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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
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Savages - Adore Life

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Gênero: Post Punk, Noise Rock
País: Inglaterra
Ano: 2016

Comentário: Com um riff quase thrash o Savages surpreendeu com o lançamento de "The Answer", primeiro single deste álbum. A música, que também abre o disco, soa como um sinal claro de que as coisas mudaram desde o lançamento do aclamado Silence Yourself, de 2013.

O Savages tinha uma dura tarefa pela frente, lançar um sucessor a altura de um disco de estreia tão único e sólido como Silence Yourself. A estratégia usada por muitas bandas para não cair no esquecimento é lançar o segundo disco no ano seguinte ao primeiro, o que na maioria esmagadora dos casos resulta em uma versão fraca do disco anterior. O Savages seguiu um caminho diferente, tomou seu tempo, e agora, três anos depois, surge Adore Life.

Apesar de ser um bom disco, algumas críticas devem ser feitas. Adore Life tem ótimas músicas, como "Evil", "Sad Person" e "Surrender, mas por vezes a banda parece estar meio perdida, se levando a sério demais, o que leva a perda inevitável daquilo que faz do Savages uma banda interessante. O exemplo mais claro disso é "Adore", uma música cansativa e que, mesmo tendo apenas cinco minutos, parece ser enorme.

Adore Life não supera seu antecessor, o que já era esperado, mas também não decepciona e mesmo que nem todas as músicas funcionem, as que funcionam são incríveis.

Tracklist:
1. The Answer
2. Evil
3. Sad Person
4. Adore
5. Slowing Down The World
6. I Need Something New
7. When In Love
8. Surrender
9. T.I.W.Y.G.
10. Mechanics

Ouça: Spotify

domingo, 13 de setembro de 2015
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Nx Zero - Norte

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Gênero: Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Foi no ano de 2006 que eu ouvi o Nx Zero pela primeira vez, eles tinham acabado de estourar com o hit "Razões e Emoções", tocando direto na radio, aparecendo em programas e conquistando uma legião de fãs. Mas claro que com o sucesso veio as criticas e não demorou muito para eles serem taxados como uma banda de 'emos' e 'bixas' que não sabem fazer rock, e eu, como um bom menino imaturo, estava no meio dos que xingavam a banda. O tempo passou, eu fui aprendendo a respeitar o trabalho dos outros, mas ainda assim a banda  não descia, eu achava o som meio infantil, instrumental fraco, e não me agradava muito.

Até que veio a musica "só rezo", já mostrando que a banda tentava seguir um outro caminho, apostando em coisas novas e saindo da mesmice. Foi ai que dei uma chance para o disco "Projeto Paralelo", que é cheio de convidados especiais e talentosos, mas não consegui me apegar ao disco,
nem passar pela metade. E por um bom tempo eu deixei pra lá, cheguei até a achar que a banda tinha acabado.

Então em 2015, passeando pelo meu feed no facebook, vejo que a banda deu uma entrevista à um portal de noticias, onde o vocalista declara que lutaram para não virar um produto. Fico curioso, clico, gosto bastante da conversa e acabo conhecendo a nova musica deles, chamada "Meu Bem".
A musica tem um som agradável, diferente, puxando um groove impressionante e uma quebra de ritmo que flui inteligentemente, sem ser brusca. Acabei baixando o disco e dando mais uma chance para a banda.

O disco abre com "Modo Avião", que já mostra um amadurecimento no instrumental, com um baixo seguindo a guitarra no melhor estilo Chili Peppers e uma letra que, adivinha, não fala sobre romance adolescente. Os efeitos no vocal deixam a musica mais interessante e com um ar experimental.
É nítido o trabalho do teclado no álbum, que deu uma encorpada na atmosfera, como é possível ouvir em "Mandela" e "Fração de Segundo". Em "Por Amor" o vocalista arrisca uma especie de rap que agrada, apesar de um refrão um tanto quanto repetitivo e bobo. "Milianos" é o ponto alto para mostrar o amadurecimento nas letras, com versos ácidos e que questionam o mundo atual, mas devo destacar também o solo de guitarra.

