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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
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Luiz Melodia - Pérola Negra

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Gênero: MPB / Samba /  Avantgarde
País: Brasil
Ano: 1973

Comentário: Do morro São Carlos, Estácio, Rio de Janeiro, nasce um dos maiores nomes da musica brasileira. Luiz Carlos dos Santos, ou Luiz Melodia é um dos nomes de maior peso da MPB. Carioca, guerreiro, poeta, Luiz Melodia enfrentou a dureza do tempo até que sua paixão pela musica e, sobretudo talento, foi finalmente encontrado por ouvidos próprios como os de interpretes na altura de Gal Costa e Maria Bethânia, que gravaram algumas composições do músico pouco tempo antes do lançamento de seu disco de estreia: Pérola Negra.

Filho do músico Osvaldo Melodia, Luiz sempre foi atento à arte e à sonoridade. Frequentava, com seu pai, rodas de samba e fez disso sua escola. Escola que foi completada pelo interesse no blues, soul, rock e outros gêneros musicais que viriam mais tarde a completar a linguagem sonora do artista. Faz-se assim uma das mais importantes obras da Música Popular Brasileira, que é lançada em 1973 e mostra então, mais uma vez com genialidade, a faceta do músico brasileiro de conseguir explorar a diversidade e reformar a identidade.

Pérola Negra, como já disse, carrega consigo uma bagagem enorme de influencias que até então estavam começando a ser finalmente exploradas por músicos brasileiros. Como um disco pós-tropicalista, é de se esperar algo deveras atípico ao já escutado no Brasil, e assim o é. Luiz Melodia soube dar vida à experiência perfeita entre elementos pouco usados no meio do samba e do popular com naturalidade e acuidade.

A poesia de Luiz Melodia é algo que se destaca por si só, há uma magia em suas palavras que encanta e ensina. Estácio, Eu e Você começa o álbum com um sambinha simpaticíssimo guiado à cordas e sopro. Vale quanto pesa com belos dedilhados encanta mais tarde com os metais e swing tão próprios. Estácio, Holly Estácio, gravado por Bethânia outrora, e Abundantemente Morte são aulas de poesia e musicalidade. Pra Aquietar volta ao swing’n’roll genial de Luiz Melodia. Perola Negra, que dá nome ao disco é de novo um festival de metais com uma pitada soul incrivelmente enérgica, e profundidade poética e harmonia estética que marcaram para sempre a MPB. Magrelinha dá ótima continuidade à Pérola Negra, e foi acompanhamento sonoro em uma cena do filme Cidade de Deus, fazendo uma belíssima aparição no cinema. Farrapo Humano e Objeto H levam de novo o disco lá pra cima, com um swing jazzístico distinto. Forro de Janeiro, a ultima faixa é uma menção interessante ao ritmo nordestino.

1973 é um ano incrível na musica brasileira, e esse é talvez o melhor lançamento deste.


Tracklist:
1. Estácio, Eu e Você - 2:16
2. Vale Quanto Pesa - 3:11
3. Estácio, Holly Estácio - 2:30
4. Pra Aquietar - 2:47
5. Abundantemente Morte - 3:28
6. Perola Negra - 2:50
7. Magrelinha - 2:07
8. Farrapo Humano - 3:12
9: Objeto H - 2:25
10. Forró de Janeiro - 3:15

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Matheus Saez

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O pouco contato que tive com os lançamentos de 2015 foi altamente compensado pela magnifica qualidade da musica produzida nesse ano. Tive uma oportunidade grande de aumentar minha gama de gêneros musicais e o fiz. Me apaixonei mil vezes por alguns dos discos pelos quais esperei ansiosamente o dia de estreia ou por um em especial que me tomou de surpresa e me encantou como só ele poderia.

Mas cortando a conversa antes que ela se prolongue muito, gostaria de anunciar minha volta ao site depois de um ano sem trazer novidades ou reviver tesouros antigos. Pretendo manter um ritmo mais frequente por aqui nesse ano que começa e aproveitar para exercitar meus conhecimentos culturais musicais.

Voltando ao top10 2015, eu estou muito contente com a lista que fiz, mas devo dizer que a ausência de títulos nacionais me deixou decepcionado, e a culpa é completamente minha. O Brasil também foi fonte de ótimas produções musicais no ano passado, algumas listas já postadas trazem nomes incríveis, como vale a pena conferir!

sábado, 9 de agosto de 2014
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Night Sins - To London or the Lake

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Gênero: Pós-Punk
País: EUA
Ano: 2014

Comentário: Direto de Philadelphia, Night Sins veio para ajudar a desenterrar o pos-punk pós oitentista. Com influencias fortíssimas de Bauhaus e suas contemporâneas, a sensação de estar escutando uma banda pos punk dos anos de ouro do gênero é inevitável. Os caras são bem clichê, mas de certa forma, originais.

