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terça-feira, 18 de agosto de 2015
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Ana Cañas - Tô na vida

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Gênero: Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Muitos creditam ou se surpreendem com a "nova" fase roqueira de Ana Cañas impressa em Tô na vida, seu mais novo disco, mas o mesmo não traz tantas novidades em si.

Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi), mixagem de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) e colaborações de peso por parte de Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Dadi, Canãs fica à vontade para perfilar o que melhor sabe fazer: canções sobre o amor e dor.

Assinando grande parte do repertório, a cantora versa de maneira simples e pegajosa sobre a plenitude amorosa encontrada como em "Existe" (canção com belo solo de Maia), na cadenciada "O som do osso", em "Indivísvel" (música marcada por riffs marcantes e secos em ode a Joan Jett), na predominante acústica e lasciva  "Bandido", na suja "Madrugada quer você" (parceria estridente com Arnaldo Antunes e Lúcio Maia). Nesta seara destaca-se também o hino feminista "Mulher" ("Nenhuma em mil, ninguém e todas / Alguém te pariu, linda e louca"), que funciona como uma co-irmã de "Todas as mulheres do mundo" (canção de sua ídola Rita Lee)

Em contrapartida, baladas como o primeiro single "Tô na vida" (soul conduzido pela guitarra marota e sexy de Lúcio e pelo teclado vintage de Jeneci), "Amor e Dor" ("Não sei que eu sou/mas sei que vou por aí) e a beatleniana "Pra machucar" ("Por que é que a gente diz as coisas quase sem pensar?") revelam a outra porção do amor, expondo as fragilidades de quem se arrisca de coração aberto e sofre entre erros e acertos em busca a realização.

Num balanço final, para quem conhece a sua carreira de fato sabe muito bem que a postura rock n' roll já era alardeada, seja no palco ou com os apontamentos presentes em canções dos álbuns Hein? Volta. Mas a falta de novidade não descredita a qualidade alcançada neste trabalho. A coragem em se desnudar ante ao público segue como grande trunfo desta garota prodígio da música brasileira.

             
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Tracklist:

01. Existe
02. Tô na Vida
03. Hoje Nunca Mais
04. O Som do Osso
05. Indivisível
06. Coisa Deus
07. Bandido
08. Feita de Fim
09. Um Dois um Só
10. Amor e Dor
11. Mulher
12. Pra Machucar
13. Madrugada quer Você
14. O Amor Venceu (Faixa bônus)


Ouça: Deezer

terça-feira, 18 de novembro de 2014
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Tiê - Esmeraldas

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Esmeraldas - Tiê

Gênero: Folk / Rock / Eletronic
País: Brasil
Ano: 2014

Comentário: Paulistana na gema, Tiê faz parte do seleto grupo músicos da  que da capital conquistaram a devida exposição neste últimos anos. Debutando em 2008, a cantora lançou com o seu primeiro EP em parceria com Dudu Tsuda (Cérebro Eletrônico), trabalho que serviu de trampolim o lançamento de seu primeiro álbum. Lançado no ano seguinte, Sweet Jardim foi um dos mais belos rebentos daquele ano, graças a delicadeza e a crueza imprensas em canções tristonhas como "Assinado eu" e "Te valorizo". Nesta época, a cena local estava em alta graças aos seus pares Tulipa Ruiz, Thiago Phetit e Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) que, tempos depois, formariam o combo Novos Paulistas.

Dois anos mais tarde,  A coruja e o coração deu o ar da graça, em disco cuja influência folk, revelada no primeiro disco, novamente deu o tom tal como nas essências "Na varanda da Liz" e "Pra alegrar o meu dia". Passados 3 anos, Tiê optou por abandonar o lugar comum. O resultado desta nova empreitada é o recém lançado Esmeraldas.

