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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
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Drops de bacon #14 - 3 discos nacionais lançados em 2015

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“10”, Valsa Binária (Independente)

Formado pelo quarteto Danilo Derick (guitarra, teclados e variados), Leo Moraes (guitarra e voz), Rodrigo Valente (bateria) e Salomão Terra (baixo), em “10” os mineiros da Valsa Binária apostam numa continuidade natural do primeiro disco lançado em 2011 (disponível também para download gratuito no Bandcamp da banda). Autoproduzido, “10” é composto por 10 faixas que promovem a junção, em plena harmonia, de canções alegres e bem humoradas com melodias introspectivas. Já na abertura o ouvinte é convidado à dança na ótima “Receita”, canção que ironiza as necessidades femininas modernas. O clima jovial é mantido na jovem guardista “Vou Correndo” e na esteticamente folk “A esquina” (única faixa cantada por Danilo). Em contraponto, faixas como “Céu de Abril” e “Dona de si” (conduzida por belo arranjo ao piano) respondem pela porção delicada do álbum. Já em “Melhor Que Sou” e “Quis”, o encontro promovido é entre a dramaticidade com a urgência, conduzida por arranjos atmosféricos e soturnos. A valsa circense “O Palhaço” encerra de modo agridoce o disco que é altamente indicado para os que gostam da sonoridade pop com ares descompromissados.
Nota: 8
Ouça e faça download gratuito em: http://www.valsabinaria.com.br/
Preço: a banda optou pelo formato pague o quanto quiser + frete. O pedido do CD pode ser feito diretamente com o grupo através do e-mail producao@valsabinaria.com.br.

“Piacó”, Iconili (Indepedente)

Formado em 2006, o combo instrumental mineiro Iconili atinge o ápice de sua criatividade em “Piacó”, seu segundo disco, lançado em março de 2015. Sem impor limites a sua já peculiar sonoridade, o álbum (composto por 11 faixas) segue a fórmula afrobeat testada no debute, “Tupi Novo Mundo”, de 2013, mas com abertura para novas sonoridades. Essa proposta já é percebida em “Jorge Botafogo”, faixa de abertura do novo trabalho, onde o clima jazzístico dá o tom. O experimentalismo e a fusão com o carimbó conduzem a faixa título como também a pulsante “Gentil”. Sem deixar a energia cair, a atmosfera dançante é quase interrupta no disco. Afinal é basicamente impossível ficar impassível a faixas como “Nêgo Preto” (conduzida por guitarras em ode a disco music), “Preta de Tataqui” e “Mr. Ok”, canção que promove o encontro de ritmos brasileiros e africanos. Em tempos de alta cozinha, como autênticos chefes culinários, os mineiros do Iconili criaram em “Piacó” um prato bem elaborado, composto por ingredientes diversos que soam saborosos a cada audição. Um dos discos essenciais do ano até agora.
Nota: 10
Ouça e faça download gratuito em: http://www.iconili.com.br/
Preço do CD: R$ 21,00 (compre na loja virtual do grupo em http://loja.iconili.com.br/)

“Garnizé”, Dibigobe (Independente)

Em seu segundo álbum, a turma mineira da Dibigobe trafega pelo caminho da ousadia. Tendo como mote central uma homenagem semi-instrumental ao sambista Ataulfo Alves, o grupo não se rende as armadilhas da mera reprodução dos arranjos originais, pois aposta alto na pessoalidade e a na criatividade ao longo de oito faixas de “Garnizé”. Gravado em Mineapollis (EUA) com produção de Zachary Hollander (que já trabalhou com Explosions in the sky e The Polyphonic Spree), “Garnizé” recria de maneira desconcertante clássicos do compositor de Miraí, MG. Faixas como “Tempos de Criança” (que ganha ares de post-rock carregado de batidas eletrônicas), “Laranja Madura” (relida com elementos do rock e jazz), a desacelerada e bela “Mulata Assanhada”, os ares carnavalescos de “Você Passa, Eu Acho Graça” e a releitura gipsy (ritmo popular nos EUA nos anos 20) para “Aí Que Saudades da Amélia”, que conta com a participação do clarinetista Pat O’Keffe, destacam-se. Mas o climax concentra-se em “Na Cadência do Samba”, única faixa com vocais, onde a presença da icônica cantora mineira Dona Jandira abrilhanta a canção. O resultado final é tão acima da média que deixaria o finado ícone da música popular brasileira orgulhoso.
Nota: 10
Ouça em: https://soundcloud.com/dibigode/sets/garnize
Preço: R$ 50 (vinil). Pode ser adquirido no site www.amusicaquevemdeminas.com.br
Publicado originalmente em Scream & Yell.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
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Callisto - Secret Youth

