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sexta-feira, 3 de julho de 2015
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Bosse-De-Nage - All Fours

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Gênero: Post-Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Num estilo que desfruta de uma boa popularidade decorrente do impacto causado por algumas bandas nos últimos anos, é normal que cada vez mais surjam novas bandas tentando a sorte através dessa sonoridade. Isso geralmente resulta numa grande quantidade de bandas tentando criar uma sonoridade que esteja do nível das principais bandas do estilo mas acabam se perdendo demais nos clichês, na falta de criatividade ou nas limitações de recursos. Óbvio que isso não é uma exclusividade do Post-Black Metal, mas as ocorrências que se enquadram no que disse acabam por ser mais frequentes do que antes.

O Bosse-De-Nage poderia ser mais uma dessas bandas, mas felizmente, não é isso que ocorre em All Fours, quarto álbum de estúdio da banda lançado no dia 14 de Abril. Apontado por muitos como o melhor álbum da banda, All Fours apresenta argumentos suficientes para a validação dessa ideia. A banda consegue mostrar que possui conhecimento na hora de criar música, os membros não fazem música por acaso, seguem um contexto bem elaborado e versátil dentro de tudo aquilo que a banda leva como influência. Além de não se prender dentro apenas do Post-Black Metal, a banda conseguiu casar muito bem suas influências dentro do contexto de sua sonoridade, que em certos momentos ficam bastante em evidência em evidência. Essa adição de elementos do Post-/Hardcore foi uma ótima ideia para o resultado final do som feito pela banda.

A primeira coisa que me vem à mente quando penso em All Fours é o instrumental arrasador feito pelo Bosse-De-Nage. As composições são profundas e marcantes, a produção do álbum permite que todos os instrumentos sejam notados ao longo das oito faixas. A bateria no álbum é de tirar o fôlego! Constantemente segue um ritmo intenso e mesmo quando a percussão se torna algo mais contido, é apenas um prelúdio da pancadaria que está por vir. Os riffs estão ótimos, trazendo uma variação interessante de timbres que acompanham o clima que a música apresenta, sendo muito bem acompanhado pelo baixo. Os vocais de Bryan Manning ganharam meus mais sinceros elogios logo em At Night, faixa que abre o disco. Sujo, agressivo, agonizante, calmo, melancólico e o que mais você notar no vocal ao decorrer do álbum, Bryan mostra ter uma versatilidade do mesmo nível apresentado na parte instrumental.

Num álbum como esse eu fico meio em cima do muro na hora de apontar as faixas que mais chamaram a minha atenção, acaba que de certa maneira cada uma tem algo "único" e que me agrada bastante. The Insdustry of Distance tem como característica principal a velocidade tanto do instrumental quanto do vocal, mesmo com algumas "paradas" onde a bateria administra o ritmo, a faixa é de tirar o fôlego. Washerwoman é a minha favorita, a faixa se inicia com um ritmo bem cadenciado por dedilhados feitos levemente na guitarra, vocal limpo e falado e um clima daqueles mais deprê. Essa parte inicial da faixa me lembra algo do segundo álbum do Apati. Após 4 minutos nesse clima, ocorre uma verdadeira explosão instrumental. Um ritmo pesado e direto muito bem acompanhados pelos berros agoniantes de Bryan, criando um clima que te toca no fundo da alma (ao menos comigo rs). Não poderia de citar a To Fall Down, que possui uma construção bem interessante e apresenta um ótimo balanço entre o peso inserido ao decorrer da faixa.

All Fours agrada pela forma em que as faixas são construídas, dos ritmos propostos ao que é apresentado pelo instrumental e vocal. Recomendação certa para quem gosta do estilo e quer escutar um álbum mais variado mas que não caia dentro de algo mais complexo, a sonoridade é até bem easy listening para aqueles que já tem uma bagagem nesse tipo de sonoridade. Não sei dizer ao certo o que esse álbum representará para mim futuramente, mas no momento atual, é uma das coisas mais viciantes que ouvi em 2015.