O disco, cujo título faz alusão a cidade mineira onde o trabalho fora idealizado, celebra a entrada de novos parceiros, fator este que fez do disco uma amalgama de novas sonoridades. As presenças de Jesse Harris (Norah Jones) e Adriano Cintra (ex- Cansei de ser sexy), dupla que coordena a produção, trouxeram a liberdade essencial para que a cantora buscasse e alcançasse novos ares. Os delicadas arranjos de corda (na regravada "Gold Fish"), o leve aceno à música medieval na faixa título, o balanço eletrônico e dançante de "Urso", o rock na acelerada "Mínimo maravilhoso", os metais circenses de "Vou atrás" e a dueto inédito com David Byrne (Talking Heads), em canção hino anti-exposição midiática, comprovam que frutífera parceria foi acertada.  

Por um outro lado, as letras, geralmente marcadas pela pessoalidade, novamente coordenam as ações. As canções, compostas em sua maioria com André Whoong,  trazem de volta a doçura de outrora como na bela ode à beleza quotidiana ("Maquina de lavar" e em "Meia hora"). As desilusões amorosas dão o tom na dolorida  "La notte (a noite)", primeiro single e regravação da cantora Arisa, e em  "Isqueiro azul", promovendo assim o diálogo com temas passados.  

Por fim, parafraseando um trecho da já citada "Mínimo maravilhoso", Tiê está de "afim se reeducar, buscando coisas boas para aprender". Que bom! De fato, qualidades como estas deveriam ser essenciais para todo o qualquer ser humano existente, pois em tempos nos quais o pessimismo impera, se faz necessário traçar um novo olhar ao mundo ao nosso redor. A busca pelo novo pode resultar em novas alegrias e dar novos sentidos aos nossos dias.
    

Tracklist:

01. Gold Fish
02. Par de ases
03. Máquina de lavar
04. Urso
05. Mínimo Maravilhoso
06. Esmeraldas
07. Isqueiro Azul
08. Depois de um sonho
09. Vou atrás
10. A noite (la notte)
11. Meia hora
12. All around you - ft. David Byrne

Ouça emSpotify

segunda-feira, 30 de junho de 2014
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Pitty - Setevidas

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Gênero: Stone rock  / rock
País: Brasil
Ano: 2014

Comentário: Artisticamente, a sonhada maturidade musical, por vezes, é um trabalho árduo de anos de trabalho onde anos de vivência, erros e acertos, resultam por fim em algo satisfatório em sua plenitude. Porém, há aqueles que subvertem a lógica natural e de forma surpreendente já nascem prontos, capazes de produzir algo digno de nota, altamente agradável logo em sua estréia. Nesta rara seara, um belo exemplar foi a estreia de Priscila Novaes Leone, popularmente conhecia como Pitty.

Com carreira solo iniciada em 2003, após seis anos de dedicação à banda Inkoma, Pitty estreiou via Admirável chip novo, disco largamente elogiado pela crítica graças a proposta inovadora para época ao conciliar letras muito bem trabalhadas (muitas em ode a escritores clássicos como Thomas Hobbes e Aldous Huxley) com a sonoridade rock e produção precisa de Rafael Ramos.

Com o súbito sucesso, principalmente entre o público adolescente que a adotou como sua porta voz, e seguindo a máxima “em time que está ganhando não se mexe” a cantora baiana manteve a sua lógica de trabalho nos discos subsequentes (Anacrônico, de 2005 e Chiaroscuro, de 2009).

Já em 2011 criou o projeto Agridoce junto à Martin Mendonça, ex-Cascadura e guitarrista da banda de apoio da cantora, onde exploraram texturas musicais adocicadas, próximas ao folk, anos luz do seu tradicional rock visceral. Com o sucesso da iniciativa, a dupla excursionou por dois anos, rendendo inclusive uma apresentação no Lollapalooza 2013.

Após hiato de 5 anos de sua fase solo, Pitty volta aos holofotes com Setevidas. Marcado pelo turbilhão de experiências ruins recentes como a morte de Peu, guitarrista de sua primeira fase, o processo trabalhista movido por Joe, ex-baixista, e, principalmente, a internação na UTI devido a uma disfunção hormonal, a cantora promove neste quarto disco o retorno de elementos característicos de sua carreira, mas com novos olhares.

