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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
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Sol Invictus - In The Rain

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Gênero
: Neofolk
País: Inglaterra
Ano: 1995

Comentário: Tony Wakeford nasceu em 1959, na Inglaterra, e começou sua carreira musical no Punk Rock do Crisis, uma banda associada a extrema-esquerda, ao anti-fascismo e afins. Na época, Tony inclusive fazia parte da SWP (Socialist Workers Party - Partido Socialista dos Trabalhadores), um partido inglês (obviamente) de esquerda.

Porém, em 1980 a Crisis tinha seu fim e após um breve período, em 1981, Douglas Pearce, Tony e Patrick Leagas formam o Death In June. Na mesma época, no entanto, Tony Wakeford se tornou parte da British National Front (NF), uma entidade de extrema-direita (só para brancos) representativa até os dias atuais. Essa mudança de visão (e ativismo) política causou sua expulsão do Death In June em 1984 (e uma série infindável de inimizades até hoje dentro da cena do Neofolk, sem contar os inúmeros artigos ligando o Sol Invictus ao Neonazismo que se encontram na internet - que eu vou deixar a cargo do leitor decidir se são coerentes ou não). O fato é que Tony se refere publicamente a sua participação na NF como: "provavelmente a pior decisão da minha vida" e em inúmeras vezes tentou se mostrar como oposto as doutrinas neofascistas, como em 2011, quando sob tentativas de terem seu show cancelado em Londers devido a acusações de neofascismo, declaram absolutamente taxativamente que são contra quaisquer doutrinas semelhantes, inclusive o Anarquismo Nacionalista. Porém vale lembrar que Tony ainda teve uma banda de post-punk na vibe sinistra dos primeiros trabalhos do Death In June chamada Above The Ruins cuja temática lírica muito se aproximava de da extrema-direita, logo após sua saída do grupo de Douglas Pearce.

Finalmente, em 1987, Wakeford forma o Sol Invictus, sua principal banda até hoje e uma das mais importantes formações do Neofolk. Com uma sonoridade muito mais neoclássica e menos marcial que o Death In June, no Sol Invictus Wakeford demonstra um talento indescritível, uma sensibilidade atemporal e uma profundidade ímpar. Ao longo de uma vasta discografia é difícil citar álbuns isolados, porém In The Rain se destaca a meu gosto pessoal e por isso vos posto aqui.

Lançado em 1995 o disco tem um clima soturno e melancólico, com melodias bastante folk, apocalípticas e sentimentalmente pesadas, ainda que os toques neoclássicos dos instrumentos eruditos sempre presentes torne tudo romântico, de certa maneira. O vocal de Wakeford é soturno e belo, e as letras da banda nos levam a cenas distópicas ainda que abstratas, como se sentimentos pudessem ser devastados. Faixas como Down The Years possuem ainda refrões pegajosos e versos cativantes. O uso do violoncelo no disco é mais do que sublime, especialmente por ser um instrumento bastante grave e a sonoridade da banda de maneira geral soar bastante grave. A duração do disco é outro ponto positivo, são 13 faixas em geral mais longas que o normal, porém equilibradas com interlúdios e faixas mais curtas que tornam o disco bastante agradável de se ouvir linearmente - inclusive recomendo fortemente.

Acima de controvérsias políticas, Sol Invictus é uma das mais importantes bandas do estilo, especialmente por sua influência seminal no estilo. In The Rain é um dentre vários incríveis álbuns lançados pela banda e vale a pena ser ouvido por iniciantes no estilo. E apesar de controversa, a figura política de Wakeford é um excelente parâmetro para o que é o Neofolk: um estilo imerso em diversas siglas políticas europeias e um campo minado para quem leva a sério isso na música. Para ouvidos despreocupados, Sol Invictus é uma experiência musical inigualável, já para ouvidos e cérebros interessados, a biografia de Wakeford é um bônus. 


