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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
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Os Melhores Discos de 2014 por PH

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Certa vez divaguei, nesse mesmo espaço, sobre o aspecto particular da arte em geral, especialmente no tocante à música, e como ela se torna ímpar a partir do momento que adentra a percepção do sujeito, sendo moldado pelas experiências, gostos e lembranças desse cidadão, tornando-a peça única. Isso tudo foi só um jeito prolixo de dizer aquilo que todo mundo que tem avós desbocados já ouvem desde criança: "gosto é que nem cu, e cada um tem o seu". E o meu (GOSTO, que fique bem claro) será exposto a vocês nesse momento, mais especificamente conquanto aos lançamentos que perpassaram esse ano.
Confesso que só mantive o título do post como "Os Melhores Discos" para manter o padrão das postagens dos meus colegas, mas a lista infra-postada tem um caráter bem pessoal e está bem longe de ter a pretensão de afirmar que esses são os quinze MELHORES discos do ano - até porque nesse ano ouvi muito menos lançamentos do que fiz ano passado. São apenas os quinze que mais mexeram com as minhas percepções e que me marcaram por um motivo ou outro. São os mais apurados tecnicamente falando? Não. São os mais aclamados pela crítica especializada? Negativo. São o suprassumo da música em 2014? Não sei, tem que ver isso aí. São só os quinze discos que me mais me aprouveram e que me acompanharam nas minhas corridas. Segue o rol.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014
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Michael Christmas - Is This Art?

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Gênero: East Coast Hip Hop
País: EUA
Ano: 2014

Comentário: Como ervas daninhas, desde que Tyler, the Creator e sua horda tomaram a internet de assalto com um Hip Hop descontraído, com letras extremamente variadas, muitas vezes de gostos duvidoso, se tornaram cada vez mais frequentes as aparições de novos rimadores, esfregando a alternatividade na cara do ~internauta~ em busca da fama repentina por meio da grande rede. Obviamente, o que abunda costuma pecar no quesito qualidade. Em se tratando de arte, pouco ou quase nada se aproveita desse novo nicho que pipocou em profusão. Com atenção, no entanto, é possível tirar alguns diamantes desse lamaçal, que possivelmente serão lapidados e nos renderão bons momentos junto aos headphones.
Um deles é Michael Christmas, um garoto de apenas dezenove anos e muitos quilogramas, oriundo de Boston e que retrata fielmente a geração pós-moderna: inundado de informação e opções de recebimento de cultura, as referências pop vêm à cabeça quase que simultaneamente com relação a, praticamente, qualquer assunto possível. Na medida certa, o rapper insere essas referências em suas rimas em sua mixtape de estreia, Is This Art?, temperando-as com emoções e, certamente, com muita diversão. É extremamente nítido o quanto o artista está aproveitando ao máximo o seu momento, traduzindo a sua satisfação em química junto ao microfone.
Um bom exemplo de sua habilidade na transformação de referências do mundo pop em rimas convincentes é a faixa Michael Cera, em que perpassa por vários trabalhos do autor, especialmente quanto a Arrested Development, fazendo citações de personagens e contextos que certamente arrancarão risos de fãs da série. Vale ressaltar, ainda, que a mixtape tem a participação de gente com certo renome no mundo do Hip Hop, como Alex Wiley, que já fez parcerias com os já citados membros do OFWGKTA, além de Mr. MFN Exquire, que, apesar de ser um rapper bem mediano, e um letrista absolutamente fraco, já possui alguma fama, o que traz ainda mais holofotes ao trabalho de estreia de Christmas.
A pergunta-título não é difícil de responder. Tendo em vista que arte é qualquer coisa que você assim identifique, já que trata substancialmente de gostos pessoais - ou seja, algo muito subjetivo - certamente estamos diante de um trabalho artístico, cujo precursor pode ser bem moldado por produções arrojadas para se firmar como um grande nome do Hip Hop. Com esse disco, por exemplo, já conseguiu cravar sua alcunha na lista de artistas a serem observados com atenção.



Tracklist:

  1. Y'all Trippin' (Prod. by James Rogers)
  2. Broke and Young (Prod. by Teddy Roxpin)
  3. Michael Cera (Prod. by Goodwin)
  4. Dr. Christmas, M.D. (Prod. by Cloud9 and James Maka)
  5. What's Happening (Prod. by James Rogers)
  6. Duck Duck Goose ft. Rome Fortune (Prod. by Swelly)
  7. Taco Truck (Prod. by Goodwin)
  8. House Cleaning Music (Prod. by Thelonious Martin)
  9. Daily (Prod. by Goodwin)
  10. Drunk (Prod. by Goodwin)
  11. Still ft. Mr. MFN eXquire (Prod. by Victor Radz)
  12. Leonard Washington (Prod. by Thelonious Martin)
  13. Overweight Drake (Prod. by 36ty5)
  14. The World (Prod. by North Villah)
  15. Step Brothers ft. Alex Wiley (Prod. by A-Rayz)
  16. [BONUS] Vinnie Johnson (Prod. by Childish Major)

