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segunda-feira, 2 de março de 2015
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Sia - 1000 Forms Of Fear

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Gênero: Dance Pop / Pop / Rock / Jazz 
País: USA
Ano: 2014

Comentário: Reconheço que não conhecia muito da Sia até me encontrar com “1000 Forms Of Fear” e me encantar com o álbum e a artista pro detrás da criação. Mesmo já sendo uma artista que faz parte há algum tempo da cena pop estadunidense, Sia atuava mais como compositora para diversas artistas já aclamadas pelo público e crítica, participando até do último álbum da Beyoncé, na faixa “Pretty Hurts”. Ah, ela é a voz por detrás de “Titanium” do David Guetta.

Bem, como já demorei tempo demais para voltar com as resenhas não vamos nos alongar demais por aqui, vamos ao que importa. “Chandelier” abre o álbum com um dance pop ao estilo Sia. A faixa também foi, muito bem escolhida, aliás, para ser o primeiro single do álbum. Um vocal forte, um apelo dançante, um clipe inovador e estava criado um burburinho por detrás da figura da Sia. A música conta também com uma letra de certa forma grudenta, mas não enjoativa e muito bem inserida na estética do álbum, fazendo um par excelente com a faixa seguinte, até, “Big Grils Cry”, música crescente que explode no refrão e retorna ao estilo balada já explorado pelo pop, embora aqui vemos um controle do vocal que transmite muito bem o ideal do álbum.

Sou suspeito para falar da Sia. A forma que ela achou para divulgar seu álbum sem ser ela a personificação do mesmo me faz refletir demais sobre propriedade artística. É inegável que vem dela todo o processo criativo e esforço em trazer o “100 Forms Of Fear” à tona, mas o rosto que carregam o álbum não é o dela. Aliás, o que carrega o álbum é um corte de cabelo: o loiro e curto blondie bob, presente na apresentação de Lena Dunham (roteirista da ótima série “Girls”) no Late Night with Seth Meyers ou no próprio incrível clipe de “Chandelier” com a Maddie Ziegler, participante do Dance Moms.

Saindo da melancólia “Eye Of The Needle” caímos na animação de “Hostage”, que conta com a presença de algumas referências a um rock mais clássico. A faixa seguinte “Straight For The Knife” remete-me a um ar criado pela Lana Del Rey em seus álbuns, mas ainda assim não deixa de ser autoral, mesma que as comparações funcionem – é uma faixa lenta que carrega algo do dream pop orgulhosamente levantado pela Lana, mas que na sequência artística de “1000 Forms Of Fear” funciona muito bem.

“Free The Animal” é um sufocante grito de liberdade. É contagiante, extremamente sonora para o álbum, visceral, até. É sobre amores ferozes que decapitam e libertam – é sobre matar alguém com o seu amor e morrer por ele, se preciso ver, é mais uma das mil formas do medo; da fera que a Sia não faz questão nenhuma de exorcizar.

Quero me remeter por último a “Elastic Heart”, segundo single do álbum. Antes de tudo – tirem um tempo da vida de vocês para apertarem o play no vídeo dessa singela resenha e tirarem suas conclusões sobre o que a Sia é capaz de criar não só como compositora e cantora, mas, principalmente como artista. Até agora, para mim é a junção perfeita do ano de áudio e visual para a criação de uma imagética musical. A já citada Maddie e o Shia Labeouf (acho que ele dispensa apresentações, mas é o menino do “Transformers” que cresceu e virou o carinha de “Ninfomaníaca”) dançam a música em um balé contemporâneo que carrega os versos da canção em cada passo. O clipe resume a música, perfeitamente, assim como a música resume o álbum, é o ápice das mil formas de uma fera, de uma estética, do quanto um álbum pode machucar, curar e emocionar.

Sia não nos apresenta a sua figura nesse álbum, mas sim ao seu coração elástico e sua lâmina afiada – ela pode nos machucar e ser machucada, para ela não importa, tanto faz causar medo ou sentir medo. A nós cabe somente esperar se ela será a bela ou as nossas próprias feras. A forma ideal do medo somos nós que escolhemos.


