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domingo, 29 de novembro de 2015
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Porco na Cena #54 - Dia D Fest (Belém/PA)

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Certa vez me perguntaram “Por que você gosta desse tipo de música?”. Penso que algumas coisas não possuem muito lá coerência ou explicação – daquilo que certa vez falaram que estão além da nossa vã filosofia –; contudo ainda hoje busco uma resposta. Quiçá "este" seja o tipo de música para se apreciar em sua forma estrutural (com os riffs de guitarra, a imponência do baixo, a violência da bateria, a potência do vocal; as letras das músicas e suas origens, entre outras firulas), o tipo de música que trabalha em sua essência – sobretudo ao vivo – a atmosfera, as sensações e tudo que esteja próximo a isso. Como disse, ainda não tenho uma resposta à pergunta que me fizeram, mas após a noite de ontem, começo a crer que minha linha de pensamento não esteja tão errada...

No dia 28 de Novembro de 2015 (sábado/ontem), uma leva de pessoas vestidas de preto desceram a Av. Almirante Tamandaré na capital paraense rumo ao Insano Marina Club no intuito de assistir aos shows do festival feito em comemoração aos 30 anos de existência da banda Deliquentes, o Dia D Fest. Com 13 bandas autorais a se apresentarem e dois palcos (um de frente ao outro), o evento estava previsto para começar às 15hrs (com entrada gratuita até às 17hrs). Às 17, eu estava em uma fila enorme que teoricamente não deveria existir e lá fiquei por mais 40min. Não sei por qual motivo isso aconteceu, mas devido a isso infelizmente a maior parte das pessoas que já estavam por ali perderam o show da primeira banda SISA, inclusive eu. De qualquer forma, isso não foi de fato relevante perto do que veio a seguir e, para o post não ficar muito extenso, falarei dos três shows que mais gostei, até porque eu poderia resumir a noite de ontem em apenas uma palavra: Destruição!

A quinta banda a se apresentar (e a terceira em meu pódio) da noite foi a Sokera. Banda esta que, apesar de ser bem recente – formada ano passado – já carrega um EP nas costas e um público bem fiel e... brutal! Muito embora eu tenha passado o sábado inteiro ouvindo as músicas para me familiarizar mais com as bandas que não conhecia, ontem foi a primeira vez que vi a Sokera se apresentar ao vivo e uma das coisas que mais me chamou atenção foi a brutalidade com que o público recebe e concebe a sonoridade que a banda faz: um som cru e uma porrada seca (literal?). Aquele foi o show com a segunda roda punk (mosh ou seja lá como você chama) mais violenta, com direito a wall of death e um mortal pulado do palco como gatilho. Destaco ainda o coro no VAI SE FODER da música Evolução.



Muito embora eu seja 2 partes brutalidade para 1 parte introspecção, sempre serei a tiete e fã incondicional de contrabaixo, logo o segundo show do dia e também segundo lugar para mim foi o da banda Navalha, a qual eu não conhecia (nada mesmo) e me deparei com um contrabaixo de 6 cordas junto às batidas derradeiras de bateria. Navalha tem um som mais trabalhado, atmosférico e introspectivo... denso, em eufemismo. Chega a ser irônico a composição poética involuntária do sol se pondo e as águas da baia de Guajará baterem com o vento em conjunção às músicas do Navalha e um mix de cores do fim da tarde. Ao vivo parecia ter uma sonoridade mais pesada, no entanto, ainda intimista; embora tenha sido um show cedo e com um público um pouco menor em relação aos posteriores (pois ainda havia gente chegando), até isso condisse com o clima envolto a quem curtia a apresentação.


E, claro, ocupando o meu primeiro lugar está a banda Deliquentes, não porque era a anfitriã, porque era o show mais aguardado ou porque era comemoração de seus 30 anos de carreira, mas por vibração mesmo, o ápice da noite em tudo: vibe, público, quantidades de mosh, brutalidade em mosh eu que fui empurrada e fiz um strike nas pessoas atrás de mim, piração, etc, entre músicas novas como Fúria Urbana e músicas clássicas como Cemitérios; tudo em uma sequência de acontecimentos apoteóticos, como o momento que o vocalista Jayme Katarro pulou do palco e ficou rodeado da galera enquanto cantava. E, por fim, o show terminou com a clássica Planeta dos Macacos, um banho de espumante e essa bela foto aqui:
Foto por Icaro Lima.


P.S.: Deixo a menção honrosa ao show da banda Antcorpus (quarta banda a se apresentar), o qual foi brutal e também porque Thrash Metal sempre será aquele meu 1% vagabundo (ba dum tss). 

Evento Facebook

Bandas:
- SISA: Facebook / Bandcamp
- Navalha: Facebook / Soundcloud
- Blind For Giant: Facebook
- Antcorpus: Facebook
- Sokera: Facebook / Bandcamp
- DNA: Facebook
- The Last Machine: Facebook / Bandcamp
- Delinquentes: Facebook / Bandcamp / Soundcloud
- Rennegados: Facebook
- A Red Nightmare: Facebook / Site
- Briga de Bar: Facebook
- Insolência Públika: Facebook / Soundcloud
- Neuróticos: FacebookSite
sábado, 21 de novembro de 2015
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Porco na cena #53 - Pearl Jam em Belo Horizonte

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Os norte-americanos Pearl Jam estão há quase trinta anos prestando bons serviços ao mundo, conciliando (em doses equilibradas) boa música e ativismo político/social. 

Com reconhecimento em escala mundial, a banda vem desde o seu álbum de estreia arrebatando plateias mundo afora (das mais variadas faixas etárias), graças a grandes canções e apresentações viscerais, longas e antológicas. Ontem fora o dia do público mineiro conferir pela primeira vez a passagem da trupe liderada por Eddie Vedder. 

Porém, para descrever o que fora a primeira passagem do Pearl Jam em Belo Horizonte, jornalisticamente falando, não é tarefa das mais fáceis, pois encontrar palavras que mesurem de maneira adequada a emocionante apresentação é passível de ser piegas por demais e passa longe da imparcialidade. Mas alheio ao profissionalismo me rendo a tentar expressar minhas impressões.  

