Gênero: Technical Death / Thrash Metal País: Estados Unidos Ano: 2014
Comentário: Enquanto algumas bandas demoram para lançar material inédito, o Revocation vem presenteando seus fãs com certa frequência. Pouco mais de um ano após o último lançamento, o grupo americano lançou seu quinto álbum de estúdio, intitulado Deathless. O Revocation trocou a Relapse Records pela Metal Blade Records, uma mudança que aparentemente trouxe novos ares e motivação para o grupo.
Deathless traz um Revocation mais revigorado, algo que pode ser notado já nas faixas iniciais do álbum. O desempenho positivo do baixo e da bateria tiveram grande importância para tornar o álbum mais consistente. Os guitarristas David Davidson e Dan Gargiulo demonstram uma capacidade técnica impressionante, nos brindando com riffs empolgantes e solos devastadores. O vocal também se destaca, seja nas partes agressivas ou nas partes limpas, demonstra uma grande qualidade e contribuiu para o resultado final do álbum.
Não é fácil apontar as faixas de maior destaque do álbum, pois todas me agradaram muito. A faixa título tem um refrão daqueles marcantes e alguns do melhores riffs do álbum. A instrumental Apex reforça os elogios feitos à dupla de guitarristas, mostrando uma combinação e transição do som feito pela banda, indo de encontro com partes do Jazz. Witch Trails, faixa que encerra o álbum, confirma a evolução de Davidson como cantor, além de possuir um instrumental agressivo e de muita qualidade.
Contando com uma produção de muita qualidade, Deathless nos apresenta um Revocation em ótima fase. O álbum é coeso, trazendo faixas num mesmo nível de qualidade, além de brindar aos antigos e futuros fãs da banda com um registro bem empolgante.
01. A Debt Owed to the Grave
02. Deathless
03. Labyrinth of Eyes
04. Madness Opus
05. Scorched Earth Policy
06. The Blackest Reaches
07. The Fix
08. United in Helotry
09. Apex
10. Witch Trials Download: Sendspace
Gênero: Heavy / Speed / Thrash Metal País: Noruega Ano: 2014
Comentário: Bandas fazendo uma sonoridade que resgata a tônica de bandas clássicas do Metal do final da década de 70 e início da década de 80, não são novidade pra mim e nem pra ninguém. Usualmente, a grande maioria passa despercebida por não me causar empolgação com o som realizado. Mas com o Wizard's Spell do Black Magic foi diferente.
A banda criada no ano de 2006, deu vida ao seu álbum de estréia somente agora em 2014. O duo norueguês é composto por Jon (baixo, guitarra e vocal) e por Sadomancer (bateria e vocal), esse último o qual já conhecia por seu trabalho no ótimo Deathhammer.
Sem muita firula, o álbum é de fácil assimilação para aqueles que admiram nomes clássicos do Metal 70's e 80's. Uma vez que a banda absorve e incorpora influências de nomes da NWOBH como Angel Witch, além de bandas como Mercyful Fate e Slayer (essencialmente do Show No Mercy).
O álbum é bem animador e direto, um revival feito com uma fidelidade imensa às bandas nas quais se inspiraram. Faixas como "Rite of the Wizard" e "Night of Mayhem", trazem o lado mais agressivo e dinâmico da banda, duas faixas bem animadoras que emplacam uma série de ótimos riffs e uma bateria sólida. A instrumental "Voodoo Curse" e a ótima "Thunder", mostram talvez os dois momentos mais inspirados da banda no álbum, ambas possuindo uma evolução incrível, além do instrumental e vocais arrasadores.
Wizard's Spell conquista pela simplicidade e por ser um revival bem elaborado. Para os amantes da sonoridade da NWOBHM combinada com bandas percursoras do Thrash Metal, o álbum vai certamente agradá-los. 33 minutos de um revival marcante e que empolga logo de cara, vale a pena dar uma chance ao Black Magic.
Tracklist:
01 - Black Magic
02 - Rite of the Wizard
03 - Voodoo Curse
04 - Thunder
05 - Death Militia
06 - The Ritual
07 - Night of Mayhem
08 - Possessed
09 - Embrace by the Occult
Gênero: Thrash metal / Groove Metal / Heavy Metal País: Estados Unidos Ano: 1992
Comentário: "O passado é um lugar estranho", assim pondera o cantor britânico Morrissey, num dos momentos de interação com o público no disco ao vivo Live at Earls Court. Tal afirmação é, talvez, a melhor maneira de tentar compreender os primórdios do Pantera.