Tracklist:
01. Chandelier
02. Big Girls Cry
03. Burn the Pages
04. Eye of the Needle
05. Hostage
06. Straight for the Knife
07. Fair Game
08. Elastic Heart
09. Free the Animal
10. Fire Meet Gasoline
11. Cellophane
12. Dressed in Black

Ouça: Spotify

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
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Mocha Lab - Cthulhu: The Funksical

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Gênero: Funk / Experimental / Art Rock
País: EUA
Ano: 2009

Comentário: Mocha Lab é apenas a ponta de um iceberg que constitui projetos musicais assinados por Paul Shapera, cuja temática de seus discos (a maioria) demonstra a sua grande dedicação à arte steampunk — e suas vertentes, como dieselpunk e atompunk, ambas estampadas como títulos — e claramente influenciado pelas obras "lovecraftianas", como bem explicita o título do presente disco. Mas, sabe-se lá como exatamente seriam músicas ideais para um mundo steampunk (dúvida que me vem como quando comparo o disco em questão à algumas músicas de Rasputina, por exemplo), Shapera, mais precisamente em seu projeto Mocha Lab, deixa claro à partir do "Cthulhu: The Funksical" que seu estilo cósmico é embebido, pra não dizer realmente tomado, em swing e um groove psicodélico de alta qualidade e criatividade, tornando-se muito original. São construções sonoras de resultado bastante agradável, principalmente pela pegada black, mesmo que a psicodelia e as experimentações não passem nem um pouco despercebidas e gerem eficaz estranheza.

Acredito que não seja o único a estranhar o disco pela primeira audição, até porque não é apenas os ouvidos que são instigados. A ideia em fundir o bom, velho e animado funk com o mundo medonho de Howard Phillips Lovecraft chega a soar jocoso num primeiro instante, e vamos combinar, assim continua ao longo das dezenas de reproduções de cada faixa. Mas os risos e estranhezas abrem brecha para a admiração e seriedade da obra, tamanho carisma que flui. Eu diria que é o "black no dark", se é que ficou clara a piada insossa.

O disco é conceitual, e ao decorrer trata de alguns seres místicos do universo criado por Lovecraft, mas da maneira quase inconciliável de Paul Shapera, cuja ligação ocorre principalmente durante as 8 primeiras faixas numeradas (numeradas propositalmente, portanto não é preguiça do autor deste post em editar as faixas), numa narrativa curta, em vozes otimizadas por vocoder (creio) e com entonações caricatas — na realidade bem dentro da proposta do funk. E o próprio compositor chega a chamar sua história de "ridícula".
Mas não se engane, não é um disco chato com "falatório desnecessário", pois você é facilmente levado pelos vários tentáculos musicais que aparecem durante o disco, ao mesmo tempo que não sentirá falta do Rock, um ser quase onipresente que na minha opinião pertence a espécie dos Grandes Antigos, ou seja, mesmo quando está em sua tumba, não é privado da capacidade de se comunicar.

Cthulhu: The Funksical é o álbum mais recente assinado como Mocha Lab, mas The Coffee Cellar, Subduction e Anamnesis valem a audição, além é claro de todo catálogo presente no BandCamp. Ainda como dica, visitem o site Site Lovecraft para baixar os e-books.


"Na sua casa em R'lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. Se ligou, baby!?"



domingo, 28 de julho de 2013
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Milla (Jovovich) - The Divine Comedy

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Gênero: Folk rock/ Folk pop/ Art pop/ Alternative
País: Ucrânia/EUA
Ano: 1994