Os 42 mil presentes no Estádio Mineirão foram agraciados com um banho torrencial, de maneira literal e metafórica. Durante a sexta-feira, dia da apresentação, a cidade sofrera com fortes chuvas que perduraram por todo dia. E para compactuar com o clima, a apresentação (iniciada com meia hora de atraso) teve como abre-alas "Rain", delicada canções dos Beatles,

Diferente do formato "montanha russa" (oscilando longas sequências com canções mais lentas ou mais rápidas), o setlist da noite (composto por 36 músicas, o mais longo desta turnê, em quase três horas de apresentação) seguiu um inusitado formato randômico, quase alternando entre essas duas categorias. 

No hall das predileções, o álbum Ten fora o grande prestigiado da noite tendo seu repertório tocado quase em totalidade. Hinos da fase inicial como "Black" e "Alive" causaram momentos de catarse coletiva. Já a ala das covers, além dos Beatles as homenagens da noite percorreram desde caminhos habituais ou conhecidos dos fãs via "Sonic Reducer" (Dead Boys), "Imagine" (de John Lennon), "Rockin' in the Free World" (Neil Young)  aos inusitados como "Comfortably Numb" (do Pink Floyd, executada ao vivo pela 2ª vez) e a inédita "I want you so hard (boy's bad news)" (Eagles of Death Metal). Atendendo a "protestos", segundo Vedder, Stone Gossard foi aos vocais para cantar "Mankind", faixa do disco No code. Hits como "I am mine", "Do the evolution", "Sirens" e "Given to fly" não foram esquecidos e conviveram em plena harmonia com b-sides como "Pilate" e "Bee Girl". Tudo tocado com a maestria.    
   
Esbanjando o carisma já habitual, Vedder (em bom português) arriscou a comunicação com o público. Na sua pauta estava o dolorido atentando a capital francesa e o "acidente" ambiental ocorrido em Mariana (MG). Para o primeiro o vocalista dedicou a já citada"Imagine", clamando pela paz mundial. Já o segundo ganhou atenção especial já que ele bradou por uma imprensa imparcial e que prime pela verdade. Não obstante, conclamou por justiça aos culpados pelo desastre que, segundo o mesmo, "não deve ser esquecido" e ainda prometeu parte da renda do show para os que sofrem com as consequências do mesmo.

Por fim, Bono Vox (U2) certa vez disse que "a música pode mudar o mundo porque ela pode mudar pessoas". Atualmente vivemos dias tenebrosos (o ano de 2015 segue como um dos mais estranhos e tempestuosos dos últimos tempos), mas o Pearl Jam segue remando contra a maré, dizendo através de sua música que valores que prezem pela paz, a igualdade e o amor devem ser perpetuados de maneira desregrada e sem medida. Enquanto existirem bandas com proposta como esta o mundo torna-se um lugar ainda melhor. 

Poster oficial da apresentação. 
sexta-feira, 3 de julho de 2015
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Overload Music Fest 2015

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Após a edição de 2014 que trouxe para o Brasil bandas como Alcest, God Is An Astronaut e Fates Warning, o Overload retorna em 2015 maior e com mais bandas em seu lineup.

É interessante ressaltar a importância do festival realizado pela Overload, que traz para o Brasil bandas que normalmente sequer imaginariamos ver por aqui, passando por várias vertentes diferentes do rock e metal. 

Bandas que fizeram parte da história do Pignes desde o início como Anathema, Paradise Lost, Novembers Doom e Antimatter integram o lineup desse ano, que ainda conta com a maravilhosa banda japonesa de post-rock Mono, a experimentalidade do Reign of Kindo e o rock progressivo do Riverside pra nenhum fã de Porcupine Tree botar defeito.

Simplesmente imperdivel.

quarta-feira, 8 de abril de 2015
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Porco na cena #52 - Lollapalooza Brasil 2015

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Em 2015 Lollapalooza chegou a sua quarta edição no Brasil e segunda no Autódromo de Interlagos. O line up desta vez foi o mais diversificado, pois apostou em DJs (Calvin Harris e Skrillex) que foram içados ao hall de co-headliners, um artista pop de peso (Pharrel Willians), bandas consagradas (Smashing Pumpkins), artistas renomados (Robert Plant), um astro do rock em seu melhor momento (Jack White) e muitas bandas indies brasileiras (Boogarins, O terno, Far From Alaska, Baleia) que ganharam no Lolla uma boa oportunidade de exibição. 

Mas como um bom festival não é feito só de música, mais uma vez, a organização errou em diversos quesitos. À começar pelo preço exorbitante de tudo relacionado à alimentação internamente. Uma água por exemplo saia à 2 mangos (R$ 5,00) e uma cerveja cerveja à 4 mangos (R$10,00). Para entender melhor o funcionamento o festival adotou uma moeda interna que custava R$ 2,50 correspondente a cada mango.  Tal iniciativa pode até ter sido uma ideia engenhosa, mas que de fato foi uma tentativa de tentar mascarar os preços abusivos. 

Como se não bastasse logo no primeiro dia do evento o sistema das máquinas de cartão de credito saiu do ar, fazendo com que várias pessoas tivessem que esperar um bom tempo para comprar suas moedas de troca. Já no segundo a cerveja chegou à acabar em alguns bares por volta das 20:00. 

A distribuição da grade de horários de apresentação também carecia de um melhor arranjo, pois ótimas apresentações de bandas como Interpol, Molotov e Kasabian acabaram sendo curtas, em horários ruins ou com pouco público. Já bandas medíocres como Alt-J, Young The Giant e The Kooks obtinham melhores horários e shows com duração de mesmo quilate.    

Positivamente, a ala de serviços foi aumentada tanto no Chef Stage quanto aos vários Food trucks instalados próximos ao palco Skol que ofereciam uma diversidade considerável de comida, mesmo que também à preços salgados. A disposição dos palcos e banheiros seguiu quase a mesma logística da edição anterior com exceção do palco Ônix cuja distância fora encurtada.

No total 136 mil pessoas circularam durante os dois dias evento. O Ignes Elevanium esteve lá representado a classe dos entusiastas por shows que preferem ir ao campo de batalha ao invés de ficar sentado assistindo pela TV e conta como foram algumas das apresentações.

quarta-feira, 1 de abril de 2015
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Porco na cena #51 - St. Vicent / Robert Plant em BH

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Realizado em solo brasileiro desde 2012, o festival Lollapaloza tem como principal fator trazer em seu line up uma gama de artistas dos mais variados gêneros. Paralelas as gigantescas edições do evento que ocorrem em São Paulo no mês de março, a cidade do Rio de Janeiro era até então a única a receber parte das grandes apresentações. 