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
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James Vincent McMorrow - Post Tropical

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Gênero: Indie Folk / Art Pop / Contemporary RnB
País: Irlanda
Ano: 2014

Comentário: Um dos bons dilemas que a internet nos traz é a quantidade inesgotável de informação que nos coloca à disposição. Isso se aplica à música de uma maneira muito simples: há pouco tempo pra muito álbum. Mal conseguimos passar a régua em tudo o que tínhamos vontade de conferir liberado no ano que passou, e 2014 já começa a nos brindar com pérolas que nos fazem deixar de lado a atualização musical da tag #2013. O primeiro registro que brilha à distância neste ano vem da Irlanda, e mistura Soul, Indie e Folk de uma maneira apaixonante: Post Tropical, de James Vincent McMorrow abre os trabalhos de um ano de muitas expectativas.
Quando a Vagrant Records trouxe o trabalho do compositor ao outro lado do oceano, em 2010, ele se tornou um estranho no ninho em meio aos outros artistas do selo, cujo rol, em sua maioria, era formado por bandas de Screamo e Post-Hardcore. Quatro anos mais tarde, é possível ver que o crew da gravadora diversificou bastante de estilos, sendo possível afirmar que McMorrow abriu a porteira para essa diversificação.
A palavra de ordem em Post Tropical é atmosfera: os arranjos suaves de piano, acompanhados de elementos pontuais de música eletrônica, dão o tom do disco e enfeitam perfeitamente o constante falsete do talentoso músico. Sua voz é diferente, seu canto emana um tom que não estamos acostumados a ouvir com muita frequência. Logo na faixa de abertura, Cavalier, nos deparamos com uma composição profunda e uma performance de muita entrega, coisa que se repete em quase todo o registro. Gold, All Points e Look Out são outros três exemplos de grande aplicação de emoção nos vocais. Todas elas seguem uma fórmula bastante eficaz: a da elevação. É possível notar que, em todas essas faixas, o tom da canção, por meio de seus arranjos, vai aumentando gradativamente, até se chegar no clímax e, a partir daí, descer novamente e terminar na mesma calmaria que se apresentou de início.
Trata-se de um registro bastante compacto, com dez faixas redondinhas e perfeitas para o seu propósito. Sem dúvida alguma, Post Tropical é um trabalho bastante alvissareiro para aqueles que gostavam do Bon Iver, mas não gostaram do Volcano Choir, seu novo projeto; ou pra quem curtia o City and Colour, mas não se animou lá grandes coisas com o rumo que a carreira dele tomou enquanto se afastava do folk. McMorrow consegue preencher esse vazio, inovar e dar uma guinada em sua carreira, tudo com apenas dez canções.




Tracklist:

  1. "Cavalier" - 4:43
  2. "The Lakes" - 4:07
  3. "Red Dust" - 4:01
  4. "Gold" - 3:00
  5. "All Points" - 3:43
  6. "Look Out" - 3:26
  7. "Repeating" - 4:38
  8. "Post Tropical" - 4:33
  9. "Glacier" - 4:09
  10. "Outside, Digging" - 4:31


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
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Kelela - Cut 4 Me

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Gênero: Contemporary RnB / UK Bass / Neo-Soul
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Um dos maiores clichês do mundo artístico se consubstancia na afirmação de que a dor transforma o artista. De momentos difíceis advém grandes obras. Com base nisso, podemos citar inúmeros poetas que, por se tornarem reclusos e solitários, presentearam o mundo com extensas e intrincadas obras, que séculos depois de sua assinatura remanescem relevantes ao mundo moderno. Dito isto, nos perguntamos: quantas vezes um pé na bunda teve como efeito indireto a confecção de uma obra de grande qualidade? Acreditamos que este número seja inestimável. O disco que ora apresentamos é mais um exemplo dessa saga: Cut 4 Me, mixtape que apresenta a cantora Kelela ao mundo, se deve em grande parte ao término traumático de um relacionamento.
Sem medo nenhum de soar piegas, a artista afirma em entrevista que o grande grau de emoção incutido nas faixas do registro se deve, em muito, à dissolução da parceria afetiva com Tosin Abasi, da banda de metal progressivo Animal As Leaders. Ela deu declarações de que queria perpassar às faixas uma sensação que é familiar a todos nós: o sentimento que nos invade quando alguém diz que nos ama, mas ao mesmo tempo nos magoa, característica inerente à condição permanentemente contraditória do ser humano.
No entanto, Kelela não queria se passar por vítima, ou ainda parecer mais uma moça frágil e chorosa, que não se sustenta pelas próprias pernas face a uma desilusão amorosa. Queria se mostrar altiva - "sair por cima", no popular. Não queria se lamentar, mas sim analisar profundamente as consequências dolorosas da situação.
O que podemos afirmar é que ela, com certeza, atingiu seu alvo. Cut 4 Me é um registrado recheado de letras emotivamente potentes e muito bem elaboradas, além de vocais temperados por uma paixão avassaladora, no que ousamos cravar que, nesse quesito, nada a superou no ano passado. Faixas como Enemy e Do It Again são os exemplos que melhor sintetizam essas duas características latentes da mixtape.
Como se não bastassem todos esses predicados, há mais um trunfo, este dos mais efetivos: a produção. Prodigiosos arranjos que não devem a nada a qualquer artista de música eletrônica experimental ladeiam a cantora de modo perfeito, completando uma sintonia ímpar. Gente como Girl Unity, Bok Bok, Jam City, Nguzunguzu - o melhor deles, em nossa opinião - se dedicando de modo irreprochável. Trata-se de experimentalismo eletrônico e vocais de Soul Music combinados em homogeneidade há muito não vista.
A sensualidade do Contemporary RnB ganha uma potente representante, um legítimo exemplar da mais admirável beleza negra: esta descendente de etíopes se dedicou pra valer em uma "mera" mixtape. Nem precisamos dizer o quão ansiosos estamos para o seu primeiro disco de carreira.