Ao todo, o disco mostra uma banda que evoluiu muito musicalmente, passando de adolescentes com instrumentos, para músicos que demonstram segurança em cima de seu trabalho e sabem o que estão fazendo. E isso é uma das coisas que torna o disco "Norte" mais interessante ainda, essa decisão, de uma banda que tem uma base de fãs conquistada por um determinado tipo de musica, de mudar totalmente seu estilo para não cair na mesmice e apostar em novos caminhos. E conseguiram mudar com sucesso, o instrumental impecável mostra que eles evoluíram muito dentro da banda.
Claro que muitos não vão dar chance para o disco, pelo fato de a banda sofrer muito preconceito por causa de seus hits passados e por não serem considerados "verdadeiro rock", mas eu prefiro ouvir uma banda de "ursinhos do rock", que muda seu estilo sem medo, a ouvir esses dinossauros que continuam no preto por trinta anos e nunca saem da mesmice.


Tracklist:
1. Modo Avião
2. Meu Bem
3. Mandela
4. Fração de Segundo
5. Por Amor
6. Personal Privê
7. Vibe
8. Pedra Murano
9. Breve Momento
10. Gole de Sorte
11. Milianos
12. Marcas de Expressão

Ouça em: Spotify
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
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Drenge - Undertow

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Gênero: Alternative Rock, Garage Rock, Grunge
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Quando o Drenge surgiu, vindo de uma pequena cidade no norte da Inglaterra, com seu primeiro disco era difícil não se render ao então duo formado pelos irmãos Eion e Rory Loveless.

O disco homônimo saiu em meados de 2013 e era uma explosão de riffs pesados e refrões grudentos, a exemplo do carro-chefe, “Bloodsport”. Um disco pesado e recheado de uma frustração que só quem mora, ou já morou, em uma cidade pequena, é capaz de compreender.

O Drenge cresceu, viu o mundo, excursionou com grandes nomes, tocou em grandes festivais e agora conta com mais um membro. A forma que essas mudanças afetaram os irmãos Loveless fica bem clara em Undertow, segundo disco da banda.

Embora faixas como “We Can Do What We Want” (primeiro single do álbum) e “Favorite Son” ainda resgatem o espírito adolescente do primeiro disco, Undertow soa mais maduro, adulto e elaborado.

O maior trunfo do disco certamente reside no fato deste ficar cada vez mais denso, sombrio e pesado a cada música. É fácil perceber a atmosfera do disco se transformando, o que torna de Undertow uma metáfora para a passagem da fúria adolescente (We Can Do What We Want) para as nuances complexas da vida adulta (Standing In The Cold; Have You Forgotten My Name?).

Destaque para a faixa “The Woods”, o melhor trabalho da banda até então.

Tracklist:
1 . Introduction
2. Running Wild
3. Never Awake
4. We Can Do What We Want
5. Favourite Son
6. The Snake
7. Side By Side
8. The Woods
9. Undertow
10. Standing In The Cold
11. Have You Forgotten My Name?

Ouça: Spotify


quinta-feira, 16 de julho de 2015
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Wand - Golem

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Gênero: Garage Rock, Noise Rock, Psychedelic Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.

As influências citadas pela banda durante o processo de composição do disco (Melvins, Sleep e Electric Wizard) ficam bem claras nas faixas iniciais. O disco abre com o riff pesado e com ares de Black Sabbath de “Unexplored Map”, uma música relativamente curta. Em seguida a pesadíssima “Self Hypnosis in 3 Days” abusando de riffs simplistas e de um noise rock latente. “Self Hypnosis in 3 Days”  é definitivamente o maior destaque do disco.

Todo o peso presente nas faixas anteriores é interrompido pela onírica “Melted Rope”, fortalecendo os argumentos daqueles que comparam o Wand a um ‘Tame Impala mais pesado’. Apesar da indiscutível qualidade da música, essa parece meio deslocada no contexto do albúm.