Porém, com a mudança no mercado de shows outras praças se tornaram parte da rota de shows internacionais. Desta feita, as tradicionais Lolla parties (agora Lollapalooza edition), chegaram à cidades como Brasília e Belo Horizonte.

Entre os dias 25 a 27 deste mês a capital mineira recebeu no Chevrolet Hall apresentações de Bastille, Foster The People, Skrillex, Major Lazer, Dillon Francis, St. Vicent e Robert Plant. As duas últimas ocorreram na última quinta-feira e foram históricas. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
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Porco na cena #50 - Lupe de lupe em Belo Horizonte

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Era uma noite de quinta-feira e a cidade de Belo Horizonte foi basicamente varrida por uma chuva torrencial e caótica. Era basicamente impraticável deslocar-se por longas distâncias, principalmente de carro, devido a parca visibilidade e o perigo de acidentes. Alheio a tudo isso, abandonei a escola em que trabalho em direção à Autêntica, nova casa de espetáculos destinada à artistas independentes, que abriu as portas pela primeira vez ao grande público. E para iniciar os trabalhos os conterrâneos da Lupe de lupe, a melhor banda de todos os tempos da última semana, deram o ar da graça. 

De fato, a minha descoberta quanto existência da banda era recente. Desta feita uma série de pensamentos dúbios dominavam as minhas percepções pré - show, pois tudo relacionado a Lupe, inicialmente, era estranho. Como não captei de imediato o conceito promovido pela banda, mas a sujeira, a melancolia das letras  e peso nada regrado resultavam em algo totalmente fora dos padrões. Sabe aquela banda de garagem do seu vizinho que ainda está começando a tocar seus primeiros acordes? Então ao ouvir o grupo a sensação predominante era de que uma banda amadora, que emulava distorções de My blood Valentine e Sonic Youth, que achava que seria legal promover o revival anos 90, em tempos onde o legal é ser moderninho "indie sambinha", persistia existir. Pesquisando um pouco mais, descobri que todo esse caos sonoro era um exercício premeditado, um verdadeiro foda-se a tudo e a todos. Movido por uma curiosidade absurda fui de encontro a apresentação e e confesso que não estava pronto para o que estava por vir.             

Quando cheguei ao recinto a apresentação já havia iniciado e no decorrer da mesma toda a analise negativa caiu por terra. O amadorismo ainda era latente, mas no bom sentido da palavra. De maneira ousada a banda transpirava paixão e energia, características estas ligadas somente a aqueles que apostam na urgência e na vontade desmedida para transmitir a sua visão de mundo. O público se comporta de maneira dispare: ora atônito, boquiaberto, ora em catarse brandando cada um dos versos (desde os mais complexos aos mais ganchudos) ou se entregava as rodas de mosh. 

Inicialmente, a sonoridade do grupo pode ser rotulada como puro 90's, mas tudo é entregue de maneira tão crua e visceral que a sensação é como se o rock estivesse ainda em seus primórdios. A longa apresentação de mais de duas horas (quem faz isso hoje?) perpassou por toda a discografia da banda, dando ênfase ao mais recente trabalho Quarup, elogiado disco duplo (?) que condensa todas as percepções e caraterísticas do grupo.  

Em tempos onde a frieza mecânica musical predomina, a existência de uma banda com a Lupe de Lupe comprova que estamos no caminho certo. Recentemente em texto Marco Barbosa (leia aqui) o autor atribuiu a banda o status de "banda salvadora do rock", análise esta que classifico como das mais errôneas. O rock não precisa ser salvo, pois o fato do mesmo não fazer parte do mainstream e de aparentemente não desencadear novas cenas estes fatores não descredenciam o gênero. Prova disso é que atualmente o Brasil vive um de seus melhores momentos, graças a uma gama de artistas independentes que buscam de maneira heroica a sobrevivência e o estabelecimento de novas identidades.

Como todo e qualquer ritmo musical o que mais precisamos no rock são de bandas que saibam ser fiéis ao próprio estilo, não se rendendo à estereótipos ou modismos e que nos retirem do lugar comum. De maneira desconfortável ou não a Lupe de Lupe segue a risca desta pseudo cartilha, provando que não precisamos de salvações inúmeras e sim de mais autenticidade.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
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Porco na cena # 49: Foo Fighters (BH/MG)

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Primeiramente um grande fator a ser considerado: Belo Horizonte entrou, finalmente, para o hall dos grandes shows e turnês. Num breve retrospecto dos últimos anos, já passaram por aqui Paul McCartney, Elton John, Black Sabbath, Red Hot Chilli Peppers, Robert Plant (que volta em março), Iron Maiden, Guns and Roses, Bob Dylan, Morrissey, Faith No more, entre tantos outros artistas, que em tempos atrás nem nos mais remotos sonhos idealizava-se por estas bandas. 

O grande mérito desta nova fase que se inicia por aqui se dá por duas razões: o trabalho corajoso realizado por produtores locais e a presença do público que, vez ou outra, comparece aos mega shows. Infelizmente, BH é tida para os organizadores em geral uma cidade "difícil", pois nunca se sabe o evento irá lograr sucesso ou não.  

É sabido que o padrão "dinossauro do rock" é uma quase garantia de vendagem, mas apresentações de artistas mais "novos" (leia-se com menos 20 anos de carreira) sempre gera desconforto e ansiedade, pois nunca se sabe se será viável trazer ou não alguém destes moldes para cá. Mesmo com uma série de interrogações na cabeça, a Nó de Rosa Produções deu a cara a tapa e trouxe para solo mineiro a turnê Sonic Highways do atual "melhor grupo de rock" da atualidade: os Foo Fighters.      

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
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Porco na cena # 48 - FUROR - Férias Urbanas Repleta de Ótimos Rolês

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Realizado em Belo  Horizonte o festival FUROR (Férias Urbanas Repleta de Ótimos Rolês) promoveu durante os meses de dezembro passado e janeiro uma série de apresentações culturais, mesclando atrações locais com artistas de renome do cenário independente nacional. 

Atentos ao novo mercado musical, os organizadores do evento promoveram de maneira criativa, tal como as hoje habituais campanhas de crowdfunding, a opção de convidar ao público a refletir sobre a sobrevivência artística nos dias atuais. Ao invés do tradicional ingresso, o participante foi convidado à pagar o quanto quiser e a cada contribuição recompensas eram atribuídas ao colaborador.

