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domingo, 8 de março de 2015
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Lebanon Hanover - Besides The Abyss

1 comentários
Gênero: Coldwave / Post-Punk / Minimal
País: UK
Ano: 2015

Comentário: Uma das coisas que sempre me abalou em Lebanon Hanover é delicadeza decadente e poética da arte sonora e, curiosamente, também visual da banda. Reconheço que prezo muito pela estética e me deparar com os filtros, lugares, cores e synths de Lebanon Hanover chega a doer de tanta paixão! Sobretudo, porque nunca uma banda conseguiu personificar ou materializar sensações da sonoridade de suas músicas de forma tão harmoniosa como LH. As capas dos discos falam por si próprias (e isso desde o primeiro disco lançado The World is Getting Colder, o qual postei aqui).

Com uma sonoridade mais disforme nos quesitos sintetizadores e riffs psicodélicos estendidos, Besides The Abyss parece ser o disco mais introspectivo já lançado por Lebanon Hanover. Retornei para Tomb For Two e sua Gallowdance (postados aqui), como também voltei ao (ultra)romantismo de Why Not Just Be Solo com suas Northern Lights e a crueza belíssima (ainda em primeiro lugar de meu pedestal lebaniano) de The World is Getting Colder e seu “Die World”. De fato, Besides The Abyss tem sim um caráter mais intimista, seja pela composição sonora, pela proposta do disco ou as letras das músicas.

A estrutura musical de Lebanon Hanover é a mesma: o vocal cru, grave e gélido de Larissa (que ainda canta em alemão) com o vocal emotivo de William, junto aos supracitados synths disformes, linhas de baixo duras e riffs canalhas psicodelicamente estendidos em uma composição minimalista e trevosa – daquela velha tentativa de revival goth 80’s que a banda carrega. Besides The Abyss soa ser uma noite mais escura e fria às criaturinhas cheias de clichês que vagam solitárias e de preto por aí. Como uma vez disse, Lebanon Hanover é coisa finíssima!

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Tracklist:
01. Hollow Sky
02. The Crater
03. Fall Industrial Wall
04. The Chamber
05. The Well
06. The Moor
07. Broken Characters
08. Chimerical
09. Dark Hill
10. Spirals

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
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Ryoji Ikeda - +/-

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Gênero
: Minimal/Eletrônico/Noise/Ambient
País: Japão
Ano: 1997

Comentário: Ryoji Ikeda nasceu em 1966 na cidade de Gifu, na região central do Japão, mas hoje em dia reside na França, em Paris. Ikeda é um dos mais reconhecidos artistas de um dos gêneros mais prolíficos do Japão: O eletrônico experimental. Seja na veia do Noise, do Ambient ou manifestações menos avant-garde, japoneses sabem experimentar sonoridades como ninguém. Ryoji em especial, faz uma coisa que eu sempre tive curiosidade em fazer, especialmente por ter me graduado em uma área de exatas. Compor música baseando-me essencialmente em padrões matemáticos.

A relação entre matemática e música é intrínseca e indistinguível em todos os gêneros, porém é na música eletrônica que ela brilha. Stockhausen, no século passado, já brincava com a matemática que rege a composição musical erudita e a formulação com a qual esta é escrita, intrinsecamente dependente de padrões matemáticos rigídios e facilmente previsível a partir de uma análise desses padrões. Não é difícil, ao se pensar em partituras e a linguagem musical formal, compor uma música baseando somente em padrões matemáticos, se, é claro, nos dispojarmos da intenção de produzir algo comercial e popular. Na música eletrônica, baseada em oscilações de circuitos elétricos, isso se torna ainda mais óbvio e eficiente.

Quando alteramos os parâmetros infindáveis de um sintetizador, o que estamos fazendo na prática é alterar o funcionamento de componentes eletrônicos de circuitos de forma a que a corrente que passa nestes seja alterada. A oscilação padrão de circuitos com corrente alternada é senoidal, daí vem a mais famosa base musical eletrônica, os senos, com sua sonoridade adocicada. Se no entanto alteramos a frequência com que adentra no circuito a força eletromotriz, modificamos o formato de saída da nossa corrente. Usando este recurso, alcançamos um outro padrão comum que é também utilizado largamente na música eletrônica: as ríspidas ondas quadradas, que já possuem um som mais metálico e intenso.  Criando uma série de circuitos combinados de forma a misturar padrões oscilatórios das mais variadas formas, frequências e amplitudes, obtemos a infinidade de sons que um sintetizador é capaz de produzir. Isso é tudo simplesmente matemática, que por acaso também é música.