Tracklist:

01. At Night
02. The Industry of Distance
03. –
04. A Subtle Change
05. Washerwoman
06. In a Yard Somewhere
07. To Fall Down
08. The Most Modern Staircase

Ouça: Spotify

sexta-feira, 22 de maio de 2015
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Caïna - Setter of Unseen Snares

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Gênero: Post-Black Metal
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Caïna é uma one man band formada pelo multi instrumentista  Andrew Curtis-Brignelli. Com 10 anos de carreira e uma vasta quantidade de material lançado, o Caïna possui um sonoridade que inicialmente era exclusiva do Raw Black Metal, mas que se modificou com o passar dos anos e adotou novas características de diferentes influências.

Setter of Unseen Snares é o sexto álbum de estúdio da banda, que tem o costume de apresentar material novo com certa frequência. Em bandas com essa característica, a maior dúvida é se ela é capaz de manter um certo nível de qualidade de um trabalho para o outro e não ficar em uma oscilação contínua. Mas a análise da extensa discografia do Caïna fica para uma próxima oportunidade, por hora irei me contentar em falar sobre o bom Setter of Unseen Snares.

Assim que dou play na primeira faixa do álbum, me deparo com uma grande surpresa, a banda teve a ótima ideia de inserir um sample do detetive Rust Cohle, personagem de True Detective (recomendo a série caso ainda não conheça). Citarei o comentário na íntegra para que a ideia contida nele seja interpretada perfeitamente:

"Acho que a consciência humana foi um erro trágico na evolução. Nos tornamos muito autoconscientes. A natureza criou um aspecto seu separado de si. Não deveríamos existir pela lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio , essa acreção de experiência sensorial, e fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém. A coisa mais honrável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar de mãos dadas até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás."

A ideia do fim da raça humana expressa no comentário de Rust, se encaixa no conceito adotado pelo Caïna, que construiu um álbum conceitual contando os últimos dias da humanidade antes de sua extinção. A diferença entre as ideias, é que a ideia da extinção da humanidade no álbum do Caïna, ocorre através da colisão de um meteoro com a terra. De qualquer forma, adorei a banda ter utilizado esse sample, interessante no mínimo.

A história triste e apocalíptica, ganha vida com o instrumental sombrio feito pelo Caïna. A banda não mediu esforços para criar um clima propício à situação apresentada no álbum. Os vocais expressam uma profunda agonia e desespero, trazendo uma variação entre vocal harsh e limpo. ambos eficientes e sob medida. O instrumental não segue um ritmo padrão ao decorrer das faixas, as alternações ocorrem de maneira bem encaixada, trazendo passagens mais rápidas e pesadas totalmente sufocantes, e passagens mais cadenciadas, introspectivas e soturnas. 

O álbum contém 5 faixas e pouco mais de 32 minutos de duração, o que é a minha única reclamação em relação à ele. O destaque do álbum é a faixa Orphan, um petardo de 15 minutos em que o Caïna utiliza um vasto repertório, passando de momentos turbulentos para outros de pura melancolia.

Setter of  Unseen Snares foi lançado em 20 de Janeiro, pela Broken Limbs Recordings e é uma das gratas surpresas que tive em 2015 até o momento. O álbum tem um produção agradável e possui um instrumental pesado e sombrio, capaz de criar uma atmosfera bem envolvente ao decorrer das 5 faixas.




Tracklist:

01. Introduction
02. I Am the Flail of the Lord
03. Setter of Unseen Snares
04. Vowbound
05. Applicant/Supplicant
06. Orphan

Ouça em: Bandcamp


domingo, 22 de fevereiro de 2015
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An Autumn For Crippled Children - The Long Goodbye

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Gênero: Atmospheric / Post-Black Metal
País: Holanda
Ano: 2015

Comentário: Os holandeses do An Autumn for Crippled Children aparentam ter uma fonte de inspiração inesgotável. A banda formada em 2008 só lançou seu álbum de estréia em 2010, e de lá pra cá, a banda tem lançado material novo a cada ano que se passa. A banda retorna com seu quinto álbum de estúdio, intitulado The Long Goodbye, demonstrando um aprimoramento da estética desenvolvida ao decorrer de sua carreira.