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Gênero: Atmospheric Sludge / Post-Metal /Rock
País: Finlândia
Ano: 2015

Comentário: Eu imaginei que teria a mesma disposição de acompanhar os lançamentos em 2015 assim como tive em 2014, mas infelizmente não escutei muita coisa nova em janeiro. Mas alguns dos lançamentos que saíram já eram aguardados por mim com grande ansiedade. Um deles é o novo álbum dos finlandeses do Callisto, que lançaram no último dia 30 o álbum intitulado Secret Youth.

A ansiedade em torno deste lançamento se dá pelo fato do estilo creditado à banda ser um dos meus favoritos, somado aos quase 6 anos de espera desde o lançamento do último álbum de estúdio da banda. Como ocorre com muitos nomes do estilo, o Callisto vem aprimorando sua sonoridade com o passar dos anos, experimentando novas sonoridades e métodos de composição, afim de criar uma sonoridade autêntica em meio à um estilo onde muitas bandas caem dentro de clichês e falta de inspiração.

A primeira amostra do material contido no novo álbum, se deu pelo single da faixa Backbone, lançado em novembro de 2014. A faixa possui uma linha de baixo marcante, acompanhada por uma bateria num ritmo agradável, além de guitarras bem suaves. A combinação entre o ótimo vocal limpo e o harsh potente dita o ritmo da faixa, que se desdobra de maneira bem calma.

O álbum apresenta uma sonoridade bem agradável e familiar para aqueles que conhecem o estilo, numa levada bem atmosférica e com poucos momentos de instrumental mais agressivo. A faixa de abertura "Pale Pretender" deixa isso bem evidente. Passagens mais estáticas, guitarras mais melódicas e suaves, além do bom uso de samples. Outra faixa que exemplifica bem a ideia do álbum, é a "Lost Prayer". Um instrumental bem elaborado e de fácil assimilação, onde o papel desempenhado pelas guitarras contribuiu bastante para o resultado final.

Secret Youth não é um álbum "pesado", aposta em melodias mais calmas e uma atmosfera limpa e tocante para conquistar o ouvinte. A qualidade da produção ajudou muito para que o álbum soasse agradável, levando em conta o fato da banda se empenhar em criar um instrumental mais abrangente e elaborado. O vocalista Jani merece destaque, o rapaz possui um belo vocal que consegue se encaixar muito bem nesse tipo de sonoridade, além de possuir um ótimo alcance e feeling.

Lançado pela Svart Records, o álbum possui 10 faixas e cerca de 53 minutos de duração. Por mais que o álbum esteja longe de ser algo brilhante, tem potencial para surpreender e uma qualidade incontestável. É interessante ver o Callisto elaborando sonoridades ainda mais atmosféricas e incorporando mais elementos de outros estilos, tudo isso feito de forma bem coesa.




Tracklist:

01. Pale Pretender
02. Backbone
03. Acts
04. The Dead Layer
05. Lost Prayer
06. Breasts of Mothers
07. Grey Light
08. Ghostwritten
09. Old souls
10. Dam’s Lair Road

Ouça em: Spotify

sexta-feira, 18 de julho de 2014
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Self-Inflicted Violence - A Perception of Matter and Energy

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Gênero: Black Metal / Depressive Black Metal / Post-Rock
País: Reino Unido
Ano: 2009

Comentário:
Salve pigneanos, retorno para vos trazer um som, que apesar do estilo batido e quase esgotado, merece a atenção, e um post deste que vos escreve. Esse duo do Reino Unido é formado por 2 dos nomes artísticos mais bizarros que eu já vi, são eles 1,4,1,13 e V11. Sim, esse numeral todo (1,4,1,13) é o codinome de Adam Magnox, vocalista e compositor do projeto, e William Theccan é V11, responsável por todo instrumental.

