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domingo, 1 de março de 2015
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Fifty Shades of Grey - OST

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Gênero: Jazz / Blues / Pop
País: EUA
Ano: 2015

Comentário: Se analisado de uma forma superficial, o filme conta sim uma sequência lógica dos fatos; muito embora, ao ler o livro, os fatos ficam mais lúcidos na historia, se comparados a Crepúsculo, por exemplo. É óbvio que dificilmente alguém assistirá ao filme sem sequer ter qualquer ideia sobre a historia. Terminei de ler recentemente o primeiro livro e reconheço que a escrita de E L James me irrita um pouco (principalmente nas partes de “deusa interior” e “inconsciente”). E quando penso que vim de uma escola erótica pautada nas obras de Anais Nin, percebo quão a autora precisa ainda amadurecer.

Comparo muito a trilogia de 50 tons à saga Crepúsculo. Sim, da saga, eu li 3 dos 4 livros e assisti a todos os filmes; por isso, quando digo que 50 Tons de Cinza nem de longe te faz querer ter um AVC nos primeiros 5 minutos de filme é porque sei do que estou falando! Contudo, é inegável a concepção clichê das inseguranças de um determinado tipo de mulher que se vê envolvida por um cara que igualmente se contrapõe no quesito qualidades e que faz a linha “podre de rico e problemático” e que te quer a qualquer custo. De qualquer forma, meu intuito nesse post não é a historia, pois cada um deve e pode tirar suas próprias conclusões.

Então, o que realmente foi relevante e me deixou estarrecida ao assistir o filme foi a trilha sonora. Não acompanhei as notícias pré-estreia do filme, logo, não sabia que o responsável pela OST seria o maravilhoso Danny Elfman. Claro, para quem está acostumada a uma versão dark ou deep de filmes que Danny costuma assinar a trilha sonora, eu jamais esperaria que seria ele em 50 tons e também não esperava a sequência maravilhosa de músicas.

Podemos sim afirmar que Danny foi muito feliz na escolha das músicas cuja sonoridade remetia a um clima erótico, possesso e/ou romântico. E, mais incrível que isto foi o fato de serem músicas atuais, de uma maneira geral, e que ainda houve espaço para formação clássica de Elfman. No entanto, a essência é erótica e acredito que não fui a única a se surpreender, por exemplo, com a versão de Crazy In Love tocada no filme, a qual foi direto para minha lista de músicas que superaram a versão original! Em suma, acredito que a trilha sonora acabou roubando a cena e, por vezes, até mesmo se sobrepondo às atuações. É uma sequência de músicas envolventes e lindas que devem ser escutadas independentes ao filme.

Site Oficial / Trailer

Tracklist:
01. Annie Lennox - I Put A Spell On You
02. Laura Welsh - Undiscovered
03. The Weeknd - Earned It (Fifty Shades Of Grey)
04. Jessie Ware - Meet Me In The Middle
05. Ellie Goulding - Love Me Like You Do
06. Beyonce - Haunted (Michael Diamond Remix)
07. Sia - Salted Wound
08. The Rolling Stones - Beast Of Burden (Remastered)
09. AWOLNATION - I'm On Fire
10. Beyonce - Crazy In Love (2014 Remix)
11. Frank Sinatra - Witchcraft (2000 Remaster)
12. Vaults - One Last Night
13. The Weeknd - Where You Belong
14. Skylar Grey - I Know You
15. Danny Elfman - Ana And Christian
16. Danny Elfman - Did That Hurt?

Ouça: Spotify

terça-feira, 29 de julho de 2014
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Lana Del Rey - Ultraviolence (deluxe edition)

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Gênero: Blues / Dream pop
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Primeiramente confesso: quando em 2012 Born to die, segundo disco da americana Lana Del Rey, pegou o mundo de assalto não me rendi aos seus predicados. Por mais que insistisse, após várias audições o incômodo e a impressão de estar ouvindo a mesma música por várias vezes subsequentes prevaleceu, resultando por fim num disco insosso, salvo pelos singles "Video Games" e "Blue Jeans", cuja produção extremamente polida máscara a fraqueza do longo repertório composto por 12 faixas (15 na edição deluxe). Passados 2 anos Lana ainda segue no topo, mas parece que agora a cantora encontrou seu caminho como pode ser admirado em Ultraviolence, seu mais novo rebento.

