 10:12
5.outerspace 03:38
6.false projection 03:51
7.musidora 04:53

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Ilusion
Com uma sonoridade e estilo próprio de quem vive na capital paulista (ou você acha que só nordestino e sulista podem ser reconhecidos pela forma de fazer música?), compartilham de certa semelhança com bandas entre Dance of Days e Glória — mas não só isso. É uma banda que ainda engatinha, embora seus integrantes demonstrem boa experiência adquirida de bandas anteriores, trazendo um ar de confiança bastante claro para uma banda que surgiu somente em 2012. Em 2013 lançaram seu primeiro EP, intitulado "Distância" e contendo 6 faixas que exalam o cheiro dos shows paulistanos e arredores. Lançaram também o single "Fim dos Tempos", uma alusão e inclusive lançada na própria data de 21 de dezembro de 2012, dia do fim do mundo (o evento foi adiado), que segundo Guilherme Krol, guitarrista da banda: "Essa foi uma idéia interessante, porque tivemos duas semanas para compor a música e gravar, o que gerou uma correria enorme e muitas noites sem dormir.".
Ilusion é formada por Vazz (Vocais), Ícaro (Guitarra Solo), Krol (Guitarra) e Lêe (Bateria). Saca o clipe de "Outro Lugar".

Pignianos sobre esse som:
"Uma das faixas que mais gostei fora "Fim dos Tempos", onde tanto o vocal como instrumental me convenceram, mesmo com sua sonoridade faltando um bom acabamento e o vocal se desviando as vezes. Aliás, nota-se isso na maioria de suas faixas e talvez uma melhor produção já elevaria muito o som proposto pelos rapazes, mas ficaria contente também com uma sintonia melhor do vocal em determinadas músicas ou passagens. Só que, curiosamente, ainda assim o vocalista marca muita presença, representando demais o som dos caras e sendo bastante cativante. Nenhuma critica mais severa ao instrumental, pelo menos não ao som que a banda se propõe a fazer."
— Damien Willis

Disco: Distância [EP]
Ano: 2013
Gênero: Post-Hardcore/ Metal Alternativo

Tracklist:
1.Outro Lugar
2.Castelos de Areia
3.Monstro
4.Ponto de Partida
5.Fim dos Tempos
6.Não

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Links: Facebook//Soundcloud







The Tape Disaster
Apesar de toda a ecleticidade deste blog, é inegável que um dos pontos fortes, e também fracos de um grupo entre os colaboradores, tanto daqueles que saem, como dos que continuam, é o post-rock e congêneres. E parece não ser o bastante corrermos atrás de bandas do gênero, também temos que aturar que elas apareçam em nossos e-mails (Óh, que tormento!). E dessa forma que The Tape Disaster chegou até nós de uma forma mais direta, porque na real estivera sempre perto, logo ali naquele antro de audição chamado Sinewave. E definitivamente não é uma banda desconhecida neste meio, graças a participação em festivais (alguns deles promovidos pelo próprio netlabel) e lançamento de materiais de grande beleza e profundidade. O quarteto de Porto Alegre, que é Andres Araujo (baixo), Bruno Severo (guitarra), Rubens Formiga (bateria) e Thivá F.S (guitarra), lançou em 2011 seu primeiro EP, intitulado "Realidade Aumentada" e em 2012 "A Voz do Fogo" (Alan Moore detected), este com apenas duas músicas, mas que somam 12 minutos de puro êxtase. Saca o clipe de "Vitor Hugo (Hoje Utopia Amanhã Carne e Osso)".

Pignianos sobre esse som:
"Achei a sonoridade do "The Tape Disaster" bem sinestésica, se puder adjetivar assim, como dizem no release da banda é até rotulável, mas realmente complexo. Acho que as faixas tem aquela introspecção que eles mesmo pregam, mas transcendem, em algum momento, e você se pega indo além da música e se conecta realmente com o que eles fazer. Me agradou muito, de fato. (nem sei se dá pra entender muito disso, mas foi a primeira impressão que a banda me causou)."
— Lucas Rodrigues

"Bandas instrumentais de post-rock/post-hardcore soam maravilhosas quando fazem exatamente o que a gente espera que façam, e com competência. The Tape Disaster é simplesmente isso."
— Forbidden

Disco: A Voz do Fogo [EP]
Ano: 2012
Gênero: Post-rock/ Instrumanetal

Tracklist:
01. A Voz do Fogo
02. Vitor Hugo (Hoje Utopia, Amanhã Carne e Osso)

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