Durante as férias artistas como Tiê, O Terno, Renato Godá, os mineiros do Dom Pepo e o paulistano Thiago Pethit foram algumas atrações que derem o ar da graça no Mercado Distrital do Cruzeiro, o mais novo reduto musical belo-horizontino. O Ignes esteve lá e conta um  pouco como foi.

Lembrando que a programação se estende por mais uma semana. Caso queriam saber mais sobre o festival acessem o perfil do FUROR.

Tiê
Foto: Flávio Charchar

Promovendo seu mais novo rebento, o ótimo Esmeraldas (já resenhado aqui), Tiê trouxe toda a sua ternura e leveza ao Distrital. O setlist da apresentação, composto por 16 canções, privilegiou o repertório recente, que ao vivo funciona muito bem, graças à exímia banda de apoio. Novas canções como "Urso", "Mínimo maravilhoso" e "A noite" foram cantadas em uníssono e conviveram em harmonia com hits dos primeiros álbuns como "Dois", "Piscar o olho" e uma fora do script "Assinado Eu", que ganhou arranjo inédito. Entre uma canção e outra, a cantora aproveitava para deslanchar todo o seu carisma habitual contando inúmeras histórias pessoais que abrilhantaram ainda mais a memorável noite.

Dom Pepo
Foto: Flávio Charchar


Fruto da cada vez mais efervescente cena mineira, o combo Dom Pepo fez uma senhora apresentação no festival. Partindo de influências dispares, como os próprios afirmam na canção "Cabelo", a sonoridade da banda é uma mescla de elementos distintos como "feijoada, funk, soul, jazz, samba, maracatu, mexido, rock, reggae, rap, blues, baião", resultando em algo dançante e divertido. Com apenas um EP na bagagem, a apresentação contou com várias músicas inéditas que devem figurar num álbum cheio em breve. Olho neles!    

O terno

Foto: Flávio Charchar
Com um senhor disco sob os ombros, o segundo e ótimo O terno disco que figura em várias listas de melhores do ano de 2014, o trio O terno foi uma das mais celebradas apresentações do festival. Com o público na mão, grandes canções como "Bote ao contrário", "Ai, ai, como eu me iludo" e hits do primeiro trabalho ("66", "Eu não preciso de ninguém" e a icônica "Zé, assassino compulsivo") causaram momentos de catarse coletiva, coroando assim o grande momento artístico que este jovem grupo vive.

Thiago Pethit


Habitualmente a apresentação de Thiago Pethit é sinônimo para euforia e lascividade. Esta não foi diferente. Divulgando o elogiado Rock'n'roll Sugar Darling, disco lançado em outubro passado no qual revisita os primórdios do rock, em show Pethit mergulha fundo na atmosfera 50's adotando não só a postura visual bad boy (via jaquetas de couro preta e jeans) como também aposta na sonoridade da época, período em baladas de amor e o rockabilly engatinhavam para o estrelato. No set, canções do disco Estrela decadente ("Moon", "The devil in me", "Dandy darling") e de Berlin, Texas ("Nightwalker") foram de encontro ao novo repertório, destacando o já hit "Romeo". As covers de Elvis ("Be bop a lula"), de Gary Glitter ("Do you wanna touch me") e Iggy Pop and Stooges ("I wanna be your dog" em versão dupla, a original e a releitura em português) completaram o repertório. 
domingo, 16 de novembro de 2014
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Porco na Cena # 47 - Doomsday Fest 2014

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São Paulo, minha São Paulo. Aaah São Paulo, com domingos de secas, meu Brasil de tretas! Já há alguns meses havia preocupações sociais e políticas circulando via facebook e congressos. Podemos condensar o domingo do dia 26 numa fornalha de panfletagem política de tudo que é lado; com alguma garoa pra tirar a aridez da coisa toda. Sim, o domingo foi quente em vários sentidos.

Mas é domingo, e todos sabem que um domingo sufocante é um bom dia pra pegar aquela camiseta cinzenta do Venom - e que mal cabe direito - e prestigiar mais um evento do nosso Doom Metal, arquitetado mais uma vez pela Last Time Produções (que está ativamente trazendo o Doom nacional aos fins de semana de São Paulo e atraindo um público cada vez maior e mais fiel).

(crédito das fotos a Thiago Santos)


segunda-feira, 10 de novembro de 2014
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Porco na Cena #46 - Zombie Walk Belém 2014

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Para quem não sabe (se é que alguém não sabe), Zombie Walk é um flash mob, em que os participantes se reúnem caracterizados de zumbis em um determinado local e fazem uma caminhada a partir dele, onde passam por shoppings, parques ou lugares de grande concentração pública. Reza a lenda que a primeira Zombie Walk (ZW) aconteceu na Califórnia (EUA) e outra lenda diz que foi em Toronto (Canadá), em 2003. No Brasil, a primeira Zombie Walk foi em Belém/PA; isto porque aqui, ela ocorreu no dia 29/10/06 (eis uma amostra do "ataque" daquele dia → aqui) e a de São Paulo, no dia 02/11 do mesmo ano. Eu (Ariel) só comecei a participar de 2008 em diante.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014
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Porco na cena 45: Festival Transborda (BH)

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Após hiato de dois anos, o Transborda, festival realizado em Belo Horizonte, voltou aos holofotes mineiros. Promovido durante a semana final de outubro e início de novembro, a terceira edição do evento trouxe à tona uma série de palestras e oficinas, cujo mote central foi discutir o mercado artístico atual, suas inovações e as perspectivas de futuro, privilegiando, neste caso, a ótica independente. 

Como culminância, os organizadores (o Coletivo Pegada) trouxeram para o Spasso Escola Circo, reduto underground local, uma série de artistas iniciantes (das mais variadas localidades brasileiras) que, em sua maioria, nunca tocaram na cidade.  Durante dois dias, um curto, mas selecionado, line up deu o ar da graça expondo toda a diversidade sonora da cena musical brasileira atual, com bandas do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.  

Line up do 1º dia. Fonte: Divulgação     
A largada do festival fora dada na noite de sábado (1-11) com os potiguares do Red Boots. Apostando no formato mínimo, o duo executou de forma ensurdecedora a mistura de elementos do grunge com stoner rock. O repertório privilegiou o recém lançado Touch the Void (disco lançado pela inciativa do projeto Dosol), mas resgatou faixas de Aracnophilia. O público, desavisado da potência sonora, ficou boquiaberto tamanha a pungência da apresentação. 