Escudada pela produção de Dan Auerbach (The Black Keys), a cantora finalmente encontrou a sonoridade adequada para a tristeza latente de seus versos. Se em Born to die a atmosfera hip hop soava estranha ao universo criado onde odes à amores partidos, a ganância e pecados originais diversos davam o tom, agora encontra na raízes dos blues e do dream pop a verve necessária.

Conduzida pela estridente e crua guitarra de Auerbach, espetáculo à parte no álbum, a faixa "Cruel World", cartão de visita de Ultraviolence, deixa a cantora à vontade para colocar a sua bela voz em canção sobre o fim de um relacionamento tempestuoso. A fantasmagórica faixa título, em ode clássico ao filme de Stanley Kubrick, promove encontro da dramaticidade de uma relação calcada na violência e sobre o amor desenfreado com direito a citação ao Hole (no verso "He hit me and it felt like a kiss"). "Shades of cool" mantém o clima lúgubre numa balada orquestrada e com solo de guitarra memorável. "Brooklyn Baby", jovial e pegajosa canção inspirada no finado Lou Reed (com quem Lana planejava trabalhar futuramente), narra as desventuras amorosas de uma moradora do distrito mais populoso do estado de Nova Iorque. A hipnótica "West coast", primeiro single deste trabalho, surpreende pelas mudanças de andamento, a sensualidade transparente nos vocais e poderia facilmente figurar numa das enigmáticas trilhas dos filmes de David Lynch. A largamente autobiográfica "Sad girl" versa sobre uma garota triste e má que se comporta de forma promíscua em prol do sucesso repentino, tema este também presente em "Fuck my way up to the top". "Pretty when you cry", faixa composta e produzida em parceria com Blake Stranathan, prima pelo aspecto angustiante de uma relação fadada ao fracasso. Para o fim, a icônica cover de “The other woman”, composta por Jesse Mae Robinson (hit maker dos anos 60) e eternizada pela diva Nina Simone, encerra de forma belíssima o trabalho. A edição brasileira tem ainda outras três faixas bônus no qual se destacam a sombria “Guns and roses” e o contraponto ensolarado chamado “Florida Kilos”, faixa que mais se aproxima da temática do disco anterior.      

E de certo foi graças a exímia colaboração de Auerbach, que iria inicialmente participar minimamente do processo, mas devido a larga sintonia artística conduziu grande parte do trabalho, que Lana encontrou seu verdadeiro potencial ainda não revelados em sua totalidade nos dois discos anteriores.

Se o futuro seguirá promissor talvez seja cedo para avaliar, mas em meio a esta seara sôfrega criada, o sentimento de alegria (tal como num filme de cunho dramático onde torcemos para que no final tudo termine bem) é impossível de ser contido ao final de Ultraviolence, um dos discos à serem ouvidos em 2014.                          

Tracklist:

01 - Cruel World
02 - Ultraviolence
03 - Shades of Cool
04 - Brooklyn Baby
05 - West Coast
06 - Sad Girl
07 - Pretty When You Cry
08 - Money Power Glory
09 - Fucked My Way Up To the Top
10 - Old Money
11 - The Other Woman
12 - West Coast (Radio Mix)
13 - Black Beauty
14 - Guns And Roses
15 - Florida Kilos

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domingo, 20 de julho de 2014
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Johnny Winter - Johnny Winter

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Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 1969

Comentário: É, meus amigos, o mundo tornou-se um lugar um pouco pior nos últimos dias. Não falo somente do massacre israelense na Palestina ou do abatimento do avião malasiano na Ucrânia. Perdemos Bobby Womack, perdemos Johnny Winter. Johnny era um ótimo exemplo para aquele antigo provérbio: "beleza não põe mesa". Já no caso dele, quem vê aquele magrelo feioso, albino e vesgo tem dificuldade para acreditar no Blues enérgico que ele fazia. Quando o assunto é música, as aparências enganam muitas vezes.

Este disco de 1969 é um dos mais puristas do Johnny e também o meu favorito, mas não necessariamente por causa disso. Dentre as canções acústicas, temos "When You Got A Good Friend", uma das mais famosas de Robert Johnson, que Johnny acertadamente deu seu toque particular, mas não alterou demais a versão original. Eric Clapton parece um menino assustado perto dele. Outra acústica que se destaca é "Dallas", a qual poderia facilmente ser confundida com um clássico do Delta Mississippi, embora seja uma composição original. "I'll Drown In My Tears" é a interpretação vocal mais entregue e honesta, dá quase pra sentir a mesma dor de cotovelo que ele deveria estar sentindo naquela época.