A Ariel já escreveu sobrea banda e o primeiro disco deles. Foi uma resenha muito boa que pode ser lida aqui. O primeiro álbum é um pouco mais pesado, denso e sombrio, uma obra que precisa ser conhecida. Das bandas modernas de pos punk, Night Sins com certeza se destaca como uma das melhores.

O segundo disco segue um pouco mais rápido e leve, apesar de bem envolvente e dançante. Os baixos marcantes, claro, guitarras mais presentes do que no primeiro álbum e o sintetizador continua como uma parte importantíssima para a composição da identidade sonora da banda.

Para mim, as duas músicas mais marcantes no disco são “To London or The Lake” e “Evangeline”. O álbum em si é excelente, mas essas duas canções se tornaram minhas favoritas, em minha opinião são assinaturas para o álbum. São bem dançantes e, principalmente “To London or The Lake” fica bem marcada na cabeça.

A última faixa, “Neon Light Intoxicants”, lembra bastante o primeiro disco. Talvez um pouco mais dançante, ou não. É a faixa mais longa do disco, mas mesmo assim, quando ela passa bem rapidinho te faz pensar como o disco foi curto. O CD tem apenas 27 minutos, e eu achei bom o suficiente para dizer que escutá-lo uma só vez é impossível.
                                                             
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Tracklist:
01. Air Dance – 03:16
02. To London or the Lake – 03:28
03. Evangeline – 03:33
04. Rain – 02:15
01. Bound 'Round the World – 03:49
02. Heaven in the Snow – 03:21
03. Dear Marquis – 02:58
04. Neon Light Intoxicants – 04:41

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
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Caetano Veloso - Transa

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Gênero: Musica Popular Brasileira/ Tropicalia
País: Brasil
Ano: 1972

Comentário: Essa é de longe a obra prima de Caetano Veloso. Gosto muito de outros álbuns dele, mas esse é o mais cativante de todos. Caetano gravou o disco na Inglaterra durante seu exílio e o lançou no Brasil assim que voltou, em Janeiro de 1972. O registro reflete muito dessa dualidade cultural que o artista vivia, com músicas em inglês e português, musicalidade riquíssima de ritmos diferentes e a mistura de tradição com experimentalismo, Caetano mostra o que para mim é a fronte da versatilidade brasileira.

As faixas são perfeitamente harmônicas, todas tem um clima muito bom para curtir com amigos, conversar, são melodias com letras tão convidativas que é impossível não dançar e cantar junto. É o tipo de música que você sempre quer deixar tocando, uma pena que o álbum tenha só aproximadamente trinta e sete minutos.

Falando na musicalidade, não podemos deixar de dizer que a parte instrumental desse álbum é notável. Os músicos convidados foram; Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Percussões e guitarras marcantes durante todo o disco, a bateria é impecavelmente bem colocada. As batidas passam do samba para reggae e outros ritmos que embalam as letras que tocam muito nas músicas tradicionais brasileiras.

É muito difícil destacar só uma música do Transa. “You Don’t Know Me” inicia o álbum de forma maravilhosa, Caetano parece mostrar o que sente sobre estar longe de seu país e sobre a sua vida na terra da rainha. “Nine Out of Ten” explora o ritmo de raggae e tem letra em inglês, mas mesmo assim mantém uma identidade brasileira. “It’s a Long Way” é uma viagem, a canção trás uma sensação de saudade muito interessante quando a cantoria em inglês de Caetano é interrompida por trechos de músicas clássicas brasileiras. “Mora na Filosofia” é uma homenagem ao grande sambista Monsueto, uma das músicas em português mais chamativas do disco.

O álbum é uma pérola, parada obrigatória para todos os brasileiros que se interessam pela música popular brasileira, eu creio.

                                    Youtube / Site Oficial / Facebook / Last.fm

Tracklist:
Side 1:
01. You Don't Know Me - 3:48
02. Nine Out Of Ten - 4:55
03. Triste Bahia - 9:32
Side 2:
04. It's A Long Way - 6:05
05. Mora Na Filosofia - 6:13
06. Neolithic Man - 4:47
07. Nostalgia - 1:23
Download: Mega / 4Shared

Quem escreve e faz os uploads:

 
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