Tracklist:

1 Europa In The Rain I 1:06
2 Stay 4:47
3 Believe Me 3:52
4 Down The Years 4:22
5 In The Rain 4:41
6 Fall Like Rain 6:28
7 Oh What Fun 2:55
8 An English Garden 4:11
9 The World Shrugged 4:12
10 In Days To Come 4:03
11 Europa In The Rain II 3:18


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quinta-feira, 6 de março de 2014
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Kiss The Anus Of A Black Cat - Hewers Of Wood And Drawers Of Water

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Gênero
: Neofolk
País: Bélgica
Ano: 2010

Comentário: Formada em Gent, Bélgica, em 2004, o Kiss The Anus Of A Black Cat foi felícíssimo ao escolher seu nome. Derivado de um ritual mágico de bruxas medievais, nada encaixa melhor na sonoridade mística da banda, apesar da nossa visão moderna nos forçar a achar estranho.

A temática do grupo é, em todas as formas, mágica: xamanismo, ocultismo, bruxaria, satanismo; tudo se encaixa numa vibe totalmente ritualística. As músicas tem levadas hipnóticas, com bases acústicas e os vocais trêmulos, intensos e maravilhosos de Stef Heeren. Quando achamos estar diante de algo leve e sadio, rapidamente as músicas se tornam máquinas do tempo nos levado a uma obscura Europa medieval, onde o limite entre o explicável e o inexplicável era muito mais tênue. Não é um Neofolk bruto, apocalíptico ou desolador, mas é totalmente imersivo e orgânico como deveria ser.

Hewers Of Wood And Drawers Of Water é de fato o quarto lançamento da banda, e para muitos perde um pouco da essência original do grupo. Eu particularmente considero um disco entre a distopia de um Death In June e a melodia romântica de um Rome. Kiss The Anus Of A Black Cat se disfarça bem de acessível, mas é opressivo o suficiente pra não o ser. Psicodélico também o é, mas é monocromático ao mesmo tempo. Ainda há de se citar o uso magistral de elementos de rock psicodélico, como os ocasionais teclados, que incentivam a sensação nostálgica na sonoridade do grupo, sem perder de forma alguma a organicidade que o Neofolk necessita. Tudo é combinado de forma exata e coesa.

Já vejo os sátiros correndo em círculos à minha volta.



Tracklist:

1. Hewers of Wood and Drawers of Water 04:52
2. All Your Ghosts Are Worried 03:24
3. Argonaut and Magneto 04:51
4. Harrow  05:17
5. Veneration 05:00
6. Taking the Auspices 05:58
7. Feathers of the Wings of the Angel Gabriel 04:22
8. All the Heroes Run in Amour  03:14
9. Wander and Waiver 02:17

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
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Disemballerina - Disemballerina

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Gênero
: Neofolk/Doom Metal ("acústico")
País: EUA
Ano: 2010

Comentário: Já aviso logo: quem ao menos parou pra ler com mais atenção o gênero dessa banda aí encima, e portanto tem algum remoto interesse em Neofolk, Neoclássico, Música de Câmara, Doom Metal e bandas na linha do Agalloch, vai com certeza absoluta encontrar em Disemballerina uma nova banda favorita. Ah, e como o texto será um pouco longo, já vai ouvindo o que lhe aguarda com essa demo enquanto lê o contexto, pra ter certeza que vai valer a pena ficar até o final:



Dito isto, vamos em frente. Disemballerina é um projeto elaborado por inicialmente três individuos: Ayla Holland (Violão, Banjo e Bandola), Myles Donovan (Viola, Harpa e Mandola) e Jennifer Christensen (Violoncelo), mas que atualmente conta também com Marit Schmidt (Viola) - se eu tiver dito alguma besteira aqui, por favor me corrijam, encontrei pouca coisa precisa sobre a formação atual da banda. A cidade donde vem a banda já conta grande parte de sua história: Portland. Aos mais chegados, a região de Portland é pivô de uma das mais interessantes cenas de Black Metal atuais, o chamado Cascadian Black Metal. Para os desavisados, é uma corrente de bandas com temáticas bem próximas do Neofolk europeu, musicalidade e intensidade, como Agalloch, Fell Voices e Wolves In The Throne Room. Mas apesar de eu ter citado o Black Metal, essa vibe tomou conta cena musical de Portland e é lotada de bandas intimistas e com temáticas filosóficas e profundas, dos mais variados estilos, desde o Sludge Metal até a música de câmara, como é o caso aqui. Fora da região de Cascádia, o maior expoente dessa musicalidade é sem dúvida o Drudkh.