Ryoji se baseia nesses princípios para, ao invés de simplesmente usar um sintetizador como ferramenta, partir da matemática por trás pra criar a música. Mas não qualquer música. Brincando com padrões, Ryoji cria uma sonoridade minimalística, experimental e ambient em sua melhor proporção. A música ambient tem por definição a capacidade de emocionar e envolver sem necessidade de ser explíticita. Na musicalidade de Ikeda, isso é levado ao extremo de alguns sons terem frequências tão altas ou tão baixas que estão no limiar de serem inaudíveis para o ouvido humano, ainda que sejam perceptíveis de uma forma curiosa quando o silêncio do fim da faixa chega. Além disso, Ikeda soa paradoxalmente melódico. Não esperem caos sonoros, o rigor matemático por trás de tudo aqui torna tudo extremamente ordenado. No entanto não é tão denso quanto artistas como o Pan Sonic - mas nunca se sabe realmente se aquela faixa que parece ser simplesmente um pulsar agudo repetitivo não esconde por trás uma parade sonora de alta frequência. Só somos capazes de descobrir isso quando a música acaba - por que embora sejam frequências inaudíveis, ainda assim elas são diferentes do silêncio absoluto.

Ikeda também é artista plástico, e na realidade sua sonoridade é apenas uma das várias manifestações da sua arte. Arrogantemente, não é algo pra qualquer um. Mas é uma das melhores coisas que o Ambient pode produzir.



Tracklist:

headphonics (1995-96)

01 headphonics 0/0 3:12
02 headphonics 0/1 3:11
03 headphonics 1/0 4:16

+/- (1996)

04 + 2:50
05 +. 5:07
06 +.. 10:55
07 - 6:36
08 -. 11:51
09 -.. 13:24
10 +/- 1:05

Download:

MEGA (96 mb/320 Kbps)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013
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Lebanon Hanover - Tomb For Two

3 comentários
Gênero: Coldwave, Pós-Punk, Minimal
País: UK
Ano: 2013

Comentário: Penso que Lebanon Hanover é aquele tipo de banda que tu sabes o que esperar, porém ainda irás invariavelmente te surpreender! Depois dos quase irmãos gêmeos siameses The World Is Getting Colder e Why Not Just Be Solo nascerem em 2012, a banda pare outro monstrinho que, não menos poético e decadente que os outros, emana uma Lebanon Hanover mais trevosa. Claro, é inevitável a comparação entre um e outro álbum e a conclusão de que todos, por mais que aloprem em especificidades simplórias, são uniformes!

Bem como aquele friozinho na espinha que vem cada vez que tu és arrebatado por uma banda que surge como uma das mais fidedignas e prolixas do revival fucking goth nos últimos anos – sobretudo quando está banda é formada por um casal. Afinal, nessas décadas de amor e goth, nós sabemos os destinos trágicos que essas bandas acabam tendo. Rezemos para que o amor e, por conseguinte, a banda não acabem!

De qualquer forma, Tomb For Two chega trevosando já no nome. E convenhamos: que capa de álbum belíssima da qual não haveria imagem melhor que a usada! Em seu sentido estrutural, este álbum não foge nenhum pouco das características fatídicas de Lebanon Hanover: synths exacerbados, baterias sampleadas, baixo imponente e aquela guitarrada escrachada e chula nos riffs mais canalhas! Afinal, quem precisa de firulagem sonora quando tu ganhas o título goth nos clichês e no gogó?

Os vocais frios de Larissa Iceglass aparecem desprovidos de sentimento humanóide em tonalidades de falsa melancolia, enquanto contradizem os chorosos e trevosos vocais de William Maybelline. Bem assim, a música mais tenebrosa – dessas que arrepiam literalmente assim que os vocais de William emanam – é também aquela de nome mais tosco “Midnight Creature” (faixa 9). E não esqueçamos de Gallowdance – faixa 5, a qual também fora lançada como single –, onde, em seu videoclipe, Larissa dança apática com uma corda no pescoço; e do belíssimo clipe vintage de I Believe You Can Survive (faixa 6)!