Apresentando uma produção bem executada, a sonoridade do álbum se apresenta introvertida, melancólica e etérea. As distorções aplicadas nas guitarras se mantém como um dos pilares da sonoridade da banda, acompanhadas dos vocais rasgados de MXM, uma percussão que alterna entre momentos de uma levada mais calma à outros de ritmo acelerado, e por fim, o bom uso dos teclados. Tudo isso contribuiu para que a atmosfera do álbum se transformasse em algo bem carregado, envolvente e coeso.

A sonoridade feita pelo An Autumn for Crippled Children parece te acertar de todas as formas e por todos os lados. O contraste criado entre as guitarras no início da faixa "Converging Towards The Light" é um exemplo disso. Nesta faixa a banda demonstra um desenvolvimento impecável ao decorrer da faixa. As passagens mais atmosféricas são precisas e trazem uma grande sensação de agonia. Em "Only Skin", o início quase que minimalista é substituído por um instrumental numa levada mais calma, apresentando uma sequência de guitarras bem estridentes, acompanhadas por teclados marcantes e o vocal num tom equivalente ao do instrumental. É uma das melhores faixas do álbum. Em "Endless Skies", a banda aposta em batidas eletrônicas e teclados inicialmente, servindo como uma introdução. A leveza no teclado se mistura com as guitarras atordoantes e um instrumental bem sólido e ameno, trazendo várias alternâncias no ritmo e com o vocal de MXM sempre se destacando em todo momento que se faz presente.

The Long Goodbye é um álbum interessante e bem agradável para quem já conhece esse tipo de sonoridade, com diversas e belas melodias, além de um mix entre peso e suavidade muito bem feito. Odeio fazer comparações, mas de início achei ele superior ao Try Not To Destroy Everything You Love. Blackgaze, Post-Black Metal ou seja lá quais etiquetas  e rótulos possam ser atribuídos ao som feito pelo An Autumn for Crippled Children, a banda é boa naquilo que se propõe a fazer. O álbum será lançado oficialmente amanhã, mas já está disponível para streaming via Spotify.




Tracklist:

01. The Long Goodbye
02. Converging Towards The Light
03. A New Form Of Stillnes
04. Only Skin
05. When Night Leaves Again
06. She's Drawning Mountains
07. Endless Skies
08. Gleam
09. The Sleep Of Rust

Ouça em: Spotify


sexta-feira, 6 de junho de 2014
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Harakiri for the Sky - Aokigahara

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Gênero: Post-Black Metal
País: Áustria
Ano: 2014

ComentárioHarakiri for the Sky é uma banda austríaca formada na cidade de Viena no ano de 2011. A banda é composta por apenas dois membros, sendo eles Matthias Sollak e V. Wahntraum, que compõem e gravam todo o material feito pela banda e acrescentam 3 membros para suas performances ao vivo. A banda possuí dois álbuns de estúdio, sendo Aokigahara o trabalho mais recente lançado no dia 21 de abril desse ano.

Quando tanto o nome da banda quanto o nome do álbum tem referências com suicídio, já é de se esperar que o som siga tal tema. O nome da banda se refere à uma antiga forma de suicídio japonesa e o nome do álbum se refere à uma floresta situada nas imediações do monte Fuji, a qual é um local onde acontecem inúmeros suicídios além de ser rodeada de histórias de espíritos e demônios da mitologia japonesa.

O clima do álbum é bem melancólico, possuindo um instrumental muito bem elaborado e bem tocado. Os vocais são de grande destaque, sendo um dos pontos de maior qualidade do álbum e a produção ficou ótima, fazendo que a audição seja bem proveitosa, nítida e dando pra perceber todos os detalhes encaixados em cada faixa. O contraste entre as partes calmas, caóticas e melancólicas é bem evidente e muito bem realizada, sendo que ao decorrer das faixas não soe algo perdido ou sem sentido. Acrescentando ainda mais qualidade ao álbum, temos a participação especial nos vocais que contam com membros de bandas que eu admiro, sendo eles: Seuche (Faülnis), Torsten (Agrypnie, Nocte Obducta), Eklatanz (Heretoir) e Plague (Whiskey Ritual).