Comentário: Não sou nenhum fã, embora não negue que a beleza de Milla Jovovich e sua posição no cinema e no mundo da moda — que eu não entendo bulhufas — mereçam certo reconhecimento. Tanto é que sua música é que me chamou mais atenção, pois concentra certa originalidade e um tipo de “sutil ousadia”. Não é música insossa feita por alguém que poderia pagar para ser ouvida (e ela pode pagar), mas é um folk rock bem gostoso, mas também pop, mas também vai um pouco mais além disso. Por isso está indiscutivelmente mais para “Return to the Blue Lagoon” do que para “Resident Evil” (a não ser que você ouça sua participação em “REV 22:20”, ou "The Mission", ambas do Puscifer), mas possui suas peculiaridades, não sendo aquela eterna espera por socorro de Sessão da Tarde. Abaixando os níveis de testosterona, posso dizer que tem doçura, leveza, faixas dançantes e outras vezes reflexivas, mas não beirando o piegas e o tédio, contudo, não se engane quando falo em “peculiaridades”, pois de forma alguma existe uma super referência a Leeloo de “The Fifth Element”... ou pouco, talvez, nos pequenos e sutis detalhes... mas se busca algo a mais, quem sabe com “PlasticHas Memory”, único disco da banda de mesmo nome que Milla formou em 1999 e que segue uma linha mais tortuosa como a feita por bandas como Portishead, por exemplo, você possa se satisfazer melhor (ouça "On The Hill" e também "Left & Right (Live)").

Somado a letras sinceras escritas quando tinha apenas 15 anos — com exceção de “In a Glabe”, uma música folclórica ucraniana que ela regravou —, uma belíssima arte como encarte e a óbvia referência ao poema de Dante Alighieri, o instrumental é apenas mais um dos pontos que abrilhantam o disco: As performances vocais apresentadas em The Divine Comedy reforçam e eliminam o preconceito de que Jovovich seria “carregada” por uma boa banda, por uma boa produção impecável. Ela manda muito bem, o que às vezes me remete a comparações com Alanis Morissette em certos trechos, enquanto que a melodia e toda instrumentação mantém as músicas num clima a la Tori Amos. E pode ser que tenha exagerado na Alanis, mas existe uma grande simpatia com uma aparente influência entre um misto de Tori Amos, Kate Rush (mas tirem “Wuthering Heights” da cabeça) e até Cocteau Twins, que seria o diferencial do disco.

Vai muito além de um disquinho pop feito por uma atriz famosa e naturalizada americana, que inclusive não deixa esse lado "pop-americano" oculto, pois é o lado ucraniano, unido à influências britânicas que o envolve todo o álbum.

E se existe interesse, Jovovich tem ainda composições e participações em trilhas de alguns filmes, como por exemplo com “Rocket Collecting“, composta ao lado de Danny Lohner (ex- Nine Inch Nails e A Perfect Circle — ambas também presentes na trilha sonora) para o filme “Underworld” de 2003.



Tracklist:
  1. The Alien Song — 4:45
  2. Gentleman Who Fell — 4:39
  3. It’s Your Life — 3:45
  4. Reaching From Nowhere — 4:10
  5. Charlie — 4:10
  6. Ruby Lane — 4:36
  7. Bang Your Head — 3:23
  8. Clock — 4:15
  9. Don’t Fade Away — 5:43
  10. You Did It All Before — 3:58
  11. In a Glade — 2:27

Download: Mega.co

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
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Lunatic Soul - Discografia

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Gênero: Atmospheric Rock, Art Rock, Dark Ambient, Progressive Rock, Psychedelic, Experimental, Post-Rock, e mais umas coisas parecidas
País: Polônia
Anos em atividade: Desde 2008

Comentário:

A viagem de uma alma lunática e suas experiências no limbo do pós-morte, suas lembranças do passado e um constante conflito acerca da própria sanidade. É sobre isso que se trata Lunatic Soul. A mente por trás de tudo é Mariusz Duda, vocalista e baixista, porém multiinstrumentista, do Riverside que, para quem não conhece (será possivel?), é uma banda cotada como um dos grandes nomes do rock progressivo contemporâneo, com um estilo bastante similar ao de Porcupine Tree. Essa comparação, inclusive, já rendeu boas discussões.

Até o presente momento, o projeto conta apenas com três álbuns. Os dois primeiros são conceituais e para quem se debruçasse sobre as letras das músicas contidas no primeiro álbum, notaria facilmente que a história precisava continuar de alguma forma, e foi justamente isso que foi feito no disco subsequente. De certa forma, apesar dos dois anos de diferença entre um lançamento e outro, é como se fossem um único álbum dividido em dois discos. O terceiro lançamento, no entanto, é essencialmente instrumental.

