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quarta-feira, 15 de junho de 2016
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Cult of Luna & Julie Christmas - Mariner

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Gênero: Atmospheric Sludge Metal / Post-Metal
País: Suécia / Estados Unidos
Ano: 2016

Comentário: Eu sempre achei interessante álbuns colaborativos e parcerias entre artistas, sendo eles de gêneros musicais parecidos ou reunindo gêneros diferentes, afim combinar ideias parecidas ou criar algo híbrido. Muitas dessas parcerias que aconteceram ao longos dos anos resultaram em algo que me agradou além do esperado, valendo citar Neurosis e Jarboe, o Sunn O))) por duas vezes sendo uma delas com o Boris e a outra com o Ulver, Ufomammut e Lento, e mais recentemente entre o Cult of Luna e a Julie Christmas.

O Cult of Luna é uma das minhas bandas favoritas de Post-Metal, álbuns como Salvation, Somewhere Along the Highway e Vertikal, possuem uma qualidade impressionante e uma sonoridade única, colocando a banda num patamar acima que muitos outros nomes do estilo. Em Mariner, a banda se junta à Julie Christmas, que fez sua carreira nas bandas Battle of Mice e Made Out of Babies, e o resultado não poderia ser melhor.

A abertura do álbum acontece com a faixa A Greater Call, trazendo uma sonoridade bem nos moldes apresentados nos álbuns do Cult of Luna. O início lento e atmosférico cede espaço para um instrumental intenso e pesado, repleto de guitarras dissonantes e synths se destacando, que servem de plano de fundo para os vocais de Persson e Julie. Nesta faixa Julie aparece como um backing vocal para Persson, mas a combinação cria algo agradável e belo. Em Chevron, é onde a parceria começa a demonstrar claramente seu resultado, o instrumental repleto de riffs grandiosos, uma percussão sólida e uma atmosfera densa muito bem reforçada pelo teclados e synths, alavancam a performance de Julie Christmas ao longo da faixa, onde ela demonstra toda sua capacidade e variações de vocal. Sendo pouco acompanhada pelo vocal de Persson, Julie rouba a cena definitivamente, seja gritando ou nos encantando com seu doce vocal, valendo destacar os minutos finais que trazem um clima belo e sereno com a combinação do vocal de Julie e o instrumental bem executado do Cult of Luna. The Wreck of S.S. Needle é a faixa que mais me agradou em Mariner. Novamente a parceria se mostra eficiente, com o Cult of Luna apresentando um instrumental com diversas variações de ritmo e uma pegada que me lembra muito algo feito em Vertikal. Julie por sua vez, tem total controle e destaque na faixa, impondo seu vocal de maneira que combina perfeitamente com o instrumental, nos ganhando novamente e impressionando com o final explosivo da faixa. Approaching Transition é a única faixa que não envolve a Julie, consistindo numa faixa extensa e de ritmo cadenciado, ela dá uma quebra de ritmo no álbum, antes do que seu final agressivo coloque as coisas no lugar novamente. Cygnus fecha o álbum de maneira esplêndida. Nela a dualidade nos vocais de Persson e Julie retorna, e de uma maneira em que os dois se alternam na liderança. O instrumental se mantem pesado e bem atmosférico, principalmente nos momentos finais acompanhando a combinação caótica e bela entre os vocais de Julie e Persson.

Mariner não soara novidade quanto ao instrumental para aqueles que já conhecem o trabalho do Cult of Luna, pois a banda demonstra diversos aspectos de seus trabalhos anteriores. O diferencial e ponto alto do álbum, é justamente a presença da Julie Christmas. É impressionante como o vocal dela se encaixa perfeitamente com esse tipo de instrumental, em todas as variações que ocorrem ao decorrer das faixas. Fica aquela vontade de ver novamente essa parceria acontecendo e com ambos evoluindo o que foi feito em Mariner. Sem dúvidas um dos lançamentos mais agradáveis do ano.



Tracklist:

01 - A Greater Call
02 - Chevron
03 - The Wreck of S.S. Needle
04 - Approaching Transition
05 - Cygnus

Ouça em: Spotify

sexta-feira, 23 de outubro de 2015
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Crib45 - Marching Through The Borderlines

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Gênero: Post-Metal/Atmospheric Sludge
País: Finlândia
Ano: 2014

Comentário:
Mais tardio do que este post, Marching Through The Borderlines foi parido em abril de 2014, cinco anos após o primeiro e até então único full-length da banda Crib45, o Metamorphosis, um dos discos das levas subsequentes da cena post-metal que mais me agradaram, assumindo posições elevadíssimas no meu ranking ficcional (pois não existe de fato, não costumo piramidar discos). Foi um disco de estreia memorável, muito embora a banda não tivesse tanto reconhecimento. Bom, pelo menos não se ouvia falar de Crib45 por aqui.
Apesar da espera, Marching Through The Borderlines se mostrou igualmente bem conduzido, ainda apresentando, vez ou outra, os saborosos saxofone e clarinete do primeiro disco e o vocal convincente de Teemu Mäntynen. A diferença, aos meus ouvidos, em relação ao lançamento anterior está numa produção mais caprichada — embora, tenho de confessar, a produção mais "natural" é um dos pontos que mais me fez gostar de Metamorphosis —, em passagens eletrônicas de bom caimento e algumas outras performances bem pontuais no decorrer da obra.

