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sábado, 27 de dezembro de 2014
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Somi - The Lagos Music Salon

4 comentários

Gênero: Vocal Jazz / Neo-Soul / World Music
País: EUA-Nigéria
Ano: 2014

Comentário: Eu não escutei muitas novidades neste ano, mas um pouco do que mais me cativou eu gostaria de compartilhar. Somi é americana e descedente de imigrantes ugandenses e ruandenses. Muito jovem, mudou-se com a família para a Zâmbia. Anos depois, retornou e graduou-se em Antropologia e Estudos Africanos na Universidade de Illinois. Seus primeiros discos já indicavam um certo interesse em fundir Jazz, Neo-Soul e música africana. Porém, somente após estar por um ano na região de Lagos na Nigéria, ela encontrou o ponto de equilíbrio ideial para sua mistura, autointitulada "New African Jazz".

O primeiro grande destaque do disco é a revisão da clássica "Lady" do Fela Kuti. Quando o piano começa, a bátida rápida e sincopada, guiada pela bateria, atinge seu clímax nas sessões rítmicas de Saxofone, comuns no trabalho de Fela, que evocam as letras originais (“She gon say / She gon say I be lady-o”). "Lady Revisited" é um poema-manifesto que, ao mesmo tempo, convida a dançar e a reconhecer a força da mulher africana.

Gravado tanto em Nova York quanto na Nigéria, o lançamento também conta com músicos americanos e africanos. Em "Ginger Me Slowly", as bátidas funk de Otis Brown III dão o toque misterioso necessário ao clima de sedução em que Somi convida um garoto a paquerá-la da forma mais gentil possível.

Em geral, eu não gosto de músicas pretensiosas, mas o saldo de "When Rivers Cry" é positivo. A música se inicia com um coral infantil cantando o nome dos países africanos, inesperadamente, dá um salto à música erudita e termina nas, desnecessárias porém afiadas, rimas do Common.

"Brown Round Things" conta a história das prostitutas, nela o pianista Toru Dodo se mantem simples para que os dois protagonistas brilhem. Primeiro a linda voz de Somi e, em segundo, o trombone de Ambrose Akinmusire, tido como um dos grandes nomes do Jazz comteporâneo.

Mas de todas as belas canções que figuram aqui, duas me tocam em especial, "Four African Women" e "Last Song". A primeira é uma adaptação do clássico "Four Women" da Nina Simone. Enquanto a original fala sobre a vida de quatro prostitutas, a adaptação, além de ter uma linha de baixo genial, fala sobre a vida de quatro mulheres africanas, sem medo de tocar em realidades cruéis da região ("Strong enough to carry on after genocide and all my family gone"). A outra canção que também me emociona começa como uma linda balada Soul, mas vai crescendo a medida que a percussão vai entrando e quebrando a melodia.

The Lagos Music Salon é um dos melhores lançamentos que eu pude colocar as mãos este ano, não tenho dúvida. Divirtam-se!

Tracklist:
01. First Kiss: Eko Oni Baje
02. Love Juju #1
03. Lady Revisited (feat. Angelique Kidjo)
04. Ankara Sundays
05. Ginger Me Slowly
06. When Rivers Cry (feat. Common)
07. Brown Round Things (feat. Ambrose Akinmusire)
08. The Story of Monkey
09. Akobi: First Born S(u)n
10. Two Dollar Day
11. Still Your Girl
12. Four.One.Nine
13. Love Nwantinti (feat. In His Image)
14. Four African Women
15. Hearts & Swag
16. Love Juju #2
17. Last Song
18. Shine Your Eye


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domingo, 20 de julho de 2014
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Johnny Winter - Johnny Winter

1 comentários

Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 1969

Comentário: É, meus amigos, o mundo tornou-se um lugar um pouco pior nos últimos dias. Não falo somente do massacre israelense na Palestina ou do abatimento do avião malasiano na Ucrânia. Perdemos Bobby Womack, perdemos Johnny Winter. Johnny era um ótimo exemplo para aquele antigo provérbio: "beleza não põe mesa". Já no caso dele, quem vê aquele magrelo feioso, albino e vesgo tem dificuldade para acreditar no Blues enérgico que ele fazia. Quando o assunto é música, as aparências enganam muitas vezes.

