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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
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Inter Arma - Sky Burial

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Gênero: Blackened Sludge / Doom / Post-Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: A ideia de combinar diversos gêneros e características musicais com o intuito de criar algo diferente, não é fácil e nem sempre irá atingir o resultado esperado. Mas quando o resultado é positivo e consegue ser ainda melhor do que até os membros da banda poderiam imaginar, a certeza é de que o álbum vai render ótimas críticas. O Inter Arma passou pelas duas situações.

Não é tarefa fácil moldar uma sonoridade mais adversa e obter êxito logo de cara, o álbum de estréia Sundown serviu mais como parâmetro e referência daquilo que a banda precisava desenvolver para atingir o resultado esperado. Eis que a banda lança no ano de 2013 o Sky Burial. De início, a sonoridade pode não ser agradável para o ouvinte, a faixa de abertura "The Survival Fires" é um convite de boas vindas ao caos. O álbum requer atenção e calma do ouvinte, pois cada detalhe e características contidas vão se completar formando algo único.

O álbum é um prato cheio para aqueles que desejam escutar algo mais abrangente e completo. Riffs pesados, passagens mais melódicas e progressivas, sonoridade arrastada, vocais que beiram a insanidade e uma bateria arrasadora, são algumas das características encontradas em Sky Burial. As faixas possuem uma evolução surpreendente e trazem consigo uma dualidade de características, que permitem apontar similaridades entre as faixas, e ao mesmo tempo, diferencia-las.

Um álbum no qual a sonoridade vai sofrer muitas alterações no que se diz respeito a combinações de estilos, mas que não perde sua identidade. A sonoridade amena que se inicia na instrumental The Long Road Home (Iron Gate) e que serve de introdução para a seguinte The Long Road Home, predomina por um longo período, apresentando ótimos arranjos no violão e guitarra acústica (além do lap steel muito bem inserido), e termina num ritmo intenso, agressivo e caótico na segunda faixa citada. Em Destroyer, temos a combinação de elementos vindos do Sludge e Doom, adicionando uma percussão que lembra algo do Neurosis. Já na instrumental Love Absolute, a banda apresenta mais algumas facetas voltadas ao psicodelismo, southern e folk. A faixa título que encerra o álbum, pode ser descrita como um mix de tudo o que se é apresentado no álbum, resultando numa combinação incrível.

Sky Burial é um álbum com sensações distintas e uma sonoridade que traz uma combinação audaciosa. O plano principal é o som pesado e agressivo, que se torna ainda mais belo com o passar do tempo e traz vários elementos de estilos variados afim de se criar um som com identidade própria.




Tracklist:

01. The Survival Fires 10:10
02. The Long Road Home (Iron Gate) 03:41
03. The Long Road Home 10:06
04. Destroyer 10:13
05. ‘Sblood 06:21
06. Westward 09:48
07. Love Absolute 04:01

Download: Sendspace


quarta-feira, 8 de outubro de 2014
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Heaven Shall Burn - VETO

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Gênero
: Melodic Death Metal/Metalcore
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Num surto de vontade, cá estou eu postando no meio da madrugada um disco que eu ouvi mais do que esperava ano passado, e que vem de uma das bandas mais interessantes do metal atual. Seja pelo seu peso absurdamente característico do metalcore alemão, que tem pés fincados fortemente no Death Metal Melódico de bandas como At The Gates e Carcass (ou seja, sem vocais limpos aqui, mas muitos riffs pegajosos por todos os lados) ou pela sua temática política fortemente de esquerda.

VETO é o sétimo full-lenght da banda e mostra um grupo maduro, que explodiu com o bombástico Antigone (2004), um disco que abusava de palavras de ordem e riffs que oscilavam entre o famoso "para e vai" dos grooves do metalcore e levadas melódicas entre uma centena de palm mutes. VETO possui a mesma pegada clássica da banda, que são riffs baseados em uma pegada pesadíssima, mas com um background histórico e temáticas muito mais profundas que os discos anteriores da banda. Especialmente pela figura icônica de Lady Godiva, personagem de uma lenda - com requintes históricos - datada no século XIII, de uma nobre inglesa empenhada a convencer seu marido, Leofric, Conde da Mércia, a reduzir impostos sobre a região que governava, asolada por fome e miséria. A lenda conta que, após muita insistência de Godiva, Leofric desafia a esposa a desfilar nua pelas ruas da cidade, montada a cavalo, para que o desejo de Godiva fosse atendido, em tom irônico e sarcástico. Godiva então ordena que todos os cidadãos não saiam de casa e fechem as janelas (afinal, considere que estamos em plena Idade Média) e faz a vontade do marido, que acaba acatando o desejo da Lady, impressionado pela coragem inabalável da esposa e em honra com sua promessa.

Coragem e resistência são palavras recorrentes na lírica do Heaven Shall Burn, e a história de Lady Godiva cai como uma luva. Assim como o título do álbum, VETO - latim para "Proibo" - que é mais uma palavra forte, poderosa e intensa no léxico da banda alemã. As letras são intensas, violentas e cativantes. Os trechos mais intensos do instrumental sempre coincidem com versos mais pegajosos e incitadores, coisas como anti-tirania, defesa das minorias e enfrentamento da autoridade são comuns e largamente disseminadas.

Mas se muito foi dito do instrumental e da lírica, não se pode encerrar-se a resenha sem ser comentado sobre a técnica e o vocal de Marcus Bischoff, que é um monstro dos vocais de rasgados do metalcore, levando-os ao patamar de serem mais intensos e violentos que qualquer banda de Death Metal. Oscilando entre um mais comum rasgado agudo até graves grunhidos, o vocal de Marcus é sempre perfeitamente preciso o suficiente para que as letras são se percam em desnecessárias distorções vocais. Dessa forma incrível, nem mesmo o mais raivoso berro insandecido de raiva mascara a mensagem que a banda quer passar. O vocal de Marcus é, portanto, imprescindível na sonoridade do Heaven Shall Burn.

