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domingo, 20 de julho de 2014
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Johnny Winter - Johnny Winter

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Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 1969

Comentário: É, meus amigos, o mundo tornou-se um lugar um pouco pior nos últimos dias. Não falo somente do massacre israelense na Palestina ou do abatimento do avião malasiano na Ucrânia. Perdemos Bobby Womack, perdemos Johnny Winter. Johnny era um ótimo exemplo para aquele antigo provérbio: "beleza não põe mesa". Já no caso dele, quem vê aquele magrelo feioso, albino e vesgo tem dificuldade para acreditar no Blues enérgico que ele fazia. Quando o assunto é música, as aparências enganam muitas vezes.

Este disco de 1969 é um dos mais puristas do Johnny e também o meu favorito, mas não necessariamente por causa disso. Dentre as canções acústicas, temos "When You Got A Good Friend", uma das mais famosas de Robert Johnson, que Johnny acertadamente deu seu toque particular, mas não alterou demais a versão original. Eric Clapton parece um menino assustado perto dele. Outra acústica que se destaca é "Dallas", a qual poderia facilmente ser confundida com um clássico do Delta Mississippi, embora seja uma composição original. "I'll Drown In My Tears" é a interpretação vocal mais entregue e honesta, dá quase pra sentir a mesma dor de cotovelo que ele deveria estar sentindo naquela época.

No lado elétrico do disco, temos a uptempo "Good Morning Little School Girl", onde a guitarra do Johnny nos faz até mesmo esquecer a harmônica de Sonny Boy Williamson. Embora a grande estrela do disco, na minha opinião, seja "Be Careful With A Fool" de BB King na qual Johnny deixa sua marca pessoal, seu jeito de tocar que morde para depois assoprar. O disco é mais que recomendado, é obrigatório. Tchau Johnny, vai fazer falta.


Tracklist:
01. I'm Yours And I'm Hers
02. Be Careful With A Fool
03. Dallas
04. Mean Mistreater
05. Leland Mississippi Blues
06. Good Morning Little School Girl
07. When You Got A Good Friend
08. I'll Drown In My Tears
09. Back Door Friend
10. Country Girl
11. Dallas (with Band)
12. Two Steps From The Blues


Download: MEGA
segunda-feira, 16 de junho de 2014
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Jack White - Lazaretto

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Gênero: Rock/Country
País: USA
Ano: 2014

Comentário: E chega ao mundão o segundo disco do Mrs. Jack White, “Lazaretto”, que, assim como seu primeiro disco (já resenhado bem aqui), vem se diferenciando de seus outros trabalhos e trazendo agradáveis surpresas. Antes de comentar as musicas, quero falar que o disco já é um marco, pois ele vem com um conceito chamado de “ultra LP”, que torna o disco mais interessante. Não vou ficar explicando o que isso significa, deixo vocês com um vídeo do próprio Jack branco falando, basta clicar aqui.

“Thrree Women” abre o álbum com uma boa energia, trazendo uma dança nos instrumentos, que são pontuadas ao fim dos versos cantados, o que traz uma dinâmica interessante para a musica, como se ela apresentasse os instrumentos que vão ser usados. Ela faz par com “Lazaretto”, que vem logo em seguida, continuando com um tom bem elétrico e animado. Elas duas já mostram uma boa construção musical que não se ouvia antes.

domingo, 8 de junho de 2014
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The Black Keys - Turn Blue

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Gênero: Blues Rock / Progressive rock / Funk / Pop / Soul
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Em meados dos anos 90 o desenho "Pink e Cérebro", criado por Steven Spielberg e Tom Ruegger,  foi uma febre entre crianças e adolescentes. Para os de boa memória, um dos momentos mais célebres da obra era o seu encerramento no qual Pink questionava ao amigo  "o que faremos amanhã à noite?", e Cérebro em tom sinistro respondia "o que sempre fazemos todas as noites. Tentar conquistar o mundo!". A alusão aqui se faz necessária para entendermos um pouco da carreira do duo americano The Black Keys.