Com carreira iniciada na década de 80, o hoje ícone mor da segunda leva do thrash metal safra anos 90 foi durante os anos inicias uma banda que condessou o que pior existiu no período: o glam metal. Tal aposta durou cerca de quatro álbuns, todos quase indignos de nota. O cansaço e o fracasso resultaram numa enorme guinada para algo mais pesado e sujo: o ótimo Cowboys from hell. Mas se o disco lançado em 1990, apesar de inovador, ainda carregava heranças do malfadado passado é exatamente em Vulgar Display of power que o grupo texano atingiu o seu ápice criativo.
Produzido por Terry Date, produtor que seria responsável por grande parte da discografia da banda, o disco reúne o que de melhor a trupe de liderada por Phil Anselmo, vocalista e um dos melhores frontman de todos os tempos. De um lado temos as já clássicas guitarras de Dimebag Darrel que carregam de melodias dissonantes suas canções que primam por muito peso e distorções. Anselmo foi responsável pela temática das letras que primam, como a capa pode indicar, por retratar a violência e brutalidade quotidiana. Carregado de hinos, temos aqui desde os mundialmente famosos singles "Mouth for war", a enrustida balada "This love", "Hollow" e "Walk" que, de longe, sintetiza todo o poderio da banda dada a sequência de riffs marcantes cometidos por Dimebag que somada a ótica desafiadora impressa por Anselmo nos versos e a cozinha precisa formada por Rex Brown e o baterista Vinnie Paul criam o que talvez seja a clássica canção que será eternizada pelo público fã deste gênero. Ainda vale fazer menção as ferozes e rápidas "Fucking hostile" e "Rise"; o groove presente em "Regular people (conceit)" e peso absurdo cometido em "By demons be driven".
O álbum segue até hoje com um dos discos mais influentes da seara thrash, groove e heavy metal. Todo e qualquer ouvinte do som pesado perpassa por este clássico que em 2012 comemorou 20 anos de existência com reedição de luxo contendo uma faixa a mais, "Piss", e um DVD contendo performances ao vivo e os vídeos clipes do período.
A banda seguiria produzindo discos que seriam cada vez mais pesados e sucessos de público e crítica, mas infelizmente um "fã" assassinou Darrell em plena performance em 2004.
A volta e o futuro do grupo seguem em aberto, mas com chances remotas infelizmente.
01. Mouth for war
02. A new level
03. Walk
04. Fucking hostile
05. This love
06. Rise
07. No good (attack the radical)
08. Live in a hole
09. Regular people (conceit)
10. By demons be driven
11. Hollow
Gênero: Nu Metal / Thrash Metal País: Brasil / EUA Ano: 2000
Comentário: Soulfly dispensa
apresentações, banda criada pelo Max após sair do Sepultura. Bem,
eu realmente adoro a banda, mesmo não estando tão ligado nesses
últimos trabalhos por gosto mesmo, mas os primeiros trabalhos da
banda me fascinam.
Escolhi o “Primitive”,
primeiro por adorar a sonoridade crua e a temática do álbum, vejo
muito de influências tribais, africanas e nordestinas no álbum,
isso realmente me agrada. Segundo pelo dia de hoje, 13, ser
aniversário do cara que mandou eu ouvir o álbum (e mais uma porrada
de coisa que esporadicamente vou postando aqui), então, resolvi
sentar e fazer essa resenha – mesmo que não me sinta totalmente
apto para resenhá-lo, aqui estou fazendo. Parabéns ae Gud!
Então,
Back To The Primitive funciona como um prelúdio para o
restante do álbum, dando a prévia da temática e sonoridade da
banda. O berimbau de início da música mais os gritos do Max são o
começo ideal para o álbum: pesado e pulsante; visceral. Não
poderia ter outra música para abrir o “Primitive”, se não fosse
essa volta ao primitivismo, com bastante percussão e bateria
marcante.
Pain conta com um
dos melhores vocais do Max no álbum, com uma batida quase em loop,
além é claro da participação do Chino Moreno, vocalista do
Deftones (que dá todo um diferencial na faixa) e do Grady Avenell,
do Will Haven. Bring It é porradera pura, não dá pra
descrever em outra palavra. É porrada no melhor estilo que o Max
pode oferecer, seguida de um pedaço de calmaria no meio da faixa, só
pra atenuar. E mais porrada, mais bateria e gritos do Max, mais do
que o melhor do álbum pode oferecer.
O álbum é bastante
coeso entre si, as faixas combinam-se e todas enaltecem a estética
característica dos primeiros trabalhos do Soulfly. Jumpdafuck
conta com participação do
Corey Taylor, aliás, em participações o álbum é recheado de
nomes do nicho musical do Soulfly – e é um álbum incrível também
por isso, pois as participações fazem diferença para as faixas, o
Corey aqui, por exemplo, dialoga muito bem com o Max, mesclando sua
voz em calmaria com a brutalidade que o Max impõe a faixa: uma das
melhores e mais coesas participações do álbum, além do que, antes
o fim, o Corey aparece em seu vocal rasgado também, imperdível.