E nada melhor que ser surpreendido no meio do disco por um cover do Blind Guardian, Valhalla, e seus improváveis vocais limpos em meio ao gutural incrivelmente afinado e tremolos de guitarra. VETO é um must de 2013 que temo ser menos reconhecido do que deveria.




Tracklist:

1.Godiva 04:19
2.Land of the Upright Ones 04:08
3.Die Stürme rufen dich 03:59
4.Fallen 04:29
5.Hunters Will Be Hunted 05:59
6.You Will Be Godless 03:10
7.Valhalla (Blind Guardian cover) 05:29
8.Antagonized 03:33
9.Like Gods Among Mortals 04:20
10.53 Nations 04:06
11.Beyond Redemption 05:46

Download:

MEGA
domingo, 28 de setembro de 2014
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Atoms For Peace – Amok

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Gênero: Experimental
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Atoms for Peace é um supergrupo formado pelo vocalista Thom Yorke (Radiohead), percussionista Mauro Refosco (forró in the dark), tecladista e guitarrista Nigel Godrich, baterista Joey Waronker e pelo baixista Flea (RHCP).

 É claro que, de uma união como essa, deve sair algo bom, cada um trazendo diferentes influencias, manias e ideias, ajudando a construir uma atmosfera diferente no Atoms for Peace. Ainda que o disco soe como algo solo do Thom Yorke (ou até mesmo um parte dois do “King Of Limbs” do Radiohead), cada um acrescenta algo interessante para a musicalidade.

Mauro Refosco, grande percussionista que participa do forró in the dark  e do RHCP, traz uma percussão com fortes influencias latinas, e isso casa perfeitamente com as batidas eletrônicas feitas pelo Joey e Nigel como podemos ouvir em Before Your Very Eyes e Stuck Pieces Together. Flea aparece sem slaps nervosos influenciados pelo funky, mas mostra um lado diferente seu (diferente até de seu EP), dando linhas de baixos sustentáveis e nada exageradas (ouça  “Ingenue”).

As musicas surgiram de Jams, que foram gravadas e editadas por Thom e Nigel, o que deu uma grande liberdade para criar o som final do disco. Ainda que a influencia do Thom Yorke pese nesse disco, seria besteira falar que os outros músicos não acrescentaram nada na sonoridade. Sutilmente, cada um faz seu papel contribuindo para a contextualização do disco. Creio que esse álbum seja um daqueles casos que todos estão pensando na mesma direção na hora de gravar.


Tracklist:
1. Before Your Very Eyes
2. Default
3. Ingenue
4. Dropped
5. Unless
6. Stuck Together Pieces
7. Judge, Jury and Executioner
8. Reverse Running
9. Amok

Download: Solidfiles / Sendmyway / Hugefiles
terça-feira, 16 de setembro de 2014
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Kongh - Sole Creation

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Gênero: Progressive Sludge / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2013

Comentário: Me recordo com facilidade da primeira vez em que me deparei com esse álbum e de como me surpreendi com ele. De início confesso que antes de ouvi-lo, pensei que se tratava de apenas mais uma banda genérica do estilo, trazendo todos os detalhes e características que estão presentes em bandas com essa mescla de sonoridades.

Mas eu me surpreendi agradavelmente quando resolvi conferir a primeira faixa do álbum, o Kongh não era apenas mais uma banda qualquer e sua sonoridade era algo que não se restringia apenas à esfera do Sludge/Doom. Daí fui procurar informações sobre a banda e vi que possui um tempo até considerável de carreira (está completando 10 anos em 2014). Os membros não são nomes conhecidos, tirando o fato de que o baixista e vocalista da banda, David Johansson, já tocou em algumas performances ao vivo do Cult of Luna

Mas enfim, falando um pouco sobre o Sole Creation, já havia citado que a sonoridade da banda é um pouco mais ampla do que lhe é atribuída por alguns. Os suecos sabem pegar a base do Sludge/Doom e combinar com alguns elementos vindos do Progressivo e do Post-Metal. Logo de cara nos deparamos com a agressiva e intensa faixa título, um petardo de 10 minutos que não economiza nos riffs. O interessante é ver a evolução da faixa, que alterna em momentos mais distintos e variando entre o harsh vocal e o limpo.

Se "Sole Creation" tinha como principal tom a agressividade, a faixa seguinte "Tamed Brute" tem um tom de calmaria. Mas não se engane com isso, pois a banda se desprende dessa característica em certos momentos. Riffs arrastados cedem espaço à um instrumental mais elaborado e com arranjos mais interessantes, com o vocal limpo tendo maior destaque nessa faixa. "The Portals" mantém a pegada da faixa título, trazendo de volta a agressividade dominada por alguns dos riffs mais sujos e pesados do álbum. 

O álbum se encerra com "Skymning", faixa mais singular e easy listening do álbum. Dona de um psicodelismo incrível, a faixa se desenvolve entre riffs pesados e vocais melancólicos. O tom mais ameno que predomina em boa parte da faixa é deixado de lado no final, quando a banda encerra o álbum da maneira em que o começou: com peso e agressividade.


Sole Creation despertou meu interesse pela banda e acredito que o de muitos. Se comparado aos outros dois álbuns de estúdio lançados, a sonoridade desenvolvida é de assimilação mais fácil e mostra uma banda transitando dentro dos estilos que se propôs a tocar, experimentado e fazendo um dos álbuns que mais me agradaram em 2013.





Tracklist:

01 - Sole Creation
02 - Tamed Brute
03 - The Portals
04 - Skymning

Download: Sendspace


quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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