Gênero: Funeral Doom Metal
País: Alemanha
Ano: 2004
Comentário: Muito embora o AHAB esteja se alçando ao sucesso no meio do underground, vide os festivais nas quais foi headliner e a popularidade da banda até mesmo com quem não gosta de Funeral Doom Metal, esses caras merecem bem mais. E, sendo eu um fã chato e criterioso do estilo, sei o que digo! Ao passo em que grande parte das bandas de Doom Metal adeptas à lentidão extrema estejam mais engajadas a uma temática melancólica e poética, com uma atmosfera carregada no som aliada às letras, esta banda alemã- como bem devem saber, afinal o AHAB não é nenhuma banda desconhecida- aborda temas muitíssimo mais interessantes! E se há qualquer fã de literatura por aqui, já sabe do que se trata; afinal,
Ahab é o nome do capitão cuja procura incessante pela famosa baleia branca é tema do livro
Moby Dick. Nada mais apropriado para uma banda cujo som é tão profundo quanto o oceano!
A banda é atualmente formada por Stephan Wandernoth (baixo) e Cornelius Althammer (bateria), que tocam também na banda Dead Eyed Sleeper, e a dupla das seis cordas Chris Hector e Daniel Droste- que também é o vocalista-, sendo a dupla também integrante da banda Midnattsol. Logo de cara, talvez, sejam estes os dois elementos que mais saltam aos ouvidos: a bateria de Cornelius, que soa bastante técnica e engendrada, ainda que, obviamente, segurando todo o massacre das canções nas tradicionais marcações lentas dos pratos; e os vocais de Daniel, que realmente soam como algo provindo do fundo do mar. Como diria um amigo meu, é como se fosse um móvel sendo arrastado pelo chão: bastante profunda e grave, Daniel Droste sabe utilizar seu gogó de maneira excelente. O baixo e as guitarras, numa afinação baixíssima, possuem um timbre bastante agradável aos ouvidos e melodias criativas que recriam o ambiente demarcado pela temática- e desde já peço perdão pelos comentários baseados no efeito placebo causados pela associação das melodias com a temática, isso será uma constante nesta resenha.
Antes de lançarem seu primeiro
full- length, a banda libera um single,
The Stream, cuja canção já mostra os belos atributos da banda (mesmo que numa qualidade um tanto inferior), e uma demo, que contém The Stream e duas canções de seu álbum oficial. E eis que, em 2006, vem seu aguardado debut,
The Call of the Wretched Sea. A música contida aqui é tão densa quanto o título! As duas canções que mais chamam a atenção, talvez sejam
The Hunt (com uma pegada extremamente lenta, cuja introdução lembra curiosamente o mar) e
Old Thunder (sua introdução dedilhada é um deleite para os ouvidos, assim como a dupla formada pelos vocais e pela bateria técnica). A música que abre o álbum,
Below the Sun, apresenta um riff matador, e surpreende pelos (oh céus, lá vou eu comentar isso de novo) vocais densos de Daniel Droste. Sim, eu vou bater nesta tecla. Enfim, é um BAITA debut, cotado sempre como um dos melhores de 2006, e um dos melhores entre bandas de (Funeral) Doom Metal.