Apesar de Mariusz Duda ser a alma do projeto e seu grande executor, ele não é responsável por todos os instrumentos tocados em todas as músicas, portanto, tenho minhas dúvidas quanto a Lunatic Soul ser tratada como uma "one man band". Entre seus principais ajudantes figura o nome de Maciej Szelenbaum, que participou dos três álbuns já citados.

Se você se interessou em ler até aqui, clique no "Continue Lendo>>" logo ali abaixo e prepare-se para alguns "spoilers" saudáveis sobre o conteúdo das músicas que o ajudarão, assim pretendo, a participar da viagem junto com esta alma lunática. Pelo conteúdo denso da temática, achei por bem destrinchar pormenorizadamente as músicas tanto quanto possível. Lunatic Soul não é música pra se ouvir como pano de fundo. Ela é complexa, profunda e intimamente reflexiva. Recomendo que trate este material apresentado como se acompanhasse a história de um filme ou um livro se quiser que experiência seja completa.



segunda-feira, 24 de setembro de 2012
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Fair To Midland - Arrows & Anchors

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Gênero: Rock Progressivo / Rock Alternativo
País: EUA
Ano: 2011

Comentário: Nossos queridinhos estão de volta com disco que foi lançado pelo selo ‘’ E1 Music’’ E não mais pela ‘’ Serjical Strike’’, pelo menos quando era pela ‘’ Serjical Strike’’ a mixagem era perfeita, tsc, tsc. (assunto que você vai entender ao final dessa resenha)

Arrows & Anchors é um disco bem completo. Digo logo que alguns fãs de ''Fables From a Mayfly What I Tell You Three Times is True'' Vão estranhar esse ''Arrows & Anchors''. Os motivos são, as músicas deixaram de ser ''Simples''. Bem ''Fables From a Mayfly What I Tell You Three Times is True'' é um disco que podemos taggear como ''Alternativo'' com algumas ideias embrionárias do que poderia vir a ser o A&A e só (nada complexo). Sabe, funciona (muito, mais muito bem mesmo, até por que sou viciado) bem, mas continua sendo um disco bem ''Simples''. Já o Arrows & Anchors é um disco bem maduro, digo maduro por que fica clara após o termino da audição do ''Arrows & Anchors'' a evolução dos músicos e claro das composições, reparem em ''The Greener Grass''. Tem seus 10 minutos... eu acho essa composição perfeita, pois tem tudo que FTM já vinha fazendo na sua jornada Pokémon e tem os adicionais técnicos adquiridos com o decorrer dos anos na parte do vocal e também instrumental que acaba culminando em uma melodia bem mais complexa/progressiva. Sendo assim, o A&A não é um disco que você, fã acostumado com ''Fables From a Mayfly What I Tell You Three Times is True'' vá gostar de cara. Mas, jovens, deem uma chance o trabalho, está maravilhoso. E só para quebrar o argumento de que a banda se modificou demais, escutem ''Whiskey & Ritalin'' .Temos uma Big-Bang em riffs nos ouvidos... Ah ia esquecendo, gostei também dos instrumentos ''exóticos'' que o Darroh usou nas gravações escutem ''Amarillo Sleeps on My Pillow''. Por fim fico orgulhoso de ser fã de uma banda que não tem medo de ousar.
PS: espero que nos próximos discos eles usem outro estúdio de mixagem, pois o utilizado nesse é uma porcaria, o que acaba ''atrapalhando'' um pouquinho a audição.


Tracklist:


1. "Heavens to Murgatroyd"
2. "Whiskey & Ritalin"
3. "Musical Chairs"
4. "Uh-Oh"
5. "Amarillo Sleeps on My Pillow"
6. "A Loophole in Limbo"
7. "Typhoid Mary Sends Her Best"
8. "Short-Haired Tornado"
9. "The Upset at Bailey Bridge"
10. "Rikki Tikki Tavi"
11. "Golden Parachutes"
12. "Bright Bulbs & Sharp Tools"
13. "Coppertank Island"
14. "Three Foolproof Ways to Buy the Farm"
15. "The Greener Grass"


Download:
Rapidshare || Crocko

Quem escreve e faz os uploads:

 
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