Este disco de 1969 é um dos mais puristas do Johnny e também o meu favorito, mas não necessariamente por causa disso. Dentre as canções acústicas, temos "When You Got A Good Friend", uma das mais famosas de Robert Johnson, que Johnny acertadamente deu seu toque particular, mas não alterou demais a versão original. Eric Clapton parece um menino assustado perto dele. Outra acústica que se destaca é "Dallas", a qual poderia facilmente ser confundida com um clássico do Delta Mississippi, embora seja uma composição original. "I'll Drown In My Tears" é a interpretação vocal mais entregue e honesta, dá quase pra sentir a mesma dor de cotovelo que ele deveria estar sentindo naquela época.

No lado elétrico do disco, temos a uptempo "Good Morning Little School Girl", onde a guitarra do Johnny nos faz até mesmo esquecer a harmônica de Sonny Boy Williamson. Embora a grande estrela do disco, na minha opinião, seja "Be Careful With A Fool" de BB King na qual Johnny deixa sua marca pessoal, seu jeito de tocar que morde para depois assoprar. O disco é mais que recomendado, é obrigatório. Tchau Johnny, vai fazer falta.


Tracklist:
01. I'm Yours And I'm Hers
02. Be Careful With A Fool
03. Dallas
04. Mean Mistreater
05. Leland Mississippi Blues
06. Good Morning Little School Girl
07. When You Got A Good Friend
08. I'll Drown In My Tears
09. Back Door Friend
10. Country Girl
11. Dallas (with Band)
12. Two Steps From The Blues


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segunda-feira, 3 de março de 2014
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Gregory Porter - Liquid Spirit

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Gênero: Vocal Jazz / Soul / Gospel
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Quero deixar claro que pretendo terminar minha lista com os melhores do ano passado ainda em 2014. Sendo assim não há como não incluir a voz mais bela surgida dentro do Jazz nos últimos anos.

O ponto forte de Gregory é o enorme controle que ele possui sobre a própria voz, dono de uma sensibilidade ímpar. Logo na faixa de abertura, ele mostra a que veio. "No Love Dying" anda por uma linha tênue entre o Soul e o Jazz, evocando aquela antiga ideia do amor como uma escolha. "Liquid Spirit", por sua vez, fixa raízes na música Gospel com incessante bater de palmas culminando em um ótimo solo de piano.

Pode-se conferir as melancólicas baladas "Water Under Bridges", ganhadora de um versão rubato com seu tempo ligeiramente reduzido, e "Wolfcry" à lá Tony Bennett. Ambas são belos duetos entre Gregory e o pianista Chip Crawford. Minhas duas canções favoritas são "Hey, Laura", dona de um romantismo bastante triste e "Movin" que sugere algo na linha do Bill Withers, mas que Porter logo trata de acelerar com o saxofone de Yosuke Sato deixando tudo mais marcante. Liquid Spirit foi um passo enorme na carreira de Gregory Porter que eu considero imperdível.


Tracklist:
01. No Love Dying
02. Liquid Spirit
03. Lonesome Lover
04. Water Under Bridges
05. Hey Laura
06. Musical Genocide
07. Wolfcry
08. Free
09. Brown Grass
10. Wind Song
11. The In Crowd
12. Movin'
13. When Love Was King
14. I Fall In Love Too Easily
15. Time Is Ticking
16. Water Under Bridges (Rubato Version)


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domingo, 19 de janeiro de 2014
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Robert Glasper Experiment - Black Radio 2 (Deluxe Edition)

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Gênero: Neo Soul / Neo Jazz / Hip Hop / R&B
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Dando sequência à minha lista de melhores do ano passado, trago aqui um dos projetos mais interessantes que tive oportunidade de escutar nestes últimos tempos. Para quem não conhece, eu explico. Robert Glasper é um pianista de Jazz e dos bons. O objetivo de Robert neste projeto porém é mostrar que se pode fazer músicas originais, instigantes e belas sem desagradar o "Deus Mercado".

Para atingir sua meta, Robert Glasper conta com o apoio de uma moçada sempre muito talentosa. Enquanto o primeiro Black Radio contava com gente como Erykah Baduh e Mos Def, o segundo traz um pessoal como a musa do Neo Jazz Norah Jones, o competente rapper Common, o soulmen Anthony Hamilton e muitos outros.

Enquanto o primeiro Black Radio era mais experimental, trazendo alguns covers interessantes. O segundo acerta o pop em cheio e o efeito colateral, como era de se esperar, é o piano do Robert bem menos proeminente.