Mas por quê Cascadian? Cascádia é uma região entre os Estados Unidos e o Canadá, à beira do pacífico, que revela um movimento independentista desde o século XIX, e que hoje em dia reside sua motivação à independência num projeto chamado por muitos de "eco-socialismo". Cascádia é lar de diversas reservas naturais, e estando ela dentro de dois países com um voraz capitalismo predatório, não é de se surpreender que lá exista muita gente querendo governar a si próprio. E também não surpreendentemente, então, a música produzida nessa região tem uma proximidade fantástica do neopaganismo europeu e da melancolia da fuga para a floresta. 

Disemballerina entra nessa história como uma banda formada por, como vocês já notaram, instrumentistas eruditos, mas com toda a vibe Cascadiana intacta. Tanto a influência cavalar e monstruosa do Neofolk, quanto a melancolia do Doom Metal e até mesmo a violência do Black Metal estão sumarizadas na sonoridade do grupo, ainda que numa fórmula totalmente inortodoxa. Projetos com músicos eruditos se aproximando da música extrema não são raros - Apocalyptica ta aí pra (desmoralizar) provar isso - mas francamente eu nunca ouvi nada como essa demo do Disemballerina. Sim, essa é uma demo, embora tenha seus 31 minutos de duração. Tudo aqui é emocionante, belo e poderoso. Poderosa é a melhor palavra para descrever o Disemballerina, pois ela toca profundamente, intensamente e a sensação bucólica que imprime em nossa alma dura muito tempo depois de ouvida. Simplesmente, como eu disse no início, é algo completamente imperdível pra quem curte remotamente os estilos dessa banda e todo esse clima citado.

Pra felicidade geral, a banda deve lançar seu primeiro Full-Lenght em 2014. Aguardo mais do que ansiosamente.



Tracklist:

1- Saturn Return
2- Thieves' Oil
3- The Walking Dead
4- Drown
5- Hex

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
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VA - The Guide To Grave Wave (by Мишка)

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Gênero
: Post-Punk, Industrial, Witch House, Ambient, Noise, Shoegaze, Experimental, Neofolk
País: Vários
Ano: 2010

Comentário: "Grave Wave? Que porra de estilo é esse? É mais um estilo de Metal? Esses metalero adora inventar estilo" Não, caro amigo. Nada disso.

Grave Wave é uma alcunha criada em 2010 pela seção musical da loja de roupas estadunidense Mishka (ou estilizadamente, Мишка) para batizar uma amálgama de estilos variados com uma mesma vibe que começou a aparecer no underground do séc XXI, a internet, com uma pegada neogótica, oitentista revival e que trouxe consigo de volta uma pegada obscura que muito era evidente nos anos 80 mas que nos anos 90 pouco apareceu. Os gêneros que esse guarda-chuva musical abrangem são variadíssimos, porém surgiram todos por volta de 2010 e permanecem até hoje, meros quatro anos depois, praticamente, salvo raríssimas exceções, encrustado no underground. Post-Punk Revival na vibe do Interpol, mas ainda mais obscuros, com uma pegada que eu diria neo-batcave; Shoegaze, mas um shoegaze quase ambient, quase noise, quase Ethereal; Neofolk com uma vibe mais distópica que o normal, Witch House - o maravilhoso estilo eletrônico indescritível que abusa dos recursos de edição musical do novo século da forma mais sinistra e melódica possível, sem falar dos sempre presentes Dark Ambient, Noise e do rock Experimental de maneira geral - não que o resto aqui deixe de ser experimental em algum aspecto - que está mais dark do nunca.