Na sequência, os belo horizontinos da Câmera fizeram do palco um espaço para dicotomias. Indo de momentos silenciosos ao esporro sonoro, a banda debutou o repertório de Mountian Tops, 1º disco cheio, e excelente, lançado pelo selo Balaclava Records semana atrás. Faixas dos EPs Not tourist e Invsible Houses também deram o ar da graça, em performance inspirada e elétrica.

Já os goianos da Boogarins, que debutavam em BH, colheram os louros da recente premiação como artista revelação do Prêmio Multishow, já que uma parcela considerável dos presentes estavam ali para vê-los. O repertório, que girou em torno do elogiado As plantas que curam e algumas canções inéditas, fora executado de maneira explosiva, com números instrumentais gigantescos, embebidos em doses cavalares de dissonâncias, num autêntico revival do psicodelismo. Grande apresentação do promissor quarteto.

Fechando a primeira noite, os baianos da Maglore pareciam estar em casa. E realmente estavam. Amparado pelo receptivo público local, a apresentação teve como grande trunfo um público devoto que cantava, à plenos pulmões, todo set calcado nos discos Verox e Vamos pra rua. Aproveitando o ensejo, o trio debutou duas inéditas ("Mantra" e "Ai ai") que deveram figurar no novo rebento a ser lançado ano que vem.                                      
Line up do 2º dia. Fonte: Divulgação
Já no domingo (2-11) a carioca Mahmundi trouxe ao transborda a mescla de sons eletrônicos contemporâneos linkados a estética oitentista. Liderados por Marcela Vale (ex-Velho Irlandês), o trio esbanjou carisma em apresentação dançante. Ao final, o premiado hit "Calor do Amor" (presente em seu 1º disco Efeito das cores) contou a presença de dezenas de fãs no palco, coroando efervescente noite.

Para o fim, coube as gaúchos do Apanhador Só encerrarem os trabalhos do festival. Vivendo grande momento na carreira, a banda realizou apresentação histórica. Amparado pela ótima receptividade de Antes que tu conte outra, a apresentação teve como fio condutor o elogiado álbum, cujo repertório, quando executado, cresceu em timbres e energia em estado bruto. Em tom de resposta, o público foi ao delírio durante todo o show, em especial canções como "Despirocar" e "Mordido". O repertório ainda resgatou canções do debute que ganharam novos arranjos como em  "Maria Augusta", agora um autêntico hino carnavalesco. "Prédio" finalizou a memorável noite que reverberará por bastante tempo.   

Por fim, há de parabenizar o evento como um todo, pois tudo transcorreu de forma plena e admirável. A escolha por realizar uma edição enxuta, em local intimista e a preços simbólicos resultaram numa melhor visibilidade aos artistas e na presença  maciça do público. Para o ano que vem esperasse que o festival siga a sua louvável sina que é promover diálogos, reflexões e dar visibilidade ao vasto cenário musical brasileiro que segue em crescente constante.         
terça-feira, 7 de outubro de 2014
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#Porco na cena 44: Circuito Cultural Brasil Diverso - 1º final de semana

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Começou no fim de semana passado em BH, e se estende até o final de novembro, o Circuito Cultural Brasil Diverso, evento cuja finalidade é promover a música nacional em seus mais variados formatos. 

Na programação, que ainda será divulgada em detalhes, constarão oficinas e shows de artistas independentes e consagrados na cenário atual.

Com curadoria de Bart Ramos (tradicional produtor local), as apresentações tiveram como local escolhido a Funarte, espaço intimista da capital mineira que comporta apenas 140 pessoas (fator este que tornam-as ainda mais especiais) e entradas a preços simbólicos (R$ 10,00 inteira).

Lafayette e os Tremendões (sexta), Canastra (sábado) e Acabou La Tequila (domingo) dividiram as atenções na primeira leva de apresentações. O Pignes, representado pela minha pessoa, esteve lá na sexta e no domingo e conta como foram os shows.

Lafayette e os Tremendões

Lafayette e os Tremendões. Foto: Diego Rodriguez
A exímia banda, cuja formação consta Gabriel Thomaz (Autoramas), Renato Martins (Canastra), Melvin (Carbona), Marcelo Callado (Do amor) e Érika Martins, trouxe para CCBD o celebrado repertório com clássicos da Jovem Guarda, tendo como fator principal a presença de Lafayette, tecladista da época e responsável pela sonoridade peculiar do gênero.

A enérgica apresentação, cujo mote principal são as canções de Roberto e Erasmo Carlos, perpassou por vários hinos compostos pela dupla nos anos 60. "Quero que tudo vá pro inferno", "O portão", "As curva da estrada de Santos" e "É proibido fumar" foram algumas das pérolas resgatas, que agradaram em cheio ao pequeno, mas festivo público presente.

Enquanto os rapazes da banda se divertiam tocando, alternado vocais e improvisando covers inusitadas de "Whisky a go go", "Twist and shout" e "La Bamba", coube a Érika Martins esbanjar todo seu carisma. A aniversariante do dia era só sorrisos e animação. Durante a sua performance além de atirar balões público, a mesma foi de encontro a ele, fazendo da apresentação um autêntico karaokê coletivo.

Érika Martins. Foto: Diego Rodriguez
Paralelo ao repertório do Rei, o setlist também contemplou quatro canções inéditas: "Te vejo nos meus sonhos", "Deixa que eu deixo", "Para viver ao seu lado todo dia" e "Eu tenho mil garotas", cuja sonoridade dialoga abertamente com o repertório composto de covers e que deverá sair em breve em formato físico, num segundo álbum ainda a ser lançado.

"Festa de arromba" encerrou os trabalhos em alta, deixando um largo sorriso na platéia presente. Grande noite.                    

Acabou La Tequila


Acabou La Tequila. Foto: Diego Rodriguez
Oriundos da cena underground carioca dos anos 90, o Acabou La Tequila é o que podemos chamar de um autêntico dream team tupiniquim.

