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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
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Heaven Shall Burn - VETO

1 comentários

Gênero
: Melodic Death Metal/Metalcore
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Num surto de vontade, cá estou eu postando no meio da madrugada um disco que eu ouvi mais do que esperava ano passado, e que vem de uma das bandas mais interessantes do metal atual. Seja pelo seu peso absurdamente característico do metalcore alemão, que tem pés fincados fortemente no Death Metal Melódico de bandas como At The Gates e Carcass (ou seja, sem vocais limpos aqui, mas muitos riffs pegajosos por todos os lados) ou pela sua temática política fortemente de esquerda.

VETO é o sétimo full-lenght da banda e mostra um grupo maduro, que explodiu com o bombástico Antigone (2004), um disco que abusava de palavras de ordem e riffs que oscilavam entre o famoso "para e vai" dos grooves do metalcore e levadas melódicas entre uma centena de palm mutes. VETO possui a mesma pegada clássica da banda, que são riffs baseados em uma pegada pesadíssima, mas com um background histórico e temáticas muito mais profundas que os discos anteriores da banda. Especialmente pela figura icônica de Lady Godiva, personagem de uma lenda - com requintes históricos - datada no século XIII, de uma nobre inglesa empenhada a convencer seu marido, Leofric, Conde da Mércia, a reduzir impostos sobre a região que governava, asolada por fome e miséria. A lenda conta que, após muita insistência de Godiva, Leofric desafia a esposa a desfilar nua pelas ruas da cidade, montada a cavalo, para que o desejo de Godiva fosse atendido, em tom irônico e sarcástico. Godiva então ordena que todos os cidadãos não saiam de casa e fechem as janelas (afinal, considere que estamos em plena Idade Média) e faz a vontade do marido, que acaba acatando o desejo da Lady, impressionado pela coragem inabalável da esposa e em honra com sua promessa.

Coragem e resistência são palavras recorrentes na lírica do Heaven Shall Burn, e a história de Lady Godiva cai como uma luva. Assim como o título do álbum, VETO - latim para "Proibo" - que é mais uma palavra forte, poderosa e intensa no léxico da banda alemã. As letras são intensas, violentas e cativantes. Os trechos mais intensos do instrumental sempre coincidem com versos mais pegajosos e incitadores, coisas como anti-tirania, defesa das minorias e enfrentamento da autoridade são comuns e largamente disseminadas.

Mas se muito foi dito do instrumental e da lírica, não se pode encerrar-se a resenha sem ser comentado sobre a técnica e o vocal de Marcus Bischoff, que é um monstro dos vocais de rasgados do metalcore, levando-os ao patamar de serem mais intensos e violentos que qualquer banda de Death Metal. Oscilando entre um mais comum rasgado agudo até graves grunhidos, o vocal de Marcus é sempre perfeitamente preciso o suficiente para que as letras são se percam em desnecessárias distorções vocais. Dessa forma incrível, nem mesmo o mais raivoso berro insandecido de raiva mascara a mensagem que a banda quer passar. O vocal de Marcus é, portanto, imprescindível na sonoridade do Heaven Shall Burn.

E nada melhor que ser surpreendido no meio do disco por um cover do Blind Guardian, Valhalla, e seus improváveis vocais limpos em meio ao gutural incrivelmente afinado e tremolos de guitarra. VETO é um must de 2013 que temo ser menos reconhecido do que deveria.




Tracklist:

1.Godiva 04:19
2.Land of the Upright Ones 04:08
3.Die Stürme rufen dich 03:59
4.Fallen 04:29
5.Hunters Will Be Hunted 05:59
6.You Will Be Godless 03:10
7.Valhalla (Blind Guardian cover) 05:29
8.Antagonized 03:33
9.Like Gods Among Mortals 04:20
10.53 Nations 04:06
11.Beyond Redemption 05:46

Download:

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
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Porco na Cena #19 - August Burns Red + We Came as Romans

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Quentíssimas noites em São Paulo! Calor esse intensificado pela camada cinzenta de poluição, pelo trânsito e pelo aglomerado de pessoas na frente do Carioca Club. Um local que, ainda que eu não goste tanto, se mostra atrativo quanto aos shows. E, falando em show, este deu o que falar: a polêmica troca de datas e de bandas que fez com que muita gente desistisse de assisti-lo; o que era pra ter sido um show em agosto, com acompanhamento do Carnifex e do The Ghost Inside, foi repassada para o dia dois de dezembro, com We Came as Romans e os brasileiros do Anchor no lugar das duas bandas supracitadas - o que ainda era bastante atrativo.