A saída de vários integrantes também causou uma dissemelhança entre as obras, já que alguns deles eram também vozes de apoio. Uma pena, já que os vocais limpos ao lado do som rasgado, alto e ao mesmo tempo grave emitido por Teemu era de uma complementação belíssima. Entretanto, há de se notar que este disco foi conduzido de forma que necessitasse um pouco menos de vocais de apoio e, quando chega a hora, não apresentam tanto destaque como ouvíamos antes, principalmente porque aqui é comum estarem gritando, envoltos de muita distorção provinda das guitarras. Mas no geral, os novos integrantes se saíram bem e não tenho queixas.

Enquanto o Metamorphosis nos alegra a cada música, tornando-as individualmente memoráveis, deixando as vezes um pequeno vácuo no feeling entre elas, Marching Through The Borderlines parece se preocupar mais com o todo, com a coesão entre as nove faixas. Um álbum diferente, com uma nova formação (à exceção de Teemu) e que soa naturalmente mais moderno, mais alternativo que seu antecessor.

Ambos os discos, assim como singles e EPs, podem ser ouvidos através do Spotify.

domingo, 1 de fevereiro de 2015
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Callisto - Secret Youth

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Gênero: Atmospheric Sludge / Post-Metal /Rock
País: Finlândia
Ano: 2015

Comentário: Eu imaginei que teria a mesma disposição de acompanhar os lançamentos em 2015 assim como tive em 2014, mas infelizmente não escutei muita coisa nova em janeiro. Mas alguns dos lançamentos que saíram já eram aguardados por mim com grande ansiedade. Um deles é o novo álbum dos finlandeses do Callisto, que lançaram no último dia 30 o álbum intitulado Secret Youth.

A ansiedade em torno deste lançamento se dá pelo fato do estilo creditado à banda ser um dos meus favoritos, somado aos quase 6 anos de espera desde o lançamento do último álbum de estúdio da banda. Como ocorre com muitos nomes do estilo, o Callisto vem aprimorando sua sonoridade com o passar dos anos, experimentando novas sonoridades e métodos de composição, afim de criar uma sonoridade autêntica em meio à um estilo onde muitas bandas caem dentro de clichês e falta de inspiração.

A primeira amostra do material contido no novo álbum, se deu pelo single da faixa Backbone, lançado em novembro de 2014. A faixa possui uma linha de baixo marcante, acompanhada por uma bateria num ritmo agradável, além de guitarras bem suaves. A combinação entre o ótimo vocal limpo e o harsh potente dita o ritmo da faixa, que se desdobra de maneira bem calma.

O álbum apresenta uma sonoridade bem agradável e familiar para aqueles que conhecem o estilo, numa levada bem atmosférica e com poucos momentos de instrumental mais agressivo. A faixa de abertura "Pale Pretender" deixa isso bem evidente. Passagens mais estáticas, guitarras mais melódicas e suaves, além do bom uso de samples. Outra faixa que exemplifica bem a ideia do álbum, é a "Lost Prayer". Um instrumental bem elaborado e de fácil assimilação, onde o papel desempenhado pelas guitarras contribuiu bastante para o resultado final.

Secret Youth não é um álbum "pesado", aposta em melodias mais calmas e uma atmosfera limpa e tocante para conquistar o ouvinte. A qualidade da produção ajudou muito para que o álbum soasse agradável, levando em conta o fato da banda se empenhar em criar um instrumental mais abrangente e elaborado. O vocalista Jani merece destaque, o rapaz possui um belo vocal que consegue se encaixar muito bem nesse tipo de sonoridade, além de possuir um ótimo alcance e feeling.

Lançado pela Svart Records, o álbum possui 10 faixas e cerca de 53 minutos de duração. Por mais que o álbum esteja longe de ser algo brilhante, tem potencial para surpreender e uma qualidade incontestável. É interessante ver o Callisto elaborando sonoridades ainda mais atmosféricas e incorporando mais elementos de outros estilos, tudo isso feito de forma bem coesa.




Tracklist:

01. Pale Pretender
02. Backbone
03. Acts
04. The Dead Layer
05. Lost Prayer
06. Breasts of Mothers
07. Grey Light
08. Ghostwritten
09. Old souls
10. Dam’s Lair Road

Ouça em: Spotify

sexta-feira, 10 de outubro de 2014
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Inter Arma - Sky Burial

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Gênero: Blackened Sludge / Doom / Post-Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: A ideia de combinar diversos gêneros e características musicais com o intuito de criar algo diferente, não é fácil e nem sempre irá atingir o resultado esperado. Mas quando o resultado é positivo e consegue ser ainda melhor do que até os membros da banda poderiam imaginar, a certeza é de que o álbum vai render ótimas críticas. O Inter Arma passou pelas duas situações.