Tomb For Two é cru, dançante e ambíguo para mim: ao mesmo tempo que é introspectivo e te permite uma viagem solitária em um dia nublado, é extrovertido para dançares em uma festa meia-noite no cemitério. Em outras palavras, tudo aquilo que Lebanon Hanover vem demostrando ser. Tomb For Two já tem seu lugar garantido em meu Top Álbuns 2013 e coração!

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Tracklist:
01. Sadness Is Rebellion
02. Your Fork Moves
03. Stahlwerk
04. Hall Of Ice
05. Gallowdance
06. I Believe You Can Survive (Elegy For The Introvert)
07. Tomb For Two
08. Autofocus Has Ruined Quality
09. Midnight Creature
10. Invite Me To Your Country

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domingo, 8 de setembro de 2013
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Lebanon Hanover - The World Is Getting Colder

5 comentários
Gênero: Coldwave, Pós-punk, Minimal
País: UK
Ano: 2012

Comentário: Lebanon Hanover é o retrato caricatural da cena underground goth, onde as músicas são produzidas em uma gravadora independente e os videoclipes são dirigidos, filmados, atuados e editados pelos próprios membros – e ainda no estilo mais clássico de fotografia do que conhecemos como “indie” em cenários e figurinos tumblrísticos. Formada em 2010 por Larissa Gergiou (a.k.a Larissa Iceglass) e William Morris (a.k.a William Maybelline), já possui dois álbuns no currículo, além de um Split lançado em 2011 com a banda alemã La Fete Triste e um single lançado em fevereiro deste ano ("Gallowdance") que, por sua vez, anuncia o lançamento do terceiro álbum da banda agora em setembro.

Muito embora os dois álbuns do duo tenham sido lançados no mesmo ano, The World is Getting Colder em fevereiro do ano passado (2012) e Why Not Just Be Solo em outubro, optei por postar o primeiro, pois este traz a crueza que todo primeiro álbum tem. The World is Getting Colder é a únião de músicas das quais foram produzidas por três anos. Por isso, não é à toa que o videoclipe da música Totally Tot fora produzido ainda em 2010, de maneira bem amadora assim como todos os outros clipes da banda. Why Not Just Be Solo é um álbum de synths e conjunção sonora mais trabalhado e que, no entanto, não perde a linhagem do primeiro álbum. Contudo, se partirmos da ideia do goth bruto, com notas/sonoridades simples, interessa-me mais The World is Getting Colder.

As letras das músicas de Lebanon Hanover são simples, falam de nostalgia e ambientam uma espécie de revival da cena goth 80’s; por vezes são dotadas de ironia escrachada (“Ask me if I’m a goth or a manic depressive”) e contam uma história romântica de questionamentos e (auto)análises urbanoides, tudo em rimas simples e repetitivas, bem como cantadas em inglês e alemão. Na parte instrumental, Lebanon Hanover é uma banda basicamente de sintetizadores; com baterias sampleadas, guitarra (Larissa) com riffs simples e contrabaixo (William) de linhas duras e arrastadas. Sendo assim, é inevitável a altivez dos synths com batidas marcantes e reverberantes, além de simples, repetitivas e lentas em sentido minimalista. Os vocais são alternados, ora o cru vocal de Larissa em tons de lamentos frios em uma música, ora o vocal fantasmagórico de fera chorosa de William na música seguinte.

Em suma, The World is Getting Colder é simples, seja nas levadas frias ou nas letras de fácil assimilação; e que, no entanto, é surpreendente. Por fim, apenas lamento por quem não ouvirá Lebanon Hanover, pois, como diria Y., isso aqui é coisa fina!

P.S.: Para quem quiser ouvir Why Not Just Be Solo é só clicar aqui e recomendo assistirem o videoclipe de Northern Lights.

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Tracklist:
01. Die World
02. Ice Cave
03. No.1 Mafioso
04. Sand
05. Totally Tot
06. Kunst
07. Die World II
08. _
09. Canibal
10. Einhorn
11. Sunderland

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