No lado elétrico do disco, temos a uptempo "Good Morning Little School Girl", onde a guitarra do Johnny nos faz até mesmo esquecer a harmônica de Sonny Boy Williamson. Embora a grande estrela do disco, na minha opinião, seja "Be Careful With A Fool" de BB King na qual Johnny deixa sua marca pessoal, seu jeito de tocar que morde para depois assoprar. O disco é mais que recomendado, é obrigatório. Tchau Johnny, vai fazer falta.


Tracklist:
01. I'm Yours And I'm Hers
02. Be Careful With A Fool
03. Dallas
04. Mean Mistreater
05. Leland Mississippi Blues
06. Good Morning Little School Girl
07. When You Got A Good Friend
08. I'll Drown In My Tears
09. Back Door Friend
10. Country Girl
11. Dallas (with Band)
12. Two Steps From The Blues


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quarta-feira, 18 de junho de 2014
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Jesper Munk – For In My Way It Lies

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Gênero: Indie Rock / Blues / Soul / Folk
País: Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Graças ao Spotify (muitos obrigados a chegada desse aplicativo no Brasil, aliás) que conheci o Jesper Munk. Garoto nascido em 92, de Munique, na Alemanha, que apesar da pouca idade, já demonstra uma maturidade imensa em suas composições e sonoridade.

Logo em “Hungry For Love”, já vemos a raiz indie rock do álbum vir a tona. Uma guitarra muito bem marcada, o vocal semi-rasgado de Munk, um típico tom de rebeldia e descontrole na proporção certa e uma letra, de certa forma, visceralmente animalesca; fome de amor, por amor – uma boa letra em uma sonoridade quase agressiva, uma aglutinação perfeita para o estilo de Munk.

O garoto recorre muito ao blues também, só para exemplificar, citarei aqui, “Lady River Song”. Se na faixa anterior Jesper demonstra toda sua agressividade, nessa vemos uma entrega total da extensão de sua voz em comunhão com um puta instrumental. Fazendo coro com “Lady River Song” temos “Drunk on You”, de certa forma assemelha-se a uma baladinha com reminiscências de blues/folk (tal qual “You Won't See Me Go”, mesmo que essa carregue algo mais swingado.) e “Blue Shadows”, última faixa do álbum, na sequência de “Lady River Song” que se utiliza muito bem da guitarra, baixo e vocal, uma tríade de quase suprema excelência para encerrar o álbum.

Uma curiosidade sobre o “For in My Way It Lies”, o título do álbum fora retirado da primeira cena do terceiro ato de Macbeth, de Shakespeare, tentei fazer algumas associações do álbum com a tragédia shakespeariana, suas significações e personagens e talvez acha alguma semelhança entre esse amor e poder e o amor ao poder. É que no álbum de Jesper vemos um lado mais velado, um caminho que deve ser percorrido, de mentiras, ilusões e amores, bem não sei, mas fica como devaneio semi-filosófico por aqui.

Voltando ao álbum, ele tem faixas muito boas “Timeless Throne” evoca uma áurea soul para a sonoridade de Munk, enquanto “Blood or Redwine” tem algo de folk rock em sua essência – o álbum é bem heterogêneo, mas todos os ritmos impregnados nas canções conversam muito bem entre si, tornando o trabalho do Jesper Munk bastante diversificado, mas, de certa forma, homogêneo; com continuidade.

A introdução de “John's a Man” é simplesmente fantástica! Uma gaita muito da foda com uma distorção na voz do Jesper e uma guitarra ritmada por trás de tudo, marcando muito bem a faixa – dando uma inovação incrível ao álbum, fazendo-o ir para uma trilha inexplorada e inesperada; faixa muito boa, curta, mas totalmente coerente para flertar com esse universo de experimentações.

Pois bem, é um trabalho muito bom para um garoto tão novo. Ficarei de olho em seus próximos trabalhos, tendo em vista que, já em seu debut Jesper Munk conseguiu me impressionar e me prender vários e vários dias no caminho que escolheu percorrer.