Com sol a pino, chegamos ao local do show lá pelas 16h, com a abertura da casa prevista para as 16h30. Mas, pra quem já foi pelo menos umas duas vezes no Carioca Club, sabe que pode contar com um atraso de meia, até uma hora, e desta vez não foi exceção; só fomos nos dar conta de que a gente estava em Pinheiros pra ver August Burns Red, e não pra ficar bebendo, quando já passavam das 18h.

quinta-feira, 26 de julho de 2012
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Porco na Cena #3 - The Agonist

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Confesso que hoje em dia o Metalcore/Death Metal Melodico do The Agonist não me empolga tanto, mas as vezes a oportunidade surge, show é show, então fomos prestigiar a apresentação do quinteto canadense que retornou a São Paulo exatamente 1 ano depois de sua primeira apresentação por aqui. 

O local escolhido para o show fora o Carioca Club, tradicional casa paulistana de pagode, mas que nos últimos três anos se tornara um dos principais estabelecimentos para shows de metal e hardcore, uma quantidade absurda de bandas internacionais apareceram por aqui nos últimos anos e passaram por lá. O que na verdade não é uma má escolha, (porém, pro The Agonist foi). Não se tem muitos espaços para shows com a infra-estrutura e tamanho oferecidos pelo Carioca. Possui uma lotação para cerca de 1500 pessoas, palco bom, visibilidade boa de qualquer lugar da casa, acústica razoável, e aparentemente é uma opção de locação bem barata. Porém, os produtores devem ter noção do tamanho da banda que estão produzindo, e não jogar um show numa casa bem maior do que o publico da interessado.
sábado, 14 de julho de 2012
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Demon Hunter - True Defiance

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Gênero: Metalcore/ Groove metal/ Alternative metal
País: EUA
Ano: 2012

Comentário: Quase tão clichê quanto subestimar uma banda cristã é tentar defendê-la dizendo que ao contrário de muitas, esta é de qualidade e não fica apenas na adoração ao magnânimo senhor do universo (e começar o post dessa maneira não é nada clichê, né Sr. Damien?). Na realidade se eu não pesquisasse, provavelmente demoraria um tempo para saber que Demon Hunter, com este som, com esse groove e com esta aparência se tratava de uma banda cristã (embora algumas das letras e títulos dedurem isso). Mas, já adiantando para as primeiras prováveis caras feias e olhares tortos, tanto a instrumentação como os vocais são no mínimo muito bons e presenciais.

O metalcore é o principal "adjetivo" carregado pela banda que, formada em 2000 na cidade de Seattle, já conta com seis discos e uma carreira promissora, agradando até mesmo um número bastante grande de "mundanos" e "ímpios" (ou seja, não-cristãos), mas neste disco, felizmente, não é o único que ela carregou.

Não ouvi os lançamento anteriores, apenas algumas músicas soltas, mas alguns discos, não todos, já são tachados como tendo uma pegada mais groove. Acontece porém que neste último, True Defiance, a banda deixou seu som mais pesado e com aquele gostinho de bebida amadeirada e envelhecida que o thrash metal apresenta, e isso não é somente eu falando, pois pesquisando mais um pouco podemos notar que os fãs da banda não deixam de citar tal peso, que é um ponto positivo para mim, talvez para os fãs e provavelmente melhor ainda para asvendas e na conquista de novos seguidores.

Apesar disto ainda resta bons indícios de metal alternativo e do próprio metalcore, que fazem deste álbum uma ótima pedida para este ano de 2012.

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quinta-feira, 8 de março de 2012
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Ego Fall - Discografia

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Gênero: Melodic Death/Folk Metal
País: Mongólia Interior/China
Periodo de Atividade: 2001-Atualmente

Comentário: Eu particularmente gosto muito de Folk Metal, não só do Celta e Medieval, mas das bandas em geral que se propõe misturar elementos musicais da sua cultura local, ou de outras culturas especificas, com alguma vertente do Metal. Mas o que acontece é que predominantemente, o que se encontra por ai são bandas que misturam elementos da cultura escandinava, celta e eslava, o que não é ruim, pelo contrario, eu gosto dessa receita, com a gaita-de-fole, harpas, flautas e tudo mais, mas seria interessante também ouvir um Folk Metal influenciado por outras culturas menos conhecidas, menos difundidas, e em lugares que não tem tradição, ou muita expressividade no meio Metal. Conheço algumas bandas desse tipo, e dentre elas essa que posto aqui hoje, que é uma das minhas preferidas. Resolvi postar ela agora por conta também do meu último post sobre música ritualística influenciada pelas raízes do budismo tibetano (aqui), já que essa banda é de uma região próxima, e possuir similaridades culturais. Os membros da banda são provenientes da Mongólia Interior, região autônoma, mas que está sob jurisdição da China. A banda em questão se chama "颠覆M" em Chinês, mas para divulgação internacional usam o nome de Ego Fall.

