Comentário: Não entendo muito a respeito de música eletrônica, conheci o James Blake aqui no blog e a sonoridade me agradou, resolvi procurar mais fundo, meio às cegas, dentro do tal Dubstep.
Desisti depois do primeiro clipe do Skrillex, rs. Mas uma boa recordação que me restou dessa busca foi Thinking In Textures do Nick Murphy ou Chet Faker se preferirem. Foi também "meio às cegas" que o Chet começou a fazer seu som, de forma bem despretensiosa mesmo e despretensiosa é um bom adjetivo para sua música. Entretanto o cover que ele fez da canção "No Diggity" do grupo de R&B Blackstreet se transformou em um viral na internet. A partir de então o projeto cresceu até render seu primeiro fruto.
O que você pode esperar de Thinking In Textures são batidas bem relaxantes e a bela voz de Chet. Não tenho certeza se é uma influência, mas acredito que Chet Faker seja uma alusão a outro Chet que também tinha essas características. No fim das contas, o trabalho de Chet é uma coesa e calma viagem pelo mundo do R&B, Jazz e Dubstep e eu recomendo que você compre apenas a passagem de ida. Baixe!
Tracklist:
01. I'm Into You
02. Terms and Conditions
03. No Diggity
04. Love and Feeling
05. Cigarettes and Chocolate
06. Solo Sunrise
07. Everything I Wanted
Comentário: Stonegaze. É por este rótulo que o trio originário do Texas descreve seu estilo. E apesar de parecer aquele tipo de rótulo forçado, piada para muitos, a escolha do termo é bem acertada. No Last.fm, a descrição da banda ainda diz: "um encontro entre Black Sabbath e My Bloody Valentine". É bem por aí...
Mas na verdade, o som do True Widow está bem mais puxado para o Shoegaze, para o Post-Rock, para um tipo mais alternativo, cadenciado e devagar. Bem devagar. Tempos bem lentos e riffs bem preguiçosos por toda parte. Principalmente se atrelados aos vocais, aveluados e alternados entre masculino e feminino (isso lembra muito My Bloody Valentine). A parte Stoner Rock se faz presente principalmente na guitarra, que leva um tom um pouco mais grave e um timbre seco, bem cortante. De certa forma, essa "metade Stoner" parece se desprender da atmosfera branda que é constante na música, mas o fato é que isso cai muito bem.
Essa atmosfera constante talvez seja um ponto negativo. Não há muito dinamismo na música de True Widow, mantendo-se quase sempre, num mesmo "humor". Claro, em algumas canções há uma pegada mais rápida, ou um momento mais emocionante. Mas no geral, é tudo bem firme, até mesmo pelos repetitivos riffs. O legal disso é que o trabalho fica consistente e profundo: não dá pra ouvir um álbum sem este se tornar marcante.
Com um "pequeno" título, As High As the Highest Heavens... é o segundo e mais recente LP da banda, que tem ainda alguns EPs lançados, tudo com muita qualidade. E aproveitando o embalo da alta dos tais estilos Shoegaze e Stoner, True Widow está criando um público crescente, fazendo tours com grandes bandas (Alcest, Om, Baroness) e com o intuito de lançar álbum novo ainda em 2013. É uma boa dica para os leitores do Pignes.
Gênero: Indie Rock/Post-Hardcore País: Estados Unidos Ano: 2012
Comentário: Cloud Nothings surge no grupo “gratas surpresas” da música alternativa nos últimos tempos. A banda é recente, começou a apenas 3 anos atrás em um porão em Cleveland, Ohio, e já é responsável por 3 bons álbuns de estúdio, sendo Attack On Memory o melhor até o momento, que fora inclusive a primeira banda de 2012 a receber o selo “Best New Music” da chatissima Pitchfork.
Começou como um projeto de indie rock lo-fi por Dylan Baldi que depois largou a faculdade para se dedicar a música de modo integral e montar um grupo completo. Inicialmente surge muito inspirado pela simplicidade das bandas dos anos 80~90 de indie rock/lo fi como o Guided By Voices, Dinosaur Jr. e Sebadoh, fora óbvias referências ao garage punk dos anos 60. Mas agora, em Attack On Memory, parte dessa simplicidade é largada e dá abertura a fortes influências de post-hardcore, inserindo mais peso e experimentações. O som agora está mais carregado e intenso, cheio de sentimentos, lembrando o trabalho de bandas consagradas como o Thursday e o Sunny Day Real Estate e chega ao climax em Wasted Days, uma música forte de quase 9 minutos de duração.
Por fim só nos resta acompanhar a carreira do grupo e ver até onde vão chegar, por enquanto figuram nas listas dos melhores álbuns lançados em 2012 até o momento.