Produzido por Rafael Ramos, responsável por produzir todos os discos dela, e mixado nos EUA por Tim Palmer (responsável por inúmeros trabalhos de qualidade ao lado de David Bowie, Pearl Jam entre outros) o disco traz musicalmente de volta a influência do Queens of the stone Age de outrora como se percebe na faixa de abertura “Pouco”, na ótima “Deixa ela entrar”, e em “Pequena Morte”. As composições com o habitual tom de crítica social ressurgem em “Boca aberta” e em “A massa”.  A pesada faixa título, primeiro single deste disco, detém o mérito de ter o refrão mais pegajoso de 2014 (“só nos últimos cinco meses eu já morri umas quatro vezes / ainda me restam três vidas para gastar).     

Na ala das novidades, muitas delas oriundas da experiência adquirida em Agridoce, surgem na inicialmente delicada “Lado de lá”, canção conduzida ao piano que cresce absurdamente nos seus minutos finais num arranjo explosivo, muito semelhante aos britânicos do Muse. Já em “Serpente”, novamente o tom adocicado e predominantemente acústico dão o tom para esta canção otimista ante a vida, tema este que permeia todo o álbum. Elementos percussivos se destacam em na cadenciada “Um leão”.

Por fim, percebesse que em Setevidas Pitty conseguiu azeitar muito bem todas as dificuldades e prazeres proporcionadas nestes últimos anos de labuta e alcança agora o estado de excelência, resultando no seu melhor trabalho nestes 10 anos de bons serviços à boa música.
                                       
Tracklist:

1."Pouco"
2."Deixa Ela Entrar"  
3."Pequena Morte"  
4."Um Leão"  
5."Lado de Lá"  
6."Olho Calmo"  
7."Boca Aberta"  
8."A Massa"  
9."Setevidas"  
10."Serpente"

Download: MEGA

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
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The Wolf of Wall Street OST

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Gênero: Jazz / Blues / Rock / Pop / Soul / Rap / Latino
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Martin Scorsese sempre capricha em suas seleções sonoras para seus filmes e o recém lançado O lobo de Wall Street não é diferente. Se em sua carreira Scorsese primou pela versatilidade de gêneros fílmicos (comédia, drama, musical, ação, aventura entre tantos outros), visualizamos aqui nesta trilha o reflexo desta qualidade.

Organizada por Randall Poster e Marty, as escolhas aqui primam em sua maioria pelo caráter clássico do cancioneiro americano. À começar temos um standard jazz "Mercy, Mercy, Mercy" cometido pelo saxofonista Cannonball Adderley. Na ala do jazz ainda temos pérolas garimpadas de Allen Toussaint, Ahmad Jamal e Eartha Kitt, na ótima "C'est si bon". A porção blues fica por conta das presenças de canções de Elmore James, Howlin' Wolf e Bo Didley que comparece com duas canções: "Pretty Thing" e "Road Runner". Joe Cuba e Jimmy Castor são responsáveis pela porção latina da trilha com as ótima "Bang! Bang!" e a hilária "Hey Leroy your mama is callin you" respectivamente. O rock, gênero onipresente de suas trilhas, dá o tom com o clássico de Billy Joel "Movin' out" e também clássica versão para o hino "Mrs. Robinson" cometida pelo saudoso Lemonheads. O blues country "Meth lab Zoso sticker", da promessa 7horse, é a prova de que o diretor está também de olho no que acontece na cena musical atual. A vertente pop é representada pelo pop experimental de Malcolm McLaren e a oitentista "Never say never" de Romeo Void. Vale ainda fazer menção a corretíssima versão para "Goldfinger" (tema de 007), realizada por Sharon Jones e seus Dap Kings, que surge ao vivo durante o filme na cena do casamento do personagem central Jordan Belfort, interpretado brilhantemente por Leonardo Dicaprio.

Por fim, a trilha em si já é digna de audição por si mesma, mas vale a pena o exercício de assistir ao filme que estréia oficialmente dia 24 de janeiro no Brasil, pois mais do que meramente colocar canções durante as cenas rodadas, Scorsese prima por escolhas nas quais música e cena dialogam abertamente. Sem contar que há outras surpresas sonoras tais como Foo Fighters, Devo e Cypress Hill. É ver para crer.