Esse clima sinistro da música dos anos 10 se desenvolveu através das mídias sociais, especialmente do youtube e do bandcamp, sendo assim uma das primeiras ondas estilísticas a usufruir inteiramente do mundo digital para se propagar. Se nos anos 80 o Darkwave se propagadou através das saudosas fitas cassete trocadas mão à mão, hoje em dia a dita Grave Wave se multiplica downloads mundo a fora. Porém, curiosamente, essa divulgação massiva que a internet proporciona não agrada totalmente quem prega um estilo "underground". Então para evitar a divulgação excessiva que destruiria o caráter cult do gênero, muitos projetos e bandas aqui citadas tem nomes pouco usuais e ingoogleáveis, como "†‡†" ou "M△S▴C△RA". Portanto muitas vezes é de uma dificuldade hercúlea encontrar material disponível dessas bandas, o que faz esta coletânea aqui ser tão importante.

Quando em seu blog o coletivo Mishka postou essa coletânea, em 3 discos, com os mais interessantes e icônicos artistas supostamente ligados a essa "wave" musical a qual chamaram de Grave Wave, rapidamente esta se tornou referência no que tange a estilos como o Post-Punk Revival e o Witch House, especialmente. Não bastasse o fato de terem reunido 35 faixas em 2 horas e meia do 'estilo', eles ainda fizeram um artigo caprichadíssimo contando todos os pormenores de cada banda e do estilo como um todo. É simplesmente imperdível, tanto que reposto aqui mas com os links originais diretamente do bandcamp deles, e os incentivo fortemente que visitem o post original. Isso aqui é mais uma homenagem que qualquer coisa. Por que faz tempo que eu sou fanático por essa coletânea.

Baixem e corram atrás, por que nesses quatro anos, quase todas as bandas citadas já lançaram um monte de coisa nova e um monte de outras bandas surgiram com as mesmas propostas. Mas não se esqueçam que isso não é do Ignes, muito menos meu. Mas vale muitíssimo a pena divulgar por aqui.

Post Original no Mishka Bloglin

Tracklist:

Disco 1
1. These New Puritans – Orion
2. Dream Affair – Silent Story
3. His Electro Blue Voice 0 Black Veils
4. Screen Vinyl Image – Siberian Eclipse
5. Blessure Grave – Stranger In the House
6. Soft Metals – Hot on the Heels of Love
7. //TENSE// – Turn It Off (Valis Remix)
8. Funerals – Aitu (LQD Live Edit)
9. Pink Priest – Snake Flick Its Tongue
10. Scorpion Violente – Ray Ov Gold
11. Ðose – Spells

Disco 2
1. Hussle Club – Good Morning Midnight
2. White Car – Spread Spit Slap
3. These New Puritans – White Chords (Stalker Remix)
4. Night Gallery – Mary Bell
5. LAKE R▲DIO – Always
6. Gr†ll Gr†ll – They All
7. Passions – Endless
8. Warm Hands – Darker
9. Memory Tapes – Green Knight (Creep Remix)
10. GHXST – Holy Speed
11. M△S▴C△RA – krystalMETH/alanWATTS

Disco 3
1. Gatekeeper – Visions
2. Salem – Asia (Jokers of the Scene Remix)
3. Fostercare – Heat High (Refix)
4. Party Trash – Beast
5. Lust For Youth – On Your Knees
6. Cult of Youth – Lace Up Your Boots
7. GuMMy†Be▲R! – Gurl
8. Cccandy – Blood and Guts
9. Black Math – Bottomless Sea
10. †‡† (Ritualzzz) – Kvltstep
11. Dadfag – Twins
12. Mater Suspiria Vision – The Ring
13. Nowa Huta – Nowa Huta vs. Pink Priest (NOWAHUTARMX)




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