Importante ainda destacar a quase pop “Cave in”. Uma música que, localizada no meio do disco, é uma espécie de meio termo entre os extremos apresentados neste disco.

Após as barulhentas “Floating Head” e “Planet Golem” o disco encerra com “The Drift”, uma faixa quase toda feita com sintetizadores, reafirmando a diversidade de estilos que perpassam ao longo de Golem.


Tracklist:
1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 3 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift

Ouça: Spotify


terça-feira, 3 de março de 2015
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Los Hermanos - 4

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Gênero: Alternative rock / MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 2005

Comentário: Transição. Essa é a palavra que define o que 4, último álbum dos cariocas dos Los Hermanos, trabalho que celebra dez anos de seu lançamento em 2015. Controverso para época, o disco não agradou de imediato grande parte do público.

Aguardado por muitos, o sucessor de Ventura, disco solar e enérgico e de relativo sucesso, decepcionou fãs de longa data que se dividiram entre amar ou estranhar o novo rebento. A crítica, por sua vez, polarizou opiniões entre rasgar elogios ou não entender o porquê mais um recondicionamento sonoro. Mas afinal por quê tamanha disparidade?

De fato, para aqueles que acompanharam e devotaram a evolução sonora promovida em Bloco do eu sozinho, 4 representa mais uma guinada musical, a maturidade da maturidade, mas com certo estramento inicial, pois é perceptível a mudança gradual nas composições da dupla Camelo e Amarante, responsáveis por todo o repertório da banda.

Os acordes iniciais de "Dois barcos", canção de Marcelo Camelo, já denunciam que algo diferente estava por vir. As letras existenciais e melancólicas, marca inerente ao trabalho da banda, ainda estavam ali, mas o tom lúgubre e arrastado da canção causaram espanto nos já convertidos admiradores e avaliadores, que não esperavam uma imersão em melodias frias, conduzidas em sua maioria pelo piano de Bruno Medina e por arranjos orquestrados. Características como estas dominam grande parte do disco como percebe-se em "Fez-se mar", "Sapato novo" e "É de lágrima". 

Se Camelo opta por seguir novos caminhos, muito próximos a MPB clássica, Amarante responde, em menor parte, de maneira distinta apostando no que se poderia chamar de "velho Los Hermanos". O hit "O vento" (faixa esta que foi abertura de Malhação), a pungente "Condicional" e "Paquetá", com toda a sua latinidade, são conduzidas por guitarras que muito lembram o que a banda produziu nos primórdios.  

Passado todo este tempo, hoje é possível visualizar com clareza que 4 é um reflexo direto do que a dupla de compositores principais iria produzir de maneira solo anos mais tarde. Camelo seguiu a atmosfera mpbística experimental (como é perceptível nos discos Nós e Toque Dela). Já Amarante apostou em novas parcerias e formou a Little Joy, banda mezzo brasileira mezzo norte-americana, cuja sonoridade jovial alcançou relativo  sucesso. Ironicamente, tempos depois as sonoridades se inverteriam como é visível no disco de estréia da Banda do Mar (projeto de Camelo) e Cavalo (voo solitário de Amarante)  

Querendo ou não, 4 seguirá como o mais contrastante álbum da curta e meteórica carreira. Porém a sua influência e ousadia ainda reverbera na cena musical brasileira. Se algum disco brasileiro pode merecer título de marco zero do que hoje se conhece como "indie-sambinha" este disco tem grande culpa no cartório.

O que o futuro reserva à banda ainda é uma incógnita. Como não há perspectiva de um novo disco, por hora os fãs de longa terão que se contentar com a turnê caça-níquel que em outubro varrerá o solo brasileiro à preços exorbitantes.          

Tracklist:

01. Dois barcos
02. Primeiro andar
03. Fez-se mar
04. Paquetá
05. Os passáros
06. Morena
07. O vento
08. Horizonte distante
09. Condicional
10. Sapato novo
11. Pois é
12. É de lágrima

Ouça: Spotify

Quem escreve e faz os uploads:

 
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