A banda surgiu por volta do ano de 2000, mas passou por várias mudanças no seu line-up, no nome e no estilo musical, até que por volta de 2007 já estavam com os membros definidos e com uma proposta musical mais concreta, que é um Melodic Death Metal pendendo para o Metalcore, com influências musicais da cultura local.

Em 2008 os caras lançam seu primeiro trabalho, intitulado “Spirit Of Mongolia” e apesar do nome do álbum dar a ideia de que ele viria carregado de influências da cultura local, nesse primeiro lançamento eles foram mais discretos, mesmo que em algumas canções eles fazem uso do canto difónico, e a técnica vocal que eles usam é muito parecida com a que os caras do Phurpa fazem, e os elementos da musica local são menos evidentes, predominando Melodic Death Metal com influencia da música eletrônica, que é possível notar em várias canções, o que deu um contraste bem bacana. Mas mesmo o álbum não sendo tão Folk, ele não é ruim, pelo contrario, achei muito bom, porque os caras conseguem fugir dos clichês desses gêneros já tão desgastados.

Então em 2010 lançam seu segundo álbum, intitulado “Inner M”, fazendo referência a sua terra de origem: Inner Mogolia (Mongolia Interior), e nesse álbum podemos perceber que os integrantes evoluíram musicalmente e já apresentam um trabalho mais consistente e maduro, bem estruturado, que no tocante as influências do Metal continuaram as mesmas, um Death Metal Melódico, com toques de música eletrônica, só que dessa vez lotado de influências musicais da cultura local, tanto que nesse disco algumas canções são em Mandarim e também na língua mongol, diferente do primeiro em que todas as canções são em Mandarim, o que pra mim ficou perfeito, porque apesar de não entender bulhufas, creio que eles conseguiram captar a essência da música regional e misturar de forma coesa com os elementos do Metal. As canções possuem passagens pesadas, com guturais e vocais rasgados, que intercalam com momentos calmos e que evocam uma atmosfera de meditação, com cantos tradicionais, o canto difónico também está presente, ou momentos mais melódicos, com vocal limpo, tudo permeado pelos elementos da cultura local, que às vezes são predominantes, ou em alguns momentos cede o lugar para a agressividade e impetuosidade do Metal, e em contraste, alguns elementos de música eletrônica aqui e ali dão o toque final. Dizendo assim parece que o som é uma bagunça, mas não é, os integrantes unem todos esse elementos de maneira harmoniosa e agradável.

Como não conheço muito a respeito da cultura dos caras, e as informações sobre a banda que encontrei são repetitivas e descrevem quase nada a respeito da influência da música regional, eu não sei listar os instrumentos usados e nem a origem das influências com precisão, mas imagino que devem ser do budismo e ritos xamânicos antigos, que é bastante comum naquela região.

Essa banda pra mim além de um deleite é um achado, e eu realmente tiro o chapéu para o trabalho dos caras, porque conseguiram lançar dois álbuns de extrema qualidade, mesmo sendo de uma região bastante precária tecnologicamente e e que não possui tradição no que se refere ao Metal, de forma que era necessario que fossem para Beijing todo ano para gravar e tentar divulgar o trabalho, e mesmo assim, conseguiram fazer com maestria o que muitas bandas com todos os recursos possíveis, falham miseravelmente.

Extremamente recomendado!

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Releases:

Álbum: Spirit of Mongolia (蒙古精神)
Ano: 2008

Tracklist:

1.Spirit of Mongolia - (4:50)
2.Gates of Nightmare - (4:33)
3.Holy Totem - (4:28)
4.Self Awakening - (3:36)
5.The Principle of Troublous Times - (4:31)
6.Echo of Abyss - (4:50)
7.Rebirth - (3:36)
8.Requiem - (3:57)
9.Iron Heel - (3:39)

Download:




Álbum: Inner M
Ano: 2010

Tracklist:

1.传说 - (5:07)
2.吹响号角 - (3:53)
3.勇敢的心 - (5:04)
4.苏力德之下 - (4:36)
5.东归 - (3:58)
6.游牧者的骄傲 - (4:10)
7.永恒-瞬间 - (4:24)
8.不灭之火 - (4:48)
9.无疆 - (3:49)

Download:


Quem escreve e faz os uploads:

 
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