Primeiro grande destaque é "I Stand Alone" aonde a sinergia entre a voz do Patrick Stump do Fall Out Boy e o piano de Glasper impressiona com um refrão graciosamente colocado entre os versos matadores do Common. A performance sempre estonteante da Jill Scott marca presença em Calls, uma canção baseada na repetição, mas ainda assim muito bonita.

Minha favorita é Yet To Find aonde Anthony Hamilton mostra o razão dele ser um dos melhores cantores da atualidade, a influência da música Gospel é nítida e a interpretação do Hamilton dispensa comentários. A versão de Jesus Children do Stevie Wonder é quase tão comovente quanto a original. Mais um lançamento que não se pode deixar passar.

"Thank God we've still got musicians and thinkers whose obsession with excellence and whose hunger for greatness remind us that we should all be unsatisfied with mimicking the popular, rather than mining the fertile veins of creativity that God placed deep inside each of us."

P.S.: O formato dos arquivos não é MP3, mas sim, MPEG-4 (256 kbps).


Tracklist:
01. Baby Tonight (Black Radio 2 Theme / Mic Check 2)
02. I Stand Alone (feat. Common & Patrick Stump)
03. What Are We Doing (feat. Brandy)
04. Calls (feat. Jill Scott)
05. Worries (feat. Dwele)
06. Trust (feat. Marsha Ambrosius)
07. Yet To Find (feat. Anthony Hamilton)
08. You Own Me (feat. Faith Evans)
09. Let It Ride (feat. Norah Jones)
10. Persevere (feat. Snoop Dogg, Lupe Fiasco & Luke James)
11. Somebody Else (feat. Emeli Sandé)
12. Jesus Children (feat. Lalah Hathaway & Malcolm Jamal Warner)
13. Big Girl Body (feat. Eric Roberson)
14. You're My Everything (feat. Bilal & Jazmine Sullivan)
15. I Don't Even Care (feat. Macy Gray & Jean Grae)
16. Lovely Day
17. Trust (feat. Marsha Ambrosius & Common)


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domingo, 12 de janeiro de 2014
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Mayer Hawthorne - Where Does This Door Go

2 comentários

Gênero: Neo Soul / Hip Hop / Pop
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Não há outra forma de eu continuar minha lista de melhores do ano passado sem um dos caras mais criativos da música atual. Dois caminhos estão em maior evidência no Neo Soul atualmente, por um lado nós temos os artistas da Deptone como Charles Bradley e Sharon Jones que fazem um Soul mais "ortodoxo". Por outro, temos artistas como Anthony Hamilton e Bilal que fazem um som mais "eletronizado" e com maiores influências do Hip-Hop.

Mayer Hawthorne trilha seu próprio caminho. Ele consegue recriar aquele clima nostálgico das décadas de 1960 e 1970, porém soando moderno e sem precisar recorrer o tempo inteiro ao Hip Hop. Porém quando lança mão do gênero o resultado é ótimo. Prova disto é a parceria com o bom rapper Kendrick Lamar e seu flow característico em "Crime".

Mas o que devo dizer aos que já são fãs do Hawthorne e vão escutar Where Does This Door Go pela primeira vez? Primeiramente diria para não se assustarem com a produção mais encorpada que desta vez não ficou a cargo do Mayer, ele que agora está cantando melhor do que nunca e finalmente parece confiante no próprio falsete como se vê em "Wine Glass Women". Eu avisaria também que se por um lado ele vem acrescentando mais influências ao seu repertório a ponto de ser comparado ao Steely Dan em algumas resenhas que li na internet, por outro suas letras regrediram bastante em termos líricos.

A maturidade lírica de "Reach Out Richard", um monólogo com seu pai, contrasta com a inconsequência juvenil de "Crime" ou com a forma infantil a qual Mayer retrata as mulheres em "The Innocent" classificando-as como um objeto de sedução a ser temido. Pelo menos ele não perdeu o hábito de fazer ótimos vídeo-clipes. Mas não se assuste, pois as letras não chegam a estragar o disco, nem a fraca balada "All Better" estraga o disco. No fim do dia, você vai estar cantarolando "Back Seat Lover" e seus "nah! nah! nah's!"

Tracklist:
01. Problematization
02. Back Seat Lover
03. The Innocent
04. Allie Jones
05. The Only One
06. Wine Glass Woman
07. Her Favorite Song (ft. Jessie Ware)
08. Crime (ft. Kendrick Lamar)
09. Reach Out Richard
10. Corsican Rose
11. Where Does This Door Go
12. Robot Love
13. The Stars Are Ours
14. All Beter


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Quem escreve e faz os uploads:

 
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