Com carreira iniciada em 2001, a banda formada por Dan Auerbach e Patrick Carney surgiu em meio a um revival da cena blues garage na terra do Tio Sam tendo como concorrente de cena o também duo White Stripes. Desta fase foram produzidos 4 álbuns, The big come up, Thickfreakness, Rubber factory e Magic Portion, todos produzidos em caráter lo-fi e próprio, mas que garantiram a exposição merecida seja pelos elogios da crítica, seja pela abertura de shows de artistas do calibre de Beck, Sleater-Kinney e Dashboard Confessional. Mas uma grande parcela do público ainda não havia se rendido ao duo e para tanto a guinada sonora foi necessária.

Em 2008 a mudança gradual começou a ser pavimentada via Attack & release, primeiro disco com um produtor de fato colaborando no processo criativo: o hoje elogiadíssimo Danger Mouse. Mouse, que na época colhia os louros inicias da fama devido ao estrondoso sucesso de projeto Gnarls Barkley, soube manter dosas a essência suja da sonoridade da dupla casando de forma ímpar com uma produção polida resultando num dos discos daquele ano. A parceria deu tão certo que para álbuns seguintes, o ótimo Brothers e o multiplatinado El camino, o trabalho seguiu em plena forma resultando no então sonhado sucesso mundial. Tanto barulho fez com que o duo virasse uma banda, saísse das pequenas arenas e migrasse para ser headliner de festivais mundo afora. Nós, brasileiros, inclusive vivenciamos parte deste fenômeno quando o The Black Keys foi atração principal na segunda noite do Lollapalooza Brasil 2013.

Pois bem, ao que parece a experiência de estar no centro das atenções não foi algo valoroso para o duo e a prova disso é Turn Blue, o mais recente trabalho destes senhores de Ohio. Se nos dois álbuns anteriores, que mais se assemelhavam a coletâneas com dezenas de hits, a aposta agora é o retrocesso em todos os sentidos. Produzido novamente por Danger Mouse, em sua quarta parceira, aqui é visível a saída da proposta de criar hinos a serem entoados em estádios em prol de algo mais intimista e audível em seus detalhes. A canção de abertura "Weight of love" já entrega de bandeja a nova sonoridade: em seus quase sete minutos, a canção mais longa criada pelo duo, temos um longa introdução instrumental, um solo de guitarra e certo ar progressivo setentista, herança talvez do Pink Floyd. O ar retrô, aliás, é o que conduz o disco. "In time" é carregada se suingue beirando ao funk. A faixa título é uma balada que promove o encontro de blues de outrora com um toque de soul. A pegajosa "Fever", primeira single do rebento, soa melodicamente como sobra de Brothers, graças ao seu potencial radiofônico. "Year in review" a bateria ligeiramente acelerada dá o tom para Dan solte o verbo sobre o seu doloroso processo de divórcio, tema este que circunda todo o trabalho. Destacam se ainda a psicodélica "Bullet in the brain", "It's up to you now" faixa que consegue unir a lado rock do velho Keys com o balanço setentista, a literalmente funky "10 lovers" e "Gotta get away", faixa de encerramento, é uma pérola pop que encerra brilhantemente o trabalho que, merecidamente, debutou em primeiro lugar na Billborad.

Por fim, por mais que o plano de dominar o mundo fora deixado de lado há de vangloriar a ousada nova proposta escolhida pelo The Black Keys. Afinal, mesmo que o resultado talvez não agrade os fãs de última hora a qualidade impressa faz com que por muitas e muitas vezes ouçamos o disco para percebermos cada detalhe criado nesta imensidão sonora chamada Turn Blue.      

[Site]

Tracklist:

1. "Weight of Love"  
2. "In Time"  
3. "Turn Blue"
4. "Fever"  
5. "Year in Review"  
6. "Bullet in the Brain"  
7. "It's Up to You Now"  
8. "Waiting on Words"  
9. "10 Lovers"  
10. "In Our Prime"  
11."Gotta Get Away"  

Download: 4shared 

:
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
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Guadalupe Plata - Guadalupe Plata

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Gênero: Punk Blues
País: Espanha
Ano: 2013

Comentário: Eu, particularmente, nunca tinha escutado falar de Punk Blues. Mas é exatamente assim que as pessoas têm definido esse trio de músicos vindos diretos da Andaluzia, Espanha. O seu novo disco, Guadalupe Plata - haja imaginação - foi lançado no começinho de 2013 e, desde então, se tornou um dos meus favoritos do ano.


Trazendo doses de punk, blues, música latina, country e rock sulista, o disco não soa derivativo. É um som orgânico, que, apesar de repleto de influências, não parece um recorte e colagem pelo simples incapacidade de decidir um estilo ou tipo de música.