Esse album é o primeiro e único full-lenght dessa dupla, e traz 6 canções densas e lineares, e todos os elementos dos estilos envolvidos estão muito presentes por todo CD e suas influencias gritam. O que me encanta nesse trampo é a simplicidade e o ambiente foda que aquela distorção clichê das guitarras, a bateria hipnótica, o ritmo mantido por todo o disco e o vocal desesperado me proporciona.  

Apesar do full-lenght ser bem "igual", temos passagens bem bonitas e únicas, como a levada claustrofóbica de "Artificial Phenomenon", com uma subida de timbre na parte final e um desfecho intenso. "Comfort in Insomnia" é a mais visceral e podrona. Com uma distorção mais crua e uma pegada mais mórbida, dança de mãos dadas com o Depressive Black Metal. O grande destaque está já no começo, e é "Liquids", a faixa que abre o disco. O trampo inteiro poderia ser resumido nessa canção, uma puta música. Talvez não seja a mais intensa, nem a mais bonita, mas a identidade da banda é mostrada de uma forma muito honesta aqui, e esse perfeito jogo de timbres, variações de frequência e volumes que é muito inteligente e raramente visto em outros trabalhos, casa perfeitamente com as nuances e os arranjos, que apesar de não serem nada de extraordinário, nos mostra uma perfeita sinergia, e fazem dessa faixa um clássico do gênero.

Pode parecer estranho, mas esse é um disco para reflexão, um black metal para relaxar, e mesmo com todo clichê e todos os elementos mais que batidos desse gênero, merece uma audição e uma atenção especial. Raramente um jogo de timbres e frequência mexeram tanto comigo. Um grande album, indispensável para fãs e entusiastas do estilo.

Myspace / Homepage

Tracklist:
1.Liquids - 07:10      
2.Artificial Phenomenon - 07:00      
3.Eugenics - 08:30      
4.A Mental Cancer II  - 08:06      
5.Comfort in Insomnia - 09:11      
6.Realisation - 06:45      

Download:
Mega / Zippyshare / Turbobit / Freakshare

quarta-feira, 11 de junho de 2014
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Lantlôs - Melting Sun

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Gênero: Post-Rock / Post-Metal / Shoegaze
País: Alemanha
Ano: 2014

Comentário: O Lantlôs sempre foi uma banda que procurou moldar sua sonoridade ao decorrer dos álbuns, sempre apresentando uma nova faceta ou característica. Isso se repetiu no quarto trabalho de estúdio da banda intitulado Melting Sun, onde a sonoridade explorada parte para outro caminho, se diferenciando dos seus anteriores.

Uma das primeiras mudanças que ocorreram foi justamente entre os membros da banda, a qual teve a saída do Neige (Alcest e mais uma variedade de outras bandas) que ficou por conta do vocal nos dois álbuns anteriores da banda, Neon (2010) e Agape (2011) respectivamente. Com a saída de Neige, Markus Siegenhort (ou Herbst) ficou responsável pelo vocal, onde o tipo harsh apresentado nos álbuns anteriores foi deixado de lado, cedendo espaço para um vocal limpo e mais melódico em certas partes.

As seis faixas que compõem o álbum são de grande qualidade e muito cativantes, detalhe que se é notado desde a faixa de abertura. "Azure Chimes" e sua atmosfera envolvente tratam de preparar o ouvinte para o clima contido no álbum, o instrumental bem trabalhado e o vocal de Siegenhort são de beleza incrível. Confesso que na primeira vez em que escutei o álbum, repeti essa faixa diversas vezes antes de partir para a próxima. "Cherry Quartz" vem logo em seguida, seu início ameno focado apenas na guitarra cede espaço para um instrumental envolvente e um vocal tocante, um dos melhores momentos do álbum. Outra faixa que merece destaque é a "Jade Fields", apresentando uma sonoridade com partes mais pesadas do que a característica do álbum, além de um clímax incrível criado pelo vocal de Siegenhort sendo muito bem acompanhado pelo backing vocal, no decorrer da metade final da faixa. As demais faixas não fogem do padrão apresentado pelas citadas anteriormente, mantendo o mesmo nível.

Melting Sun é fascinante e muito bem produzido, é um álbum que se torna ainda mais belo a cada vez que é reproduzido. Uma experiência incrível e bastante satisfatória, deixando a dúvida do quê será feito futuramente pela banda, uma vez que os caminhos explorados em Melting Sun abriram um leque de possibilidades para os lançamentos futuros.