Com apenas dois discos gravados (os elogiados Acabou la tequila e O som da moda), a  banda não conquistou grande sucesso durante o curto período de existência inicial, mas foram das raízes deste grupo que músicos como  Kassin, Nervoso, Renato Martins e Rodrigo Barba conquistaram, cada um na sua seara, considerável prestígio no rock nacional durante os anos 2000. Com esta vasta bagagem que a banda carioca debutou em palco mineiro.

Melvin. Foto: Diego Rodriguez
Contando com a colaboração e maestria de Melvin, baixista do Caborna e também do Lafayette em substituição a Donida, o grupo carioca começou a apresentação de forma suave via o reggae "Tranquilo", canção de Renato Martins. A noite seguira efórica numa autêntica mistura de gêneros no qual rock, ska, punk conviveram em harmonia. Os semi hits "Biscoito", "Mais ou Menos" e "Eu era pop" (as duas últimas regravadas pelo Autoramas) vieram e foram intercalados por autênticos hinos independentes tais como  "Flaming Moe" e "Kung Fu", faixa executada durante o bis.

Os problemas técnicos enfrentados por Kassin, que arrebentou 4 cordas (?!) de sua guitarra durante a performance, em nada impediram este histórico momento, que fora presenciado, infelizmente, por um pequeno público na fatídica noite de domingo.            

Por fim, entre idas e vindas, o combo La Tequila promove apresentações esporádicas, de acordo com a agenda de cada um, e, ao que parece, 2014 será o ano em que a banda está no hall das prioridades já que é prometido o lançamento do terceiro álbum, com faixas inéditas e gravações antigas que não viram a luz do dia. Aguardaremos ansiosamente.

Assim termina a cobertura do 1º final de semana do CCBD. Para o próximo final de semana são aguardadas as apresentações de Érika Martins e Autoramas junto a Renato Barros (Renato & seus Blue Caps). E o Pignes, novamente, estará presente. Aguardem. 
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
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#Porco na cena 43: Porão do Rock - Brasília (30/08)

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Chegando à sua 17ª edição, o festival brasiliense Porão do Rock segue, ano após ano, cada vez mais relevante. Amparado por um grande público, cerca de 55 mil pessoas divididos entre os dois dias, a produção do evento trouxe para o estacionamento do estádio Mané Garrincha uma infra-estrutura gigantesca e um line up de peso contendo o supra sumo do rock nacional, em suas mais variadas vertentes, agregada à algumas atrações internacionais.

Line up dos dois dias. Material de divulgação 
Intercalado por 3 palcos, os shows aconteceram de maneira pontual e primaram pela mistura atrações de peso e bandas regionais, oriundas de várias seletivas realizadas pré-festival. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi o primeiro dia de apresentações:


segunda-feira, 11 de agosto de 2014
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#Porco na cena 42: Pato Fu ao vivo no SESC Palladium, BH

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Foto: Gabriel Pinheiro


Tempos atrás Nick Cave, no seu livro The secret life of the love song, definiu divinamente o que seria saudade: "uma falta inexplicável, uma nostalgia indescritível e enigmática da alma". Como somente um grande artista poderia ponderar, Cave traz em suas palavras a definição precisa deste nobre sentimento ante a ausência do que nos é essencial aos sentidos. E talvez grande parte público mineiro presente no SESC Palladium, espaço cultural recentemente revitalizado, estivesse enebriado desta nobre nostalgia ao se deparar novamente com uma das preciosidades da nossa terra: a banda Pato Fu.

De fato, a lapso temporal é sentido desde o distante 2007, período em que Daqui pro futuro (derradeiro álbum de estúdio com canções inéditas) deu o ar da graça. Após breve turnê, neste mesmo ano Fernanda Takai debutou de forma solo (via Onde brilhem os olhos seus, disco em homenagem à Nara Leão) e o esperado sucesso de público e crítica se concretizou resultando na mudança de interesses na carreiras dos membros fundadores do Pato Fu. John Ulhoa enveredou seu lado produtor atuando ao lado de artistas como Zélia Duncan, Érika Machado, Arnaldo Baptista e a própria Takai. Ricardo Koctus, por sua vez, também se lançou de maneira solo produzindo dois discos. Em 2011 a banda mineira voltou aos holofotes com o ousado projeto Música de brinquedo onde clássicos do cancioneiro popular mundial ganharam versões tocadas com instrumentos infantis. A bem sucedida turnê deste álbum segue até hoje e isso também contribuiu com o fato o clássico repertório dos discos anteriores fosse deixado de lado, entristecendo fãs de outrora. Mas esta sina está prestes à acabar. Prova disso, foi a apresentação realizada no domingo dia 10 em BH.

Foto: Gabriel Pinheiro
Celebrando os 3 anos das dependências do SESC, a apresentação foi um desbunde. Utilizando de largo apelo visual, crédito para o trabalho do iluminador Adriano Vale, a banda começou à 220 volts com a acelerada "Eu", do disco Ruído Rosa, que foi cantada à plenos pulmões pela sedenta platéia. O formato greatest hits foi escolhido para a noite cujo setlist primou por sucessos de quase todos os discos, salvo o debute Rotomusic de liquidificapum. Após a enérgica abertura, vieram a trinca de hits "Perdendo os dentes"(de Isopor), "Tudo vai ficar bem" (Daqui pro futuro) e "Anormal" (Toda cura para todo mal) que mantiveram em alta a receptividade. Para os que ansiavam por lados B "2 malucos" (Ruído Rosa), "Imperfeito" (Isopor), "Agridoce" (Toda cura para todo mal) e a hilária "Capetão" (Tem mais acabou) foram algumas das pérolas resgatas da vasta seara de grandes canções. O show também foi a oportunidade de colocar à prova o talento de Glauco Resende, baterista também do Tianastácia, o mais novo membro do grupo, substituindo à Xande Tamietti, que optou em dar prosseguimento em seus trabalhos até então paralelos. Em perfeita sintonia, Glauco trouxe novas vibrações à banda, resultando em novos arranjos para várias canções, à destacar "Depois" (Isopor) que ganhou em extensão e em groove. Para o bis, "Simplicidade" (Toda cura para todo mal), única canção cantada por John Ulhoa na noite, "O filho predileto de Rajneesh" (Isopor) e "Sobre o tempo" (Gol de quem?) encerram os trabalhos de forma memorável, satisfazendo em sua plenitude aos fãs famigerados, mesmo ainda não arriscando o novo repertório do já finalizado disco com lançamento previsto para outubro deste ano.