Com um baixo marcado e uma bateria invocada, o disco parece uma jam session intercalada por alguns solos mais contidos. O próprio vocal costuma fazer entradas típicas dessas tão tradicionais sessões de improviso de Blues mundo afora.

Músicas como Demasiado explicitam essa mistura. Ao mesmo tempo com uma forte pegada de blues, uma guitarra puxando pro country e uma bateria que foge bastante aos dois estilos, a canção leva ainda mariachis, herança latina.

Outras, como El Blues Es Mi Amigo, já são mais rápidas, puxando para o punk. O vocal aparece, muito de vez em quando, e deixa a bateria, a guitarra e o baixo fazerem o trabalho. O som é nervoso, sem muito espaço para abstração. Algumas distorções e ruídos dão o toque mais lo-fi ao disco.

A atmosfera de baixo orçamento, inclusive, dá todo um charme ao trabalho. É quase como aquela sensação de ouvir Kyuss e se sentir no meio do deserto californiano. Aqui, no caso, o lugar são os cerrados da Andaluzia, muitas vezes tanto terra de ninguém quanto o interior norte-americano.

Um trabalho realmente exótico, na falta de termo melhor, Guadalupe Plata agrada diversos tipos de ouvinte, puxando para uma mistura concisa, pesada e cheia de atmosfera. Daqueles lançamentos que têm que surgir todos os anos, pelo bem da diversidade musical, essa é uma homenagem aos diversos gêneros interioranos da música popular americana e espanhola. Uma obra interessante tanto pela soma das influências quanto pelo resultado final.




Tracklist:
1. Lamentos - 1:09
2. Rezando - 3:42
3. Rata - 1:55
4. Oh my Bey! - 4:57
5. Demasiado - 2:08
6. Funeral de John Fahey - 2:14
7. Esclavo - 4:06
8. El Blues es mi Amigo - 2:17
9. Voy Caminando - 4:25
10. Milana - 2:54
11. Jesus está llorando - 3:08
12. No me ama - 3:58
13. Santo Entierro - 4:00

Download: MEGA


sábado, 21 de setembro de 2013
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Vintage Trouble - The Bomb Shelter Sessions

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Gênero: Soul Rock / Blues Rock
País: EUA
Ano: 2011

Comentário: Eu pretendia escrever um pouco sobre o Rock In Rio, mas nem foi necessário, o PH escreveu tudo que eu pensava a respeito do festival na sua resenha da Selah Sue, uma boa descoberta diga-se de passagem, porém minha maior surpresa até o momento é este quarteto americano que mistura uma porção de influências em seu repertório, eu estava na academia quando o show passava na TV e fiquei sem fôlego, não por conta dos aeróbicos, mas por causa do som enérgico do grupo.

Os gêneros que mais se destacam na sonoridade do Vintage Trouble são o Rock, o Soul e o Blues. os dois pilares que sustentam a banda são Ty Taylor e Nalle Colt. O vocalista Ty Taylor deve ser algum neto bastardo do James Brown, além de ótimo cantor, o sujeito esbanja energia e carisma, tanto no palco quanto no estúdio. Já o guitarrista Nalle mostra um feeling absurdo, sem falar que ele sabe a hora exata de fazer sua guitarra proeminente.

Eu destacaria a enérgica Blues Hand Me Down, Nancy Lee e seu riff à lá Chuck Berry, Gracefully balada aos moldes das que Solomon Burke fazia, You Better Believe It e sua bem-vinda harmônica, os oito minutos de puro feeling de Run Outta Me, uma interpretação emocionante do Taylor e todas as demais canções. Fico triste de não ter descoberto o grupo antes, mas são coisas da vida, sempre existirão músicas ótimas que nós nunca conseguiremos escutar, Vintage Trouble por outro lado, você não só pode como deveria.


Tracklist:
01. Blues Hand Me Down
02. Still and Always Will
03. Nancy Lee
04. Gracefully
05. You Better Believe It
06. Not Alright By Me
07. Nobody Told Me
08. Jezzebella
09. Total Strangers
10. Run Outta You
11. Love With Me (Recorded at Harvelle's Blues Club)
12. Nancy Lee (Q Radio Session Recording)
13. Come On By
14. Total Strangers
15. World's Gonna Have to Take a Turn Around



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