As faixas mantém um nível de qualidade bem próximo, algo que não torna o álbum enjoativo e consegue pender a atenção do ouvinte.  "69 Dead Birds For Utoya" (que conta com a participação do Plague) é uma faixa com o instrumental mais cadenciado e reforça o que citei sobre os vocais serem um dos pontos altos do álbum, simplesmente incrível como ele se sobrepõe ao instrumental, mas de maneira que o mesmo se destaque juntamente. "Parting" tem uma evolução bem interessante, o clima amena criado no início da faixa cede espaço para um instrumental envolvente e bem melancólico, um dos destaques do álbum. A faixa de encerramento é um cover da música "Mad World" da banda britânica Tears for Fears e ficou ótima, horando a original.

Harakiri for the Sky conseguiu criar um álbum sólido e bem interessante, apresentando uma sonoridade que vem sendo muito explorada nos últimos anos e que no caso da banda, foi muito bem executado. Aokigahara é um daqueles álbuns que quanto mais se escuta, mais te agrada e para os fãs do gênero, é um dos lançamentos que merecem uma chance. 




Tracklist:
01. My Bones To The Sea
02. Jhator [feat. Seuche]
03. Homecoming: Denied!
04. 69 Dead Birds For Utøya [feat. Plague]
05. Parting
06. Burning From Both Ends [feat. Torsten]
07. Panoptycon [feat. Eklatanz]
08. Nailgarden
09. Gallows (Give 'Em Rope)
10. Mad World [Tears For Fears cover]

DownloadMega

sábado, 25 de janeiro de 2014
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Eudaimony - Futile

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Gênero: Post-Black Metal
País: Alemanha / Suécia
Ano: 2013

Comentário: Eudaimony é formada por membros já rodados no cenário do Black Metal. Jörg Heemann (Mosaic/Secrets of the Moon/Krieg) na bateria, Marcus E. Norman (Ancient Wisdom/Naglfar/Bewitched) na guitarra, baixo e teclado, Matthias Jell (Dark Fortress) no vocal e Peter Honsalek (Nachtreich) no piano e viola.

A estética do álbum consiste numa atmosfera profunda, depressiva, sempre acompanhada por um instrumental lento e bem tocado. A faixa de abertura já nos deixa claro isso tudo, aquele riff contínuo e estridente que se estende pela faixa, o teclado ajudando a reforçar o clima depressivo e o vocal transmitindo claramente as emoções contidas nas letras.

A bagagem musical dos membros certamente é um dos principais fatores para explicar a grande qualidade encontrada no álbum. Você não vai encontrar nada de inovador nesse álbum, tudo que foi feito já é algo de conhecimento de todos, o diferencial porém, é justamente o grande nível técnico dos membros da banda, que souberam fazer um álbum sólido e bastante agradável. Os vocais de Matthias certamente é um dos pontos de destaque do álbum, soube transferir ao ouvinte cada ideia e sentimento contido nas letras, o que é reforçado pelo instrumental.

Faixas como A Window In The Attic, trazem o lado mais depressivo e sombrio da banda, onde destaco o desemprenho do teclado, que ajuda a criar uma atmosfera tocante. Já a faixa título, traz uma pegada mais atmosférica, bem executada e agradável. A presença dos vocais limpos, acrescentam um sentimento de angústia no clima principal da faixa, onde o teclado vem a somar nesse quesito. Portraits é de imensa beleza, seu início acústico, acompanhado pelos vocais limpos e com uma batida quase eletrônica ao fundo, cedem espaço para passagens essencialmente feitas no violino (este presente em todo decorrer da faixa). A faixa de encerramento do álbum é a December's Hearse, onde o instrumental está impecável e faz uso dos teclados e violinos para acrescentar um clima angustiante que já vinha sendo desenvolvido pela banda. A faixa conta com a participação de Schwadorf (Empyrium / The Vision Bleak) nos vocais.

Futile foi um lançamento de 2013 que mereceu destaque. A ideia de fazer um som mais depressivo, triste e angustiante, mas de forma proveitosa e não forçada ao extremo, funcionou muito bem. Fica a expectativa de futuros lançamentos da banda e que sejam de grande qualidade como foi Futile.


Tracklist:

1. Ways To Indifference
2. Mute
3. A Window In The Attic
4. Futile
5. Portraits
6. Cold
7. Godforsaken
8. December’s Hearse

Download: Mega


Quem escreve e faz os uploads:

 
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