Não é tarefa fácil moldar uma sonoridade mais adversa e obter êxito logo de cara, o álbum de estréia Sundown serviu mais como parâmetro e referência daquilo que a banda precisava desenvolver para atingir o resultado esperado. Eis que a banda lança no ano de 2013 o Sky Burial. De início, a sonoridade pode não ser agradável para o ouvinte, a faixa de abertura "The Survival Fires" é um convite de boas vindas ao caos. O álbum requer atenção e calma do ouvinte, pois cada detalhe e características contidas vão se completar formando algo único.

O álbum é um prato cheio para aqueles que desejam escutar algo mais abrangente e completo. Riffs pesados, passagens mais melódicas e progressivas, sonoridade arrastada, vocais que beiram a insanidade e uma bateria arrasadora, são algumas das características encontradas em Sky Burial. As faixas possuem uma evolução surpreendente e trazem consigo uma dualidade de características, que permitem apontar similaridades entre as faixas, e ao mesmo tempo, diferencia-las.

Um álbum no qual a sonoridade vai sofrer muitas alterações no que se diz respeito a combinações de estilos, mas que não perde sua identidade. A sonoridade amena que se inicia na instrumental The Long Road Home (Iron Gate) e que serve de introdução para a seguinte The Long Road Home, predomina por um longo período, apresentando ótimos arranjos no violão e guitarra acústica (além do lap steel muito bem inserido), e termina num ritmo intenso, agressivo e caótico na segunda faixa citada. Em Destroyer, temos a combinação de elementos vindos do Sludge e Doom, adicionando uma percussão que lembra algo do Neurosis. Já na instrumental Love Absolute, a banda apresenta mais algumas facetas voltadas ao psicodelismo, southern e folk. A faixa título que encerra o álbum, pode ser descrita como um mix de tudo o que se é apresentado no álbum, resultando numa combinação incrível.

Sky Burial é um álbum com sensações distintas e uma sonoridade que traz uma combinação audaciosa. O plano principal é o som pesado e agressivo, que se torna ainda mais belo com o passar do tempo e traz vários elementos de estilos variados afim de se criar um som com identidade própria.




Tracklist:

01. The Survival Fires 10:10
02. The Long Road Home (Iron Gate) 03:41
03. The Long Road Home 10:06
04. Destroyer 10:13
05. ‘Sblood 06:21
06. Westward 09:48
07. Love Absolute 04:01

Download: Sendspace


quarta-feira, 11 de junho de 2014
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Lantlôs - Melting Sun

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Gênero: Post-Rock / Post-Metal / Shoegaze
País: Alemanha
Ano: 2014

Comentário: O Lantlôs sempre foi uma banda que procurou moldar sua sonoridade ao decorrer dos álbuns, sempre apresentando uma nova faceta ou característica. Isso se repetiu no quarto trabalho de estúdio da banda intitulado Melting Sun, onde a sonoridade explorada parte para outro caminho, se diferenciando dos seus anteriores.

Uma das primeiras mudanças que ocorreram foi justamente entre os membros da banda, a qual teve a saída do Neige (Alcest e mais uma variedade de outras bandas) que ficou por conta do vocal nos dois álbuns anteriores da banda, Neon (2010) e Agape (2011) respectivamente. Com a saída de Neige, Markus Siegenhort (ou Herbst) ficou responsável pelo vocal, onde o tipo harsh apresentado nos álbuns anteriores foi deixado de lado, cedendo espaço para um vocal limpo e mais melódico em certas partes.

As seis faixas que compõem o álbum são de grande qualidade e muito cativantes, detalhe que se é notado desde a faixa de abertura. "Azure Chimes" e sua atmosfera envolvente tratam de preparar o ouvinte para o clima contido no álbum, o instrumental bem trabalhado e o vocal de Siegenhort são de beleza incrível. Confesso que na primeira vez em que escutei o álbum, repeti essa faixa diversas vezes antes de partir para a próxima. "Cherry Quartz" vem logo em seguida, seu início ameno focado apenas na guitarra cede espaço para um instrumental envolvente e um vocal tocante, um dos melhores momentos do álbum. Outra faixa que merece destaque é a "Jade Fields", apresentando uma sonoridade com partes mais pesadas do que a característica do álbum, além de um clímax incrível criado pelo vocal de Siegenhort sendo muito bem acompanhado pelo backing vocal, no decorrer da metade final da faixa. As demais faixas não fogem do padrão apresentado pelas citadas anteriormente, mantendo o mesmo nível.

Melting Sun é fascinante e muito bem produzido, é um álbum que se torna ainda mais belo a cada vez que é reproduzido. Uma experiência incrível e bastante satisfatória, deixando a dúvida do quê será feito futuramente pela banda, uma vez que os caminhos explorados em Melting Sun abriram um leque de possibilidades para os lançamentos futuros.




Tracklist:
01. Melting Sun I: Azure Chimes
02. Melting Sun II: Cherry Quartz
03. Melting Sun III: Aquamarine Towers
04. Melting Sun IV: Jade Fields
05. Melting Sun V: Oneironaut
06. Melting Sun VI: Golden Mind

Download: Sendspace

Quem escreve e faz os uploads:

 
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Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.