Gênero: Indie Rock / Lo-Fi País: Estados Unidos Ano: 2011
Comentário: Ao contrário do que se pode inferir do nome que escolheram para si, o duo Girls não é formado por nenhuma garota. Christopher Owens e Chet "JR" White são dois caras, de San Francisco, que produzem um Indie Rock mais puxado pro Lo-Fi, de forma a trucidar todo e qualquer alarido felizinhos que seus colegas de gênero possam produzir. O som deles é triste. É depressivo.
Seguindo o critério da simplicidade para nomear as coisas que lhes são afins, a dupla lançou, em 2009, seu álbum de estreia, denominado - dã - Album. Recheado de canções soturnas, arrebatou a crítica e formou um novo público de hipsters, sedentos por atrocidades cabisbaixas. Diga-se de passagem, o maior single desse álbum, a canção Hellhole Ratrace, é, na minha opinião, a música mais triste da década passada.
Os incautos, ao iniciarem a audição de Father, Son, Holy Ghost, segundo full lenght do duo, lançado neste ano, podem achar que a animação de Honey Bunny abre um registro ensolorado. Se enganam. A obscuridade que lhes é afeita está presente, mais uma vez, de maneira brilhante. O melhor exemplo disso é a perturbadora Vomit, cujo clipe colaciono logo abaixo, que trata das andanças depressivas de Owens, rodandado por uma voraz San Francisco noturna, atrás da garota que lhe jurou amor, mas que, vendo que ele não era o bastante pra ela, caiu na noite sem aviso prévio.
Se você não está bem consigo mesmo, não ouça o disco. Ele pode te empurrar ainda mais contra o solo. Mas, ao final, a sensação de que nos deparamos com um lindíssimo trabalho se posta lado a lado com a tristeza provocada.
Gênero: Lo-fi/ Chillwave País: Santa Catarina, Brasil Ano: 2011
Comentário: Já é sabido que a música independente se consolidou como um dos maiores movimentos dispersos e alternativos. Pouco importa se é rock, música eletrônica, ruídos ou forró, ou mesmo se são todos estes juntos. Isso é fato também aqui, no Brasil, e não é de hoje, já que muitos malucos-do-bem se arriscavam a fazer música esquisita, ou até normal demais, mas ao seu próprio gosto, ignorando gravadoras e enfatizando sua liberdade.
Disso todo mundo já sabia, ou deveria saber, mas mesmo com tanta variedade, criatividade e com 7 bilhões de pessoas no mundo, sempre há espaço para algo diferentemente igual. Aí, depois de todo esse falatório, é que entra Búfalo.
Fruto de uma geração indie, interNérdica e globalizada, pratica o chamado lo-fi, técnica caracterizada pela gravação de baixa fidelidade, com aspectos deliciosos que eu não sei nem identificar, mas os músicos garantem se tratar de 'post acid' (que acredito ter sido retirado da banda Wavves, uma de suas maiores influências), 'tropical' (que dizem ser pelo fato da praia estar em seu cotidiano, embora eu, levemente notasse mesmo um ar fresco que batesse continuamente enquanto produziam músicas de astral nostálgico) e 'sadwave', que só confirma a melancolia presente em sua música.
Por trás da música doce, descompromissada — mas convincente — e triste de Búfalo estão dois jovens Catarinenses. Direto de Camboriú, Renan Pamplona (vocais, efeitos e letras) e Felipe Mattos (vocais, violão, guitarra, letras) possuem como maiores influências bandas relativamente novas como Toro y Moi, Sleep Party People, The XX e a já citada Wavves. Assim como suas influências, eles seguem um caminho totalmente novo, já que a arte em forma de música da dupla só teve início este ano.
Mas foi tempo necessário para um EP de muita personalidade: Too Young To Think Of Dying. É o primeiro material divulgável (não desmerecendo eventuais singles) e contém 6 faixas. Todas lindas.
Abrindo o disco temos 'Príncipe', que logo de cara deixa transparecer e deixar claro que se trata de um trabalho lo-fi, embora todo o disco esteja com uma edição fantástica. Além disto é uma ótima acolhedora por possuir uma melodia simples, mas eficaz. O mesmo é seguido por 'Hanna', com a diferença de nos deixar mais confortável, ou ao menos a par de onde nos metemos. Mas aí entra 'Remorso', a música mais estranha e com atributos de experimental (?). Em seguida vem 'Pacto', também diferente, inciando com uma lenta batida eletrônica que se seguirá por toda a faixa. Passando por essa experiência diferente nos vemos caindo numa canção, digamos, positiva. Sim, 'Sincero' parece não pegar todas as ondas tristes do disco. Foi bom enquanto durou, em 'Promessa' encerramos o disco tristonhos, prontos para recomeçar um loop viciante por horas.
Por fim vale mencionar que Renan e Felipe já tocavam e tocam juntos no Nvblado, banda recomendadíssima de post-rock.
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