Por fim, agora é atenção a agenda da banda, pois se faz valer assistir as raras apresentações agendadas pelo Brasil, já que a prioridade é a nova turnê de Takai, que divulga por agora o seu mais novo rebento solo, Na medida do impossível, até o fim do ano

Esperasse para 2015, a volta em definitivo, uma turnê extensa e com o mesmo gás desta banda sensacional que segue por anos à fio prestando bons serviços à música brasileira.

Foto: Gabriel Pinheiro
Setlist:

Eu
Perdendo os dentes
Tudo vai ficar bem
Anormal
Ando meio desligado (Mutantes)
2 malucos
Agridoce
Depois
Eu sei (Legião Urbana)
Imperfeito
Canção para você viver mais
Amendoim
Antes que seja tarde
Made in japan
Capetão
Uh uh uh, lá lá lá, ié ié!

Bis

Simplicidade
Filho predileto de Rajneesh
Sobre o tempo                        
domingo, 29 de junho de 2014
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Porco na cena #41 - Nação Zumbi em BH

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Em estúdio ou ao vivo? Esta é uma das questões mais pertinentes dos adoradores da música. Afinal, quantas e quantas vezes nos deparamos com artistas que funcionam muito bem em formato gravado e pecam ao vivo? Ou ao revés, cometem versões magistrais ao vivo de canções que não funcionaram em certo álbum? Esta transição encontra dificuldade pelo fato de que são raros de artistas que não se rendem à mera reprodução de um registro fonográfico, mas os executa indo além do que já nos é conhecido. Partindo deste princípio, a apresentação da Nação Zumbi realizada ontem (28 de junho) em BH atinge brilhantemente tal propósito.    

Com mais de 20 anos de estrada à fora é incrível perceber o quão espetacular é a Nação Zumbi ao vivo. Esta foi, pelas minhas contas, a sexta vez em que os assisti em solo mineiro e o nível de energia destinada ao público, marca registrada da banda, é tamanho que impossível torna-se impassível ante ao espetáculo promovido.

Partindo da miscelânea de toda a carreira, dividida em oito geniais álbum de estúdio, a banda iniciou a apresentação com a pulsante "Foi de amor", pesada faixa presente no mais recente álbum do grupo, que incitou as primeiras rodas de pogo, dando o tom de tudo o que se veria noite adentro. Peso, aliás, é o melhor adjetivo para descrever o diferencial das apresentações ao vivo dos recifenses. Se em estúdio as faixas, por vezes, soam mal condensadas devido à elevada gama de instrumentos, tal "erro" é corrigido ao vivo já que tudo soa bem equalizado e grandioso. A ala percussiva, liderada por Gilmar Bola 8 e Toca Ogan, ganha em presença, deixando ainda mais densa as inumeradas camadas sonoras criadas pelos seus parceiros de banda. Lucio Maia, um autêntico guitar hero tupiniquim, leva ao extremos suas inúmeras notas, riffs e solos, entregando uma performance provocativa e eletrizante. À Dengue, baixista, e a Pupilo, responsável pela bateria, cabem os cuidados da cozinha que soa ainda mais azeitada frente à frente. Se Jorge du Peixe peca como frontman no quesito carisma, o mesmo emprega a sua linear voz numa performance segura em caráter de compensação.

Voltando ao setlist, faixas do mais recente rebento (a já citada de "Foi de amor", mais "Defeito Perfeito", "Bala perdida", "Cicatriz", "Um sonho" e "Pegando fogo") conviveram em perfeita harmonia com o repertório antigo. Celebrando os 20 anos do álbum de estreia, o atemporal Da lama ao caos, a banda executou "Rios, pontes e overdrives", canção esta que deu vazão a nostalgia ao público presente que bradou a plenos pulmões canções como "A cidade" e a faixa título. Para o bis, "Etnia", de Afrociberdelia, e o hino "Quando à maré encher", momento onde novamente o caos frenético se instaurou, retirando os resquícios de vitalidade do esgotado e feliz público presente.

Por fim, após esta fatídica noite, é possível talvez traçar o grande segredo para se atingir tamanha grandiosidade em apresentações ao vivo: ter um repertório à altura e com músicos capazes de se superarem de forma criativa. Parece simples, mas este difícil exercício, para alguns, segue aparentemente fácil sob os olhos da Nação Zumbi que segue, ano após ano, avassaladora em palcos mundo afora.                         
    
Setlist:

Foi de amor
Defeito perfeito
Bossa nostra
Fome de tudo
Bala perdida
Hoje, amanhã ou depois
Inferno
Meu maracatu pesa uma tonelada
Cicatriz
Cidadão do mundo
Manguetown
Um sonho
Blunt of Judah
Pegando fogo
Rios, pontes e overdrives
A cidade
Da lama ao caos
Etnia
Quando a maré encher
domingo, 18 de maio de 2014
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Porco na Cena #40 - Sub Pop Festival

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Os anos 90 já passaram a muito tempo, mas a sua música continua sendo cultuada, e os fãs da década tiveram uma ótima noticia quando souberam que a Sub Pop teria seu primeiro festival no Brasil, a iconica gravadora que lançara o Nirvana e grande parte das bandas de destaque da época viria para cá trazendo consigo o Mudhoney, talvez a referência mais viva do Grunge nos tempos de hoje, juntamente da molecada barulhenta do Metz e do Obits, banda nova formada apenas por veteranos de primeira categoria.

O Sub Pop Festival seria como um teste da nova casa de shows de São Paulo, a Audio Club, que inaugurou recentemente e ainda está em seus primeiros eventos. E a surpresa ao entrar foi completamente positiva, a casa que aparentemente pela fachada aparenta ser pequena, por dentro possue vários ambientes e uma pista principal bem espaçosa. O fumodromo é extremamente atraente, espaço externo com bar, e árvores decorativas, um dos mais bonitos que já vi. A pista com espaço para até 2500 é de primeiro mundo, também muito bonita, e a acustica da casa não deve em nada ao resto.