Tracklist:
01. Seventh street
02. Hungry for love
03. The everlasting good
04. You won’t see me go
05. John’s a man
06. I love you
07. Our little boathouse
08. Drunk on you
09. Timeless throne
10. Blood or red wine
11. Lady river song
12. Blue shadows

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sexta-feira, 2 de maio de 2014
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Carolina Chocolate Drops – Genuine Negro Jig

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Gênero: (Prehistoric) Country / Folk / Blues
País: EUA
Ano: 2010

Comentário: Existe uma jornada a ser percorrida até que esse álbum venha de encontro a mim, pois bem, vamos a um pequeno resumo dela: estava eu deitado em minha cama, me preparando para dormir quando lembrei que queria ouvir a nova música do Manson que saiu como abertura de uma nova série (Salem, a qual eu já estou vendo apaixonado porque amo essa estética esotérica e etc). Fui pesquisar descobri a série e a música em uma abertura totalmente foda e um blues/folk por detrás daquela canção que eu achei foda.

Pois bem, fui dormir e no dia seguinte, ainda impressionado e sabendo o quanto eu gosto da estética envolvendo as bruxas de Nova Orleans e Salem, fui atrás do som dessas mesmas áreas, ou seja, joguei no Spotify a palavra “witches” porque sou adepto de que a internet pode me dar as coisas que eu quero com pesquisas óbvias, e oh, eu não me enganei! Achei uma playlist foda (Witches and snakes: southern gothic, mountain music) que estou ouvindo compulsivamente até que, aleatoriamente, “Trampled Rose” veio até mim e eu fiquei extasiado.

Ok, vamos falar um pouco da banda, “Carolina Chocolate Drops” é uma banda de Durham, Carolina dos Norte, uma das últimas remanescentes das ditas cordas afro-americanas que fazem, como eles mesmos dizem e o que também pode ser lido em vários releases, um “prehistoric country rock” unindo músicas mais tradicionais da raiz country com músicas atuais seguindo essa estética country de raiz e puta que o pariu, me desculpem o palavrão, o álbum é de 2010 e cada faixa que eu ouço dele me sinto nos brejos e pântanos da Louisiana! E eu simplesmente, até agora, não consegui parar de ouvir o álbum.

Atentando-me ao álbum o que posso destacar da sonoridade do “Carolina Chocolate Drops” é o banjo muito bem marcado e ritmado por entre as faixas que junto com a gaiva dá aquela combinação perfeita do country de raiz que já fora diversas vezes citado por essa resenha, é que eu não consigo não falar dessa sonoridade, que pode não ser original, mas convenhamos, no auge do século XXI, em uma era de sintetizadores e bases eletrônicas ver um resgate dessa forma, com essa forma, da música negra é ULTRA FODALIZANTE – mais uma vez perdão pelo palavrão.

Destaco aqui as canções que mais me prendem no álbum em questão: “Trampled Rose”, essencialmente pelo seu belo vocal, foi a que primeira, de fato me prendeu e “Hit 'Em Up Style”, conhecida pelo grande público na voz de Blu Cantrell, sucesso das paradas em 2010. Para falar do lado totalmente de raiz do álbum podemos exemplificar com “Cornbread and Butterbeans” que tem basicamente todos os elementos de uma boa música pantanosa. Atenção também para a introdução de “Snowden's Jig (Genuine Negro Jig)”, puta cello foda e o vocal de “Why Don't You Do Right?”.

Enfim, basicamente é isso, acho que gradativamente vou mergulhando de cabeça nesse universo soturno e complicado do folk de raiz, do blues, da boa e tradicional música estadunidense de origem negra que aos poucos vai perdendo espaço para os ritmos que se originaram dela, nada contra, nunca, mas acho que também temos saber de apreciar esse antigo repaginado, a música de resistência que em meio a toda uma modernidade ainda consegue emocionar com um banjo, um violoncelo e uma gaita!




Tracklist:
1.Peace Behind the Bridge
2.Trouble in Your Mind
3.Your Baby Ain't Sweet Like Mine
4.Hit 'Em Up Style
5.Cornbread and Butterbeans
6.Snowden's Jig (Genuine Negro Jig)
7.Why Don't You Do Right?
8.Cindy Gal
9.Kissin' and Cussin'
10.Sandy Boys
11.Reynadine
12.Trampled Rose

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Quem escreve e faz os uploads:

 
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