Tracklist:

  1. "Guns & Synths" - 2:56
  2. "Enemy" - 4:17
  3. "Floor Show" - 4:38
  4. "Do It Again" - 3:00
  5. "Go All Night (Let Me Roll)" - 1:43
  6. "Bank Head" (Extended) - 5:02
  7. "Cut 4 Me" - 3:53
  8. "Keep It Cool" - 4:10
  9. "Send Me Out" - 4:12
  10. "Go All Night (Let It Burn)" - 1:47
  11. "Something Else" - 4:07
  12. "A Lie" - 3:40
  13. "Cherry Coffee" - 6:00


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
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Forest Swords - Engravings

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Gênero: Neo-Psychedelia / Ambient Dub / Downtempo
País: Inglaterra
Ano: 2013

Comentário: O ano de 2013 se mostrou bastante profícuo quanto à música eletrônica, e não só quanto àquele jaez mais tradicional do estilo, mas em várias de suas mais variadas vertentes. Do footwork ao downtempo, do chillout ao drone, diversos registros chamaram a atenção aos amantes do gênero. Um primoroso exemplo disso é o disco Engravings, do produtor e artista inglês Matthew Barnes, que tem a alcunha de Forest Swords como stage name.
Depois de uma série de EPs, online tracks e singles, o trabalho ora analisado é seu primeiro álbum de carreira, e veio para abrandar uma crescente expectativa formada em torno de seu talento a cada nova faixa disponibilizada na internet, especialmente em sua conta do Soundcloud. Já na faixa de abertura, Ljoss, recebemos uma boa mostra do que virá a seguir: faixas que repousam na região limítrofe entre a tranquilidade do Ambient e os estilos mais sombrios da música eletrônica, pendendo ora pra um lado, ora pra outro.
É notável a gama de instrumentos e recursos utilizados pelo autor para criar a aura etérea de seu trabalho. A ecleticidade na escolha do aparato se mostra evidente em Thor's Stone, por exemplo, faixa em que observados uma crescente de sintetizadoras acompanhadas por um instrumento de sopro que se assemelha com flautas indígenas.
Barnes não deixou de utilizar vocalizações humanas em sua obra: Anneka's Battle traz, em sua segunda metade, um agradável canto performado por uma voz feminina, acompanhado de uma batida alusiva ao Rn'B, mas com notas bem mais sutis e em consonância com a proposta do restante do disco. Em seguida, Gathering também traz vozes humanas, mas dessa vez incorporadas à batida da faixa, em indecifráveis - mas aplacadores - dizeres que compõem uma atmosfera bastante envolvente.
Os solos dedilhados de violão, guitarra e piano também são um grande trunfo das experimentações. Presentes em faixas como The Weigh of Gold e The Plumes, dão um tom mais mundano ao disco, e nos remetem à intersecção que pode ser formada pelos mais diversos gêneros musicais.
Não bastasse a gama de recursos utilizados de forma brilhante e o resultado que salta aos ouvidos, a história por trás do registro o torna ainda mais belo: Barnes teve de abandonar por alguns anos a sua maior paixão, a produção de faixas, e, por consequência, o seu Forest Sowrds, por conta de problemas auditivos que podiam lhe ceifar esse sentido. Depois de um tratamento, obteve o aval médico para retornar a se dedicar à sua paixão. Esse tempo afastado de tudo que mais ama certamente contribuiu para o ar de tristeza esperançosa que perpassa cada uma das dez faixas do registro. Como disse Lord Byron, "tristeza é saber" - e Barnes soube muito bem extrair a essência dessa frase.




Tracklist:

  1. "Ljoss" - 5:19
  2. "Thor's Stone" - 4:32
  3. "Irby Tremor" - 4:11
  4. "Onward" - 5:40
  5. "The Weight of Gold" - 5:04
  6. "An Hour" - 5:02
  7. "Anneka's Battle" - 4:09
  8. "Gathering" - 4:59
  9. "The Plumes" - 3:39
  10. "Friend, You Will Never Learn" - 8:12


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