A primeira banda da noite a entrar no palco foi o Obits, que só depois naquela noite eu iria descobrir que seu vocalista era Rick Frosberg, responsável por capitanear o Drive Like Jehu, banda seminal do Post-Hardcore americano. Uma mistura de post-punk com garage rock e pegada folk dava o gás no som, o público ainda parecia um pouco deslocado, alguns aproveitavam a area externa do fumodromo da casa para conversar, alguns outros ainda estavam na parte de fora da casa esperando para entrar mais próximo da hora do Mudhoney, os grandes da noite. O show de cerca de 1 hora do Obits foi bom, muito bom e abriu majestosamente a noite.

segunda-feira, 12 de maio de 2014
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Porco na cena #39 - Transmissor no Teatro Bradesco BH-MG

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Aproveitando o gancho do recém lançado De lá não ando só, já resenhado aqui, os mineiros do Transmissor realizaram um bela apresentação de início da nova turnê sexta passada no Teatro Bradesco. 

Apostando numa nova formação com Daniel Debarry  no baixo e sem Thiago Corrêa, um dos líderes da banda que atualmente faz parte da banda de Victor e Léo, a banda optou pela caminho da reformulação sonora.

Foto: Pablo Bernardo 
Contando com uma pequena e estranhamente inexpressiva platéia, a apresentação se seguiria no formato atípico, alternando momentos de lucidez e reação por parte do público seguidos de um silêncio sepulcral. Uma pena. 

Alheios a imparcialidade dos presentes o grupo iniciou a apresentação com "Queima o sol", faixa do novo trabalho e na sequência "Bonina", hit do álbum Nacional. Privilegiando o repertório recente, que ao vivo ganha luz e visceralidade, a banda executou, quase que na íntegra, o mais recente rebento, intercalando sucessos e pérolas dos discos anteriores, faixas que aliás merecem algumas linhas. Se De lá não ando só é um disco que aposta numa atmosfera rock, acertadamente o grupo adequou diversas a nova sonoridade de faixas. "1º de agosto", com Jennifer Souza nos vocais, "Eu e você" e "Janela" ( todas do disco Sociedade do Crivo Morto), por exemplo, ganharam mais camadas e peso. Do já citado segundo disco, "Só se for Domingo" também ganhou novo andamento que dialogava diretamente com "Nossas horas", faixa do recém lançado trabalho. De Nacional ainda vieram a cover "Nada será como antes", do Clube da Esquina, e "Dessa vez" que encerrou a noite.

Somado a musicalidade impressa a apresentação primou por um largo apelo visual, com projeções artísticas criadas especialmente para a turnê, dialogando esteticamente com a nova proposta       

Renovado e com lenha para queimar, o Transmissor tem tudo para manter o alto padrão já presente nestes 8 anos de bons serviços à boa música. 

Ao público mineiro, a única ressalva da noite, uma observação: compareça as apresentações e quando o feito "jogue junto" com o artista. A  rica cena independente local precisa, mais do que nunca, da presença, física e espiritual, de um público fiel. A mesma só seguirá existindo com a força de seus conterrâneos.

Setlist, ingressos e novo disco. Foto: Bruno Lisboa
terça-feira, 6 de maio de 2014
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Porco na cena #38 - O malfadado público de hoje, a lei de incentivo à cultura ou como tentei ver o Thiago Pethit no Som Clube

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Material promocional
Após hiato de 14 anos, a iniciativa de trazer artistas para tocar ao ar livre, em plena Savassi (coração da zona sul belo horizontina) e de graça está de volta. O projeto Som clube prioriza por artistas nacionais, cujo trabalho tenha certa relevância no cenário musical, e para esta edição Alessandra Maestrini, Thiago Pethit e Marcelo Jeneci foram os selecionados pela curadoria.

Financiado pela lei de incentivo à cultura e a Claro, o evento em si propicia aos desmazelados a oportunidade de acesso à cultura de qualidade. Fator este de grande valia. Afinal, num país que cujos ingressos são caríssimos e onde se faz necessária a criação de um vale irrisório de R$ 50,00 para que público possa "fazer parte da cena" é ridículo por demais.

Tudo certo até aqui, mas muito incomoda o comportamento do grande público presente como pude observar no dia 02 de maio quando Thiago Pethit se apresentou. Infelizmente, quem vai à apresentações diversas e, geralmente, gratuitas não presta nenhum respeito ao artista que apresenta o seu trabalho. Aparentemente, o mesmo só está ali para criar a trilha sonora para que eles possam colocar a conversa em dia. O que seria um show, muitas das vezes vira ponto de encontro.

quinta-feira, 24 de abril de 2014
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Porco na Cena #37 - Hypocrisy

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Em uma segunda-feira, feriado de Tiradentes, os suecos do Hypocrisy deram o pontapé inicial em sua segunda passagem pelo Brasil. Quatro anos atrás o grupo tocou no mesmo Carioca Club, dessa vez retornam para a tour de divulgação do seu disco mais recente, End of Disclosure de 2013.

As 19h em ponto o Torture Squad teve a responsa de abrir o show. Torture já é figurinha carimbada em eventos do tipo, sempre cumpre bem o serviço com seu Thrash/Death técnico e cheio de quebradas. 

Meia hora após o término do Torture Squad, o palco já estava redondinho e o bom número de pessoas que preenchia a casa esperava ansiosa para receber Peter Tagtgren e sua trupe, que sem delongas entraram ao som dos teclados de End of Disclosure, faixa-titulo do último disco. Death Metal cadenciado e atmosférico de refrão grudento empolgou de cara, e na sequência veio com Tales of Thy Spineless também do último álbum. Mas isso era só a preparação pelo que viria a seguir, a dobradinha Fractured Millenium e Killing Art, do disco Abducted de 1996, o grande clássico da banda. Nessa hora o caos se instaurou na pista e uma grande roda engoliu quem estava no meio.  A qualidade sonora estava privilegiada no dia, o som estava alto e pesado como um rolo compressor, algo indispensável para se aproveitar ao máximo um show de metal extremo que não são raras as ocasiões onde o som fica completamente embolado. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014
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Porco na cena #36 - Lollapalooza Brasil 2014 (domingo)

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O segundo dia festival não foi tão tumultuado quanto sábado. O público reduzido pôde circular sem maiores problemas entre os palcos.

Stand Locomotiva discos - Fonte: ZP
Entre um show e outro também foi possível conhecer o que o festival oferecia em termos de entretenimento e afins. Uma roda gigante, um stand da Locomotiva discos, lotado de lps para compra, as lojas de souvenirs do evento e stands gigantes dos patrocinadores com diversos brindes foram alguns exemplos.

A maratona de shows neste dia começou cedo mais cedo.

Quem escreve e faz os uploads:

 
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Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.