Mulambo
é uma das minhas faixas preferidas do álbum. Muito do tribal do
álbum, além do Max cantar em português (sim, eu vejo isso como um
bônus na faixa). À faixa me remete – tematicamente – a Nação
Zumbi, mas com a pegada do Soulfly e bastante percussão, até porque
o álbum pede isso.
Pulando
um pouco, vamos pra Terrorist,
com participação do Tom Araya. A faixa já abre com uma das
melhores percussões tribais do álbum e a participação do Tom, que
mesmo que não fizesse muita coisa, o que não é o caso, já seria
fodalizante pra faixa. Porque ele é o Tom Araya e eu simplesmente
não consigo desgostar de nada que ele participa, até porque eu acho
que não tem como. Não, nem
tem.
O
álbum conta ainda com mais algumas faixas, uns lives
e uns bônus, mas para terminar vou falar de Soulfly II
e o quanto essa faixa me agrada sem destoar do álbum. É de longe
mais tribal do álbum e a mais branda, de fato. Eu que sou viciado
pra caramba com percussões desse tipo não consigo ouvir a faixa uma
vez só, fora que ela mescla muitos elementos e eu fico tentando
pescar todos, mas como disse, não me sinto apto para julgar
totalmente o álbum, não sou imparcial. Todavia, essa faixa, creio
eu, deveria requerer uma atenção especial – estética e
tematicamente para o álbum é uma das mais valiosas.
Ah,
ouçam também Tribe (live)
que abre em referência clara a Zumbi e sua Nação.
Gênero: Death Metal / World Music / Nu Metal / Thrash Metal País: Brasil Ano: 1996
Comentário: Global Metal, documentário dirigido por Scot McFadyen e Sam Dunn, é um retrato didático e contemplativo da hegemonia mundial do gênero por todo globo. Através deste exímio trabalho descobrimos a existência de cenas em lugares inóspitos como na Índia, Indonésia e Israel, países estes cuja cultura local interfere, mas ao mesmo tempo acrescenta diversidade sonora de inúmeras bandas locais que sobrevivem no underground graças à um público devoto e seleto. Mas porque fazer menção a este trabalho já que o objetivo, como o título entrega, é falar sobre Roots do Sepultura? Simples: o filme realizado em 2008 inicia justamente no Brasil tendo como foco o legado deixado pelo álbum e o seu efeito mundo afora.
Lançado em 1996, Roots é de longe o mais ousado disco dos brasileiros do Sepultura. Max durante entrevista presente em Global Metal justifica essa ousadia dizendo que não há necessidade de se copiar a estética sonora gringa, pois existe no meu próprio país uma identidade cultural enorme e de alguma forma posso e tenho que expor este legado agregado ao meu trabalho. E é justamente esta herança o diferencial deste clássico.
Produzido por Ross Robinson e a própria banda, o disco traz à tona elementos já tradicionais ao grupo como as sonoridades tharsh, death, mas agora acrescida de muita brasilidade. Para tanto, o hoje malfadado Carlinhos Brown foi a peça crucial neste processo. Responsável pela parte percussiva do álbum, ele agregou ainda outros instrumentos nacionais como o berimbau e o timbau, recursos este que adicionaram ainda mais peso a música do Sepultura. Imagine uma canção/hino como "Ratamahatta" sem estes elementos? Impossível. Não obstante, para ainda mais se aprofundar em nossas raízes o grupo passou dias como os índios Xavantes, no Mato Grosso do Sul. A convivência gerou não só uma nova visão de mundo como também a faixa instrumental "Itsári" gravada junto a tribo.
Mas não é só no campo sonoro a grande diferença visível neste disco. Nas letras a herança punk de Max Cavalera ainda predomina ("Attitude", "Spit" são bons exemplos), porém agora há espaço para abordar nossas origens indígenas associado ao passado sangrento desta era como visualizamos na pungente canção de abertura "Roots bloody roots".
Voltando a sonoridade é admirável o encontro promovido na faixa "Lookaway". Nu metal na essência, gênero que aliás ainda engatinhava, a faixa tem guitarras em afinação baixa, arrastada e conta com Jonathan Davis (Korn) e o mestre Mike Patton (Faith No More) nos vocais, criatura e criador respectivamente.
Infelizmente este é o último disco com a formação clássica da banda. Após o fim da turnê Max abandonou a banda, após homéricas brigas entre os integrantes. Ele formaria anos mais tarde o elogiado Soulfly e retomaria a parceira com seu o irmão no Cavalera Conspiracy. O Sepultura mudou substancialmente a formação e nunca mais seria o mesmo. Porém, o estrago já estava feito.
P.S. Esta edição contém como duas bônus tracks duas: as covers de "Procreation (of the wicked)" do Celtic Frost e "Symptom of the universe" do Black Sabbath.
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