Tracklist:
01. Melting Sun I: Azure Chimes
02. Melting Sun II: Cherry Quartz
03. Melting Sun III: Aquamarine Towers
04. Melting Sun IV: Jade Fields
05. Melting Sun V: Oneironaut
06. Melting Sun VI: Golden Mind

Download: Sendspace

domingo, 20 de abril de 2014
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Australasia - Discografia

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Gênero: Post-rock/ Post-metal
País: Itália
Ano: 2012, 2013 e 2014

Comentário: Não se engane com este nome, Australasia não é uma banda com elementos aborígenes localizada em algum território entre a Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné ou aquelas pequenas ilhas que poucos sabem de sua existência — que dirá seus nomes —, mas sim um duo italiano fazendo aquele post-rock sempre bem-vindo. Por vezes com uma pegada mais pesada do metal a la black metal justificado principalmente pelos blast beats, mas mantendo um certo elo etéreo guitarrístico para não fugir da proposta, enquanto que em outros momentos soa-se até dançante, com a ajuda de sintetizadores e vocais femininos.

Assim soa "Sin4tr4", o primeiro registro de Gian (guitarra/synths) e Rico (bateria) todo instrumental (sem contar a faixa "Apnea" que conta com uma ajudinha feminina) e que, segundo a banda, tem ares do grandessíssimo Ennio Morricone assim como também do extremo e underground mundo do metal. Isso acaba gerando músicas bem interessantes ao ponto de fato conseguirem escapar um pouco da mesmice que algumas bandas instrumentais teimam em reproduzir. Contudo aqui posso notar uma diferença bem grande entre as faixas, o que me acaba soando bem experimental. Não é como se fosse um post-rock mais pesado durante todo o disco, ou atmosférico durante os seus 22:18. Não, pelo contrário, existem mudanças bruscas de intensidade, fazendo com que nos desfrutemos de sentimentos diferentes. Isso é ótimo, mas é arriscado, eu diria, ao se pensar num disco com 7 músicas da qual a proposta pede por uma coerência. Bom, eu aprovei, não senti maiores prejuízos e na verdade pouco ou nada me incomodou já que tudo parece soar tão bem.

Mas Sin4tr4 se tratava de um EP, então em 2013, Gian Spalluto — que agora assina o projeto como músico multi-instrumentista: AUSTRALASIA is an evolutionary musical project, a collective featuring an alternating array of musicians and led by multi-instrumentalist Gian Spalluto. — lança o full length "Vertebra", um disco com 10 faixas, das quais "Antenna" e "Apnea" já haviam sido apresentadas no EP anterior, e as novas composições são igualmente belas. Deixando como exemplo para aguçá-los temos "Aorta", segunda música mais longa do álbum e que inicia com uma sonoridade que já resume bem o que esperar dali em diante, e com o final trazendo vocais femininos juntamente do piano. E aí, logo em seguida, "Vostok" dá o ar da graça com uma breve introdução eletrônica, que tende a volta mais tarde, a não ser no final em que eu sou surpreendido por um violão que me remeteu à forma brasileira de fazer música... mas não chegou a tanto, felizmente, pois Vertebra não é um disco para se experimentar tanto... quem sabe em outra ocasião. Já as demais novas faixas trazem mais peso, leveza, dissociação entre corpo e alma e assim por diante. Um belo disco lançado pelo selo Immortal Frost Productions.

E finalizando este post, o Australasia lançou em fevereiro deste ano um cover de Twin Peaks Theme, em homenagem ao compositor de trilhas sonoras Angelo Badalamenti, mas mantendo a característica ambiente.


Tracklist:
  1. Antenna 
  2. Spine
  3. Apnea 
  4. Scenario 
  5. Satellite 
  6. Retina 
  7. Fragile
Download/Comprar: BandCamp



Tracklist:
01. Aorta
02. Vostok
03. Zero
04. Aura
05. Antenna
06. Volume
07. Vertebra
08. Apnea
09. Deficit
10. Cinema

Download/Comprar: Mediafire / Immortal Frost Productions



Tracklist:
1.Twin Peaks Theme

Download/Comprar: BandCamp

Quem escreve e faz os uploads:

 
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