P.S. A escolha de "Black Skinhead", de Kanye West, como faixa amostra é o fato da mesma ter sido utilizada num dos trailers promocionais do filme e, além disso, é, indiretamente, um hino para a obra em si. A mesma está presente no link de download abaixo em versão ao vivo como bônus.    

Tracklist:

01. Mercy, Mercy, Mercy - Cannonball Adderley
02. Dust my brown - Elmore James
03. Bang! Bang! - Joe Cuba
04. Movin' out - Billy Joel
05. C'est si bon - Eartha Kitt
06. Goldfinger - Sharon Jones and the Dap-Kings
07. Pretty thing - Bo Didley
08. Moonlight in Vermont - Ahmad Jamal Trio
09. Smokestack Lightnin' - Howlin' Wolf    
10. Hey Leroy your mama is callin you - Jimmy Castor
11. Double Dutch - Malcolm McLaren
12. Never said Never - Romeo Void
13. Meth lab Zoso sticker - 7horse
14. Road Runner - Bo Didley
15. Mrs. Robinson - Lemonheads
16. Cast your fate to the wind - Allen Toussaint
17. Black Skinhead - Kanye West

Download: MEGA

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
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Bruce Springsteen - High Hopes

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Gênero: Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: 2014 mal começou e já temos um candidato à disco do ano: High hopes, novo rebento de Bruce Springsteen, popularmente conhecido no meio musical como the boss (o chefe).

Composto basicamente de covers, outtakes e novas versões de canções já consolidadas, o décimo oitavo álbum do cantor traz também as últimas contribuições de Clarence Clemons (saxofonista) e Danny Federeci (tecladista), ambos ex-membros de sua banda de apoio (a E-Street Band), que faleceram nos últimos anos.

O cartão de visita é a cover faixa título que aqui nesta nova versão (a primeira é de 1995) prima por batidas suingadas. Na sequência temos a segunda releitura, a disco robótica (?!) "Harry's place" que faz alusão a "Mary's place", faixa do essencial The rising. "American Skin", terceira canção, também já havia debutado no disco ao vivo Live in NYC, porém aqui surge numa roupagem mais intimista. "Just like fire would" é a segunda cover. Os homenageados da vez são os australianos do The saints. "Heaven's wall" mescla gospel, batidas africanas e rock resultando em algo que deva ser um dos pontos altos da nova turnê que se iniciará neste mês. "Frankie fell in love" e "This is your sword" são puro Spingsteen: pegajosa, alegre e com cheiro de estrada. Mas o título de melhor releitura fica para "The ghost of Tom Joad": inicialmente a mesma era folk e dolorida, diretamente das sessões amargas e solitárias do disco de mesmo nome lançado na década de 90, e agora ganha arranjo pungente e voraz mediante a presença da guitarra marcante de Tom Morello (Rage Against the Machine) que colabora também nos vocais. Aliás, os serviços de Morello não se restringem a somente nesta faixa, mas no álbum como um todo.

Por fim, vale a mencionar a inusitada cover do Suicide para "Dream baby dream" canção que encerra o trabalho. A mesma, que já havia debutado ano passado num vídeo de agradecimento ao público presente na turnê Wrecking Ball; que inclusive passou pelo Brasil em 2013, é basicamente conduzida por batidas eletrônicas e arranjo sutil ao violão e traz em seu refrão o essência do trabalho do boss: a necessidade de manter o sonho vivo.

Não haveria momento melhor para que este disco vazar (a data de lançamento oficial é 14 de janeiro), pois para este ano novo que se inicia é preciso manter as esperanças em alta. Se hoje vivemos tempos difíceis Bruce segue cantando, em alto e bom tom, que devemos manter nossas chamas acessas e seguir adiante.

À seu modo, esta é a maneira de nos desejar um "Feliz 2014".                
 

Tracklist:

01 - High Hopes
02 - Harry's place
03 - American skin (41 shots)
04 - Just like fire would
05 - Down in the hole
06 - Heaven's wall
07 - Frankie fell in love
08 - This is your sword
09 - Hunter of the invisible game
10 - The ghost of Tom Joad
11 - The Wall
12 - Dream baby dream

Download: MEGA

Quem escreve e faz os uploads:

 
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Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.